sábado, 25 de julho de 2026

Curitiba e o Paraná: Um Retrato Completo de Vida, Trabalho, Poder e Cultura em Meados do Século XX

 

Curitiba e o Paraná: Um Retrato Completo de Vida, Trabalho, Poder e Cultura em Meados do Século XX




Curitiba e o Paraná: Um Retrato Completo de Vida, Trabalho, Poder e Cultura em Meados do Século XX

As páginas que aqui se reúnem são muito mais do que recortes de uma publicação antiga: formam um imenso mosaico vivo de uma época decisiva – os anos de consolidação da modernidade no sul do Brasil, quando Curitiba se firmava como capital e o Paraná definia sua identidade entre a força das raízes e a velocidade do progresso. Cada imagem, cada linha de texto, cada anúncio ou notícia social revela camadas de uma sociedade que construía seu futuro passo a passo, onde o público e o privado, o tradicional e o inovador caminhavam lado a lado, tecendo a história que herdamos hoje.

I – Vida Social e Festas: A Alma das Famílias e da Comunidade

A celebração dos 15 anos de Maria do Rocio abre esse retrato como um símbolo maior da vida social paranaense. Naquele tempo, a festa de debutante não era apenas um rito de passagem pessoal: era um evento que mobilizava famílias inteiras, reunia gerações e figurava entre os acontecimentos mais importantes do calendário da sociedade local. O texto destaca que o evento foi registrado com carinho, com a presença de parentes e amigos, e que a jovem foi homenageada com toda a pompa e delicadeza que a ocasião pedia – reflexo de uma cultura que valorizava os laços, as tradições e os momentos que marcavam a trajetória de cada pessoa dentro de seu grupo.
Ao lado dessa celebração íntima e coletiva, surge o desfile de chapéus da marca Laffitte: um exemplo de como Curitiba já estava conectada aos centros mais dinâmicos do país e do mundo. O relato conta que as peças chegaram após viagens a São Paulo e ao exterior, trazendo o que havia de mais atual em elegância e bom gosto. O evento reuniu mulheres da sociedade, interessadas em acompanhar tendências, mas também em preservar o refinamento que caracterizava a região. Não se tratava apenas de moda: era um sinal de que a cidade não ficava isolada, mas absorvia novidades sem perder sua própria maneira de ser.
A seção “Álbum de Família” fecha esse ciclo com a ternura das histórias particulares: a família Almerinda de Lara e a neta Raquel Maria Athayde representam as linhagens tradicionais que ajudaram a construir o Paraná. O texto ressalta que o sobrenome carrega uma história longa, feita de raízes profundas na terra e na cultura local. As imagens – uma senhora com trajes elegantes da época, outra com uma criança no colo – mostram que a grande história do estado é sempre formada por milhares de pequenas histórias de famílias que se unem, passam valores adiante e mantêm viva a memória de seus antepassados.

II – Economia, Comércio e Modernização: O Crescimento que Movimentava o Estado

Os anúncios comerciais dessas páginas contam uma história de desenvolvimento acelerado, impulsionado pelo trabalho e pela busca de soluções mais eficientes para todos os setores. A Bosca S.A. se destaca como uma empresa que atendia à necessidade fundamental da época: o transporte. O lançamento do caminhão Alfa Romeo modelo D-11.000, com condições de pagamento acessíveis – entrada pequena e restante em dois anos –, não era apenas uma venda de veículos: era uma forma de impulsionar a circulação de mercadorias, ligar fazendas, cidades e indústrias, e integrar o território paranaense. Com filiais em Curitiba, Ponta Grossa e Londrina, a marca mostrava que o progresso não ficava restrito à capital, mas percorria todo o estado, levando desenvolvimento a cada região.
Já a Madison S.A. – Importação e Comércio, representante da Burroughs do Brasil, trazia a modernização para dentro de escritórios, lojas e repartições. Seus produtos – máquinas de escrever, caixas registradoras, calculadoras e equipamentos de contabilidade – prometiam agilidade e economia para qualquer tipo de negócio, independentemente do tamanho. A mensagem era clara: a tecnologia não era privilégio de poucos, mas uma ferramenta para que todos pudessem crescer com organização. Esse anúncio revela o nascimento de uma nova mentalidade administrativa, que preparava o caminho para a industrialização e a profissionalização da economia paranaense nas décadas seguintes.

III – Política, Instituições e Educação: A Construção do Bem Comum

A página dedicada à candidatura de Plínio Franco Ferreira da Costa ao governo do Paraná traz um retrato da política da época, alicerçada em valores que ainda hoje ressoam: tradição, cultura, moralidade e responsabilidade com os recursos públicos. Apresentado como “o saneador das finanças do Estado”, seu perfil destaca uma trajetória de experiência em cargos administrativos e uma ligação profunda com a terra e com o povo paranaense. A seção “Precocidade” reforça isso ao contar sua caminhada ao lado de líderes respeitados, mostrando que a confiança política vinha da vivência e do compromisso com o desenvolvimento coletivo, e não apenas com promessas passageiras.
Ao lado da política, as instituições públicas aparecem como pilares dessa construção. O Banco do Estado do Paraná S/A ocupava um papel central na vida econômica: com matriz em Curitiba e uma rede extensa de agências por todo o território, oferecia serviços que iam desde depósitos e empréstimos até operações de cobrança e pagamentos, servindo tanto a famílias quanto a produtores rurais e empresários. Era a presença do poder público organizando o crédito e garantindo a circulação de recursos essenciais ao crescimento.
Já o Centro Politécnico da Universidade do Paraná – embrião da atual Universidade Federal do Paraná – representava o futuro através do conhecimento. O texto descreve suas instalações modernas para a época, projetadas para formar técnicos e profissionais capacitados em áreas fundamentais para o avanço do estado. A educação superior e técnica era vista como um investimento indispensável: ao preparar gerações de engenheiros, administradores, cientistas e professores, a instituição garantia que o Paraná pudesse caminhar com suas próprias pernas, transformando recursos naturais em riqueza e cultura em desenvolvimento.

IV – Um Legado que Permanece em Cada Canto do Paraná

Juntando todos esses fios – festas de família, moda, transporte, tecnologia, política, finanças e educação – temos uma visão completa de uma sociedade que sabia unir o respeito ao passado com a coragem de inovar. Curitiba não era apenas uma capital administrativa: era um centro irradiador de cultura, negócios e ideias que chegavam a todos os municípios do estado. O Paraná, por sua vez, se mostrava como um território unido por um mesmo propósito: construir uma vida melhor para seus habitantes, com trabalho, justiça e orgulho de sua identidade.
Essas páginas não são apenas relíquias de um tempo que passou: são o alicerce sobre o qual se ergueu a cidade e o estado que conhecemos hoje. Cada nome, cada endereço, cada acontecimento registrado aqui carrega a história de homens e mulheres que sonharam, lutaram e fizeram acontecer – deixando para nós um legado que vale a pena conhecer, preservar e levar adiante.








Mafra: A Vila entre a Ruralidade, o Atlântico e a Grande Lisboa

 

Mafra
Brasão de MafraBandeira de Mafra
Localização de Mafra
Gentílicomafrense, saloio,[1] mafarrico (pejorativo)[2]
Área291,66 km²
População86 521 hab. (2021)
Densidade populacional296,7  hab./km²
N.º de freguesias11
Presidente da
câmara municipal
Hugo Manuel Moreira Luís (HML 2025, 2025-2029)
Fundação do município
(ou foral)
1189
Região (NUTS II)Grande Lisboa
Sub-região (NUTS III)Grande Lisboa
DistritoLisboa
ProvínciaEstremadura
OragoSanto André
Feriado municipalQuinta-feira de Ascensão
Código postal2640 Mafra
Sítio oficialwww.cm-mafra.pt

Mafra é uma vila portuguesa sede do Município de Mafra pertencente ao Distrito de Lisboa e à Área Metropolitana de Lisboa. A vila de Mafra integrava a histórica província da Estremadura. No censo mais recente (2021), o município contabilizava 86 521 habitantes[3] distribuídos por uma área de 291,66 km²[4] e 11 freguesias.[5]

O município de Mafra é limitado a norte por Torres Vedras, a nordeste por Sobral de Monte Agraço, a leste por Arruda dos Vinhos, a sudeste por Loures, a sul por Sintra e a oeste tem litoral no oceano Atlântico. Apesar de ser um dos maiores municípios da região, Mafra representa apenas 3% da população da área metropolitana, e a sua densidade populacional (243 hab./km2) assemelha-se mais à dos municípios do Oeste, situando-se muito abaixo da média metropolitana.[6]

A nível regional, Mafra destaca-se pelo seu crescente desenvolvimento demográfico e urbano[7], ao mesmo tempo que apresenta uma paisagem ainda muito associada à ruralidade, com uma notável presença de valores naturais, culturais e arquitetónicos de reconhecimento nacional. São disso exemplo o Palácio Nacional de Mafra (a mais grandiosa obra do barroco português e Património Mundial da Humanidade, inspiração para obras como o Memorial do Convento, de José Saramago), a Tapada Nacional de Mafra, a aldeia da Mata Pequena, o Penedo do Lexim[6], a Reserva Mundial de Surf da Ericeira[8] e produtos gastronómicos como o Pão de Mafra.[9]

Geografia

Mafra situa-se no noroeste da Área Metropolitana de Lisboa e, juntamente com Sintra e Cascais, é um dos municípios da sua orla atlântica norte. É um município periférico da região, estando limitado a norte por Torres Vedras, a nordeste por Sobral de Monte Agraço e a leste por Arruda dos Vinhos, pertencentes à Região do Oeste. A sueste e a sul encontram-se os municípios de Loures e Sintra, respetivamente. A expansão das acessibilidades rodoviárias no municípios nos últimos vinte anos (A8 e A21) levou ao crescimento da sua população, que entre 2001 e 2011 foi de 38,8% (o maior registado nessa década na Área Metropolitana de Lisboa)[10], confirmando a expansão da Área Metropolitana de Lisboa em direção à região do Oeste.[11] Deste modo, é um território de exceção a nível regional cuja localização determinou um papel de charneira entre a Área Metropolitana de Lisboa e o Oeste mas também entre os restantes municípios atlânticos da AML Norte (Sintra e Cascais), fundamental para o desenvolvimento municipal.[6]

Relevo

O município apresenta um relevo muito acidentado, que progride da cota 0 (ao longo do litoral) até atingir os 430 metros de altitude no interior, em zonas pautadas por um complexo sistema de cabeços e morros. O seu ponto mais alto situa-se no Cabeço de Manique (serra de Montemuro), seguido do Funchal (425 m) e da serra do Socorro (394 m). [12]

Os cabeços consistem em cones vulcânicos, vestígios de antigas erupções, que no município de Mafra se destacam pela sua extensão, grandeza e valor paisagístico. Esta sucessão de cabeços e morros que se verifica por todo o território concelhio, desenvolvida a partir dos 300 metros, é talhada por uma rede densa de cursos de água que dá origem a vales encaixados e amplos que marcam igualmente a sua paisagem. Os vales com maior amplitude são aqueles que correspondem às principais linhas de água, apresentando declives muito pouco acentuados na quase totalidade da sua extensão. No entanto, a maioria dos rios e ribeiras do município deram origem a vales encaixados, com cotas entre os 100 e 200 metros e de declives acentuados, com mais de 30% de inclinação. Estas áreas de encostas, dadas as suas características, são essencialmente florestais.[12]

As zonas onde se localizam as principais aglomerações urbanas são áreas de festo, áreas extensas e pouco declivosas, que se desenvolvem entre os 100 e 250 metros. Já no litoral, a costa apresenta-se quase totalmente escarpada e as arribas atingem um máximo de 25 metros. No seu sopé existem areais de extensão moderada a reduzida.[12]

Clima

O clima do município de Mafra, sob forte influência oceânica, é moderadamente chuvoso e possui uma significativa variabilidade territorial devida ao relevo e à distância relativa ao oceano. No geral, apresenta amplitudes térmicas baixas (tanto diárias como anuais), com temperaturas mínimas amenas durante os meses mais frios e um verão fresco e ventoso durante o qual existe tendência para a formação de nevoeiro. A temperatura média anual ronda os 15ºC, uma das mais baixas da área metropolitana. A amplitude térmica e as temperaturas mínimas e máximas absolutas são menores no litoral do que no interior.[12]

Mafra está inserida na região pluviométrica do Centro.[13] Os valores médios anuais da precipitação variam dos 500 aos 700 mm, espalhados por 75 a 100 dias de chuva por ano, que variam consoante a proximidade à costa e a altitude. A distribuição dos meses em relação ao regime de pluviosidade revela um semestre húmido (outubro a março) e outro seco (abril a setembro). Estes valores são condicionados pela serra de Sintra, onde se ultrapassa os 1.000 mm de precipitação, distribuídos por 110 dias do ano.[12]

A humidade do ar permanece elevada durante todo o ano, mas especialmente durante o verão e na faixa costeira. O valor anual da humidade relativa no município ronda os 80%. [12]

Na área metropolitana predominam os ventos de noroeste, oriundos da zona costeira e que arrastam consigo, durante todo o ano, ar húmido, o qual origina nevoeiros matinais. Os ventos dominantes em Mafra são de norte e noroeste, com velocidade moderada (em média 16,6 km/h). Na transição entre estações, é comum que soprem ventos mais fortes de sudoeste.[12]

A insolação apresenta valores mais baixo em dezembro e janeiro (130 a 140 horas), e os mais altos em julho (280 a 300 horas). Estes valores são menores nas zonas costeiras, devido à nebulosidade.[12]

Hidrografia

Linhas de água

Grande parte do município pertence à Bacia Hidrográfica das Ribeiras do Oeste, exceção feita às áreas das antigas freguesias de Santo Estêvão das Galés, Venda do Pinheiro e Milharado, dominadas por uma rede de afluentes do rio Trancão. A rede hidrográfica é densa, constituída por cursos de água permanentes e outros de regime temporário, e desenvolve-se maioritariamente de sudeste para oeste. Em Mafra identificam-se onze bacias hidrográficas principais, correspondentes aos rios Lizandro, do Cuco, Safarujo e Sizandro, à regueira de Barcide, às ribeiras da Fonte Boa e do Falcão, e a três pequenas bacias hidrográficas situadas entre as desembocaduras destes cursos de água, no Atlântico. Junta-se a estas a bacia do rio Trancão, que aflui ao Tejo.[12]

Águas balneares

O litoral mafrense possui várias praias, pertencentes à zona designada por Costa de Mafra, das quais oito são consideradas águas balneares. São praias de mar batido, ar bastante iodado e de extensão reduzida a moderada. A maioria apresenta um substrato arenoso, grosso e claro[14], com afloramentos rochosos e enquadradas pelas arribas litorais. Recebem em média 10 horas de sol na época balnear, com temperaturas médias da água de 15º a 17º.[15]

Divisão administrativa

Freguesias do município de Mafra.

Desde 1985 e até 2013, o município de Mafra contava com dezassete freguesias, que desde então são onze:[5]

Por sua vez, estas freguesias são compostas por várias localidades definidas geograficamente mas sem valor administrativo, sendo que várias são atroçoadas por estes limites. É o caso daquelas que se encontram na fronteira com os municípios vizinhos, e que se desenvolvem maioritariamente dentro deles (Pobral, Seixal, Arneiro da Arreganha, Rebanque, Santa Eulália, Cabeço de Montachique, Venda das Pulgas e Assenta).

História

Vestígios arqueológicos sugerem que o povoado hoje denominado por Mafra foi habitado pelo menos desde o Neolítico. A origem do termo Mafra continua envolta em mistério, sabendo-se apenas que evoluiu de Mafara (1189), Malfora (1201) e Mafora (1288 e Malfotaça em 1390

Alguns autores encontraram na sua origem o arquétipo turânico Mahara, a grande Ara, vestígio de um culto de fecundidade feminina outrora existente no aro da vila. Outros, radicaram o nome no árabe Mahfara, a cova, na presunção de que a povoação se encontrava implantada numa cova, facto desmentido pelo reconhecido arabista David Lopes. A vila está, isso sim, situada numa colina, cercada por dois vales onde correm as ribeiras conhecidas por Rio Gordo e Rio dos Couros.

Certo também é que Mafra foi uma vila fortificada, podendo ainda hoje encontrar-se, na Rua das Tecedeiras, um pouco da muralha que a cercava.

Os limites do castelo, que tudo leva a crer assenta sobre um povoado neolítico, sucessivamente reocupado até à Idade do Ferro, compreendiam toda a zona da "Vila Velha", que hoje se inclui no espaço delimitado a Oriente pelo Largo Coronel Brito Gorjão, a Sul pela Rua das Tecedeiras, a Ocidente pelo Palácio dos Marqueses de Ponte de Lima e a Norte pela Rua Mafra Detrás do Castelo. A designação desta rua deve-se ao facto de a povoação ter voltado, literalmente, as costas ao flanco norte, por ser o mais exposto aos ventos. A densa floresta que, consta, existiu até ao século XIX na Quinta da Cerca, constituída por árvores de grande porte, reforçaria o paravento.

Em 1147, Mafra é conquistada aos Mouros por D. Afonso Henriques, e em 1189 a vila é doada pelo Rei D. Sancho I ao Bispo de Silves, D. Nicolau, que no ano seguinte lhe confere o primeiro foral.

O Foral Novo

Em 1513 o Rei D. Manuel concede Foral Novo a Mafra, o que subentende a relativa importância da vila, que em breve diminuiria drasticamente. Um censo da população datado de 18 de Setembro de 1527 apura 191 vizinhos, dos quais apenas quatro vivem em casais na vila. Quando, em 1717, o Rei D. João V lança a primeira pedra da construção do Palácio, Mafra resumia-se a uns casarios, aglomerados a centenas de metros do Monumento.

Ao longo do século XIX começou a povoação a crescer em direcção ao Monumento, embora o seu aspecto rural de vila saloia só tenha sido perdido no século XX, como provam as palavras de José Mangens, em 1936, ao descrever a antiga Rua dos Arcipestres, parte da actual Avenida 1º de Maio: "(.) nada oferece de interessante e mais parece uma vila de aldeia sertaneja, com os seus casebres arruinados e típicos portais de quintais, blindados com latas velhas (.)".

As invasões e as fugas

Corria o dia 8 de Dezembro de 1807 quando as tropas de Napoleão entraram em Mafra para montar quartel-general no Palácio. Parte do exército seguiu para Peniche e Torres Vedras, enquanto o restante ficou aquartelado no Palácio e Convento, e os oficiais nas casas da vila, sob o comando do General Loison.

A invasão duraria cerca de nove meses. No dia 2 de Setembro o exército inglês irrompia em Mafra, saudado com grande alegria pela população e ao som dos carrilhões.

A 5 de Outubro de 1910 de novo o povo de Mafra viveria um dia único. A revolução republicana estalara na véspera em Lisboa, o Rei D. Manuel II refugiara-se durante a noite no Palácio e abandonava Mafra, num automóvel escoltado, acompanhado da sua mãe e avó, rumo à Ericeira, onde o Iate D. Amélia os conduziria a Gibraltar e ao exílio.

Volvidos quatro anos sobre a fuga de El-Rei, novo sobressalto em Mafra: no dia 20 de Outubro, um grupo de monárquicos reuniu-se no largo D. João V e, munido de algumas armas, encaminhou-se para a Escola Prática de Infantaria, instalada no Convento, depois de cortar os fios telefónicos e telegráficos. A revolta foi facilmente anulada pelos militares, acabando na cadeia de Mafra cerca de uma centena de pessoas.

Mafra e os Militares

Desde a construção do Monumento que os militares conferem parte do ambiente humano à Vila de Mafra.

A partir de 1840 o Convento passou a ser ocupado por tropa, e em 1859 cerca de quatro mil recrutas ali assentaram praça para receber instrução no Depósito Geral de Recrutas, criado por D. Pedro V. Esta instituição seria extinta no ano seguinte, após 94 recrutas terem falecido supostamente devido a doença infecto-contagiosa. De 1848 a 1859, e de 1870 a 1873 o Convento alberga o Real Colégio Militar.

Em 1887 é criada a Escola Prática de Infantaria e Cavalaria e no ano seguinte é construída, na Tapada de Mafra, a carreira de tiro, de que passou a ser frequentador o Rei D. Carlos, entusiasta dos concursos de tiro. Em 1896 é criada a Escola Central de Sargentos, dependente da Escola Prática de Infantaria.

Em 1911 é fundado o Depósito de Remonta e Garanhões, que dá lugar, em 1950, à Escola Militar de Equitação e sete anos mais tarde ao Centro Militar de Educação Física, Equitação e Desportos.

Na Guerra Colonial, o número de recrutas provindos desta região era tal que viria a ser alcunhada de "Máfrica",[16] perdendo população no censo de 1970 e re-ganhando-a após a descolonização.

Hoje continua a funcionar o agora denominado (desde 1993) Centro Militar de Educação Física e Desportos, no Largo General Conde Januário, e a Escola Prática de Infantaria, no Convento de Mafra.

O Novo Milénio

A partir do ano de 2000, o município tem-se desenvolvido e crescido de uma maneira espantosa, quase que duplicando a população em apenas 20 anos. Isto deveu-se principalmente ao melhoramento das infra-estruturas rodoviárias, em particular da A8 e a construção da A21.

Graças à sua proximidade a Lisboa, o município de Mafra torna-se atractivo para as pessoas, daí que não seja de espantar o aumento da população, e dos movimentos pendulares. A realização de eventos como o ASP World Tour e o Circuito Nacional de Waveski trazem prestigio, e definem Mafra como um dos municípios emergentes da Área Metropolitana de Lisboa.

População

População do município de Mafra
AnoPop.±%
186422 511    
187822 773+1.2%
189024 222+6.4%
190025 021+3.3%
191127 163+8.6%
192027 108−0.2%
193029 750+9.7%
194032 341+8.7%
195036 485+12.8%
196035 739−2.0%
197034 112−4.6%
198143 899+28.7%
199143 731−0.4%
200154 358+24.3%
201176 685+41.1%
202186 515+12.8%

(Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.)

Número de habitantes por Grupo Etário[17] [18]
1900191119201930194019501960197019811991200120112021
0-14 Anos8 4619 2988 9659 78510 52710 4329 3708 23010 2388 2108 74614 36514 177
15-24 Anos4 5244 6255 0345 7286 1246 8405 8794 9656 4226 5217 2107 5269 794
25-64 Anos10 44010 87311 13912 52013 98716 43517 58717 56022 05422 71829 93443 45047 169
= ou > 65 Anos1 7321 9421 8101 9732 1572 5452 9033 1755 1856 2828 46811 34415 375

(Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)

Património

Política

O município de Mafra é administrado por uma câmara municipal, composta por um presidente e oito vereadores. Existe uma Assembleia Municipal, que é o órgão deliberativo do município, constituída por 38 deputados (dos quais 27 eleitos diretamente).

O cargo de Presidente da Câmara Municipal é atualmente ocupado por Hugo Manuel Moreira Luís, que assumiu a presidência em julho de 2024, após a renúncia ao mandato de Hélder Sousa Silva, reeleito nas eleições autárquicas de 2025 pelo #HML2025, tendo maioria absoluta de vereadores na câmara (5) através da coligação com o PS, que elegeu 1 vereador. Existem ainda quatro vereadores eleitos pelo PSD e um eleito pelo Chega. Na Assembleia Municipal, o partido mais representado é novamente o PSD, com 10 deputados eleitos e todos os 11 presidentes de Juntas de Freguesia (maioria absoluta), seguindo-se o #HML2025 (8; 0), o PS (4; 0) o CHEGA (3;0) a Iniciativa Liberal (1;0) e a CDU (1; 0). A Presidente da Assembleia Municipal é Aldevina Maria Machado Rodrigues, do PSD.[19]

Eleições de 2025
Órgão#HML2025PSDPSCHILCDU
Câmara Municipal431100
Assembleia Municipal8214311
dos quais: eleitos directamente8104311

Eleições autárquicas - Câmara Municipal

Data%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%V%VParticipação
PSPPD/PSDFEPU/APU/CDUCDS-PPGDUPPCTP/ MRPPADPPMPRDEBEMPTPANCHILGCE
197640,33330,62312,1016,91-2,04-2,03-
52,80 / 100,00
197936,743AD12,011AD1,38-46,643AD
68,40 / 100,00
198233,90315,1113,05-42,923
67,67 / 100,00
198521,87238,49315,94112,5110,94-5,90-
58,92 / 100,00
198933,68348,10410,01-4,29-
57,06 / 100,00
199339,55342,9448,76-4,92-
62,37 / 100,00
199729,62252,8057,53-5,54-
58,73 / 100,00
200136,87351,9744,14-2,21-0,91-
61,14 / 100,00
200527,75256,4756,81-2,36-0,50-0,42-
59,38 / 100,00
200927,52352,0465,95-5,74-4,57-
56,06 / 100,00
201326,95346,87511,7213,98-CDSCDS
50,04 / 100,00
201723,15256,7975,93-2,00-3,91-3,13-
52,14 / 100,00
202118,91257,4374,39-1,00-2,70-3,09-5,70-2,62-
52,01 / 100,00
202513,10133,1532,98-11,3813,32-33,494
60,62 / 100,00

Eleições legislativas

Data%
PSPSDPCPCDSUDPAD/

PàF

APU/

CDU

FRSPRDPSNB.E.PANLCHIL
197642,2124,179,838,481,55
197929,80ADAPUAD2,1243,6015,02
1980FRS1,3646,3613,2128,48
198340,9225,8210,670,7214,55
198521,4725,858,161,2211,4325,67
198721,2651,50CDU4,290,818,726,37
199125,1756,703,875,700,892,12
199542,9737,458,560,595,340,15
199945,2234,697,675,380,252,19
200235,9743,958,813,792,98
200543,7731,126,985,006,89
200935,1028,7511,495,7510,77
201123,8439,6413,656,065,541,50
201527,81PàFPàF40,877,0111,342,091,01
201935,3426,553,864,989,204,761,552,281,78
202238,0928,051,293,274,532,131,968,757,57
202423,01ADAD29,272,224,632,724,8419,497,39
202519,12ADAD31,622,162,161,906,2222,928,25

Personalidades Ilustres

Educação

O município de Mafra é rico em escolas com um alto nível de excelência. Assim a Educação, está dividida em vários estabelecimentos de ensino, privados ou públicos.

Agrupamentos Verticais de Escolas

  • Agrupamento de escolas da Ericeira
  • Agrupamento de escolas Professor Armando de Lucena - Malveira
  • Agrupamento de escolas de Mafra
  • Agrupamento de Escolas da Venda do Pinheiro

Escolas Básicas Integradas (EB1/JI)

  • Escola Básica Artur Patrocínio - Azueira
  • Escola Básica S. Miguel - Enxara do Bispo
  • Escola Básica da Ericeira
  • Escola Básica da Freguesia da Carvoeira
  • Escola Básica Prof. João Dias Agudo - Póvoa da Galega
  • Escola Básica da Malveira
  • Escola Básica de Santo Estevão das Galés
  • Escola Básica das Freguesias de Igreja Nova e Cheleiros
  • Escola Básica da Freguesia de Santo Isidoro
  • Escola Básica São Miguel do Milharado
  • Escola Básica São Miguel de Alcainça
  • Escola Básica Dr. Sanches de Brito - Mafra
  • Escola Básica da Freguesia da Encarnação

Creches (0 aos 3)

  • Os Marujos - Mafra

Jardins de Infância

  • Jardim de Infância das Azenhas dos Tanoeiros
  • Jardim de Infância da Barreiralva
  • Jardim de Infância do Barril
  • Jardim de Infância Beatriz Costa - Charneca
  • Jardim de Infância da Encarnação
  • Jardim de Infância do Gradil
  • Jardim de Infância de Mafra
  • Jardim de Infância do Milharado
  • Jardim de Infância do Quintal
  • Jardim de Infância de Ribamar
  • Jardim de Infância de Santo Isidoro
  • Jardim de Infância de Sobral da Abelheira
  • Jardim de Infância da Venda do Pinheiro
  • Jardim de Infância de Vila Franca do Rosário
  • Escolinha dos Pequenitos em Mafra

Escolas Básicas do 1.º Ciclo

  • Escola Básica da Freguesia da Encarnação
  • Escola Básica São Silvestre do Gradil
  • Escola Básica Hélia Correia - Mafra
  • Escola Básica de Sobral de Abelheira
  • Escola Básica de Venda do Pinheiro
  • Escola Básica de Vila Franca Rosário

Escolas Básicas dos 2.º e 3.º Ciclos

  • Escola Básica António Bento Franco - Ericeira
  • Escola Básica Prof. Armando Lucena - Malveira
  • Escola Básica de Mafra
  • Escola Básica de Venda do Pinheiro
  • Colégio Santo André

Escolas Secundárias

  • Escola Secundária José Saramago - Mafra

Colégios

  • Colégio Santo André - Venda do Pinheiro
  • Colégio Miramar - Lagoa

Escolas Profissionais

  • Escola Técnica e Profissional de Mafra

Economia

Hotel na Ericeira - o turismo desempenha um papel essencial na economia do município

Grande parte da economia do município de Mafra passa pelo turismo, que se concentra principalmente em dois pólos: na freguesia de Mafra, onde encontramos o Convento de Mafra e a Tapada Nacional de Mafra, e na freguesia da Ericeira, conhecida pela sua vila pitoresca, praias, gastronomia e o surf. Apesar da terciarização verificada nos últimos anos no município, a indústria também tem um papel essencial na economia local, com importantes fábricas localizadas principalmente no eixo Venda do Pinheiro-Malveira, entre elas a Fábrica da Sicasal e da Schweppes. Ao longo dos anos, o sector primário foi perdendo a importância que teve na vida do município, empregando apenas 1,6% da população, contra os 59,50% do sector terciário e os 38,80% do sector secundário. No total, estão registadas 2.124 empresas a operar no município.[20]

Transportes

Rede Rodoviária

A 8 perto da Malveira.

O Município de Mafra é constituído por uma rede viária que serve toda a região, tendo como eixos principais as estradas nacionais - EN 8, EN 9, EN 116 e EN 247 - e asa estradas secundárias (municipais), permitindo a ligação os municípios de Torres Vedras, Sintra, Loures, Sobral de Monte Agraço e Lisboa.

Para além destas estradas, o Município é servido, ainda, pela Auto-Estrada A8 (Lisboa - Leiria, com as seguintes saídas no Município de Mafra: Venda do Pinheiro, Malveira e Enxara dos Cavaleiros), e pela A21 (Ericeira – Mafra – Malveira, com as seguintes saídas: Ericeira, Mafra Oeste, Mafra Este, Malveira e Venda do Pinheiro), contribuindo para a melhoria das deslocaçtrões de passageiros e mercadorias e, consequentemente, para o desenvolvimento do próprio município. Em relação ao serviço de transportes públicos rodoviários de passageiros, este é assegurado pela Barraqueiro Transportes, SA (Barraqueiro Oeste e Mafrense), mas principalmente pela Carris Metropolitana. A oferta rodoviária concentra-se nos seguintes troços principais:

Carris Metropolitana:
Ligações municipais e intermunicipais de Mafra para a Área Metropolitana de Lisboa, com ligações a Sintra, Loures e Lisboa (Campo Grande).
Barraqueiro Oeste:
Ligação de Torres Vedras e de Sendieira para Lisboa (Campo Grande), passando pela Malveira e por Loures.
Mafrense:
Ligação da Encarnação à Freiria, a partir da 242.

Rede Ferroviária

O município é servido pela Linha do Oeste, com estações em Mafra-Gare e Malveira, e apeadeiros em Alcainça-Moinhos e Jerumelo, desempenhando funções essencialmente interurbanas e regionais, quer em termos de transportes de mercadorias (sobretudo na estação da Malveira), quer em termos de passageiros.

Eventos

Gastronomia

Os produtos endógenos de Mafra de destaque são a Pêra Rocha , o Pão de Mafra , queijo fresco e bolo da festa. Vila piscatória com muita tradição e famosa pelos ouriços do mar.

Cidades geminadas

Bibliografia

  • Assunção, Guilherme José Ferreira de (1958), À Sombra do Convento..., Lisboa, Império
  • Assunção, Guilherme José Ferreira de e Batalha, Rogério Miranda (1998), Mafra: Efemérides do Concelho, Câmara Municipal de Mafra, 2.ª Edição.
  • Freire, João Paulo (1925), Os parochos de Mafra: de 1770 a 1925, Lisboa, Centro Tipográfico Colonial.
  • Freire, João Paulo (1925), Mafra: Historia, bibliographia e notas, Lisboa, Renascença Gráfica.
  • Freire, João Paulo (1926), Lôas e cirios no conselho [sic] de Mafra: O cirio de todos os Santos e o cirio da Senhora da Nazareth, Porto, Companhia Portuguesa Editora.
  • Freire, João Paulo e Passos, Carlos de (1933), Mafra: Notícia histórico archeológica e artística da vila e do Paço Conventual, Porto, Litografia Nacional.
  • Freire, João Paulo (1944), Evocações de Mafra de há meio século: Palestra realizada no Salão Nobre da Biblioteca Municipal de Mafra em 20 de Outubro de 1943, Vila Nova de Famalicão, Tip. Minerva.
  • Freire, João Paulo (1945), Mafra: Ligeiros apontamentos para o estudo toponímico do meu Concelho, Mafra, Tip. Liberty.
  • Freire, João Paulo (1946), Mafra: Novos apontamentos para o estudo toponímico do meu concelho, Mafra, Tip. Liberty.
  • Freire, João Paulo (1948), O saloio: Sua origem e seu carácter: Fisiologia, psicologia, etnografia: Infâmias, mentiras e disparates que se têm escrito sobre o saloio, seus usos e costumes, Porto.
  • Gandra, Manuel J. (1989), Mafra, da reconquista ao foral de 1513, Câmara Municipal de Mafra.
  • Gandra, Manuel J. (coord.), (1992-2008), Boletim Cultural, Câmara Municipal de Mafra, 17 Volumes.
  • Gandra, Manuel J. (2015), A vila de Mafra, de lés a lés: História e evolução urbana, Rio de Janeiro: Instituto Mukharajj e Mafra: Centro Ernesto Soares de Iconografia e Simbólica.
  • Gomes, Joaquim da Conceição (1876), O Monumento de Mafra: Descripção Minuciosa d'Este Edifício, Editado por Augusto Taveira Pinto, Lisboa, Imprensa Nacional.
  • Gorjão, Sérgio (2015), Princípio e Fundação do Real Convento de Mafra, e sua grandeza, e sua sustentação, e luxo, etc.: Livro das Pitanças c. 1763-70, Mafra, Associação dos Amigos do Convento de Mafra, Guardiães do Convento.
  • Gorjão, Sérgio e Medeiros, José (2018), Relação do Convento de Santo António de Mafra: Suas oficinas e palácios que se fundaram místicos ao dito Convento: Oferecida a El-Rei D. José I, Mafra, Associação dos Amigos do Convento de Mafra, Guardiães do Convento.
  • Ivo, Júlio da Conceição (1906), O Monumento de Mafra: Guia Ilustrado, Lisboa, Ed. Joaquim Pedro Moreira, Typ. A Editora.
  • Lopes, Luís Saldanha et. al. (2016), A Camisa da Sagração de Luís XV e a Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra; La Chemise du Sacre de Louis XV et la Confrérie du Très Saint Sacrement de Mafra, Mafra, Irmandade do Santíssimo Sacramento da Freguesia de Santo André da Vila de Mafra.
  • Sousa, Ana Catarina e Lopes, Irina A. (2018), Mafra: Singularidades de Um Território, Câmara Municipal de Mafra.
  • Veiga, Estácio da (1996), Antiguidades de Mafra, Mar de Letras Editora, 2.ª Edição.
  • Ventura, Margarida Garcez (2002), A Colegiada de Santo André de Mafra: Séculos XV-XVIII, Câmara Municipal de Mafra.

Referências

  1. «Saloia». Dicionário Português. Consultado em 19 de Setembro de 2015. Cópia arquivada em 19 de Setembro de 2015
  2. «Mafarrico». Infopédia. Consultado em 19 de Setembro de 2015. Cópia arquivada em 19 de Setembro de 2015
  3. INE. «Censos 2021 - resultados preliminares». Consultado em 29 de julho de 2021
  4. Instituto Geográfico Português (2013). «Áreas das freguesias, municípios e distritos/ilhas da CAOP 2013». Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013. Direção-Geral do Território. Consultado em 28 de novembro de 2013. Arquivado do original (XLS-ZIP) em 9 de dezembro de 2013
  5.  Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013.
  6.  «I – Enquadramento Regional». Plano Diretor Municipal de Mafra | Proposta de Revisão (PDF). Estudos de Caracterização. Mafra: Câmara Municipal de Mafra. 2013
  7. Marques da Costa, Eduarda (2016). «Socio-Economia» (PDF). Atlas Digital da Área Metropolitana de Lisboa
  8. «Reserva Mundial de Surf | Mafra». Câmara Municipal de Mafra
  9. «Pão de Mafra | Mafra». Câmara Municipal de Mafra
  10. Marques da Costa, Eduarda (2016). «Socio-Economia» (PDF). Atlas Digital da Área Metropolitana de Lisboa
  11. «I – Enquadramento Regional». Plano Diretor Municipal de Mafra | Proposta de Revisão (PDF). Estudos de Caracterização. Mafra: Câmara Municipal de Mafra. 2013
  12.  «II – Caracterização Física». Plano Diretor Municipal de Mafra | Proposta de Revisão (PDF). Estudos de Caracterização. Mafra: Câmara Municipal de Mafra. 2013
  13. Ramos Pereira, Ana (2003). «3. O clima». Atlas da Área Metropolitana de Lisboa (PDF). III. Geografia Física e Ambiente. Lisboa: Área Metropolitana de Lisboa
  14. «As 12 Praias, Apresentação | Mafra». Câmara Municipal de Mafra. Consultado em 12 de maio de 2020
  15. «APA - Divulgação > Época Balnear 2019 > ARH Tejo e Oeste > Perfis Águas Balneares». Agência Portuguesa do Ambiente. Consultado em 12 de maio de 2020
  16. Fonseca, Carlos Ademar (janeiro de 2014). «Vítor Alves – O Revolucionário Tranquilo (Contributos de Vítor Alves para a instauração da Democracia em Portugal)»: 31. Consultado em 17 de março de 2025
  17. INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros
  18. INE - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_indicadores&indOcorrCod=0011166&contexto=bd&selTab=tab2
  19. «Composição». Assembleia Municipal de Mafra
  20. «Dados da Câmara Municipal de Mafra». Consultado em 24 de abril de 2013. Arquivado do original em 1 de maio de 2013
  21. «Festival do Marisco de Ribamar». Consultado em 1 de janeiro de 2020.
  22. «Círio da Prata Grande». Confraria de Nossa Senhora da Nazaré. Consultado em 1 de janeiro de 2020.
  23. «Festival do Pão 2019». Jornal de Mafra. Consultado em 1 de janeiro de 2020.
  24. «Fexpomalveira». Fexpomalveira. Consultado em 1 de janeiro de 2020.
  25. «Procissões da Quaresma de Mafra em conferência». Câmara Municipal de Mafra. Consultado em 16 de agosto de 2019.
  26. «IX Ciclo de Concertos 2020». Palácio Nacional de Mafra. Consultado em 1 de janeiro de 2020.
  27. «Já há data para a inauguração dos carrilhões». Jornal de Mafra. Consultado em 1 de janeiro de 2020
  28. «Ericeira Surfguide». Ericeira Surfguide. Consultado em 1 de janeiro de 2020
  29. «Comemorações do Dia do Município». Câmara Municipal de Mafra. Consultado em 1 de janeiro de 2020.
  30. «Festas de Nossa Senhora da Boa Viagem». Ericeira Mag. Consultado em 1 de janeiro de 2020.
  31.  «Lista de cidades geminadas em Portugal - página 383» (PDF). Consultado em 19 de abril de 2011. Arquivado do original (PDF) em 25 de julho de 2011

Mafra: A Vila entre a Ruralidade, o Atlântico e a Grande Lisboa

Localizada no noroeste da Área Metropolitana de Lisboa e pertencente ao Distrito de Lisboa, Mafra é uma vila portuguesa sede de um município com 86 521 habitantes (Censo de 2021), distribuídos por uma área de 291,66 km² e 11 freguesias. Limitada a norte por Torres Vedras, a nordeste por Sobral de Monte Agraço, a leste por Arruda dos Vinhos, a sudeste por Loures, a sul por Sintra e a oeste pelo oceano Atlântico, Mafra destaca-se como um território de transição e charneira entre a aglomeração urbana de Lisboa e a região do Oeste.

Património, Cultura e Identidade

Apesar do forte crescimento demográfico e urbano verificado nas últimas décadas — impulsionado pela expansão das acessibilidades rodoviárias (A8 e A21) —, Mafra preserva uma paisagem profundamente marcada pela ruralidade e por ícones de valor nacional e internacional:

  • Palácio Nacional de Mafra: A mais grandiosa obra do barroco português e Patrimônio Mundial da UNESCO, célebre também por servir de inspiração à obra Memorial do Convento, de José Saramago.

  • Tapada Nacional de Mafra, a aldeia da Mata Pequena e o Penedo do Lexim.

  • Reserva Mundial de Surf da Ericeira: Referência incontornável na orla atlântica do município.

  • Gastronomia: O tradicional Pão de Mafra.

Geografia e Relevo

O território mafrense caracteriza-se por um relevo muito acidentado, progredindo da cota zero (no litoral) até aos 430 metros de altitude no interior:

  • Pontos Mais Altos: O Cabeço de Manique (serra de Montemuro), seguido pelo Funchal (425 m) e pela serra do Socorro (394 m).

  • Cones Vulcânicos e Cabeços: O município destaca-se pela presença de antigos vestígios de erupções vulcânicas que se desenvolvem a partir dos 300 metros, talhados por uma densa rede de linhas de água.

  • Litoral: A costa é quase totalmente escarpada, com arribas que atingem um máximo de 25 metros de altura e pequenos areais no sopé.

Clima

Sob forte influência oceânica, o clima de Mafra é moderadamente chuvoso e apresenta uma marcada variabilidade territorial ditada pelo relevo e pela proximidade ao mar:

  • Temperaturas: Caracteriza-se por baixas amplitudes térmicas (diárias e anuais), mínimos amenos no inverno e verões frescos e ventosos com tendência a nevoeiros. A temperatura média anual ronda os 15ºC.

  • Precipitação: Os valores médios anuais variam entre os 500 e os 700 mm, divididos entre um semestre húmido (outubro a março) e um semestre seco (abril a setembro), sendo fortemente condicionados pela proximidade à costa e pela influência da vizinha serra de Sintra.

  • Ventos e Humidade: Os ventos dominantes sopram de norte e noroeste com velocidade moderada (média de 16,6 km/h), transportando ar húmido que alimenta os nevoeiros matinais. A humidade relativa anual ronda os 80%.

Hidrografia

  • Bacias Hidrográficas: A maior parte do território integra a Bacia Hidrográfica das Ribeiras do Oeste, com exceção das áreas a sudeste (antigas freguesias de Santo Estêvão das Galés, Venda do Pinheiro e Milharado), que pertencem à bacia do rio Trancão. Destacam-se os rios Lizandro, do Cuco, Safarujo e Sizandro.

  • Águas Balneares: A chamada Costa de Mafra engloba oito praias oficiais de águas balneares caracterizadas por mar batido, ar iodado, substrato arenoso grosso e enquadramento por arribas litorais.