quarta-feira, 24 de junho de 2026

Po-i Kalyan: O Conjunto Monumental de Bucara

 

Po-i Kalyan
Poi Kalon • Pā-i Kalān • Poi-Kalan
Vista da praça Po-i Kalyan, com a Madraça Miriárabe à esquerda e a Mesquita Kalyan à direita
Informações gerais
TipoConjunto monumental e praça
Construçãodécada de 1530
Religiãoislamismo
Património Mundial
Ano1993 [♦]
Referência602 en fr es
Geografia
PaísUsbequistão
CidadeBucara
Coordenadas39° 46′ 34″ N, 64° 24′ 54″ L
Localização em mapa dinâmico
Notas:
[♦] ^ Parte do sítio do Património Mundial "Centro histórico de Bucara"
Mesquita e minarete Kalyan

Po-i Kalyan (em persa: پای کلان‎; romaniz.: Pā-i Kalān) ou Poi-Kalan (em usbeque: Poi Kalon) é um conjunto monumental histórico islâmico e praça na cidade de Bucara, no Usbequistão. É um dos ícones turísticos do desse país[1] e faz parte do sítio do Património Mundial da UNESCO "Centro histórico de Bucara".[2] O seu edifício principal é a Mesquita Kalyan, conhecida especialmente pelo seu grande minarete, chamado Minâra-i Kalân, que é a construção mais antiga do conjunto e está na origem do nome original do conjunto em persa, que significa "ao pé do `grande´". Além dessa mesquita e do minarete, o complexo inclui ainda as madraças Miriárabe (Mir-i Arab) e do Emir Alim Cã.[3]

O complexo está disposto em volta duma grande praça aberta, em que num dos lados se ergue a mesquita e no outro, em frente a ela, a madraça. Noutro dos lados fica a uma biblioteca com uma cúpula. Num dos cantos da praça do lado da biblioteca ergue-se o grande minarete, com 46 metros de altura, visível de toda a cidade e vários séculos mais antigos do que o resto do complexo. As primeiras obras da praça foram iniciadas no primeiro quartel do século XII pelo caracânida Arslano Cã (r. 1102–1129), que mandou construir vários edifícios, incluindo uma mesquita com um minarete de madeira, da qual pouco se sabe. Arslano foi ali enterrado. Segundo a lenda, o minarete caiu pouco tempo depois de ter sido construído, destruindo a mesquita com a queda. O minarete atualmente existente, feito em tijolo, data de 1127. A mesquita foi originalmente construída na primeira metade do século XV e durante o século seguinte. A madraça foi construída entre 1535 e 1536.[3]

Até pelo menos meados do século XX a praça era o local onde se relaizava o movimentado mercado de algodão (o principal produto de exportação do Usbequistão). Atualmente é um locla sobretudo turístico.[4]

Minarete Kalyan

O Minâra-i Kalân ("grande minarete" em persa e tajique) é também conhecido como Torre da Morte, devido a, segundo a lenda ser o local onde os criminosos eram executados sendo atirados do cimo. Domina o centro histórico da cidade e tem uma função principalmente decorativa, pois as suas dimensões excedem a principal função dos minaretes, que é a de proporcionarem um ponto vantajoso para o muezim chamar os fiéis para as orações. Para esse propósito bastava ir para o telhado da mesquita, o que era uma prática comum nos primeiros tempos do islão. A palavra minarete deriva do árabe minara, que significa farol ou, literalmente, "local onde alguma coisa arde". É possível que os minaretes da região fossem adaptações da "torres de fogo" ou faróis usados na religião zoroastrista que precedeu o islão na Ásia Central e Pérsia.[5]

O arquiteto do minarete, cujo nome era Bako, desenhou-o como uma torre-pilar circular ligeiramente cónica em tijolo. O diâmetro na base é 9 metros e no topo é 6 m. Tem 45,6 m de altura e é visível a longa distância nas planícies em volta. No interior há uma escada de tijolo em espiral, que dá acesso a um terraço circular com 16 arcos, sobre os quais assenta uma cornija (ou xarife).[6]

Mesquita Kalyan

A Masjid-i Kalân (Grande Mesquita) é um edifício cuja construção terminou supostamente em 1514, com lotação para 12 000 pessoas. Embora seja semelhante à Mesquita de Bibi Canum em Samarcanda, nomeadamente nas dimensões, tem diferenças na construção. O pátio que a circunda tem galerias com um teto com múltiplas abóbadas suportado por 280 pilares monumentais. O eixo longitudinal termina num portal que dá acesso à câmara principal (maksura), a qual tem uma sala em forma de cruz que é encimada por uma grande cúpula azul que assenta sobre uma base cilíndrica revestida a mosaicos. O edifício apresenta várias curiosidades arquitetónicas, como por exemplo um furo numa das abóbadas, através do qual se podem ver as fundações do minarete; recuando, conseguem-se contar todas as filas de tijolos do minarete.[7]

Madraça Miriárabe

A construção desta madraça é atribuída ao xeque Abedalá Iamani do Iémen, conhecido como Miriárabe (Mir-i Arab), o mentor espiritual de Ubaide Alá Cã e do seu filho Abdalazize Cã. Os seus raides de saque em Coração eram acompanhados pela captura de numerosos cativos. Diz-se que Ubaide Alá Cã gastou o dinheiro ganho com o resgate de mais de 3 000 prisioneiros persas na construção da Madraça Mir-i Arab. Era um homem muito religioso, que tinha sido educado para ter um grande respeito pelo islão sufista. O seu pai deu-lhe o nome dum proeminente cheque do século XV, Ubaide Alá Alarar (Khwaja Ahrar ou Nassiruddin Ubaidullah al-Ahrar; 1404–1490), originário da região de Tasquente.[8]

A construção da madraça foi concluída na década de 1530, numa época em que os soberanos locais já não erigiam mausoléus para si e para os seus familiares. Os cãs da xaibânidas eram muito ciosos das tradições corânicas e davam tanta importância à religião que até um cã poderoso como Ubaidullah foi enterrado junto ao seu mentor, debaixo do centro da abóbada (gurhana) da madraça. Perto desse túmulo está enterrado Maomé Cacim, mudarris (professor sénior) da madraça, que morreu em 1637 ou 1638. O portal da madraça situa-se num eixo que passa pelo portal da Mesquita Kalyan. No entanto, devido à parte oriental do pátio ser ligeiramente mais baixa do que a parte ocidental, a madraça está sobre uma plataforma.[8]

Referências

  1. «Poi-Kalyan Complex» (em inglês). travelguide.michelin.com. Consultado em 13 de novembro de 2020
  2. Historic Centre of Bukhara. UNESCO World Heritage Centre - World Heritage List (whc.unesco.org). Em inglês ; em francês ; em espanhol. Páginas visitadas em 13 de novembro de 2020.
  3.  «Poi Kalon». archnet.org (em inglês). ArchNet: Islamic Architecture Community. Consultado em 13 de novembro de 2020
  4. MacLeod, Calum; Mayhew, Bradley (2017), Uzbekistan – The Golden Road to Samarkand, ISBN 978-962-217-837-3 (em inglês) 8.ª ed. , Hong Kong: Odyssey Books & Maps, pp. 268–269
  5. Page, Dmitriy. «Kalyan Minaret». www.pagetour.org. Arquivado do original em 21 de outubro de 2014
  6. "Бухоро Bukhara Бухара" На узбекском, английском и русском языках. Издательство "Узбекистан", Ташкент 2000
  7. "В.Г. Сааков Архитектурные шедевры Бухары. Бухарское областное общество "Китабхон" Уз ССР, Ровно 1991 г.
  8.  «Узбекистан Бухара: Медресе Мир-и Араб» [Usbequistão Bucara: Madraça Miriárabe] (em russo). www.touruz.narod.ru. Consultado em 15 de novembro de 2020

Po-i Kalyan: O Conjunto Monumental de Bucara

Po-i Kalyan (em persa: Pā-i Kalān) ou Poi Kalon (em usbeque) é um importante conjunto monumental histórico islâmico e uma ampla praça localizada no centro da cidade de Bucara, no Usbequistão. É um dos maiores símbolos turísticos do país e faz parte do sítio classificado como Património Mundial pela UNESCO, denominado “Centro Histórico de Bucara”. O nome do conjunto tem origem persa e significa literalmente “ao pé do grande”, uma referência direta ao seu elemento mais antigo e imponente: o minarete. Além dessa estrutura, o complexo inclui a Mesquita Kalyan e duas instituições de ensino religioso: as madraças Miriárabe e do Emir Alim Cã.
O conjunto está organizado em torno de uma grande praça aberta. De um lado, ergue-se a mesquita principal; do lado oposto, fica a madraça. Noutro dos lados, existe uma biblioteca coberta por uma cúpula, e num dos cantos, próximo a essa biblioteca, destaca-se o minarete, visível de praticamente toda a cidade e vários séculos mais antigo do que o restante do conjunto.
As primeiras obras na área tiveram início no primeiro quartel do século XII, sob o governo do cã da dinastia caracânida, Arslano Cã. Ele mandou construir vários edifícios, entre os quais uma mesquita e um minarete feito de madeira, dos quais restam poucos registos. Segundo a tradição, o próprio Arslano Cã foi sepultado ali. Uma lenda antiga conta que esse primeiro minarete desabou pouco tempo depois de pronto, destruindo também a mesquita. A estrutura atual, construída em tijolos, data de 1127. Já a mesquita foi erguida originalmente na primeira metade do século XV e ampliada no século seguinte, enquanto a madraça principal foi concluída entre 1535 e 1536.
Até pelo menos meados do século XX, a praça funcionava como um animado mercado de algodão — o principal produto de exportação da região. Hoje, deixou de ter essa função comercial e tornou-se um espaço dedicado ao turismo e à preservação histórica.

Minarete Kalyan

O Minâra-i Kalân, ou “Grande Minarete”, é também conhecido popularmente como a “Torre da Morte”. Essa denominação surgiu a partir de uma lenda antiga, segundo a qual a estrutura era usada para execuções, com condenados sendo atirados do seu topo. Com 45,6 metros de altura, ele domina o horizonte do centro histórico e cumpre hoje sobretudo um papel simbólico e decorativo: as suas dimensões ultrapassam em muito a necessidade prática de um minarete, que era servir de ponto elevado para o muezim fazer a chamada às orações — função que, nos primeiros tempos do islão, era desempenhada simplesmente a partir do telhado da própria mesquita.
A palavra “minarete” deriva do termo árabe minara, que significa “farol” ou “lugar onde algo arde”. Alguns historiadores sugerem que essas torres na Ásia Central podem ter sido inspiradas nas antigas “torres de fogo” ou faróis utilizadas pela religião zoroastrista, que predominou na região antes da chegada do islão.
O arquiteto responsável pela obra chamava-se Bako e concebeu uma torre em forma de pilar circular, ligeiramente cónica, construída totalmente em tijolos. Tem 9 metros de diâmetro na base e 6 metros no topo. No seu interior, uma escada em espiral, também feita de tijolos, leva até um terraço circular com 16 arcos, sobre o qual assenta uma cornija decorativa que coroa a estrutura.

Mesquita Kalyan

A Masjid-i Kalân, ou Grande Mesquita, é o principal edifício de culto do conjunto. A sua construção ficou concluída, segundo os registos, por volta de 1514, e tem capacidade para receber cerca de 12 mil fiéis. Embora apresente semelhanças gerais com a famosa Mesquita de Bibi Canum, em Samarcanda — especialmente no tamanho —, tem características construtivas próprias.
Ao seu redor, estende-se um amplo pátio rodeado por galerias cobertas por múltiplas abóbadas, suportadas por 280 pilares robustos. No eixo principal, um portal monumental dá acesso à câmara principal, onde se encontra o altar. Essa sala tem formato de cruz e é encimada por uma grande cúpula de cor azul, assente sobre uma base cilíndrica revestida com mosaicos coloridos. Entre as suas particularidades arquitetónicas, destaca-se uma pequena abertura numa das abóbadas: ao posicionar-se corretamente, é possível ver através dela as fundações do minarete e até contar todas as fiadas de tijolos que compõem a sua estrutura.

Madraça Miriárabe

A Madraça Miriárabe é a instituição de ensino religioso mais importante do conjunto. A sua construção está ligada à figura do xeque Abedalá Iamani, natural do Iémen e conhecido como Miriárabe — mentor espiritual de Ubaide Alá Cã e do seu filho, Abdalazize Cã. Conta a tradição que o soberano Ubaide Alá Cã utilizou o dinheiro obtido com o resgate de mais de três mil prisioneiros persas para financiar a edificação da madraça. O monarca era profundamente religioso e seguidor das correntes sufistas, tendo recebido o seu nome em homenagem a um respeitado mestre espiritual do século XV.
Concluída na década de 1530, a madraça foi construída numa época em que os governantes locais já não erguiam mausoléus grandiosos para si próprios. Por respeito às tradições religiosas, Ubaide Alá Cã escolheu ser sepultado no interior da própria instituição, mesmo por baixo da grande cúpula central, ao lado do túmulo do seu mestre espiritual. Nas proximidades também repousa Maomé Cacim, um antigo professor-chefe da madraça, falecido em meados do século XVII.
O portal da madraça está alinhado com o da Mesquita Kalyan, embora haja uma pequena diferença de nível entre as duas construções: como o lado leste do pátio é ligeiramente mais baixo, a madraça foi erguida sobre uma plataforma, o que lhe confere uma presença ainda mais imponente no conjunto.

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