Rua Marechal Deodoro, Curitiba, em 1948. Logo adiante da esquina, a Praça Zacarias. (Foto: Arquiv o Público do Paraná)
CURITIBA E PARANA EM FOTOS ANTIGAS
fotos fatos e curiosidades antigamente O passado, o legado de um homem pode até ser momentaneamente esquecido, nunca apagado
quarta-feira, 22 de abril de 2026
Soldados do 6º Regimento de Artilharia de Curitiba, marcham no descampado da então Praça da República, em 1902. Mais tarde, o local recebe o nome de Praça Rui Barbosa. (Foto: Arquivo Público do Paraná)
Soldados do 6º Regimento de Artilharia de Curitiba, marcham no descampado da então Praça da República, em 1902. Mais tarde, o local recebe o nome de Praça Rui Barbosa. (Foto: Arquivo Público do Paraná)
Manoel Martins de Abreu Nascido a 10 de janeiro de 1855 (quarta-feira) - Portugal Falecido a 6 de abril de 1925 (segunda-feira) - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, com a idade de 70 anos
Manoel Martins de Abreu Nascido a 10 de janeiro de 1855 (quarta-feira) - Portugal Falecido a 6 de abril de 1925 (segunda-feira) - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, com a idade de 70 anos
Manoel Martins de Abreu: O Português que Finca Raízes no Sul do Brasil e Constrói uma Dinastia de Amor e Trabalho
Há nomes na história que não gritam por atenção, mas sussurram através de gerações, ecoando nas paredes de casas antigas, nos livros de registro civil e na memória silenciosa de quem carrega seu sangue. Manoel Martins de Abreu é um desses nomes. Nascido em 10 de janeiro de 1855, em Portugal, sob o céu frio do inverno europeu, ele chegou ao mundo com o destino já traçado por forças maiores: atravessar o oceano, vencer a distância e plantar no Paraná uma árvore genealógica que jamais pararia de crescer.
As Raízes e o Silêncio dos Irmãos
Filho de Pedro Martins de Abreu e de Maria Martins, Manoel carregava no sobrenome a herança de uma terra que, na segunda metade do século XIX, via seus filhos partirem em busca de horizontes mais promissores. Os registros sobre seus irmãos permanecem velados pelo tempo, como tantas histórias que o Atlântico guardou consigo. Não há nomes, nem datas, nem memórias documentadas de irmãos que o tenham acompanhado na infância portuguesa. Talvez tenham ficado para trás, talvez tenham seguido outros rumos, ou talvez a própria história tenha poupado apenas o nome daquele que se tornaria a ponte entre dois continentes. O que se sabe, com a certeza que os documentos emprestam, é que Manoel partiu sozinho, mas não vazio. Levava no peito a coragem de quem aceita o desconhecido e a promessa tácita de que seu nome não se perderia.
A Travessia e a Chegada ao Brasil
Era 1869. Com apenas 14 anos, Manoel Martins de Abreu desembarcava no Brasil. A idade exata fala por si: um adolescente diante de um país em formação, com sotaques diferentes, costumes em adaptação e uma terra vasta que exigia mais do que força física; exigia resiliência. Ele não trouxe fortunas, mas trouxe disciplina. Aos poucos, o menino português foi se transformando em homem de negócios. Estabeleceu-se em Curitiba, cidade que na época já pulsava com o comércio de tropeiros e o início da urbanização. Na Rua XV de Novembro, número 58, fundou a Casa Abreu & Cia. O prédio não era apenas um estabelecimento comercial; era o coração da família. No térreo, as mercadorias, as negociações, o peso da responsabilidade. No andar superior, a vida doméstica: risadas, estudos, jantares à luz de lamparinas e o calor de um lar que ele mesmo construíra do zero.
O Primeiro Amor e a Prova da Dor
Em 23 de maio de 1883, sob as abóbadas da Igreja Nossa Senhora da Luz da Catedral, em Curitiba, Manoel uniu-se em matrimônio a Escolástica Gonçalves. Ela nascera em 1857, trazia consigo a juventude e a promessa de um futuro compartilhado. Juntos, tiveram quatro filhos: Abílio, nascido em 1884; Lydia, em 1885; Maria Mercedes, em 1886; e Esther, em 1888. Foram anos de construção, de batismos na Catedral, de primeiros passos, de orgulho paternal. Mas a vida, em sua sabedoria cruel, ensina que a luz e a sombra caminham juntas. Em 21 de maio de 1890, Escolástica partiu. Manoel, então com 35 anos, viu-se viúvo, com quatro crianças pequenas nos braços e o coração em pedaços. A dor da perda é um fardo que não se explica, só se carrega. E ele a carregou com dignidade, sem permitir que o luto paralisasse o dever de pai e de homem público.
O Segundo Casamento: A Renovação da Vida
O tempo não cura, mas ensina a conviver. E em 4 de setembro de 1892, na cidade da Lapa, Manoel encontrou novamente o caminho do amor. Casou-se com Maria Joanna da Cunha Braga, nascida em 1868, vinte anos mais nova, mas com a mesma força silenciosa que ele admirava. O casamento não apagar a memória de Escolástica; pelo contrário, honrou-a ao permitir que o lar continuasse vivo, cheio, em movimento. Com Maria Joanna, Manoel viveu uma segunda primavera familiar. Entre 1893 e 1906, nasceram onze filhos: João, Rosa, Margarida, Maria da Luz, Helena, Olívia, Alice (também chamada de Isabel), Stella, Mário, Guida e Lulu. Cada nascimento era uma nova promessa. Cada batismo, na Igreja Matriz de Santo Antônio ou na Catedral de Curitiba, era uma celebração da continuidade. A casa na Rua XV de Novembro, antes silenciosa após a partida de Escolástica, voltou a respirar com vozes de crianças, com passos apressados nos corredores, com mãos que se cruzavam nas refeições e nos deveres da escola.
Guida e Lulu, cujos registros não revelam a duração de suas vidas, lembram que a maternidade e a paternidade também são feitas de brevidade e de saudade. Mas mesmo os que partiram cedo deixaram sua marca no tecido da família. Já os que viveram longos anos, como Olívia (1899-1985) e Mário (1906-1981), tornaram-se testemunhas do século que mudava, das guerras, das transformações, do progresso. Eles carregaram o sobrenome Abreu com a mesma honra com que o pai o ergueu.
O Homem Público e o Benfeitor
Manoel Martins de Abreu não foi apenas um comerciante bem-sucedido. Foi um pilar da sociedade curitibana. Presidente da Junta Comercial de Curitiba, sócio principal da firma Abreu & Companhia e Provedor da Santa Casa de Misericórdia, ele entendeu que a riqueza não se mede em contabilidade, mas em serviço. Ser Provedor da Santa Casa significava cuidar dos doentes, dos órfãos, dos desamparados. Significava olhar nos olhos de quem não tinha nada e oferecer abrigo, remédio, dignidade. Sua atuação na Junta Comercial fortaleceu o comércio local, ajudou a organizar as regras que sustentavam o crescimento da cidade. Ele não buscava aplausos; buscava ordem, justiça e progresso. E nessa missão, encontrou um propósito maior que o lucro.
A Árvore que Floresceu: Filhos, Genros e Netos
A vida de Manoel foi testemunha de uma expansão que poucos patriarcas podem reivindicar. Viu a filha Lydia casar-se com Gabriel Nunes Pires em 1907, e com ela vieram os netos Guilherme e Manoel (que partiu ainda bebê, em 1909), além de Lucy, do natimorto de 1916 e de Gastão, nascido em 1920. Viu o filho Abílio unir-se a Gertrudes de Almeida, dando origem a Ernani e Ophélia. Viu Olívia casar-se com Othon Martim Mäder no Rio de Janeiro em 1920, e com ela nasceram Regina Maria e Luiz Renato. Viu Mário encontrar Denise Lombardi de Abreu em São Paulo, em 1940, e ver nascer Paulo, que por sua vez daria continuidade à linhagem. Cada casamento era uma nova aliança, cada nascimento um novo nó na teia que ele ajudou a tecer. Os sobrenomes Pires, Mäder, Almeida, Alcântara, Munhoz, Lombardi e Krein entrelaçaram-se ao Abreu, não por acaso, mas por escolha, por amor, por destino.
O Adeus no Rio de Janeiro
Em 6 de abril de 1925, uma segunda-feira de outono, Manoel Martins de Abreu partiu para o descanso eterno no Rio de Janeiro, aos 70 anos. Longe das ruas de paralelepípedo de Curitiba, longe do balcão da Casa Abreu & Cia, longe dos sinos da Catedral que o viram casar-se duas vezes. Mas a geografia da morte não apaga a geografia da vida. Seu corpo pode ter descansado em solo carioca, mas sua alma permaneceu enraizada no Paraná, nos rostos dos filhos, nas mãos dos netos, nas histórias que se contariam à mesa por décadas.
Ele não deixou um império de ouro, deixou um império de gente. Não deixou discursos, deixou exemplos. Não deixou monumentos de pedra, deixou uma linhagem que atravessou o século XX e segue viva no século XXI.
Epílogo: O Legado que Não se Apaga
Manoel Martins de Abreu foi um homem de seu tempo, mas transcendido por ele. Português que se fez brasileiro. Viúvo que soube amar novamente. Comerciante que entendeu a caridade. Pai que não mediu esforços para ver os filhos e netos caminharem. Sua história não está presa a arquivos empoeirados; está no pulso de quem carrega seu sangue, na resistência de quem enfrenta a vida com a mesma dignidade com que ele enfrentou a dor, a distância e o trabalho.
Quando se pronuncia seu nome, não se fala apenas de um homem nascido em 1855. Fala-se de um pioneiro, de um alicerce, de um amor que não se rendeu à perda, mas que se multiplicou na coragem de recomeçar. Ele chegou ao Brasil com 14 anos e 14 anos de coragem. Saiu desta vida com 70 anos e um legado imortal. E enquanto houver um Abreu, um Pires, um Mäder, um Almeida ou um Krein que se lembre de onde veio, Manoel Martins de Abreu continuará vivo. Não como memória, mas como raiz. Não como história, mas como verdade.
5 ficheiros disponíveis |
Pais
Casamento(s) e filho(s)
- Casado a 23 de maio de 1883 (quarta-feira), Igreja Nossa Senhora da Luz da Catedral, Curitiba, Paraná, Brasil, com Escolástica Gonçalves 1857-1890 tiveram
Abílio Martins de Abreu 1884-ca 1968
Lydia Martins De Abreu 1885-1967
Maria Mercedes Martins de Abreu 1886-
Esther de Abreu 1888-
- Casado a 4 de setembro de 1892 (domingo), Lapa, Paraná, Brasil, com Maria Joanna da Cunha Braga 1868- tiveram
João Braga de Abreu 1893-
Rosa de Abreu 1894-
Margarida de Abreu 1896-
Maria Da Luz de Abreu 1897-
Helena Braga de Abreu ca 1898-
Olívia Braga de Abreu 1899-1985
Alice (Isabel) Braga de Abreu, mére ca 1901-
Stella Braga de Abreu 1904-
Mário Braga de Abreu 1906-1981
Guida de Abreu †
Lulu de Abreu †
| (esconder) |
Acontecimentos
| 10 de janeiro de 1855 : | Nascimento - Portugal |
| --- : | Personality and Interests Manoel foi presidente da Junta Comercial de Curitiba, sócio principal da firma Abreu & Companhia e Provedor da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba/PR. |
| --- : | Personality and Interests Extraímos da página Fígaro Loja de Cultura Sebo e Antiquário./facebook, que Manoel Martins de Abreu veio para o Brasil aos 14 anos de idade, em 1869, tendo sido comerciante e proprietário da Casa Abreu & Cia, localizada na Rua XV de Novembro, n. 58, residindo a família na parte superior do referido prédio, o qual ainda existia em 2006. |
| 23 de maio de 1883 : | Casamento (com Escolástica Gonçalves) - Igreja Nossa Senhora da Luz da Catedral, Curitiba, Paraná, Brasil |
| 4 de setembro de 1892 : | Casamento (com Maria Joanna da Cunha Braga) - Lapa, Paraná, Brasil |
| 6 de abril de 1925 : | Morte - Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil |
Fontes
- Pessoa: JOAQUIM FLORIANO ESPÍRITO SANTO - Family Espirito Santo Web Site (Smart Match)
Fotos e Registos de Arquivo

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P517410 96 128

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5 ficheiros disponíveis
Árvore genealógica (visão geral)
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185510 jan.
Nascimento
Portugal
188323 maio
28 anos
188423 mar.
29 anos
Nascimento de um filho
18853 ago.
30 anos
Nascimento de uma filha
Baptismo a 7 de março de 1886 (Catedral, Curitiba, Parana, Brasil)
188624 set.
31 anos
Nascimento de uma filha
cerca1886
~ 31 anos
Casamento de um filho
188820 jul.
33 anos
Nascimento de uma filha
189021 maio
35 anos
Morte do cônjuge
18924 set.
37 anos
Casamento
189315 jul.
38 anos
Nascimento de um filho
Baptismo a 18 de setembro de 1893 (Igreja Matriz da Paróquia de Santo Antonio, Lapa, Paraná, Brasil)
18942 nov.
39 anos
Nascimento de uma filha
189620 jul.
41 anos
Nascimento de uma filha
Baptismo a 8 de setembro de 1896 (Curitiba, Paraná, Brasil)
189718 ago.
42 anos
Nascimento de uma filha
Baptismo a 10 de outubro de 1897 (Curitiba, Paraná, Brasil)
cerca1898
~ 43 anos
Nascimento de uma filha
18996 jul.
44 anos
Nascimento de uma filha
Baptismo a 12 de novembro de 1899 (Curitiba, Paraná, Brasil)
cerca19012 jul.
~ 46 anos
Nascimento de uma filha
190415 fev.
49 anos
Nascimento de uma filha
190625 abr.
51 anos
Nascimento de um filho
Baptismo a 17 de junho de 1906 (Curitiba, Paraná, Brasil)
190724 out.
52 anos
Casamento de uma filha
190931 maio
54 anos
Nascimento de um neto
190931 maio
54 anos
Nascimento de um neto
190920 jun.
54 anos
Morte de um neto
cerca1910
~ 55 anos
Nascimento de um neto
191331 mar.
58 anos
Nascimento de uma neta
191327 ago.
58 anos
Nascimento de uma neta
19167 fev.
61 anos
Nascimento de um neto
19167 fev.
61 anos
Morte de um neto
192025 maio
65 anos
Casamento de uma filha
192029 dez.
65 anos
Nascimento de um neto
19256 abr.
70 anos
Antepassados de Manoel Martins de Abreu
| Pedro Martins de Abreu † | Maria Martins † | ||
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Manoel Martins de Abreu 1855-1925
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Descendentes de Manoel Martins de Abreu
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