domingo, 18 de dezembro de 2022

fotos Avenida República Argentina - 1957

 fotos Avenida República Argentina - 1957


Avenida República Argentina - prolongamento do Bairro Novo Mundo. Aparecem pedestres em abrigo de ônibus


Avenida República Argentina - Prolongamento do Bairro Novo Mundo. Aparece no primeiro plano o trilho do trem


Avenida República Argentina - prolongamento no Bairro Novo Mundo. Aparecem carroças, automóveis, pedestres em ponto de ônibus

fotos Avenida Silva Jardim 1958

 fotos Avenida Silva Jardim 1958


Asfaltamento da Avenida Silva Jardim, no bairro Seminário. Rua com iluminação pública no canteiro central e lateral


Trabalho para asfaltamento na Avenida Silva Jardim no Bairro Seminario, aparece no canteiro central a iluminação.

fotos Avenida República Argentina - 1959

 fotos Avenida República Argentina - 1959


Avenida Republica Argentina - Triângulo do Capão Raso. Aparecem automóveis, um ônibus, pedestres e um carrinho de pipoqueiro


Avenida República Argentina - Triângulo no Bairro Novo Mundo. Aparecem pessoas sentadas em banco e esperando ônibus em abrigo

fotos Avenida Republica Argentina, 1958

 fotos Avenida Republica Argentina, 1958





Maio de 1941 - Raphael F. Greca, perto do Cabral Supervisionando as obras para o prolongamento da Av. Joao Gualberto, onde seria a praca da polonia e depois passaria a via expressa para Av. Parana

Maio de 1941 - Raphael F. Greca, perto do Cabral Supervisionando as obras para o prolongamento da Av. Joao Gualberto, onde seria a praca da polonia e depois passaria a via expressa para Av. Parana


Histórias de Curitiba - O Coveiro Bépi Erico

 

Histórias de Curitiba - O Coveiro Bépi Erico

O Coveiro Bépi Erico
A. Osny Preuss

Segunda metade da década de trinta.
Prenúncios da Segunda Grande Guerra no ar.
Tardinha. Lá no alto, ladeando a igrejinha da Água Verde, com sua torre separada e a escolin-ha do outro lado da rua, apontava em direção à Bento Viana o "carro de defunto" que levara o último "caixão"do dia para o cemitério da Âgua Verde.
Os dois cavalos, de cabeça baixa, ajaezados de preto e dourado, formavam um trio com o cocheiro, de cartola e casaca preta, surradas, puidas.
Atrás, coberto pelo baldaqui-no também em preto e com frisos dourados, entre restos de flores das coroas do defunto, vinha o coveiro mais conhecido daquelas paragens: Bépi Érico.
Sentado, às vezes deitado, com as pernas balançando aos solavancos dos torrões e dos buracos da rua de barro, contarolava velhas canções italianas, enquanto por ele passavam os meninos e as mulheres com enormes fardos de cavacos de madeira, comprados nas barricadas das redondezas.
Solavanco de cá, solavanco de lá, Bépi acenava para o Galo (Galileu Toniolo) ao passar peta alfaiataria, e, pouco mais adiante, surpreendia o "seu" Jacinto (Jacinto Antunes da Silva, hoje nome de rua), contando ao seu amigo Prof° Milton Carneiro (da então Faculdade de Medicina) as últimas da política que ouvira no Palácio do Governo do Interventor Manéco Facão. E, brincando de búrico ou de tic, à sua volta, o menino que seria o conhecidíssimo Tatu, Presidente do Operário.
O "carro do defunto"chegava então na parte de maior declive da Bento Viana, na esquina com a Ivaííhoje Getúlio Vargas), atravessada uns poucos metros adiante pelo rio Água Verde.
Em dias de chuva torrencial a parada do carro, aí, era obrigatória , pois o rio transbordava por cima do ponti-Ihão, alagando todos os terrenos à sua margem.
Á direita, o cocheiro se deparava com a "meia-água"da Dona Itália Casagrande como uma palafita, no meio da água, e pouco mais adiante as 3 ou 4 casas de madeira construídas pelo "seo" Eduardo Thá, quiça o embrião da firma construtora.
Atrás delas, o último resquício do que fora a chácara Dantas (loteamento para os imigrantes italianos), a chácara dos Guzi, com seu enorme parrei-ral e dezenas de pereiras, que a gurizada invadia nos dias de chuva para roubar, livres, presumia-se, dos temidos "tiros de sal".
Ali, no encontro da Bento yiana com Getúlio Vargas e o rio Água verde, o Bépi no seu vai-e-vem cotidiano, em dias de sol ardente, ou atolado no lamaçal, ou ainda pisando na "geada negra"da manhã seguinte ao temporal de inverno, viu brincar na sua infância e crescer numa alegre despreocupação, filhos de gente simples como ele, que hoje são nomes de destaque na comunidade curitiba-na ( Thá, Marchioro, Lorusso, Pin-ton, Perini, Carneiro, Preuss, Scar-amuzza...).
Passada a enxurrada, o "carro de defunto"seguia exaurindo os cavalos no atoleiro de lama.
Antes de virar a Iguaçu, Bépi ainda soltava o seu costumeiro brado de "Viva o Savoya", saudando o casarão-sede do Clube que reunia a italianada da Água Verde nos fins de tarde de domingo, para festejar as vitórias do timão que sessenta anos mais tarde seria o Paraná Clube.
Bépi Érico morreu em abril de 1960. Era marido de Dona Maria Polenta.

A. Osny Preuss é médico e professor universitário.

Histórias de Curitiba - Julinho da sapolândia

 

Histórias de Curitiba - Julinho da sapolândia

Julinho da sapolândia
Glauco Souza Lobo

Que o diabo sempre andou a solta por Curitiba nós todos sabíamos. Não conhecíamos era a sua competência.
Claro que falo do Júlio Cesar do Amaral, o Julinho Diabo, o Zé da Folia do Diário Popular.
Julinho Diabo eu conheço desde os antigos tempos dos "Embaixadores da Alegria".
Ranzinza, sai dos "Embaixadores" e funda a Escola de Samba Acadêmicos da Sapolândia", lá pros lados do Capanema e que ensaiava perto do brejo (daí o nome), onde trabalhou por vários anos, sempre soba presidência de Hedylamar, outro grande nome de nosso carnaval.
Trabalhamos juntos, Julinho e eu, na Secretaria Municipal do Turismo.
Deixara ele as lides da "Sapolândia", e do Carnaval: prensas domésticas.
Um ano, quiz o destino que lhe fosse entregue, como funcionário da Prefeitura que é, a Coordenação do Carnaval de Rua de Curitiba: feliz escolha, o Diabo estava em casa e fez a festa com o amor de quem gosta, e quem gosta faz bem!
Tudo organizado, o Julinho, tão ranzinza quanto o Nelson Santos mas infinitamente mais competente, criou alguns casos, brigou, e colocou na rua um "senhor"Carnaval. A imprensa, os jurados e as Escolas, pela primeira vez desde que a Prefeitura pôs a mão em nosso Carnaval, receberam um alentado informe com TODOS os dados dos desfiles, horários, histórico das escolas, enredos, letras dos samba-enrêdo, ou seja tudo completíssimo.
Tudo perfeito demais, dava pra desconfiar, mas, como dizem os "crentes", Carnaval é festa do Diabo e quem coordenava este era o próprio.
Os desfiles, transcorriam "na mais perfeita ordenVaté que a Escola de Samba "Leão de Ouro" entra na Avenida (no carnaval a rua Marechal Deodoro vira avenida) com atraso e uma série de problemas.
Cabe aqui um parêntesis para que se entenda o drama ocorrido: a bandeira de uma Escola de Samba é tão sagrada para os seus componentes quanto o Pavilhão Nacional o é para todos nós; há todo um ritual meio mágico em torno dela e de sua Porta-Bandei-ra, que tem até um protetor, o Mestre-Sala.
Deixar sua bandeira "cair"(perdê-la para outra escola) durante um desfile é crime que os componentes gostariam fosse punível com pena de morte. Não ter bandeira, uma hecatombe, simplesmente é não existir.
Pois entra na avenida a "Leão de Ouro"e o Julinho, nervoso com o atraso que prejudicava o desfile até então primoroso, corre em sua direção para apressá-los.
Ao chegar, dá uma parada, cambaleia, num gesto teatral (que o povo que assistia o desfile não entendeu), lhe arranca das mãos o pendão que ele graciosamente girava no seu bailado, abraçá-o apertadamente contra o peito e sentando no asfalto, chora co-piosamente. A bandeira de sua "Sapolândia"desfilava "aprisio-nada"por outra Escola de Samba em um gesto de submissão e rendição. A pior humilhação que um sambista poderia sofrer.
Os dirigentes da "Sapolândia", piorando a ocorrência, tentavam explicar que a "Leão de Ouro"havia esquecido, ou perdido, a sua bandeira e que o Marcos, novo presidente, sem tradição de sambista, cartola improvisado, "emprestara"a gloriosa...
É o sambista Julinho Diabo, Coordenador do Carnaval de Rua de Curitiba, desclassificando o "Leão de Ouro"por desfilar sem bandeira e a "Sapolândia"pela "queda"da sua, chorava: "logo a minha 'Sapolândia', no ano que eu faço o Carnaval..."
E ninguém segurou sua dor...

Glauco Souza Lobo é membro do Conselho Estadual de Cultura

Histórias de Curitiba - Gangsters em Curitiba 2

 

Histórias de Curitiba - Gangsters em Curitiba 2

Depois do misterioso telefonema, o esportista avisa a polícia.
Gangsters em Curitiba
(final)
Valêncio Xavier

No dia seguinte, depois de mandar cercar o quarteirão, o delegado Miguel Zacarias, de revólver em punho, invade a casa número 90, da 7 de Setembro.
Aos gritos de "mãos ao alto" rende dois jovens que já puxavam suas pistolas para reagirem. São presos, com eles é encontrada grande quantidade de armas e munição. São o húngaro ruivo Rudolph Kinder-man e o alemão João Papst.
A moça do telefonema era Martha Schamedek, linda alemã-zinha, belo corpo, cabelos loiros, olhos azuis.
Fora amante do esportista e, atualmente, vivia com Kinderman numa "boite". Ele dissera ser vendedor de diamantes mas, numa noite de paixão, confessara ter cometido os crimes.
Amava muito a Martha, diariamente dava-lhe presentes.
Com Papst pretendia assaltar o pagador da receita federal, em Curitiba, e, depois, encerrar a vida de crimes, casar com Martha e ir com ela viver em São Paulo.
Mas, Martha ainda amava o esportista.
Depois de muito hesitar, telefona ao antigo amado contando os crimes de seu novo amante.
Presos em celas separadas, interrogados os dois negam os crimes.
Num golpe de esperteza, o delegado Miguel Zacarias conta a Papst que Kinderman dissera tudo a Martha e fora ela quem os delatara.
Papst não acredita, Miguel Zacarias traz Martha e ela confirma tudo.
"É esse o amor que voce tem por Kinderman?"diz Papst.
Martha baixa os olhos.
Papst olha o delegado - "Já que ela contou, eu digo a verdade", e confessa tudo.
Na penitenciária do Ahú, enquanto esperam julgamento, Papst e Kinderman encabeçam uma revolta de presos para fugirem.
No tiroteio com os guardas, Kinderman é ferido.
Papst, que já chegara ao portão, volta para socorrer o amigo.
Os dois são pegos.
Na revolta morreram dois guardas e dois presos.
Vinte ficaram feridos.
Por iniciativa do esportista, a colônia alemã de Curitiba coleta dinheiro para Martha voltar à Alemanha, assim estaria livre da vingança se os bandidos fugissem.
Na parede da cela de Kinderman ferido, um desenho: é o autoretrato dele com uniforme listado de presidiário n° 195. Está abraçado com Martha, a amante traidora.
Em baixo, em alemão, a legenda: O EPÍLOGO DE UM AMOR.
Julgados, Papst e Kinderman são condenados à pena máxima.
Os dois são levados a Porto Alegre para responder pelos crimes que lá cometeram.
Algum tempo passado, Kinderman morre numa epidemia de tifo, na penitenciária.
Tempos depois, Papst também morre, segundo a polícia também da "doença".
Assim termina essa história de amor, crime, violência, traição, fraternidade entre bandidos, sus-pense e muito sangue.
Igualzinho aos filmes de gangsters de Holly-woood. E tem muito mais nessa história.
Um dia eu conto o resto.

Valêncio Xavier é escritor

Histórias de Curitiba - Gangsters em Curitiba 1

 

Histórias de Curitiba - Gangsters em Curitiba 1

Gangsters em Curitiba
(primeira parte)
Valêncio Xavier

Curitiba foi a primeira cidade brasileira a conhecer, tragicamente, o crime organizado à moda dos gangsters de Chicago, que o cinema se encarregou de endeusar.
Manhã de 25 de fevereiro de 1930: Egyclio Pilotto desce a Barão do Rio Branco. E tesoureiro da Estrada de Ferro S.Paulo-Rio Grande e traz a renda do dia anterior.
Junto dele, o segurança Wany Borges tem a maleta com 50 contos , um dinheirão na época, para depositar nos bancos.
Num carro estacionado, com motor funcionando, dois jovens bem vestidos esperam.
Um deles, ruivo belo como um galã de cinema, fuma encostado no carro. O outro, atento, segura o volante.
Quando o tesoureiro passa, o rapaz ruivo golpeando violentamente com um cano de ferro derruba o segurança e arrebata-lhe a valise. O tesoureiro corre atrás do rapaz ruivo.
Está quase a alcançá-lo quando o rapaz que estava no carro atira, matando-o. O ruivo alcança o carro que some em alta velocidade.
O carro roubado é encontrado, mas nem sombra dos assassinos. Só no cinema Curitiba vira crime assim, parecia coisa de filme de gangsters.
Sem pistas, a Policia desconfia do segurança e arma um plano: manda darem férias a Wany.
Acha que assim ele irá juntar-se aos cúmplices para repartir o roubo.
Sem saber do plano, um zeloso delegado tortura Wany para que confesse, mas só consegue deixá-
lo inutilizado para o resto da vida.Volta tudo à estaca zero. O tempo passa. 1931, quase um ano depois, Porto Alegre 22 de janeiro: um jovem ruivo e seu companheiro tomam um táxi.Adiante pedem ao motorista que desça e compre cigarros Quando o ingênuo motorista desce, os dois fogem com o carro.
Param o carro com o motor ligado na frente da Estação Ferroviária e atacam o tesoureiro João Goulart. A ação dura segundos: acertam uma cacetada no tesoureiro, que reaje e desparam contra o guarda que o acompanhava. A Luta vira cerrado tiroteio, onde morrem o tesoureiro <• o guarda.
Os bandidos correm para o carro.
Na fuga, as notas voam da valise e a polícia recolhe 17 contos de réis.
Os bandidos somem sem deixar rastos, carregando 57 contos.
Os crimes de Curitiba e Porto Alegre foram executados por dois jovens, exatamente da mesma forma e as vítimas foram pagadores da Estrada de Ferro. O caso repercute em todo país, As polícias do Paraná e Rio Grande do Sul trocam informações e nada adianta.
Os criminosos sumiram e não há pistas sequer para começar um investigação.
Vendo a polícia sem rumo, um repórter do "Correio do Povo", de Porto Alegre, procura uma cartomante famosa por seus acertos, a Ceguinha.
Cega de nascença, 77 anos, ela revela: os bandidos estão em Curitiba...são estrangeiros, um alto ruivo, bonito...o outro é magro, loiro...as cartas não mentem jamais: daqui a dois meses vão ser presos...
Março de 1931, Curitiba, e-xatamente dois meses depois. O telefone toca na casa de um jovem de tradicional família do Paraná, futebolista famoso - esqueçamos seu nome.
Do outro lado da linha a voz nervosa de uma mulher. O esportista escuta com expressão tensa e depois de desligar decide procurar a polícia...
CONTINUA

Valêncio Xavier é escritor

Histórias de Curitiba - Racha na Tijucas

Histórias de Curitiba - Racha na Tijucas

"Racha" na Tijucas
Paulo Hilário Bonametti

Na década de sessenta ainda não existia em Curitiba a Rua das Flores e a quadra entre a Praça Osório e a Travessa Oliveira Belo era um trecho de rua comum, a-berto ao tráfego.
Era o ponto preferido dos jovens da época .
A porta do antigo Cine Palácio e a loja do Café Alvorada eram os redutos principais dos jovens considerados avançados, todos na mesma moda da época: calças boca de sino ou jeans que só eles usavam, camisas esporte de gola alta e mangas largas, botinhas de salto garrapeta ou mocassim branco, cintos largos, anéis Brucutu (feitos com o esguichador de Fu-que), cabelos brilhantina.
Quando saiam dos colégios ficavam o dia todo combinando as "festinhas à americana" do fim de semana, desfilando uma nova camisa, comentando os novos rocks do Elvis, Paul Anka, Little Richard, e muitos outros ídolos da época.
Á noite, durante a semana, geralmente não havia nada para fazer, pois a vida noturna curitiba-na era para adultos, limitada às duas famosas boates localizadas no centro: Marrocos na Marechal, quase esquina com a Praça Zacarias, e a 'Star Dust' na Praça Osório.
Porém , nas sextas e nos sábados, Curitiba tremia com as diversas turmas que se formavam para as festinhas, onde cada um tinha que levar uma garrafa de bebida ou refrigerante e a dona-da-casa providenciava a comida.
Mais tarde, lá pelas cinco da manhã, vinham os rachas nas galerias Ti-juca e Asa, com a polícia atrás.
Lembro de um certo sábado, quatro e pouco da manhã, quando eu e um amigo nos preparávamos para atravessar a Galeria Tijucas num DKW envenenado, o primeiro em Curitiba com "tala larga", porta-malas automático, cabeçote do motor rebaixado, cinto de couro amarrando o capô do motor e pneus especiais argentinos. A galeria era escura.
Parado na entrada da mesma, as luzes do carro não conseguiam chegar até a metade do percurso, permitindo uma fraca visibilidade do seu interior.
Arrancamos com tudo.
Quando estáva-mos mais ou menos no meio, vimos umas seis pessoas, agarradas nas grades das lojas, gritando e esbravejando.
Na saída, ja tinha um Fusqueta da polícia para perseguir os infrato-res.
Era uma emoção para a juventude da época.

Paulo Hilário Bonametti é advogado.