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quinta-feira, 16 de julho de 2026

José Joaquim da Cunha de Azeredo Coutinho

 

José Joaquim da Cunha de Azeredo Coutinho
Bispo da Igreja Católica
Bispo Emérito de Elvas
Inquisidor-Geral do Reino de Portugal
D. José Joaquim da Cunha de Azeredo Coutinho, por Henrique José da Silva (1816).
Atividade eclesiástica
DioceseDiocese de Elvas
Nomeação27 de janeiro de 1806
PredecessorJosé da Costa Torres
SucessorJoaquim de Meneses e Ataíde, OESA
Mandato1807
até 20 de maio de 1820
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral25 de junho de 1786
Nomeação episcopal9 de julho de 1794
Ordenação episcopal25 de janeiro de 1795
por José Maria de Melo, CO
Dados pessoais
NascimentoCampos, Rio de Janeiro, Brasil Colônia
8 de novembro de 1742
MorteLisboa, Portugal
12 de setembro de 1821 (78 anos)
Funções exercidas-Bispo de Olinda (1795-1806)
dados em catholic-hierarchy.org
Bispos
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

José Joaquim da Cunha de Azeredo Coutinho (Campos, 8 de novembro de 1742Lisboa, 12 de setembro de 1821) foi um sacerdote católico e escritor brasileiro.

Biografia

Formado em Direito Canônico em 1775, foi nomeado bispo de Olinda em 1794, bispo-auxiliar de Bragança e Miranda em 1802 e de Elvas em 1806. Não aceitou o cargo de Bispo de Beja, para o qual fora eleito em 1818, assumindo no mesmo ano as funções de inquisidor-geral do reino, por nomeação de Dom João VI. Permaneceu no cargo até a extinção do Tribunal do Santo Ofício após a Revolução liberal de 1820, ano de sua morte.

Diz «Portugal como problema», volume V - A economia como Solução - Do mercantilismo à Ilustração (1625-1820) à página 233: «Após uma fase inicial da sua vida em que se dedicou a administrar os consideráveis bens da sua família, proprietária de engenhos de açúcar, cursou cânones na Universidade de Coimbra e ingressou na carreira eclesiástica.»

Quando bispo de Olinda fez parte da junta governativa da Capitania de Pernambuco. Nessa ocasião, em 1801 denunciou-se ao Governo Provisório por ele presidido a existência de um complô encabeçado pelos irmãos Suassuna. Dois deles foram presos e tiveram seus bens sequestrados, mas o terceiro, que se encontrava em Lisboa, de onde se correspondera comprometedoramente com os dois outros, teve de fugir para a Inglaterra.

Escrevendo vinte anos depois do acontecimento, Dias Martins garante que a conjura tivera o objetivo de proclamar república em Pernambuco sob a proteção de Bonaparte, contatos que teriam sido mantidos pelo terceiro irmão, que só teriam escapados das consequências graças ao suborno das autoridades. Pelo que se supõe, os irmãos estavam à espera de um ataque espanhol ao reino, decorrente da aliança entre Paris e Madri, criando-se um governo de defesa da capitania — um ensaio prematuro da fórmula de emancipação adotada depois na América hispânica. Entre 1801 e 1817, quando a família participou ativamente da sedição republicana, os Suaçuna readquiriram posições na milícia, colocaram seus filhos no Exército e até galgaram a administração régia, como sucedeu com José Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque, que governou de 1806 a 1811 o Rio Grande do Norte.

Foi deputado brasileiro às Cortes de Lisboa pela Província do Rio de Janeiro. Morreu dois dias depois de entrado nas cortes.[1]

Obra

Seu principal texto de caráter econômico é dedicado ao problema do comércio colonial, especialmente aplicado ao caso de sua pátria, o Brasil. Nele revela alguma ambiguidade de pensamento, segundo a página 233 de Portugal como problema abaixo citado, que seria «uma característica que igualmente se detecta em escritores nacionais e estrangeiros contemporâneos sempre que se discute a relação privilegiada de cada uma das metrópoles europeias com os seus impérios coloniais. Tal ambiguidade consiste no reconhecimento da necessidade de manutenção do velho sistema do pacto colonial- assente em privilégios e exclusivos atribuídos a negociantes e instituições nacionais e em proibições de instalação de manufacturas nos domínios coloniais - ao mesmo tempo que se admite uma maior abertura deste espaço económico reservado, quer através do acolhimento à participação interessada de outras nações no tráfego colonial, quer sobretudo através do apoio às iniciativas de agentes económicos individuais.»

Segue o mesmo autor:

«Implicitamente, considerava Azeredo Coutinho que, para continuarem a beneficiar da proteção administrativa e militar, as colónias deveriam aceitar um sistema político de tácita subjugação. Mas para um autor nado e criado no Brasil, era inevitável algum entusiasmo moderado em favor de um maior grau de liberdade no funcionamento do espaço económico colonial, enaltecendo as virtudes de uma organização económica baseada no estímulo criado pela livre acção de interesses individuais.»
«Mantendo-se fiel à ideia de império, Azeredo Coutinho acreditava que era possível manter o estatuto colonial num quadro de maior autonomia económica e financeira. Neste contexto, critica severamente o sistema de organização do trabalho nas explorações mineiras, procurando sustentar a ideia de que as melhorias de funcionamento seriam, afinal, sobretudo benéficas para a economia da metrópole.
«O texto de Azeredo Coutinho atravessa um dos dilemas mais prementes de uma economia presa nas malhas do império colonial brasileiro. Por um lado conhece bem a importância do Brasil como sustentáculo do comércio exterior português. Mas ao mesmo tempo também sabe que o desenvolvimento económico da colónia acarretaria o fim iminente do sistema colonial. Por estas razões, o Ensaio Económico oferece um testemunho notável sobre uma questão que ao longo dos séculos muito marcou o processo de desenvolvimento da economia portuguesa.»

Bibliografia

  • Coutinho, José Joaquim de. «Ensaio económico sobre o comércio de Portugal e suas colónias», 1794, introdução e direcção de edição de Jorge Pedreira, Lisboa, Banco de Portugal, 1992.
  • «Portugal como problema», volume V- A economia como Solução - Do mercantilismo à Ilustração (1625-1820).

Referências

  1. Manuel Emílio Gomes de Carvalho: Os Deputados Brasileiros nas Cortes de 1821. Brasília: Senado Federal, 1979. Página 57.

José Joaquim da Cunha de Azeredo Coutinho

José Joaquim da Cunha de Azeredo Coutinho (Campos dos Goytacazes, 8 de novembro de 1742 — Lisboa, 12 de setembro de 1821) foi um sacerdote católico, político e escritor brasileiro, uma das principais vozes do pensamento econômico e político da fase final do período colonial.

Biografia

Nascido em uma família rica e influente, proprietária de engenhos de açúcar no interior fluminense, dedicou-se inicialmente à administração dos bens familiares antes de seguir a carreira intelectual e eclesiástica. Em 1775, formou-se em Direito Canônico pela Universidade de Coimbra, em Portugal, onde iniciou sua trajetória na Igreja e na administração do Reino.

Carreira Eclesiástica e Política

  • 1794: Nomeado bispo de Olinda, assumindo também funções na Junta Governativa da Capitania de Pernambuco. Nesse período, em 1801, presidiu as investigações que denunciaram uma suposta conspiração liderada pelos irmãos Suassuna, que visava implantar uma república na região, com apoio externo. Dois dos irmãos foram presos e tiveram seus bens confiscados, enquanto o terceiro fugiu para a Inglaterra.
  • 1802: Indicado bispo-auxiliar de Bragança e Miranda.
  • 1806: Transferido para o cargo de bispo-auxiliar de Elvas.
  • 1818: Recusou o episcopado da Diocese de Beja, aceitando no mesmo ano a nomeação de Inquisidor-Geral do Reino, feita por D. João VI. Exerceu o cargo até a extinção do Tribunal do Santo Ofício, após a Revolução Liberal de 1820.
  • 1821: Foi eleito deputado brasileiro às Cortes Constituintes de Lisboa, representando a Província do Rio de Janeiro. Faleceu apenas dois dias após tomar posse.

Pensamento e Obra

Sua principal contribuição intelectual está reunida no Ensaio Econômico sobre o Comércio e a Indústria do Brasil, obra que reflete o dilema central da economia colonial da época: conciliar a manutenção do sistema imperial com a necessidade de desenvolvimento da colônia.

Principais Ideias

Azeredo Coutinho apresenta uma postura ambígua, mas coerente com o contexto da transição do mercantilismo para as ideias da Ilustração:
  • Defesa do sistema colonial: Reconhecia a importância do pacto colonial — baseado em monopólios comerciais e restrições à instalação de indústrias na América — como garantia da união e da proteção militar e administrativa da metrópole.
  • Abertura econômica: Ao mesmo tempo, defendia maior liberdade de comércio e incentivo à iniciativa privada, admitindo a participação de outras nações no tráfego com o Brasil e apoiando a autonomia econômica das atividades produtivas locais.
  • Críticas e propostas: Criticou duramente a organização do trabalho nas minas e os abusos da administração régia, argumentando que melhorias na eficiência produtiva beneficiariam tanto a colônia quanto a economia de Portugal.
  • Dilema estrutural: Tinha consciência de que o crescimento econômico do Brasil poderia levar ao fim do sistema colonial, mas acreditava ser possível manter a soberania do império concedendo maior autonomia financeira e produtiva à América.

Legado

Azeredo Coutinho é considerado um dos primeiros pensadores econômicos do Brasil. Sua obra serve como um importante documento histórico para entender os limites e as contradições do sistema colonial, bem como o surgimento de ideias que, mais tarde, impulsionariam os movimentos de emancipação e a construção da nação brasileira.

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