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quinta-feira, 16 de julho de 2026

OS BONDINHOS DE PARANAGUÁ

 OS BONDINHOS DE PARANAGUÁ

Segundo o depoimento do autor, o serviço desse transporte foi inaugurado com uma locomotiva à vapor, portanto essa da foto. Esse ponto de parada dela é no antigo Porto às margens do rio Itiberê, que fica cerca de hum quilometro do ponto de partida no Largo do Mercado. Daqui ele prosseguia até o bairro do "Rossio", onde hoje fica a igreja do mesmo nome. Foto do início dos anos 1900.
Aqui vemos uma magnífica composição sendo puxada pela máquina à vapor, parada no ponto junto ao prédio da Alfândega.
Foto do início dos anos 1900.
Aqui vemos o bondinho puxado à cavalo, parado no Largo do Glicério, próximo do antigo Porto de Paranaguá, junto ao rio Itiberê.
Foto do início dos anos 1900.

Nesta foto dos anos 1920, o bondinho puxado por mulas, parado em algum lugar próximo do rocio.
Aqui o bondinho puxado por mulas, parado no entroncamento de linhas junto ao Largo Guilherme.
Aqui, o bondinho puxado por mulas logo após sair da antiga Estação D. Pedro II, junto ao novo Porto, indo em direção ao "Rossio".
A mencionada locomotiva à vapor, parada em frente ao Palácio Visconde de Nacar, por ocasião da visita dos congressistas de Geografia que haviam descido à Paranaguá para um tour por ocasião do congresso, em 1911.
O bondinho puxado por mulas, na ocasião de uma troca de mudas, parado no ponto do "Rossio", ao lado da igreja.
Planta da cidade de Paranaguá, do final do século 19, mostra a localização exata dos trilhos dos bondinhos.



"Foi em 1893 a inauguração da "linha de bondes" de Paranaguá, ligando o Largo do Mercado ao Rossio.
Os trabalhos da "Empresa de Transportes" que foi constituída para administrar o serviço, tiveram início em abril de 1892 e, quase no fim do ano, fizeram a primeira experiência com a pequena locomotiva, a percorrer algumas ruas, já com os trilhos assentados.
É claro que esse grande acontecimento provocou alegria geral na Cidade e, o resultado foi o "foguetório" !!!
O parnanguara, em suas festas, jamais passou sem os "foguetes (e ainda não passa sem eles). Isso já está na índole do povo.
Portanto, soltar foguetes nesse memorável dia, foi muito natural, dada a alegria do povo por esse progresso pois vinha trazer mais conforto para todos, mormente para o comércio, quanto à rapidez dos transportes, naqueles tempos.
No dia 07/12/1893, estava tudo pronto para a inauguração. A pequena locomotiva, com a força de 20 HP, soltando baforadas de fumaça, partiu às 6 horas da tarde do Largo do Mercado, puxando apenas dois vagões levando autoridades e convidados especiais, rumo ao Rossio, em sua viagem inaugural !
Foi um sucesso esse grande acontecimento, e não era para menos. A população estava eufórica e, em todas as camadas sociais a "boca engulia a orelha", como se costumava dizer, tal a satisfação íntima que todos sentiam. ...
É que o povo já pensava como ia ser gostosa a viagem às novenas da Festa do Rossio (e não se enganou) !
Aos domingos a gente sentia um prazer muito grande ir de bondinho dar um passeio ao .Rossio ... Quanta saudade desses bons tempos ...
Em 1894, no período revolucionário, os bondinhos passaram a fazer parte da História de Paranaguá pois, as idas e voltas dos oficiais e graduados revoltosos, nos bondinhos, durante os meses de janeiro a abril, foram muitas, montando a despesa em Rs 5:010$000 (cinco contos e dez mil réis).
Essa quantia nunca foi paga, porque, os Federalistas, abandonando a Cidade da noite para o dia, não saldaram ou não puderam saldar essa dívida. Eles estavam sem dinheiro; essa é a verdade.
Com os anos, as "máquinas a vapor" bastante gastas, foram postas de lado, por se acharem imprestáveis. Ficaram apenas os "bondinhos a burro", que continuaram servindo a população até 1938, quando foram vencidos e substituídos pelos "ônibus", "táxis" e "caminhões".
Tudo passa na vida, e os "bondinhos" também passaram. Caíram de moda, pela força do progresso. ...
Mas não podemos negar os inestimáveis serviços que eles prestaram aos parnanguaras da época, durante 45 anos. Eles tiveram, de fato, a sua época. E é preciso que se diga: nos deram muita alegria ! ..."
(Extraído do livro Paranaguá na Tradição e na História, de Manoel Viana)

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