quinta-feira, 23 de julho de 2026

Curitiba e o Paraná no Início dos Anos 1960: Um Retrato Completo de Política, Sociedade e Cultura

 Curitiba e o Paraná no Início dos Anos 1960: Um Retrato Completo de Política, Sociedade e Cultura




Curitiba e o Paraná no Início dos Anos 1960: Um Retrato Completo de Política, Sociedade e Cultura

As páginas que aqui se reúnem formam um arquivo vivo e indispensável da história curitibana e paranaense, capturando o pulso de uma sociedade em plena transformação, na virada da década de 1950 para os anos 1960. Em cada registro — desde a poesia íntima até as campanhas eleitorais, passando por festas familiares, grandes eventos nacionais e perfis de personalidades — desenha-se o quadro completo de uma capital e um estado que cresciam mantendo vivas as suas raízes, ao mesmo tempo em que abriam caminho para a modernidade.

I. Luto, Memória e Expressão Literária

A abertura da publicação traz uma nota de profunda comoção: o falecimento de Santos, “a memória de nossa querida, extinto na aurora da manhã”. Em seguida, um poema assinado por Valfrido Piloto, datado de maio de 1960, eleva a perda à reflexão sobre a vida e a eternidade do sentimento:
“Peregrino, fiel e serenamente tempo, / num ritmo rápido e num passo lento. / Da luz a auréola e a sombra mata o tempo, / e o tempo mata tudo, menos o sentimento. / Dizem que o tempo apaga tudo, / mas não apaga o amor que é nosso. / (...) / E é que viver é amar, sofrer, e a alma, a homem, / que se queixa e que sofre, é também quem ama.”
Este texto revela como a literatura e a sensibilidade ocupavam espaço importante na vida social da época, servindo de linguagem para os sentimentos coletivos e pessoais em Curitiba.

II. Política e Projetos para o Futuro do Paraná

Ainda na mesma página, a política surge como um dos eixos centrais da vida pública, com a apresentação da candidatura de Plínio Franco Ferreira da Costa ao governo do Estado. Conhecido como “o salvador das finanças do Estado”, ele é apresentado como a liderança capaz de reorganizar a economia paranaense, com base em princípios que resumiam o ideal de gestão da época:
  • Tradição e cultura;
  • Honestidade e espírito público;
  • Competência administrativa;
  • União em vez de divisão.
O texto destaca que “valores se vão subordinando aos interesses de uns”, e defende a necessidade de um governo que sirva a todos, reforçando a confiança na sua trajetória de serviços prestados ao longo de gerações. Trata-se de um testemunho importante das disputas e expectativas políticas que antecederam as grandes transformações vividas no Paraná nos anos seguintes.

III. Vida Familiar e Afeto: O Primeiro Aniversário de Paulo Roberto

A publicação volta-se então para a intimidade e os laços que alicerçavam a sociedade curitibana, com o registro do primeiro aniversário de Paulo Roberto. Nas fotografias e no texto, percebe-se o valor dado à família como centro da vida:
“Na bela e moderna residência dos pais, na rua Doutor Manoel Alves, teve lugar a significativa cerimônia do primeiro aniversário de Paulo Roberto, que foi alvo de inúmeras e singelas demonstrações de carinho por parte de seus parentes e amigos.”
A ocasião reuniu gerações e mostrou como, mesmo em meio a mudanças, as tradições domésticas e os encontros afetivos permaneciam como pontos de referência essenciais na cidade.

IV. Beleza, Moda e Projeção Nacional: O Concurso no Maracanãzinho

Um dos eventos mais expressivos da cultura da época aparece nas páginas seguintes: o Show de Beleza na Passarela do Maracanãzinho, que reuniu vinte e três candidatas representando todos os estados do Brasil. O concurso representava muito mais do que estética: era uma forma de cada unidade federativa se fazer conhecida e valorizada nacionalmente. Destaques marcantes para o Paraná:
  • Gina Margherone, eleita Miss Brasil;
  • Marilu Marcondes, Miss Estado do Paraná;
  • Marilúcia Kussemake, também representante paranaense;
  • Ao lado de outras vencedoras como Miss São Paulo, Miss Bahia e Miss Pernambuco.
As imagens dos desfiles mostram a elegância da moda feminina do período — vestidos de tecidos leves, modelagens que valorizavam a silhueta e uma postura que combinava charme e dignidade. A vitória de uma representante paranaense foi motivo de grande orgulho e festa em todo o estado, demonstrando a importância que esses eventos tinham na projeção da identidade regional.

V. O Perfil da Mulher: Eveli Maria Cicarine, “Miss de Hoje”

Dentro desse universo, ganha destaque o retrato de Eveli Maria Cicarine, escolhida como “Miss de Hoje”. Natural de Curitiba, ela personifica o ideal de formação feminina valorizado naquele momento:
  • Formada no Colégio Nossa Senhora do Sion;
  • Primeira Miss Paraná Previcred;
  • Cultiva a leitura, a pintura e a música, tanto erudita quanto popular e folclórica;
  • Defende a importância da inteligência, da educação e da preservação dos valores familiares;
  • É descrita como “equilibrada, expansiva, dedicada”.
Seu perfil sintetiza o que se esperava da mulher da época: instruída, elegante, ligada às raízes e capaz de representar a sociedade com dignidade e cultura.

VI. Fé e Tradição: O Casamento Lucas – Oliveira

A última página fecha o ciclo com o registro de uma das solenidades mais importantes da vida social e religiosa: o casamento entre as famílias Lucas e Oliveira. Celebrado na Capela de Nossa Senhora da Conceição, com a presença de autoridades religiosas, familiares e amigos ilustres, a cerimônia reflete a forte presença da Igreja Católica na vida pública e privada de Curitiba. As fotografias mostram os trajes tradicionais, a decoração e a pompa que marcavam essas uniões, entendidas como compromissos que uniam não apenas duas pessoas, mas duas linhagens e toda uma comunidade.

Conclusão: Uma Época em Páginas

Juntando todos esses registros, temos um painel inestimável da Curitiba e do Paraná do início dos anos 1960:
  • Uma cidade que preservava a poesia e a memória;
  • Que debatia política com paixão e responsabilidade;
  • Que colocava a família no centro da vida;
  • Que se orgulhava de suas representantes em eventos nacionais;
  • Que formava suas mulheres com cultura e valores sólidos;
  • E que mantinha a fé e a tradição como guias.
Estas páginas não são apenas notícias isoladas: são o testemunho de uma identidade que se construía dia a dia, onde o passado e o futuro caminhavam juntos, moldando a Curitiba e o Paraná que conhecemos hoje.









Proença-a-Nova é uma vila portuguesa do distrito de Castelo Branco, região Centro, integrando a sub-região do Pinhal Interior Sul e a Diocese de Portalegre e Castelo Branco. A vila conta com cerca de 8 mil habitantes, enquanto o município ocupa 395,40 km² e registou 7 167 habitantes em 2021, divididos em quatro freguesias. Faz fronteira com Oleiros, Castelo Branco, Vila Velha de Ródão, Mação e Sertã.

 

Proença-a-Nova
Proença-a-Nova
Brasão de Proença-a-NovaBandeira de Proença-a-Nova
Localização de Proença-a-Nova
Gentílicoproencense
Área395,40 km²
População7 167 hab. (2021)
Densidade populacional18,1  hab./km²
N.º de freguesias4
Presidente da
câmara municipal
João Lobo (PS) (2025-2029)
Fundação do município
(ou foral)
1242
Região (NUTS II)Centro
Sub-região (NUTS III)Pinhal Interior Sul
DistritoCastelo Branco
ProvínciaBeira Baixa
Orago
NªSrª da Assunção[1]
Feriado municipal13 de Junho
Código postal6150 Proença-a-Nova
Sítio oficialhttps://www.cm-proencanova.pt/

Proença-a-Nova é uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Castelo Branco, região Centro, sub-região do Pinhal Interior Sul e Diocese de Portalegre e Castelo Branco, com cerca de 8 000 habitantes.[2]

É sede do Município de Proença-a-Nova com 395,40km² de área[3] e 7 167 habitantes (2021),[4][5] subdividido em 4 freguesias.[6] O município é limitado a Norte pelo município de Oleiros, a Nordeste pelo de Castelo Branco, a Este pelo de Vila Velha de Ródão, a Sudoeste pelo de Mação e a Noroeste pelo da Sertã.

Freguesias

Freguesias do concelho de Proença-a-Nova.

O Município de Proença-a-Nova está dividido em 4 freguesias:

História

Toponímia

De grande antiguidade, chamaram-lhe Cortiçada, nos seus primeiros anos, nome que só no século XVI foi definitivamente abandonado em favor do actual. A justificação daquele não se afigura difícil, devendo relacionar-se com a abundante produção de cortiça ou elevado número de colmeias (também chamados cortiços) que, em tempos, foram de grande importância na região.

O topónimo Proença, por seu lado, suscita maiores dúvidas.[7] O sábio filólogo Leite de Vasconcelos opina que se relaciona com a «religião em geral», de proveniência francesa e outros autores aproveitaram a ideia para o filiar em Provença sem, no entanto, deixarem de observar que nada mais permite essa aproximação; é que nem há notícia de que os habitantes do velho país das Gálias tenham vindo fixar-se na Lusitânia, nem é de comparar regiões de características tão distintas.

Forais

«...nove légoas da villa do Crato para norte, e sete da villa de Castello Branco para o poente, está situada a villa de Proença, a quem deo foral El-Rey D. Afonso, o Terceiro. He povoação de 150 vizinhos».

— Padre C. da Costa, em Corografia Portuguesa.

Do longo período que medeia a presumível fundação da vila e a data do seu primeiro foral não há quaisquer notícias. Mas é facil imaginar o que terá sido a vida dos seus poucos habitantes: a pastorícia era a ocupação preponderante, tanto nos períodos de paz como naqueles em que as surtidas de povos rivais os obrigava a permanecer nos montes, fora do caminho dos contendores; a agricultura fazia-se nas terras baixas, férteis e de fácil irrigação; a caça, então muitíssimo abundante e variada, proporcionaria outro dos mais importantes meios de sustento. Frugais e reservados terão vivido isolados, em número restrito, não admirando que a povoação pouco tenha evoluido até ser doada aos Monges da ordem do Hospital. Estes, colaborando com os primeiros reis no esforço de repovoamento e estabilização das populações nos locais mais ricos e de maior importância estratégica, adoptaram diversas medidas, desde a criação de defesa de novas terras até à concessão de forais portadores de regalias de vária ordem, àquelas que os justificassem. E foi assim que, em 1244, o prior de Hospital, frei Rodrigo Egídio, deu a Proença-a-Nova o primeiro foral.

A aceitação deste foral, concedido a Proença-a-Nova, não é pacífica. Proposta por Franklim e desenvolvida pelo Padre Manuel Alves Catarino na sua valiosa monografia «Concelho de Proença-a-Nova», tem opositores em Pinho Leal e A. Costa que, por seu lado defendem a doação de foral feita por D. Afonso III em 1242. Américo Costa, no seu «Dicionário», depois de referir tal concessão pelo «Bolonhês», afirma: pretendem alguns que este foral se não refere a Proença-a-Nova, mas à «Quinta das Cortiçadas», lugar da freguesia de Fornelos, concelho de Santa Marta de Penaguião».

D. Manuel I reformou todos os forais, cabendo o Foral Novo a Proença-a-Nova em 1512.

Pormenor curioso do documento Manuelino é a designação de Proença-a-Nova, surgida logo em título: Foral dado a Vila Melhorada, que se chamava Cortiçada». Essa designação conservou-se durante algum tempo mas não vingou pois, em fins desse século já ninguém falava em Vila Melhorada mas, como hoje, em Proença-a-Nova.

Alterações Administrativas

Proença-a-Nova foi uma vigararia do Priorado do Crato, juntamente com as vigararias de Crato, Amieira do Tejo, Sertã e Belver.

Em 1789, o Priorado do Crato foi integrado na Casa do Infantado, criada por D. João IV, perdeu autonomia e os seus bens passaram definitivamente para os novos senhores em 1833, quando da extinção do Priorado. Mas foi por pouco tempo, pois logo em 1834 o Infantado foi extinto.

O concelho Proença-a-Nova passou, então, para o Distrito de Santarém e, em Novembro do ano seguinte para o de Castelo Branco, onde se manteve.

Até 1554, o concelho era constituido por uma só freguesia. Nesta data foi desmembrado e nasceu a de São Pedro do Esteval. Algum tempo mais tarde foi a vez de Peral ser elevada a idêntica categoria, também à custa de Proença.

Em meados do século XIX a área do concelho conheceu sucessivas alterações, motivadas pelos diveros ensaios de reorgaização administrativa que o governo promoveu. Assim, em 1837 foram-lhe anexadas as freguesias de Cardigos e Sobreira Formosa, cujos concelhos acabavam de ser extintos. No mesmo anos ou no ano seguinte, foram-lhe retiradas. Em 1838 foi a vez de Cimadas e Montinho das Cimadas deixarem de pertencer a Proença-a-Nova e passarem ao concelho de Vila de Rei; mas, também desta vez a ideia nao foi avante: o povo das duas povoações reclamou contra tal mudança alegando a distância a que ficava da nova sede e as dificuldades em atravessar as ribeiras que ficavam no caminho, sendo atendidos. Em 1855 o concelho de Sobreira Formosa foi extinto, outra vez, e de novo integrado no de Proença-a-Nova.

No ano de 1867 um curioso questionário superiormente apresentado aos dirigentes da Câmara e as respectivas respostas, permitem-nos uma visão bastante precisa da situação do concelho: «1º. deve o concelho ficar como está ou devem anexar-se-lhe algumas freguesias? Responderam que tinham fogos suficientes, misericórdia, botica, médico, que tinha bons edifícios públicos e particulares, boas fontes e largos, era muito central e cabeça de círculo cem para deputados. 2º. Quais os concelhos que se lhe devem anexar? Resposta: Vila de Rei e Oleiros, o 1º com 2310 fogos e o 2º com 2100. 3º. Qual deve ficar para sede de concelho e se é de fácil acesso? Responderam que devia ficar em Proença-a-Nova e que os principais ribeiros tinham pontes, e ficaria com 6450 fogos; 4º. Fica em Vila ou aldeia? Tem ente que saiba ler e escrever para os lugares públicos? Tem casa própria? Tem identidade de costumes? Responderam que tinha casa própria em Proença, que havia muita gente idónea para os cargos públicos, e que viviam na melhor das harmonias, etc. 5º. Devem anexar-se concelhos inteiros ou só freguesias? Resposta: para ficar com 6000 fogos concelhos inteiros, para ficar com 3 mil e tantos bastam as freguesias de Carvoeiro, Amêndoa, Cardigos e Ermida».[8]

Em fins de 1867 uma administração revolucionária, proposta por Fontes Pereira de Melo, extinguiu grande número de concelhos anexando-os a outros. Proença-a-Nova recebeu Belver, Mação, Envendos, Carvoeiro, Amêndoa, Vila de Rei, Fundada, São João do Peso, Cardigos, Isna. Mas essa reforma foi de tal modo recebida que o governo teve de demitir-se e, um mês depois, um Decreto dos novos governantes restabelecia a anterior divisão.

Finalmente, em 1896 foi-lhe tirada a freguesia de São Pedro do Esteval e anexada a de São João do Peso. Em 1898, mais uma vez a divisão foi alterada, saindo São João do Peso e regressando São Pedro do Esteval, mantendo-se invariável desde então (embora alguns, mais bairristas, tenham feito esforços desesperados para conseguir a anexação de Cardigos, muito justa, ao que dizem).

Invasões Francesas

O século XIX trouxe também a Proença-a-Nova os horrores da guerra com as Invasões Francesas.

Os súbditos de Napoleão chegaram em 1807, comandados pelo famigerado Loison e, na sua marcha em direcção a Abrantes atravessaram Proença, destruindo tudo o que os pobres moradores tinham nos seus lares. Eles, avisados, estavam escondidos nos montes vizinhos, inacessíveis e desconhecidos. Mesmo assim as barbaridades cometidas pelos franceses foram tais, que, dezenas de anos depois, ainda o povo se lembrava horrorizado.

Lutas Liberais

As lutas liberais vieram de seguida. Em Proença todos aceitavam o absolutismo, porque bem doutrinados desde o Senhorio da Ordem de Malta, ao Priorado do Crato, à Casa do Infantado. No entanto, ouvindo falar com exaltação da Liberdade, palavra que admirava sem compreender, o povo começou a agitar-se e decidiu-se pelo Liberalismo… Assim, quando em Maio de 1828 o general Visconde de São João da Pesqueira acampou na vila com o Regimento de Cavalaria 11 que levava em direcção a Coimbra para combater um grupo insurrecto, as tropas revoltaram-se, juntando-se aos revultosos. Ora, consta que a influência do povo de Proença foi decisiva para a resolução dos soldados de Cavalaria 11!

Vias de Comunicação

As comunicações eram praticamente inexistentes, podendo afirmar-se que até 1879, Proença-a-Nova esteve isolada do resto do país. Nesse ano construíu-se a Estrada n.º 12-1.ª, de macadame, que vinha da Sertã ao encontro da Estrada n.º 10 (de Abrantes a Castelo Branco) juntando-se perto do lugar de Vale D'urso. Em seguida abriram-se diversos caminhos entre as povoações do concelho e construiram-se novos pontões sobre as ribeiras da maior caudal.

Os Correios, em fase de grande expansão, também se regularizaram. A primeira medida nesse sentido surgiu em 1833 com a nomeação de um estafeta para a Sertã, encarregado de fazer uma expedição semanal às terças-feiras. Em 1837 o estafeta passou a servir Oleiros e Vila de Rei — além da Sertã e Proença-a-Nova — e tinha por sede São Pedro do Esteval onde passava o correio de Castelo Branco a Lisboa. Nesta data já a distribuição e recolha da correspondência se fazia duas vezes por semana. em 1876 o volume de correspondência acarretava grandes problemas ao sistema de distribuição praticado, tanto mais que se recebia da Sertã o que provinha do Norte e de Abrantes aquele que era originário de Lisboa e Castelo Branco. A Câmara requereu, por isso, a criação de uma delegação em Proença-a-Nova, mas não foi atendida. Em 1881 fez nova insistência pedindo, desta vez, um lugar de carteiro, o serviço permanente de mala-posta e a instalação da rede telegráfica. Esta veio a ser instalada em primeiro lugar, no ano de 1889, e a estação de correio no início do século XX.

Pessoas ilustres

Ver também a categoria: Naturais de Proença-a-Nova
  • Pedro da Fonseca (1528–1599) nascido em Proença-a-Nova, foi um filósofo e teólogo jesuíta, conhecido na sua época como o "Aristóteles Português". Era um mestre em grego e árabe cuja erudição lhe facultava uma linha de ideias próprias em relação a temas desenvolvidos por Tomás de Aquino e Aristóteles. As suas obras principais foram nas áreas da lógica e da metafísica.
  • Nilton (n. 1972), nasceu em Angola mas foi em Proença-a-Nova, terra de onde é natural parte da sua família, que passou a sua infância e adolescência. É humorista e apresentador de televisão.
  • Rodrigo Tavares (n. 1978) natural de Lisboa, é professor universitário, administrador de empresas e colunista na imprensa. Selecionado como Young Global Leader pelo Fórum Económico Mundial. A sua mãe e avós maternos são naturais de Proença-a-Nova.
  • Inês Cardoso (1975), jornalista e escritora. É diretora-geral editorial da Notícias Ilimitadas, a empresa proprietária do Jornal de Notícias, O Jogo, Jornal de Notícias História, sites NTV e Delas, Notícias Magazine, Volta ao Mundo, Evasões e também da TSF.

Geografia

Território

  • Área: 395,4 Km2
  • Densidade Populacional (2005): 23,2 Hab/Km2
  • Perímetro: 146 Km
  • Comprimento máximo - Norte-Sul: 34 Km
  • Comprimento máximo - Este-Oeste: 26 Km
  • Altitude Máxima: 951 m
  • Altitude Mínima: 125 m

Evolução da População do Município

Historical population
AnoPop.±%
18648 842    
18789 420+6.5%
189010 358+10.0%
190011 451+10.6%
191113 844+20.9%
192013 628−1.6%
193014 973+9.9%
194018 183+21.4%
195018 927+4.1%
196017 552−7.3%
197013 805−21.3%
198111 953−13.4%
199111 088−7.2%
20019 610−13.3%
20118 314−13.5%
20217 167−13.8%

De acordo com os dados do INE o distrito de Castelo Branco registou em 2021 um decréscimo populacional na ordem dos 9.3% relativamente aos resultados do censo de 2011. No município de Proença-a-Nova esse decréscimo rondou os 13.8%.

Número de habitantes por Grupo Etário ** [9]
1900191119201930194019501960197019811991200120112021
0-14 Anos40034548440551346084570349003290239418461177803591
15-24 Anos19222494226327462721343929862165174114261267763546
25-64 Anos4877551057296396737977907898629054355018427639863284
= ou > 65 Anos7428228921124123414521768208023832798289027622746

(Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto" (**), ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

Política

Presidentes Eleitos

  • 2025–2029: João Manuel Ventura Grilo de Melo Lobo (PS)[10]
  • 2021–2025: João Manuel Ventura Grilo de Melo Lobo (PS)[11]
  • 2017–2021: João Manuel Ventura Grilo de Melo Lobo (PS)[12]
  • 2013–2017: João Paulo Marçal Lopes Catarino (PS)
  • 2009–2013: João Paulo Marçal Lopes Catarino (PS)
  • 2005–2009: João Paulo Marçal Lopes Catarino (PS)
  • 2001–2005: Diamantino Ribeiro André (PPD/PSD)
  • 1997–2001: Diamantino Ribeiro André (PPD/PSD)
  • 1993–1997: Diamantino Ribeiro André (PPD/PSD)
  • 1989–1993: Diamantino Ribeiro André (PSD)
  • 1985–1989: Diamantino Ribeiro André (PSD)
  • 1982–1985: António José da Silva Sousa (CDS)
  • 1979–1982: António José da Silva Sousa (AD)
  • 1976–1979: João Luís Sequeira Grilo (CDS)

[13]

Eleições autárquicas [14]

Data%V%V%V%V%V%V%V%VParticipação

CDS-PP

PPD/PSD

FEPU/APU/CDU

AD

PS

PND

PSD-CDS

CH

1976

65,30424,0314,08-
53,87 / 100,00

1979

ADAD2,26-80,15515,18-
68,46 / 100,00

1982

62,76417,0011,85-12,57-
65,47 / 100,00

1985

79,2860,98-16,121
65,55 / 100,00

1989

18,86140,3420,78-35,842
68,32 / 100,00

1993

16,40140,6021,60-36,692
67,72 / 100,00

1997

5,33-44,8731,67-43,952
67,03 / 100,00

2001

14,85150,4931,66-28,291
67,92 / 100,00

2005

4,08-32,6820,32-58,1731,72-
73,76 / 100,00

2009

1,57-18,1510,64-76,564
69,54 / 100,00

2013

19,0811,95-72,774
64,50 / 100,00

2017

20,3111,42-74,284
67,48 / 100,00

2021

PPD/PSDCDS-PP2,37-64,57427,261
63,88 / 100,00

2025

1,71-58,28320,72115,741
68,01 / 100,00

Eleições legislativas

Data%

PSD

CDS

PS

PCP

UDP

AD

APU/

CDU

FRS

PRD

PSN

BE

PAN

PSD
CDS

L

CH

IL

197641,3225,3322,951,450,81
1979

AD

AD

16,49

APU

1,0373,633,29
1980FRS0,3376,382,0915,38
198349,8520,9721,570,321,55
198555,0313,2014,700,731,6610,01
198776,035,2312,20

CDU

0,391,091,15
199172,764,6517,880,520,551,11
199553,747,6934,170,470,66
199951,097,0336,661,65
200258,708,1727,870,700,70
200545,439,6637,340,912,36
200939,999,7036,991,245,65
201150,6811,1627,391,271,550,56
2015CDSPSD29,881,595,560,6254,360,21
201936,485,0439,791,326,201,610,570,950,66
2022[15]37,322,0843,751,042,130,580,467,201,96
2024[16]ADAD29,3641,180,962,380,601,3615,232,49
2025[17]CDSPSD23,600,760,970,4946,601,3616,572,59

Educação

No concelho existe o Agrupamento de Escolas de Proença-a-Nova, do qual fazem parte os seguintes estabelecimentos:[18]

  • Escola Básica do 1º ciclo com jardim de infância de Sobreira Formosa
  • Escola Básica do 1º ciclo com jardim de infância de Proença-a-Nova
  • Escola Básica e Secundária Pedro da Fonseca

Locais de Interesse Turístico

Poço das Andorinhas (Ribeira do Alvito)

Alvito da Beira

Montes da Senhora

  • Moinhos de água
  • Zona piscatória
  • Buraca da Moura na Serra das Talhadas
  • Cerejeiras em flor na Primavera
Campo de Tiro da Nave à Metade

Peral

  • Cruzeiro do Cabeço
  • Moinhos de água
  • Zona piscatória
  • Campo de Tiro de Nave à Metade
  • Sítio da Conheira
Igreja Matriz de Proença-a-Nova

Proença-a-Nova

Ponte Romana de São Pedro do Esteval

São Pedro do Esteval

  • Ponte romana sobre a ribeira da Pracana em S. Pedro do Esteval
  • Moinhos de água
  • Zona piscatória - Ribeira da Pracana e da Freixada
Praia Fluvial da Fróia
Parque Eólico na freguesia de Sobreira Formosa

Sobreira Formosa


Proença-a-Nova: História, Raízes e Identidade no Pinhal Interior

Proença-a-Nova é uma vila portuguesa do distrito de Castelo Branco, região Centro, integrando a sub-região do Pinhal Interior Sul e a Diocese de Portalegre e Castelo Branco. A vila conta com cerca de 8 mil habitantes, enquanto o município ocupa 395,40 km² e registou 7 167 habitantes em 2021, divididos em quatro freguesias. Faz fronteira com Oleiros, Castelo Branco, Vila Velha de Ródão, Mação e Sertã.

Origem do nome: de Cortiçada a Proença-a-Nova

Nos primeiros séculos, a povoação chamou-se Cortiçada — nome que se liga provavelmente à abundância de cortiça ou ao grande número de colmeias (cortiços) na região. A designação “Proença” levanta mais debates: para o filólogo Leite de Vasconcelos, pode ter raiz na ideia de “religião em geral”, com influência francesa; outros ligam-na à região da Provença, mas sem qualquer evidência de fixação de populações gaulesas na Lusitânia. O nome atual só se consolidou definitivamente no século XVI.

Forais e organização medieval

A primeira referência a um foral remete para 1244, concedido pelo prior da Ordem do Hospital, frei Rodrigo Egídio — embora haja autores que defendam uma carta anterior de D. Afonso III, em 1242. Em 1512, D. Manuel I concedeu o Foral Novo, onde surge brevemente a designação “Vila Melhorada”, que não vingou.
A região foi inicialmente dominada pela Ordem do Hospital, depois integrada no Priorado do Crato e, em 1789, na Casa do Infantado. Passou sucessivamente pelo distrito de Santarém até fixar-se definitivamente em Castelo Branco em 1835.

Transformações administrativas

A estrutura do concelho sofreu inúmeras mudanças ao longo dos séculos:
  • Até 1554, era uma única freguesia; depois surgiram São Pedro do Esteval e Peral;
  • No século XIX, houve anexações e devoluções sucessivas — como Cardigos, Sobreira Formosa, Cimadas e Montinho das Cimadas — marcadas pela forte reivindicação das populações;
  • Em 1867, uma reforma chegou a agrupar dezenas de freguesias vizinhas, mas foi rapidamente revertida;
  • A configuração atual estabilizou em 1898, com as quatro freguesias: Montes da Senhora; Proença-a-Nova e Peral; São Pedro do Esteval; Sobreira Formosa e Alvito da Beira.

Guerras e isolamento: Invasões Francesas e Lutas Liberais

Em 1807, as tropas de Napoleão, comandadas por Loison, passaram pela região, saqueando e destruindo os lares — os habitantes salvaram-se refugiando-se nos montes, mas a memória das violências perdurou por gerações.
Já nas Lutas Liberais, a população, inicialmente habituada ao absolutismo, aderiu à causa liberal. Em 1828, a passagem do Regimento de Cavalaria 11 pela vila foi decisiva: os soldados revoltaram-se e juntaram-se às forças liberais.
Até ao último quartel do século XIX, o isolamento era quase total: só em 1879 chegou a primeira estrada de macadame; o telégrafo foi instalado em 1889 e os correios só ganharam serviço permanente no início do século XX.

Figuras ilustres

Proença-a-Nova deu origem a nomes de relevo nacional:
  • Pedro da Fonseca (1528–1599): filósofo e teólogo jesuíta, conhecido como o “Aristóteles Português”, mestre em grego e árabe, autor de obras fundamentais de lógica e metafísica;
  • Padre Manuel Joaquim Cristóvão (1928–1991): missionário em Moçambique, assassinado em 1991;
  • António Ribeiro Cristóvão (n. 1939): ex-deputado, radialista e apresentador;
  • Nilton (n. 1972): humorista e apresentador, criado na terra;
  • Rodrigo Tavares (n. 1978): académico e líder global selecionado pelo Fórum Económico Mundial;
  • Inês Cardoso (n. 1975): jornalista e administradora de grandes grupos de comunicação.

Uma terra de memórias profundas, que preservou a sua identidade ao longo de séculos de mudanças — onde as raízes se mantêm firmes, como os pinheiros que dão nome à região.