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quinta-feira, 14 de maio de 2026

SOLDADOS DO FOGO " Incêndio! Incêndio!

 SOLDADOS DO FOGO

" Incêndio! Incêndio!
Era o que anunciava o toque do sino da igreja Matriz de Curitiba.
Dotados de materiais e uniformes, sem quartel, fazendo exercícios na Rua Saldanha Marinho, em 1897, Emílio Verwiebe, Frederico Seegmuller, Ferdinando Poppe, Alberto Schoneweg, João e Rodolfo Schmidt, Rodolfo Rossenau, João Rotlek, Antônio Pospissil e Venceslau Glaser, fundaram a "Sociedade Teuto-Brasileira de Bombeiros Voluntários", objetivando com seus recursos a extinção de incêndios e outras calamidades que ocorriam na cidade. Pessoal inexperiente e heterogêneo, mas que com bravura e abnegação cumpria os deveres do ofício.
Ao sinal dos sinos, acorriam de diferentes pontos da cidade, empurrando suas bombas em carrinhos ou levando-as sobre muares para o local do sinistro.
Brandindo suas machadinhas golpeavam as vigas carbonizadas, rompendo a muralha de fumaça com jatos d'água dentro de uma chuva de madeira em combustão, indiferentes às chamas que chamuscavam suas mãos e faces.
Balançando, pendurados numa escada de corda, travavam com as labaredas uma luta sobre-humana.
Esses voluntários do dever, heróis anônimos, após relevantes serviços prestados à comunidade curitibana, dissolveram em 1901 a prestativa sociedade, por falta de recursos.
Em 23/03/1912, foi sancionada a Lei 1.133, que criou na Capital do Estado do Paraná o Corpo de Bombeiros, com o propósito de, então, suprir os serviços de combate à incêndio que a cidade carecia.
Somente em 14/07/1912, foi inaugurado o quartel, na esquina das Ruas Cândido Lopes e Ébano Pereira. Foi seu primeiro comandante o Major Fabriciano do Rego Barros. Em 04/06/1951, realizou-se a mudança para a Av. Visconde de Guarapuava, na esquina da Rua Nunes Machado. Antigo alojamento do 14° Regimento de Cavalaria e 5º Batalhão de Engenharia do Exército Nacional e, pr último, sede da Guarda Civil do Estado.
Quem é da época não esquece as figuras carismáticas do saudoso tenente João Alexandre da Silva, dirigindo a "bomba a vapor", apelidada de "Maria Bufante" pela população, e do tenente José Theophilo da Silva, operando a auto-bomba Merryweather, ainda em condições de prestar bons serviços.
Por quase três lustros (15 anos) fui bombeiro. Agora, lembro que vi de perto a carreira de sacrifícios imposta aos soldados do fogo e o espírito desprendido que os anima nessa luta.
Dessas missões, por exemplo, ainda estão bem vivos, em nossa memória, os incêndios florestais ocorridos em setembro de 1963.A operação "Paraná em Flagelo", como ela foi chamada, contou além de praças e oficiais do Corpo de Bombeiros, da PMER do Exército, da Aeronáutica e da Marinha, com técnicos vindos de toda parte do Brasil; de Mr. Lownder, Chefe dos Serviços de Combate a Incêndios Florestais dos EE.UU e sua equipe, da população civil das localidades mais antigas, de elementos do Centro de Adestramento Marques de Leão da Marinha de Guerra do Brasil, e dois helicópteros do Porta-aviões Minas Gerais.
Uma verdadeira operação de guerra.
Atuando com todas as condições operacionais desfavoráveis, os bombeiros deixaram um exemplo marcante no socorro aos flagelados e no combate sem trégua ao fogo que, mesmo assim, fez vítimas e causou danos. Nunca esquecerei tanta dedicação e tanto empenho na proteção dos valores fundamentais da pessoa e do meio ambiente."
(Autor: Alide Zenedin é cel. da Polícia Militar do Paraná, na reserva / Fonte: Historias de Curitiba / Fotos: Wikipedia, bombeiros.pr.gov.br)
Paulo Grani
A Corporação embora civil, ostentava insígnias e uniformes militarizados.
Os fundadores da Sociedade Teuto Brasileira: Rodolfo Schimidt – Mestre de Bombas; Rodolfo Rosseau – Contra mestre; João Rotlek – Ajudante; Venceslau Glaser – Ajudante; João Schmidt – Mestre do material; Antonio Pospissil – Comandante dos Auxiliares; Alberto Schoneweg – 1º porta-mangueiras; Frederico Poppe – 2º Comandante; Emiliio Verwiebe – Comandante superior.
Bombeiros combatendo um incêndio na Cadeia Pública de Curitiba, em 1897.
Oficiais do Corpo de Bombeiros de Curitiba, em 1923.

Capacete da antiga Sociedade Teuto-Brasileira. Acervo do Museu Paranaense.










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