artigo de Karin Romanó Santos
SANTINHOS ESQUECIDOSFiz a primeira comunhão na Catedral Metropolitana de Curitiba.
Foi um momento esperado, solene. Mas quer saber o que registrei no fundo da memória desse dia?
Que minha mãe não encomendara os santinhos com o meu nome impresso, como providenciaram as mães das colegas.
A vela que recebi da igreja sobreviveu alguns anos guardada em uma gaveta, amarelando em paz.
Lembro do sapato branco de verniz com meia 3/4. E do delicado rosário que ganhei.
Mudando de assunto: há alguns anos, descobri que a Catedral Basílica Menor de Curitiba não é tombada pelo Iphan.
Apenas um imóvel de Curitiba tem o tombamento nas três esferas de governo: municipal, estadual e federal: O Paço da Liberdade.
Quer saber porque a Catedral não tem?
Por causa de um anexo construído em 1947, ao lado da rua Barão do Serro Azul. Ali passou a ser a Casa Paroquial (ou Casa Canônica).
Segundo os puristas mais exigentes, essa construção descaracterizou o projeto original de 1893.
Eu, na minha visão, acho que ficou muito bonito e bem feito. Mas, enfim.
O que realmente fica realmente tombado na gente, sem depender de decreto, leis, são as pequenas lembranças, como a ausência dos santinhos.
Nada muda isso. Nem o tempo, nem o IPHAN.
Foto: Catedral sem o anexo, lado da rua Barão do Serro Azul
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