sábado, 17 de dezembro de 2022

1953 Vista panoramica da zona do Bairro agua Verde, tirada nos fundos da Industria Todeschini, situada na Avenida Sete de Setembro, 4713

 1953 Vista panoramica da zona do Bairro agua Verde, tirada nos fundos da Industria Todeschini, situada na Avenida Sete de Setembro, 4713


1912 O casal Giovanni Batista Cemin, Maria Florencia Turin com 11 dos seus 12 filhos e uma sobrinha. Da esquerda para a direita, em pé: Veronica, Luiza [sobrinha], M. Matilde, Augusto, João, Antonio, Angelo e Julio. Sentados: M. Florencia - Tendo ao colo a esquerda Cecilia - João Batista irmão de Domenica Cemin Todeschini e a esquerda o filho José

 1912 O casal Giovanni Batista Cemin, Maria Florencia Turin com 11 dos seus 12 filhos e uma sobrinha. Da esquerda para a direita, em pé: Veronica, Luiza [sobrinha], M. Matilde, Augusto, João, Antonio, Angelo e Julio. Sentados: M. Florencia - Tendo ao colo a esquerda Cecilia - João Batista irmão de Domenica Cemin Todeschini e a esquerda o filho José


Bairro Batel - Fotografia tirada a partir da Rua Vicente Machado - Podemos ver a residência dos Miro, vista por trás [1904]

 Bairro Batel - Fotografia tirada a partir da Rua Vicente Machado - Podemos ver a residência dos Miro, vista por trás [1904]


Anotacao manuscrita na borda superior: Batel - Arrabalde de Curityba 1905

 Anotacao manuscrita na borda superior: Batel - Arrabalde de Curityba 1905


Bairro Barreirinha [1917]

 Bairro Barreirinha [1917]


casa onde funcionava o armazem de vitorio emanuel bobato; localizada na vila sao sebastiao. aberto na decada de 1930, o armazem do bobato vendia cereais, secos e molhados e liquidos espirituosos (bebidas alcoolicas). 1996. fotografo: fernando augusto. acervo: casa da Memoria

 casa onde funcionava o armazem de vitorio emanuel bobato; localizada na vila sao sebastiao. aberto na decada de 1930, o armazem do bobato vendia cereais, secos e molhados e liquidos espirituosos (bebidas alcoolicas). 1996. fotografo: fernando augusto. acervo: casa da Memoria


Histórias de Curitiba - Campanha do silêncio

 

Histórias de Curitiba - Campanha do silêncio

Campanha do silêncio
Euro Brandão (in memorian)

Curitiba não é certamente uma cidade silenciosa, mas sem dúvida é uma das menos barulhentas entre os grandes centros urbanos do país.
Aqui os motoristas não usam tanto a buzina, como em outras cidades, onde impaciência e a deseducação azucrinam os ouvidos de todo mundo.
Mesmo os casos de música em nível excessivo nas lojas comerciais e de pregões gritados nas ruas não chegam a alcançar padrões correntes em outras cidades.
Curitiba conta hoje com a legislação de silêncio, que, embora pouco conhecida e deficientemente fiscalizada, está de certa forma absorvida pela população em seu procedimento comedido.
Entretanto nem sempre foi assim.
Houve época em que as esquinas não eram devidamente sinalizadas e costumava-se buzinar ao traspassar todos os cruzamentos.
Lojas populares berravam por alto-falantes sua propaganda perturbadora.
Camelôs percorriam o centro em brados contundentes. A má qualidade da manutenção de veículos poluiam a cidade não só com fumaça deletéria, mas também com ruídos ensurdecedores.
Foi então que o Instituto de Engenharia do Paraná, resolveu desencadear uma CAMPANHA DO SILÊNCIO. Com o apoio da Associação Brasileira de Acústica foi realizado esse importante evento em 1964. O Prof® Rubens Meister, Presidente do Instituto, com a colaboração entusiasta do Dr. Carlos Barontini, desencadeou o trabalho.
Milhares de cartazes foram espalhados pela cidade, mostrando uma cara facinorosa com o indicador diante dos lábios, pedindo a todos a redução do ruído.
Com o acolhimento de ambos os canais de televisão da época vários debates foram ao ar, refe-rindo-se aos riscos dos sons muito altos, em detrimento do aparelho auditivo, e com outros males para a saúde, principalmente ao psi-quismo.
Curitiba viu realizar-se nesse conjunto programado um congresso nacional de poluição sonora, em que foram tratados vários aspectos do problema, seja do ponto de vista técnico, médico, psicológico ou legislativo, com a presença de vários especialistas de outros estados.
Durante vários dias funcionou, em diversos pontos do centro da cidade, um aparelho que visualizava, em cores, a altura dos ruídos.
Quando acendia a luz vermelha, evidenciava-se a ocorrência de nível perigoso no barulho urbano.
Um fato curioso que então ocorreu é que o representante do Instituto falava na televisão sobre a Campanha, justamente no dia em que se anunciava o deslocamento dos canhões do General Mourão, no bojo da Revolução de 64, o que levou o pregador do silêncio a admitir:
- "Não sei se é hoje o melhor dia para falar em silêncio..."
Transcorridos tantos anos, como resultado daquele impulso inicial, e de trabalhos posteriores, Curitiba já apresenta condições bem lhores no que tange ao ruído cvitável.

Euro Brandão foi engenheiro e professor.

Histórias de Curitiba - Colégio Medianeira

 

Histórias de Curitiba - Colégio Medianeira

Colégio Medianeira
Reinaldo Demeterco Souza

O Colégio Nossa Senhora Medianeira não estava totalmente concluído quando inaugurou, em 1957, com uns 160 estudantes, todos meninos e uniformizados: calças de brim da Curitex, camisa azul com distintivo bordado no bolso, sapatos... pois nem se ouvia falar em tênis.
Como era distante o Colégio! A maratona começava cedo: a partir de 6:30 estavam todos nos pontos onde motoristas amigos chegavam em velhos ônibus.
Dias de chuva transformavam-se em festa. A BR-2 (atual 116) ainda não pavimentada, proibia o acesso, obrigando os ônibus a pararem distante do Colégio, lá embaixo, no cruzamento do Prado Velho.
Era preciso fazer o resto do percurso a pé. No barro. O Padre Gomes é quem guiava a meninada, colocando os menores no colo.
Iam todos alegres pois a primeira aula estava perdida, trocada pela tarefa (transformada em algazarra) de limpar galochas e botinas...
Eram pioneiros, cúmplices de uma idéia e de um ideal. O ensino forte, a disciplina de severidade terna aproximavam cada vez mais estudantes e professores.
Madre Batista, Irmã Narcisa, Irmã Salette, Irmã Inês, Irmã Maria dos Anjos...
Antes de alunos, eram amigos e fillhos.
Conheciam dificuldades e até as famílias de cada aluno.
Só uma coisa era difícil de entender.
Porque o Pe.
Gomes não permitia que se penteasse o cabelo?
Não adiantava passar brilhantina ou glostora que suas mãos enormes desalinhavam o penteado imediatamente.
Essa disciplina inaciana tornou o chinelo do Pe.
Osvaldo Casado Gomes famoso. Não me recordo se andava com o dito cujo nos pés ou nos bolsos de sua batina preta. O fato é que o tal chinelo surgia sempre para conter as estrepolias mais ousadas.
Mas não doía.
Por mais incrível que possa parecer, aquelas chinelas eram um gesto de amor.
Gestos de amor de um homem cuja vida foi só luta e dedicação.
De quem colaborou na formação do caráter de uma geração, um herói.
Ele faleceu num acidente aéreo e hoje repousa vigilante no bosque do Colégio Nossa Senhora Medianeira.

Reinaldo Demeterco Souza é médico e ex-aluno do Medianeira.


Fonte: Historias de Curitiba Paraná.

Histórias de Curitiba - Brincalhão até a morte

 

Histórias de Curitiba - Brincalhão até a morte

Brincalhão até a morte
José Cadilhe de Oliveira

Foi inegavelmente um homem feliz.
Ferroviário de profissão, trabalhou na "sua querida Rede", como sempre dizia, por quarenta anos.
Mas exerceu inúmeras outras atividades, desde vendedor até "guarda-livros", função atualmente conhecida como contabilista, que teve num orfanato.
Foi ainda treinador de futebol - dirigiu por muito tempo o poderoso Ferroviário.
Todavia se realizava mesmo era no carnaval, quando saia, invariavelmente, pela "Embaixadores da Alegria", fantasiado de Rei.
Nunca chegou oficialmente a ser "Momo" da folia curitibana, mas, com toda segurança, sempre se apresentou com fantasia mais rica e bela que o Rei oficializado para o Carnaval da cidade.
Com "sua querida Rede" envolveu-se em inúmeros episódios tragicômicos.
Lembro quando botou para correr um diretor da Rede que , segundo ele, fazia de tudo para atrasar sua aposentadoria.
Prometia ao diretor um "corridão e surra em via pública". Não deu outra.
Logo que se aposentou encontrou com o diretor em uma tradicional farmácia, em pleno centro de Curitiba. O ilustre engenheiro, que conhecia as façanhas de seu ex-subordinado, saiu correndo pela rua XV tentando chegar ao escritório da Rede, no Edifício Garcez.
Para escapar entrou no Braz Hotel, na época com a primeira porta-giratória do Sul do Brasil, como faziam questão de anunciar.
Não teve surra mas o corridão... Outra vez aprontou com outro colega da Rede, também figurão, de cargo elevado. É que corria a fama que a esposa de nosso protagonista era excelente qui-tuteira. Não raros foram os amigos que desfrutaram de almoços preparados por D. Olímpia.
Chegou o dia em que Agostinho (era o apelido desse colega da Rede ) reclamou um convite, logo aceito pela brincalhona figura.
Quando se aproximava perto da casa, nosso focalizado falou: "Não avisei a Olímpia e ela pode não estar trajada para receber um estranho.
Sabe como são as mulheres...".Assim, pediu para Agostinho que esperasse do lado de fora, até que fizesse um sinal de que
tudo estava preparado.
Dado o sinal, Agostinho avançou e tocou a campainha.
Foi atendido pela empregada que disse: "O senhor é quem vem para almoçar?
Então espere um pouquinho". E logo voltou com um prato e uma colher de sopa. "Taí, pode sentar na soleira da porta". Os gritos de Agostinho ainda ressoam pelos arredores da casa, próxima à Igreja do Guadalupe. O restabelecimento da amizade levou seis meses e isso graças a interferência dos colegas.
Tudo, porém, sem almoço reparador...
Este era Nélson Gonçalves, homônimo do famoso cantor.
Ele chegou a promover espetáculo até o final de sua vida.
Quando morreu, foi velado em sua própria casa, nesta época situada na Rua Comendador Macedo.
Minutos antes da saída do féretro, correria geral.
Os amigos que aguardavam na calçada logo pensaram que mais uma peça teria pregado Nélson Gonçalves.
Foi um grande susto. E que como a casa estava repleta de gente o assoalho cedeu e afundou com a multidão por cima.
Ninguém saiu ferido, salvo algumas ligeiras escoriações. O enterro seguia apressadamente e Nélson foi sepultado dignamente.
Todos diziam que este fato foi a "última"proeza dele.
Figura cômica que pelo modo de encarar a vida marcou época e deixou saudades.

José Cadilhe de Oliveira é advogado.


Fonte: Historias de Curitiba Paraná.

Histórias de Curitiba - A turma da Saldanha

 

Histórias de Curitiba - A turma da Saldanha

A turma da Saldanha
Leónidas T. Ribas Jr.

Na década de 50, na esquina das ruas Saldanha Marinho e Prudente de Morais, dois portugueses iniciaram as suas atividades comerciais.
Quem é daquela época não pode esquecer o José Gomes e o Armando Mendes (ambos já falecidos), que ficavam até alta madrugada ou mesmo se revezavam para atender os seus fregueses e para ganhar o quanto antes o pão de cada dia.
Naquela época, dizia-me o Armando, o bar da Saldanha teria o nome de Tip-Top - inclusive já haviam feito uma placa com este nome.
Mas, como todos sabem, quase nada é como a gente gostaria que fosse, e qual não foi a frustação dos portugas, quando souberam que já havia um outro bar com o nome escolhido e já registrado.
Passado algum tempo e a frustação, escolheram um outro nome para o bar - "Jovial" - que ficou, se não me engano, até hoje.
Na placa do estabelecimento tinha a figura de moleque de calças curtas com um estilingue aparecendo no bolso de trás.
Naquela época já existia a Turma da Saldanha.
Alguns já adultos que não lembro os nomes e o pessoal mais novo, do qual eu fazia parte.
Na Saldanha Marinho esquina com a Brigadeiro Franco, tinha o Zênio de Oliveira e Silva, o Egberto Van Erven, o Espanhol (Carlos Fernandes de La Reguera Bothei), o Massami e o Hyroshi, que moravam na pensão do Paulo japonês (Paulo Ogura).
E na Saldanha esquina com a Prudente de Morais tinha o Polaco Hermínio, o Nito Tarzan, o Fran (Francisco Alvez de Oliveira), o Reginaldo Alvez de Oliveira, o Xandú (Alexandre Nassif), o Macaco, o Jorge, o João Domingues dos Santos (Macumba), o Reinaldo Polaco e tantos outros.
Como não poderia deixar de ser, sempre houve uma pequena rivalidade entre os dois grupos e depois de muitas provocações, foi combinada uma briga entre um de cada turma para que ficasse resolvido quem lá mandava.
A turma de baixo, da Prudente , escolhe o Polaco Hermínio para brigar porque ele era o maior de todos e para mim, naquela época, ele parecia que tinha dois metros de altura.
A turma de cima, da Brigadeiro, escolheu o Massami, que pela fama que faziam do japonês era o melhor lutador de judô de Londrina, sua cidade natal.
Ao chegar a hora do dia combinado, lá estávamos todos aguardando a briga começar e o Massami treinava judô com seu amigo Hyroshi.
Não demorou muito e chegou o Polaco Hermínio, que pela aparência (e depois ele mesmo me contou) estava com um medo terrível do japonês.
Preparativos para a briga, cada um se postou em seu devido lugar, braços armados e o Polaco Hermínio desfechou um soco no olho direito do japonês.
Para surpresa geral, o japonês de imediato gritou que a luta tinha terminado e que ele tinha perdido.
Surpresa maior ainda para todos os presentes foi quando soubemos que o Massami só enxergava com o olho direito, exatamente aquele que o Polaco acertou em cheio.
Assim terminou a briga e a rivalidade entre as duas turmas que dali em diante ficaram unidas.
Coisas da turma da Saldanha.

Leónidas T. Ribas Jr. é procurador de justiça aposentado.


Fonte: Historias de Curitiba Paraná.