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segunda-feira, 15 de junho de 2026

Lago Tanganica: Gigante Antigo dos Grandes Lagos Africanos

 

Tanganica
Pescadores no Lago Tanganica
Localização
País Tanzânia
 República Democrática do Congo
 Burundi
 Zâmbia
Características
Área *32900 km²
Comprimento máximo673 km
Largura máxima50 km
Profundidade máxima1470 m
Volume *18900 km³
Bacia hidrográfica231000
Afluentesrio Ruzizi, rio Malagarasi
Efluentesrio Lukuga
* Os valores do perímetro, área e volume podem ser imprecisos devido às estimativas envolvidas, podendo não estar normalizadas.
Lago Tanganica (da Universidade do Texas em Austin - Perry-Castañeda Library Map Collection
O lago Tanganica visto do espaço, Junho de 1985

O lago Tanganica ou Tanganhica[1] (do seu nome em suaíli Tanganyika) é um dos Grandes Lagos Africanos e o segundo maior lago da África, partilhado pela Tanzânia, República Democrática do Congo, Burundi e Zâmbia.[2]

Está localizado no braço ocidental do Grande Vale do Rifte, a uma altitude de 782 m, estende-se por 673 km numa direção aproximadamente norte-sul – é o lago mais longo do mundo sem contar o Mar Cáspio -, com uma largura média de 50 km e tem uma profundidade máxima de 1470 m (entre 3° 20' to 8° 48' S e 29° 5' to 31° 15' E). Estima-se que este lago seja o segundo mais antigo e mais profundo do mundo, depois do lago Baical na Sibéria (e o mais profundo de África). Cobre uma área de 32.900 km², tem uma linha de costa de 1.828 km e uma profundidade média de 570 m; o seu volume é estimado em cerca de 18.900 km³. Os seus principais afluentes são os rios Ruzizi, Malagarasi e Kalambo.

Existem quatro áreas protegidas nas suas margens: a Reserva da Natureza de Rusizi, no Burundi (um sítio Ramsar), o Parque Nacional de Gombe Stream (onde se encontram os chimpanzés de Jane Goodall), o Parque Nacional das Montanhas Mahale, na Tanzânia e o Parque Nacional de Nsumbu, na Zâmbia.

Para além de ser um excelente meio de comunicação entre os países e povoações ribeirinhas, o Lago Tanganica é rico em peixes, sendo uma importante fonte de proteínas para os povos da região. Estima-se que cerca de 45 mil pessoas estejam diretamente envolvidas nas pescarias, operando de quase 800 centros de pesca; no entanto, pensa-se que mais de um milhão de pessoas dependam desta atividade.

O lago foi “descoberto” pelos europeus em 1858, quando os exploradores Richard Francis Burton e John Speke o atingiram, quando buscavam a nascente do rio Nilo. Speke continuou as suas pesquisas para norte e realmente encontrou uma das suas nascentes, o lago Vitória.

Etimologia

O nome "Tanganica" tem origem incerta, mas é amplamente aceito que deriva de línguas bantas da região dos Grandes Lagos Africanos, particularmente do suaíli. Uma das interpretações mais comuns sugere que o termo resulta da combinação das palavras suaílis tanga, que significa "vela" ou "navegar", e nyika, que pode ser traduzida como "planície", "deserto" ou "terra desabitada". Nesse contexto, "Tanganica" poderia ser entendido como "navegar na planície" ou "vela na terra desabitada", possivelmente em referência à vastidão do lago em meio às paisagens abertas da região.[3][4]

Durante o século XIX, exploradores europeus como Richard Francis Burton e John Hanning Speke registraram o nome "Tanganica" ao documentar suas expedições pela região. Burton observou que os habitantes locais não tinham certeza sobre o significado do nome, mas sugeriram que poderia significar algo como "o grande lago que se estende como uma planície".[carece de fontes]

Há ainda registros de que o nome do lago em ibembe (língua do povo Bembe, na atual República Democrática do Congo) é Étanga 'ya ni'a, que pode ser traduzido como "lugar de mistura", possivelmente referindo-se à confluência de águas de diferentes rios no lago.[carece de fontes]

Embora existam variações na interpretação do nome, "Tanganica" tornou-se amplamente aceito e foi posteriormente utilizado para nomear o território colonial adjacente ao lago. Após a independência e a união com Zanzibar em 1964, o novo país adotou o nome "Tanzânia", uma junção de Tanganica e Zanzibar.[carece de fontes]

Limnologia e pescas

O lago Tanganica tem como afluentes principais o rio Ruzizi, que entra pelo seu extremo norte, trazendo-lhe água do lago Quivu, e o Malagarasi, que é o segundo maior rio da Tanzânia e que entra no lago pela sua margem oriental. Desta maneira, estima-se que a sua bacia hidrográfica cubra cerca de 231000 km². O principal efluente é o rio Lukuga, mas apenas quando o nível do lago Tanganica é muito alto. O rio Malagarasi é mais antigo que o lago Tanganica e já esteve ligado ao rio Congo.

Devido à sua enorme profundidade e localização tropical, as águas do lago não sofrem a viragem sazonal própria dos lagos das regiões frias e, como consequência, as suas águas profundas são consideradas “água fóssil” e são anóxicas (sem oxigénio).

No lago encontram-se pelo menos 300 espécies de ciclídeos – 98 % dos quais endémicos - e 150 doutros grupos de peixes, a maioria dos quais vive na zona bêntica (junto ao fundo); no entanto, a maior parte da biomassa de peixes vive na zona pelágica (águas abertas) e é dominada por seis espécies – duas de “sardinhas do Tanganica" e quatro do predador Lates (relacionado, mas não a espécie conhecida como perca-do-nilo que devastou a ictiofauna indígena do Lago Vitória). O elevado endemismo encontra-se também entre numerosos invertebrados do lago que são conhecidos pela sua convergência com espécies marinhas, especialmente moluscos, caranguejos, copépodes, etc.

A pesca comercial no lago começou em meados da década de 1950 e teve um crescimento rápido até finais da década de 1970, quando parece ter atingido o rendimento máximo sustentável; em 1995 a captura total atingiu cerca de 180000 toneladas, mas têm-se verificado grandes flutuações inter-anuais (o que é normal em peixes pelágicos). Existem dois projetos internacionais para a gestão das pescarias do Lago Tanganica, um organizado pela FAO e outro pela IUCN e Banco Mundial, para a gestão da biodiversidade.

Referências

  1. Gonçalves, Rebelo (1947). Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa. Coimbra: Atlântida - Livraria Editora. p. 365
  2. «AFRICA - Lago Tanganica». alphabeto.it. Consultado em 11 de novembro de 2011
  3. «Tanganyika – Place Name». Behind the Name. Consultado em 10 de maio de 2025
  4. «Tanganyika – Historical Overview». Friends of Mombasa. Consultado em 10 de maio de 2025

Lago Tanganica: Gigante Antigo dos Grandes Lagos Africanos

O Lago Tanganica — também chamado de Tanganhica — é uma das maiores, mais profundas e mais antigas massas de água doce do planeta. Integra o conjunto dos Grandes Lagos Africanos e destaca-se não apenas pelas suas dimensões impressionantes, mas também pela sua biodiversidade única, pela sua importância econômica e pela sua história geológica milenar. É partilhado por quatro países: Tanzânia, República Democrática do Congo, Burundi e Zâmbia.

Localização e Dados Geográficos

Situado no braço ocidental do Grande Vale do Rifte, uma imensa fissura na crosta terrestre que corta a África de norte a sul, o lago encontra-se a uma altitude de 782 metros acima do nível do mar. Suas coordenadas ficam entre 3° 20' e 8° 48' de latitude sul, e 29° 5' e 31° 15' de longitude leste.
Os seus números são grandiosos:
  • Comprimento: 673 km no sentido norte-sul — é o lago mais longo do mundo, excluindo corpos de água salgada como o Mar Cáspio;
  • Largura: média de 50 km;
  • Profundidade: máxima de 1.470 metros e média de 570 metros. É o lago mais profundo da África e o segundo mais profundo do mundo, atrás apenas do Lago Baical, na Sibéria;
  • Área: cobre cerca de 32.900 km², sendo o segundo maior lago da África em superfície;
  • Volume: armazena aproximadamente 18.900 km³ de água, correspondendo a uma das maiores reservas de água doce líquida do planeta;
  • Litoral: possui 1.828 km de linha de costa.
Os principais rios que alimentam o lago são o Ruzizi (que vem do Lago Quivu, ao norte), o Malagarasi (segundo maior rio da Tanzânia, a leste) e o Kalambo. A bacia hidrográfica total abrange cerca de 231.000 km². A saída de água principal é o rio Lukuga, mas ele só transporta água para fora quando o nível do lago está muito elevado. Um dado curioso: o rio Malagarasi é mais antigo que o próprio lago e já fez parte da bacia do rio Congo.

Origem do Nome

A etimologia de “Tanganica” está ligada às línguas bantas da região, especialmente o suaíli. A interpretação mais aceita combina os termos tanga (vela ou navegar) e nyika (planície, terra aberta ou região pouco habitada), significando algo como “navegar na planície” ou “vela na terra vasta” — uma referência clara à imensidão da água que se estende até o horizonte.
Há também registros na língua ibembe, do povo Bembe, onde o nome aparece como Étanga 'ya ni'a, que se traduz por “lugar de mistura”, possivelmente aludindo à confluência de diferentes rios que deságuam no lago.
Durante o século XIX, exploradores europeus registraram o nome, que depois foi usado para designar o território colonial da região. Quando esse território se uniu a Zanzibar, em 1964, formou-se a Tanzânia — nome que resulta justamente da junção de Tanganica e Zanzibar.

História: O Encontro com os Europeus

Para as populações locais, o lago sempre fez parte da vida. Para o mundo ocidental, ele foi “descoberto” em 1858, pelos exploradores Richard Francis Burton e John Speke, que estavam em expedição para encontrar a nascente do rio Nilo. Ao chegar às suas margens, reconheceram a sua imensidão, mas Speke seguiu viagem para o norte e foi ele quem encontrou realmente uma das origens do Nilo: o Lago Vitória.

Ecologia e Limnologia: Um Mundo Primitivo e Único

Por ser extremamente profundo e estar numa zona tropical, o Tanganica tem uma característica especial: as suas águas não se misturam completamente ao longo do ano, como acontece em lagos de regiões mais frias. As camadas profundas são estáveis, muito antigas — chamadas de água fóssil — e não têm oxigênio (são anóxicas), o que cria um ambiente isolado há milhões de anos.
Essa estabilidade permitiu uma evolução biológica exclusiva, tornando o lago um dos maiores tesouros de biodiversidade do mundo:
  • Peixes: Existem cerca de 450 espécies, das quais pelo menos 300 são ciclídeos — e 98% desses são endémicos, ou seja, não existem em mais nenhum lugar da Terra. Há também outras 150 espécies de grupos diferentes. A maior parte vive no fundo (zona bêntica), mas a biomassa total está concentrada nas águas abertas (zona pelágica), dominada por seis espécies principais: duas conhecidas como “sardinhas do Tanganica” e quatro do gênero Lates, parentes da perca-do-nilo, mas espécies diferentes e nativas.
  • Invertebrados: Moluscos, caranguejos, copépodes e outros organismos apresentam características tão semelhantes às espécies marinhas que se diz que o lago é como um “mar doce” isolado, onde a vida evoluiu de forma paralela ao oceano.

Áreas Protegidas

Ao longo das suas margens existem quatro importantes unidades de conservação que protegem não só a vida aquática, mas também os ecossistemas terrestres ao redor:
  1. Reserva da Natureza de Rusizi (Burundi): Sítio Ramsar, dedicado à proteção de zonas húmidas e aves migratórias;
  2. Parque Nacional de Gombe Stream (Tanzânia): Ficou famoso mundialmente por ser o local onde a pesquisadora Jane Goodall estudou e protegeu os chimpanzés;
  3. Parque Nacional das Montanhas Mahale (Tanzânia): Uma área de floresta densa e montanhas que também abriga populações de chimpanzés e uma fauna variada;
  4. Parque Nacional de Nsumbu (Zâmbia): Protege uma das margens mais preservadas do lago, com paisagens de grande beleza.

Importância Econômica: Pesca e Sustento

O Tanganica é muito mais do que um patrimônio natural: é uma fonte vital de alimento e renda. Estima-se que cerca de 45 mil pessoas trabalhem diretamente na pesca, operando em quase 800 centros de desembarque. No entanto, o número de pessoas que dependem indiretamente desse recurso chega a ultrapassar um milhão, pois o pescado é a principal fonte de proteína para toda a região.
A pesca comercial começou por volta de 1950 e cresceu rapidamente até 1975-1980, quando atingiu o seu limite máximo sustentável. Em 1995, a captura total chegou a 180 mil toneladas, embora os números variem muito de ano para ano — algo normal em espécies que vivem em águas abertas.
Para gerir esse recurso e preservar a biodiversidade, existem dois grandes projetos internacionais: um coordenado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e outro desenvolvido pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) em parceria com o Banco Mundial.
Combinando beleza, história, ciência e vida, o Lago Tanganica é um símbolo da riqueza natural africana e um exemplo de como um ecossistema antigo pode ser fundamental para o presente e o futuro de milhões de pessoas.

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