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sexta-feira, 3 de julho de 2026

INAUGURAÇÃO DOS BONDES EM CURITIBA

 INAUGURAÇÃO DOS BONDES EM CURITIBA





Em 09/11/1887, o jornal Dezenove de Dezembro, de Curitiba, registrava em suas páginas a saga que foi a inauguração do primeiro serviço de transporte coletivo da cidade, em bondes puxados por mulas:

“Foi hontem um dia de galas, de esplendidas e ruidosas festas nesta capital. A inauguração dos bonds, que era esperada com justa anciedade pela população, avida por esse melhoramento, que vem transformar beneficamente os seus hábitos e bem estar, realisou-se no meio das mais enthusiasticas expansões de regosijo popular.

As 11 e meia da manhã partiram da elegante estação da empreza – Curitybana-, próxima à estação da estrada de ferro, quatro elegantes carros embandeirados, em tudo iguaes aos da empreza de Carris Urbanos da côrte, conduzindo o presidente da província, chefe de polícia, representantes do Dezenove de Dezembro, Gazeta Paranaense e Diário Popular, o gerente da empreza e outros cavalheiros.

No centro, em carro descoberto e também embandeirado, tocava a banda de musica do 2º.corpo de cavallaria.

Em frente ao Grande Salão, onde se achavam a commissão da Camara municipal, os convidados e os representantes da Revista do Paraná, Republica e DeutscheVolkszeitung tomaram aquela e esses lugar nos bonds, que seguiram pelas ruas da Imperatriz, Assembléia, Alegre, largo D. Pedro II, travessa da cadeia, rua do Riachuelo até o Boulevard 2 de julho, que estava lindamente ornado de arcos e bandeiras, até a chacara do Sr. Fontana, que, com aquele cavalheirismo que o distingue, recebeu os convidados, offerecendo-lhes flores naturaes e um profuso copo d’agua. Ali foi proferido pelo presidente da província um discurso de saudação aos accionistas e gerente da empreza e à municipalidade e população de Curytiba, declarando inaugurada a linha de bonds.

O Sr. Boaventura Clapp, digno gerente da empreza, agradeceu a saudação se S. Ex. e o auxilio que a empreza recebera dos poderes publicos. Em nome da Camara municipal orou o sr. Vereador Antonio do Nascimento, membro da respectiva commissão.

Em seguida, regressaram os bonds, conduzindo os mesmos e outros cavalheiros e famílias, pelas ruas do Riachuelo e Imperatriz e seguiram pela de Matto Grosso até o Batel, ponto terminal, sendo em todo este trajecto saudado por estrepitosas acclamações populares, foguetes e flores, que das janelas das casa eram derramadas em ondas sobre os carros.

Pouco além da chacara do sr. Muricy, achava-se postado um grupo de cavalleiros, trazendo fitas a tiracollo e empunhando bandeiras, sob o comando o industrial sr. William Withers, que acompanhou os bonds, erguendo de espaço a espaço estrepitosos vivas, correspondidos pelos passageiros dos bonds e pela multidão que bordava as ruas.

O bairro do Batel cobriu-se de galas para receber a visita do progresso: arcos, bandeirolas, galhardetes, disticos formados de flores, annunciavam o regozijo dos habitantes do bello arraballde, no meio de estrugir de innumeros foguetes.

Nas casas dos sr.s Victorino Corrêa e Withers foram os passageiros dos bonds recebidos com todas as demonstrações que o cavalheirismo do homem civilisado dispensa aos hóspedes, trocando-se enthusiasticos brindes, levantados, na 1ª daquelas casas, pelos srs. Leoncio Correia e Jayme Balão, em nome dos habitantes do Batel a empreza “Curytibana”, e pelo sr. Clapp, que, agradecendo, os felicitou; e na casa do sr. Withers, onde este cavalheiro offereceu um delicado e profuso lunch, pelos srs. Rocha Pombo, em nome da imprensa, aos accionistas e gerentes da “Curytibana”:
- B. Clapp, à imprensa;
- Nivaldo Braga, aos srs. João Tobias, josé Pinto Rebello e Joaquim Loyola, concessionários do privilégio dos bonds, brinde este aditado pelo sr. Generoso Marques;
- Francisco Carvalho, à assembléia provincial, ali representada pelos deputados Generoso Marques, João Tobias e Rocha Pombo;
-Dr. Mendes Gonçalves, em nome do Club Curitibano, ao sr. B. Clapp;
-Jaime balão, ao presidente da província; - Sebastião Paraná, à empreza “Curytibana”, representada pelo seu gerente; dr. Presidente da província, ao sr. comendador Antônio Ricardo dos Santos, banqueiro da empreza;
-B. Clappao seu auxiliar o engenheiro Augusto Coelho e às Exmas. famílias que se associam aquela manifestação;
-finalmente, o sr. A. do Nascimento, em nome da Camara municipal, levantou o brinde de honra à S.M. o Imperador Dom Pedro II.

Às 2 horas da tarde regressaram os bonds à estação , sendo novamente recebidos em todas as ruas com entusiásticas manifestações, em que se casavam as saudações das mais distintas famílias com os brados espontaneamente irrompidos dos corações do povo. Até às 11e meia da noite continuaram os bonds a transportar cavalheiros e famílias de uns para outros pontos da linha, lamentando o digno gerente não dispor de maior número de carros para satisfazer o povo.

As emoções de hontem não há penna, por mais hábil, capaz de descrever. Foi a festa popular mais entusiástica que temos visto nesta capital. Apertamos cordialmente a mão ao sr. Clapp, que deve estar satisfeito e bem recompensado dos esforços que empregou para levar a effeito o grande melhoramento, de que começou a gozar Curityba; aos accionistas da “Cuytibana” que levados mais pelo patriotismo, do que pelo interesse de lucros, armaram a vontade potente daquelle cavalheiro com os meios de realizar tão útil empreza, que geralmente se suppunha superior às circuntancias da nossa capital, com cujos habitantes congratulam-nos affectuosamente pelo grande incremento que a vida social e comercial vem imprimir o ferro-carril hontem tão auspiciosamente inaugura-lo.”

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