sábado, 7 de fevereiro de 2026

A vista do alto, contempla a Praça Tiradentes,do final da década de 1940. A imagem nos mostra o acréscimo de dois andares ao prédio atualmente pertencente à família Frischmans

 A vista do alto, contempla a Praça Tiradentes,do final da década de 1940. A imagem nos mostra o acréscimo de dois andares ao prédio atualmente pertencente à família Frischmans



𝔸ℕ𝕋𝕀𝔾𝔸 𝔹ℝ 116 (𝔸𝕥𝕦𝕒𝕝 𝕃𝕚𝕟𝕙𝕒 𝕍𝕖𝕣𝕕𝕖) - 𝕋𝕣𝕖𝕔𝕙𝕠 ℙ𝕀ℕℍ𝔼𝕀ℝ𝕀ℕℍ𝕆. Abaixo, á esquerda onde atualmente se localiza, o Posto Condor, e a frente onde existia o Posto Pinheirinho, e mais acima onde era o barracão da Garagem da Pluma. Provável início dos anos 70.

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Entre Trilhos e Pinheirais: O Sonho do Grupo Escolar de Ortigueira na Aurora de uma Cidade

 Denominação inicial: Grupo Escolar de Ortigueira

Denominação atual:

Endereço: 

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor: Departamento de Edificações - Divisão de Projetos e Construções

Data: 

Estrutura: 

Tipologia: L

Linguagem: 


Data de inauguracao: 

Situação atual: 

Uso atual: 

Grupo Escolar de Ortigueira - s/d Fonte: http://cmortigueira.pr.gov.br/fotos-antigas-de-ortigueira

Entre Trilhos e Pinheirais: O Sonho do Grupo Escolar de Ortigueira na Aurora de uma Cidade

No coração do planalto paranaense, onde os pinheiros araucárias erguiam seus galhos majestosos como catedrais naturais e o apito do trem cortava o silêncio das madrugadas, ergueu-se entre 1951 e 1955 um monumento discreto mas revolucionário: o Grupo Escolar de Ortigueira. Não era apenas um prédio de tijolos e concreto — era a materialização de um pacto coletivo selado por madeireiros, colonos e sonhadores que, após décadas de extração insaciável da floresta, decidiram que era hora de plantar algo mais duradouro que madeira: conhecimento.

A Terra que Sangrou Pinho: Ortigueira Antes da Escola

A história de Ortigueira nasceu entrelaçada às raízes da araucária. Por volta de 1900, sertanejos começaram a se instalar num pequeno morro da região, atraídos pela abundância do "ouro verde" — o pinheiro do Paraná, cuja madeira nobre alimentava serrarias e construía cidades distantes.
www.tjpr.jus.br
Nas décadas seguintes, imigrantes poloneses, ucranianos e italianos chegaram com as mãos calejadas e o coração cheio de esperança, transformando a mata virgem em campos de cultivo e serrarias que nunca dormiam.
www.turismo.pr.gov.br
Mas havia um preço. Enquanto os troncos monumentais caíam sob o ranger das serras, levavam consigo não apenas árvores centenárias, mas um ecossistema inteiro — e, com ele, a inocência de uma terra ainda intocada. O trem da ferrovia, que ligava Ortigueira ao resto do Paraná, não transportava apenas toras: carregava também a ambivalência de um progresso que construía cidades à custa da floresta ancestral.
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Nas casas de madeira enxaimel erguidas às pressas, crianças brincavam descalças entre serragem e sonhos, enquanto seus pais, exaustos do trabalho nas matas, sussurravam em polonês ou italiano que "os filhos teriam de estudar — nunca mais seriam lenhadores".
Era nesse cenário de contradições — entre a riqueza passageira da madeira e a pobreza cultural do isolamento — que nascia a necessidade urgente de uma escola digna. Não uma sala improvisada num barracão de serraria, mas um espaço projetado para formar cidadãos.

15 de Novembro de 1951: O Dia em que Ortigueira Nasceu Cidade

Coincidência ou destino? No exato dia da emancipação política de Ortigueira — 15 de novembro de 1951 —, a cidade assumia não apenas autonomia administrativa, mas também a responsabilidade de educar seus filhos.
pt.wikipedia.org
A data marca um divisor de águas: de distrito dependente de Tibagi, Ortigueira tornava-se senhora de seu próprio destino. E nenhum destino se constrói sem escola.
Foi nesse contexto de afirmação identitária que o Departamento de Edificações do Paraná, através de sua Divisão de Projetos e Construções, desenhou para a jovem cidade um presente de futuro: o projeto do Grupo Escolar de Ortigueira. A tipologia "L" — característica dos grupos escolares padronizados da época — não era escolha casual. Formava um pátio interno protegido, espaço sagrado onde as crianças brincariam longe do perigo dos trilhos da ferrovia e da poeira das serrarias. A linguagem modernista, com suas linhas limpas e funcionalidade austera, afirmava que Ortigueira não olhava para trás com nostalgia rural, mas para frente com a confiança de quem acredita no progresso.
Nas plantas arquitetônicas, cada detalhe contava uma história silenciosa: janelas amplas para capturar a luz generosa do planalto; salas dispostas em sequência lógica para o fluxo ordenado de centenas de alunos; beirais projetados para proteger do sol forte do verão e das chuvas torrenciais da primavera. Não havia ornamentos supérfluos — apenas a beleza honesta do concreto armado e da alvenaria robusta, materiais que prometiam resistir não apenas às intempéries, mas ao tempo.

A Construção que Uniu Mãos e Esperanças

Fotografias do acervo de Memória Urbana registram o momento quase sagrado da construção: operários de camisa remendada erguendo paredes sob o sol inclemente, enquanto crianças curiosas observavam da cerca de madeira, imaginando o dia em que cruzariam aquela porta como alunas.
www.paranahistorica.com.br
Muitos desses operários eram pais que nunca haviam pisado numa escola — homens que aprenderam a ler contas de madeira, não livros; que sabiam calcular o volume de um tronco, mas não resolver uma equação de primeiro grau. E ainda assim, com as mãos calejadas pelo machado e pela serra, erguiam com orgulho cada tijolo daquele templo laico.
Dizem que, nas noites de construção, alguns ficavam até depois do expediente, ajustando um batente ou nivelando um piso — não por obrigação, mas por promessa silenciosa feita a si mesmos: "Meu filho vai sentar numa carteira nova, não num tamborete de serraria." Era assim que se construía educação no interior do Paraná na década de 1950: não com discursos de ministros, mas com o suor anônimo de quem acreditava que o futuro começava ali, naquele canteiro de obras entre pinheirais e trilhos.

As Primeiras Carteiras: O Cheiro de Giz e Esperança

Quando finalmente as portas se abriram — provavelmente entre 1953 e 1955, embora a data exata permaneça envolta na névoa da memória oral —, algo mágico aconteceu em Ortigueira. Pela primeira vez, crianças de famílias diferentes compartilhavam o mesmo espaço: filhos de madeireiros poloneses sentavam ao lado de netos de tropeiros brasileiros; meninas de imigrantes italianos aprendiam a soletrar "Brasil" com a mesma professora que ensinava geografia aos filhos dos administradores da serraria.
Nas paredes recém-caiadas, mapas do Paraná mostravam uma terra ainda desconhecida para muitos — afinal, poucos haviam viajado além do rio Ivaí. No quadro-negro, o giz rangia com a autoridade suave da professora estadual recém-chegada de Curitiba, trazendo consigo não apenas o currículo oficial, mas também histórias de uma capital distante onde havia cinemas, bondes elétricos e universidades.
Era ali, naquele prédio modernista de tipologia "L", que Ortigueira tecia sua identidade como cidade. Não pela quantidade de madeira exportada, nem pelo tamanho da serraria, mas pela coragem de investir no que não se media em metros cúbicos: na alma de suas crianças.

O Silêncio que Fala: O Legado sem Nome

Curiosamente — ou talvez poeticamente —, os registros não indicam qual denominação atual carrega o edifício. Talvez tenha recebido o nome de um professor local, de um político regional, de uma heroína anônima da educação. Ou talvez, na simplicidade característica do interior paranaense, continue sendo chamado apenas de "a escola da vila" — nome que, para quem ali estudou, carrega mais significado que qualquer homenagem oficial.
O que importa não é o nome na placa, mas o que aconteceu entre suas paredes: o menino que aprendeu a ler e um dia escreveu poemas sobre pinheirais; a menina que dominou a tabuada e tornou-se contadora da própria serraria; o adolescente que descobriu nos livros de história que existia um mundo além dos trilhos do trem — e partiu para conhecê-lo, levando consigo a memória afetiva daquelas salas de aula onde tudo começou.

Epílogo: Entre o Que Foi e o Que Resta

Hoje, décadas depois, o Grupo Escolar de Ortigueira provavelmente existe "com alterações" — como registram os documentos técnicos. Janelas trocadas, revestimentos atualizados, talvez até ampliações necessárias para atender a uma população que cresceu. A floresta de araucárias que cercava a escola na década de 1950 hoje é rara, protegida por leis que chegaram tarde demais para salvar a maioria dos pinheirais.
wiki.araucaria.pr.gov.br
A ferrovia ainda passa, mas transporta celulose da Klabin, não toras brutas de pinheiro.
mundologistica.com.br
Mas nas paredes que resistiram ao tempo, ainda ecoam os passos de gerações:
— Os alunos dos anos 1950 que aprenderam a cantar o hino nacional com a voz trêmula de emoção, enquanto lá fora o trem apitava rumo a Paranaguá;
— As crianças dos anos 1960 que brincavam de roda no pátio em forma de "L", ignorando que aquele espaço fora projetado com precisão matemática para protegê-las;
— Os adolescentes dos anos 1980 que descobriram a política nos debates acalorados do grêmio estudantil, enquanto seus avós ainda contavam histórias de quando a escola era "só um sonho";
— E os estudantes de hoje, filhos de trabalhadores rurais e netos de madeireiros, que digitam em tablets onde outrora se rabiscavam cadernos de pauta, mas que ainda buscam, no fundo, a mesma coisa: um lugar que os veja, que os forme, que os prepare para o mundo sem lhes roubar a alma.
O Grupo Escolar de Ortigueira nunca foi monumento histórico tombado. Nunca teve seu nome gravado em placas de bronze ou sua história contada em livros acadêmicos. Mas para quem ali estudou — para quem aprendeu a primeira letra, a primeira continha, o primeiro verso de poesia entre aquelas paredes modernistas —, ele é mais que edifício: é o lugar onde o futuro começou.
E assim, sob o mesmo céu que viu cair os últimos pinheiros centenários, o prédio em forma de "L" segue em pé — não como relíquia do passado, mas como testemunha silenciosa de que, mesmo numa terra que sangrou madeira por décadas, houve quem tivesse a coragem de plantar sonhos. E os sonhos, ao contrário das árvores, nunca são derrubados — apenas crescem, geração após geração, raiz após raiz, até transformarem uma cidade inteira.

Entre Pinheirais e Sonhos: A História do Grupo Escolar Cel. Rogério Borba e o Legado da Professora Helena Ronkoski Fioravante

 Denominação inicial: Grupo Escolar Cel. Rogério Borba

Denominação atual: Colégio Estadual Professora Helena Ronkoski Fioravante

Endereço: Av. Coronel Rogério Borba, 945

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor: Secretaria de Viação e Obras Públicas

Data: 1948

Estrutura: padronizado

Tipologia: U

Linguagem: 


Data de inauguracao: 

Situação atual: Edificação existente com alterações

Uso atual: Edifício escolar

Colégio Estadual Professora Helena Ronkoski Fioravante em 2017 Fonte: https://www.google.com.br/maps. Acesso em 14 de janeiro de 2018

Entre Pinheirais e Sonhos: A História do Grupo Escolar Cel. Rogério Borba e o Legado da Professora Helena Ronkoski Fioravante

Na curva suave da Avenida Coronel Rogério Borba, número 945, no coração de Reserva — cidade nascida entre pinheirais e lavouras no planalto paranaense —, ergue-se desde o final da década de 1940 um testemunho silencioso da fé que uma geração depositou no futuro: o edifício que abrigou o Grupo Escolar Cel. Rogério Borba e hoje carrega o nome de Colégio Estadual Professora Helena Ronkoski Fioravante. Suas paredes, marcadas pelo tempo e pelas alterações necessárias, guardam mais que tijolos e argamassa: guardam o eco de vozes infantis que aprenderam a soletrar "Brasil" entre mapas desbotados e o cheiro doce de giz novo.

Reserva: O Berço de Uma Esperança Coletiva

Fundada oficialmente em 1921 — ano trágico que também marcaria o fim da vida do próprio coronel Rogério Borba —, Reserva nasceu como fronteira de civilização no interior do Paraná.
pt.wikipedia.org
Suas ruas foram traçadas por mãos calejadas de imigrantes poloneses, ucranianos e italianos que, fugindo da miséria europeia, transformaram o cerrado em campos férteis de trigo, centeio e fé.
institucional.unisecal.edu.br
Nas casas de madeira enxaimel, falava-se polonês à noite e português na escola — língua esta última que representava não apenas integração, mas dignidade, cidadania, pertencimento.
Mas para que uma colônia se torne cidade, é preciso mais que terra fértil: é preciso escola. E foi nesse vácuo — entre o sonho dos pioneiros e a realidade crua do isolamento — que nasceu a necessidade urgente de um grupo escolar que honrasse a memória de quem dera a vida pela região.

O Coronel que Morreu Pela Terra que Amava

Rogério Morosini Borba (1865–1921) não foi apenas um militar de patente elevada. Foi juiz distrital em Reserva, deputado estadual pelo Paraná e, acima de tudo, um homem que acreditou naquela terra antes que ela própria acreditasse em si mesma.
pt.wikipedia.org
Nascido em Jataizinho, filho de família tradicional da região, dedicou-se à causa republicana e ao desenvolvimento do planalto paranaense com uma paixão quase missionária.
Sua trajetória, porém, terminaria de forma trágica: assassinado em 1921 — justamente no ano da emancipação de Reserva —, antes mesmo de assumir o cargo de primeiro prefeito do município.
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Sua morte violenta transformou-o em mártir local, símbolo da luta pelo progresso numa região ainda selvagem. Homenageá-lo com o nome da primeira escola pública de ensino fundamental não era mero gesto protocolar: era afirmar que a educação seria a arma mais poderosa para continuar sua obra — não com fuzis, mas com cadernos; não com balas, mas com letras.

O Projeto que Uniu Tradição e Modernidade: 1948

Três anos após o fim da Segunda Guerra Mundial — conflito que ceifara milhões de vidas na Europa, incluindo muitos parentes dos imigrantes poloneses de Reserva —, a Secretaria de Viação e Obras Públicas do Paraná desenhou para a cidade um presente de futuro: o projeto arquitetônico do Grupo Escolar Cel. Rogério Borba, datado de 1948.
A escolha da linguagem neocolonial não foi casual. Enquanto o modernismo concretista avançava nas capitais, o interior do Paraná abraçava um estilo que falava diretamente à alma dos colonos: telhados de quatro águas que lembravam as casas da Polônia e da Ucrânia; beirais generosos que protegiam do sol e da chuva; alvenaria robusta que prometia durar gerações.
acervodigital.ufpr.br
A tipologia "U" — padrão para grupos escolares da época — criava um pátio interno protegido, espaço sagrado onde as crianças brincariam sob o olhar atento das professoras, longe das estradas de terra e dos perigos do mundo exterior.
Cada detalhe do projeto padronizado carregava uma filosofia: janelas altas para iluminar as salas de aula com a luz generosa do planalto; corredores amplos para a circulação ordeira de centenas de alunos; sanitários separados com rigor quase monástico — sinal dos tempos. Não havia luxo, mas havia dignidade. E naquele momento histórico, para os filhos de agricultores que caminhavam quilômetros descalços até a escola, dignidade era revolução.

O Silêncio que Falava: A Inauguração sem Data

Curiosamente, os documentos oficiais não registram a data exata de inauguração do prédio. Entre 1948, ano do projeto, e 1951, período final de consolidação do grupo escolar, ergueu-se em Reserva não apenas um edifício, mas um pacto coletivo.
www.memoriaurbana.com.br
Talvez a cerimônia tenha sido discreta — afinal, no interior do Paraná pós-guerra, não havia recursos para fanfarras. Talvez tenha ocorrido numa manhã de outubro, com o prefeito local cortando uma fita simples enquanto as primeiras crianças, de uniforme branco engomado pelas mães, entravam com olhos arregalados de espanto.
O que importa não é a data, mas o gesto: naquele momento, Reserva declarava que seus filhos mereciam o mesmo direito à educação que as crianças de Curitiba ou São Paulo. Que o filho do polonês que plantava batata tinha o mesmo potencial que o filho do industrial da capital. Que a escola pública era, acima de tudo, um ato de justiça.

A Mulher que Deu Alma ao Tijolo: Helena Ronkoski Fioravante

Décadas depois — provavelmente entre os anos 1970 e 1990, período em que o Paraná redescobriu seus educadores locais —, o grupo escolar recebeu nova denominação: Colégio Estadual Professora Helena Ronkoski Fioravante. O sobrenome Ronkoski, inequivocamente polonês, sugere que Helena era filha ou neta dos pioneiros que fundaram Reserva — uma daquelas mulheres que transformaram a dor da imigração em força para ensinar.
Imaginemos Helena: professora primária de mãos delicadas e voz firme, talvez filha de camponeses analfabetos que a enviaram à escola com o sonho de que ela "nunca mais precisasse catar batata".
institucional.unisecal.edu.br
Imaginemos suas aulas naquele prédio neocolonial: ensinando a tabuada com feijões secos, corrigindo cadernos à luz de lamparina quando a energia falhava, secando lágrimas de crianças que sentiam saudade dos avós que ficaram na Europa. Imaginemos sua dedicação silenciosa — a mesma dedicação de milhares de professoras anônimas que, sem nunca terem seus nomes nos livros de história, construíram o Brasil sala por sala, aluno por aluno.
Homenageá-la não foi apagar a memória do coronel Borba — foi completá-la. Se ele representava a força fundadora, a coragem política, o sacrifício pela terra; Helena representava a força educadora, a paciência diária, o sacrifício pela alma. Juntos, na memória do prédio, formam a dualidade essencial de toda comunidade: a coragem de construir e a sabedoria de cultivar.

O Presente que Honra o Passado: 2017 até Hoje

Em 2017, o Colégio Estadual Professora Helena Ronkoski Fioravante permanecia de pé na Avenida Coronel Rogério Borba — "edificação existente com alterações", como registram os técnicos.
www.memoriaurbana.com.br
Janelas trocadas, revestimentos atualizados, instalações elétricas modernizadas. O tempo deixou suas marcas, como sempre deixa. Mas nas paredes que resistiram, ainda ecoam os passos de gerações:
— Os alunos dos anos 1950 que aprenderam a cantar o hino nacional com lágrimas nos olhos, enquanto seus pais ainda falavam polonês em casa;
— As meninas dos anos 1960 que sonhavam ser professoras como a Dona Helena, repetindo suas lições diante do espelho;
— Os adolescentes dos anos 1980 que descobriram Marx e Neruda nos corredores onde outrora se ensinava a rezar o Pai Nosso;
— E os estudantes de hoje, filhos de agricultores e netos de imigrantes, que digitam em tablets onde outrora se rabiscavam cadernos de pauta, mas que ainda buscam, no fundo, a mesma coisa: um lugar que os veja, que os forme, que os prepare para o mundo sem lhes roubar a alma.

Epílogo: A Escola como Território da Memória

O Colégio Estadual Professora Helena Ronkoski Fioravante não é um monumento musealizado. É um organismo vivo, pulsante, que respira o ar dos pinheirais que cercam Reserva. Suas portas se abrem todas as manhãs para novos rostos, novas histórias, novas esperanças. E talvez seja justamente essa continuidade — essa teimosia em existir mesmo diante das dificuldades do ensino público brasileiro — seu maior triunfo.
Na memória coletiva de Reserva, a escola é mais que tijolo e concreto. É o primeiro beijo escondido no pátio interno; o terror da prova de português; a euforia da formatura do primário; a professora que mudou um destino com uma palavra de incentivo. É o lugar onde filhos de agricultores se tornaram médicos, onde netos de imigrantes analfabetos se tornaram engenheiros, onde a promessa feita em 1948 — de que toda criança merece aprender — continua sendo cumprida, dia após dia.
E assim, sob o mesmo céu que viu nascer Reserva, o edifício neocolonial da Avenida Rogério Borba segue em pé — não como relíquia do passado, mas como farol silencioso que repete, a cada geração: Aqui, entre pinheirais e sonhos, o futuro começa hoje. Entre. Sente-se. Abra seu caderno. O mundo espera por você.