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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Deus, eu não sei se o Senhor tem Facebook, se tem tempo livre para ler palavras escritas por mãos humanas, ou se ao menos sabe, lá no alto, que eu existo. Mas hoje eu quero falar só de uma coisa: do meu cachorro, o Lennon.

 

Deus, eu não sei se o Senhor tem Facebook, se tem tempo livre para ler palavras escritas por mãos humanas, ou se ao menos sabe, lá no alto, que eu existo. Mas hoje eu quero falar só de uma coisa: do meu cachorro, o Lennon.


Deus, eu não sei se o Senhor tem Facebook, se tem tempo livre para ler palavras escritas por mãos humanas, ou se ao menos sabe, lá no alto, que eu existo. Mas hoje eu quero falar só de uma coisa: do meu cachorro, o Lennon.
Ele é aquele cão majestoso, sempre com um sorriso no rosto e de uma beleza que encanta, naquela foto que guardo com tanto carinho. Tão bonito, aliás, que não conquistou só os corações de nós, pessoas: até os outros cães pareciam olhar para ele com admiração, segui-lo e querer ser como ele.
E eles tinham toda a razão. O Lennon levou a sério, com toda a sua alma, a sua vocação de cão pastor. Ele cuidou de mim, guiou os meus passos e me protegeu de tudo o que pudesse me fazer mal. Ficou ao meu lado, atento e forte, mesmo nos dias em que ninguém mais queria estar perto. Para ele, eu era o rebanho mais precioso de todos — e fui guardado com uma lealdade sem limites, uma firmeza que nunca vacilou e, sim, até com um ciúme doce e protetor, que parecia não ter fim.
Assim como o seu amor por mim, ele fazia de tudo só para me ver feliz. Prestava atenção a cada palavra que eu dizia, com aqueles olhos grandes e brilhantes, como se entendesse cada sentimento, mesmo que não compreendesse as palavras. Dançava, se jogava e rolava pelo chão, fazia as maiores palhaçadas — mesmo sendo um dos seres mais inteligentes e nobres que eu já conheci. Caminhava ao meu lado sem precisar de guia ou coleira, pulava no meu colo como se fosse um filhote pequeno, chegava até a comer mesmo sem ter fome, só para me agradar, e depois olhava de lado, com aquele olhar doce, como um filho esperando a minha aprovação. É impossível não se sentir amado e especial quando se recebe o carinho de uma criatura tão pura e linda.
Estou contando tudo isso, Deus, porque hoje o câncer o levou para longe dos meus braços. Eu e minha namorada fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para segurá-lo mais tempo com a gente. Preparávamos comidas especiais, uma atrás da outra, para vencer a perda de apetite que a quimioterapia causava. Dávamos remédio e alimento na boca, com todo o cuidado. Nos seus últimos dias, eu o carreguei nos meus braços por todos os cantos da casa, como se quisesse guardar cada segundo ao seu lado. Falei baixinho no seu ouvido o quanto ele era amado e que eu nunca, em hipótese alguma, o deixaria sozinho. Fui forte por ele, assim como tantas vezes ele foi a minha força. Segurei a sua patinha, que já estava fraca e trêmula, e fiquei ali, junto dele, até o último batimento do seu coração bondoso.
Ele já deve estar chegando aí, onde o Senhor mora. Peço de todo o coração: brinque com ele, deixe-o correr por gramados verdes e infinitos, role com ele, cante aquelas musiquinhas bobas que ele tanto gostava, tire muitas “selfies” e coce bem a sua barriga — sabe, todas essas coisas simples, pequenas, mas que enchiam os nossos dias de tanta alegria.
Por favor, cuide bem do meu cãozinho, com todo o carinho que ele merece, até chegar o dia em que eu também possa ir para aí e abraçá-lo de novo.
E para ser merecedor desse reencontro, eu prometo: vou me esforçar cada dia para ser um homem melhor. Vou levar comigo o exemplo do Lennon, porque ele foi, sem dúvida nenhuma, o melhor de todos os meninos.


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