domingo, 20 de setembro de 2026

O Cerco de Igarassu foi um ataque ocorrido em 1548 à vila de Igarassu, no litoral da Capitania de Pernambuco. Foi realizado por indígenas caetés, que se revoltaram contra os portugueses em consequência da escravização de membros de seu povo.



 O Cerco de Igarassu foi um ataque ocorrido em 1548 à vila de Igarassu, localizada no litoral da Capitania de Pernambuco, Brasil.[1] O ataque foi realizado por indígenas que se levantaram contra os portugueses devido à escravização de alguns deles.[2]

Gravura de Theodore de Bry representando os “cercos de Igarassu” em Pernambuco no ano de 1549, descrita por Hans Staden. Na parte inferior, o Castelo de Duarte Coelho à esquerda e a Feitoria da Ilha de Itamaracá à direita.

Antecedentes

No século XVI, a região de Igarassu era habitada pela nação indígena dos caetés, que eram descendentes do grupo tupinambá. Os caetés habitavam o litoral entre a Ilha de Itamaracá e o rio São Francisco. Eles estabeleceram aliança com comerciantes franceses que percorriam a costa brasileira, tornando-se inimigos dos portugueses. Com a chegada dos colonizadores lusitanos, iniciou-se um processo de escravização dos indígenas, o que gerou revolta por parte dos nativos.[3]

O cerco

No ano de 1548, os indígenas caetés se revoltaram contra os portugueses.[4] A vila de Igarassu era defendida apenas por uma estacada de madeira circundante. Uma expedição foi enviada em socorro aos colonos sitiados. O evento é relatado por Hans Staden em sua obra. Gravuras de Theodor de Bry representam os "cercos de Igarassu" ocorridos nesse período.[5] Uma dessas gravuras, datada de 1549, é mencionada em relação ao ataque dos índios caetés à vila de Igarassu em Pernambuco.

Consequências

Após o Cerco de Igarassu e outros conflitos, os caetés foram considerados "inimigos da civilização" e, com o aval da Igreja Católica, tornaram-se alvos de perseguição pelo governador Mem de Sá, que determinou a escravização de todos os membros da tribo.[6] Embora exista a narrativa de que os caetés foram exterminados, fontes recentes indicam que muitos fugiram e se adaptaram ao modo de vida do colonizador, havendo um movimento atual de retomada étnica por parte de seus descendentes.[7]

Referências

  1. GOMES, 2011, p. 16
  2. GOMES, 2011, p. 16
  3. GOMES, 2011, p. 16
  4. GOMES, 2011, p. 16
  5. GOMES, 2011, p. 17
  6. BUENO, 2003, pp. 18-19.
  7. BUENO, 2003, pp. 18-19.

Bibliografia

  • BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003.
  • GOMES, Marcos Ivan da Fonseca. Colina Histórica de Igarassu: Iluminação e Embutimento Subterrâneo das Redes Aéreas. Universidade Federal da Bahia, 2011.
  • STADEN, Hans. Suas viagens e cativeiro entre os índios do Brasil. São Paulo: Editora Nacional, 1945.

Cerco de Igarassu

O Conflito

O Cerco de Igarassu foi um ataque ocorrido em 1548 à vila de Igarassu, no litoral da Capitania de Pernambuco. Foi realizado por indígenas caetés, que se revoltaram contra os portugueses em consequência da escravização de membros de seu povo.

Antecedentes

No século XVI, a região era habitada pelos caetés, povo de origem tupinambá que ocupava o litoral entre a Ilha de Itamaracá e a foz do Rio São Francisco. Estabeleceram alianças com comerciantes franceses, o que os colocou em oposição aos portugueses. Com a chegada dos colonizadores lusitanos, iniciou-se um processo sistemático de escravização indígena, gerando profunda revolta entre os nativos.

O Cerco

Em 1548, os caetés se levantaram e atacaram a vila de Igarassu, defendida apenas por uma estacada de madeira. A situação foi considerada grave e uma expedição foi enviada em socorro aos sitiados. O evento foi testemunhado e relatado pelo aventureiro alemão Hans Staden, que participou da defesa e o descreveu em sua obra Duas Viagens ao Brasil (1557). A gravura de Théodore de Bry (c. 1559), baseada no relato de Staden, retrata o cerco, mostrando ao fundo a Casa-forte de Duarte Coelho (em Olinda) e a Feitoria da Ilha de Itamaracá.

Consequências

Após reprimir a revolta, o governador-geral Mem de Sá classificou os caetés como "inimigos da civilização" e, com o aval da Igreja Católica, decretou a escravização de todos os membros da tribo. A historiografia tradicional falava em extermínio, mas estudos mais recentes mostram que muitos sobreviveram, fugindo ou se integrando à população colonial. Hoje, seus descendentes protagonizam um movimento de retomada étnica e reconhecimento.

Casa-grande era a residência da família do proprietário das grandes propriedades rurais no Brasil Colonial e no Império do Brasil. Inicialmente, o termo designava apenas a principal varanda da casa — as edificações chamavam-se casas de morada ou casas de vivenda — mas, por catacrese, passou a denominar toda a construção. Além disso, o nome representa o centro da vida patriarcal do sistema colonial, pois toda a organização política, econômica e social girava em torno dela; a senzala funcionava como seu complemento direto.

 


Casa-grande do Engenho Moreno, na área metropolitana do Recife, em Pernambuco, Brasil.
Casa-grande da Fazenda Piedade, em Paty do Alferes, no Rio de Janeiro, Brasil.

Casa-grande era a casa da família do proprietário das grandes propriedades rurais do Brasil colonial e imperial. Inicialmente, o termo não era utilizado para designar toda a residência — chamadas casas de morada ou casas de vivenda — , mas apenas a principal varanda da casa, tendo, por catacrese, passado a denominar toda ela.[1] Além disso, tal nome é utilizado ainda para designar o centro da forma de vida patriarcal do sistema colonial no Brasil, pois todos estavam ligados a ela: a senzala funcionava como um complemento político, econômico e social.

História

No início da colonização portuguesa no Brasil, ficavam muito próximas dos engenhos, das senzalas, das casas de farinha e das demais construções, por medida de segurança contra ataques indígenas.[2] Só mais tarde, no século XIX, se tornariam maiores e mais luxuosas. Esse aspecto militar é perdido ao longo dos séculos XVII e XVIII, mas a proximidade entre as construções é mantida, o que teria diferenciado a colonização brasileira, pois a própria arquitetura aproximava os ricos e pobres.[2]

Eram, geralmente, construídas com paredes de taipa, pedra, cal, teto de palha, sapê ou telhas, piso de terra batida ou assoalho e poucas portas e janelas, mas muitas varandas e alpendres. Durante a maior parte do período colonial, o mobiliário utilizado era pouca: redes e colchões para dormir, tamboretes para sentar.[2] Os utensílios da cozinha incluíam cerâmica indígena, poucos talheres e alguns objetos de estanho, prata e vidro. Preferia-se demonstrar a riqueza através do número de escravos ou das vestimentas.[2] Apenas no final do século XVIII e ao longo do século XIX, com a vinda da corte portuguesa para o Brasil, passou-se a despender mais recursos com ornatos e objetos.

Citação na literatura

Estudando a sociedade colonial, Gilberto Freyre nomeou um livro seu de Casa-Grande & Senzala, publicado em 1933 após exaustiva pesquisa em arquivos nacionais e estrangeiros.

Referências

  1. ARAÚJO, Emanuel. O teatro dos vícios: transgressão e transigência na sociedade urbana colonial. 2 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1997. p.47. ISBN 85-03-00464-x
  2. VAINFAS, Ronaldo (dir). Dicionário do Brasil Colonial (1500-1808). Rio de Janeiro: Objetiva, 2000. pp.105-106. ISBN 85-7302-320-1

Casa-grande

Casa-grande era a residência da família do proprietário das grandes propriedades rurais no Brasil Colonial e no Império do Brasil. Inicialmente, o termo designava apenas a principal varanda da casa — as edificações chamavam-se casas de morada ou casas de vivenda — mas, por catacrese, passou a denominar toda a construção. Além disso, o nome representa o centro da vida patriarcal do sistema colonial, pois toda a organização política, econômica e social girava em torno dela; a senzala funcionava como seu complemento direto.

História

No início da colonização portuguesa, as casas-grande ficavam muito próximas dos engenhos, das senzalas, das casas de farinha de mandioca e das demais construções, por medida de segurança contra ataques dos povos indígenas. Apenas mais tarde, no século XIX, tornaram-se maiores e mais luxuosas. O aspecto defensivo foi perdido ao longo dos séculos XVII e XVIII, mas a proximidade entre as edificações foi mantida — uma característica que diferenciou a colonização brasileira, aproximando fisicamente ricos e pobres.

Arquitetura e características

Geralmente eram construídas com:
  • Paredes: taipa, pedra e cal
  • Cobertura: palha, sapê ou telhas
  • Piso: terra batida ou assoalho
  • Aberturas: poucas portas e janelas, mas muitas varandas e alpendres
Durante a maior parte do período colonial, o mobiliário era escasso: redes de dormir, colchões e tamboretes. Os utensílios incluíam cerâmica indígena, poucos talheres e objetos de estanho, prata e vidro. A riqueza era demonstrada, sobretudo, pelo número de escravos e pela vestimenta. Apenas no final do século XVIII e ao longo do XIX, com a vinda da Família Real Portuguesa, passou-se a investir mais em ornatos e objetos de requinte.

Significado social

A casa-grande foi o símbolo do poder patriarcal no Brasil, sendo o centro de um sistema que unia produção agrícola, domínio familiar e hierarquia social. Como escreveu Gilberto Freyre, em Casa-Grande & Senzala (1933), nela se formou a identidade brasileira, na convivência entre senhores, escravos e povos originários.