quinta-feira, 25 de junho de 2026

Conjunto Monumental de Khoja Gaukushan Também chamado de: Conjunto de Khoja Gaukushon; em usbeque: Govkushon majmuasi

 

Conjunto de Khoja Gaukushan
Conjunto de Khoja Gaukushon • Govkushon majmuasi
Informações gerais
TipoConjunto monumental
Início da construção1562-1579
ReligiãoIslão
Património Mundial
Ano1993 [♦]
Referência602 en fr es
Geografia
PaísUsbequistão
CidadeBucara
Coordenadas39° 46′ 21″ N, 64° 24′ 58″ L
Localização em mapa dinâmico
Notas:
[♦] ^ Parte do sítio do Património Mundial "Centro histórico de Bucara"

O conjunto de Khoja Gaukushan ou de Khoja Gaukushon (em usbeque: Govkushon majmuasi) é um grupo de edifícios islâmicos, um dos maiores conjuntos monumentais da cidade de Bucara, Usbequistão, que faz parte do sítio do Património Mundial da UNESCO[1] "Centro histórico de Bucara".[2] Situa-se na parte medieval da cidade, junto ao canal Shah Rud, e é composto pela Mesquita Khoja Kalon, um hauz (tanque ou lago artificial) e duas madraças (Khoja Gaukushan e Mir Haidar Bala). O seu nome, Gaukushan, significa "matança de touros"; o local era um matadouro antes de ter sido convertido numa área de comércio.[3] O nome Khoja é uma referência aos cojas que mandaram construir o conjunto.[4] Os primeiros monumentos foram construídos entre 1562 e 1579.[5]

História e descrição

A maior parte do conjunto monumental foi construída pela poderosa família Jubari[5] (ou Djuibar[1] ou Dzhuybarian)[4] entre 1562 e 1579. A Madraça Mir Haidar Bala, situada a leste do hauz, foi construída mais tarde. Os Jubari eram cojas e estiveram muito ligados à ascensão ao poder de Abedalá Cã II (r. 1583–1598), o último monarca xaibânida do Canato de Bucara, que governou a cidade a partir de 1557. A família era então liderada por Khwajah Islam (1492/3–1563) e pelo seu filho Khwajah Sa'd (ou Khoja Saad;[1] m. 1589), também conhecido como Khoja Kalon (Grande Coja),[4] donos dum vasto império comercial e figuras proeminentes da comunidade islâmica Naqshbandi local. Os Jubaris contribuíram significativamente para o desenvolvimento urbano de Bucara na segunda metade do século XVI, tendo adquirido terra no interior da cidade para construírem espaços comerciais cobertos, hamames, caravançarais e outros edifícios comerciais. Apesar do conjunto Gaukushan não lhes tivesse trazido lucros diretamente, ele formou o núcleo dum novo "subcentro da cidade" e atraiu residentes para a área.[5]

O conjunto organiza-se em dois dos lados dum hauz octogonal — a mesquita, fica a oeste, a Madraça Gaukushan a sudoeste, não estando virada para o hauz, entre as duas ergue-se o minarete e a Madraça Mir Haidar Bala situa-se a leste, em frente à mesquita. A mesquita e a madraça construídas pelos Jubari foram integradas nas ruas já existentes, pelo que a madraça tem planta trapezoidal, devido a estar entre duas ruas que se cruzam. A mesquita tem a planta retangular usual, mas como o seu eixo é paralelo à rua, a parede da quibla não está na direção exata de Meca. Devido ao facto da parte norte da mesquita, onde se situava a sala de orações, ter sido demolida, não se sabe como foi resolvida essa inclinação correta, se é que foi resolvida.[5]

O hauz é alimentado pelo canal Shah Rud, que passa nas proximidades. A prática de colocar as mesquitas junto a um hauz começou durante o reinado de Ubaide Alá Cã (r. 1534–1539) e permaneceu popular depois disso. A sudoeste do hauz encontra-se um alto minarete, o mais alto de Bucara a seguir ao Minarete Kalyan, o qual se liga à mesquita por uma ponte pedestre.[5]

Referências

  1.  «Ensemble of Khoja-Gaukushon, Bukhara» (em inglês). Consultado em 19 de dezembro de 2020
  2. Historic Centre of Bukhara. UNESCO World Heritage Centre - World Heritage List (whc.unesco.org). Em inglês ; em francês ; em espanhol. Páginas visitadas em 18 de dezembro de 2020.
  3. «Ensemble of Khoja Gaukushon in Bukhara» (em inglês). www.people-travels.com. Consultado em 19 de dezembro de 2020
  4.  «Gaukushon Ensemble (XVII)» (em inglês). www.samarkandtour.com. Consultado em 19 de dezembro de 2020
  5.  «Khoja Gaukushan Ensemble, Bukhara, Uzbekistan» (em inglês). Asian Historical Architecture. www.orientalarchitecture.com. Consultado em 19 de dezembro de 2020

Bibliografia

Conjunto Monumental de Khoja Gaukushan

Também chamado de: Conjunto de Khoja Gaukushon; em usbeque: Govkushon majmuasi

Localização e Contexto Geral

O Conjunto de Khoja Gaukushan é um dos maiores e mais expressivos grupos de edifícios religiosos e urbanos da cidade de Bucara, no Usbequistão. Ele faz parte do Centro Histórico de Bucara, reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO, e insere-se na zona medieval da cidade, às margens do canal Shah Rud — uma importante via de abastecimento de água e circulação na época.
O conjunto reúne em seu espaço a Mesquita Khoja Kalon, um hauz (reservatório ou lago artificial) e duas instituições de ensino religioso: a Madraça Khoja Gaukushan e a Madraça Mir Haidar Bala.
O seu nome tem uma origem curiosa: Gaukushan significa literalmente “matança de touros”. Isso se deve ao fato de o terreno onde foi construído ter sido, antes de qualquer obra, um matadouro público. Mais tarde, o local foi transformado em uma área de intensa atividade comercial, até receber as construções religiosas. Já o termo Khoja (ou Coja) é um título de respeito dado a pessoas consideradas descendentes do profeta Maomé ou líderes espirituais e econômicos influentes, fazendo referência à família que financiou e ergueu o conjunto.

História e Origem

A maior parte das edificações foi levantada entre 1562 e 1579, por iniciativa da poderosa família Jubari — também chamada de Djuibar ou Dzhuybarian. Essa família tinha uma posição de destaque na sociedade de Bucara, mantendo laços muito próximos com o poder político: foi uma das principais apoiadoras da ascensão de Abedalá Cã II, o último monarca da dinastia xaibânida, que governou o Canato de Bucara entre 1583 e 1598.
Na época das obras, a família era liderada por Khwajah Islam (1492/1493 – 1563) e, posteriormente, por seu filho Khwajah Sa’d (falecido em 1589), conhecido também como Khoja Kalon — “Grande Coja”. Ambos eram figuras centrais da ordem sufista Naqshbandi, possuíam uma vasta rede comercial que se estendia por toda a Rota da Seda e detinham grande influência econômica e religiosa.
Os Jubari foram responsáveis por transformar diversas regiões da cidade: adquiriram terrenos para construir mercados cobertos, banhos públicos (hamames), pousadas para viajantes (caravançarais) e outras estruturas de serviço. Embora o Conjunto de Khoja Gaukushan não gerasse lucro direto, ele cumpriu um papel fundamental: tornou-se o núcleo de um novo subcentro urbano, atraindo moradores, estudantes, comerciantes e peregrinos para uma área antes menos habitada. A Madraça Mir Haidar Bala, por sua vez, foi acrescentada posteriormente, completando o conjunto ao longo do tempo.

Organização e Características Arquitetônicas

O conjunto está disposto ao redor de um hauz de formato octogonal, alimentado pelas águas do canal Shah Rud. A associação entre mesquitas e reservatórios de água tornou-se uma tradição em Bucara a partir do reinado de Ubaide Alá Cã (1534–1539), pois o hauz servia tanto para a realização das abluções rituais quanto para refrescar o ambiente e valorizar a paisagem urbana.
Cada elemento ocupa uma posição definida:
  • A Mesquita Khoja Kalon fica situada a oeste do hauz;
  • A Madraça Khoja Gaukushan localiza-se a sudoeste, não estando diretamente virada para o lago;
  • A Madraça Mir Haidar Bala ergue-se a leste, em posição frontal à mesquita;
  • Entre a mesquita e a madraça principal destaca-se o minarete, o segundo mais alto de toda Bucara, perdendo apenas para o famoso Minarete Kalyan. Ele se conecta à mesquita por meio de uma ponte elevada, permitindo que o muezim suba até o topo para fazer a chamada às orações.
Um aspecto interessante da arquitetura do conjunto é a adaptação ao tecido urbano já existente, sem que houvesse uma demolição geral da região. Por isso, a Madraça Khoja Gaukushan tem uma planta em formato trapezoidal: ela foi construída entre duas ruas que se cruzam, seguindo o traçado original do bairro. Já a mesquita apresenta a planta retangular habitual, mas seu eixo foi alinhado paralelamente à rua, o que fez com que sua parede da quibla — a direção voltada para Meca — não ficasse no alinhamento exato esperado. Como a parte norte da construção, onde ficava a sala principal de orações, foi demolida ao longo dos séculos, não é possível saber ao certo se os arquitetos da época conseguiram corrigir essa inclinação ou como fizeram para adaptar o espaço às exigências do culto.

Importância Cultural

O Conjunto de Khoja Gaukushan é um exemplo perfeito de como a arquitetura da Ásia Central combinava funções religiosas, educacionais, sociais e urbanas. Ele reflete o papel das famílias abastadas e das ordens sufistas no desenvolvimento das cidades ao longo da Rota da Seda, demonstrando também a capacidade de adaptação dos projetos arquitetônicos às condições e ao espaço já existente. Até hoje, permanece como um dos pontos de referência mais importantes do centro histórico de Bucara, preservando a memória e a identidade da região.

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