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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Isabel Maria de Alcântara Brasileira, Duquesa de Goiás (Rio de Janeiro, 23 de maio de 1824 — Murnau am Staffelsee, Alemanha, 3 de novembro de 1898)

 

Isabel Maria
Duquesa de Goiás
Condessa de Treuberg
Dados pessoais
Nascimento23 de maio de 1824
Rio de Janeiro, Brasil
Morte3 de novembro de 1898 (74 anos)
Murnau am Staffelsee, Baviera
Sepultado emIgreja do Mosteiro de São João Batista, Holzen, Baixa Saxônia, Alemanha
Nome completo
Isabel Maria de Alcântara Brasileira
CônjugeErnesto Fischler, 2.º Conde de Treuberg
Descendência
Maria Amélia de Treuberg
Fernando, 3.º Conde de Treuberg
Augusta de Treuberg
Francisco de Treuberg
PaiPedro I do Brasil
MãeDomitila de Castro Canto e Melo
ReligiãoCatolicismo

Isabel Maria de Alcântara Brasileira, Duquesa de Goiás (Rio de Janeiro, 23 de maio de 1824Murnau am Staffelsee, 3 de novembro de 1898), foi uma nobre brasileira, filha ilegítima do imperador Pedro I do Brasil com Domitila de Castro, a Marquesa de Santos. A duquesa foi legitimada, ou seja, reconhecida como filha do imperador, em 1826, e passou a viver no Palácio de São Cristóvão junto a seus irmãos. Recebeu o título nobiliárquico de Duquesa de Goiás, com direito de ser tratada por "Sua Alteza" e usar o prefixo honorífico "Dona".[1] A duquesa fora separada da Marquesa de Santos ainda muito jovem, e não tinha qualquer recordação de sua mãe biológica, que teve sua identidade ocultada por desejo do imperador.[2]

Foi enviada para Paris, onde passou a ser educada para se tornar um freira. Em 1834 seu pai morreu, e a tarefa de criar D. Isabel Maria foi assumida por sua viúva, a imperatriz D. Amélia e por sua mãe, Augusta

Biografia

Primeiros anos

Texto do documento de criação do título de Duquesa de Goiás, em 24 de maio de 1826.

Isabel Maria nasceu no Rio de Janeiro e foi registrada como filha de pais incógnitos que teria sido abandonada na casa do coronel João de Castro (na verdade, seu avô materno). Nessa condição, ela foi batizada em 31 de maio de 1824 na igreja de São Francisco Xavier do Engenho Velho, tendo como padrinhos os pais da marquesa de Santos.[3] Pouco antes de seu aniversário de dois anos, o imperador reconheceu publicamente sua paternidade e exigiu que ela fosse anotada no assento de batismo da criança.[nota 1] Em decreto datado de 24 de maio de 1826, dom Pedro concedeu-lhe também o título de Duquesa de Goiás, com direito ao tratamento de Alteza.[5] Os atos imperiais causaram furor na corte e foram comemorados numa festa com pompas de grande gala, celebrada no Palacete do Caminho Novo, a imponente residência que o imperador construiu para a amante nos arredores do Palácio Imperial de São Cristóvão.[6][nota 2] Em 6 de junho, perante toda a corte, Isabel Maria foi apresentada oficialmente à imperatriz Leopoldina. A partir de então, a duquesa passou a frequentar o palácio diariamente para ser educada junto com as irmãs.[8]

Poucos meses depois da morte de Dona Leopoldina, em agosto de 1827, Isabel Maria foi levada para viver em definitivo no Palácio de São Cristóvão.[9] Dom Pedro I casou-se novamente em 1829 e rompeu definitivamente com a marquesa de Santos, que foi enviada de volta a São Paulo. A mãe da nova imperatriz, Augusta, já havia deixado claro que não permitiria a permanência da pequena duquesa em São Cristóvão e antes mesmo da chegada de D.Amélia ao Brasil Isabel Maria teve que ser transferida para o Palacete Imperial da Praia Grande - residência oficial de verão durante o primeiro reinado - em Niterói.[9]

Estudos na Europa

Isabel Maria, Duquesa de Goiás, em uma pintura localizada na Baviera.

D. Pedro I decidiu naquele mesmo ano enviar Isabel Maria para ser educada na Europa. A menina, então com cinco anos, embarcou em 25 de novembro com destino à França, levando uma carta do secretário Francisco Gomes ao visconde de Pedra Branca com a recomendação de que sua instrução deveria ser "a melhor possível para fazer uma freira, com a menor despesa possível, sem contudo faltar à decência devida a uma filha de S.M.I., posto que bastarda."[10] A viagem teve inúmeros percalços: uma tempestade danificou as velas do navio, seus ocupantes foram acometidos por um surto de febre e a duquesa passou a queixar-se de dores no peito. Diante de tal situação, Paulo Martins de Almeida,[nota 3] responsável pela menina, ordenou ao comandante que mudasse o curso para Plymouth, onde aportaram em 8 de fevereiro de 1830.[10] A comitiva instalou-se em Londres enquanto os viscondes de Itabaiana e de Resende procuravam em Paris um colégio adequado à educação da duquesa.[10]

Isabel Maria finalmente foi levada para Paris e passou a estudar em regime de internato na Ecole du Sacré-Coeur, onde as filhas da aristocracia católica francesa eram educadas. Alguns anos depois, Isabel Maria teria como colega a condessa de Teba, Eugênia de Montijo, futura imperatriz dos franceses como esposa de Napoleão III.[10]}} No Brasil, d. Pedro recebia mensalmente relatórios médicos e informações sobre o desenvolvimento da filha. As freiras responsáveis pela escola relatavam que a duquesa era extremamente dócil e, com exceção do piano, vinha saindo-se bem em todas as disciplinas. Todavia, também informavam que era dada a variações de humor quando obrigada a estudar.[10]

Em 7 de abril de 1831, d. Pedro abdicou do trono do Brasil e partiu para a Europa com d. Amélia e a rainha d. Maria II. Após alguns meses como hóspede do rei Luís Filipe, o agora duque de Bragança adquiriu uma casa e Isabel Maria começou a passar os finais de semana com a família.[12] Foi ai que d. Amélia ficou sabendo sobre a existençia e a aceitou acabou adotando-a como filha. Em 25 de janeiro de 1832, d. Pedro seguiu para Portugal para retomar o trono usurpado por seu irmão, d. Miguel, deixando Isabel Maria aos cuidados da esposa e da sogra, a duquesa Augusta.[13] Logo após as forças constitucionais conquistarem Lisboa, d. Pedro enviou a Paris seu cunhado, o marquês de Loulé, para trazer d. Amélia e d. Maria II para o território português.[14] A duquesa de Goiás, nessa ocasião, voltou para o internato.[carece de fontes]

D. Pedro morreu em 24 de setembro de 1834 e a tarefa de criar Isabel Maria foi assumida por d. Amélia e por sua mãe. A duquesa fora separada da marquesa de Santos com tão pouca idade que não tinha qualquer recordação de sua mãe biológica e por isso tinha d. Amélia e a duquesa Augusta como suas mãe e avó naturais.[15] Em 1839, sob a tutoria do marquês de Resende, Isabel Maria seguiu para Munique e ingressou no Real Instituto de Moças para concluir seus estudos.[16][17] Em 1841, d. Amélia enviou notícias de seu progresso ao enteado, o imperador d. Pedro II: "Todos estão muito contentes com Isabel Maria no instituto, e minha mãe escreveu que ela cresce e se embeleza todos os dias."[16]

Casamento

Nessa época, D. Amélia passou a procurar um marido adequado para a enteada. Embora tenha recebido uma considerável herança do pai, o dote de Isabel Maria foi provido por seus irmãos D. Pedro II do Brasil, D. Maria II de Portugal e pela própria madrasta, que encarregou-se pessoalmente de seu enxoval.[16]

Ernesto José João Fischler de Treuberg, 2º conde de Treuberg e barão de Holsen, marido de Isabel Maria.

Em 1842, a duquesa de Bragança comunicou ao imperador do Brasil que havia acertado o casamento da duquesa de Goiás com Ernesto José João Fischler de Treuberg, 2º conde de Treuberg e barão de Holzen, filho de Francisco Xavier Nicolau Fischler de Treuberg e de sua esposa Maria Crescência Ana Joana, filha caçula de Carlos Frederico, príncipe de Hohenzollern-Sigmaringen.[18][19] Treze anos mais velho que a jovem, o conde era um rico proprietário de terras e aparentado com a família real da Prússia pelo lado materno. Em novembro desse ano, D. Amélia pediu a D. Pedro II que concedesse ao futuro cunhado a Ordem da Rosa.[16] A cerimônia de casamento ocorreu no Palácio Leuchtenberg, em Munique, em 17 de abril de 1843.[16] O casal teve quatro filhos:[20][21][22][23][24]

  • Maria Amélia Fischler de Treuberg (6 de fevereiro de 1844 – 30 de março de 1919)
  • Fernando Fischler, 3.º Conde de Treuberg (1845–1897), 3º Conde de Treuberg e Barão de Holzen; casou-se com Rosine Antonie Therese de Poschinger. Com descendência.[nota 4]
  • Augusta Maria Fischler de Treuberg (8 de outubro de 1846 – 16 de agosto de 1909) Casada com Maximilian, Barão Tänzl de Trazberg, com quem teve um filho e cinco filhas. Vivia no Castelo de Dietldorf.
  • Francisco Xavier Fischler de Treuberg (2 de julho de 1855 – 1 de fevereiro de 1933), casou-se primeiro com Karoline de Wendt e depois com Ludovica Manuela Maria de Wendt. Teve descendência em ambos os casamentos.

Relação posterior com a Duquesa de Bragança

A Duquesa de Goiás em 1853.

Após casar-se, em 1848, com Maria Isabel de Alcântara Bourbon (irmã da duquesa de Goiás), o Conde de Iguaçu tentou contatar a cunhada na Baviera. Isabel Maria, como se sabe, não tinha nenhuma recordação de sua família materna e ficou chocada quando recebeu do conde, como provas de sua ascendência, as cartas trocadas entre D. Pedro I e a Marquesa de Santos nas quais os amantes mencionavam a filha.[26] A história, que havia sido ocultada da duquesa por desejo expresso do imperador, acabou por abalar a relação familiar que Isabel mantinha com dona Amélia.[26]

Últimos anos

A igreja onde estão sepultados a Duquesa e o Conde.

O Conde de Treuberg morreu em 1867, aos 50 anos de idade, apenas seis meses antes da morte de sua sogra, a marquesa de Santos. Isabel Maria morreu em Murnau am Staffelsee, em 3 de novembro de 1898, aos 74 anos, exatamente 31 anos após a morte de sua mãe. Está sepultada junto ao marido na Igreja do Mosteiro de São João Batista (Holzen) (em alemão: Klosterkirche Holzen St. Johannes der Täufer).[carece de fontes]

Títulos e estilos

  • 24 de maio de 1826 — 17 de abril de 1843: Sua Alteza, a Duquesa de Goiás
  • 17 de abril de 1843 — 3 de novembro de 1898: Sua Excelência, a Condessa de Treuberg, Baronesa de Holzen

Ancestralidade

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8. Pedro III de Portugal
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4. João VI de Portugal
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9. Maria I de Portugal
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2. Pedro I do Brasil
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10. Carlos IV de Espanha
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5. Carlota Joaquina de Espanha
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11. Maria Luísa de Parma
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. Isabel Maria de Alcântara Brasileira, Duquesa de Goiás
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12. João Baptista do Canto e Melo
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6. João de Castro Canto e Melo, 1º Visconde de Castro
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
13. Elisabeth (Isabel) Ricketts
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. Domitila de Castro Canto e Melo, Marquesa de Santos
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
14. José Bonifácio Ribas (1739 - ?), escrivão da Fazenda Real
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7. Escolástica Bonifácia de Toledo Ribas, Viscondessa de Castro
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
15. D. Ana Maria de Toledo (? - 1839)
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Notas

  1. A alteração no assento de batismo foi inicialmente recusada pelo bispo capelão-mór José Caetano da Silva Coutinho, o que gerou atrito com o imperador. A exigência do monarca só foi atendida em 28 de maio de 1826, após o envio da declaração de paternidade à igreja de São Francisco Xavier do Engenho Velho. Assim, foi incluída a seguinte nota no assento de batismo: "Certifico que no dia 28 do corrente mês de maio de 1826, chegou à casa da minha residência, junto à Matriz de São Francisco Xavier do Engenho Velho, o Oficial menor Graduado da Secretaria dos Negócios do Império, o Comendador Francisco Gomes da Silva, dizendo-me que Sua Majestade, o Imperador, ordenava que eu fizesse uma nota no assento do batismo da inocente Isabel, que foi batizada nesta Matriz, em 31 de maio de 1824, declarando-me juntamente que o mesmo Augusto Senhor RECONHECIA por sua filha a mesma sobredita inocente, a Senhora Isabel Maria de Alcântara Brasileira, e logo me entregou um certificado em que justificava isto mesmo, feito por um Ministro D'Estado e assinado por outros logo abaixo declarados e eram eles: o Visconde de Inhambupe, Ministro dos Estrangeiros; o Barão de Lages, Ministro da Guerra; o Visconde de São Leopoldo, Ministro do Império. Em consequência, pois, da referida ordem de Sua Majestade, o Imperador, e intimado pelo já citado Comendador Francisco Gomes da Silva, e l do referido atestado, passei a reformar o assento em questão, o que tudo afirmo in fide Parochi. O Vig. M.J. Roiz Dantas."[4]
  2. O luto pela morte de d. João VI foi abrandado para o evento, onde estavam presentes ministros e membros da nobreza. Numa tentativa de diminuir o escândalo gerado pelo reconhecimento da paternidade e concessão do título, o secretário Francisco Gomes da Silva publicou um artigo no Diário Fluminense onde citava o exemplo de outros monarcas que agiram da mesma forma que d. Pedro I, como os franceses Henrique IV e Luís XIV.[7]
  3. Criado Visconde de Almeida por Decreto Imperial de 14 de março de 1846 e Visconde com Grandeza por Decreto Imperial de 24 de julho de 1872.[11]
  4. Fernando casou-se em 1873 com Rosina Maria Teresa de Poschinger e tiveram seis filhos: Ernesto, Luís, Huberto, Isabela, Henriqueta e Ferdinando.[25]

Referências

  1. 1822 - Laurentino Gomes - Página 146 - Editora Nova Fronteira - Ano 2010.
  2. Rezzutti 2015, p. 363-365.
  3. Rezzutti 2015, p. 181.
  4. Setúbal 2009.
  5. «Decreto de 24 de maio de 1826 - Concede o título de Duqueza de Goyas a D. Izabel Maria de Alcantara Brazileira» (PDF). Actos do Poder Executivo - Coleção das Leis do Império do Brasil - Câmara dos Deputados. 1826. p. 41. Consultado em 19 de Novembro de 2016
  6. Rezzutti 2013.
  7. Gomes da Silva, Francisco (10 de junho de 1826). «Artigos nam Officiaes». Rio de Janeiro. Diário Fluminense. 7 (128): 510. Consultado em 19 de novembro de 2016
  8. Lustosa 2006.
  9.  Rezzutti 2015, p. 362.
  10.  Rezzutti 2015, p. 363.
  11. Smith de Vasconcellos, Rodolfo; Smith de Vasconcellos, Jaime (1918). Archivo Nobiliarchico Brasileiro. Lausana: Imprimeri La Concorde. p. 38. Consultado em 20 de Novembro de 2016
  12. Rezzutti 2015, p. 296.
  13. Rezzutti 2015, p. 300.
  14. Rezzutti 2015, p. 319.
  15. Rezzutti 2015, p. 363-365.
  16.  Rezzutti 2015, p. 364.
  17. Vilaça, Fabiano (3 de janeiro de 2011). «A prole bastarda e imperial». Revista de História. Fundação Biblioteca Nacional. Consultado em 28 de Novembro de 2016. Arquivado do original em 6 de agosto de 2016
  18. Johler, E.G. Geschichte, Land- und Ortskunde der souverainen teutschen Fürstenthümer Hohenzollern, Hechingen und Sigmaringen. 1824. [S.l.: s.n.] 68 páginas
  19. Schilling, Gustav. F. Fleischer, ed. Geschichte des Hauses Hohenzollern, in genealogisch fortlaufenden Biographien aller seiner Regenten von den ältesten bis auf die neuesten Zeiten, nach Urkunden und andern authentischen Quellen. 1843. [S.l.: s.n.] 287 páginas
  20. Ribeiro, Apaixonados por História-Professora Sabrina (11 de maio de 2021). «Duquesa de Goiás – Isabel Maria de Alcântara Brasileira». CANAL APAIXONADOS POR HSTÓRIA. Consultado em 1 de novembro de 2021
  21. https://www.marinha.mil.br/dphdm/sites/www.marinha.mil.br.dphdm/files/DuquesaDeGoiasCorveta1826-1827.pdf
  22. «Dom Pedro I e os seus filhos». www.al.sp.gov.br. Consultado em 1 de novembro de 2021
  23. «Página:Archivo nobiliarchico brasileiro.djvu/560 - Wikisource». pt.wikisource.org. Consultado em 1 de novembro de 2021
  24. Nacional (Brazil), Arquivo (1974). Publicações do Arquivo Nacional. [S.l.]: Officinas Graphicas do Arquivo Nacional
  25. Loewenstein 2013, p. 254.
  26.  Rezzutti 2015, p. 365.

Bibliografia

Isabel Maria de Alcântara Brasileira, Duquesa de Goiás

(Rio de Janeiro, 23 de maio de 1824 — Murnau am Staffelsee, Alemanha, 3 de novembro de 1898)
Foi uma nobre brasileira, primeira pessoa a receber um título ducal no Império do Brasil, filha reconhecida do imperador D. Pedro I e de Domitila de Castro, a Marquesa de Santos. Sua trajetória é marcada pela separação precoce da mãe, pela educação na Europa e por uma vida distante da terra natal, embora ligada às principais famílias reais da época.

Primeiros anos e reconhecimento imperial

Isabel Maria nasceu no Rio de Janeiro e foi registrada inicialmente como filha de pais incógnitos, deixada aos cuidados de seu avô materno, o coronel João de Castro. Foi batizada em 31 de maio de 1824 na Igreja de São Francisco Xavier do Engenho Velho, tendo como padrinhos os próprios avós maternos.
Aos quase dois anos de idade, em 24 de maio de 1826, D. Pedro I decidiu reconhecê-la oficialmente como filha e concedeu-lhe por decreto o título de Duquesa de Goiás, com o direito ao tratamento de Sua Alteza e ao uso do prefixo “Dona”. A alteração no assento de batismo só foi efetivada alguns dias depois, após determinação expressa do imperador, gerando debate na corte.
  • Em 6 de junho de 1826, foi apresentada publicamente à Imperatriz Maria Leopoldina e passou a ser educada no Palácio de São Cristóvão, junto aos filhos legítimos do imperador.
  • Após a morte de Leopoldina em 1826 e o rompimento definitivo entre D. Pedro e a Marquesa de Santos em 1829, sua situação mudou: com a chegada da nova imperatriz Amélia de Leuchtenberg, Isabel Maria foi transferida para o Palacete da Praia Grande, em Niterói, e logo depois enviada para a Europa.

Educação na Europa

Com apenas cinco anos, embarcou em 25 de novembro de 1829 com destino à França. A recomendação oficial era que recebesse “a melhor educação possível para se tornar freira”, com discrição adequada à sua condição de filha bastarda de imperador.
A viagem foi difícil: tempestades, doenças e atrasos fizeram com que chegasse à Inglaterra apenas em fevereiro de 1830. Depois, seguiu para Paris, onde estudou no colégio interno do Sagrado Coração, instituição de elite para moças da nobreza católica. Ali teve como colega Eugênia de Montijo, futura imperatriz da França. Os relatos das freiras a descreviam como dócil, aplicada em quase todas as disciplinas, mas com dificuldades em manter o foco e pouca aptidão para o piano.
  • Em 1831, após abdicar do trono, D. Pedro I mudou-se para a Europa e passou a visitá-la regularmente. Sua nova esposa, D. Amélia, e a sogra, a duquesa Augusta, passaram a assumir sua tutela e a tratá-la como filha.
  • Com a morte do pai em 1834, a responsabilidade por sua educação ficou integralmente com D. Amélia e a família Leuchtenberg. Em 1839, mudou-se para Munique, na Baviera, onde concluiu seus estudos no Real Instituto de Moças.

Casamento e vida na Alemanha

Em 1842, D. Amélia organizou seu casamento com Ernesto José João Fischler de Treuberg, 2º conde de Treuberg e barão de Holzen, um rico proprietário de terras alemão, aparentado com a nobreza prussiana. A cerimônia ocorreu em 17 de abril de 1843, no Palácio Leuchtenberg, em Munique.
Seu dote foi composto por parte da herança deixada por D. Pedro I e complementado por seu irmão D. Pedro II, por D. Amélia e pela rainha D. Maria II de Portugal. Após o casamento, passou a usar o título de Condessa de Treuberg.
Do casamento nasceram quatro filhos:
  1. Maria Amélia Fischler de Treuberg (1844–1919)
  2. Fernando Fischler de Treuberg (1845–1897) — 3º conde de Treuberg, com descendência
  3. Augusta Maria Fischler de Treuberg (1846–1909) — casou-se com o barão Maximilian Tänzl de Trazberg
  4. Francisco Xavier Fischler de Treuberg (1855–1933) — com descendência de dois casamentos

Descoberta da origem e últimos anos

Durante toda a infância e juventude, sua identidade materna foi mantida em segredo, por ordem de D. Pedro I. Ela não guardava nenhuma lembrança de Domitila de Castro e considerava D. Amélia e a duquesa Augusta como suas verdadeiras mães.
Por volta de 1848, seu cunhado, o conde de Iguaçu — marido de sua meia-irmã Maria Isabel — entrou em contato e enviou cartas antigas de D. Pedro I e da Marquesa de Santos, revelando toda a verdade. A notícia causou choque e abalou sua relação com a família adotiva, mas não alterou seu modo de vida na Alemanha.
  • Ficou viúva em 1867, mesmo ano em que sua mãe biológica faleceu em São Paulo.
  • Morreu em 3 de novembro de 1898, em Murnau am Staffelsee, aos 74 anos. Foi sepultada ao lado do marido na Igreja do Mosteiro de São João Batista, em Holzen.

Títulos ao longo da vida

  • 24 de maio de 1826 – 17 de abril de 1843: Sua Alteza, a Duquesa de Goiás
  • 17 de abril de 1843 – 3 de novembro de 1898: Sua Excelência, a Condessa de Treuberg, Baronesa de Holzen

Linhagem

  • Pai: D. Pedro I do Brasil e IV de Portugal
  • Mãe: Domitila de Castro Canto e Melo, Marquesa de Santos
  • Avô paterno: D. João VI de Portugal
  • Avó paterna: D. Carlota Joaquina da Espanha
  • Avô materno: João de Castro Canto e Melo, 1º Visconde de Castro
  • Avó materna: Escolástica Bonifácia de Toledo Ribas, Viscondessa de Castro

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