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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Aristides Augusto Milton: Jurista, Político e Intelectual da Transição do Império à República

 

Aristides Augusto Milton
Nascimento1848
Cachoeira
Morte1904 (55–56 anos)
Rio de Janeiro
CidadaniaBrasil
Alma mater
Ocupaçãopolítico, jornalista, historiador
Cargo(s)
deputado federal pela Bahia (1903–1905)
deputado federal pela Bahia (1900–1902)
deputado federal pela Bahia (1897–1899)
deputado federal pela Bahia (1894–1896)
deputado federal pela Bahia (1890–1891)
governador (1889–1889)
deputado da Assembleia Geral do Brasil pela Bahia (1886–1888)

Aristides Augusto Milton, mais conhecido como Aristides Milton (Cachoeira, 29 de maio de 1848Rio de Janeiro, 26 de janeiro de 1904), foi um magistrado, político, periodista e historiador brasileiro, membro dos institutos históricos do Brasil (IHGB) e da Bahia (IGHB). Foi presidente da província de Alagoas, de 6 de janeiro a 18 de junho de 1889.[1]

Biografia

Nasceu Aristides Milton no Recôncavo Baiano, filho do major Tito Augusto Milton e de Leopoldina Clementina Milton. Realizou os estudos fundamentais no Ginásio Baiano, do Barão de Macaúbas.[2]

Formou-se em Direito no ano de 1868, pela Faculdade de Direito do Recife, logo a seguir ingressando na magistratura, sendo juiz em Lençóis e depois substituto em Salvador, no Piauí e, voltando à Bahia, em Maracás. Durante esse período também milita no Partido Conservador, pelo qual é eleito deputado provincial em mais de uma legislatura.[2]

Constituição brasileira de 1891, página da assinatura de Aristides Augusto Milton (última assinatura). Acervo Arquivo Nacional

Entre 1886 a 1889 é deputado geral (equivalente ao mandato de deputado federal), exercendo a função de secretário da Câmara. Participando da política com a Proclamação da República, é deputado constituinte em 1889 e deputado federal nas quatro primeiras legislaturas do novo regime, e foi presidente da comissão encarregada da elaboração do novo Código Penal.[2]

Durante algum tempo foi o chefe de polícia em Sergipe e, de volta à cidade natal, exerce ali a vereança e a presidência da Câmara local. Ali também atua como provedor da Santa Casa de Misericórdia da cidade.[2] Em 1881 assumiu a presidência de Alagoas.

Na imprensa foi fundador, ainda quando estudante e ao lado de colegas como Castro Alves, do jornal O Futuro (no Recife);[2] ele havia conhecido Alves ainda bem criança, quando este brevemente morou em Cachoeira e ambos foram alunos do mestre-escola Antônio Frederico Loup, voltando a se encontrar nos bancos do Ginásio Baiano.[3] Contribuiu com o Correio da Bahia, de 1872 a 1876, quando este jornal era um órgão vinculado ao Partido Conservador; na cidade natal fundou o Jornal de Cachoeira.[2]

Participa como membro fundador do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia, e é colaborador em sua revista. Em primeiro de agosto de 1896 foi eleito membro correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.[2]

Publicações

Dentre outros trabalhos, Aristides Milton publicou:[2]

  • A Campanha de Canudos” (Revista do IHGB, t. 63, p. 2).
  • A Constituição no Brasil”. Notícia histórica, RJ, 1895.
  • "Efemérides Cachoeirenses", BA, 1903.
  • A República e a Federação no Brasil”. Acontecimentos na Bahia (Rev. IHGB, t. 60 p. 2)
  • Carta sobre a incumbência de escrever a história da Guerra de Canudos na Bahia” (R. IHGB, t. 58, p. 2).

Publicou ainda:[4]

Aristides Augusto Milton: Jurista, Político e Intelectual da Transição do Império à República

Aristides Augusto Milton, conhecido simplesmente como Aristides Milton (Cachoeira, BA, 29 de maio de 1848 — Rio de Janeiro, RJ, 26 de janeiro de 1904), foi uma das figuras mais versáteis e atuantes da vida pública brasileira no final do século XIX. Magistrado, político, jornalista e historiador, ele participou ativamente das grandes transformações do país, desde a fase final do Império até a consolidação da República.

Origem e Formação

Nascido no Recôncavo Baiano, filho do major Tito Augusto Milton e de Leopoldina Clementina Milton, recebeu sua educação inicial no Ginásio Baiano, instituição dirigida pelo Barão de Macaúbas.
Em 1868, formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife — uma das mais importantes do país na época. Já durante os anos de estudo, mostrou interesse pela imprensa e pela vida intelectual, convivendo com nomes que marcariam a cultura brasileira, como o poeta Castro Alves, com quem estudou ainda criança em Cachoeira e reencontrou nos bancos escolares.

Carreira Jurídica e Política

No Período Imperial

Logo após a formatura, ingressou na magistratura:
  • Exerceu o cargo de juiz em Lençóis;
  • Atuou como juiz substituto em Salvador, no Piauí e, de volta à Bahia, em Maracás.
Paralelamente, filiou-se ao Partido Conservador, sendo eleito deputado provincial da Bahia em várias legislaturas.
  • Presidência de Província: Assumiu o comando da província de Alagoas no período de 6 de janeiro a 18 de junho de 1889, poucos meses antes da Proclamação da República.
  • Deputado Geral: Representou a Bahia na Assembleia Geral do Império entre 1886 e 1889, exercendo também a função de secretário da Câmara dos Deputados.

Na República

Com a queda do Império, continuou com papel de destaque na nova ordem política:
  • Foi deputado constituinte em 1891, participando da elaboração da primeira Constituição republicana — sua assinatura consta entre as dos legisladores da época.
  • Eleito deputado federal nas quatro primeiras legislaturas da República.
  • Chefiou a Comissão Responsável pela Elaboração do Novo Código Penal, contribuindo para a estruturação jurídica do país.
  • Exerceu também cargos administrativos: chefe de polícia em Sergipe, vereador e presidente da Câmara Municipal de Cachoeira, além de provedor da Santa Casa de Misericórdia da sua cidade natal.

Atividade Jornalística

A imprensa foi um espaço constante de atuação e expressão para Aristides Milton:
  • Fundador do jornal O Futuro, no Recife, ao lado de colegas como Castro Alves, ainda durante os anos de faculdade.
  • Colaborador do Correio da Bahia entre 1872 e 1876, veículo ligado ao Partido Conservador.
  • Fundador do Jornal de Cachoeira, na sua terra natal, onde defendia causas locais e regionais.

Trabalho Histórico e Intelectual

Como estudioso e pesquisador, dedicou-se à preservação e divulgação da história do Brasil e da Bahia:
  • Membro fundador do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia (IGHB), colaborando regularmente com a sua revista.
  • Membro correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), eleito em 1º de agosto de 1896.

Principais Obras e Estudos

Publicou trabalhos que abordam temas políticos, institucionais e históricos, entre os quais:
  • A Campanha de Canudos — análise sobre o conflito ocorrido no interior da Bahia.
  • A Constituição no Brasil — visão histórica sobre a evolução das leis fundamentais do país.
  • Efemérides Cachoeirenses — registro da história e memórias da sua cidade natal.
  • A República e a Federação no Brasil — reflexões sobre a nova organização política do país.
  • Carta sobre a incumbência de escrever a história da Guerra de Canudos na Bahia.
  • A Federação do Guanais.

Legado

Aristides Milton representa a figura do homem público completo do século XIX: alguém que atuou com competência na Justiça, na política e na cultura. Sua passagem pela Assembleia Constituinte, sua atuação na elaboração do Código Penal e seus estudos sobre a história do Brasil deixaram marcas importantes, ajudando a construir as bases jurídicas e institucionais da República e a preservar a memória da região baiana.

Referências

  1. «Aristides Augusto Milton». UFSC. Consultado em 8 de março de 2019. Cópia arquivada em 8 de março de 2019. Página com obras do autor para download.
  2.  Institucional. «Sócios Falecidos Brasileiros: Aristides Augusto Milton». IHGB. Consultado em 8 de março de 2019. Cópia arquivada em 8 de março de 2019
  3. Afrânio Peixoto (1942). Castro Alves: o Poeta e o Poema (PDF). Col: Brasiliana. [S.l.]: Civilização Brasileira. Consultado em 3 de março de 2019. Cópia arquivada em 3 de março de 2019. PDF arquivado em html
  4. Secretaria de Cultura e Turismo do Estado da Bahia (2006). Dicionário de Autores Baianos. [S.l.]: EGBA. 403 páginas. ISBN 8575051512

Precedido por
José Cesário de Miranda Monteiro de Barros
Presidente da província de Alagoas
1889
Sucedido por
Manuel Messias de Gusmão Lira

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