HISTÓRIA DO BAILE DO PATO ...
Entrada do salão do Clube.
Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná
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Os frequentadores aproveitavam o ambiente quase familiar.
Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná
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O salão e suas mesas e cadeiras artesanais.
Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná
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Uma das últimas e mais preciosas imagens que temos do nosso querido Souza, ele apreciando sua cerveja com toda calma e tranqüilidade, em seu traje típico de dias de baile o terno sempre muito alinhado e sua inesquecível boina vermelha.
Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná
Foto: Gerson Klaina/Tribuna do Paraná
" Qual é a origem do famoso Baile do Pato? Os colonos alemães amavam uma boa festa. Em todas as festas havia dança, boa comida e alegria constante.
Em 1953, Heinrich de Souza (30/06/1923), nascido em Benedito Novo-SC, veio a Curitiba trabalhar como alfaiate, mais especificamente na Vila Guaíra. Depois, mudou-se para o bairro Guarituba no Município de Piraquara, sendo um dos pioneiros do bairro.
A pele fina das mãos de um alfaiate estranharam o cabo da enxada e as úberes das vacas, porém, a vontade de vencer o encorajava a prosseguir com seu novo trabalho.
Em 1958, a saudade dos tradicionais bailes catarinenses e da música alemã, o motivou a fundar o "Clube Colonial". Tudo começou numa salinha, onde só tinha uma mesa, algumas cadeiras, um banco, alguns patos assados, e o baile era animado por um sanfoneiro.
O tempo foi passando, o número de pessoas crescendo, a pequena sala se transformou em um salão e já havia até uma banda contratada, o “Conjunto Havaí”. No boca a boca, a turma apelidou a festança como “Baile do Pato”.
Os freqüentadores vinham de Curitiba, Região Metropolitana e outras cidades do estado. Logo, foram contratadas Bandas de Santa Catarina para completar a tradição alemã. E realizava-se o sonho do “Seo Souza”. Como era conhecido.
Heinrich tornou-se um mito. Com sua boina vermelha, subia no palco para cantar sua canção preferida “Isabela” (valsa alemã). Ainda no palco, agradecia a presença de todos e dizia: - "Quem gostou, gostou, quem não gostou, volta até gostar! ".
Os frequentadores vinham para dançar, namorar e apreciar o famoso prato servido no local, o pato. A refeição era servida com elegância pelos garçons e a na cozinha era uma correria. “Eu era pequeno e ajudava meu avô com os patos. No terreno, chegamos a ter três mil aves e mais de cem eram mortos somente para servir aos clientes. Fazia aqui todo o processo de limpeza, armazenamento e tudo na perfeita organização. Depois, passamos a comprá-los embalados de Santa Catarina”, confidenciou o neto.
A Lenda do Pato - Na Idade Média, num lugar onde hoje fica perto da Alemanha, existia um rei mau que tinha um filho chamado Roger. Este menino era rebelde e gostava de ir às lagoas para atirar pedras nos patos. Quando ele era adolescente, quebrou uma das pernas e o seu fêmur foi substituído por um osso de ouro. Mas seu passatempo tornou-se caçar patos com arco e flecha.
Um dia, os bárbaros invadiram o castelo e mataram o rei. Nesta caravana bárbara, existia uma bruxa que ao ver Roger disse: "Príncipe, eu poderia matá-lo. Mas como sou boazinha, transformarei você num pato, já que você maltratou tanto estas aves. Você só poderá virar homem, novamente, se uma mulher falar para você, depois de morto, a frase: “Te amo, pato!”. Deste jeito, Roger foi transformado num pato.
Poucos anos depois da invasão bárbara, subiu ao trono um novo rei que gostava de comer patos e que se casou com Hildegard, a viúva do outro monarca assassinado. Assim para comemorar seu novo posto, o monarca resolveu fazer uma festa para o povo inteiro com o seu prato favorito que era um pato assado.
Então os funcionários do castelo saíram à caçar as aves da região com flechas e redes. Assim foi que Roger foi pego numa rede. Quando as aves foram levadas ao abate, Roger começou a espernear e a ter convulsões. Até que uma serviçal disse: - "Este animal deve estar possuído pelas forças das trevas! Jogarei água benta nele.".
Após a moça jogar o líquido sagrado neste bicho, ele desmaiou e foi abatido. No meio do baile, Roger foi colocado assado na mesa de uma linda jovem chamada Ingrid. Quando ela foi devorar a perna do pato, notou que havia um osso de ouro, ficou feliz e exclamou: – "Te amo, pato !".
De repente, o pato assado transformou-se num homem formoso, porém sem uma das pernas. Desta maneira, a rainha Hildegard exclamou: - "Este é o meu filho Roger! Por isto este dia deve entrar para a História! Portanto, sempre nesta data realizaremos este Baile do Pato."
Após estas palavras a rainha abraçou seu filho. A tradição do Baile do Pato chegou ao Brasil com os imigrantes alemães. Reza a lenda que o espírito de Roger, ás vezes, coloca ouro escondido na perna de um pato assado e quem encontrar este tesouro terá prosperidade para a vida inteira.
Minha vó conta que, nos anos 50, ela foi ao Baile do Pato num clube em Curitiba. Lá um moço com roupas medievais entrou no meio da festa e dançou com todas as mulheres. Porém, quando deu meia-noite, ele saiu correndo. Por isto, uma de suas amigas foi atrás do moço. O problema é que ela não viu sinal do rapaz. Porém encontrou um pato, sem uma das pernas, na escadaria que desapareceu na frente dos seus olhos.” - (Lenda do Pato, extraída Do livro Lendas Curitibanas, de Luciana do Rocio Mallon).
Com quase 80 anos, Heinrich dançava a noite inteira, era respeitado e querido por todos.
Ele faleceu, em 09 de fevereiro de 2002, deixando muitas saudades, porém, o Baile do Pato continuou com a mesma tradição, sendo conhecido e falado em muitos estados brasileiros.
Em 30/05/2009, uma forte chuva e temporal que abateu-se na região do Guarituba, em Piraquara, destelhou grande parte do salão do Baile do Pato, inviabilizando a continuação das atividades.
Em 30/05/2019, os sócios proprietários fixaram na entrada do Clube, o seguinte comunicado:
"Comunicamos que por motivos de força maior o Baile do pato encerra as atividades! Queridos amigos e clientes, comunicamos oficialmente o encerramento das atividades devido ao temporal que nos atingiu neste dia.
Os sócios proprietários decidiram por bem encerrar as atividades por ser inviável o investimento para reforma de todos os danos causados devido ao baixo fluxo de público.
Foram 56 anos de história aonde pudemos proporcionar bailes animados para nossos clientes se divertirem ao lado de amigos e familiares, onde puderam desfrutar de um espaço que zelasse pela segurança, conforto e bem-estar, proporcionando, paz, diversão e alegria para todos!
Durante todos esses anos, realizamos muitos bailes com comemorações de aniversários de clientes, que foram acompanhados com todo o cuidado possível com o intuito de ao final dos bailes ver estampado nos rostos dos clientes, a emoção e a alegria de viverem momentos únicos.
Agradecemos a todos os clientes que nos prestigiaram ao longo desse tempo, esperamos que as experiências compartilhadas em nosso estabelecimento sejam recordadas. Reconhecemos a confiança depositada em nosso trabalho e nos sentimos felizes pelas amizades conquistadas.
De nossa parte, podemos afirmar que procuramos realizar o melhor para nossos clientes e não medimos esforços para oferecer sempre um bom atendimento e qualidade no serviço. Com dever cumprido encerramos essa etapa e desejamos que todos consigam encontrar um espaço onde possam se divertir com a mesma alegria e satisfação. A organização do Baile do Pato agradece."
A notícia se espalhou nas redes sociais e gerou enorme comoção naqueles que frequentaram, ou conheciam ao menos pelo nome, o tradicional evento que marcou época na vida dos curitibanos desde o fim da década de 1950.
" A concorrência e preços exorbitantes das bandas ao vivo, a distância da capital (22 km) e até um controle maior do consumo de bebida alcoólica pelas autoridades são alguns dos motivos que afastaram o público do Baile do Pato. Na “época de ouro”, o salão chegou a abrigar quase 2.500 pessoas mas, nos últimos tempos, se chegasse a 500 convidados era motivo de comemoração dos organizadores. “Isto é até natural, mas a casa sempre manteve durante todos estes anos uma particularidade pouca vista. Aqui é família e com a mudança de perfil das pessoas, infelizmente perdemos a luta. Em todo este período, lembro de pouquíssimas confusões. Além disto, aqui não toca funk e pagode. Gostamos das músicas mais clássicas como valsa e marchinhas que se pode dançar ”, afirmou o neto do fundador do Baile do Pato, o catarinense Heinrich de Souza.