Tartaruga-de-casco-mole-africana | |||||||||||||||||||
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||||
Vulnerável (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||||
| Trionyx triunguis (Forskål, 1775) | |||||||||||||||||||
| Sinónimos | |||||||||||||||||||
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A tartaruga-de-casco-mole-africana[2] ou tartaruga-de-casco-mole-do-nilo (Trionyx triunguis) é uma grande espécie aquática de casco mole pertencente à família Trionychidae, encontrada em habitats de água doce e salobra na África (principalmente nas regiões Oriental, Ocidental e Central) e no Oriente Próximo, incluindo países como Israel, Líbano, Síria e Turquia.[3] Atualmente, é a única representante sobrevivente do gênero Trionyx, embora no passado várias outras espécies de tartarugas-de-casco-mole tenham sido classificadas nesse mesmo gênero. Estas, no entanto, foram posteriormente realocadas para outros gêneros.[3] Apesar de seu nome, a tartaruga-de-casco-mole-africana não é a única espécie ou gênero de casco mole nativo da África, já que os gêneros Cyclanorbis e Cycloderma também têm representantes no continente.[3]
Características

A tartaruga-de-casco-mole-africana destaca-se como uma das maiores pertencentes à família Trionychidae. Um exemplar originário da Libéria, que viveu 53 anos no Zoológico Nacional dos Estados Unidos, localizado em Washington, tinha uma carapaça medindo 101,5 cm ao falecer. Sua carapaça apresenta tonalidades que variam entre verde-oliva e marrom-avermelhado-escuro, com uma borda amarela. Em alguns casos, ela possui uma coloração uniforme; entretanto, é comum que, especialmente em indivíduos jovens, surjam manchas claras com contornos escuros. Com o envelhecimento, essas marcas claras tornam-se menos visíveis até desaparecerem por completo a partir de determinado estágio de maturidade. Nos exemplares mais jovens, a carapaça também exibe fileiras longitudinais de pequenos tubérculos que desaparecem à medida que a idade avança. O plastrão é geralmente branco ou creme. A cabeça e os pés têm colorações em tons de verde-oliva, adornados por pequenas manchas e vermiculações amarelas ou esbranquiçadas. Na região do queixo e da garganta estão presentes grandes manchas brancas, enquanto a parte ventral dos pés é amarelada.
Distribuição e habitat

Essa tartaruga é amplamente distribuída em corpos d'água de quase todo o continente africano, com exceção das regiões sul e noroeste. É especialmente abundante nas bacias do Nilo Branco (abaixo das Cataratas Murchison) e do Nilo Azul, assim como ao longo do próprio Nilo, até o Mar Mediterrâneo. Também é encontrada nos lagos Turcana e Alberto, nos tributários do rio Congo e em quase todos os rios da África Ocidental. Curiosamente, nunca foi registrada no lago Vitória. Além disso, a espécie estende sua presença para Israel (no rio Alexandre e ao longo da costa), Líbano e Síria. Na Turquia, sua população se concentra principalmente na costa sul, com grandes grupos no Delta do Dalyan e na região de Dalaman, em particular no lago Kükürt.[4][5][6] Apesar de ainda comum em muitos locais, a tartaruga foi extinta em diversas áreas de sua distribuição original, incluindo o trecho egípcio do Nilo, onde foi descrita pela primeira vez. A população turca remanescente é severamente reduzida, totalizando apenas cerca de 500 indivíduos.[6]
A espécie prefere habitats aquáticos de corrente lenta, como grandes rios, ribeiros, lagoas ou lagos, embora também seja encontrada em águas salobras próximas ao litoral. Um exemplar de grande porte chegou a ser capturado em águas oceânicas a uma distância de 3 ou 4 km da foz do rio Gabão.[7] Em Israel e na Turquia, observa-se que estes animais conseguem sobreviver em águas salinas com níveis entre 33 e 42 ppm, onde muitas vezes são considerados problemáticos pelos pescadores locais. Ainda assim, a espécie demonstra uma clara preferência por ambientes aquáticos mais quentes, como os encontrados nos rios tropicais.[5]
Biologia

O comportamento de cortejo e acasalamento desta espécie ainda não foi documentado. Sua época de nidificação varia conforme a latitude, ocorrendo entre março e julho. Na Turquia, por exemplo, o processo começa no início de junho e se estende até o final de julho. Praticamente todos os ninhos são feitos na areia de praias e pequenas ilhotas próximas à costa, situados entre 5 e 15 metros de distância do litoral.[4] Indivíduos que habitam áreas costeiras com águas salobras também podem fazer a postura à beira-mar. Atatür registrou um ninho na Turquia com dimensões de 15 a 20 cm de diâmetro e 20 a 25 cm de profundidade.[4]
Durante cada temporada de reprodução, as fêmeas podem depositar várias ninhadas. Os ovos têm cascas frágeis, são brancos e apresentam cerca de 32 mm de diâmetro. Atatür, ao medir 31 ovos na Turquia, calculou uma média de 35,3 mm de comprimento.[4] Uma única fêmea é capaz de depositar entre 25 e mais de 100 ovos; entretanto, em três ninhos examinados por Atatür, ele identificou quantidades variando de 8 a 34 ovos.[4] A incubação em condições laboratoriais ocorre em um período de 56 a 58 dias.[4]
Após a eclosão, os filhotes medem entre 42 e 54 mm de comprimento e pesam entre 8 e 17 g.[5] Sua coloração é castanho-esverdeada, adornada por manchas amarelas bem visíveis, com bordas de tom castanho-escuro. Com o passar do tempo, a coloração básica escurece gradualmente, enquanto as manchas tornam-se menores e mais numerosas.
A tartaruga-de-casco-mole-africana apresenta hábitos alimentares onívoros e consome principalmente peixes e gastrópodes, além de antozoários, insetos aquáticos, crustáceos, anfíbios, répteis e materiais vegetais como nozes de palmeira e tâmaras. Esta espécie tanto se alimenta de animais vivos quanto mortos; Gramentz relatou observar quatro exemplares consumindo uma carcaça de cabra.[5] Cansdale descreveu seu método de caça como emboscada, onde a tartaruga permanece imóvel antes de atacar sua presa no momento oportuno.[8] Em cativeiro, sua dieta costuma incluir carne de rã e fígado cru ou levemente cozido.[4]
Com hábitos predominantemente diurnos, essa espécie também pode ser capturada à noite, utilizando varas de pesca. Embora tenha o hábito de sair da água para tomar sol, é um animal tímido e difícil de observar. Na Turquia, as sessões de banho de sol podem durar entre 29 segundos e até 31 minutos.[5] Algo curioso é que ela às vezes se aquece enquanto permanece parcialmente imersa na água.
Conservação
A tartaruga-de-casco-mole-africana passou a integrar o Apêndice II da CITES em 2016. Entre 1976 e 2007, a população dessa espécie no Gana também esteve listada no Apêndice III da CITES. Além disso, a subpopulação mediterrânea foi classificada pela Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN como "criticamente em perigo". As ameaças enfrentadas pela espécie incluem a degradação do habitat devido a atividades humanas como pesca e irrigação, destruição de áreas de nidificação, colisões com embarcações que perturbam o fundo aquático e poluição das águas.[9]
Religião
Na religião do Antigo Egito, esse quelônio era frequentemente considerado um símbolo de animal maléfico e adversário de Rá.[10]
Referências
- van Dijk; P.P.; Diagne, T.; Luiselli, L.; Baker, P.J.; Turkozan, O.; Taskavak, E. (2017). «Trionyx triunguis». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas (em inglês). 2017: e.T62256A96894956. doi:10.2305/IUCN.UK.2017-3.RLTS.T62256A96894956.en
. Consultado em 20 de fevereiro de 2022 - «Tartaruga-de-casco-mole-africana (Trionyx triunguis)». iNaturalist. Consultado em 18 de novembro de 2025
- Rhodin, Anders G. J.; Peter Paul van Dijk, John B. Inverson & Bradley H. Shaffer (14 de dezembro de 2010). «Turtles of the World 2010 Update: Annotated Checklist of Taxonomy, Synonymy, Distribution and Conservation Status» (PDF) (em inglês). p. 000.128. Consultado em 15 de dezembro de 2010. Cópia arquivada (PDF) em 15 de dezembro de 2010
- Atatür, M. K. 1979. Investigations on the morphology and osteology, biotope and distribution in Anatolia of Trionyx triunguis (Reptilia, Testudines) with some observations on its biology. Ege Univ. Fen. Fak. Monogr., Izmir, Ser. 18: 1-75.
- Gramentz, D. 1993a. Beobachtungen und Untersuchungen zur Ethologie und Ökologie von Trionyx triunguis in West-Anatolien. Salamandra 29: 16-43.
- Kasparek, M. 1994. Die Nil-Weichschildkröte—eine stark bedrohte Reptilienart im Mittelmeergebiet. Herpetofauna 16(89): 8-13.
- Loveridge, A., and E. E. Williams. 1957. Revision of the African tortoises and turtles of the suborder Cryptodira. Bull. Mus. Comp. Zool. Harvard 115: 163-557.
- Cansdale, G. 1955. Reptiles of West Africa. Penguin Books, London. 104 pp.
- «Tartaruga-de-casco-mole-africana». Lista Vermelha da IUCN de espécies ameaçadas da UICN 2026 (em inglês). ISSN 2307-8235
- Gautier, Achilles (2005). «Animal Mummies and Remains from the Necropolis of Elkab (Upper Egypt)». archaeofauna (em inglês). 14: 139–170. Consultado em 25 de dezembro de 2023
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