artigo de Karin Romanó Santos
O IRRESISTÍVEL BRIGADEIRO
Nessa vitrine de uma loja da Rua XV, no Edifício Roskamp e na alvenaria da casa ao lado, da família Lustosa e que se tornou a Galeria Lustosa, vemos panfletos grudados
Nas paredes, colunas, rasgados. Uma bagunça mesmo.
Em baixo do "G" no letreiro escrit Eletricidade Geral Ltda, vemos os panfletos com nomes de EDUARDO GOMES e EURICO DUTRA.
Os dois eram candidatos à presidência da República. Eduardo Gomes era "Brigadeiro", um posto da aeronáutica.
Eduardo Gomes era alto, charmoso, usava farda impecável e era solteiro.
Era o ano de 1945, e as mulheres estavam indo às urnas pela primeira vez.
Nem precisa dizer que ele virou o candidato predileto do público feminino. Sua campanha tinha um slogan que pegou:
"Vote no Brigadeiro, que é bonito e solteiro."
A guerra havia terminado, mas ainda havia escassez de muitos produtos, entre eles, o leite.
Importou-se o leite condensado por um bom tempo e foi então que as donas de casa descobriram que levar o produto ao fogo misturando com achocolatado resultava num docinho muito apreciado:
Durante a campanha eleitoral, as mulheres da classe média e alta viraram cabos eleitorais voluntarias do candidato bonitão e foram muito eficientes.
Estavam entusiasmadas com a vitória e organizavam chás da tarde angariando fundos para o candidato.
Faziam os docinhos e vendiam para mulheres da alta sociedade, que eram muito colaborativas.
E o docinho gostoso ganhou o nome de : brigadeiro
Sim, o mesmo doce imbatível até hoje nas festas de aniversário.
O brigadeiro nasceu de uma campanha eleitoral.
Eduardo Gomes perdeu. Mas o brigadeiro ganhou de lavada.
Por sorte nem lembra política, lembra infância.
Convenhamos, bem mais doce.
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