Rua Ébano Pereira – Primeiros anos de 1900. Antiga Rua Borges de Macedo, atual Ébano Pereira, ainda sem pavimentação, como estrada de barro.
CURITIBA E PARANA EM FOTOS ANTIGAS
fotos fatos e curiosidades antigamente O passado, o legado de um homem pode até ser momentaneamente esquecido, nunca apagado
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Rua Ébano Pereira – Primeiros anos de 1900. Antiga Rua Borges de Macedo, atual Ébano Pereira, ainda sem pavimentação, como estrada de barro.
RELEMBRANDO OS PHOSPHOROS MIMOSA
RELEMBRANDO OS PHOSPHOROS MIMOSA
Os "Phosphoros Mimosa" foram fabricados pela Companhia Fabril Paranaense, fundada em 1913, por Antonio Carnasciali e, mais tarde, administrada por seu filho Olívio Carnasciali.
A fabrica situava-se na Av. Senador Souza Naves, no Cristo Rei, onde hoje está o Conjunto Cosmos.
Nas fotos adiante, vemos suas instalações, barracões, grupo de operários, seções de produção, empacotamento, sala de força motriz, carpintaria e outros. Adjacente, vemos os trilhos de um ramal da estrada de ferro à sua frente, construída em 1909.
A caixa de fósforos e a logomarca da "Mimosa", relembram a façanha dos primeiros imigrantes que empreenderam iniciativas comerciais e industriais que impulsionaram o crescimento de Curitiba e do Estado.
Ela funcionou até 1933, quando foi vendida à concorrência.
Paulo Grani.
Conjunto odas instalações da Fábrica de Phosphoros Mimosa, na Av. senador Souza Naves, década de 1920.
Foto: Arquivo Publico do Paraná
Foto: Arquivo Publico do Paraná
Logomarca usada nas caixinhas de madeira. Nela ja vê-se o nome da Cia. Fiat Lux, sua sucessora.
Vista frontal da fabrica de Phosphoros Mimosa, década de 1920.
Grupo de funcionários da fábrica de Phosphoros Mimosa, posando em ocasião.
Sala de Máquinas da fábrica.
Setor de fabricação dos fósforos de cera.
Visão ampla da linha de produção, em um dos barracões.
Visão ampla da linha de produção, em um dos barracões.
Setor de carpintaria.
Visão ampla da linha de produção, em um dos barracões.
PESCARIAS NO RIO BELÉM
PESCARIAS NO RIO BELÉM
"Quem vê aquele esgoto corrente que corta a cidade, ora canalizado, ora a céu aberto, a quem chamam de Rio Belém, não imagina que houve tempo em que suas águas eram límpidas, povoadas de peixes. Nele, as crianças nadavam e divertiam-se pescando lambaris ou carás. E, pasmem os mais moços, isso não faz assim tanto tempo.
Lembro bem, eu era menino, lá pelos idos de 1.942 ou 43. O Rio Belém havia sido canalizado na área central com paredões de pedra. E era nas frestas dessas pedras que os carás arranjavam suas tocas. O cará, para quem não sabe, é um peixe semelhante à tilápia, e vive em tocas.
Nas tardes de verão, a gurizada entrava no rio e, com água pelo joelho, ia "toqueá" (pegar o cará na toca). Não era qualquer um que tinha coragem de meter a mão na toca. O peixe, quando se sente apalpado, tenta fugir, e a gente tem um arrepio, pois a cará tem umas espinhas nas costas que espetam quem não tem prática. E ainda existe o risco de, em vez do pegar o peixe, pegar uma cobra.
Naquele tempo, o rio era limpo. Poluição?... Nem se conhecia a palavra. Os peixes eram grandes e limpos.mOs carás chegavam a um palmo de comprimento. Dava gosto tirar um da toca, o bicho vinha se contorcendo na mão e emitindo um chiado. Melhor ainda era levar alguns para casa no final da tarde, e comê-los no jantar fritos com farinha.
O rio todo era bom de peixe, mas o melhor trecho era entre as ruas Quinze de Novembro e a Comendador Macedo. O rio, ali, corria pela Mariano Torres. Vinha gente de outros bairros para pescar nesse trecho.mMas os melhores pescadores, modéstia à parte, éramos nós, a turminha que morava por ali. E o melhor dentre os melhores, sem dúvida, era o Manelito. Era um alemão que morava na esquina da Marechal Deodoro. A casa ainda existe.
Mais velho um pouco, devia ter uns 16 anos, era o verdadeiro rei do rio. Quando ele saía para toquear, sempre aos sábados, pois já trabalhava, todos nós preferíamos ficar assistindo. Dava gosto de ver. Fazia fieiras de peixes, duas ou três, e com uns dez carás cada uma, que ia arrastando com uma mão por dentro da água e, com a outra, procurava e arrancava os carás das tocas. Não deixava ninguém chegar perto.
O Manelito vendia a maior parte do peixe que pescava, pois só ele e a mãe, que era viúva, não conseguiam consumir tudo o que ele pegava. E fregueses não faltavam, pois mesmo antes de sair do rio já era assediado com ofertas de compra pelas pessoas que ficavam às margens assistindo.
Não sei por onde andará o Manelito, nunca mais soube dele, nem sei se vive, mas tenho a cena gravada na lembrança. Magro, alto, com as calças arregaçadas e pingando, oferecendo ou negociando o seu peixe com os moradores da rua.
Outra imagem que não esqueço é do próprio Rio Belém, então merecedor do nome "rio".
Quem sabe um dia ele voltará a ter águas limpas e peixes, como os ingleses fizeram com o Tâmisa.
Aí sim, Curitiba será de fato a Capital Ecológica."
(Extraído de: Histórias de Curitiba / Autor: Pablo Gomes y Monzon, espanhol de nascimento e curitibano de adoção / Foto ilustrativa: pinterest)
Paulo Grani
O CARRO DA MEIA-NOITE
O CARRO DA MEIA-NOITE
" A silenciosa e escura Curitiba de cem anos atrás era assustada por um misterioso "Carro da Meia-Noite", assim era chamado na época. Descrito como uma charrete com faróis de carro e puxada por cavalos sem cabeça, descia velozmente a Rua Aquidaban, hoje Emiliano Perneta, fazendo um barulho infernal de correntes, tropel de animais, badalar de cincerros e guizos, uivos e murmúrios altos.
Fantasmagórico, o Carro da Meia-Noite surgia do nada na altura da pracinha do Batel, e de forma igualmente misteriosa desaparecia nas proximidades da Praça Zacarias. Arrastava as correntes e era cercado por chamas de fogo fátuo.
Diziam, levava almas penadas de pessoas más em vida que, não conseguindo o descanso eterno, vinham assombrar os vivos e levar os incautos. Insensato aquele que ousasse estar na rua à meia-noite, hora de passagem do carro fantasma: seria sugado pela ventania que levantava à sua passagem e não mais retornava.
Os moradores da Aquidaban e adjacências, sabendo que seriam sobressaltados todas as noites pelo dito espécime ectoplasma, por ansiedade ou medo procuravam deixar bem fechadas e trancadas as janelas e portas de suas casas.
Aconchegada ao calor de um fogão a lenha, ouvia minha vó contar essa história; e ela garantia, com toda seriedade de avó: quando moça, teria visto com seus próprios olhos o esplendoroso carro fantasma, ao longe, clareando a noite com sua luz de fogo; estava ela com seus pais e irmãos, e mal tiveram tempo de fechar a porta da residência localizada na Rua Aquidaban, na quadra entre as atuais Viscondes; a assombração passava incrivelmente rápida.
Explicação plausível para tal viagem não existia. É bem possível que tenha surgido como um socorro aos pais para disciplinarem os filhos quanto à hora de dormir e ao silêncio (detalhes esses bastante respeitados naqueles tempos), ou, então, pode ser resultado de crendice de fundo religioso, como que a mostrar porque devem ser "boas" as almas. Qualquer que tenha sido sua origem, o fato é que o "Carro da Meia-Noite" passeou por muito tempo pelo imaginário popular do curitibano.
Com o passar dos anos, a modernidade chegando, a história do iluminado e barulhento carro fantasma da meia-noite foi sendo esquecida, o medo do escuro vencido por mais iluminação noturna."
(Fonte: Historias de Curitiba / Autora: Maria Cristina Lorenzzoni / Foto ilustrativa: pinterest)
Paulo Grani
Marco Pierobon Nascido a 26 de abril de 1851 (sábado) - Padova, Veneto, Itália Falecido a 9 de setembro de 1926 (quinta-feira) - Curitiba, Parana, Brasil, com a idade de 75 anos
Marco Pierobon Nascido a 26 de abril de 1851 (sábado) - Padova, Veneto, Itália Falecido a 9 de setembro de 1926 (quinta-feira) - Curitiba, Parana, Brasil, com a idade de 75 anos
Marco Pierobon: Uma Jornada de Coragem e Amor entre Dois Mundos
O Menino de Padova
Em um sábado ensolarado de 26 de abril de 1851, nascia em Padova, na região do Veneto, Itália, Marco Pierobon. Seu nascimento ocorreu em uma terra rica em história e tradições, onde as pedras antigas contavam séculos de civilização e as colinas verdejantes abraçavam pequenas comunidades unidas pelos laços da família e da fé.
Marco era filho de Luigi Pierobon, nascido por volta de 1807, e Celestina Cecchin, que viera ao mundo em 1808. A família Pierobon carregava em seu sangue gerações de italianos resilientes. Seus antepassados incluíam Giacomo Pierobon e Santa Gobbo, que viveram no século XVIII, e Valentino Pierobon, casado com Margarita Cechetto. Eram raízes profundas fincadas no solo fértil do Veneto.
A Dor da Perda Precoce
A infância de Marco foi marcada por uma perda devastadora. Quando ele tinha apenas 7 anos de idade, em 21 de fevereiro de 1859, sua mãe Celestina Cecchin partiu deste mundo em Cittadella, Padova. Imaginemos a dor de uma criança vendo partir aquele colo que o acolheu, aquelas mãos que o cuidaram, aquele amor incondicional de mãe.
Luigi Pierobon, seu pai, deve ter enfrentado dias difíceis, criando seu filho sozinho em uma época onde as dificuldades eram muitas. Essa experiência precoce com a perda certamente moldou o caráter de Marco, ensinando-lhe desde cedo sobre a fragilidade da vida e a importância de valorizar cada momento ao lado daqueles que amamos.
A Grande Travessia
Como milhões de italianos de sua geração, Marco Pierobon tomou uma decisão que mudaria para sempre o curso de sua história e de sua descendência: deixar a terra natal em busca de um novo começo. A Itália do século XIX enfrentava dificuldades econômicas, e o sonho de uma vida melhor atraía milhares de compatriotas para as Américas.
O Brasil, e especificamente o Paraná, era um dos destinos que mais recebia imigrantes italianos. As terras férteis do sul brasileiro prometiam oportunidades para quem tivesse coragem e disposição para trabalhar. Marco, carregando nas malas poucas posses, mas no coração muita esperança, embarcou nessa aventura.
A viagem transatlântica naquela época era uma provação por si só. Semanas no mar, em navios superlotados, enfrentando tempestades, saudades e incertezas. Mas Marco Pierobon tinha a força dos que acreditam em um futuro melhor.
O Amor em Solo Brasileiro
Foi em Curitiba, Paraná, que Marco encontrou não apenas um novo lar, mas também o amor de sua vida. Ele se casou com Rosa Bonato, nascida por volta de 1869. Rosa deve ter sido uma mulher forte e corajosa, assim como ele, para deixar tudo para trás e construir uma nova vida em um país distante.
Juntos, enfrentaram os desafios da imigração: aprender um novo idioma, adaptar-se a costumes diferentes, trabalhar arduamente para construir um patrimônio do zero. Mas acima de tudo, construíram um lar baseado no amor e na dedicação mútua.
A Bênção da Paternidade
Em 7 de junho de 1892, quando Marco já tinha 41 anos, nasceu em Curitiba sua filha Celestina Pierobon. Imaginemos a alegria desse homem que, após tantas lutas e perdas, via renascer a esperança nos olhinhos de sua filha. Celestina carregava o nome de sua avó paterna, Celestina Cecchin, como se fosse uma forma de manter viva a memória daquela que partiu cedo demais.
Marco deve ter sido um pai presente e amoroso, ensinando à filha os valores que tanto prezava: trabalho honesto, respeito ao próximo, amor à família e gratidão pelas conquistas. Ele queria que Celestina tivesse tudo o que ele não pôde ter em sua própria infância.
A Construção de um Legado
Os anos se passaram, e Marco viu sua filha crescer e se tornar uma mulher. Em 1914, quando ele já tinha 63 anos, Celestina casou-se com Antônio Stevan, nascido em 1883. Foi um momento de grande felicidade para Marco, ver sua filha constituindo sua própria família, dando continuidade à linhagem que ele tanto lutou para preservar.
Dois anos depois, em 16 de julho de 1916, nasceu Lauro Ceslau Stevan, o primeiro neto de Marco. Aos 65 anos, Marco experimentava a alegria indescritível de ser avô. Lauro era a prova viva de que sua jornada valera a pena, de que todos os sacrifícios haviam valido a pena.
Marco deve ter contado muitas histórias ao neto. Histórias da Itália, de Padova, de sua mãe Celestina, da longa viagem pelo mar, dos primeiros anos no Brasil. Essas histórias formariam a base da identidade familiar, conectando as gerações passadas às futuras.
Os Últimos Anos
Marco Pierobon faleceu em 9 de setembro de 1926, uma quinta-feira, em Curitiba, aos 75 anos de idade. Foi uma vida longa para os padrões da época, especialmente considerando as dificuldades que enfrentou.
Ele partiu sabendo que deixava um legado sólido. Sua esposa Rosa ainda viveria até 1943. Sua filha Celestina estava casada e tinha seu próprio lar. Seu neto Lauro crescia sob seus olhos. Marco viajava para a eternidade com a certeza do dever cumprido.
A Árvore que Continua a Crescer
O que Marco Pierobon talvez não imaginasse era o quanto sua árvore genealógica continuaria a se expandir. Lauro Ceslau Stevan casou-se em 1939 com Juracy Ivette de Barros Stevan, e dessa união nasceram novos ramos familiares.
Roselene Stevan Cruz uniu-se a José Carlos Teixeira Cruz. Mauricio Cesar Stevan Cruz casou-se com Eliza Tavares Soares, e dessa união nasceram Thais Tavares Cruz e Manuela Tavares Cruz. Cada um desses nomes representa uma vida, uma história, um pedaço do DNA de Marco que continua vivo e pulsante.
O Legado de um Imigrante
Marco Pierobon foi mais do que um simples imigrante. Ele foi um construtor de sonhos, um guerreiro que enfrentou o desconhecido com coragem, um filho que carregou no coração a memória de sua mãe, um marido dedicado, um pai amoroso e um avô orgulhoso.
Sua história é a história de milhões de italianos que deixaram sua terra natal em busca de um futuro melhor. É a história da coragem de recomeçar, da força da família, da importância das raízes e da beleza de construir algo que ultrapasse os limites do tempo.
Hoje, quando seus descendentes olham para trás e veem essa árvore genealógica, eles não veem apenas nomes e datas. Eles veem o suor de um homem que trabalhou duro, as lágrimas de saudade de quem deixou para trás tudo o que conhecia, o amor de quem construiu um lar com as próprias mãos, e a esperança de quem acreditou em um amanhã melhor.
Marco Pierobon vive. Vive no sangue de seus descendentes, vive nas histórias que são contadas de geração em geração, vive nos valores que transmitiu, vive no Brasil que ajudou a construir. Sua jornada de Padova a Curitiba foi mais do que uma viagem geográfica - foi uma epopeia de amor, coragem e fé que ecoa através do tempo, inspirando todos que têm o privilégio de carregar seu sobrenome ou seu sangue.
Que sua memória seja sempre honrada, e que sua história continue a inspirar gerações e gerações. Marco Pierobon: imigrante, guerreiro, pai, avô, legado eterno.
Sosa : 42
2 ficheiros disponíveis |
Pais
Luigi Pierobon ?1807-
Celestina Cecchin ?1808-?1859
Casamento(s) e filho(s)
- Casado com
Rosa Bonato ?1869-1943 tiveram
Celestina Pierobon 1892-1955
Fotos e Registos de Arquivo

Captura de tela 2023 10 12 014023

Captura de tela 2023 10 12 014040
Árvore genealógica (até aos avós)
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185126 abr.
Nascimento
possivelmente185921 fev.
~ 7 anos
Morte da mãe
18927 jun.
41 anos
Nascimento de uma filha
191421 nov.
63 anos
Casamento de uma filha
191616 jul.
65 anos
Nascimento de um neto
19269 set.
75 anos
Morte
Antepassados de Marco Pierobon
| Bortolamio Pierobon † | Cattarina Galvagin † | ||||||||
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| Giacomo Pierobon ?1746-?1816 | Santa Gobbo ?1745-?1803 | ||||||||
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| Valentino Pierobon ?1770-?1834 | Margarita Cechetto † | ||||||||
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| Luigi Pierobon ?1807- | Celestina Cecchin ?1808-?1859 | ||||||||
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Marco Pierobon 1851-1926
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Descendentes de Marco Pierobon
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