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segunda-feira, 6 de julho de 2026

GOTLÂNDIA: A ILHA HISTÓRICA DO MAR BÁLTICO A maior ilha da Suécia, entre tradição, cultura e paisagens únicas

 


Gotlândia
Gotland

Falésias calcárias na praia de Langhammar
57° 30′ N, 18° 33′ L
Geografia
País Suécia
LocalizaçãoMar Báltico 57° 30′ N, 18° 33′ L
Ponto culminanteLojsta hed - 82 m
Área2994 km²
Demografia
População61 173 (2022)
Densidade18,4 hab./km²
Principal povoaçãoVisby

A Gotlândia ou Gotland  é a maior ilha da Suécia e do mar Báltico.[1][2][3] Está situada a 90 km a leste da Suécia, assim como a 130 km a oeste da Letónia e 600 km a norte da Polônia.[4][5] A ilha é ao mesmo tempo a província histórica da Gotlândia (Gotland), o condado da Gotlândia (Gotlands län), e a comuna de Gotlândia (Gotlands kommun).[6]

Pertencem à Gotlândia as pequenas ilhas de Fårö e Gotska Sandön ao norte, e as ilhas Stora Karlsö e Lilla Karlsö a oeste.[6][7] A antiga cidade de Visby é simultaneamente a capital da província histórica, a capital do condado e a sede da comuna.[6] É uma antiga urbe hanseática fundada no século X, rodeada de muros medievais praticamente intactos, e dispondo de vários edifícios históricos.[6][8]

Etimologia e uso

O nome geográfico sueco Gotland deriva possivelmente das palavras nórdica "gutar" (o nome do povo habitando a ilha; literalmente, "os homens") e de ”land” (terra ou ilha), significando ”terra dos gutas”. A forma ”Gotland” - com ”o” - parece ser uma influência do baixo-alemão medieval, talvez em combinação erudita posterior com ”goter” (godos). A província está mencionada como "Gutlandi", em escrita rúnica em sueco antigo no século XI, como ”Gutland” na Saga dos Gutas, em gútnico antigo no século XIII, e como ”Gutland” no século XIV.[9][10]

A forma Gotlândia é um aportuguesamento consagrado em textos em português, embora a forma original Gotland pareça ter igualmente uso considerável na língua portuguesa.[11][12]

História

O antigo nome da ilha é Gutland, e o nome dos seus habitantes Gutar (APORTUGUESADO Gutas). Os Alemães alteraram todavia o nome para Gotland, e os Suecos passaram a designar os habitantes de Gotlänningar (LITERALMENTE Gotlandeses).[13][14]

A Saga dos Gutas – escrita no século XIII – conta-nos que a Gotland era uma ilha encantada – desaparecendo debaixo de água durante o dia e vindo à superfície durante a noite. Esse encanto teria sido quebrado pela visita do primeiro humano à ilha, quando Tjelvar pôs o pé em terra e acendeu um fogo.[15]

Hoje em dia, sabemos que a Gotland é habitada desde a Idade da Pedra. Os seus primeiros habitantes teriam aí chegado há uns 8 000 anos, sendo a ligação destes ao mar atestada por vestígios arqueológicos da Idade do Bronze e por pedras decoradas com barcos da Idade do Ferro.[16]

Durante a Era Viking, a ilha foi um centro de comércio e um reduto de pirataria no mar Báltico. Numerosos tesouros de prata indicam a sua prosperidade.[15][16]

No início da Idade Média, a Gotland gozava de considerável autonomia.[17] Os seus camponeses e comerciantes - com a cidade de Visby como centro – estavam unificados e orientados para o comércio marítimo com o leste.[16] Todavia, um conflito crescente entre os comerciantes alemães de Visby e os grandes camponeses da ilha acabou por fazer deflagrar uma guerra civil. O rei sueco Magnus Ladulås interveio em 1288, permitindo a vitória de Visby e assegurando ao mesmo tempo o domínio da Suécia.[18][16] No século XIII e XIV, a Gotland teve o seu período de riqueza e poder, integrada no círculo da Liga Hanseática.[15][6] Em 1361, a Gotland passou a ser dinamarquesa, quando o rei Valdemar Atterdag conquistou a ilha, pondo assim fim ao período de prosperidade e grandeza.[18] Embora sendo formalmente possessão dinamarquesa, a ilha foi assediada e até conquistada por vários invasores estrangeiros.[16] 300 anos depois, em 1645, a Gotland foi recuperada pela Suécia, pela Paz de Brömsebro, passando a ser sueca até aos nossos dias.[18][6][19]

Em 1678, Johan Cedercrantz foi nomeado governador (em sueco: landshövding) do Condado da Gotlândia.[6] Hoje em dia, a Princesa Leonor da Suécia é a duquesa de Gotlândia, título que lhe foi oferecido pelo avô, o Carlos XVI Gustavo, em honra do seu nascimento.[20]

Geografia

A Gotlândia é um grande rochedo planáltico de calcário - predominantemente plano - em pleno Mar Báltico, a cerca de 90 km da Suécia continental.[2] Tem um comprimento de 170 km e uma largura de 50 km.[21] Através dos tempos, as vagas e os ventos modelaram falésias (raukar) e grutas ao longo das costas da ilha.[6] Seu ponto mais alto é Lojsta Hed a apenas 83 metros acima do nível do mar.[6] Esta ilha está localizada numa das áreas com maior número de horas de sol da Suécia.[22][23][24]

Maiores centros urbanos

Economia

Igreja de Tofta

A sua economia distingue-se da economia do resto da Suécia, devido a ter um maior número de pessoas trabalhando no setor agrícola — cerca de 8% — e um menor número na indústria — uns 15%. Cerca de metade da força de trabalho está concentrada na área de Visby.[17][6]

A agricultura é um setor importante, com realce para o cultivo de beterraba-sacarina, morangos, batatas e cereais. A criação de ovelhas, vacas e porcos está aliada à produção de leite, carne de vaca e de porco. A indústria conta com 10 empresas com mais de 50 empregados, com relevo para a produção metalo-mecânica, alimentar e de cimento.[17][25][26]

A Gotlândia é igualmente uma grande atração turística, especialmente no verão. O turismo ocupa umas 2 000 pessoas, recebendo a ilha anualmente mais de 600 000 turistas.[6][27]

Transportes

A Gotlândia não tem vias férreas desde os anos 60. Os transportes internos são assegurados por uma rede de linhas de autocarros/ônibus. Visby está ligada diariamente por barco a Nynäshamn e Oskarshamn, e por avião a Norrköping e Estocolmo na Suécia continental.[28][29][30][6]

Património turístico

A Gotlândia é uma grande atração turística, especialmente no verão. Tem um dos maiores números de horas de sol da Suécia – cerca de 2000, em Visby e Hoburg.[31][32][33]

Entre os pontos turísticos mais procurados atualmente estão:

GOTLÂNDIA: A ILHA HISTÓRICA DO MAR BÁLTICO

A maior ilha da Suécia, entre tradição, cultura e paisagens únicas

Localização e Divisão Administrativa

A Gotlândia — também conhecida pela forma original Gotland — é a maior ilha da Suécia e de todo o Mar Báltico. Geograficamente, está posicionada a 90 km a leste do território continental sueco, a 130 km a oeste da Letónia e cerca de 600 km ao norte da Polônia.
Sua organização administrativa é singular: a ilha corresponde ao mesmo tempo à província histórica da Gotlândia, ao Condado da Gotlândia e à Comuna da Gotlândia. Fazem parte do seu território ainda as ilhas menores de Fårö e Gotska Sandön, ao norte, e Stora Karlsö e Lilla Karlsö, a oeste.
A cidade de Visby exerce todas as funções de centro principal: é a capital histórica, sede do governo do condado e centro administrativo da comuna. Trata-se de uma antiga urbe da Liga Hanseática, fundada no século X, cercada por muralhas medievais praticamente intactas e repleta de construções que preservam a arquitetura e a história da região.

Etimologia e Origem do Nome

O termo deriva provavelmente da junção da palavra nórdica antiga gutar — nome do povo nativo da ilha, que significa literalmente “os homens” — e land, que quer dizer “terra” ou “ilha”. No sentido original, portanto, seria a “Terra dos Gutas”.
A grafia Gotland, com a letra “o”, surgiu por influência do baixo-alemão medieval, mais tarde associada também ao termo goter (godos). Em registros antigos, aparece como Gutlandi em escrita rúnica do século XI, Gutland na Saga dos Gutas no século XIII e novamente com essa grafia no século XIV.
Na língua portuguesa, a forma aportuguesada Gotlândia é consagrada e amplamente utilizada, embora a versão original Gotland também seja frequente em materiais de referência.
Uma passagem da Saga dos Gutas, de autor desconhecido, conta uma lenda antiga:
“Gutland hitti fyrsti maþr þan sum þieluar hit. þa war gutland so eluist at þet daghum sanc Oc natum war uppj.”
(Tradução livre: “Gutland foi encontrada pelo primeiro homem chamado Tjelvar. Antigamente, a ilha era tão encantada que afundava de dia e só surgia à superfície durante a noite.”)

História: De Lenda a Território Estratégico

Segundo a tradição da Saga dos Gutas, a ilha seria um território encantado, que só ficava visível durante a escuridão. O feitiço teria sido quebrado quando Tjelvar pisou pela primeira vez em sua terra e acendeu uma fogueira, tornando-a habitável para sempre.
Os dados arqueológicos confirmam que a Gotlândia é ocupada há cerca de 8 mil anos, desde a Idade da Pedra. Vestígios da Idade do Bronze e da Idade do Ferro — como barcos esculpidos em rochas — demonstram que seus primeiros habitantes já tinham uma forte ligação com o mar.

Era Viking e Idade Média

Durante o período Viking, a ilha transformou-se num importante centro de comércio e também ponto de apoio para atividades de pirataria no Mar Báltico. A riqueza da época fica comprovada pelos inúmeros tesouros de prata encontrados em escavações.
No início da Idade Média, a Gotlândia gozava de ampla autonomia. Com Visby como núcleo, camponeses e comerciantes organizavam suas atividades voltadas ao intercâmbio marítimo com a Europa Oriental. Porém, disputas entre mercadores alemães estabelecidos em Visby e grandes proprietários rurais da ilha geraram uma guerra civil. Em 1288, o rei sueco Magnus Ladulás interveio, garantindo a vitória da cidade e ao mesmo tempo impondo a soberania da Suécia sobre o território.
Nos séculos XIII e XIV, viveu seu auge: fazia parte da Liga Hanseática, uma poderosa aliança de cidades comerciais europeias, e acumulou grande influência e riqueza. Essa fase terminou em 1361, quando o rei dinamarquês Valdemar Atterdag conquistou a ilha e encerrou seu período de independência e prosperidade.

Séculos Posteriores até a Atualidade

Por cerca de 300 anos, a Gotlândia permaneceu sob domínio dinamarquês, embora tenha sido alvo de vários ataques e tentativas de ocupação. Em 1645, pelo Tratado de Paz de Brömsebro, foi definitivamente devolvida à Suécia, mantendo-se como parte do país até hoje.
A estrutura administrativa se consolidou ao longo do tempo: em 1678, foi nomeado o primeiro governador oficial do condado, Johan Cedercrantz. Atualmente, a ilha mantém uma ligação simbólica com a família real sueca: a Princesa Leonor detém o título de Duquesa da Gotlândia, concedido a ela pelo avô, o rei Carlos XVI Gustavo, por ocasião de seu nascimento.

Geografia e Clima

Do ponto de vista físico, a Gotlândia é um grande planalto de rocha calcária, com relevo predominantemente plano. Tem cerca de 170 km de comprimento e até 50 km de largura, e seu ponto mais alto — Lojsta Hed — chega a apenas 83 metros acima do nível do mar.
Ao longo dos séculos, a ação do vento e das ondas esculpiu suas costas, formando falésias, formações rochosas chamadas raukar, grutas e enseadas. Com uma localização privilegiada, a ilha é uma das regiões da Suécia com maior número de horas de sol por ano, chegando a cerca de 2 mil horas em áreas como Visby e Hoburg.

Principais Centros Urbanos

  • Visby: aproximadamente 22.000 habitantes
  • Hemse: cerca de 1.800 habitantes
  • Slite: cerca de 1.600 habitantes
  • Klintehamn: cerca de 1.400 habitantes
  • Vibble: cerca de 1.100 habitantes

Economia

A atividade econômica da Gotlândia tem características próprias, diferentes do restante da Suécia:
  • Agricultura: Emprega cerca de 8% da população, mais do que a média nacional. Destacam-se o cultivo de beterraba-açucareira, morangos, batatas e cereais, além da criação de ovelhas, gado bovino e suíno, com produção de leite e carne.
  • Indústria: Representa cerca de 15% dos empregos. Conta com poucas empresas de grande porte — apenas dez com mais de 50 trabalhadores — e atua principalmente nos setores metalo-mecânico, alimentício e de fabricação de cimento.
  • Setor de Serviços e Turismo: Cerca de metade da força de trabalho está concentrada na região de Visby. O turismo é uma das principais fontes de renda: a ilha recebe mais de 600 mil visitantes por ano, especialmente no verão, e mantém cerca de 2 mil postos de trabalho ligados diretamente ao setor.

Transportes

A rede de transporte evoluiu ao longo do tempo:
  • Ferrovias: Não existem mais linhas férreas na ilha desde a década de 1960.
  • Transporte interno: Realizado por meio de uma rede de linhas de ônibus que conectam as localidades.
  • Ligação com o continente: Visby conta com voos regulares para Estocolmo e Norrköping, e serviços diários de balsa até os portos de Nynäshamn e Oskarshamn, na Suécia continental.

Patrimônio e Turismo

Com uma história de milênios e paisagens únicas, a Gotlândia é um destino muito procurado. Entre seus principais atrativos estão:
  • Cidade de Visby: Patrimônio Cultural da Humanidade, com muralhas medievais bem preservadas, ruas de paralelepípedos e construções da época hanseática.
  • Grutas de Lummelunda: Sistema de cavernas com mais de 4 km de galerias abertas à visitação.
  • Formações rochosas de Hoburgen: Conjunto de falésias e rochas esculpidas pela natureza.
  • Ilha de Stora Karlsö: Reserva natural, ponto de reprodução de várias espécies de aves marinhas.
  • Cavalo Gotlandsruss: Raça de pôneis nativos que vivem soltos na região de Lojsta.
  • Patrimônio histórico: 13.500 sítios arqueológicos registrados e 92 igrejas construídas durante a Idade Média.
  • Costa: Mais de 800 km de litoral, com praias e formações rochosas características, como as de Slite e Hoburgen.

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