sábado, 19 de setembro de 2026

Vista aérea de Curitiba, e em primeiro plano a Praça do Japão, em imagem da década de 1960

 Vista aérea de Curitiba, e em primeiro plano a Praça do Japão, em imagem da década de 1960


OLHAR DE SAINT HILAIRE POR CURITIBA

 OLHAR DE SAINT HILAIRE POR CURITIBA



Ao passar por Curitiba em suas andanças, Saint Hilaire escreveu sobre ela:

"A cidade tem uma forma quase circular e se compõe de duzentas e vinte casas (1820), pequenas e cobertas de telhas, quase todas de um só pavimento, sendo, porém, um grande número delas feitas de pedras (...)


As ruas são largas e bastantes regulares, algumas totalmente pavimentadas, outras calçadas apenas diante das casas. A praça pública é quadrada, muito ampla e coberta com um relvado. As igrejas são em número de três, todas feitas de pedras (...)


Em Curitiba e em seus arredores é muito pequeno o número de pessoas abastadas. Eu vi o interior das principais casas da cidade, e posso afirmar que nas outras cabeças de comarcas ou mesmo de termos não havia nenhuma casa pertencente às pessoas importantes do lugar que fossem tão modestas assim.


As paredes eram simplesmente caiadas e o mobiliário das pequenas salas onde eram recebidas as visitas se compunha apenas de uma mesa e alguns bancos."


Augustin François César Prouvençal de Saint-Hilaire, nascido em 04/10/1779, em Órleans na França, foi um botânico, naturalista e viajante francês. O estudioso pertenceu aos primeiros grupos de cientistas, vindos da Europa, para realizarem suas pesquisas e explorações no Brasil Colônia, durante os anos de 1816 e 1822, período no qual a corte portuguesa estava instalada no país, na cidade do Rio de Janeiro.


Como resultado de suas expedições pelo território brasileiro, Auguste de Saint-Hilare reuniu mais de 30 mil amostras, sendo que eram 24 mil de espécimes de plantas e 6 mil espécies de animais. Dessas 6 mil, eram 2 mil aves, 16 000 insetos e 135 mamíferos, além de inúmeros répteis, peixes e moluscos. A maioria das espécies coletadas era descrita pela primeira vez na história em seus livros, por esse motivo seus cadernos de campo ficaram tão conhecidos.


Saint’Hilaire, era botânico e em suas viagens percorreu os seguintes estados: Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul. Conheceu as nascentes do Jequitinhonha e do São Francisco até Rio Claro. Viajou a cavalo ou no lombo de burro, por sertões geralmente de caminhos empoeirados e na maioria das vezes por picadas abertas a facão por seus acompanhantes, ainda que escravos. Só o estado de Minas Gerais visitou três vezes, pois se identificava com seus habitantes. Quando chegou a Goiás ficou 15 meses.


August, como os outros viajantes do começo do século passado, teve de vencer a escassez de alimentos civilizados, o cansaço e as privações, dormir em ranchos cobertos de palha, habituar-se a rede, transformar mala em cadeira e mesa para as suas anotações, perder o medo dos animais selvagens, suportar mosquitos e dividir a vigília com os demais companheiros de aventura. Para ele, por largos anos, não houve pátria, família ou amigos que falassem o seu idioma.


Não era difícil a Saint’Hilaire ser visto pelos sertanejos como médico, e por isso era muitas vezes forçado a ensinar remédios, afinal colher plantas era hábito apenas dos médicos e curandeiros, neste país desconhecido. Apesar das muitas dificuldades, o botânico se via absolutamente seduzido pela riqueza vegetal, e desta sedução arrancava forças e coragem para seguir viajando.


Sentia-se humilhado diante da natureza austera e poderosa: "minha imaginação de algum modo amedronta-se, quando eu penso na floresta imensa, de todos os lados a cercar-me, se estende para o norte muito além do rio Grande, ocupa toda a parte oriental de Minas Gerais, cobre sem interrupção as províncias do Rio de Janeiro, Espirito Santo, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, o norte e o ocidente do Rio Grande do Sul e segue para as Missões ao norte do Paraguai.


August, como os demais europeus, se horroriza com as queimadas da mata virgem e comenta: "Árvores gigantescas, incendiadas pelo pé, tombavam com fragor, quebrando outras, ainda não atingidas pelo fogo. Depois, sobre o chão em cinzas onde fora a mata virgem, os destroços dos galhos e dos troncos reduzidos a carvão. E tudo isso o sertanejo faz para colher alguns alqueires de milho, arriscando-se pela falta de precaução, a perder uma floresta, como se sem floresta fosse possível haver cultura. A gente simples, deslumbrada com a natureza e crente de nunca lhes faltar as suas dádivas, destroi a floresta como desperdiçavam o ouro extraído das minas." August, como a maioria dos outros viajantes, aponta em sua obra os nossos erros, mas também dá conselhos para corrigi-los.


Nenhum dos viajantes que percorreram o Brasil mostrou-se como Saint’Hilaire tão capaz de observar seus diversos aspectos, geografia, estatística, agricultura, comércio, arte, vida religiosa, administrativa e judiciária, costumes, usos da gente civilizada e dos índios.


Sobre a nossa flora escreveu as obras: 'Plantas Usuais do Povo Brasileiro' e 'Flora do Brasil Meridional'. Sua obra ainda hoje é consultada e citada no ensino de botânica na Sorbone.


Toda a obra de August foi construída com a intenção de contar às futuras gerações como era a terra fecunda: "Cidades florescentes tomarão o lugar de cabanas miseráveis, onde apenas eu encontrei abrigo, e nesse porvir os seus habitantes hão de ver nos escritos dos viajantes não só como as cidades principiaram, mas também como nasceram os menores lugarejos. Tomadas de espanto as gentes saberão que onde ressoa o ruído dos martelos e das mais complicadas máquinas, só se ouvia outrora o coaxar de batráquios e o canto dos pássaros; onde imensas plantações cobrirem a terra, dantes cresciam árvores, admiráveis muitas delas inúteis pela abundância. Olhando regiões percorridas por locomotivas, talvez por veículos ainda mais possantes, os homens vão sorrir, ao ler que noutros tempos se considerava feliz quem durante um dia inteiro lograva avançar quadro ou cinco léguas."


Saint’Hilaire volta para a França em 1822, depois de ter sido envenenado por mel de vespa. Com o sistema nervoso profundamente abalado, voltou para buscar alívio no sul da França. Sua primeira obra foi 'Viagem do Rio a Minas Gerais', publicada em 1830. 'Do Litoral ao Distrito Diamantino', em 1833, 'Do São Francisco a Goiás', em 1847 e 'De São Paulo a Santa Catarina', em 1851. August de Saint’Hilaire faleceu em 1853, aos 74 anos. Em 1887 foi publicado seu último livro que chama-se 'Do Rio Grande do Sul a Cisplatina'.


(Fontes: Wikipédia e Biografias - brasilescola.com.br / Foto: Antigo Largo da Capela, hoje Largo do Rosário, na década de 1890).


Paulo Grani 

ANTIGA FÁBRICA DE PRESUNTOS E LINGUIÇAS BARIGUY

 ANTIGA FÁBRICA DE PRESUNTOS E LINGUIÇAS BARIGUY






alguém sabe onde funcionava?

Chamava-se "Frigorífica Paranaense - Fábrica Bariguy", de G. L. Withers. O texto do anúncio divulga os locais de venda, dos quais o endereço Rua da Liberdade (atual Barão do Rio Branco, era, possivelmente, o da sua loja.

"Esta fábrica, montada a capricho, possui câmaras frigoríficas e maquinismos dos mais modernos tipos. Além de presuntos preparados pelo sistema inglês e italiano, produz também a fábrica toucinho pelo sistema europeu, bacon, carnes salgadas e outras conservas de carne.

Em 1911, a matança foi de 5.000 porcos, pesando em média cerca de 170 libras cada um. As exportações, neste ano, para o Rio de Janeiro e São Paulo, foram de 1.200 caixas de bacon, com 65 quilos cada uma, 250 caixas de 15 presuntos cada uma, 600 barricas com carne salgada e, além das vendas locais, 100.000 quilos de toucinho.

A fábrica é dividida em várias seções: matadouro, casa para depósito dos animais recém-abatidos, sala de frigorífico, sala de salga, sala para secar a carne e fumeiros. Estas seções são providas de aparelhos mecânicos para movimentar as carnes. Os maquinismos de refrigeração, preparo de toucinho e lingüiças são movidos a vapor; os processos usados são modernos e nenhuma diferença fazem dos comuns às melhores fábricas congêneres da Europa.". - (Extraído de: novomilenio.inf.br).

Paulo Grani

Henschel Tipo 33 B1: O Primeiro Caminhão Militar de 3 Toneladas da Reichswehr

 

Caminhão HENSCHEL tipo 33 B 1



Henschel tipo 33 B 1Caminhão de três eixos com maior distância ao solo, construído pela empresa alemã
Henschel & Sohn GmBH, Kassel, Alemanha
Em 1929, foi construída uma série menor de carros Henschel tipo 33 B 1 de seis rodas e três toneladas, que a empresa ofereceu ao Reichswehr alemão, que eram as forças armadas das "forças armadas", que mais tarde se tornou a Wehrmacht.
Esses carros tinham motores a gasolina de seis cilindros com uma potência de 60 cavalos. Ao mesmo tempo, foi criada uma variante com um motor diesel de seis cilindros com uma potência de 100 cv, que foi marcada Henschel 33 D 1. Um elemento marcante, segundo o qual esses carros eram reconhecíveis à primeira vista, eram muito incomuns, rodas de liga leve de três raios com um aro dividido.
O chassi de seis rodas foi escolhido porque, em uma época em que os carros com ambos os eixos ainda não eram construídos, ele se caracterizava por uma maior produtividade no campo do que um carro com um eixo traseiro.
O Henschel representado tipo 33 B 1 tornou-se o predecessor do último tipo Heschel 33 G 1, que foi oficialmente incluído no armamento da Wehrmacht.
Henschel 33 B1 - Carrinho de oficina
Do livro Deutscher Flugzeugbau - Handbuch der Luftfahrttechnik, autor dipl. ing. O. Hollbach, publicado em 1939, é este desenho esquemático de uma oficina móvel para um aeroporto de campo em um trem de pouso Henschel 33 B 1.
Henschel 33 B1 ao serviço da unidade de engenharia Reichswehr.









Henschel Tipo 33 B1: O Primeiro Caminhão Militar de 3 Toneladas da Reichswehr

Introdução

O Henschel Tipo 33 B1 é o veículo que deu início a uma das linhagens mais duradouras de caminhões militares alemães. Desenvolvido no âmbito do programa de motorização da Reichswehr, foi entregue pela primeira vez em 1928 pela Henschel & Sohn, em Kassel. Como modelo pioneiro da série de três eixos e capacidade de 3 toneladas, abriu caminho para toda uma família de veículos que serviriam desde os anos 1930 até o final da Segunda Guerra Mundial.

Origem e Contexto

Em meados da década de 1920, a recém-criada Reichswehr lançou um programa para substituir veículos de tração animal por caminhões todo-terreno de três eixos. Três fabricantes foram convocadas: Büssing, Henschel e Krupp. A Henschel foi a primeira a entregar seu protótipo: o Tipo 33 B1, em 1928.
A produção estendeu-se formalmente de 1928 a 1935, com cerca de poucas centenas de unidades fabricadas — um número modesto, mas suficiente para consolidar a plataforma.

Configuração e Diferenças entre Versões

O B1 passou por atualizações visíveis durante sua produção:
  • Versão inicial: cabine fechada e rodas de aro com três raios;
  • Versão intermediária: cabine aberta com para-brisa fixo, mantendo rodas de três raios;
  • Versão tardia: cabine aberta com para-brisa fixo e rodas de seis raios (sistema Trilex).
A distinção entre modelo civil e militar era clara:
  • Versão civil: pneus simples em todos os eixos e rodas de disco;
  • Versão militar: rodas de raios com três pontas e pneus duplos nos eixos traseiros, para maior capacidade de carga e aderência.

Especificações Técnicas

Tabela
CaracterísticaValor
Período de produção1928–1935
MotorHenschel Tipo B, 4 cilindros, a gasolina
Cilindrada7.188 cm³
Potência máxima65 cv
Tração6×4 — três eixos, tração nos dois traseiros
Distância entre eixos3.400 mm (dianteiro ao 1º traseiro) + 1.100 mm (entre eixos traseiros)
Comprimento × Largura × Altura~7,40 m × 2,50 m × 3,20 m
Carga útil3 toneladas
Peso vazio~5.685 kg
TransmissãoCaixa de 4 marchas à frente + 1 à ré; dois eixos traseiros acionados por eixos cardãs independentes
SuspensãoMolas de lâmina
Pneus7.25-20
Velocidade máxima~50 km/h
Tripulação1 condutor + até 12 soldados
ProduçãoAproximadamente algumas centenas de unidades

Mecânica e Limitações

O B1 diferenciava-se de seus sucessores de forma marcante:
  • O motor Tipo B de 65 cv era consideravelmente menos potente que o motor D de 100 cv introduzido já em 1929 com o Tipo 33 D1;
  • A transmissão usava dois eixos cardãs independentes para acionar os eixos traseiros — arranjo robusto, mas pesado e com manutenção mais complexa; a partir do D1 revisado (1934), isso foi simplificado para um sistema de transmissão única com caixa de transferência;
  • A capacidade todo-terreno era limitada em terrenos muito moles ou acidentados, consequência da distribuição de peso e da ausência de tração no eixo dianteiro.

Transição e Legado

Ainda durante a produção do B1, surgiu em 1929 o Tipo 33 D1, com motor mais potente de 100 cv e capô ligeiramente mais longo, mas compartilhando a maior parte do chassi. O B1 continuou em fabricação até 1935, sendo gradualmente substituído pelas versões mais capazes — D1, FA1 e G1 — que totalizaram dezenas de milhares de unidades até 1943.
Embora fabricado em menor número, o 33 B1 tem importância histórica única: foi o primeiro passo da motorização da futura Wehrmacht, servindo de base para uma família de caminhões que se tornaria uma das mais numerosas e reconhecidas da Segunda Guerra Mundial. Poucos exemplares sobreviveram ao tempo, mas sua importância como progenitor de toda a linhagem Henschel 33 permanece indiscutível.

Fontes e Referências

  • Kfz. der Wehrmacht — Henschel Type 33 B1
  • Truck Encyclopedia — Henschel Type 33 (1928)
  • Wikipédia (DE) — Henschel 33
  • Panzerpedia — Henschel Typ 33 B1
  • World War Photos — Henschel 33