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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Khanqah de Nadir Divambegui Também conhecido como: Khanaka Divanbegi; em usbeque: Nodir Devonbegi xonaqohi

 

Khanqah de Nadir Divambegui
Khanqah de Nadir Divan-begi • Khanaka DivanbegiNodir Devonbegi xonaqohi
Fachada do Khanqah Nadir Divambegui em frente ao hauz que dá o nome ao conjunto monumental Lyab-i Hauz
Informações gerais
TipoKhanqah
Construção1619–1623
ReligiãoIslão sunita
Património Mundial
Ano1993 [♦]
Referência602 en fr es
Geografia
PaísUsbequistão
CidadeBucara
Conjunto monumentalLyab-i Hauz
Coordenadas39° 46′ 23″ N, 64° 25′ 11″ L
Localização em mapa dinâmico
Notas:
[♦] ^ Parte do sítio do Património Mundial "Centro histórico de Bucara"

O Khanqah de Nadir Divambegui ou Khanaka Divanbegi (em usbeque: Nodir Devonbegi xonaqohi) é um khanqah (albergue de dervixes e outros sufis) no centro histórico de Bucara, um sítio classificado como Património Mundial pela UNESCO no Usbequistão.[1] Juntamente com a Madraça Kukeldash e a Madraça Divambegui forma o conjunto monumental Lyab-i Hauz. Situa-se na extremidade ocidental desse conjunto e foi construído entre 1619 e 1623 pelo vizir Nadir Divambegui,[2] tio materno de Imã Culi Cã (Imam Quli Khan ou Imomqulixon) o monarca do Canato de Bucara entre 1611 e 1641.[3]

Descrição

O khanqah forma um kosh (par de edifícios no mesmo eixo em frente um do outro) com a madraça homónima, situada em frente, do outro lado do hauz (lago artificial) que dá o nome ao Lyab-i Hauz. Ambos os edifícios e o hauz foram construídos na mesma altura, quando foi criado o conjunto Lyab-i Hauz. O khanqah foi reconstruído várias vezes e foi totalmente restaurado por Syed Olimxon em 1914–1916, durante o reinado do último emir de Bucara, Maomé Alim Cã.[4] O terceiro monumento do Lyab-i Hauz, a Madraça Kukeldash, construída cerca de 50 anos antes dos outros elementos do conjunto monumental, situa-se no lado norte do hauz.[3]

O edifício tem uma planta retangular com uma área útil de 25 × 35 metros. O pishtaq (portal de estilo persa) da fachada oriental projeta-se acima do telhado do resto do edifício e a entrada ogival do ivã é coberta[4] com mosaicos de faiança coloridos com desenhos geométricos e padrões florais. Os bordos do portal são emolduradas em três lados por faixas com inscrições caligráficas em azulejo. Grande parte dos azulejos e mosaicos foram restaurados, embora possivelmente o seu aspeto atual se afaste dos originais, já que fotografias do início do século XX mostram que já então estavam muito degradados. à parte do portal, a decoração do exterior é austera.[3]

Durante algum tempo, chegou a haver ninhos de cegonhas no cimo do pishtaq, como acontecia em muitos dos edifícios mais altos de Bucara. Isso já não ocorre atualmente porque a maioria dessas aves foi vítima da elevada salinidade do solo devida à redução dos lençóis freáticos e aos efeitos do uso de pesticidas.[3]

O edifício era um local de alojamento e de encontro de dervixes e peregrinos sufis,[4] onde eram realizadas salás (orações diárias) e cerimónias sufis, que diferiam conforme as ordens sufis a que pertenciam. O salão central (zikr-khana), coberto por uma cúpula, funcionava como mesquita e tinha um grande mirabe na quibla, virado para Meca. O mirabe é apontado como o elemento mais belo do edifício, contendo uma série de muqarnas (abóbadas com estalactites) profusamente decoradas e pintadas com cores variadas. À parte do mirabe, o resto do zikr-khana é caiado de branco, embora originalmente possa ter tido alguma decoração.[3]

Em cada um dos lados do nicho em frente do mirabe há uma porta que dá acesso às hujras (celas usadas como dormitórios e locais de retiro), situadas nas esquinas do edifício. O zikr-khana era também usado como local de encontro da elite de Bucara com os mestres sufis que residiam no khanqah, onde os notáveis da cidade participavam nos rituais sufis e eram instruídos nas doutrinas sufis. Atualmente está ali instalado um museu de cerâmica.[3]

Notas e referências

  1. Historic Centre of Bukhara. UNESCO World Heritage Centre - World Heritage List (whc.unesco.org). Em inglês ; em francês ; em espanhol. Páginas visitadas em 13 de novembro de 2020.
  2. «Khanaka Nodir Devon Begi» (em inglês). travelornament.com. Consultado em 12 de janeiro de 2021
  3.  «Nadir Divan-begi Khanqah, Bukhara, Uzbekistan» (em inglês). Asian Historical Architecture. www.orientalarchitecture.com. Consultado em 12 de janeiro de 2021
  4.  Pander 1996, pp. 163–164.

Bibliografia

Khanqah de Nadir Divambegui

Também conhecido como: Khanaka Divanbegi; em usbeque: Nodir Devonbegi xonaqohi

Localização e Contexto Histórico

O Khanqah de Nadir Divambegui é um antigo albergue e centro espiritual para dervixes e seguidores do sufismo, situado no coração do centro histórico de Bucara, no Usbequistão. Essa região é reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 1993, graças à sua extraordinária conservação de conjuntos arquitetônicos que refletem mais de mil anos de história, cultura e arte da Ásia Central.
Ele faz parte do célebre conjunto monumental Lyab-i Hauz, um dos espaços mais emblemáticos e visitados da cidade. Juntamente com ele, compõem o conjunto a Madraça Nadir Divambegui e a Madraça Kukeldash. O khanqah ocupa a extremidade ocidental do complexo, e foi erguido entre os anos de 1619 e 1623, sob a ordem de Nadir Divambegui, um alto funcionário do Estado e vizir, além de ser tio materno do governante da época: Imã Culi Cã — monarca do Canato de Bucara entre 1611 e 1641, período considerado uma das eras de maior florescimento econômico, cultural e artístico da cidade.

Integração no Conjunto Lyab-i Hauz

O conjunto Lyab-i Hauz foi planejado como um espaço harmônico e funcional, organizado em torno de um hauz — um reservatório ou lago artificial, tradicional na arquitetura da região, que servia para abastecimento de água, rega e também como elemento de equilíbrio térmico e beleza paisagística.
O khanqah e a madraça que leva o mesmo nome formam um kosh: uma disposição arquitetônica tradicional em que dois edifícios são construídos no mesmo eixo, posicionados frente a frente, separados apenas pelo hauza. Ambos foram erguidos simultaneamente, dentro do mesmo projeto urbanístico. Já a terceira construção do conjunto, a Madraça Kukeldash, é anterior: foi edificada cerca de 50 anos antes, ficando localizada no lado norte do lago, complementando o arranjo espacial.
Ao longo dos séculos, o edifício passou por diversas reformas e intervenções para preservar sua estrutura. A restauração mais abrangente ocorreu entre 1914 e 1916, realizada sob a supervisão de Syed Olimxon, durante o reinado do último emir de Bucara, Maomé Alim Cã. Essa obra foi fundamental para manter o monumento em pé após séculos de uso e desgaste natural.

Características Arquitetônicas e Decoração

Com uma planta retangular regular, o edifício tem dimensões de 25 metros de largura por 35 metros de comprimento, com uma distribuição interna bem definida para suas funções originais.

Fachada e Entrada

O elemento mais marcante do exterior é o pishtaq — um portal monumental de influência da arquitetura persa — que se eleva acima do nível do telhado do restante da construção, tornando-se visível a longa distância. A entrada principal, em forma de arco ogival, é coberta por painéis de mosaicos e faianças coloridas, com desenhos geométricos simétricos e motivos florais que seguem os cânones da arte islâmica.
Ao longo das bordas do portal, emoldurando-o em três lados, correm faixas com inscrições caligráficas em azulejo, contendo versículos do Alcorão e referências históricas. Grande parte desses revestimentos foi restaurada, embora registros fotográficos do início do século XX mostrem que já se encontravam bastante degradados naquela época. Por isso, especialistas apontam que o aspecto atual da decoração pode apresentar diferenças em relação ao projeto original. Fora a área do portal, o restante da fachada é deliberadamente austero, sem ornamentações excessivas, mantendo a simplicidade adequada à sua função espiritual.
Um detalhe curioso registrado ao longo do tempo: durante séculos, o topo do pishtaq serviu de abrigo e ninho para cegonhas, aves que frequentavam as construções mais altas de Bucara. Atualmente, isso já não acontece, principalmente por causa da elevação da salinidade do solo — consequência da redução dos lençóis freáticos — e do uso de produtos químicos agrícolas, que reduziram significativamente a presença dessas aves na região.

Espaços Internos

A função principal do edifício determinou sua organização interna. Era um espaço destinado a receber dervixes, peregrinos e estudiosos do sufismo, servindo como alojamento, local de oração e centro de transmissão de conhecimentos espirituais.
O coração do khanqah é o zikr-khana: um amplo salão central coberto por uma cúpula imponente, que funcionava também como mesquita. Em sua parede voltada para Meca — a direção da oração, chamada de quibla — encontra-se o mirabe, o elemento arquitetônico mais belo e admirado de todo o conjunto. Esse nicho é ricamente decorado com muqarnas — estruturas em forma de estalactites que criam profundidade e jogo de luz — pintadas com tons variados e detalhes precisos. Ao contrário do mirabe, o restante das paredes do salão é caiado de branco, uma escolha que confere sobriedade ao ambiente, embora estudos sugiram que, originalmente, pudesse haver alguma decoração mais elaborada, perdida com o tempo.
De cada lado do nicho do mirabe, há portas que dão acesso às hujras: pequenas celas dispostas nos cantos do edifício, usadas como dormitórios e espaços de retiro e meditação para os dervixes e visitantes.
Além das atividades religiosas, o zikr-khana cumpria também um papel social e cultural: era o local onde membros da elite e autoridades de Bucara se reuniam com os mestres sufis residentes, participando de rituais, ouvindo ensinamentos e discutindo questões espirituais e morais.

Uso Atual

Com as transformações sociais e culturais ao longo do século XX, o edifício deixou de exercer suas funções originais. Atualmente, suas instalações abrigam um museu dedicado à cerâmica da região, onde são expostas peças históricas, técnicas de fabricação e a evolução dessa arte tradicional em Bucara e na Ásia Central. Dessa forma, o Khanqah de Nadir Divambegui continua vivo, mantendo sua importância como patrimônio cultural e oferecendo aos visitantes uma janela para compreender a história, a arquitetura e as tradições espirituais de uma das cidades mais importantes da Rota da Seda.

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