Curitiba, PR Data da foto original: 1913 Descrição da imagem: Rua XV de Novembro entre a Avenida Marechal Floriano Peixoto e Alameda Doutor Muricy - a esquerda vemos a Floricultura Edelweiss, e a Casa Americana - A direita, a redação dos jornais A Republica e Diario da Tarde Resumo: Trecho entre as atuais Dr. Muricy e Marechal Floriano, em 1913. A esquerda, o edificio Azulay, onde funcionava o Clube dos Girondinos no final do seculo. O andar terreo abrigou, diferentes datas, a Confeitaria Universal, a Casa Central, de J. Azulay, a alfaiataria A Tesoura Elegante e a Floricultura Edelweiss. Nas casas terreas, ao lado, estiveram estabelecidas a Chapelaria Curitibana, a Casa Americana e a loja Ao Jasmim. Do lado direito, o predio de Tres andares abrigou a sede dos Correios e Telegrafos. Acervo: Casa da Memoria. Coleção: Julia Wanderley - Curitiba Notas gerais: Not. no verso: Phot. de 1913. Club da Casa Americana de 15 de julho de 1911 a abril de 1911 a abril de 1913, fazendo a liquidacao total em 8 de Novembro de 1913
CURITIBA E PARANA EM FOTOS ANTIGAS
fotos fatos e curiosidades antigamente O passado, o legado de um homem pode até ser momentaneamente esquecido, nunca apagado
sábado, 22 de agosto de 2026
Curitiba, PR Data da foto original: 1913 Descrição da imagem: Rua XV de Novembro entre a Avenida Marechal Floriano Peixoto e Alameda Doutor Muricy - a esquerda vemos a Floricultura Edelweiss, e a Casa Americana - A direita, a redação dos jornais A Republica e Diario da Tarde Resumo: Trecho entre as atuais Dr. Muricy e Marechal Floriano, em 1913. A esquerda, o edificio Azulay, onde funcionava o Clube dos Girondinos no final do seculo. O andar terreo abrigou, diferentes datas, a Confeitaria Universal, a Casa Central, de J. Azulay, a alfaiataria A Tesoura Elegante e a Floricultura Edelweiss. Nas casas terreas, ao lado, estiveram estabelecidas a Chapelaria Curitibana, a Casa Americana e a loja Ao Jasmim. Do lado direito, o predio de Tres andares abrigou a sede dos Correios e Telegrafos. Acervo: Casa da Memoria. Coleção: Julia Wanderley - Curitiba Notas gerais: Not. no verso: Phot. de 1913. Club da Casa Americana de 15 de julho de 1911 a abril de 1911 a abril de 1913, fazendo a liquidacao total em 8 de Novembro de 1913
Curitiba, PR Data da foto original: 1912 Descrição da imagem: Rua XV de Novembro entre a Avenida Marechal Floriano Peixoto e Rua Monsenhor Celso
Curitiba, PR Data da foto original: 1912 Descrição da imagem: Rua XV de Novembro entre a Avenida Marechal Floriano Peixoto e Rua Monsenhor Celso
Nota de Conteúdo: Anotação Impressa na B.S.: Serie G - n. 15 Rua 15 de Novembro - Curityba - Parana - Brazil / Anotação Manuscrita na B.S.: 1907
Nota de Conteúdo: Anotação Impressa na B.S.: Serie G - n. 15 Rua 15 de Novembro - Curityba - Parana - Brazil / Anotação Manuscrita na B.S.: 1907
Curitiba, PR Data da foto original: 1907 Descrição da imagem: Rua XV de Novembro entre a Rua Monsenhor Celso e a Avenida Marechal Floriano Peixoto.
Curitiba, PR Data da foto original: 1907 Descrição da imagem: Rua XV de Novembro entre a Rua Monsenhor Celso e a Avenida Marechal Floriano Peixoto.
Curitiba, PR Data da foto original: 1906 Descrição da imagem: Rua XV de Novembro, procissão no cruzamento da antiga Rua Primeiro de Março [atual Rua Monsenhor Celso]. Ve-se o prédio atualmente ocupado pelo Banco Banestado
Curitiba, PR Data da foto original: 1906 Descrição da imagem: Rua XV de Novembro, procissão no cruzamento da antiga Rua Primeiro de Março [atual Rua Monsenhor Celso]. Ve-se o prédio atualmente ocupado pelo Banco Banestado
Curitiba, PR Data da foto original: 1905 Descrição da imagem: Rua XV de Novembro, esquina da Rua Monsenhor Celso, o segundo prédio foi ocupado pelo Banco Banestado [1905]
Curitiba, PR Data da foto original: 1905 Descrição da imagem: Rua XV de Novembro, esquina da Rua Monsenhor Celso, o segundo prédio foi ocupado pelo Banco Banestado [1905]
Rua 15, esquina com Marechal Floriano, em 1904. A esquerda, o sobrado de Manoel de Macedo. A direita, o sobrado que abrigou, em diferentes epocas, o Palacio da Provincia (decada de 1880), a Casa Taborda, a Charutaria Celeste, de Laurindo Lopes, e a banca de jornais Dal'Igna. Acervo: Casa da Memoria. Coleçao Julia Wanderley - Curitiba
Rua 15, esquina com Marechal Floriano, em 1904. A esquerda, o sobrado de Manoel de Macedo. A direita, o sobrado que abrigou, em diferentes epocas, o Palacio da Provincia (decada de 1880), a Casa Taborda, a Charutaria Celeste, de Laurindo Lopes, e a banca de jornais Dal'Igna. Acervo: Casa da Memoria. Coleçao Julia Wanderley - Curitiba
Pascoal Moreira Cabral Leme: O Pioneiro da Descoberta do Ouro no Mato Grosso
Pascoal Moreira Cabral Leme (Vila de Sorocaba, 1654 — Cuiabá, 1724) foi um bandeirante paulista.
Família
Filho do coronel Pascoal Moreira Cabral e Mariana Leme, seu pai dedicava-se aos trabalhos mineralógicos de ferro no morro de Araçoiaba, com Afonso Sardinha, que começara ainda no século XVI. No final do século XIX tornaria a Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema.[1]
Contexto histórico
Desde muito jovem dedicou-se ao sertanismo e suas andanças concentrava-se no território sul e sudoeste da Capitania de São Vicente que em 1709, comprada pela coroa portuguesa, faria parte da Capitania de São Paulo.[2] Em 1682 foi a primeira vez que o sertanista adentrou em território sul-mato-grossense, na região de Miranda, atual Mato Grosso do Sul, em uma expedição que duraria cerca de três anos em operações contra índios. [1]
Em 1692, casou-se na Vila de Itu, Capitania de São Vicente, com Isabel de Siqueira Cortes, filha de Manuel de Siqueira Cortes e Ana Moreira de Alvarenga. Em 1699, antes de retornar para a região centro-oeste, faz parte de uma bandeira para a região de Curitiba com os bandeirantes Salvador Jorge Velho, Manuel Correia Lopes, Miguel Sutil de Oliveira e outros.[1]
Em 1718, Pascoal Moreira Cabral organiza uma expedição e retorna a região centro-oeste, dessa vez no Mato Grosso em busca de índios coxiponés.[3] A chegada se deu pelo Rio Coxipó-Mirim, mais conhecido por Rio Coxipó,[4] encontra uma aldeia de índios já destruída. Pascoal Moreira Cabral fazendo pouso logo acima encontra ouro em granetes cravados pelos barrancos, alterando assim o objetivo da expedição.[3] Deixou sua bagagem e subiu rio acima numa localidade chamada Aldeia Velha, onde o rio Coxipó Mirim deságua no rio Cuiabá, formando a figura de uma forquilha, na qual deu origem ao nome de Arraial da Forquilha, onde deu início a mineração.[5]
No final deste mesmo ano, não tardou que o arraial erguido por Pascoal Moreira Cabral viesse a receber outras bandeiras, entre elas a de Fernando Dias Falcão, com cento e trinta homens para realizar trabalhos de mineração. Decidiram formar um grupo de homens para comunicar ao governador da Capitania de São Paulo sobre o ouro. Foi designado o capitão Antonio Antunes Maciel, entre eles Fernando Dias Falcão e outros. Enquanto isso para garantir a posse de Portugal, ou seja, da Capitania de São Paulo sobre as minas recém descobertas que, de acordo com o Tratado de Tordesilhas, eram de domínio espanhol, o sertanista Pascoal Moreira Cabral fez uma junta em 8 de abril de 1719, que entraria para a história através da ata da fundação de Cuiabá, que relatava a fundação, por Cabral, do arraial de Cuiabá e ao mesmo tempo dava amplos poderes a Cabral, investido das funções de guarda-mor das minas, com amplos poderes até a resolução do governador, a ata foi assinada por cerca de vinte bandeirantes presentes.[3]
Últimos anos
A chegada a São Paulo e o regresso de Fernando Dias Falcão ao arraial demorou vários meses já que a viagem era longa e dura, feita totalmente por rios. Fernando Dias Falcão trouxe vários homens, brancos e negros, de várias profissões, muito alimento e equipamentos de guerra e pessoas que ambicionassem acompanhá-lo naquela monção. Trouxe também uma noticia que veio a desagradar Pascoal Moreira Cabral. O governador e vários bandeirantes decidiram que o posto de Pascoal Moreira Cabral de guarda-mor seria apenas tão somente dos descobrimentos que fizera, dando o poder a Fernando Dias Falcão como guarda-mor regente das minas de ouro de Cuiabá. Pelo descontentamento, Pascoal Moreira Cabral chegou a mandar carta ao Rei de Portugal em 1722 solicitando que fosse o capitão-mor regente das minas de Cuiabá. Sem sucesso devido a sua idade avançada, amargurado pela decisão, veio a falecer em 10 de novembro de 1724 com setenta anos de idade, sendo sepultado na igreja matriz de Cuiabá,[3] enquanto outros historiadores informam que Pascoal Moreira Cabral provavelmente falecera no ano de 1730, aos setenta e seis anos.[1]
Referências
- Sesc - DF. «Desbravadores do Brasil - Pascoal Moreira Cabral Leme, páginas 112 a 114.» (PDF). 2018. Consultado em 2 de abril de 2020
- Atlas Digital da América Lusa - Nayara Rocha. «Capitania de São Vicente». Consultado em 2 de abril de 2020
- Carvalho Franco. «Bandeiras e Bandeirantes de São Paulo - AS MINAS DE CUYABA, capítulo XVII, páginas 187 a 197.» (PDF). 1940. Consultado em 2 de abril de 2020
- Portal Mato Grosso. «COXIPÓ-MIRIM (Rio)». Consultado em 2 de abril de 2020
- Prefeitura de Cuiabá. «DA CHEGADA». Consultado em 2 de abril de 2020
Bibliografia
- LEME, Luís Gonzaga da Silva (1903–1905). Genealogia Paulistana. São Paulo: [s.n.]
- SILVA, Paulo Pitaluga Costa e (1995). Ata de fundação de Cuiabá. uma análise crítica. Cuiabá: Editora do IHGMT
- SIQUEIRA, Elizabeth Madureira (2002). História de Mato Grosso. da ancestralidade aos dias atuais. Cuiabá: Entrelinhas. ISBN 85-87226-14-2
Pascoal Moreira Cabral Leme: O Pioneiro da Descoberta do Ouro no Mato Grosso
Pascoal Moreira Cabral Leme (Vila de Sorocaba, 1654 — Cuiabá, 1724) foi um dos mais importantes bandeirantes paulistas da história colonial brasileira. Seu nome está imortalizado na historiografia por ter liderado a expedição que resultou na descoberta de ouro no Mato Grosso e na fundação histórica do arraial que daria origem à cidade de Cuiabá.
🌳 Origens e Primeiras Expedições
Herança Familiar: Filho do coronel Pascoal Moreira Cabral e de Mariana Leme, cresceu em meio a uma família ligada à metalurgia e à exploração de recursos minerais (seu pai já se dedicava aos trabalhos de ferro no morro de Araçoiaba ao lado de Afonso Sardinha).
Incursões ao Sul e Sudoeste: Desde a juventude, dedicou-se ao sertanismo. Em 1682, realizou sua primeira grande entrada em território sul-mato-grossense (na região de Miranda), liderando operações que duraram cerca de três anos. Em 1699, integrou também uma bandeira rumo à região de Curitiba ao lado de nomes como Salvador Jorge Velho e Miguel Sutil de Oliveira.
🪙 A Descoberta do Ouro e a Fundação de Cuiabá (1718–1719)
A Expedição aos Coxiponés: Em 1718, Pascoal Moreira Cabral partiu com uma expedição ao Centro-Oeste com o objetivo inicial de capturar índios rebeldes (os coxiponés) no Mato Grosso.
A Virada Ouro: Ao chegar ao rio Coxipó-Mirim e encontrar uma aldeia já destruída, o bandeirante deparou-se com ouro incrustado nos barrancos. O objetivo da viagem mudou imediatamente. Ele estabeleceu um pouso na chamada Aldeia Velha, na confluência com o rio Cuiabá (formando o formato de uma forquilha), dando origem ao primitivo Arraial da Forquilha e inaugurando a mineração na região.
A Ata de Fundação (1719): Para garantir o domínio português sobre as terras recém-descobertas (que teoricamente caíam sob a jurisdição espanhola pelo Tratado de Tordesilhas), Cabral convocou uma junta em 8 de abril de 1719. Assinada por cerca de vinte bandeirantes, a ata oficializou a fundação de Cuiabá e investiu Cabral nas funções de guarda-mor das minas.
📉 Últimos Anos e Conflitos de Poder
A Disputa com Fernando Dias Falcão: Com a chegada de novas bandeiras lideradas por Fernando Dias Falcão — que retornou de São Paulo trazendo reforços, mantimentos e ordens do governador — a autoridade de Pascoal foi contestada. O governo da capitania decidiu que o posto de guarda-mor geral recairia sobre Falcão, limitando a jurisdição de Cabral apenas aos seus próprios descobrimentos.
O Fim da Vida: Insatisfeito com a decisão, Cabral chegou a apelar diretamente ao Rei de Portugal em 1722, mas sem sucesso devido à sua idade avançada. Amargurado pelos rumos políticos da capitania, faleceu por volta de 10 de novembro de 1724 (embora algumas fontes apontem 1730), aos 70 anos, sendo sepultado na igreja matriz de Cuiabá.
Brás Rodrigues de Arzão: O Destacado Sertanista Paulista do Século XVII
| Brás Rodrigues de Arzão | |
|---|---|
| Nascimento | São Paulo dos Campos de Piratininga, Capitania de São Vicente |
| Morte | 12 de julho de 1693 São Paulo dos Campos de Piratininga, Capitania de São Vicente |
| Progenitores |
|
| Cônjuge | Maria Egipciaca |
| Ocupação | bandeirantes |
| Religião | catolicismo |
Brás Rodrigues de Arzão (São Paulo dos Campos de Piratininga, ? – São Paulo dos Campos de Piratininga, 12 de julho de 1693) foi um dos mais notáveis bandeirantes paulistas, filho do flamengo Cornélio de Arzão e de Elvira Rodrigues. Casou com Maria Egipcíaca Domingues, filha de Pero Domingues, o Velho. Morreu em São Paulo em 12 de julho de 1693.[1][2][3]
Desde 1651 penetrou no extremo Sul, integrando a bandeira de Domingos Barbosa Calheiros com quem foi à Bahia em 1658, sofrendo grande revés na mãos dos índios hostis paiaiás, regressando a São Paulo em 1660 sem alcançar seu objetivo.
Integrou em 1671 a bandeira de Estêvão Ribeiro Baião Parente à Bahia.[2]
Em 20 de março de 1675 o Governador Geral do Estado do Brasil incumbiu-o de pesquisas de ouro nas capitanias do sul.
A 24 de junho de 1677 houve novas confusões entre o povo de São Paulo, o capitão-mor Brás Rodrigues de Arzão e os jesuítas, sobre a alforria do gentio. Arzão participou no colégio dos padres «que o povo que o seguia vinha deliberado expulsá-los da capitania se fosse certo que por via dos ditos padres tinha vindo uma ordem do Rio de Janeiro para se se executar a alforria do gentio do Brasil». Tendo o Reitor e mais padres declarado que «em nenhum tempo falaram nem trataram da liberdade do dito gentio, e que se em algum tempo o fizessem, sujeitavam-se ao que o povo quisesse sem mais poder alegar", retirou-se o povo pacificamente.
A 15 de janeiro de 1679 foi mandado com o posto de capitão-mor na leva do mestre de campo Jorge Soares de Macedo para tomar parte nas diligências da fundação da Colônia do Sacramento. Em meados de 1680, Arzão voltou a São Paulo, sobrevivendo aos reveses do Sul, exercendo no governo da vila cargos de confiança, inclusive o de administrador das minas e superintendente das aldeias reais de índios. Na mesma data Antônio Afonso Vidal/Vidigal tivera patente do mestre de campo para ir aos sertões do Sul, Rio da Prata e ilha de São Gabriel.
Silva Leme estuda sua descendência e ascendência no volume VII de sua «Genealogia Paulistana», página 337. Seu irmão foi Cornélio Rodrigues Arzão (casado com Catarina Gomes Correia, de Itu) também sertanista.
Sobre ele, diz o grande historiador brasileiro Capistrano de Abreu em sua obra »Capítulos da História Colonial», pp. 60 e 61:
«Em torno do Paraguaçu reuniram-se tribos ousadas e valentes, aparentadas aos Aimorés convertidos no princípio do século, que invadiram o distrito de Capanema, trucidaram os moradores e vaqueiros do Aporá, e avançaram até Itapororocas. Pouco fizeram expedições baianas mandadas contra eles, e houve a ideia de chamar gente de São Paulo. Acudindo ao convite Domingos Barbosa Calheiros embarcou em Santos; na Bahia se dirigiu para Jacobinas, mas deixou-se iludir por Paiaiás domesticados, e nada fez de útil.
Acompanhando-o na jornada mais de 200 homens brancos, raros retornaram do sertão. Com este malogro não admira se repetissem as incursões de Tapuias, a ponto de a 4 de março de 1669 ser-lhes declarada guerra e outra vez convidados paulistas para fazê-la. Em agosto de 71 chegou a gente embarcada, com cuja condução a câmara de Salvador despendeu mais de dez contos de réis. Eram dois os chefes principais, Brás Rodrigues de Arzão e Estêvão Ribeiro Baião Parente. Fizeram de Cachoeira base das operações que duraram anos. Brás Rodrigues de Arzão retirou-se depois de tomar, na margem esquerda do Paraguaçu, a aldeia do Camisão. Estêvão Ribeiro guerreou sobretudo na margem direita, onde conquistou a aldeia de Massacará. Em paga dos serviços foi-lhe dado o senhorio de uma vila chamada de João Amaro, nome de seu filho. A vila, depois de vendida com as suas terras a um ricaço da Bahia, extinguiu-se; o epônimo ainda é lembrado nos catingais baianos.
A estas expedições marítimas sucederam outras por via terrestre. Talvez a mais antiga fosse a de Domingos de Freitas de Azevedo, de quem apenas consta haver sido derrotado no rio São Francisco. Facilitaram estas entradas a abundância de matas no trecho superior do rio, as suas condições de navegabilidade dentro do planalto, o emprego de canoas. Paulistas houve que fizeram canoas e desceram para vendê-las próximo do trecho encachoeirado, onde a escassez da vegetação tornava preciosa a mercadoria. Das expedições feitas pelo interior conhecemos a de Domingos Jorge Velho, Matias Cardoso de Almeida, Morais Navarro, todos empregados em combater os hostis índios Paiacus, Janduís, Icós, nas ribeiras do Açu e do Jaguaribe. Domingos Jorge auxiliou a debelação dos Palmares, mocambo de negros localizado nos sertões de Pernambuco e Alagoas, que já existia antes da invasão flamenga e zombara de numerosas e repetidas tropas contra ele mandadas. Ficou assim livre todo o território entre as matas do cabo de Santo Agostinho e Porto Calvo.»
Referências
- Sette, Bartyra. «Braz Rodrigues de Arzão». www.projetocompartilhar.org. Consultado em 17 de abril de 2023
- «GeneaMinas - genealogia mineira - Capitão Mor- Braz Rodrigues de Arzam e Maria Egypcíaca Mendes Domingues». geneaminas.com.br. Consultado em 17 de abril de 2023
- «Famílias Mafra: Brás Rodrigues de Arzão». www.mafra.com.br. Consultado em 17 de abril de 2023
Brás Rodrigues de Arzão: O Destacado Sertanista Paulista do Século XVII
Brás Rodrigues de Arzão (São Paulo dos Campos de Piratininga, ? — ibid., 12 de julho de 1693) foi um dos mais notáveis bandeirantes e sertanistas paulistas do período colonial. Filho do flamengo Cornélio de Arzão e de Elvira Rodrigues, e casado com Maria Egipcíaca Domingues, sua trajetória mistura as clássicas incursões ao sertão brasileiro, o conflito político local e a participação na geopolítica de expansão territorial da Coroa Portuguesa.
🗺️ Principais Expedições e Campanhas ao Sertão
As Bandeiras ao Sul e à Bahia (1658–1671): Desde 1651, Arzão integrou expedições rumo ao extremo Sul. Em 1658, acompanhou a bandeira de Domingos Barbosa Calheiros rumo à Bahia para combater os índios paiaiás, sofrendo um grave revés e retornando a São Paulo apenas em 1660. Anos mais tarde, em 1671, retornou à Bahia integrando a bandeira de Estêvão Ribeiro Baião Parente, campanha que durou anos e resultou na tomada da aldeia do Camisão na margem esquerda do rio Paraguaçu.
Prospecção de Ouro (1675): Em reconhecimento à sua experiência nos sertões, o Governador-Geral do Estado do Brasil incumbiu-o, em 20 de março de 1675, de realizar pesquisas minerais em busca de ouro nas capitanias do sul.
A Fundação da Colônia do Sacramento (1679–1680): No posto de capitão-mor, integrou a leva militar comandada por Jorge Soares de Macedo com a missão de participar das diligências que culminaram na fundação da Colônia do Sacramento (atual Uruguai), retornando a São Paulo em meados de 1680 após sobreviver às intempéries da região sulina.
🏛️ Atuação Política e Conflitos em São Paulo
Além de sertanista, Arzão exerceu importantes cargos de confiança na administração de São Paulo, atuando como administrador das minas e superintendente das aldeias reais de índios.
Sua forte influência política colocou-o no centro de disputas locais. Um episódio marcante ocorreu a 24 de junho de 1677, quando liderou uma revolta popular contra os jesuítas em São Paulo. O povo, temendo que os religiosos estivessem executando ordens vindas do Rio de Janeiro para garantir a alforria dos índios da terra, ameaçou expulsá-los. A crise diplomática e popular desfez-se pacificamente após o Reitor e os padres declararem publicamente que jamais haviam interferido na liberdade dos gentios.
📚 Genealogia e Memória Histórica
A ascendência e descendência de Brás Rodrigues de Arzão foram amplamente documentadas por Luiz Gonzaga da Silva Leme no volume VII de sua célebre obra Genealogia Paulistana (página 337). O historiador Capistrano de Abreu, em seus Capítulos da História Colonial, também destaca o papel de Arzão e de Estêvão Ribeiro Baião Parente nas duras guerras contra os índios bravios no nordeste baiano, consolidando seu nome na historiografia expansionista do Brasil colonial.