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quarta-feira, 8 de julho de 2026

O Parque Natural Ôbo é a principal área protegida de São Tomé e Príncipe, reconhecida internacionalmente como um patrimônio natural de grande valor biológico. Embora receba a denominação de “parque natural”, é classificado na Categoria II de Áreas Protegidas pela IUCN, correspondente à definição oficial de parque nacional.

 

Parque Natural Ôbo
Categoria II da IUCN (Parque Nacional)
Localização do Parque Nacional Ôbo (com parte na ilha de São Tomé e outra parte na ilha do Príncipe, não ilustrada
Localizaçãoilha de São Tomé e Ilha do Príncipe
PaísSão Tomé e Príncipe São Tomé e Príncipe
Área300 km²
Coordenadas0° 09′ 00″ N, 6° 34′ 00″ L
Localização em mapa dinâmico
editar - editar código-fonte - editar WikidataDocumentação da predefinição


O Parque Natural Ôbo é uma área protegida de São Tomé e Príncipe. Apesar do nome, é considerado categoria II (parque nacional) pela IUCN.[1]

Foi criado em 2006, com o objetivo de proteger a grande biodiversidade existente no arquipélago. Ocupa uma área de cerca de 235 km2 na ilha de São Tomé e de cerca de 85 km2[2] na ilha do Príncipe.

O parque é conhecido internacionalmente entre os ambientalistas pelas suas florestas densas e ricas em biodiversidade. Caracteriza-se pela grande variedade de biótopos, pois podemos encontrar no arquipélago floresta de montanha, mangais e área de savana. Mundialmente conhecido. O Parque Natural Ôbo pode dividir-se no Parque Natural de São Tomé e no Parque Natural do Príncipe.

História

Em 1988, um grupo de cientistas classificou a floresta de São Tomé e Príncipe como a segunda mais importante, em termos de interesse biológico, entre 75 florestas de África.

Em 2006 criou-se o Parque Natural Ôbo com a finalidade de proteger a riquíssima biodiversidade existente no país.

Geografia

São Tomé - Pico Cão Grande.

O parque situa-se na parte mais sul de ambas as ilhas, sendo a zona mais interior o local onde se regista maior diversidade. Nessa zona interior da reserva natural situam-se as montanhas de maior altitude do país, como o Pico de São Tomé (maior elevação de São Tomé e Príncipe) ou o Pico do Príncipe (maior elevação da ilha do Príncipe).

Na ilha de São Tomé existe alguma variabilidade de microclimas, resultantes da conjunção da variação das chuvas (500 mm/ano na parte norte da ilha até cerca de 6000 mm/ano na parte Sul-Oeste) e do relevo acidentado.

Fauna

Ilha de São Tomé

No que diz respeito aos mamíferos, parece que muitos deles (principalmente os de maior tamanho) foram introduzidos de forma antropogénica por razões variadas. Uma das espécies mais conhecidas é o macaco-mona (Cercopithecus mona)[3]. Há também populações de gatos, porcos selvagens e ratos. Pode encontrar-se também a civeta-africana que poderá ter sido introduzida pelos colonos para combater os roedores nas suas plantações agrícolas. Existem também morcegos, sendo algumas espécies deste animal espécies endémicas.

É no domínio das aves que a floresta são-tomense se destaca e por isso inúmeras expedições foram sendo organizadas por ornitólogos no sentido de observar e catalogar as espécies. Segundo um estudo realizado, São Tomé e Príncipe possui 5 áreas importantes no que diz respeito às aves (Important Bird Areas). Podem destacar-se inúmeras espécies de aves existentes na ilha/parque, entre as quais a Amaurocichla bocagei[4] , a Bostrychia bocagei[5], Neospiza concolor[6] , Nectarinia thomensis[7] , Turdus olivaceofuscus[8], o Tordo-do-Príncipe e o Mocho-do-príncipe[9], espécies endémicas da ilha.

No domínio dos répteis destacam-se as tartarugas que habitam nas águas de São Tomé e Príncipe e utilizam as praias para reprodução. Das espécies de tartaruga destacam-se a Eretmochelys imbricata[10] , Dermochelys coriacea, Lepidochelys olivacea[11], Chelonia mydas[12] e Caretta caretta.

No domínio dos anfíbios destaca-se a Schistometopum thomense[13], a Ptychadena newtoni[14], Phrynobatrachus leveleve[15] e Hyperolius thomensis[16].

Ilha do Príncipe

A fauna da ilha do Príncipe é idêntica à da ilha de São Tomé. Nos mamíferos destaca-se o macaco-mona (Cercopithecus mona).

As praias da ilha do Príncipe também são locais importantes na reprodução de tartarugas.

Nos anfíbios destaca-se a rã Leptopelis palmatus[17] e a Phrynobatrachus dispar[18] que são endémicas da ilha do Príncipe. A Hyperolius molleri[19] pode encontrar-se nas duas ilhas.

A ilha do Príncipe, tal como a ilha de São Tomé, é muito rica em avifauna. Pode destacar-se o Horizorhinus dohrni, Turdus xanthorhynchus e o papagaio-cinzento (Psittacus erithacus).

Flora

A ilha de São Tomé é geograficamente maior do que a ilha do Príncipe e de maior altitude criando um maior número de habitats. Grande parte do território do parque é caracterizado por uma densa cobertura florestal.

Existem no parque muitas espécies como a Afrocarpus mannii, a Lobelia barnsii e a Phylippia thomensis. As orquídeas, os fetos e os musgos são muitos frequentes. Nas zonas de maior altitude destacam-se as árvores de grande porte como o pinheiro-de-são-tomé (Podocarpus mannii).

Na zona de mangal do parque destacam-se duas espécies: a Avicennia germinans e a Rhizophora mangle. Também existe Acrostichum aureum.

Existem ainda várias árvores de fruto que representam também uma importante fonte de alimentos para a população. A fruta-pão (Artocarpus incisa) é uma fruta essencial na alimentação dos são-tomenses. Existe ainda a Artocarpus heterophyllus (jaqueira), a bananeira, a Psidium guajava (goiabeira) e coqueiros.

Junto às praias dominam as palmeiras.

Referências

  1. «Ôbo (São Tomé e Príncipe) - Area report». Consultado em 16 de junho de 2013. Arquivado do original em 5 de abril de 2012
  2. «Cópia arquivada». Consultado em 29 de março de 2012. Arquivado do original em 12 de setembro de 2011
  3. | Informações sobre o Cercopithecus mona
  4. | Informações sobre o Amaurocichla bocagei
  5. | Informações sobre o Bostrychia bocagei
  6. | Informações sobre o Neospiza concolor
  7. | Informações sobre o Nectarinia thomensis
  8. | Informações sobre o Turdus olivaceofuscus
  9. Melo, Martim; Freitas, Bárbara; Verbelen, Philippe; Costa, Sátiro R. da; Pereira, Hugo; Fuchs, Jérôme; Sangster, George; Correia, Marco N.; Lima, Ricardo F. de (30 de outubro de 2022). «A new species of scops-owl (Aves, Strigiformes, Strigidae, Otus) from Príncipe Island (Gulf of Guinea, Africa) and novel insights into the systematic affinities within Otus». ZooKeys (em inglês): 1–54. ISSN 1313-2970. doi:10.3897/zookeys.1126.87635. Consultado em 8 de novembro de 2022

Parque Natural Ôbo

O Parque Natural Ôbo é a principal área protegida de São Tomé e Príncipe, reconhecida internacionalmente como um patrimônio natural de grande valor biológico. Embora receba a denominação de “parque natural”, é classificado na Categoria II de Áreas Protegidas pela IUCN, correspondente à definição oficial de parque nacional.

Criação e Objetivos

O parque foi oficialmente criado em 2006, com o propósito central de preservar, conservar e gerir a excepcional biodiversidade e os ecossistemas únicos do arquipélago. Sua extensão total é de aproximadamente 320 km², dividida entre as duas ilhas principais:
  • Cerca de 235 km² na ilha de São Tomé;
  • Cerca de 85 km² na ilha do Príncipe.
Por sua organização geográfica, o território é frequentemente dividido em duas unidades: o Parque Natural de São Tomé e o Parque Natural do Príncipe.

História da Proteção

O reconhecimento da importância ecológica da região antecede sua criação oficial:
  • Em 1988, um estudo científico avaliou 75 florestas de todo o continente africano e classificou a floresta de São Tomé e Príncipe como a segunda mais valiosa em termos de interesse biológico — um dado que impulsionou debates sobre a necessidade de proteção legal.
  • Apenas em 2006 foi promulgada a legislação que estabeleceu o Parque Natural Ôbo, garantindo proteção permanente à maior parte dos ecossistemas ainda intactos do país.

Geografia e Clima

O parque ocupa a porção sul e interior de ambas as ilhas, regiões onde se concentra a maior diversidade ambiental e biológica. É nessa zona que se localizam os pontos mais elevados do arquipélago:
  • Pico de São Tomé: a maior elevação de todo o território, com cerca de 2.024 m de altitude;
  • Pico do Príncipe: o ponto mais alto da ilha homônima, com aproximadamente 948 m.

Clima e Microclimas

A ilha de São Tomé apresenta uma grande variação de condições climáticas, influenciada pelo relevo montanhoso e pela direção dos ventos úmidos:
  • No norte da ilha, a precipitação anual é de cerca de 500 mm;
  • No sudoeste, área de maior altitude e dentro do parque, os índices chegam a 6.000 mm por ano, um dos mais elevados da África.
Essa variação cria diferentes microclimas, que por sua vez sustentam uma ampla variedade de biótopos — desde florestas de montanha úmidas e densas, até mangais litorâneos e pequenas áreas de savana.

Fauna

Devido ao isolamento geográfico do arquipélago ao longo de milhões de anos, a fauna do parque é marcada por um elevado número de espécies endêmicas (exclusivas da região), além de espécies introduzidas pelo ser humano ao longo da história.

Ilha de São Tomé

Mamíferos

Grande parte dos mamíferos de maior porte foi introduzida por ação humana. Destacam-se:
  • Macaco-mona (Cercopithecus mona): a espécie mais visível e difundida;
  • Animais domésticos ou assilvestrados: gatos, porcos selvagens e roedores;
  • Civeta-africana: provavelmente trazida por colonizadores para controlar populações de roedores nas plantações;
  • Morcegos: grupo com diversas espécies exclusivas da ilha, importantes para a polinização e dispersão de sementes.

Aves

É no grupo das aves que o parque apresenta seu maior destaque. São Tomé e Príncipe conta com 5 Áreas Importantes para Aves (IBA), reconhecidas mundialmente. Algumas espécies endêmicas e emblemáticas:
  • Amaurocichla bocagei;
  • Bostrychia bocagei;
  • Neospiza concolor;
  • Nectarinia thomensis;
  • Turdus olivaceofuscus;
  • Tordo-do-Príncipe e Mocho-do-Príncipe.

Répteis

As espécies mais relevantes estão ligadas ao ambiente marinho e costeiro: são as tartarugas marinhas, que usam as praias protegidas do parque para desovar. Entre elas:
  • Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata);
  • Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea);
  • Tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea);
  • Tartaruga-verde (Chelonia mydas);
  • Tartaruga-comum (Caretta caretta).

Anfíbios

Apresentam alto grau de endemismo:
  • Schistometopum thomense;
  • Ptychadena newtoni;
  • Phrynobatrachus leveleve;
  • Hyperolius thomensis.

Ilha do Príncipe

A fauna da ilha compartilha muitas semelhanças com a de São Tomé, mas também possui espécies próprias:
  • Mamíferos: presença do macaco-mona, mesma espécie introduzida na ilha vizinha;
  • Reprodução de tartarugas: as praias da ilha são também locais de grande importância para a desova desses animais;
  • Anfíbios: espécies exclusivas como Leptopelis palmatus e Phrynobatrachus dispar, além de Hyperolius molleri, que ocorre em ambas as ilhas;
  • Aves: rica avifauna com espécies como Horizorhinus dohrni, Turdus xanthorhynchus e o papagaio-cinzento (Psittacus erithacus).

Flora

A cobertura vegetal reflete a diversidade de relevo e clima. A ilha de São Tomé, por ser maior e mais alta, abriga uma variedade ainda maior de habitats.

Florestas e Espécies Nativas

  • Florestas de montanha: dominadas por árvores de grande porte, como o pinheiro-de-são-tomé (Podocarpus mannii), além de espécies como Afrocarpus mannii, Lobelia barnsii e Phylippia thomensis. Nesses ambientes, são muito frequentes orquídeas, fetos e musgos, que crescem sobre troncos e galhos.
  • Zonas de mangal: nas áreas litorâneas protegidas, destacam-se a Avicennia germinans, a Rhizophora mangle e a samambaia-dos-mangues (Acrostichum aureum).
  • Fauna associada e uso humano: há também espécies frutíferas de grande valor alimentar para a população local, como a fruta-pão (Artocarpus incisa), a jaqueira (Artocarpus heterophyllus), a bananeira, a goiabeira (Psidium guajava) e o coqueiro. Nas áreas próximas ao mar, as palmeiras formam a vegetação predominante.

Importância e Conservação

O Parque Natural Ôbo é considerado um dos principais refúgios de biodiversidade na África insular. Sua conservação é fundamental para manter o equilíbrio ecológico do arquipélago, proteger espécies ameaçadas e garantir serviços ambientais essenciais — como a regulação do ciclo da água, a proteção do solo e a manutenção da qualidade do ar.
Além do valor ecológico, o parque também tem potencial para o turismo sustentável, permitindo que visitantes conheçam paisagens únicas e a rica natureza da região, sempre com respeito às regras de preservação.

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