quinta-feira, 21 de maio de 2026

Carnaval em Curitiba: Uma Festa de Tradição, Alegria e História

 

Carnaval em Curitiba: Uma Festa de Tradição, Alegria e História



Carnaval em Curitiba: Uma Festa de Tradição, Alegria e História

Data: 21 de maio de 2026 | 15h34
O Carnaval de Curitiba, registrado nas páginas históricas que reproduzimos aqui, revela uma das festas mais vibrantes e queridas da capital paranaense — uma celebração que, mesmo com todas as transformações do tempo, manteve sua essência de alegria, criatividade e encontro comunitário. As imagens e textos antigos que acompanham este artigo nos transportam para décadas passadas, mostrando como a festa se desenrolava nos clubes, nas ruas e nos corações dos curitibanos, com detalhes que fazem dessa história um tesouro da cultura local.

Uma festa animada, cheia de vida

“Muito animado, apesar da fuga, o Carnaval nos Clubes de Curitiba” — essa frase, registrada em um dos recortes, resume bem o espírito da festa. Mesmo com dificuldades ou mudanças, a animação nunca faltou. Os clubes da cidade eram os principais palcos da celebração: locais como o Graciosa Country Club, Concórdia, Thália, Grêmio Militar e muitos outros se transformavam em verdadeiros centros de festa, onde multidões se reuniam para dançar, brincar e viver dias de pura alegria.
Nas fotografias, vemos homens e mulheres vestidos com trajes coloridos, fantasias elaboradas e figurinos cheios de criatividade. Alguns trajavam roupas inspiradas em personagens, temas folclóricos ou estilos internacionais; outros preferiam trajes mais elegantes, refletindo o requinte dos bailes sociais que marcaram a história da cidade. As imagens capturam momentos de descontração: danças animadas, poses alegres, brincadeiras e a cumplicidade entre amigos e famílias — tudo isso em meio a decorações que transformavam os salões em ambientes mágicos, onde a realidade ficava de lado por alguns dias.
Uma das cenas mais marcantes mostra uma mulher com arco e flecha, fantasiada de personagem mítica, cercada por pessoas que sorriem e participam da brincadeira; em outra, vemos grupos posando juntos, com sorrisos que revelam a felicidade de estar ali, compartilhando uma das maiores tradições curitibanas. Havia espaço para todos: jovens, adultos e crianças, todos envolvidos no clima de festa que tomava conta da cidade.

Entre ruas e clubes: a festa em todos os cantos

O Carnaval curitibano não se limitava apenas aos clubes. Como relataram as publicações da época: “Milhares de pessoas deixaram o seu recanto e se misturaram no maior e mais concorrido Carnaval de Curitiba”. Nas ruas, a festa também tomava forma: blocos, desfiles e brincadeiras de rua atraiam multidões, que se divertiam com músicas, danças e as famosas “brincadeiras de Carnaval”, cheias de humor e irreverência.
Mas havia uma característica especial: o Carnaval de Curitiba sempre foi conhecido por ser “o mais conservado e o mais rico em cores e alegrias”, como destacou a imprensa. Diferente de festas mais exuberantes de outras capitais, aqui a festa mantinha um equilíbrio entre tradição e modernidade, entre a animação e o respeito às raízes locais. “Não obstante, apesar de tão forte, não houve excessos”, registrou um texto antigo — um ponto que sempre foi lembrado como um dos maiores orgulhos da cidade: uma festa alegre, mas ordeira, que reunia pessoas de todas as classes e idades sem conflitos.
Os desfiles de fantasias eram um ponto alto: cada ano, centenas de grupos e pessoas individuais preparavam suas roupas com meses de antecedência, buscando originalidade, beleza e criatividade. Havia premiações para as melhores fantasias, o que incentivava ainda mais a dedicação e o capricho. Muitas vezes, as criações misturavam elementos da cultura paranaense — como símbolos da serra, do campo, da imigração — com referências universais, mostrando como Curitiba sabia misturar sua identidade com o mundo.

Criatividade e tradição: a alma da festa

“Muita contribuição para o êxito da festa popular e aplausos justos à Prefeitura municipal” — essa frase mostra como a organização pública também tinha um papel fundamental, apoiando a festa para que ela pudesse acontecer com segurança e brilho. Mas o verdadeiro motor do Carnaval era o povo curitibano, que colocava alma e coração em cada detalhe.
Os textos da época contam que “o Carnaval de Curitiba, sempre registra a maior frequência e sempre com animação sem igual”. Não havia apenas danças e músicas: havia concursos, apresentações teatrais, brincadeiras de salão e até competições de elegância. No Graciosa Country Club, por exemplo, “registrou-se um movimento extraordinário, e o baile de encerramento foi um verdadeiro sucesso”, com multidões que lotavam os salões até a madrugada.
Uma característica única era a diversidade: “por cada verdade das milícias, quer pela originalidade das fantasias”, como foi escrito. Havia espaço para fantasias simples e elaboradas, para brincadeiras de criança e bailes de gala, para grupos organizados e pessoas que apenas queriam se divertir. Tudo isso fazia do Carnaval um evento democrático, onde todos eram bem-vindos e podiam participar da forma que quisessem.
Nas imagens, também vemos registros mais íntimos: famílias inteiras fantasiadas, pais e filhos compartilhando a festa, mães com crianças no colo, tudo com a alegria que só essa época do ano traz. O álbum de família que aparece em um dos recortes mostra como o Carnaval fazia parte da vida pessoal dos curitibanos: era um momento de união, de memórias e de histórias que passavam de geração em geração. “Há dez anos, o jovem Samuray Curti Filho e sua esposa” — registra o texto, mostrando como personagens da sociedade também faziam parte dessa história, deixando suas marcas na tradição.

Um crescimento que acompanhou a cidade

O Carnaval também refletiu o desenvolvimento de Curitiba e do Paraná. Ao lado das imagens da festa, vemos também registros do crescimento econômico, como o artigo sobre a Liquigás e sua expansão no Paraná e Santa Catarina — uma empresa que representava o progresso da região, com instalações modernas e uma estrutura que atendia a população. Essa ligação não é por acaso: o desenvolvimento da cidade permitiu que a festa crescesse também, com mais espaços, mais recursos e mais pessoas participando.
Curitiba, que se tornava cada vez mais moderna e populosa, não abandonou suas tradições. Pelo contrário: ela soube integrar o crescimento com a cultura, mantendo o Carnaval como um dos eventos mais importantes do calendário. As fotografias das instalações da Liquigás, com suas estruturas amplas e organizadas, representam o progresso que andava lado a lado com a preservação da identidade local.

Legado de uma festa inesquecível

Hoje, ao olhar para essas imagens e ler esses textos, entendemos por que o Carnaval de Curitiba é tão especial. Ele não é apenas uma festa: é um patrimônio cultural, um registro da forma como o curitibano vive, se diverte e se reúne. Ao longo dos anos, ele mudou — ganhou novas formas, novos estilos, novos espaços — mas nunca perdeu sua essência: a alegria, a criatividade, a tradição e a capacidade de unir pessoas.
Essas páginas históricas nos mostram que, independentemente do tempo, a festa continua viva na memória e no coração da cidade. Cada fantasia, cada dança, cada sorriso registrado nas fotografias é um pedaço da nossa história, um testemunho de que Curitiba sempre soube celebrar a vida com brilho, cor e muita alegria. E é essa herança que faz com que, até hoje, quando chega o Carnaval, todos nós curitibanos olhemos para trás com orgulho e para frente com a certeza de que essa festa vai continuar, por muitos e muitos anos, sendo um dos maiores tesouros da nossa cultura.
Curitiba, Carnaval: uma história de alegria que nunca acaba.

Eugénia de Montijo: A Última Imperatriz dos Franceses, Entre Glórias, Perdas e Exílio

 

Eugénia de Montijo: A Última Imperatriz dos Franceses, Entre Glórias, Perdas e Exílio


Eugénia de Montijo: A Última Imperatriz dos Franceses, Entre Glórias, Perdas e Exílio

Em 11 de julho de 1920, sob o céu da cidade que a viu nascer, Madrid se despediu de uma das figuras mais marcantes e tristes da história europeia: Eugénia de Montijo, a última soberana consorte da França. Aos 94 anos, ela encerrava uma trajetória de quase um século, que começou na Espanha, brilhou nos salões dourados de Paris, foi abalada por guerras e tragédias, e terminou como uma peregrina solitária, marcada pelas perdas, mas sempre fiel aos seus princípios e ao seu amor pela França e pela sua terra natal.

Origem e Ascensão: De Granada ao Trono Imperial

Nascida em Granada, no sul da Espanha, em 5 de maio de 1826, Eugénia Palafox y Portocarrero — que mais tarde adotaria o título de Condessa de Montijo — pertencia à nobreza, mas não à realeza. Era filha de Cipriano de Palafox y Portocarrero, VIII Conde de Montijo, e de Maria Manuela Kirkpatrick, uma mulher de origem escocesa que lhe transmitiu uma educação refinada, cosmopolita e profundamente católica. Desde jovem, Eugénia se destacou não apenas pela beleza e elegância, mas também pela inteligência, firmeza de caráter e uma fé inabalável — características que a acompanhariam por toda a vida.
Sua vida mudaria de forma definitiva em 1853, quando se casou com Napoleão III, sobrinho do grande Napoleão Bonaparte e primeiro presidente da República Francesa, que pouco tempo antes havia se proclamado Imperador dos Franceses. Com essa união, Eugénia deixou para trás sua condição de nobre espanhola para se tornar Imperatriz dos Franceses, ocupando um dos cargos mais altos e visíveis da Europa.
Durante os anos do Segundo Império, ela não foi apenas uma figura decorativa. Eugénia exerceu influência política, especialmente em questões ligadas à religião, à educação e à política externa, sendo conhecida por suas posições conservadoras e por seu desejo de ver a França como uma potência forte e respeitada. Era admirada pela elegância que ditava a moda da época e pela postura digna, mas também alvo de críticas e boatos por parte da oposição, que via nela uma estrangeira com excesso de poder.

A Guerra, a Queda e a Fuga

O equilíbrio e o brilho da corte imperial chegaram ao fim em 1870, com a eclosão da Guerra Franco-Prussiana. Quando o marido partiu para o front para comandar as tropas francesas, Eugénia ficou em Paris com uma missão de peso: assumir a Regência, governar em seu nome e defender o império. Ela demonstrou coragem e determinação, mas a sorte não estava ao lado da França.
As tropas prussianas, lideradas pelo Chanceler Otto von Bismarck e pelo Rei Guilherme I, foram esmagadoras. Napoleão III foi capturado em setembro daquele ano, após a derrota na Batalha de Sedan — um golpe que levou à queda do Segundo Império e à proclamação da Terceira República Francesa. Com Paris sitiada e o império desabando, Eugénia não teve outra escolha senão fugir. Acompanhada por poucos amigos e fiéis, deixou a capital francesa em segredo, atravessou o Canal da Mancha e encontrou refúgio na Inglaterra, onde foi calorosamente acolhida pela Rainha Vitória — uma amiga leal que se tornaria uma das suas maiores apoios nos anos sombrios que viriam.

Exílio, Luto e a Luta Bonapartista

Em 1872, Napoleão III finalmente se juntou à esposa no exílio, na propriedade que eles haviam comprado em Chislehurst, perto de Londres. Mas a reencontro durou pouco: no início de 1873, o antigo imperador morreu, vítima de complicações de uma cirurgia mal sucedida na garganta. Viúva, com 47 anos e longe do poder, Eugénia não se entregou ao luto passivamente. Ela assumiu a liderança do partido bonapartista, o grupo que ainda defendia a restauração do império na França, e dedicou-se inteiramente a uma única missão: preparar o seu único filho, Napoleão Eugênio, o Príncipe Imperial, para um dia recuperar o trono dos antepassados e governar a França.
O jovem Napoleão Eugênio era a sua razão de viver, a esperança de um retorno e a continuidade de uma linhagem. Mas o destino reservou o golpe mais duro de todos. Em 1879, o príncipe, com apenas 23 anos, decidiu lutar ao lado do exército britânico na Guerra Anglo-Zulu, na África do Sul, buscando provar seu valor militar — tal como o seu famoso tio-avô havia feito. Em uma emboscada, ele foi cercado e morto por guerreiros zulus.
Para Eugénia, foi o fim do mundo. A perda do marido e, depois, do filho único, destruiu todas as suas esperanças políticas e pessoais. A Rainha Vitória, que também havia perdido o marido anos antes, foi a única capaz de compreender a imensidão da sua dor e permaneceu ao seu lado.

Peregrinações e Memórias

Para tentar aplacar o sofrimento que nunca mais a deixou, Eugénia transformou a sua vida numa longa peregrinação. Percorreu toda a Europa, visitou santuários, igrejas e locais históricos, sempre em busca de paz espiritual. Num ato de profunda devoção e amor materno, viajou até a África do Sul, percorrendo milhares de quilômetros apenas para rezar, sozinha, no exato local onde o seu filho havia caído em combate.
Os anos seguintes foram de solidão e lembranças. Ela viveu sempre com a dor da perda, mas também com a dignidade que sempre marcou a sua personalidade. Houve, porém, um momento de alegria e orgulho que iluminou os seus últimos anos: a Primeira Guerra Mundial. Quando as tropas francesas derrotaram a Alemanha e recuperaram os territórios da Alsácia e da Lorena — perdidos justamente na guerra de 1870, que levou à sua queda — Eugénia sentiu que uma dívida histórica havia sido paga. Ver a França vitoriosa novamente foi uma das poucas alegrias que o destino ainda lhe concedeu.

O Retorno à Terra Natal e o Fim

Com o passar das décadas, a imperatriz viúva envelheceu na sua casa na Inglaterra, mas nunca perdeu o vínculo com as suas origens. Em 1920, já com quase um século de vida, decidiu fazer a sua última viagem: voltou para a Espanha, para Madrid, a cidade onde havia crescido e onde guardava as suas primeiras memórias.
Foi ali, na capital espanhola, debaixo do céu que ela mesma chamava de seu “céu adorado”, que Eugénia de Montijo faleceu. Seu corpo foi depois levado para a Inglaterra, para a Capela de São Miguel e São Jorge, em Farnborough, onde repousa ao lado do marido e do filho — a família que a história separou, mas que a morte finalmente reuniu.

Ela foi a última soberana a ocupar o trono francês, uma mulher que viveu o auge do poder, a amargura da derrota e a imensidão da dor, mas que nunca deixou de ser fiel a si mesma, à sua fé e ao amor pelo seu povo e pela sua terra. Sua vida é um dos capítulos mais tristes e mais fascinantes da história da Europa do século XIX.