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quarta-feira, 17 de junho de 2026

A Cidade Imperial de Huế: O legado dos imperadores vietnamitas às margens do Rio Perfume

 

Conjunto de Monumentos de Huê
Património Mundial da UNESCO
Portão de acesso à Cidade Imperial de Huế.
CritériosC (iv)
Referência678 en fr es
País Vietname
CoordenadasAsia-Pacífico
Histórico de inscrição
Inscrição1993
Nome usado na lista do Património Mundial

A Cidade Imperial de Huế é uma fortaleza muralhada e palácio situada na antiga capital do Vietname. Foi idealizada como uma cópia da Cidade Proibida dos imperadores chineses em Pequim.

Em 1993, a Cidade Imperial de Huế foi classificada pela UNESCO como Património da Humanidade com a designação de Conjunto de Monumentos de Huê. Os edifícios que ainda restavam foram restaurados e preservados. Infelizmente, a maior parte do lugar foi destruída pela Guerra do Vietname, encontrando-se, por isso, coberta por arrozais.

Características

A antiga Huế estava situada numa área quadrada rodeado por uma muralha com dois quilómetros de lado, a qual, por sua vez, era rodeada por um fosso. A água deste fosso vinha do Hương Giang (Rio Perfume), o qual corre através de Huế. Esta estrutura é chamada de cidadela.

Dentro da cidadela ficava a Cidade Imperial, com um perímetro de quase 2,5 km.

Dentro da Cidade Imperial ficava a cerca imperial, chamada, em Vietnameita, de Cidade Proibida Púrpura. A cerca estava reservada para o uso exclusivo da Família Imperial Nguyen. Curiosamente, este é o mesmo nome que os chineses deram ao seu complexo palaciano, a Cidade Proibida. Tal como no acontece no caso chinês, a Cidade Proibida Púrpura do Vietname inclui vários palácios, portões e pátios, entre os quais se destaca o Palácio Tha'i Ho`a (Palácio da Paz Suprema), o qual era reservado à Família Imperial e onde se encontra a Sala do Trono.

História

Em Junho de 1802, Nguyễn Phúc Ánh tomou o controle do Vietnam e auto-proclamou-se Imperador Gia Long. O seu governo foi reconhecido pela China em 1804.

Gia Long pediu aos geomancistas que encontrassem o melhor lugar para construir um novo palácio e cidadela. Estes escolheram um sítio em Huế. Gia Long queria que o seu palácio e fortaleza fosse uma cópia em menor escala da Cidade Proibida de Pequim. Em 1804, dezenas de milhar de trabalhadores foram forçados a produzir uma muralha e fosso com dez quilómetros de extensão. Inicialmente as muralhas eram de terra, mas mais tarde foram substituídas por outras de pedra, com dois metros de grossura.

A cidadela estava orientada de forma a enfrentar o Rio Perfume para este, o que diferia do complexo palaciano de Pequim, este último orientado para sul. O palácio do Imperador fica no lado este da cidadela, próximo do rio. Um segundo conjunto de muralhas e um segundo fosso foram construídos em volta deste palácio. Posteriormente foram adicionados muitos mais palácios, portões e pátios.

O governo do último Imperador do Vietname durou até meados do século XX. Nessa época, a Cidade Proibida Púrpura possuía muitos edifícios e centenas de salas. O conjunto tinha sofrido vários danos provocados pelas térmitas e ciclones, mas mesmo assim mantinha-se impressionante.

O bombardeamento norte-americano de 1968, em resposta à tomada de Huế pelos comunistas, arrasou a maior parte da cidade. Entre os poucos edifícios que sobreviveram contam-se o Templo Thai Hoa, o Templo Can Thanh, o Mieu e o Hieu Lam Cac.

A Cidade Imperial de Huế: O legado dos imperadores vietnamitas às margens do Rio Perfume

A Cidade Imperial de Huế é um dos conjuntos históricos e arquitetónicos mais importantes do Vietname, antiga capital do país e centro do poder da Dinastia Nguyen durante mais de um século. Concebida como uma versão inspirada na famosa Cidade Proibida de Pequim, na China, esta fortaleza muralhada e complexo de palácios reflete não só a influência cultural asiática, mas também a identidade própria e os valores espirituais do povo vietnamita. Em 1993, o seu valor histórico e cultural foi reconhecido mundialmente: a UNESCO classificou todo o conjunto como Património da Humanidade, com a designação oficial de Conjunto de Monumentos de Huế. Embora grande parte das estruturas originais tenha sido destruída durante a Guerra do Vietname, os edifícios que restaram foram alvo de profundos trabalhos de restauro e preservação, permitindo que hoje se possa conhecer a grandiosidade deste espaço — mesmo que muitos dos seus terrenos originais estejam atualmente cobertos por arrozais, testemunho silencioso das transformações que marcaram a região.

Características arquitetónicas e estrutura

A organização do espaço segue princípios rigorosos de simetria, hierarquia e harmonia com a natureza, características centrais da arquitetura imperial do Sudeste Asiático.
  • A Cidadela: O conjunto principal está assente numa área de forma aproximadamente quadrada, com cerca de 2 km de lado, rodeada por uma muralha imponente e, externamente, por um fosso largo e profundo. A água que enche este fosso é proveniente do Rio Perfume (Hương Giang), curso de água que atravessa a cidade de Huế e que sempre teve um papel central na vida e na paisagem local. Esta estrutura defensiva, denominada cidadela, forma o limite externo de todo o complexo.
  • A Cidade Imperial: Dentro dos muros da cidadela, ergue-se a Cidade Imperial, com um perímetro de quase 2,5 km. Era aqui que se concentravam os edifícios administrativos, cerimoniais e religiosos ligados ao poder imperial.
  • A Cidade Proibida Púrpura: No coração de tudo, existia uma área ainda mais restrita, cercada por uma segunda linha de muralhas e um segundo fosso: a Cidade Proibida Púrpura. O nome é idêntico ao dado pelos chineses ao seu complexo imperial, e tal como em Pequim, este espaço era reservado em exclusivo à Família Imperial Nguyen, sendo proibida a entrada a qualquer pessoa que não fizesse parte do círculo mais próximo do imperador. No seu interior, erguiam-se dezenas de palácios, portões decorados, pátios amplos e salas de receção. O destaque principal vai para o Palácio Thai Hoa (ou Palácio da Paz Suprema), onde funcionava a Sala do Trono — o local onde se realizavam as cerimónias oficiais, audiências e eventos mais importantes do império.
Um pormenor interessante que distingue este conjunto do modelo chinês é a sua orientação: enquanto a Cidade Proibida de Pequim está virada a sul, a cidadela de Huế foi projetada para ficar voltada a este, diretamente em direção ao Rio Perfume. O palácio principal do imperador fica precisamente nesta zona oriental, próximo às águas do rio, seguindo orientações de geomancia que associavam esta posição a boas energias e proteção.

História: Da fundação ao declínio

A construção deste grande projeto está ligada diretamente à ascensão de Nguyễn Phúc Ánh, figura central da história vietnamita. Em junho de 1802, ele conquistou o controlo total do território do Vietname e auto-proclamou-se Imperador Gia Long, fundando a Dinastia Nguyen — a última dinastia imperial do país, que governou até meados do século XX. Dois anos depois, em 1804, o seu governo foi oficialmente reconhecido pela China, que na altura exercia uma forte influência política na região.
Gia Long tinha como objetivo consolidar o seu poder através de uma capital majestosa, digna da sua posição. Por isso, pediu a geomancistas — especialistas em ciências tradicionais que estudavam a relação entre a paisagem, a energia e a construção — que escolhessem o melhor local para erguer a nova sede do império. A escolha recaiu sobre Huế, uma região que combinava características geográficas favoráveis e uma posição estratégica segura. O imperador deixou claro que queria um complexo inspirado na Cidade Proibida de Pequim, mas adaptado à escala e à realidade do seu próprio país.
As obras começaram ainda em 1804, com um esforço colossal: dezenas de milhares de trabalhadores foram mobilizados para construir as primeiras muralhas e o fosso, que, na totalidade, somavam cerca de 10 km de extensão. Inicialmente, as muralhas eram feitas apenas de terra compactada, mas com o tempo foram substituídas por estruturas de pedra, com cerca de 2 metros de espessura, muito mais resistentes e imponentes. Ao longo das décadas seguintes, os sucessores de Gia Long continuaram a expandir e a embelezar o espaço, adicionando novos palácios, templos, jardins e portões decorados com esculturas e motivos tradicionais.
Durante mais de um século e meio, a Cidade Imperial foi o centro político, cultural e religioso do Vietname. No auge do seu esplendor, já no início do século XX, a Cidade Proibida Púrpura contava com centenas de salas e edifícios, formando uma pequena cidade dentro da cidade. Apesar de já ter sofrido danos causados por fatores naturais — como a ação de térmitas e ciclones frequentes na região —, mantinha-se grandiosa e cheia de vida até à queda da monarquia.
O destino do complexo mudou drasticamente durante a Guerra do Vietname. Em 1968, no contexto da chamada Ofensiva do Tet, forças comunistas tomaram a cidade de Huế. Em resposta, ocorreram intensos bombardeamentos por forças norte-americanas e aliadas, que arrasaram a maior parte das construções históricas. Dos muitos edifícios que existiam, apenas alguns resistiram à destruição total: entre eles, o Templo Thai Hoa, o Templo Can Thanh, o Mieu e o Hieu Lam Cac, que são hoje os principais testemunhos preservados daquele passado glorioso.

Hoje, a Cidade Imperial de Huế é muito mais do que um conjunto de ruínas restauradas: é um símbolo da história, da cultura e da resiliência do povo vietnamita, atraindo visitantes de todo o mundo que querem conhecer de perto o brilho e a história dos tempos imperiais.

Phong Nha-Ke Bang: O paraíso cárstico do Vietname, Património Mundial da UNESCO

 

Parque Nacional de Phong Nha-Ke Bang
Património Mundial da UNESCO
Caverna de Tiên Sơn
Critérios(viii)
Referência951 en fr es
País Vietname
Coordenadas17° 32′ 00″ N, 106° 09′ 00″ L(Quang Binh, Vietname)
Histórico de inscrição
Inscrição2003
Nome usado na lista do Património Mundial

Phong Nha-Ke Bang é um parque nacional na província vietnamita de Quang Binh. O parque está 50 km a norte de Dong Hoi, 450 km a sul de Hanói, e foi reconhecido em 2003 como sítio de Património Mundial Natural pela UNESCO.[1] As formações cársticas do local evoluíram desde o Paleozoico (há cerca de 400 milhões de anos), e é a mais antiga grande área cárstica na Ásia. Sujeita a enormes alterações tectónicas, a paisagem cárstica do parque é extremamente complexa com muitas características geomorfológicas de considerável significado. A vasta área, estendendo-se até à fronteira Laos-Vietname, contém espetaculares formações, incluindo 65 km de cavernas e rios subterrâneos.

Foi reconhecido património mundial, aquando da 27.ª sessão plenária do Comité internacional do património mundial da UNESCO, realizada entre 30 de junho e 5 de julho de 2003 em Paris. O parque nacional de Phong Nha-Kẻ Bàng foi reconhecido pela UNESCO pois "apresenta um número impressionante de testemunhos da história da Terra" e "situa-se num sítio de importância considerável para melhorar os nossos conhecimentos da história geológica, geomorfológica e geocronológica da região". O parque figura entre uma lista de 174 bens naturais repartidos nos 186 estados que têm ratificado a convenção do património mundial da UNESCO.[2]

Em abril de 2009, investigadores britânicos descobriram a maior caverna do mundo no Vietname, chamada "Seu Dông". De acordo com o jornal The Daily Telegraph, a cavidade teria 200 metros por 150 metros, ou seja duas vezes as dimensões da maior caverna descoberta antes desta, situada na Malásia. É uma caverna com 6,5 km de comprimento. Os exploradores identificaram em Phong Nha-Ke Bàng um total de 20 cavidades, com comprimento acumulado de cerca de 36 km, levando o número de sítios espeleológicos da região para 150. O sistema das cavernas de Phong Nha estende-se por um comprimento total de 62 km, de acordo com o novo número fornecido pelos exploradores britânicos.[3][4]

O território do parque é uma das duas maiores regiões de pedra calcária do mundo e o sítio tem várias centenas de cavernas e grutas. Os corredores subterrâneos longos são adornados com estalactites e estalagmites..[1][5] Em 2005, uma nova espécie de lagartixa foi descoberta aqui.[6]

As cavernas

No sistema de grutas do Parque Nacional de Phong Nha-Ke Bang, no Vietname fica aquela que é considerada a maior do mundo. Um túnel liga a gruta de Son Doong a outra, conhecida como Hang Thung, também enorme.

A gruta de Son Doong conta com um total de 38,5 milhões de metros cúbicos de água. Quando for reconhecida oficialmente a ligação à de Hang Thun, estaremos a falar de um volume de 1,6 milhões de metros cúbicos de água adicionais.[7]

Turismo

O parque é acessível pela estrada (estrada 1A ou pela estrada de Ho Chi Minh e está a 450 km a sul de Hà Nội, 50 quilómetros a norte de Dong Hoi e a 210 km de Huế); por via férrea é servido pela estação de Đồng Hới; por via aérea graças ao Aeroporto de Dong Hoi (aeroporto internacional Nội Bài em Hà Nội e Aeroporto Internacional Tan Son Nhat na cidade de Ho Chi Minh até ao verão de 2009). O número de turistas aumentou consideravelmente desde que o parque foi classificado pela UNESCO.[8]

Referências

Bibliografia

  • Anon. (1993). Management plan of Phong Nha Nature Reserve Quang Binh province. Unpublished report to Ministry of Forestry, Hanoi.
  • Cao Văn Sung & Le Quy An (eds.). (1998). Environment and Bioresources of Vietnam. Gioi Publishers, Hanoi.
  • Eames J. C., Lambert F. R. and Nguyen Cu. (1995). Rediscovery of the Sooty Babbler Stchyris herberti in central Vietnam. Bird Conservation International. 5: 129- 135.
  • Le Xuan Canh, Truong Van La, Dang thi Dap, ho Thu Cuc, Ngo Anh Dao, Nguyen Ngoc Chinh, Vu Van Dung, Pham Hnat, Nguyen Tahia Tu, Nguyen Quoc Thang and Tran Minh Hien. (1997). A report of field surveys on Biodiversity in Phong Nha Ke Bang forest (Quang Binh Province, central Vietnam). IEBR / FIPI / Forestry College / University of Vinh / WWF Indochina Programme. Unpublished.
  • Nadler, T. (1996-1997). Black langur rediscovered. Asian Primates 6 (3 & 4): 10-12.
  • Nguyen Binh. (1961). Brief Introduction of Mountainous Minority People of Quang Binh Province. Ethnology 23, Hanoi.
  • Nguyen Quang My and Howard Limbert. (1993). Tropical Karst in Vietnam. Hanoi University.
  • Nguyen Quang My & Limbert, Howard. (2002). Ky Quan Hang Dong Vietnam (The Wonders of Vietnamese Caves). Trung Tam Ban Do Va tranh Anh Giao Duc, Hanoi.
  • Nguyen Quoc Loc, (1984). The Minority Ethnic Groups of Binh Tri Thien Province. Thuan Hoa Publishing House.
  • Nguyen Xuan Dang, Pham Nhat, Pham Trong Anh, Hendrichsen, D. K. (1998). Ket qua dieu tra nghien cuu khu he thu o Phang Nha - Ke Bang (survey results of fauna in Phong Nha-Ke Bang). FFI Indochina Programme/IEBR, Hanoi. In Vietnamese.
  • Ovel, C. and Nguyen Thi Dao. (1998). LINC: linking Him Namno and Phong Nha through parallel conservation: phase 1 Phong Nha Ke-Bang Nature Reserve, Vietnam Draft project document. WWF Indochina Programme, Hanoi.
  • Pham Khang. (1985). The development of karst landscapes in Vietnam. Acta Geologica Polonica. 35 (3-4). pp 305–319.
  • Pham Nhat, Do Tuoc and Truong Van La. (1996-1997). Preliminary Survey for the Hatinh Langur in north-central Vietnam. Asian Primates 6 (3 & 4): 13-17.
  • Lippold, L. K. (1993). Distribution and status of the Douc Langurs in Vietnam. Asian Primates 5 (1 & 2): 4-6.
  • Meijboom, M. & Ho Thi Ngoc Lanh. (2002). He Dong - Thuc Vat / O Phong Nha - Ke Bang Va Hin Namno. Phong Nha-Ke Bang National Park with WWF, Hanoi.
  • Pham Nat, Do Tuoc, Truon Van La. (1995). A survey for Hatinh Langur (Trachypithecus francoisi hatinhensis) in North Central Vietnam. WWF/PCT.
  • Timmins, R. J., Do Tuoc, Trinh Viet Cong and D. K. Hendrichson. (1999). Preliminary Assessment of the Conservation Importance and Conservation Priorities of the Phong Nha-Ke Bang Proposed National Park, Quang Binh Province, Vietnam. Fauna and Flora International - Indochina Programme, Hanoi.
  • Wikramanayake, E.D. et al. (2002). Terrestrial Ecoregions of the Indo-Pacific: A conservation Assessment. Island Press, New York. ISBN 1-55963-923-7

Phong Nha-Ke Bang: O paraíso cárstico do Vietname, Património Mundial da UNESCO

O Parque Nacional de Phong Nha-Ke Bang está situado na província de Quang Binh, região centro do Vietname, com uma localização estratégica: fica a 50 km a norte da cidade de Dong Hoi, a 450 km a sul da capital Hanói e a 210 km de Hué, uma das cidades históricas mais importantes do país. Estende-se até à fronteira entre o Vietname e o Laos, numa vasta área que abriga uma das mais extraordinárias paisagens geológicas do planeta. Em 2003, durante a 27.ª sessão plenária do Comité Internacional do Património Mundial da UNESCO, realizada em Paris entre 30 de junho e 5 de julho, o parque foi oficialmente reconhecido como Sítio de Património Mundial Natural, integrando a lista de 174 bens naturais protegidos por esta convenção, ratificada por 186 países. A distinção deve-se ao seu valor científico inestimável: segundo a avaliação da UNESCO, o local “apresenta um número impressionante de testemunhos da história da Terra” e é fundamental para aprofundar o conhecimento sobre a evolução geológica, geomorfológica e geocronológica de toda a região do Sudeste Asiático.

Formação geológica: 400 milhões de anos de história

As formações cársticas de Phong Nha-Ke Bang são as mais antigas de grande escala em toda a Ásia, tendo a sua evolução iniciado-se ainda no período Paleozoico, há cerca de 400 milhões de anos. Ao longo de milénios, a região foi submetida a intensas alterações tectónicas, que moldaram uma paisagem extremamente complexa, repleta de características geomorfológicas únicas e de grande significado científico. O território do parque corresponde a uma das duas maiores regiões de pedra calcária do mundo, um material que, ao ser desgastado pela água e pelo vento, deu origem a centenas de cavernas, grutas, rios subterrâneos, vales e formações rochosas espetaculares. Até ao momento, foram mapeados cerca de 65 km de sistemas de cavernas e cursos de água subterrâneos, com detalhes que revelam cada etapa da transformação da crosta terrestre ao longo de milhões de anos.
Um dos elementos mais fascinantes desta geologia é a decoração natural dos corredores subterrâneos: estalactites que pendem dos tetos, estalagmites que crescem do chão, colunas rochosas, cortinas de pedra e outras formações minerais, todas formadas pela deposição lenta de minerais dissolvidos na água que se infiltra nas rochas. Cada uma destas estruturas é um registo silencioso do tempo e das condições ambientais que existiram ao longo das eras.

O sistema de cavernas: a maior caverna do mundo e outras maravilhas

O património espeleológico de Phong Nha-Ke Bang é sem paralelo no mundo. Antes de 2009, já se conheciam cerca de 150 sítios com cavidades na região, mas uma descoberta feita em abril desse ano por uma equipa de investigadores britânicos mudou a perceção global do local: a caverna de Son Doong (ou Seu Dông), reconhecida oficialmente como a maior caverna do planeta.
De acordo com informações do jornal The Daily Telegraph, a cavidade principal tem dimensões impressionantes: cerca de 200 metros de altura por 150 metros de largura, o dobro das medidas da caverna que era considerada a maior do mundo até então, localizada na Malásia. O seu comprimento total é de 6,5 km, e o volume de água que pode armazenar chega a 38,5 milhões de metros cúbicos. Além disso, os exploradores descobriram que existe um túnel que liga Son Doong a outra cavidade igualmente gigantesca, a Hang Thung; quando esta ligação for formalmente reconhecida, o volume total de água do sistema aumentará em mais 1,6 milhões de metros cúbicos.
Além de Son Doong, os cientistas já identificaram 20 cavidades principais no parque, com um comprimento acumulado de aproximadamente 36 km. O sistema completo de cavernas de Phong Nha, por sua vez, estende-se por cerca de 62 km, de acordo com os dados mais recentes levantados pelas equipas de exploração. Cada caverna tem características próprias: algumas são atravessadas por rios subterrâneos com águas cristalinas, outras têm salões com dimensões de catedrais, e há ainda aquelas que abrigam ecossistemas inteiros, com espécies que não existem em nenhum outro lugar do mundo.

Biodiversidade: um refúgio de espécies raras e novas descobertas

Para além da sua riqueza geológica, Phong Nha-Ke Bang é um santuário de biodiversidade. A combinação entre a paisagem cárstica, as florestas tropicais que cobrem a superfície e os ambientes úmidos e escuros das cavernas cria condições ideais para o desenvolvimento de uma fauna e flora diversificada, incluindo espécies endémicas, raras ou ainda desconhecidas da ciência.
Um exemplo marcante aconteceu em 2005, quando investigadores descobriram uma nova espécie de lagartixa na região, um achado que reforça a importância do parque como área de conservação e de investigação científica. Muitas outras espécies de anfíbios, répteis, insetos, aves e mamíferos vivem nas florestas e nos espaços subterrâneos do parque, algumas delas adaptadas de forma exclusiva às condições especiais do ambiente cárstico.

Turismo: acesso e crescimento sustentável

Desde que foi reconhecido pela UNESCO, o número de visitantes a Phong Nha-Ke Bang aumentou de forma significativa, atraindo turistas de todo o mundo que procuram conhecer as suas maravilhas naturais. O acesso ao parque é fácil e pode ser feito por várias vias:
  • Por estrada: através da Estrada Nacional 1A ou da Estrada de Ho Chi Minh, que liga as principais cidades do Vietname;
  • Por via férrea: com paragem na estação de Dong Hoi, a cidade mais próxima;
  • Por via aérea: até ao Aeroporto de Dong Hoi, que recebe voos a partir de Hanói (Aeroporto Internacional Nội Bài) e da Cidade de Ho Chi Minh (Aeroporto Internacional Tan Son Nhat), ligações que foram ampliadas a partir do verão de 2009 para atender à procura turística.
As atividades oferecidas aos visitantes incluem passeios de barco pelos rios subterrâneos, caminhadas pelas trilhas da floresta, exploração de cavernas com guias especializados e observação da natureza. Para preservar o património único do parque, as visitas são regulamentadas, com regras rigorosas para evitar danos às formações rochosas e aos ecossistemas locais.
Phong Nha-Ke Bang é muito mais do que um destino turístico: é um livro aberto sobre a história da Terra, um laboratório vivo para a ciência e um tesouro natural que deve ser protegido para as gerações futuras. A sua combinação de geologia milenar, paisagens espetaculares e biodiversidade rara faz dele um dos locais mais extraordinários do planeta.

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