domingo, 23 de agosto de 2026

Curitiba, PR Data da foto original: 1901 Descrição da imagem: Rua XV de Novembro [1901]. Quadra entre as Rua Monsenhor Celso e Rua Barão do Rio Branco. Aparece a esquerda a Casa Cristal

 Curitiba, PR Data da foto original: 1901 Descrição da imagem: Rua XV de Novembro [1901]. Quadra entre as Rua Monsenhor Celso e Rua Barão do Rio Branco. Aparece a esquerda a Casa Cristal


Curitiba, PR Data da foto original: 1900, maio, 3 Descrição da imagem: Rua XV de Novembro esquina da rua Primeiro de Março, atual Rua Monsenhor Celso

 Curitiba, PR Data da foto original: 1900, maio, 3 Descrição da imagem: Rua XV de Novembro esquina da rua Primeiro de Março, atual Rua Monsenhor Celso


Curitiba, PR Descrição da imagem: Trecho da Rua XV de Novembro entre as ruas Primeiro de Março - atual Monsenhor Celso - e Avenida Marechal Floriano Peixoto - atual avenida homonima -. Veem-se alguns bondes de mula e carroças

Curitiba, PR Descrição da imagem: Trecho da Rua XV de Novembro entre as ruas Primeiro de Março - atual Monsenhor Celso - e Avenida Marechal Floriano Peixoto - atual avenida homonima -. Veem-se alguns bondes de mula e carroças


Curitiba, PR Data da foto original: 1915, out., 22 Descrição da imagem: Casa de moveis existentes na Rua Marechal Deodoro com a Barao do Rio Branco [1915]. Na fachada, legenda J.S. 1905

 Curitiba, PR Data da foto original: 1915, out., 22 Descrição da imagem: Casa de moveis existentes na Rua Marechal Deodoro com a Barao do Rio Branco [1915]. Na fachada, legenda J.S. 1905




Curitiba, PR Data da foto original: 1904 Descrição da imagem: Um bondinho de mula passando pela rua Marechal Deodoro [1904] esquina com rua Barao do Rio Branco. O sobrado a direita era da familia Lustoza, e foi construido em 1881

 Curitiba, PR Data da foto original: 1904 Descrição da imagem: Um bondinho de mula passando pela rua Marechal Deodoro [1904] esquina com rua Barao do Rio Branco. O sobrado a direita era da familia Lustoza, e foi construido em 1881


Curitiba, PR Data da foto original: 1914 Descrição da imagem: Rua João Negrão [1914], Direção Centro-Bairro, quando em calçamento

 Curitiba, PR Data da foto original: 1914 Descrição da imagem: Rua João Negrão [1914], Direção Centro-Bairro, quando em calçamento


Curitiba, PR Data da foto original: 1916, out. Descrição da imagem: Rua Duque de Caxias vista do cruzamento da atual Rua Inácio Lustosa subindo para a praça Garibaldi - a esquerda vemos a torre da Igreja Luterana da rua Inácio Lustosa e ao fundo frente a Rua, a casa que e a sede atual da Fundação Cultural de Curitiba

 Curitiba, PR Data da foto original: 1916, out. Descrição da imagem: Rua Duque de Caxias vista do cruzamento da atual Rua Inácio Lustosa subindo para a praça Garibaldi - a esquerda vemos a torre da Igreja Luterana da rua Inácio Lustosa e ao fundo frente a Rua, a casa que e a sede atual da Fundação Cultural de Curitiba


Curitiba, PR Data da foto original: 1906 Descrição da imagem: Rua do Rosario - A direita, a entrada do Castelo Jose Hauer, atual Colegio Divina Providencia, e ao fundo a atual Avenida Marechal Floriano Peixoto [1906]

 Curitiba, PR Data da foto original: 1906 Descrição da imagem: Rua do Rosario - A direita, a entrada do Castelo Jose Hauer, atual Colegio Divina Providencia, e ao fundo a atual Avenida Marechal Floriano Peixoto [1906]


Estêvão Ribeiro Baião Parente ("O Moço"): O Bandeirante das Conquistas na Bahia

 

Estêvão Ribeiro Baião Parente
Ocupaçãosertanistas

Estêvão Ribeiro Baião Parente, "o moço" foi um sertanista e explorador brasileiro. Segundo Silva Leme era filho de João Maciel Valente (1578-1641) que "foi nobre cidadão que teve as rédeas do governo de S. Paulo" e de " Maria Ribeiro filha de Estevão Ribeiro Bayão" [1] e portanto neta de Estevão Ribeiro Baião Parente, natural de Beja, Portugal, e de Magdalena Fernandes Feijó de Madureira, natural do Porto, que "passaram a S. Vicente e S. Paulo trazendo filhos e filhas"[2] por volta de 1585[3]. Em 29 de novembro de 1679 Estevão Ribeiro Baião Parente, "o moço", já tinha morrido.

Guerras contra os índios da região da Bahia

Sertanista dos mais práticos, em 22 de maio de 1670, Estevão Ribeiro Baião Parente ofereceu-se à Câmara de São Paulo para socorrer a Bahia na forma do pedido do governador-geral português Alexandre de Sousa Freire, que apelara aos paulistas para defender dos índios o povo do Recôncavo e recebeu patente de governador da Conquista[4].

Em 20 de julho de 1671 Brás Rodrigues de Arzão recebeu patente de capitão-mor da leva de Estêvão Parente para combater os maracás, dada na Bahia. A bandeira vai agir de modo destruidor, levando os índios para além da serra de matas do Orobó, sendo mais ferozes os sertanistas capitães Manuel Vieira Sarmento e Manuel Inojosa.

Em 4 de agosto de 1671 Estêvão acabava de chegar à Bahia com 400 homens brancos, além de mamelucos e índios, muito maltratados pelo mar. Eram seus companheiros ademais dos acima citados João Amaro Maciel Parente, seu filho; o sargento-mor Brás Rodrigues de Arzão; Antônio Soares Ferreira e Antônio Afonso Vidal.

Em 7 de agosto e 12 de agosto, há duas ordens do governador Afonso Furtado, de que se conclui que Estêvão, tendo embarcado em Santos ao mesmo tempo que Arzão, custara tanto a chegar que havia poucas esperanças. Como Arzão há muito estava na Bahia, partiu para o sertão para aproveitar o tempo das águas, levando o Regimento com o posto de capitão-mor da conquista, subordinado sempre porém a Estêvão Parente. Quando Parente desembarcou, Furtado deu ordem a Arzão de o esperar nos campos do Aporá para juntos prosseguirem.

Em 14 de novembro de 1673 o governador-geral o nomeia capitão-mor da nova vila de Santo Amaro da Conquista, erguida no local da aldeia dos índios cochos, escolhido por ele para a fundação do povoado, como desejava o governador-geral. Parente permanece na Bahia, participando de outras expedições de conquista, como a dos índios maracás em 1674, a dos escravos negros do Quilombo dos Palmares em 1675.

Durante dois anos de lutas, Estêvão Parente venceu os índios tapuias do Orobó, remetendo os prisioneiros para as casas fortes criadas em Paraguaçu, Ibirutuca, Piranhas. Todo o movimento colonizador operado posteriormente nas cabeceiras do rio Paraguaçu, Rio Jacuípe, rio Jequiriçá e rio Orobó até Sincorá foi resultado desta bandeira.

Em 14 de julho de 1676 mandou-se entregar a Estêvão Ribeiro Baião Parente a munição necessária para a entrada contra os índios que atacavam as povoações dos campos do Guairaru. Em 1677 a Junta Trina o recrimina por estar cativando índios mansos, pertencentes a Gaspar Rodrigues Adorno, mas meses depois o elogia, por feitos contra os índios bravos. A esse tempo o capitão-mor Domingos Rodrigues de Carvalho procurava vencer os tapuias das margens do rio São Francisco, o cabo paulista Domingos de Freitas e Azevedo e seu irmão Bernardo combatiam os índios aniós, antes de vir outro paulista, Francisco de Chaves Leme.

Ponto de vista de historiadores

Comenta o livro «Ensaios Paulistas», editora Anhembi, São Paulo, 1958, página 635: "Uma das maiores campanhas de sertanismo organizadas em São Paulo na última metade do século XVII foi a que organizou Estêvão Ribeiro Baião Parente a chamado do governo do Brasil, levando em seu estado maior dois bandeirantes dos de maior prol, seu filho João Amaro Maciel Parente e Brás de Arzão, bandeira esta que se desforrou, do modo mais completo, do malogro da expedição de Domingos Barbosa Calheiros" [5].

Sobre ele, diz o grande historiador brasileiro Capistrano de Abreu em sua obra «Capítulos da História Colonial», pp. 60–61 [6]:

Em torno do Paraguaçu reuniram-se tribos ousadas e valentes, aparentadas aos Aimorés convertidos no princípio do século, que invadiram o distrito de Capanema, trucidaram os moradores e vaqueiros do Aporá, e avançaram até Itapororocas. Pouco fizeram expedições baianas mandadas contra eles, e houve a idéia de chamar gente de São Paulo. Acudindo ao convite Domingos Barbosa Calheiros embarcou em Santos; na Bahia se dirigiu para Jacobinas, mas deixou-se iludir por Paiaiás domesticados, e nada fez de útil.
Acompanhando-o na jornada mais de 200 homens brancos, poucos retornaram do sertão. Com este malogro não admira se repetissem as incursões de Tapuias, a ponto de a 4 de março de 1669 ser-lhes declarada guerra e outra vez convidados paulistas para fazê-la. Em agosto de 71 chegou a gente embarcada, com cuja condução a câmara do Salvador despendeu mais de dez contos de réis. Eram dois os chefes principais, Brás Rodrigues de Arzão e Estêvão Ribeiro Baião Parente. Fizeram de Cachoeira base das operações que duraram anos. Brás Rodrigues retirou-se depois de tomar, na margem esquerda do Paraguaçu, a aldeia do Camisão. Estêvão Ribeiro guerreou sobretudo na margem direita, onde conquistou a aldeia de Massacará. Em paga dos serviços foi-lhe dado o senhorio de uma vila chamada de João Amaro, nome de seu filho. A vila, depois de vendida com as suas terras a um ricaço da Bahia, extinguiu-se; o epônimo ainda é lembrado nos catingais baianos.
A estas expedições marítimas sucederam outras por via terrestre. Talvez a mais antiga fosse a de Domingos de Freitas de Azevedo, de quem apenas consta haver sido derrotado no rio S. Francisco. Facilitaram estas entradas a abundância de matas no trecho superior do rio, as suas condições de navegabilidade dentro do planalto, o emprego de canoas. Paulistas houve que fizeram canoas e desceram para vendê-las próximo do trecho encachoeirado, onde a escassez da vegetação tornava preciosa a mercadoria. Das expedições feitas pelo interior conhecemos a de Domingos Jorge Velho, Matias Cardoso de Almeida, Morais Navarro, todos empregados em combater os Paiacus, Janduís, Icós, nas ribeiras do Açu e do Jaguaribe.
Domingos Jorge auxiliou a debelação dos Palmares, mocambo de negros localizado nos sertões de Pernambuco e Alagoas, que já existia antes da invasão flamenga e zombara de numerosas e repetidas tropas contra ele mandadas. Ficou assim livre todo o território entre as matas do cabo de Santo Agostinho e Porto Calvo.

Referências

  1. Pedro Taques/Luis Gonzaga da Silva Leme - "Genealogia Paulistana", volumes VIII pág. 230, 231 e 258
  2. Pedro Taques/Luis Gonzaga da Silva Leme - "Genealogia Paulistana", volumes VII pág. 166
  3. Edith Porchat - "Informações históricas sobre São Paulo no século de sua fundação", Editora Iluminuras 1993, pág. 106
  4. Pedro Taques/Luis Gonzaga da Silva Leme - "Genealogia Paulistana", volumes III pág. 482
  5. "Ensaios Paulistas", Editora Anhembi, São Paulo 1958, pág. 635

Estêvão Ribeiro Baião Parente ("O Moço"): O Bandeirante das Conquistas na Bahia

Estêvão Ribeiro Baião Parente, "o moço" (falecido antes de novembro de 1679), foi um proeminente sertanista, explorador e militar brasileiro do século XVII. Neto do patriarca homônimo natural de Beja, Portugal, que se estabeleceu em São Vicente e São Paulo por volta de 1585, Estêvão consolidou seu nome na história colonial ao liderar uma das maiores campanhas militares de socorro e subjugação de indígenas a pedido da Coroa Portuguesa.

🛡️ A Grande Campanha contra os Índios na Bahia

Na segunda metade do século XVII, as populações indígenas da região do Recôncavo Baiano — especialmente tribos aguerridas como os maracás e tapuias da região do Orobó e do Paraguaçu — intensificaram ataques contra vilas, fazendas e vaqueiros, aniquilando expedições locais (como o fracasso prévio de Domingos Barbosa Calheiros).

  • O Chamado do Governador: Diante do perigo iminente, o governador-geral Alexandre de Sousa Freire apelou aos paulistas. Em maio de 1670, Estêvão Ribeiro Baião Parente ofereceu-se à Câmara de São Paulo para organizar o socorro, recebendo a patente de governador da Conquista.

  • O Desembarque e a Força Expedicionária: Em agosto de 1671, após uma viagem marítima difícil a partir de Santos, Estêvão desembarcou na Bahia à frente de cerca de 400 homens brancos, além de mamelucos e índios aliados. Em seu estado maior figuravam nomes de grande peso, como seu filho João Amaro Maciel Parente, o sargento-mor Brás Rodrigues de Arzão, Manuel Vieira Sarmento e Manuel Inojosa.

  • Operações e Expansão Territorial: Fazendo de Cachoeira sua base de operações, a bandeira agiu de forma implacável. Brás Rodrigues de Arzão atuou na margem esquerda do rio Paraguaçu, enquanto Estêvão concentrou suas forças na margem direita, combatendo na serra do Orobó e conquistando redutos como a aldeia de Massacará.

🏛️ Desdobramentos e Outras Missões

A campanha de Estêvão Parente alterou profundamente a geografia e a demografia do sertão baiano:

  • Fundação de Vilas: Em novembro de 1673, foi nomeado capitão-mor da nova vila de Santo Amaro da Conquista (fundada onde antes ficava a aldeia dos índios cochos). Mais tarde, recebeu como recompensa o senhorio de outra vila batizada de João Amaro, em homenagem a seu filho (embora a povoação tenha se extinto após ser vendida a um ricaço baiano).

  • Frentes Variadas: Todo o avanço colonizador posterior nas cabeceiras dos rios Paraguaçu, Jacuípe, Jequiriçá e Orobó até Sincorá decorreu diretamente desta bandeira. Além dos combates contra os tapuias, Parente participou de incursões complementares, incluindo campanhas contra os quilombolas do Quilombo dos Palmares em 1675.

📜 Visão Historiográfica

O impacto e a magnitude da expedição de Estêvão Parente são amplamente documentados por cronistas e historiadores. De acordo com a obra Capítulos da História Colonial, de Capistrano de Abreu:

"Em torno do Paraguaçu reuniram-se tribos ousadas e valentes... Pouco fizeram expedições baianas mandadas contra eles, e houve a idéia de chamar gente de São Paulo... Eram dois os chefes principais, Brás Rodrigues de Arzão e Estêvão Ribeiro Baião Parente. Fizeram de Cachoeira base das operações que duraram anos [...] Em paga dos serviços foi-lhe dado o senhorio de uma vila chamada de João Amaro."

A expedição é lembrada como um marco da eficácia militar dos sertanistas paulistas contratados pela administração colonial para estender as fronteiras e pacificar o interior do Brasil quinhentista e seiscentista.

Carlos Pedroso da Silveira: O Pioneiro do Ouro e Provedor das Minas Gerais

 

Carlos Pedroso da Silveira
Conhecido(a) porpapel importante no descobrimento do ouro em Minas Gerais
Nascimento
Morte
17 de agosto de 1719 (75 anos)
Nacionalidadebrasileiro
OcupaçãoBandeirante

Carlos Pedroso da Silveira (São Paulo, 164417 de agosto de 1719)[1][2][3][4], também conhecido como Carlos Pedroso, foi um bandeirante,[1][5] militar[1] e político[1][5] brasileiro do século XVII, que teve papel importante no descobrimento do ouro em Minas Gerais.

Biografia

Carlos Pedroso era filho de Gaspar Cardoso Guterres e de Gracia da Fonseca Rodovalho. Seu irmão Henrique foi mais tarde foi crismado com o nome José Cardoso Guterres, capitão de cavalos dos auxiliares de Taubaté, ali morto solteiro em 1723 deixando dois filhos bastardos, Ricardo e Maria. Eram netos de D. Simão de Toledo Piza, morto em São Paulo em 1668 e casado em São Paulo em 12 de fevereiro de 1640 com D. Maria Pedroso, filha de Sebastião Fernandes Correia, primeiro Provedor e contador da Fazenda Real em São Paulo, e de Ana Ribeiro, da família Freitas.[1]

A mãe de Carlos Pedroso da Silveira era filha primogênita de Simão, D. Gracia da Fonseca Rodovalho, nascida em 1641, e casada com Gaspar Cardoso Gutierrez ou Guterres, vindo de Lisboa, irmão de Luis Nunes da Silveira, morador no Espírito Santo em 1705. Eram filhos de Luis Nunes Guterres, de Lisboa, e de Maria Miguel da Silveira, de Angra, na Ilha Terceira, de conhecida nobreza, tia do Dr. Jorge da Silveira que em 1694 foi vigário geral e provedor do Bispado do Rio.[1]

Carlos Pedroso se casou na vila de São Vicente com Isabel de Sousa Ébanos Pereira, nascida no Rio de Janeiro, filha de Gibaldo Ebanos Pereira; este por sua vez era descendente do Capitão Heliodoro Ebanos que viera de Viana do Minho em 1568 com seu primo-irmão Estácio de Sá, e de Maria de Souza Brito, filha de João Pereira de Souza Botafogo, de Elvas, dono de sesmaria, perseguido em Portugal, casado com Maria da Luz Escorcia Drummond, de família da ilha da Madeira com ancestrais escoceses. Casou com D. Inês de Moura Lopes, de São Vicente, filha de Manoel Lopes de Moura de São Vicente e Maria Gonçalves.[1]

Silva Leme descreve bem sua família no volume V página 507 da "Genealogia Paulistana". Foi a principal figura de todo o primeiro período do ciclo do ouro em Minas, companheiro do sertanista Bartolomeu Bueno de Siqueira desde 1683, financiando entradas e bandeiras em que João Lopes de Lima como cabo, Francisco Rodrigues, Antônio Vaz, Manuel Rodrigues de Arzão, Antônio Domingues Galera, Manuel Ferreira de Lemos e outros andavam em sondagens pelo sertão dos Cataguases. Tomou parte ativa e custeou a bandeira de 1694 na qual o Segundo Anhanguera achou ouro em Itaverava.

Atividades

Foi o primeiro que se animou, à custa de sua própria fortuna e sem interesse de futuras mercês, como quis fazer acreditar, a fazer penetrar o sertão dos bárbaros índios cataguases, com o cabo de tropa Bartolomeu Bueno de Siqueira, sendo os primeiros a apresentar amostras de ouro ao Governador Antônio Paes de Sande, por volta de 1695. Não era propriamente um sertanista, mas foi sócio dos mais importantes, procurador dos bandeirantes para por eles figurar perante o governo.

Quando arrebentou uma enorme discórdia na Itaverava por causa da permuta de armas, entrando o primeiro ouro na transação, e Manuel Garcia o levando com o sócio para Taubaté, Carlos Pedroso interveio e acalmou as suscetibilidades, pois os compradores de ouro não se consideravam descobridores, a vantagem para todos seria o manifesto, feito por Pedroso, sócio de Bartolomeu Bueno da Silva e de Miguel Garcia.

Antes das minas, já teria ocupado o cargo de Ouvidor e de capitão-mor e mais tarde foi substituído pelo de mestre de campo dos Terços das tropas milicianas das vilas de Taubaté, Pindamonhangaba e Guaratinguetá.[1]

O manifesto em 1695

Com a prova do ouro, partiu em 1695 para o Rio de Janeiro para "manifestar" ao Governador da Capitania, Antônio Pais de Sande, que sofrera entretanto um derrame quando ali chegou Pedroso. O manifesto era obrigatório pelo artigo 3 da Carta Régia de 15 de agosto de 1603: "depois de o descobridor tirar metal da dita mina, será obrigado a aparecer com ele e o manifestar ao Provedor presente ou ao seu escrivão dentro de 30 dias por juramento que lhe será dado". Segundo as Ordenações do Reino, mais antigas, dizia-se: "achando uma pessoa uma veia, o fará saber ao Juiz do lugar, que irá ver com o Escrivão da Câmara para registro no livro competente, dando-se certidão."

Carlos Pedroso se apressara a manifestar as oitavas havidas de Manuel Garcia Velho, que as houvera de Salvador Fernandes Furtado. No Itaverava, de volta, Bartolomeu Bueno de Siqueira se encontrara com Salvador, Manuel e outros conquistadores do gentio. Ali cuidavam de ouro, em que empregavam os índios cativos dos sertões do Caeté e rio Doce. Uma exploração sem prática, com paus pontiagudos, fazendo apurações em pratos de pau e estanho das formações e cascalhos que extraiam. Teriam apurado apenas 12 oitavas de ouro que Manuel Garcia (capitão-mor da bandeira do coronel Salvador) teria trocado pela clavina famosa (ou uma espingarda e uma catana, segundo outro cronista). Armas eram caras e raras: ao morrer em 1725 o Coronel Salvador Fernandes Furtado, amante de boas armas e homem rico, à beira do sertão povoado de índios botocudos, deixaria apenas 14 espingardas entre boas e más…). Trocada a clavina com o companheiro de Bartolomeu Bueno, Miguel Garcia de Almeida e Cunha. Ao retornar Bartolomeu, ficou furioso, arguindo a Miguel Garcia de Almeida e Cunha que as bandeiras eram corpos coletivos, disciplinados, nem mesmo o chefe podendo extraviar o objeto a que se destinavam: tinham vindo buscar ouro e o ouro que aparecesse pertencia a todos em comum. O argumento de Miguel era que o compromisso com Carlos Pedroso dizia respeito ao ouro do Tripuí- um terceiro foi então levar o ouro a Pedroso: o capitão Manuel Garcia de Almeida e Cunha, ajudante do coronel e irmão de Miguel.

Cronistas do século XVIII tentaram denegrir Carlos Pedroso, atribuindo-lhe artifícios para conquistar postos e honras, mas Pedro Taques diz que "se se animou à custa de sua fazenda, sem o menor auxílio, nem interesse de futuras mercês, a fazer penetrar o vasto sertão dos bárbaros índios Cataguás, e teve a felicidade de ser o primeiro que com o cabo de tropa Bartolomeu Bueno de Siqueira conseguisse o descobrimento das minas de ouro". O manifesto de Miguel Garcia foi o primeiro dado na forma do Regulamento.

O rei muitas vezes escreveu a Carlos Pedroso da Silveira, pois os portugueses o consideravam bom súdito, e leal.

Em 1699

Por patente dada no Rio de Janeiro em 23 de maio de 1699 o governador Artur de Sá e Menezes o elegeu capitão-mor regente da capitania de Itanhaém: "Faço saber que havendo respeito a estar vago o posto de Capitão-Mor da capitania de Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém de que é donatário o conde da Ilha do Príncipe e por convir ao serviço de Sua Majestade, a quem Deus guarde, que este se prova em pessoa capaz e de merecimento para o dito posto, e considerando o que por parte de Carlos Pedroso da Silveira se me representou ter servido a Sua Majestade, a quem Deus guarde, no cargo d Ouvidor da dita Capitania por tempo de seis anos e depois foi provido no posto de sargento-mor de ordenanças de Taubaté por provimento do capitão-mor Martim Garcia Lumbria, cargo que exerceu por dois anos com geral satisfação e procedimento, e de estar atualmente no cargo de Provedor da oficina real de Taubaté, cargo em que serve mais de três anos com notável zelo e trabalho, pondo-se várias vezes em perigo de sua vida para obrigar aqueles que não queriam verdadeiramente quintar o ouro que pertencia aos Reais quintos de Sua Majestade, a quem Deus guarde, vindo daquela vila a esta cidade três vezes, duas com amostras de ouro das novas minas dos cataguases e êste ano a conduzir três arrobas e 14 arráteis de ouro que pertencia a Sua Majestade", etc. Seria reconduzido ao posto por patente de Artur de Sá e Menezes de 19 de agosto de 1701 e por terceira vez por patente de D. Fernando Martins Mascarenhas dando-lhe posse em outubro de 1705.

Consta que no início de 1699 Carlos Pedroso partiu para o Rio, a entregar ao tesoureiro-mor da Fazenda Real, Luís Lopes Pegado, quantia de três arrobas e 14 arráteis de ouro proveniente dos quintos arrecadados em Taubaté e tal cobrança se fez com tal dificuldade que arriscou a vida em diligências, como se lê em sua patente.[1] Por isso os ódios contra José de Camargo Pimentel: e se a quantidade foi essa, imagine-se a do ouro sonegado nos primeiros anos da descoberta!

Recebeu carta do Rei, escrita em 19 de outubro de 1699, como provedor da recém fundada Casa de Fundição de Ouro[5] em Taubaté para a qual ia o ouro de Minas, já em abundância, para ali ser quintado. Agradece o Rei "não só o aumento dado à Coroa pelos quintos, mas o conduzi-los em pessoa ao Rio de Janeiro". De fato, aquela fundição em Taubaté logo no primeiro ano rendimento tal que o provedor, em pessoa e à sua custa, foi ao Rio de Janeiro levá-lo!

Em 1713

Quando o governador D. Brás Baltazar da Silveira passou em 1713 por Taubaté, deu-lhe patente de mestre-de-campo, nomeado para corrigir os desregramentos da época capitão-mor e regente das três vilas de Taubaté, Guaratinguetá e Pindamonhangaba.

Não teria enriquecido no posto rendoso, como tantos outros, pois há no livro de notas do tabelião Pilos, na vila do do Carmo, escritura de compra que fez em 23 de agosto de 1715 ao capitão-mor Domingos de Araújo Lanhoso de dois sítios por 4.800 oitavas de ouro, inclusive "seis peças do gentio da Guiné", com cláusula de hipoteca até o final do pagamento. Um desses sítios é a Fazenda da Ressaca, entre São Caetano (onde morava então Carlos Pedroso da Silveira) e Lavras Velhas, em ambas as margens do Ribeirão do Carmo. Por sua morte trágica, o coronel Salvador Fernandes Furtado com comprou as propriedades, onde por sua vez, por ocasião de seu testamento, mandou se recolherem suas filhas Mariana Furtado, casada com João Pereira, e outras solteiras.

Assassinato

Não se sabe ao certo quem foi ou quem foram os autores do assassinato de Pedroso. Era na época governador de São Paulo e Minas Dom Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos, conde de Assumar e futuro Marquês de Alorna, e Carvalho Franco afirma que esse, em carta a Bartolomeu de Sousa Mexia, datada de 9 de fevereiro de 1720, diz que foi um irmão de Domingos Rodrigues do Prado, famoso bandeirante de Taubaté, quem assassinou Pedroso. Em outra carta, redigida na Vila do Carmo (hoje Mariana) e datada de 20 de outubro de 1720, ele comunica à viúva D. Isabel:

Ao Ouvidor outra carta do mesmo governador diz que:

O governador esquecia a falta de força pública, naqueles tempos. A viúva D. Isabel, obrigada a se retirar de Taubaté, foi para suas terras do Rio Verde, a caminho das Minas, na paragem de Caxambu, concedidas em sesmaria a Carlos Pedroso da Silveira e a seu genro Francisco Alves Correia por provisão do governador D. Fernando Mascarenhas em 30 de setembro de 1706. Ali mantinham grandes plantações de mantimentos para os viajantes de Minas.

Carlos Pedroso da Silveira jaz na capela dos Terceiros de São Francisco em Taubaté.

Posteridade

Carlos Pedroso da Silveira deixou sete filhos com Isabel de Souza Ebanos, citados em seu testamento (Taubaté, 1719), bem como na "Genealogia Paulistana", de Luiz Gonzaga da Silva Leme. Eram eles:

  • 1 - o padre Leonel Pedroso da Silveira, clérigo de São Pedro;
  • 2 - Maria Pedroso da Silveira, casada com o capitão Francisco Alvares de Castilho (filho de Francisco Alves Correia e de Maria Bicudo), natural da Ilha Grande e morador de Taubaté ao casar.
  • 3 - Gaspar Guterres da Silveira, casado com Feliciana dos Santos;
  • 4 - Leopoldo da Silveira e Sousa, casado em Guaratinguetá com Helena da Silva Rosa;
  • 5 - Bernarda Pedroso da Silveira, casada com João Pedroso de Alvarenga;
  • 6 - Tomásia Pedroso da Silveira, casada em Taubaté com Domingos Alves Ferreira, filho de Domingos Alves Ferreira (da Ilha Grande) e Andreza de Castilho; e
  • 7 - Ana Pedroso da Silveira, casada com Manuel da Costa Guimarães.

Alguns deles viviam em São Caetano do Ribeirão desde os primeiros tempos do povoamento de Minas.

Referências

  1.  Santos de Lima, Leandro (2011). Bandeirismo paulista: o avanço na colonização e exploração do interior do Brasil (Taubaté, 1645 a 1720) (Tese). Ribeirão Preto: Universidade de São Paulo (USP). Consultado em 18 de janeiro de 2024
  2. SILVEIRA, Carlos da. “Carlos Pedroso da Silveira”. R.I.H.G.S.P. Vol. XXX. São Paulo: Typographia do Diário Oficial, 1935.
  3. FRANCO, Francisco de Assis Carvalho. Dicionário de Bandeirantes e Sertanistas do Brasil. São Paulo: Comissão do V Centenário da Cidade de São Paulo, 1954. Verbete “Silveira, Carlos Pedroso da”.
  4. “Requerimento do Capitão-mor Carlos Pedroso da Silveira ao Rei [D. Pedro II], solicitando mercê do Hábito de Cristo com tença e a primeira Companhia de Infantaria paga que vagar [no Rio de Janeiro] pelos serviços prestados como Sargento-mor da vila de S. Francisco das Chagas de Taubaté, Ouvidor e Capitão-mor da Capitania de Nossa Senhora da Conceição de Tinhaém e Provedor das Minas e Quintos Reais da vila de Taubaté”. 28.01.1701. Arquivo Histórico Ultramarino – Conselho Ultramarino – Brasil/Rio de Janeiro. Cx. 7, doc. 741. p. 65 e 69.

Carlos Pedroso da Silveira: O Pioneiro do Ouro e Provedor das Minas Gerais

Carlos Pedroso da Silveira (São Paulo, 1644 — 17 de agosto de 1719) foi uma figura central no período colonial brasileiro. Atuando como bandeirante, militar e político, ele desempenhou um papel fundamental nas descobertas auríferas que moldaram a história de Minas Gerais no final do século XVII e início do século XVIII.

🧭 Trajetória e o Ciclo do Ouro

Diferente de outros sertanistas puramente voltados à exploração bruta, Carlos Pedroso destacou-se pelo financiamento e articulação política das entradas e bandeiras.

  • Sócio e Financiador: Foi companheiro do célebre sertanista Bartolomeu Bueno de Siqueira desde 1683. Investiu sua própria fortuna e esforço pessoal, sem esperar recompensas imediatas da Coroa, para desbravar o sertão habitado pelos índios Cataguases.

  • O Descobrimento de Itaverava: Custeou e participou ativamente da bandeira de 1694 que resultou na descoberta de ouro em Itaverava.

  • O Primeiro Manifesto Oficial: Em 1695, foi o encarregado de viajar ao Rio de Janeiro para "manifestar" (registrar oficialmente) as primeiras amostras de ouro perante o governador da capitania, Antônio Pais de Sande, cumprindo rigorosamente as exigências da Carta Régia.

🏛️ Atuação Política e Administrativa

Sua lealdade à Coroa Portuguesa e sua competência técnica renderam-lhe importantes cargos administrativos nas vilas paulistas e nas novas zonas mineradoras.

  • Provedor da Casa de Fundição: Em 1699, atuou com extremo rigor como Provedor da oficina real de Taubaté, arriscando a vida em diligências para garantir a arrecadação e o transporte dos quintos reais diretamente ao tesoureiro no Rio de Janeiro.

  • Capitão-Mor e Regente: Exerceu o cargo de capitão-mor regente de Itanhaém e, posteriormente, foi nomeado mestre-de-campo dos terços de milícia das vilas de Taubaté, Guaratinguetá e Pindamonhangaba para pacificar e organizar a região.

⚰️ Assassinato e Posteridade

A vida de Carlos Pedroso encerrou-se de forma trágica em agosto de 1719, quando foi assassinado. Cartas do então governador de São Paulo e Minas, o conde de Assumar (Dom Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos), indicam que o crime teria sido perpetrado por um irmão do bandeirante Domingos Rodrigues do Prado, gerando forte cobrança às autoridades locais para que investigassem e punissem os culpados.

Casado com Isabel de Sousa Ébanos Pereira (descendente de pioneiros ligados a Estácio de Sá), deixou sete filhos registrados em seu testamento e na Genealogia Paulistana de Silva Leme:

  1. Padre Leonel Pedroso da Silveira

  2. Maria Pedroso da Silveira

  3. Gaspar Guterres da Silveira

  4. Leopoldo da Silveira e Sousa

  5. Bernarda Pedroso da Silveira

  6. Tomásia Pedroso da Silveira

  7. Ana Pedroso da Silveira

Carlos Pedroso da Silveira foi sepultado na capela dos Terceiros de São Francisco em Taubaté, deixando o legado de um dos construtores da economia e da administração mineira colonial.