João Severiano de Araújo | |
|---|---|
Fotografia de João Severiano de Araújo, em 7 de julho de 1900. | |
| Agente Fiscal dos Impostos e Consumos do Interior do Estado da Paraíba | |
| Período | 1900-1929 |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | c. 1848 Santa Luzia, Paraíba, Império do Brasil |
| Morte | 24 de junho de 1938 São José de Espinharas, Paraíba, Brasil |
| Progenitores | Mãe: Gertrudes Maria de Jesus Pai: Anastácio José Dias de Araújo |
| Cônjuge | Maria Rosa Figueiredo de Araújo Costa |
| Ocupação | Comerciante; proprietário rural |
João Severiano de Araújo (Santa Luzia, Paraíba, c. 1848 – São José de Espinharas, Paraíba, 24 de junho de 1938) foi um proprietário rural, comerciante e agente fiscal dos Impostos e Consumos no estado da Paraíba.
Origem familiar
João Severiano de Araújo nasceu por volta de 1848, no município de Santa Luzia, na então província da Paraíba. Era filho de Anastácio José Dias de Araújo e Gertrudes Maria de Jesus. Entre seus irmãos estava José Peregrino de Araújo, que posteriormente exerceu o cargo de governador da Paraíba.
Casamento
Em 29 de julho de 1868, casou-se com Maria Rosa Figueiredo de Araújo Costa, no Sítio Verduras, localizado no município de São Mamede, na Paraíba.[1] O casal teve numerosa descendência, com cerca de dezoito filhos: João Florentino de Araújo; Estefânia Amélia de Araújo; Maria de Araújo; Manoel Severiano de Araújo; Maria Severiana de Araújo; Fenelon Augusto de Araújo; Izidro Severiano de Araújo; Ozório Severiano de Araújo; Rosa Severiana de Araújo; Gertrudes Severiana de Araújo; Eugênia Severiana de Araújo; Severino de Araújo Costa; Severina Severiana de Araújo; Francisco Severiano de Araújo; José Severiano de Araújo; Ernestina Severiana de Araújo; Cícero Severiano de Araújo; e Miguel Severiano de Araújo.
A família residia no Sítio Cajazeiras, situado no município de São José de Espinharas, onde João Severiano de Araújo desenvolveu principalmente atividades ligadas à propriedade rural e ao comércio.
Comércio
Além da atividade agrícola, João Severiano de Araújo exerceu comércio no interior da Paraíba, negociando diferentes produtos de uso cotidiano. Entre os itens comercializados estava o fumo, produto amplamente consumido na região durante o período. Localmente, esse tipo de fumo era conhecido pela denominação popular “boró”, termo utilizado em algumas áreas do Nordeste para designar determinadas variedades ou formas de comercialização do tabaco.
Segundo relatos preservados na tradição oral regional, a frequente associação entre o comerciante e a venda desse produto teria contribuído para que a palavra “boró” passasse a ser utilizada como um apelido jocoso relacionado à sua figura. Com o passar do tempo, essa designação teria sido incorporada no âmbito familiar e comunitário, sendo empregada para identificar sua descendência.
Em contextos locais, membros dessa linhagem são ocasionalmente referidos como pertencentes à chamada “família Boró”, denominação de caráter popular que se consolidou na memória regional e permanece associada à descendência de João Severiano de Araújo.
Atuação pública
Em 29 de agosto de 1900, foi nomeado para a função de agente fiscal dos Impostos e Consumos, vinculada à repartição federal responsável pela fiscalização tributária no interior da Paraíba.[2] Exercia suas funções na 11ª circunscrição[nota 1] fiscal do estado, sendo responsável pela cobrança e fiscalização de tributos incidentes sobre atividades comerciais em diferentes localidades do interior.
Permaneceu no serviço público por várias décadas, aposentando-se por meio de decreto assinado em 10 de julho de 1929 pelo então presidente da República, Washington Luís.[3]
O encontro com mascates
Relatos de tradição oral associados à sua atuação como agente fiscal mencionam episódios ocorridos durante suas atividades de fiscalização no interior do estado. Segundo essas narrativas, comerciantes ambulantes conhecidos como mascate— que comercializavam produtos variados, como roupas, utensílios domésticos e gêneros diversos — também estavam sujeitos à cobrança de impostos. Em determinado episódio, ao tomarem conhecimento de que o fiscal se encontrava nas proximidades de uma localidade onde pretendiam negociar seus produtos, os comerciantes teriam optado por seguir por uma estrada de terra menos frequentada, com o objetivo de evitar um eventual encontro com o responsável pela fiscalização.
João Severiano teria seguido pelo mesmo caminho e acabou encontrando o grupo durante o percurso. Ao observar a presença dos comerciantes naquela via pouco utilizada, teria perguntado o motivo de utilizarem aquela estrada. Os mascates responderam que procuravam evitar o encontro com o agente responsável pela cobrança de impostos na região. Sem revelar imediatamente sua identidade, João Severiano teria apenas esboçado um sorriso e respondido de forma breve:
“Então, se perguntarem, digam que não me viram”.
Morte
João Severiano de Araújo faleceu em 24 de junho de 1938, aos 90 anos de idade, em decorrência de febre, no Sítio Cajazeiras, localizado no município de São José de Espinharas, no estado da Paraíba.
João Severiano de Araújo: Propriedade, Comércio e Serviço Público no Sertão da Paraíba
Origem Familiar
Casamento e Descendência
- João Florentino de Araújo
- Estefânia Amélia de Araújo
- Maria de Araújo
- Manoel Severiano de Araújo
- Maria Severiana de Araújo
- Fenelon Augusto de Araújo
- Izidro Severiano de Araújo
- Ozório Severiano de Araújo
- Rosa Severiana de Araújo
- Gertrudes Severiana de Araújo
- Eugênia Severiana de Araújo
- Severino de Araújo Costa
- Severina Severiana de Araújo
- Francisco Severiano de Araújo
- José Severiano de Araújo
- Ernestina Severiana de Araújo
- Cícero Severiano de Araújo
- Miguel Severiano de Araújo
Atividades no Comércio e a Origem do Apelido
Atuação no Serviço Público
Episódio com os Mascates
“Então, se perguntarem, digam que não me viram.”
Nenhum comentário:
Postar um comentário