quarta-feira, 15 de julho de 2026

A Casa Londres de Curitiba em 1929, especializada em vestuário e chapéus.

 A Casa Londres de Curitiba em 1929, especializada em vestuário e chapéus.


O Ginásio de Esportes Borel du Vernay e ao fundo o bairro da Ronda de Ponta Grossa no início dos anos 60.

 O Ginásio de Esportes Borel du Vernay e ao fundo o bairro da Ronda de Ponta Grossa no início dos anos 60.


Massacre da Construtora Pacheco Fernandes Dantas 8 de fevereiro de 1959 — 67 anos de uma tragédia silenciada

 

Massacre da Construtora Pacheco Fernandes Dantas

8 de fevereiro de 1959 — 67 anos de uma tragédia silenciada


Massacre da Construtora Pacheco Fernandes Dantas

8 de fevereiro de 1959 — 67 anos de uma tragédia silenciada
O episódio ficou conhecido como um dos eventos mais tristes e violentos da construção de Brasília, marcado pela exploração dos trabalhadores e pela repressão brutal contra quem ousou reclamar de condições desumanas.

Contexto: A construção da nova capital

No final da década de 1950, milhares de operários vindos de todas as regiões do Brasil foram contratados para erguer, em apenas alguns anos, a futura capital federal. Muitos viviam em canteiros de obras isolados, sem estrutura adequada, sob regras rigorosas impostas pelas empresas responsáveis pela construção. A Construtora Pacheco Fernandes Dantas era uma das principais contratadas para as obras, e seus alojamentos ficavam próximos à área onde surgiria a Cidade Livre — hoje o bairro Núcleo Bandeirante —, o único ponto de convívio e lazer para os trabalhadores.

Os acontecimentos no Carnaval de 1959

Para impedir que os operários deixassem os alojamentos durante o feriado de Carnaval, a direção da empresa adotou medidas coercitivas:
  • Corte do abastecimento de água: Sem água para se limpar ou tomar banho, a intenção era dificultar a saída dos homens.
  • Retenção de salários: O pagamento que deveria ser feito no sábado foi suspenso, privando-os de recursos para se deslocar ou se divertir.
No domingo, dia 8 de fevereiro, a situação se agravou: a cantina do canteiro serviu comida estragada. A reclamação imediata dos trabalhadores evoluiu para um confronto, com quebra de objetos e instalações.
A empresa chamou a Guarda Especial de Brasília (GEB), força policial criada para manter a ordem no canteiro de obras. Ao invés de mediar o conflito, os agentes partiram para a agressão, espancando os envolvidos. A violência generalizada revoltou também quem não havia participado do protesto, levando a uma reação coletiva contra os policiais, que se retiraram do local ameaçando se vingar.

A repressão noturna

Horas depois, durante a madrugada, a GEB retornou em grande número, agora armada com fuzis e metralhadoras. Invadiram os alojamentos onde os trabalhadores já dormiam e abriram fogo contra os beliches, sem distinção.
Foi uma ação de retaliação premeditada, contra pessoas desarmadas e indefesas.

O silêncio oficial

Um dos traços mais marcantes dessa tragédia é a falta de transparência e de responsabilização:
  • O número exato de mortos e feridos nunca foi divulgado oficialmente.
  • Os corpos foram retirados e enterrados sem identificação ou registro público.
  • O canteiro de obras ficava numa região isolada, longe do alcance da imprensa, da Justiça e da opinião pública das grandes cidades. Por isso, o caso ficou pouco conhecido durante décadas.

Memória e lembrança

Hoje, o episódio é lembrado como símbolo da dura realidade enfrentada por quem construiu Brasília: trabalho árduo, condições precárias e poucos direitos. Frases como “Jamais esqueceremos dos 67 anos do massacre na construtora Pacheco Fernandes Dantas” reforçam a importância de não deixar que a história seja apagada, mantendo viva a memória dos trabalhadores que perderam a vida ou sofreram repressão por exigir dignidade.
Fonte: Memorial da Democracia

Jim Bridger: O Homem que Viu o Oeste Antes do Mapa (1804 — 17 de julho de 1881)

 

Jim Bridger: O Homem que Viu o Oeste Antes do Mapa

(1804 — 17 de julho de 1881)

Jim Bridger: O Homem que Viu o Oeste Antes do Mapa

(1804 — 17 de julho de 1881)
Foi um dos mais lendários montanheses, exploradores e guias da história da expansão dos Estados Unidos para o Oeste. Sua vida atravessou quase todo o processo de descoberta e ocupação do território selvagem, e ele foi responsável por revelar ao mundo regiões que pareciam impossíveis de existir.

Juventude e o chamado para o desconhecido

Cresceu órfão no estado do Missouri, trabalhando como aprendiz de ferreiro para sobreviver. Aos 18 anos, viu um anúncio de jornal que procurava homens para uma expedição de caça de peles de castor — sem promessas de glória, apenas de trabalho em terras ainda não mapeadas. Para quem não tinha bens nem perspectivas, o convite foi irresistível.
Essa decisão deu início a uma trajetória de 47 anos de exploração, percorrendo mais de 8 mil quilômetros de territórios desconhecidos, onde poucos brancos haviam pisado.

Descobertas que ninguém acreditou

  • Grande Lago Salgado (década de 1820): Seguindo o curso de rios em direção ao oeste, chegou a uma imensa massa de água. Ao prová-la e sentir o gosto salgado, pensou ter alcançado o Oceano Pacífico. Embora estivesse enganado, havia descoberto o Grande Lago Salgado, em Utah — uma região que até então não aparecia em nenhum mapa oficial.
  • A região de Yellowstone: Anos depois, ao explorar o norte das Montanhas Rochosas, entrou numa paisagem que parecia sair de uma lenda: gêiseres que lançavam colunas de água fervente a dezenas de metros de altura, fontes termais coloridas, solos que liberavam vapor e florestas inteiras transformadas em pedra pelo tempo.
Quando voltou e contou o que tinha visto, foi ridicularizado. Os contemporâneos chamavam suas histórias de “contos de velho” ou mentiras exageradas. A verdade só seria confirmada décadas depois, quando expedições oficiais chegaram ao local e reconheceram ali o que hoje é o Parque Nacional de Yellowstone, o primeiro parque nacional do mundo.

O homem que conhecia o território

Diferente de muitos exploradores, Bridger não só passava pelas terras: ele as compreendia. Aprendeu várias línguas e costumes dos povos indígenas, adaptou-se aos climas mais rigorosos e descobriu rotas seguras entre montanhas e vales. Casou-se três vezes com mulheres de nações indígenas, vivendo por anos como um montanhês entre a natureza.
Quando o comércio de peles entrou em declínio, ele enxergou a nova realidade: milhares de famílias começavam a cruzar o continente em busca de novas terras. Em 1843, construiu o Fort Bridger, no atual estado de Wyoming — um ponto de parada, reabastecimento e reparo fundamental ao longo da famosa Rota do Oregon. Para muitas caravanas, o forte significou a diferença entre continuar a viagem ou perecer no caminho.
Depois, serviu como guia e intérprete para expedições militares, topógrafos e engenheiros. Seus mapas, desenhados de memória, revelaram-se surpreendentemente precisos, servindo de base para as cartas oficiais que viriam a ser feitas anos mais tarde.

O fim de uma era

Com a chegada das ferrovias e a delimitação das fronteiras, o “Velho Oeste” deixou de existir. O território selvagem foi dividido, mapeado e ocupado. Os homens que viviam apenas da experiência e da intuição foram substituídos por equipamentos e técnicas modernas.
Bridger envelheceu: a exposição ao sol forte, ao vento e à neve o deixou cego parcialmente e depois totalmente. Sem fortuna acumulada e sem mais espaço para seu ofício, aposentou-se em uma fazenda modesta no Missouri. Morreu em 17 de julho de 1881, aos 77 anos, praticamente esquecido pela sociedade.

Legado

Hoje, o nome de Jim Bridger está gravado em dezenas de acidentes geográficos: montanhas, desfiladeiros, rios, lagos e trilhas levam sua assinatura.
A história acabou por provar que o que ele contava não era fantasia: eram verdades adiantadas ao seu tempo. Ele viu o que os outros não podiam imaginar, disse o que ninguém estava pronto para ouvir e morreu antes que o mundo pudesse compreender toda a importância do que ele havia feito.

“Ele viu o que ninguém mais via, e contou o que ninguém mais acreditava — até que a ciência e o tempo provassem que ele estava certo.”