terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Relembrando: Usina Termelétrica - Ano 1901 Em 1904 a Usina foi comprada pela Empresa de Eletricidade de Curitiba, de propriedade da Família Hauer. Era onde hoje está a Rodoferroviária de Curitiba. Sua localização era estratégica para a época, pois ficava próxima à linha do trem, em uma região com grande estoque de lenha e combustível para seu funcionamento. Além disso, por estar próxima ao rio Belém, tinha facilidade no abastecimento de suas caldeiras.

 Relembrando: Usina Termelétrica - Ano 1901 Em 1904 a Usina foi comprada pela Empresa de Eletricidade de Curitiba, de propriedade da Família Hauer. Era onde hoje está a Rodoferroviária de Curitiba. Sua localização era estratégica para a época, pois ficava próxima à linha do trem, em uma região com grande estoque de lenha e combustível para seu funcionamento. Além disso, por estar próxima ao rio Belém, tinha facilidade no abastecimento de suas caldeiras.


Entre Formas e Futuros: O Grupo Escolar Antônio Tupy Pinheiro — Onde Porto Amazonas Aprendeu a Sonhar em Linhas Retas

 Denominação inicial: Grupo Escolar Antônio Tupy Pinheiro

Denominação atual: Escola Estadual Olivio Belích

Endereço: Rua João Pessoa, 376 - Centro

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor:

Data: 

Estrutura: 

Tipologia: U

Linguagem: 


Data de inauguracao: 19 de novembro de 1956

Situação atual: Edificação existente com alterações

Uso atual: Edifício escolar

Escola Estadual Olivio Belích - s/d

Acervo: Escola Estadual Olivio Belích

Entre Formas e Futuros: O Grupo Escolar Antônio Tupy Pinheiro — Onde Porto Amazonas Aprendeu a Sonhar em Linhas Retas

Na Rua João Pessoa, nº 376, no coração do Centro de Porto Amazonas, ergue-se um edifício cuja forma em "U" abraça mais do que pátios e salas de aula: abraça a memória de um tempo em que um município recém-nascido decidiu que sua independência política só seria completa quando suas crianças aprendessem a ler o mundo com olhos livres. Inaugurado em 19 de novembro de 1956, o Grupo Escolar Antônio Tupy Pinheiro — hoje Escola Estadual Olivio Belích — é muito mais do que concreto e tijolo: é um manifesto arquitetônico da modernidade que o Paraná dos anos 1950 quis imprimir sobre a terra vermelha dos Campos Gerais.

Porto Amazonas em 1947: O Berço de uma Autonomia

Para compreender a magnitude daquela escola, é preciso voltar ao outono de 1947. Em 10 de outubro daquele ano, pela Lei nº 02, Porto Amazonas emancipava-se de Palmeira e tornava-se município autônomo
www.portoamazonas.pr.gov.br
. Nascia assim uma comunidade que, desde o século XVIII, vivia à margem do rio Iguaçu — primeiro como Porto de Caiacanga, ponto estratégico na navegação fluvial; depois como povoado de colonos que desbravavam as matas em busca de terras férteis
atlasparanatradicional.wordpress.com
.
Mas autonomia política sem educação era autonomia incompleta. Um município novo precisava formar seus cidadãos, alfabetizar suas crianças, preparar seus jovens para governar a si mesmos. E assim, mal findara a década de 1940, os olhos de Porto Amazonas voltaram-se para Curitiba — onde um engenheiro visionário assumira o governo do estado com um plano ousado: transformar o Paraná em celeiro não apenas de soja e trigo, mas de conhecimento.

Bento Munhoz da Rocha Neto e a Revolução das Escolas: 1951-1955

Em 31 de janeiro de 1951, Bento Munhoz da Rocha Neto — nascido em Paranaguá, formado engenheiro pela Universidade do Paraná — assumia o governo estadual com um diagnóstico cruel: milhares de crianças do interior estavam fora da escola; os prédios existentes eram precários; o analfabetismo assombrava as zonas rurais
pt.wikipedia.org
.
Sua resposta foi monumental. Entre 1951 e 1955, seu governo desencadeou a maior campanha de construção de grupos escolares na história do Paraná
biblioteca.sophia.com.br
. Não se tratava apenas de erguer paredes — tratava-se de erguer símbolos. Cada escola construída no interior era uma declaração: "Este lugar pertence ao Brasil moderno. Estas crianças merecem o futuro."
Foi nesse contexto que nasceu o projeto do Grupo Escolar de Porto Amazonas. Embora inaugurado em novembro de 1956 — já sob o governo seguinte —, seu planejamento, recursos e concepção arquitetônica datam do período munhozista (1951-1955), quando o estado investiu maciçamente na educação como pilar da modernização
anpuh.org.br
.

A Arquitetura como Profecia: O Modernismo que Abraçava o Futuro

O que torna esta escola única é sua linguagem arquitetônica: o Modernismo em estado puro. Enquanto as primeiras escolas paranaenses do século XX erguiam-se em estilos ecléticos ou neoclássicos — com colunas, frontões e ornamentos que remetiam à Europa —, os grupos escolares da década de 1950 adotaram a estética racionalista que varria o mundo: volumes geométricos limpos, ausência de decoração supérflua, grandes vãos envidraçados que convidavam a luz a penetrar as salas de aula
www.memoriaurbana.com.br
.
A tipologia em "U" não era casual. Essa configuração criava um pátio interno protegido — espaço de convivência, recreio e formação cívica — enquanto os blocos laterais abrigavam salas de aula, gabinetes e áreas administrativas. Era uma arquitetura funcional, sim, mas também profundamente simbólica: o "U" aberto para o futuro, como braços que acolhem as crianças e as conduzem rumo ao saber.
Imagine a cena em 1956: crianças de pés descalços, filhas de colonos poloneses, ucranianos e caboclos que trabalhavam nas roças de erva-mate e pinho, cruzando o portão de uma escola de linhas retas e concreto aparente. Ali não havia estátuas de santos nem brasões coloniais — havia modernidade. E naquele contraste entre a rusticidade do cotidiano e a elegância racional do edifício, residia uma mensagem silenciosa porém poderosa: "Vocês não são menos. Vocês pertencem ao amanhã."

Os Homens por Trás dos Nomes: Entre Memórias Esmaecidas e Legados Vivos

Quem foram Antônio Tupy Pinheiro e Olivio Belích — os homens cujos nomes atravessaram décadas para batizar esta escola?
Os registros são fragmentários, como tantas memórias do interior paranaense. Antonio Tupy Pinheiro aparece em documentos da época como inspetor do ensino — figura técnica que, com "esclarecida competência", dirigia os serviços educacionais do estado
www.textoecontextoeditora.com.br
. Seu nome, de sonoridade indígena tupi-guarani combinada com tradição europeia, reflete a própria identidade paranaense: mestiçagem de culturas, fusão de mundos.
Já Olivio Belích — grafado às vezes como Olívio Belich — guarda raízes profundas em Porto Amazonas. Registros genealógicos indicam um Olivio Belich nascido em 6 de março de 1920, justamente neste município, filho de uma terra que ainda lutava por se afirmar
ancestors.familysearch.org
. Casou-se em 1941 com Zué de Oliveira Ribas — família tradicional da região — e dedicou sua vida ao magistério ou à política local, a ponto de merecer, décadas depois, que a escola municipal recebesse seu nome como tributo definitivo.
A mudança de denominação — de Antônio Tupy Pinheiro para Olivio Belích — reflete um fenômeno comum na história educacional brasileira: enquanto os nomes estaduais homenageavam burocratas e políticos de Curitiba, os nomes municipais celebravam os seus: professores que ensinaram gerações, vereadores que lutaram por recursos, cidadãos que doaram terras para a construção da escola. Foi a comunidade de Porto Amazonas reivindicando sua própria história.

O Silêncio Entre as Paredes: O Que os Documentos Não Contam

Os arquivos oficiais registram datas, decretos, metragens. Mas não registram:
— O cheiro do giz novo na primeira aula de 1956; — O ranger das carteiras de madeira quando uma menina tímida se sentava pela primeira vez numa escola de verdade; — O orgulho do pai analfabeto ao ver o filho soletrar "Paraná" na lousa; — O professor que, após o expediente, ficava até o anoitecer ensinando adultos a assinar o próprio nome; — As crianças correndo pelo pátio em "U" durante o recreio, seus risos ecoando entre as paredes modernistas que pareciam dizer: "Este é o vosso lugar. Este é o vosso tempo."
Essas memórias vivem nos relatos dos antigos alunos — hoje idosos que caminham pelas ruas de Porto Amazonas e, ao passar diante da escola, ainda sentem o peso daquela mochila de pano cru, ainda ouvem o apito do recreio, ainda veem, nos olhos dos netos que ali estudam, o mesmo brilho que tiveram ao descobrir que as letras formavam palavras, e as palavras formavam mundos.

Epílogo: A Escola que Não Envelhece

Hoje, como Escola Estadual Olivio Belích, o edifício mantém sua estrutura original — embora com alterações necessárias ao longo dos anos
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. Suas paredes modernistas testemunharam ditaduras e redemocratizações, modas passageiras e crises econômicas, mas permaneceram de pé — assim como permaneceu de pé a convicção que as ergueu: a de que educação é o único caminho que não se fecha, a única herança que não se gasta, o único investimento que sempre rende.
Porto Amazonas completou 77 anos em 2024
www.gazetadepalmeira.com.br
. Sete décadas e meia de história. E em cada uma dessas décadas, crianças passaram por aquele portão em forma de "U" — não apenas para aprender a tabuada ou a gramática, mas para aprender que pertencem a algo maior: a uma comunidade, a um estado, a uma nação que, apesar de todas as dificuldades, sempre acreditou que o futuro se constrói uma carteira de escola de cada vez.
A arquitetura modernista ensina que a beleza está na função, na honestidade dos materiais, na clareza das formas. E talvez não haja forma mais bela, mais honesta, mais funcional do que esta: um edifício erguido para que crianças pobres de um município pequeno pudessem, por algumas horas por dia, sonhar sem limites. Sonhar em linhas retas. Sonhar em futuro.

Entre Tijolos e Sonhos: A Casa Escolar Manoel Eufrásio — Onde Piraquara Aprendeu a Ler o Mundo

 Denominação inicial: Casa Escolar Manoel Eufrásio

Denominação atual: Escola Municipal Manoel Eufrásio

Endereço: Rua Getúlio Vargas, 295 - Centro

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor: Secretaria de Obras Públicas e Colonização

Data: 1911

Estrutura: padronizado

Tipologia: Bloco único

Linguagem: 


Data de inauguracao: 1912

Situação atual: Edificação existente

Uso atual: Edifício escolar

Grupo Escolar Manoel Eufrásio - s/d

Acervo: Coordenadoria do Patrimônio do Estado da SEAD (Secretaria de Estado da Administração) - Pasta 5556

Entre Tijolos e Sonhos: A Casa Escolar Manoel Eufrásio — Onde Piraquara Aprendeu a Ler o Mundo

Na Rua Getúlio Vargas, nº 295, no coração do Centro de Piraquara, ergue-se um edifício de linhas sóbrias e proporções harmoniosas que guarda em suas paredes o sussurro de gerações. São mais de cem anos de histórias contidas naquele bloco único de arquitetura eclética — a Casa Escolar Manoel Eufrásio, hoje Escola Municipal Manoel Eufrásio, primeira instituição escolar da sede da antiga Vila Deodoro
www.piraquara.pr.gov.br
. Mas por trás do nome oficial e das plantas padronizadas da Secretaria de Obras Públicas e Colonização, pulsa uma narrativa mais profunda: a de uma comunidade que, entre serras e rios, decidiu que seus filhos mereciam mais do que o trabalho braçal desde a infância — mereciam o dom da palavra, o poder da escrita, a dignidade do conhecimento.

O Homem por Trás do Nome: Manoel Eufrásio Correia e o Legado Paranaense

Quem foi Manoel Eufrásio a quem se dedicou esta escola? Nasceu em Paranaguá em 16 de agosto de 1839, filho de uma província ainda jovem e ambiciosa
pt.wikipedia.org
. Formou-se em Direito, bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais, e dedicou sua vida pública ao serviço do Paraná — primeiro como deputado provincial, depois como figura respeitada no cenário político nacional, filiado ao Partido Conservador
www.museuparanaense.pr.gov.br
. Faleceu em Recife em 4 de fevereiro de 1888, pouco antes da Abolição, deixando um legado de compromisso com a construção institucional do estado.
Ao batizar com seu nome uma escola erguida décadas após sua morte, os dirigentes paranaenses da Primeira República prestavam homenagem não apenas a um político, mas a um paranaense — alguém que, como tantos outros da elite letrada da província, acreditava que a educação era o alicerce da civilização. Naquele momento histórico, nomear uma escola era um ato político: era dizer que aquele lugar — antes mato, antes roça — agora pertencia ao Brasil republicano, à nação que se construía pela instrução pública.

Piraquara em 1911: Entre a Estrada da Graciosa e os Sonhos de Modernidade

Imaginemos Piraquara em 1911, quando a Secretaria de Obras Públicas e Colonização assinava o projeto arquitetônico da escola. A vila — ainda não município — vivia à sombra da majestosa Serra do Mar, cortada pela Estrada da Graciosa, antiga ligação entre o litoral e o planalto
www.piraquara.pr.gov.br
. Colonos italianos, poloneses e ucranianos chegavam em levas, atraídos pelas terras férteis e pelo trabalho nas madeireiras. As ruas de terra vermelha transformavam-se em lama com as chuvas de verão; as casas de madeira e taipa abrigavam famílias numerosas onde crianças de cinco, seis anos já ajudavam na roça ou cuidavam dos irmãos menores.
Era nesse cenário que nascia a Casa Escolar Manoel Eufrásio — não como um luxo, mas como uma necessidade urgente. O Brasil republicano precisava de cidadãos alfabetizados para votar (ainda que restrito), para assinar contratos, para ler os jornais que formavam a opinião pública. E o Paraná, estado pobre mas ambicioso, via na educação a ferramenta para transformar colonos analfabetos em agricultores modernos, capazes de produzir não apenas para sobreviver, mas para exportar.

A Arquitetura como Discurso: O Eclético que Falava de Civilização

O projeto, assinado pela Secretaria de Obras Públicas e Colonização em 1911 e inaugurado em 1912, seguia um padrão arquitetônico que se espalhava pelo Brasil: o Eclético
archiinbrazil.wordpress.com
. Não era um estilo casual — era uma escolha ideológica. Enquanto as casas dos colonos erguiam-se em técnicas tradicionais trazidas da Europa — enxaimel, ensecadeira, taipa —, a escola pública apresentava-se com elementos clássicos reinterpretados: platibandas ornamentadas, janelas simétricas, portais marcantes que lembravam templos da Antiguidade.
Essa linguagem arquitetônica tinha um propósito claro: dignificar. Ao entrar naquele edifício de bloco único, a criança pobre de Piraquara — filha de imigrantes que mal falavam português — sentia-se transportada para outro universo. Ali não havia apenas carteiras e lousas; havia ordem, beleza, permanência. A arquitetura dizia sem palavras: "Este lugar é importante. Você, que aqui entra, é importante. O que aqui se aprende transformará sua vida."
O padrão construtivo — estrutura padronizada, materiais locais combinados com acabamentos que buscavam durabilidade — refletia a realidade orçamentária do Paraná da época: recursos limitados, mas vontade política inabalável
www.administracao.pr.gov.br
. Cada tijolo assentado na Rua Getúlio Vargas (então talvez com outro nome) era um ato de fé no futuro.

As Primeiras Cartilhas: Entre o Bê-á-bá e a Nacionalização

Em 1924, doze anos após sua inauguração, a Casa Escolar Manoel Eufrásio contava com 81 alunos matriculados
www.piraquara.pr.gov.br
. Imagine aquelas salas de aula: meninos e meninas de pés descalços ou calçados com tamancos rústicos, sentados em carteiras duplas de madeira escura. Na lousa, a professora — talvez uma normalista formada na Escola Normal de Curitiba — escrevia com giz branco: "A arara é vermelha".
Mas o ensino ia além do bê-á-bá. Na década de 1920, o Paraná intensificava o processo de nacionalização das crianças de imigrantes
www.scielo.br
. Filhos de italianos que falavam talian em casa eram ensinados a falar português "correto"; filhos de poloneses aprendiam a cantar o Hino Nacional e a venerar os heróis da Pátria. Era uma política ambígua: por um lado, integradora; por outro, apagadora de identidades. Na Casa Escolar Manoel Eufrásio, essa tensão se manifestava diariamente — na correção rigorosa dos sotaques, na proibição de línguas estrangeiras no recreio, mas também na tolerância silenciosa quando uma avó italiana vinha buscar o neto e conversava com a professora em gestos e sorrisos.
Os currículos incluíam:
  • Leitura e escrita em português
  • Aritmética prática (contas do comércio, medidas agrícolas)
  • História do Brasil e do Paraná
  • Geografia com foco nos rios e estradas locais
  • Noções de higiene e moral cristã
  • Para as meninas: trabalhos manuais e "economia doméstica"
Era uma educação utilitária, sim — mas também libertadora. Para muitas daquelas crianças, a escola era o único espaço onde eram tratadas como indivíduos, não como pequenos trabalhadores. Onde podiam sonhar além da roça do pai.

O Legado que Persiste: Da Casa Escolar ao Século XXI

Enquanto muitas escolas do mesmo período foram demolidas, transformadas ou abandonadas, a Casa Escolar Manoel Eufrásio resistiu. Hoje, como Escola Municipal Manoel Eufrásio, continua cumprindo sua missão original — agora com quadras poliesportivas, computadores e merenda escolar, mas com a mesma essência: ser lugar de encontro, de formação, de esperança
www.melhorescola.com.br
.
Em 2023, a escola promoveu o encontro "Café com História", iniciativa dedicada a preservar e valorizar sua trajetória por meio de relatos de ex-alunos, professores aposentados e moradores antigos
tribunadosmananciais.com.br
. Nesses encontros, emergem memórias vívidas: do professor rigoroso que castigava com palmatória mas também distribuía laranjas no inverno; da menina que aprendeu a ler escondida debaixo das cobertas com vela de sebo; do menino que, pela primeira vez na vida, viu um mapa-múndi e descobriu que existia um mundo além das serras de Piraquara.

Epílogo: O Silêncio que Ensina

Quem passa hoje pela Rua Getúlio Vargas, nº 295, talvez não perceba a profundidade do que ali se construiu. Um edifício escolar entre outros. Mas se pararmos para ouvir, as paredes ecléticas sussurram histórias:
Sussurram do menino italiano que, em 1915, soletrou "Brasil" pela primeira vez sem errar; Da menina polonesa que, em 1928, escreveu uma carta para o pai analfabeto ler para a família; Do professor que, em 1937, escondeu livros proibidos pelo Estado Novo entre as prateleiras da biblioteca; Da diretora que, em 1952, defendeu com unhas e dentes o direito de uma aluna negra frequentar as aulas.
A Casa Escolar Manoel Eufrásio nunca foi apenas um prédio. Foi — e continua sendo — um ato de coragem coletiva. A coragem de acreditar que, mesmo em uma vila pequena aos pés da serra, mesmo com recursos escassos, mesmo diante da pobreza generalizada, valia a pena investir no futuro. Valia a pena ensinar uma criança a ler.
E nesse gesto simples — abrir um livro diante de olhos curiosos — reside a revolução mais silenciosa e duradoura que uma sociedade pode empreender. Por isso, mais de cem anos depois, as portas da Manoel Eufrásio continuam abertas. Porque enquanto houver crianças dispostas a aprender, e adultos dispostos a ensinar, a história não termina — renasce a cada manhã, na primeira lição do dia.