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quinta-feira, 16 de julho de 2026

João Severiano de Araújo: Propriedade, Comércio e Serviço Público no Sertão da Paraíba

 

João Severiano de Araújo
Fotografia de João Severiano de Araújo, em 7 de julho de 1900.
Agente Fiscal dos Impostos e Consumos do Interior do Estado da Paraíba
Período1900-1929
Dados pessoais
Nascimentoc. 1848
Santa Luzia, Paraíba, Império do Brasil
Morte24 de junho de 1938
São José de Espinharas, Paraíba, Brasil
ProgenitoresMãe: Gertrudes Maria de Jesus
Pai: Anastácio José Dias de Araújo
CônjugeMaria Rosa Figueiredo de Araújo Costa
OcupaçãoComerciante; proprietário rural

João Severiano de Araújo (Santa Luzia, Paraíba, c. 1848 – São José de Espinharas, Paraíba, 24 de junho de 1938) foi um proprietário rural, comerciante e agente fiscal dos Impostos e Consumos no estado da Paraíba.

Origem familiar


João Severiano de Araújo nasceu por volta de 1848, no município de Santa Luzia, na então província da Paraíba. Era filho de Anastácio José Dias de Araújo e Gertrudes Maria de Jesus. Entre seus irmãos estava José Peregrino de Araújo, que posteriormente exerceu o cargo de governador da Paraíba.

Casamento

Em 29 de julho de 1868, casou-se com Maria Rosa Figueiredo de Araújo Costa, no Sítio Verduras, localizado no município de São Mamede, na Paraíba.[1] O casal teve numerosa descendência, com cerca de dezoito filhos: João Florentino de Araújo; Estefânia Amélia de Araújo; Maria de Araújo; Manoel Severiano de Araújo; Maria Severiana de Araújo; Fenelon Augusto de Araújo; Izidro Severiano de Araújo; Ozório Severiano de Araújo; Rosa Severiana de Araújo; Gertrudes Severiana de Araújo; Eugênia Severiana de Araújo; Severino de Araújo Costa; Severina Severiana de Araújo; Francisco Severiano de Araújo; José Severiano de Araújo; Ernestina Severiana de Araújo; Cícero Severiano de Araújo; e Miguel Severiano de Araújo.

A família residia no Sítio Cajazeiras, situado no município de São José de Espinharas, onde João Severiano de Araújo desenvolveu principalmente atividades ligadas à propriedade rural e ao comércio.



Comércio

Além da atividade agrícola, João Severiano de Araújo exerceu comércio no interior da Paraíba, negociando diferentes produtos de uso cotidiano. Entre os itens comercializados estava o fumo, produto amplamente consumido na região durante o período. Localmente, esse tipo de fumo era conhecido pela denominação popular “boró”, termo utilizado em algumas áreas do Nordeste para designar determinadas variedades ou formas de comercialização do tabaco.

Segundo relatos preservados na tradição oral regional, a frequente associação entre o comerciante e a venda desse produto teria contribuído para que a palavra “boró” passasse a ser utilizada como um apelido jocoso relacionado à sua figura. Com o passar do tempo, essa designação teria sido incorporada no âmbito familiar e comunitário, sendo empregada para identificar sua descendência.

Em contextos locais, membros dessa linhagem são ocasionalmente referidos como pertencentes à chamada “família Boró”, denominação de caráter popular que se consolidou na memória regional e permanece associada à descendência de João Severiano de Araújo.

Atuação pública

Em 29 de agosto de 1900, foi nomeado para a função de agente fiscal dos Impostos e Consumos, vinculada à repartição federal responsável pela fiscalização tributária no interior da Paraíba.[2] Exercia suas funções na 11ª circunscrição[nota 1] fiscal do estado, sendo responsável pela cobrança e fiscalização de tributos incidentes sobre atividades comerciais em diferentes localidades do interior.

Permaneceu no serviço público por várias décadas, aposentando-se por meio de decreto assinado em 10 de julho de 1929 pelo então presidente da República, Washington Luís.[3]

O encontro com mascates

Relatos de tradição oral associados à sua atuação como agente fiscal mencionam episódios ocorridos durante suas atividades de fiscalização no interior do estado. Segundo essas narrativas, comerciantes ambulantes conhecidos como mascate— que comercializavam produtos variados, como roupas, utensílios domésticos e gêneros diversos — também estavam sujeitos à cobrança de impostos. Em determinado episódio, ao tomarem conhecimento de que o fiscal se encontrava nas proximidades de uma localidade onde pretendiam negociar seus produtos, os comerciantes teriam optado por seguir por uma estrada de terra menos frequentada, com o objetivo de evitar um eventual encontro com o responsável pela fiscalização.

João Severiano teria seguido pelo mesmo caminho e acabou encontrando o grupo durante o percurso. Ao observar a presença dos comerciantes naquela via pouco utilizada, teria perguntado o motivo de utilizarem aquela estrada. Os mascates responderam que procuravam evitar o encontro com o agente responsável pela cobrança de impostos na região. Sem revelar imediatamente sua identidade, João Severiano teria apenas esboçado um sorriso e respondido de forma breve:

“Então, se perguntarem, digam que não me viram”.

Morte

João Severiano de Araújo faleceu em 24 de junho de 1938, aos 90 anos de idade, em decorrência de febre, no Sítio Cajazeiras, localizado no município de São José de Espinharas, no estado da Paraíba.

João Severiano de Araújo: Propriedade, Comércio e Serviço Público no Sertão da Paraíba

João Severiano de Araújo (Santa Luzia, Paraíba, c. 1848 – São José de Espinharas, Paraíba, 24 de junho de 1938) foi uma figura de destaque na vida econômica e administrativa do interior paraibano no final do século XIX e início do XX. Exerceu atividades como proprietário rural, comerciante e agente fiscal dos Impostos e Consumos, deixando marca tanto na estrutura econômica local quanto na memória e tradições da região.

Origem Familiar

Nasceu por volta de 1848, no município de Santa Luzia, então parte da província da Paraíba. Era filho de Anastácio José Dias de Araújo e Gertrudes Maria de Jesus. Pertencia a uma família com forte presença na política e na vida pública do estado: um de seus irmãos, José Peregrino de Araújo, viria a ocupar o cargo de governador da Paraíba, ampliando a influência do clã em todo o território estadual.

Casamento e Descendência

Em 29 de julho de 1868, contraiu matrimônio com Maria Rosa Figueiredo de Araújo Costa, na localidade de Sítio Verduras, no município de São Mamede. A união deu origem a uma numerosa prole, composta por cerca de dezoito filhos:
  • João Florentino de Araújo
  • Estefânia Amélia de Araújo
  • Maria de Araújo
  • Manoel Severiano de Araújo
  • Maria Severiana de Araújo
  • Fenelon Augusto de Araújo
  • Izidro Severiano de Araújo
  • Ozório Severiano de Araújo
  • Rosa Severiana de Araújo
  • Gertrudes Severiana de Araújo
  • Eugênia Severiana de Araújo
  • Severino de Araújo Costa
  • Severina Severiana de Araújo
  • Francisco Severiano de Araújo
  • José Severiano de Araújo
  • Ernestina Severiana de Araújo
  • Cícero Severiano de Araújo
  • Miguel Severiano de Araújo
A família estabeleceu residência no Sítio Cajazeiras, no município de São José de Espinharas, onde João Severiano desenvolveu a maior parte de suas atividades econômicas e onde permaneceu até o fim de sua vida.

Atividades no Comércio e a Origem do Apelido

Além da exploração de suas terras, onde praticava a agricultura e a criação de gado, João Severiano atuou intensamente no comércio do interior. Negociava uma ampla variedade de produtos de uso cotidiano, com destaque para o fumo, mercadoria muito procurada e consumida em toda a região do sertão.
O tipo de tabaco que comercializava era conhecido popularmente na época como “boró” — termo usado no Nordeste para designar certas variedades ou formas de apresentação do produto. A constante associação entre o comerciante e essa mercadoria fez com que, com o tempo, a palavra “boró” se tornasse um apelido jocoso e carinhoso atribuído a ele. A designação acabou se consolidando e, até hoje, os descendentes de João Severiano de Araújo são frequentemente referidos na região como membros da “família Boró”, uma marca identitária preservada na memória coletiva local.

Atuação no Serviço Público

Em 29 de agosto de 1900, João Severiano foi nomeado para o cargo de agente fiscal dos Impostos e Consumos, função vinculada à administração tributária federal. Exerceu suas atribuições na 11ª circunscrição fiscal da Paraíba, sendo responsável pela fiscalização e cobrança de tributos sobre atividades comerciais e produtivas em diversas localidades do interior do estado.
Permaneceu no serviço público por quase três décadas, mantendo-se no cargo até se aposentar oficialmente em 10 de julho de 1929, por meio de decreto assinado pelo então presidente da República, Washington Luís.

Episódio com os Mascates

A tradição oral da região guarda um relato curioso sobre sua atuação como fiscal. Na época, os mascates — comerciantes ambulantes que percorriam o sertão vendendo roupas, utensílios e gêneros alimentícios — também estavam sujeitos à cobrança de impostos.
Em certa ocasião, ao saberem que o agente fiscal estava nas proximidades, um grupo de mascates decidiu desviar de sua rota habitual e seguir por uma estrada de terra pouco movimentada, na tentativa de evitar o encontro e a cobrança. Por coincidência, João Severiano também tomou o mesmo caminho e acabou cruzando com eles.
Ao perguntar o motivo de usarem aquela via, os comerciantes responderam francamente que queriam evitar o fiscal da região. Sem revelar de imediato quem era, ele apenas sorriu e respondeu com uma frase que ficou famosa:
“Então, se perguntarem, digam que não me viram.”
O episódio revela a perspicácia e o senso de humor que lhe eram atribuídos, características que ajudaram a compor a imagem que a comunidade guardou dele ao longo dos anos.

Morte

João Severiano de Araújo faleceu em 24 de junho de 1938, no Sítio Cajazeiras, em São José de Espinharas, aos 90 anos de idade. A causa da morte foi registrada como febre, enfermidade comum no interior nordestino da época.
Sua trajetória representa a figura do homem de negócios e servidor público que, ao longo de quase um século, participou ativamente da organização econômica e social do sertão paraibano, deixando uma linhagem e uma identidade familiar que perduram até os dias atuais.


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