Da segunda geração e segundo político deste nome da família dos Andradas, filho de Martim Francisco Ribeiro de Andrada e Gabriela Frederica Ribeiro de Andrada (o pai era irmão e a mãe era filha de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência), nasceu na França por ocasião do exílio da família após a dissolução da Assembleia Constituinte de 1823 por D. Pedro I.
Biografia
Apelidado de "o moço", para distingui-lo de seu avô, "o Patriarca da Independência", que era pai de sua mãe e irmão de seu pai. Fez os primeiros estudos em São Paulo. Aos 14 anos ingressou na Escola Militar da Corte, de onde se afastou em 1846, sem terminar o curso. Formou-se em 1853 pela Faculdade de Direito de São Paulo. Foi professor de direito na escola de Recife e depois em São Paulo, tendo sido titular da cadeira de Direito Criminal e da de Direito Civil. Teve como alunos figuras como Rui Barbosa, Castro Alves, Joaquim Nabuco, Rodrigues Alves e Afonso Pena.
Foi deputado provincial (1860) e deputado geral por São Paulo de 1861 a 1868 e de 1878 a 1879 e senador do Império do Brasil de 1879 a 1886. Orador e escritor de estilo romântico, notabilizou-se pela defesa do sistema parlamentarista e do voto dos analfabetos. Foi também ministro da Marinha em 1862 e do Império em 1864, participou do movimento abolicionista defendendo a libertação dos escravos de forma imediata e sem indenização. Rejeitou o cargo de Presidente do Conselho de Ministros em 1883 que lhe foi oferecido pelo Imperador D. Pedro II.
Era casado com sua prima, Adelaide Eugênia da Costa Aguiar de Andrada em primeiras núpcias e após o seu falecimento casou-se em segundas núpcias com Rafaela de Souza Aguiar Gurgel do Amaral. Do primeiro casamento teve os seguintes filhos: José Bonifácio, Martim Francisco, Narcisa, Maria Flora e Gabriela.
Rui Barbosa fez um pronunciamento prestando-lhe homenagem póstuma no Teatro São José, em sessão cívica em 1886.
BONIFÁCIO, José, o moço. Poesias. Org. e apres. Alfredo Bosi e Nilo Scalzo. São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1962. (Poesia, 5).
BONIFÁCIO, José, o velho e o moço. José Bonifácio: o velho e o moço. Org. Afrânio Peixoto e Constâncio Alves. Paris: Aillaud e Bertrand; Porto: Chardron; Rio de Janeiro: F. Alves, 1920. p.181–294. (Antologia brasileira)
FARIA, Júlio César de. José Bonifácio, o moço. São Paulo: Ed. Nacional, 1944.
José Bonifácio de Andrada e Silva ("O Moço"): Biografia e Percurso
Introdução e Biografia
José Bonifácio de Andrada e Silva (Bordéus, 8 de novembro de 1827 — São Paulo, 26 de outubro de 1886), amplamente conhecido como "o Moço" para distingui-lo do seu avô (o Patriarca da Independência), foi um proeminente poeta, jurista, professor e político brasileiro.
Origens Familiares: Pertencia à ilustre família dos Andradas. Nasceu em França devido ao exílio da família após a dissolução da Assembleia Constituinte de 1823 por D. Pedro I. Era filho de Martim Francisco Ribeiro de Andrada e de Gabriela Frederica Ribeiro de Andrada (sendo o pai irmão e a mãe filha de José Bonifácio, o Patriarca).
Casamentos e descendência: Foi casado em primeiras núpcias com a sua prima Adelaide Eugênia da Costa Aguiar de Andrada (com quem teve os filhos José Bonifácio, Martim Francisco, Narcisa, Maria Flora e Gabriela) e, após o seu falecimento, casou-se em segundas núpcias com Rafaela de Souza Aguiar Gurgel do Amaral.
Percurso Académico e Docente
Formação: Frequentou brevemente a Escola Militar da Corte (entre os 14 anos e 1846, sem concluir o curso) e formou-se em 1853 pela Faculdade de Direito de São Paulo.
Carreira no Ensino: Foi professor de direito nas faculdades de Recife e de São Paulo, onde lecionou as cadeiras de Direito Criminal e Direito Civil. Teve como alunos figuras de proa da história e da política nacional, tais como Rui Barbosa, Castro Alves, Joaquim Nabuco, Rodrigues Alves e Afonso Pena.
Atividade Política e Ideais
Cargos Políticos: Exerceu funções como deputado provincial (1860), deputado geral por São Paulo (1861–1868 e 1878–1879), senador do Império do Brasil (1879–1886), bem como ministro da Marinha (1862) e do Império (1864). Chegou a recusar o convite do Imperador D. Pedro II para o cargo de Presidente do Conselho de Ministros em 1883.
Bandeiras Políticas: Orador e escritor de estilo romântico, notabilizou-se pela defesa convicta do sistema parlamentarista, do voto dos analfabetos e pela adesão firme ao movimento abolicionista, defendendo a libertação imediata dos escravos e sem indemnização aos proprietários.
Legado e Homenagens
Homenagem Póstuma: Em 1886, Rui Barbosa proferiu um célebre pronunciamento de homenagem póstuma no Teatro São José.
Patronato de Academias: Foi escolhido por Medeiros e Albuquerque como patrono da cadeira 22 da Academia Brasileira de Letras (fundada em 1897) e como patrono da cadeira 7 da Academia Paulista de Letras (fundada em 1909).
Filho de Manuel Lopes Rodrigues e Ana Constança dos Reis, casou-se com Isabel Teixeira Machado e teve seis filhos, entre eles Manuel Lopes Rodrigues, também famoso pintor.[1]
Foi aluno na Aula Pública de Desenho da Bahia, estudando com José Rodrigues Nunes e também foi assistente de Teófilo de Jesus. Tornou-se professor de desenho e pintura e foi quem ensinou as primeiras lições para seus filhos, Antônio, Maria Constança e Manoel Lopes Rodrigues, sendo este último o que obteve maior projeção com a pintura.[2][3]
Foi um dos professores que fizeram parte do grupo que formou o Liceu de Artes e Ofícios. É nomeado Cavaleiro da Ordem da Rosa em 1874, pelos serviços prestados ao Império e à província da Bahia. Em 1877, começa a trabalhar como desenhista da Repartição de Obras Públicas da Bahia, tornando-se depois efetivo.[2]
Em Belo Horizonte, foi responsável pelas das obras da Igreja Matriz de Carinhanha. Era auxiliar de Miguel Navarro Cañizares e junto com ele é um dos fundadores da antiga Academia de Belas Artes da Bahia, onde lecionou desenho e pintura de 1877 a 1893, foi também professor de estudos de gesso e roupagem em 1880, além de ter sido seu diretor. Também foi sócio da Sociedade Montepio dos Artistas da Bahia, segundo historiadora Maria Conceição Barbosa da Costa e Silva.[3][4]
Obras
Seu nome e sua obra são associadas ao que se convencionou chamar de escola baiana de pintura. Conforme as práticas dos pintores desta escola,
João Francisco produz várias imagens religiosas, normalmente encomendas para as igrejas católicas do estado da Bahia. Entretanto ele não se restringiu somente à isso. Em sua produção, destacam-se além das pinturas religiosas, também os retratos, naturezas-mortas e vários desenhos de plantas de projetos. Entre os retratos que produziu, está o do Imperador Dom Pedro II, algumas autoridades religiosas e Jonathas Abbott, colecionador de arte. De desenho de plantas destaca-se o Monumento Riachuelo.[2]
O Museu de Arte da Bahia adquiriu a coleção de pinturas do médico Jonathas Abbott, o que permitiu conhecer um pouco sobre o trabalho de João Francisco, cuja documentação, registros são insuficientes.[5]
João Francisco Lopes Rodrigues: Biografia, Carreira e Obra
Introdução e Biografia
João Francisco Lopes Rodrigues (Salvador, 19 de dezembro de 1825 — Salvador, 11 de outubro de 1893) foi um proeminente educador, pintor e artista brasileiro, célebre pelas suas obras de cariz religioso e retratos.
Filho de Manuel Lopes Rodrigues e Ana Constança dos Reis, casou-se com Isabel Teixeira Machado, com quem teve seis filhos, entre os quais se destaca Manuel Lopes Rodrigues, que também alcançou grande projeção como pintor. Encontra-se sepultado no jazigo da família, no Mosteiro de São Bento da Bahia.
Carreira Artística e Docente
Formação e Primeiros Anos: Foi aluno na Aula Pública de Desenho da Bahia, onde estudou com José Rodrigues Nunes, e atuou como assistente de Teófilo de Jesus. Dedicou-se desde cedo ao ensino, transmitindo as primeiras lições de desenho e pintura aos filhos António, Maria Constança e Manoel.
Instituições de Ensino e Atuação Profissional:
Integrou o grupo de fundadores do Liceu de Artes e Ofícios da Bahia.
Foi auxiliar de Miguel Navarro Cañizares, com quem cofundou a antiga Academia de Belas Artes da Bahia. Nela lecionou desenho e pintura entre 1877 e 1893, assumindo também as cadeiras de estudos de gesso e roupagem (1880) e o cargo de diretor.
Atuou como desenhista da Repartição de Obras Públicas da Bahia a partir de 1877 (tornando-se posteriormente efetivo) e esteve associado à Sociedade Montepio dos Artistas da Bahia.
Distinções: Em 1874, foi nomeado Cavaleiro da Ordem da Rosa em reconhecimento pelos serviços prestados ao Império e à província da Bahia.
Obra e Estilo
Inserido na tradição da chamada escola baiana de pintura, a sua produção artística abrangeu múltiplos géneros para além da pintura sacra encomendada por igrejas católicas baianas:
Géneros Artísticos: Destacaram-se os retratos (incluindo figuras eclesiásticas, autoridades e o Imperador D. Pedro II), as naturezas-mortas e desenhos técnicos de plantas de projetos (como o Monumento Riachuelo).
Principais Obras:
Jesus Cristo cercado de Crianças (1890) — Casa Pia dos Órfãos
Tainhas (1860) — Museu de Arte da Bahia
Retrato Conselheiro Pedro Luiz Pereira de Souza (1882) — Associação Comercial da Bahia
Pássaros Mortos (1861) — Museu de Arte da Bahia
Bananas — Coleção Particular (Denacy de Castro Lima, bisneta do artista)
Bacalhau e Garoupa (1890) — Museu de Arte da Bahia
A Lavadeira — Museu Carlos Costa Pinto
Retrato de D. Luiz da Conceição Saraiva, Bispo do Maranhão (1863) — Mosteiro de São Bento
Retrato do Imperador Dom Pedro II — Exemplares no Montepio dos Artistas e na Associação Comercial da Bahia
Retrato do Conselheiro Jonathas Abbott — Museu de Arte da Bahia (proveniente da coleção de pinturas do médico e colecionador Jonathas Abbott, adquirida pelo museu, cujo espólio ajudou a documentar o percurso do artista).
Missa e Credo a oito vozes, Missa em Ré Maior, Credo em Fá Maior, Seis Responsórios Fúnebres, Matinas do Natal, Matinas de São Vicente, Matinas da Conceição, Abertura em Ré maior
Assinatura de João de Deus de Castro Lobo em 1820, aos 26 anos de idade.
Filho dos afrodescendentes Gabriel de Castro Lobo (1763-1853) e Quitéria da Costa e Silva, nasceu muito provavelmente em 8 de março de 1794 (dia de São João de Deus)[2] e foi batizado em 16 de março. Seu tio José de Castro Lobo (?-1782) e seu pai eram músicos. Seus irmãos Gabriel de Castro Lobo Filho (1798-1858) e Carlos de Castro Lobo (1803-1849) também seguiram carreira musical,[3] e o segundo transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde teve atuação de destaque, atuando como organista da Capela Imperial do Rio de Janeiro entre 1830 e 1848, tendo sido o responsável pela primeira apresentação pública do harmônio no Brasil, então denominado “harmônica”. A família residia na Freguesia de Antônio Dias de Vila Rica, na Rua dos Paulistas (que ainda mantém esse nome) e o treinamento musical de João de Deus e seus irmãos deve ter sido realizado pelo pai Gabriel de Castro Lobo, como era costume na época, não sendo conhecidos detalhes sobre os métodos de ensino utilizados.[1][4]
Entre 1811 e 1818 foi regente dos músicos da Casa da Ópera de Vila Rica. Em 1812 assinou, com Gabriel de Castro Lobo, Gabriel de Castro Lobo Filho e outros colegas de profissão (aos 17 anos de idade) o pedido para a criação da Confraria de Santa Cecília de Vila Rica. Em 1814 atuou como músico da tropa de linha de Vila Rica e, em 1815, recebeu assento na recém-criada Confraria de Santa Cecília de Vila Rica. Entre 1818 e 1823 recebeu pagamentos da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo de Vila Rica, juntamente com João Nunes Maurício Lisboa, “pelos ajustes dos partidos da música” e pelo “órgão”, frequentando, em 1819, classes de Gramática Latina em Vila Rica, na classe do Padre Silvério. Em 31 de janeiro de 1820 deu início ao seu processo De genere et moribus, destinado ao ingresso na Igreja Católica, frequentando, no mesmo ano, classes de gramática latina em Congonhas do Sabará (atual Nova Lima) e sendo ordenado subdiácono em dezembro.[1][4]
Em 1821 matriculou-se no Seminário da Boa Morte de Mariana, reaberto nesse ano (encontrava-se fechado desde 1811). No mesmo ano (em 21 de junho) foi finalizado o seu processo De genere et moribus, com aprovação no exame de canto eclesiástico para as ordens de diácono e presbítero, tendo sido ordenado diácono em junho e presbítero em maio. Em 1824 e 1825 recebeu para “acolitar” na Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo de Vila Rica e desligou-se da atuação musical nessa Ordem Terceira, na qual havia atuado entre 1818-1823.[1][4]
Em 7 de outubro de 1825 recebeu provisão do Bispo de Mariana (Dom Frei José da Santíssima Trindade) para ocupação do cargo de mestre de capela e organista da Catedral de Mariana, sucedendo José Felipe Correa Lisboa (sendo essa a única provisão conhecida que recebeu para o referido cargo).[5] Nos anos de 1826 a 1831 assumiu também a direção das atividades musicais da Ordem Terceira de São Francisco de Mariana e das festas da Câmara de Mariana, de forma concomitante com o exercício do cargo de mestre de capela da Catedral de Mariana.
Castro Lobo foi alvo de duas cartas de protesto no jornal Estrela Marianense, cerca de seis meses antes do seu falecimento, que ocorreu em 26 de janeiro de 1832, da moléstia “ética” (sífilis provavelmente seguida de tuberculose),[6] tendo sido sepultado na Capela da Ordem Terceira de São Francisco de Mariana, em túmulo que ainda indica o seu nome. Foi sucedido na Catedral de Mariana em 27 de janeiro de 1832, por José Felipe Correa Lisboa no cargo de mestre de capela, e por Lucindo Pereira dos Passos (c.1782-1850) no cargo de organista, ambos nomeados no dia seguinte ao falecimento de João de Deus. Em 3 de fevereiro de 1832, Lucindo Pereira dos Passos pedia "que se cuidasse em providenciar a respeito do órgão desta Sé, a fim de que se evitasse o contágio da moléstia ética, de que tinha acabado de viver seu último proprietário o padre João de Deus Castro".[1][6]
Produção musical
Mariana em 1817-1818, por Thomas Ender, cidade na qual João de Deus de Castro Lobo começou a se estabelecer em 1821.Mariana em 30 de julho 1824, por Johann Moritz Rugendas, quando João de Deus de Castro Lobo já estava residindo na cidade. Imagem tomada da estrada para o Seminário.
Sua produção musical é conhecida quase exclusivamente por cópias de tradição, elaboradas da década de 1820 à década de 1990 (uma vez que seus autógrafos foram aparentemente todos perdidos)[7][6] e inclui Missas, Matinas (anuais, santorais e fúnebres), Novenas e unidades funcionais avulsas para diversas cerimônias litúrgicas e paralitúrgicas. Destacam-se a Missa a 8 vozes em Ré Maior (PR.1.1), a Missa a 4 vozes em Ré Maior (PR.1.2), o Credo em Fá Maior (PR.1.3), as Matinas de Natal (PR.3.1) e sua contrafação Matinas de Nossa Senhora da Conceição (PR.3.3), as Matinas do Espírito Santo (PR.3.2), as Matinas de São Vicente (PR.3.6), as Matinas Fúnebres ou Seis Responsórios Fúnebres (PR.4.1), o Te Deum laudamus (PS.5.1.01), todas sacras e para solistas, coro e orquestra, além de uma Abertura em Ré Maior para orquestra (PR.10.1), conforme o quadro de obras (abaixo).[1]
Suas composições foram transmitidas de forma orgânica em localidades do Estado de Minas Gerais (principalmente nas cidades de Mariana, Ouro Preto e São João del-Rei), mas com alguma circulação também nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, da década de 1820 até o início do século XX, entrando em lento declínio a partir da promulgação do Motu proprioInter pastoralis officii sollicitudines, de Pio X (1903), que determinou a reforma da música sacra.[1][8] Em 1975 e 1976, já na fase de revivalismo da música antiga, ocorreu a primeira edição de composições de João de Deus de Castro Lobo pela Funarte, na série “Música Sacra Mineira - século XVIII e século XIX" (posteriormente conhecida como Coleção Música Sacra Mineira) e em 22 de abril de 1979 foi realizado o primeiro concerto público externo às igrejas com uma de suas obras, a Missa a 8 vozes em Ré Maior (PR.1.1), na Sala Cecília Meireles (Rio de Janeiro). Somente em 1985 ocorreu a primeira gravação de uma composição de João de Deus de Castro Lobo (a mesma Missa a 8 vozes em Ré Maior - PR.1.1). Suas obras conhecidas vêm sendo progressivamente publicadas, gravadas e disponibilizadas na internet, e foram catalogadas em 2022, estando resumidas em quadro abaixo.[1]
Embora sejam escassas as análises do repertório sacro mineiro dos séculos XVIII e XIX, a posição de João de Deus de Castro Lobo nesse panorama já começou a ser compreendida, ainda que em poucos trabalhos. Maurício Dottori analisou a Ladainha em Sol Maior (PR.7.4.17) e observou que o tipo de tonalidade empregada por esse compositor (e mesmo por alguns dos seus contemporâneos) não pode ser totalmente entendida dentro do conceito europeu de classicismo, afastando-se das impressões superficiais que caracterizavam as tentativas de enquadramento automático da música de Castro Lobo na periodização da música europeia.[9] Dottori argumenta que “João de Deus trata aqui a tonalidade pela sua negação, dando preferência a relações entre os tons que enfraquecem a tônica, na direção da subdominante, ou que ampliam pouco a tensão, como as modulações para o relativo menor”, concluindo que “Isto o diferencia fundamentalmente de todos os modelos pré-clássicos, clássicos ou pré-românticos que, supostamente, lhe serviram, pois que estes caminhavam na direção da música abstrata através da valorização das relações de dominante, enquanto à estética de João de Deus de Castro Lobo interessava, sobretudo, a independência do texto poético”.[9]
Mariana em 1839, por Ernst Hasenclever (1814-1869). Imagem tomada da estrada para a freguesia do Inficionado (atual distrito de Santa Rita Durão), hoje Rua Wenceslau Braz.
Outra importante análise da música de Castro Lobo foi realizada por Josinéia Godinho, que comparou suas duas Missas (PR.1.1 e PR.1.2) com Missas de Manoel Dias de Oliveira (1735-1813), José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (c. 1746-1805), Joaquim de Paula Souza (c. 1780-1842), José Maria Xavier (1819-1887) e Presciliano José da Silva (1854-1910).[10] Godinho constatou que existe uma tendência cronológica de aumento da dimensão e da segmentação das obras até João de Deus de Castro Lobo e sua posterior diminuição nas Missas dos compositores cronologicamente posteriores, concluindo que, além de representar o ponto máximo da dimensão e segmentação, em Minas Gerais, as Missas de Castro Lobo representam o apogeu da complexidade técnica e da instrumentação orquestral. Para Godinho, “O crescimento da orquestra e da massa sonora acompanha, nas obras de Castro Lobo, o desenvolvimento internacional que levará às grandes missas sinfônicas nas quais a orquestra terá́ papel de destaque absoluto”, sendo notória, em João de Deus, a maior frequência de introduções instrumentais e de fugas (ainda que sem seguir os cânones europeus e abreviar bastante sua complexidade) e a escritura de solos vocais com o máximo grau de elaboração em toda a música mineira dos séculos XVIII e XIX, próxima aos solos vocais operísticos do período.[10]
Irineu Franco Perpétuo acrescenta que, “Pelo brilho e teatralidade, a produção de Castro Lobo se aproxima da do principal compositor do Rio de Janeiro daqueles tempos, o padre mulato José Maurício Nunes Garcia (1767-1830)”,[11] observação importante, pois pode indicar José Maurício como um dos modelos estilísticos adotados por João de Deus e seus contemporâneos, como os dois Jerônimo de Sousa (Lobo e Queirós), provavelmente devido à posição oficial de Nunes Garcia como mestre de capela da Catedral do Rio de Janeiro desde 1798 e da Capela Real/Imperial da capital brasileira desde 1808.
A transmissão das obras de João de Deus de Castro Lobo
Os autógrafos de João de Deus de Castro Lobo foram aparentemente todos perdidos, sendo as maiores hipóteses para as razões dessa perda a causa mortis do compositor (sífilis provavelmente seguida de tuberculose),[6] e o consequente temor do seu contágio (evidenciado na solicitação de Lucindo Pereira dos Passos, na ata capitular de 3 de fevereiro de 1832, para a desinfecção do órgão que havia sido usado por Castro Lobo), mas também a extinção do cargo de mestre de capela da Catedral de Mariana, pela Lei Provincial Mineira n. 68, de 21 de março de 1837, que provavelmente acarretou menor cuidado com o arquivo musical dessa igreja.[7] Afora o único manuscrito com alguma possibilidade de ser reconhecido como autógrafo, o manuscrito CDO.01.100, C01 do Museu da Música de Mariana (ver imagem abaixo), as possíveis composições remanescentes de João de Deus chegaram ao presente por cópias de tradição, elaboradas da década de 1820 ao início do século XX.[1]
Página de rosto das Matinas do Espírito Santo (PR.3.2) de João de Deus de Castro Lobo (1794-1832), em possível autógrafo (não confirmado). Museu da Música de Mariana (MG), CDO.01.100, C01.Baixo instrumental das Matinas do Espírito Santo (PR.3.2) de João de Deus de Castro Lobo (1794-1832), em provável cópia de José Felipe Correa Lisboa. Museu da Música de Mariana (MG).
Os músicos mais prolixos na cópia de obras de João de Deus de Castro Lobo foram Justino da Conceição (que viveu em Ouro Preto e Belo Horizonte e floresceu entre 1899 e 1942), com 31 cópias, e Vicente Ferreira do Espírito Santo (que viveu em Ouro Preto entre 1847 e 1911), com 23 cópias. Outros músicos com número significativo de cópias de obras de João de Deus viveram predominantemente na região de Ouro Preto e Mariana, com um grupo minoritário nas localidades de Barra Longa, Piranga e Pinheiros Altos.[1]
As localidades mais frequentes das cópias de obras de João de Deus de Castro Lobo são da Mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte, com um total de 130 das cerca de 950 cópias conhecidas, sendo 12 delas quase totalmente correspondentes à origem das coleções pesquisadas: Ouro Preto (59 cópias), Piranga (29 cópias), São João del-Rei (23 cópias), Itapecerica (23 cópias), Belo Horizonte (21 cópias), Cachoeira do Campo (20 cópias), Mariana (20 cópias), Diamantina (9 cópias), São Gonçalo do Rio Preto (9 cópias), Barra Longa (6 cópias), Campinas (6 cópias), Pinheiro (6 cópias) e Viçosa (5 cópias). Predominam, portanto, cópias realizadas em localidades da Mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte (especialmente Mariana, Ouro Preto, Cachoeira do Campo e Belo Horizonte), com a difusão de suas possíveis obras em 58 localidades (53 no Estado de Minas Gerais e três no Estado de São Paulo), destacando-se, fora da Mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte, as localidades de Piranga (29 cópias), São João del-Rei (23 cópias), Itapecerica (23 cópias), Diamantina (9 cópias), São Gonçalo do Rio Preto (9 cópias), Barra Longa (6 cópias), Campinas (6 cópias), Pinheiro (6 cópias) e Viçosa (5 cópias).[1]
Abertura ou Sinfonia em Ré (PR.10.1) de João de Deus de Castro Lobo. Musica Brasilis.
Órgão da Catedral de Mariana, tocado por João de Deus de Castro Lobo no cargo de mestre de capela e organista, de 1825 ao seu falecimento em 1832, e pelos demais organistas dessa igreja, até o início do século XX.
Muitas das obras consignadas a João de Deus de Castro Lobo também são encontradas, em dezenas de cópias mineiras da segunda metade do século XIX, com indicação de autoria de João de Deus Couto, que foi escrivão no Distrito de Santo Antônio da então Freguesia de Itaverava do município de Queluz (atual Conselheiro Lafaiete - MG), conforme o Almanak administrativo, civil e industrial da Província de Minas Gerais para o ano de 1864, além de copista musical ao redor da década de 1850. Possivelmente tenha sido parente do músico Francisco de Salles Couto (c.1800-c.1865) e copiado obras de Castro Lobo, entre outros compositores, o que fez copistas posteriores confundirem esses nomes e declararem como obras de João de Deus Couto composições na verdade de João de Deus de Castro Lobo. Essa constatação faz com que obras com indicação de autoria de João de Deus Couto, em manuscritos mineiros do século XIX, sejam a princípio consideradas possíveis composições de João de Deus de Castro Lobo.[1]
Também existem, nos manuscritos musicais mineiros, algumas indicações de autoria de João de Deus de Castro Lobo conflitantes com indicações de autoria de Francisco de Sales Couto e Jerônimo de Sousa, talvez com significado próximo ao da confusão com João de Deus Couto.[1]
Edição das obras
Tendo em vista a inexistência de autógrafos e a raridade das cópias elaboradas no seu período de vida, a edição das obras de João de Deus de Castro Lobo vem sendo feita a partir das cópias de tradição, o que requer o estabelecimento das versões mais próximas do compositor a partir da análise e seleção das fontes e da edição crítica do seu conteúdo. Nem todas as obras apresentam-se com as partes vocais e instrumentais completas por um mesmo copista em um mesmo acervo, o que torna necessária a utilização de fontes copiadas em períodos e localidades geográficas distintas, localizadas em acervos de várias cidades. Mesmo assim, Castro Lobo é um dos compositores mineiros cujas obras vêm sendo mais intensamente editadas, disponibilizadas online, gravadas e difundidas, em projetos como Ouro de Minas, História da Música Brasileira, Acervo da Música Brasileira, Patrimônio Arquivístico-Musical Mineiro e Musica Brasilis.[1]
O Catálogo crítico e temático das possíveis composições remanescentes de João de Deus de Castro Lobo (2022),[1] por Paulo Castagna, não teve o propósito e nem a possibilidade de relacionar as obras seguramente compostas por Castro Lobo devido à escassez de documentos probatórios (especialmente de autógrafos, aparentemente todos perdidos), procurando estabelecer, inicialmente, as possíveis composições remanescentes desse autor, classificando-as em diferentes níveis de possibilidade de autoria de Castro Lobo, a saber: 26 obras de autoria provável (PR), 5 obras de autoria possível (PS), 7 obras de autoria duvidosa (DV), 14 obras de autoria improvável (IM), duas obras resultantes de contrafação post-mortem (CP) e uma obra resultante de permutação post-mortem (PP), conforme o quadro abaixo. Além disso, a numeração das obras levou em consideração que parte delas corresponde a unidades cerimoniais (dois dígitos após a sigla de nível de autoria), como Missas, Matinas e Novenas, e parte a unidades funcionais (três dígitos após a sigla de nível de autoria), como antífonas, motetos, graduais, ofertórios, hinos e outros, considerando-se que várias delas estão relacionadas pelos processos de permutação, contrafação e adaptação.[1]
Nível de autoria e número
Incipit latino
Função
Obras de autoria provável de João de Deus de Castro Lobo
Kyrie, Gloria, Credo, Sanctus, Benedictus e Agnus Dei do Ordinário da Missa Festiva; Missa I e Credo I a 8 vozes em Ré Maior; Missa a dois coros (partitura)
Responsórios I a VI das Matinas de Defuntos; Seis Responsórios Fúnebres (partitura)
PR.5.4.01
Ecce Sacerdos Magnus
Antífona para a Procissão de Entrada da Missa Solene Pontifical, ou Gradual da Missa dos Santos Confessores Pontífices ou Capítulo das Vésperas do Comum dos Santos Confessores Pontífices
Cântico de Nossa Senhora para Vésperas; Magnificat (alternado) em Lá Maior
IM.3.8.07
Ornatam monilibus... Et videntes
Responsório VI das Matinas Comuns de Nossa Senhora do Tempo Pascal e de Nossa Senhora do Carmo
IM.4.2
Subvenite sancte Dei
Funeral e Encomendação Litúrgica de Adultos
IM.5.2.01
Ego sum panis vivus
Funções litúrgicas diversas
IM.5.2.02
O sacrum convivium
Antífona do Santíssimo Sacramento
IM.5.2.03
Tantum ergo
Estrofes 5-6 do Hino Pange lingua para Exposição do Santíssimo Sacramento
IM.6.1
Tristis est anima mea; Domine Jesu I; Bajulans I; Filiæ Jerusalem I; Bajulans II
Motetos para a Procissão dos Passos da Quaresma I
IM.6.2
Bajulans III; Domine Jesu II; Exeamus; O vos omnes; Jesus clamans; Filiæ Jerusalem II; Pater mi; Miserere
Motetos para a Procissão dos Passos da Quaresma II e Versículos do Salmo 50, para as cerimônias paralitúrgicas da Quaresma
IM.7.4.05-06
[Deus, in adjutorium...] Domine, ad adjuvandum III e Veni, Sancte Spiritus III
Invocação III e Antífona de Invocação III do Espírito Santo, para Novenas
IM.7.4.12
Anna parens I
Antífona da Novena de Santa Ana
IM.7.4.13
Anna parens II
Antífona da Novena de Santa Ana
Contrafacta post-mortem de obras de autoria provável João de Deus de Castro Lobo
CP.3.4
Immaculatam conceptionem Virginis Mariæ
Invitatório e Responsórios I a VIII das Matinas de Nossa Senhora da Imaculada Conceição II
CP.3.5
Immaculatam conceptionem Virginis Mariæ
Invitatório e Responsórios I a VIII das Matinas de Nossa Senhora da Imaculada Conceição III
Permutação post-mortem de obras de autoria provável João de Deus de Castro Lobo
PP.7.1
[Deus, in adjutorium...] Domine, ad adjuvandum
Novena de Nossa Senhora da Imaculada Conceição
Contrafações, permutações e adaptações
Casa da Câmara de Mariana, cuja música foi dirigida por João de Deus de Castro Lobo de 1826 ao seu falecimento em 1832.
Várias das possíveis composições remanescentes de João de Deus de Castro Lobo, em algum dos níveis de possibilidade de autoria detectados, estão relacionadas pelos processos de permutação (o compartilhamento, entre duas ou mais obras, das mesmas unidades funcionais), contrafação (mesma música, mas com texto diferente) e adaptação (mesma estrutura musical, mas com alteração na textura).
Os casos mais expressivos de contrafação são entre as Matinas do Natal (PR.3.1) e as Matinas da Conceição I (PR.3.3), sem que se saiba qual delas serviu de modelo e qual foi resultado desse processo, e entre as Matinas de São Vicente de Paulo (PR.3.6) e as Matinas da Imaculada Conceição II (PR.3.4) e as Matinas da Imaculada Conceição III (PR.3.5), sabendo-se, neste caso, que as Matinas de São Vicente de Paulo serviram de modelo para as demais.
Os principais casos de permutação são o das unidades funcionais reunidas, após o falecimento do autor, na Novena de Nossa Senhora da Imaculada Conceição (PP.7.1), unidades que também circularam em inúmeras cópias exclusivas. A adaptação existe em um único caso, o do Hino das Matinas de Pentecostes (PR.3.8.05), cuja música é semelhante à do Hino da Terça do Pentecostes (PR.3.2.02), sendo também difícil determinar qual das obras serviu de modelo e qual delas foi o resultado da adaptação.
DOTTORI, Maurício. A estrutura tonal na música de João de Deus de Castro Lobo. Cadernos de Estudo: Análise Musical, São Paulo: n. 3, p. 44-51, out. 1990.
GODINHO, Josinéia. Do Iluminismo ao Cecilianismo: a música mineira para a missa nos séculos XVIII e XIX. Dissertação (Mestrado em Música) – Escola de Música da UFMG, Belo Horizonte, 2008. 144 p.
PERPETUO, Irineu Franco. História concisa da música clássica brasileira; ilustração Haroldo Ceravolo Sereza. São Paulo: Alameda, 2018. 329 p.
João de Deus de Castro Lobo: Vida, Carreira e Obra Musical
Introdução e Biografia
João de Deus de Castro Lobo (Vila Rica, 8 de março de 1794 — Mariana, 26 de janeiro de 1832) foi um sacerdote, organista e compositor brasileiro e afrodescendente, ativo nas vilas de Vila Rica e Mariana (Minas Gerais) durante o início do século XIX. Reconhecido como o principal autor mineiro de música sacra da primeira metade oitocentista, o seu estilo composicional aproxima-se do de José Maurício Nunes Garcia, mestre de capela da Catedral e da Capela Real/Imperial do Rio de Janeiro.
Origens e Família: Filho dos afrodescendentes Gabriel de Castro Lobo (1763-1853) e Quitéria da Costa e Silva, nasceu a 8 de março de 1794 e foi batizado a 16 de março. A sua família possuía forte tradição musical: o seu pai e o seu tio (José de Castro Lobo) eram músicos, assim como os seus irmãos Gabriel de Castro Lobo Filho (1798-1858) e Carlos de Castro Lobo (1803-1849). Carlos transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde atuou como organista da Capela Imperial (1830-1848) e realizou a primeira apresentação pública do harmônio no Brasil (então designado “harmônica”).
Falecimento: Vítima de tise/sífilis (doença descrita na época como "moléstia ética"), faleceu a 26 de janeiro de 1832 em Mariana, sendo sepultado na Capela da Ordem Terceira de São Francisco de Assis da mesma cidade.
Carreira e Percurso Eclesiástico
A trajetória de João de Deus de Castro Lobo divide-se entre a atividade performativa secular e a consolidação da sua carreira religiosa e musical:
Inícios e Atividade Secular (1811–1818): Atuou como regente dos músicos da Casa da Ópera de Vila Rica entre 1811 e 1818. Em 1812, assinou o pedido de criação da Confraria de Santa Cecília de Vila Rica, onde obteve assento em 1815. Em 1814, integrou a tropa de linha de Vila Rica como músico.
Formação e Ordens Sacras:
Entre 1818 e 1823, prestou serviços à Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo de Vila Rica.
Frequentou aulas de Latim e, a 31 de janeiro de 1820, iniciou o seu processo De genere et moribus, sendo ordenado subdiácono em dezembro do mesmo ano.
Matriculou-se no Seminário da Boa Morte de Mariana em 1821, completando os exames para as ordens de diácono (junho) e presbítero (maio).
Mestre de Capela da Catedral de Mariana: A 7 de outubro de 1825, recebeu provisão do Bispo de Mariana (Dom Frei José da Santíssima Trindade) para assumir os cargos de mestre de capela e organista da Catedral de Mariana, sucedendo a José Felipe Correa Lisboa. Concomitantemente, dirigiu as atividades musicais da Ordem Terceira de São Francisco de Mariana e as festas da Câmara Municipal entre 1826 e 1831.
Produção Musical e Estilo
A obra de Castro Lobo chegou aos dias de hoje quase exclusivamente através de cópias de tradição (produzidas da década de 1820 até ao século XX), uma vez que os seus manuscritos autógrafos foram perdidos — um reflexo do temor de contágio associado à moléstia ética e à posterior extinção do cargo de mestre de capela em 1837.
Repertório: O seu catálogo abrange Missas, Matinas (anuais, santorais e fúnebres), Novenas e unidades funcionais avulsas (como o Te Deum e a Abertura em Ré Maior). Destacam-se obras como:
A Missa a 8 vozes em Ré Maior (PR.1.1);
A Missa a 4 vozes em Ré Maior (PR.1.2);
As Matinas de Natal (PR.3.1) e as Matinas do Espírito Santo (PR.3.2).
Análise Estilística:
Tratamento Tonal: Segundo o musicólogo Maurício Dottori, o compositor afasta-se dos modelos clássicos europeus pautados na valorização da dominante, preferindo relações tonais que enfraquecem a tónica rumo à subdominante ou que priorizam a independência do texto poético.
Dimensão e Orquestração: Estudos de Josinéia Godinho demonstram que as missas de Castro Lobo representam o apogeu da complexidade técnica, da expansão instrumental e da segmentação formal na música mineira colonial, aproximando-se das grandes missas sinfónicas europeias e da teatralidade operística.
Afinidade Estilística: Irineu Franco Perpétuo assinala a proximidade do seu fulgor expressivo com a estética do padre José Maurício Nunes Garcia.
Transmissão das Obras e Catálogo
Difusão Geográfica: As cópias das suas composições espalharam-se sobretudo pela Mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte (destacando-se acervos em Ouro Preto, Mariana e Cachoeira do Campo), mas com ramificações por dezenas de localidades mineiras, além de São Paulo (Campinas) e Rio de Janeiro.
Principais Acervos Custodiantes: Museu da Música da Arquidiocese de Mariana, Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Diamantina, Museu da Inconfidência (Ouro Preto), Orquestra Lira Sanjoanense e Orquestra Ribeiro Bastos (São João del-Rei).
Catalogação (2022): O musicólogo Paulo Castagna estabeleceu o catálogo crítico e temático das possíveis composições remanescentes, dividindo-as por níveis de probabilidade de autoria:
26 obras de autoria provável (PR);
5 obras de autoria possível (PS);
7 obras de autoria duvidosa (DV);
14 obras de autoria improvável (IM);
2 obras resultantes de contrafação post-mortem (CP);