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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Curitiba, PR Data da foto original: 1941, mai Descrição da imagem: Rua Saldanha Marinho. Vê-se homens trabalhando no calçamento.

 Curitiba, PR Data da foto original: 1941, mai Descrição da imagem: Rua Saldanha Marinho. Vê-se homens trabalhando no calçamento.




Curitiba, PR Data da foto original: 1952, jul Descrição da imagem: Rua Rio Negro

 Curitiba, PR Data da foto original: 1952, jul Descrição da imagem: Rua Rio Negro


Curitiba, PR Data da foto original: 1946, mai Descrição da imagem: Rua Rio Negro.

 Curitiba, PR Data da foto original: 1946, mai Descrição da imagem: Rua Rio Negro.


Curitiba, PR Data da foto original: 1949, out Descrição da imagem: Rua Professor Amaro

 Curitiba, PR Data da foto original: 1949, out Descrição da imagem: Rua Professor Amaro


Curitiba na década de 1960: empreendimentos, moda e o cotidiano de uma cidade em transformação

 

Curitiba na década de 1960: empreendimentos, moda e o cotidiano de uma cidade em transformação















terça-feira, 26 de maio de 2026

Mar de Fora, Encantadas, Ilha do Mel/PR, sem data.

 Mar de Fora, Encantadas, Ilha do Mel/PR, sem data.


Infelizmente a qualidade desta foto está ruim, pois foi extraída de um video do Youtube intitulado "História da Ilha do Mel e do antigo Forte - Produzido para a TV Band Paraná em 2018", de José Wille. Embora não haja data, presumo que pertença à primeira metade do século passado. Há poucas fotos publicadas do Mar de Fora referentes àquele período. Como a geografia do Mar de Fora mudou bastante com o passar do tempo,

Publicado em 27 de novembro de 1971: Há 240 anos se procura uma fortuna submersa no porto de Paranaguá, no Paraná.

 Publicado em 27 de novembro de 1971:


Há 240 anos se procura uma fortuna submersa no porto de Paranaguá, no Paraná.











AQUI ESTÁ O OURO DOS PIRATAS

Na Ponta da Cruz, a poucos metros da ilha da Cotinga, e de onde se avista a cidade e o porto de Paranaguá, cinco homens vivem sobre uma draga há dois meses. Eles procuram um tesouro. Duzentos mil cruzados, o que representa uma tonelada de ouro, e objetos de valor histórico.

Revivem assim uma aventura iniciada em 1731 quando escravos búzios mergulhavam até a morte à procura do mesmo tesouro. Os escravos foram mais felizes e sem os modernos equipamentos de mergulho conseguiram tirar do fundo do mar peças de artilharia e um cofre com 14 mil cruzados.

A mesma aventura, o sonho de riquezas, teve início e fim no dia 9 de março de 1718 quando um corsário francês, conhecido nos mares do Sul pela sua atrocidade, perseguição a um galeão espanhol que vinha de Valparaíso, no Chile, carregado de prata e que fazia escala em Paranaguá para reabastecimento. O pirata francês, cujo nome os historiadores não guardaram, vinha num grande navio — de cerca de 50 a 80 metros de comprimento — dezenas de canhões (já foram retirados 30 do fundo do mar) e uma tripulação de 200 homens. O barco corsário já vinha com considerável carga: além dos 14 mil cruzados retirados de um cofre, levava perfume, cachimbos, mantimento de rum e outras mercadorias conseguidas em saques de navios da época. Mas uma revelação mais preciosa foi descoberta recentemente e inspirou, há dois meses, um homem, Roberto de Aquino Lordy, a reiniciar as buscas, iniciadas em 1963. Lordy, nascido em 1923, é filho de um catedrático de Medicina da Universidade de São Paulo, bisneto de um conselheiro de D. Pedro II e teve uma vida cheia de aventuras: garimpou em Goiás, procurou tesouros em Minas e no interior da Bahia. Estudou mineralogia mas não terminou o curso em Belo Horizonte. Depois de pesquisar o fundo do mar da baía de Paranaguá, Lordy quando estudava documentos do século XVIII, no Museu Ultramarino, do Porto, em Portugal, encontrou cartas revelando que o corsário francês carregava duzentos mil cruzados, além do pequeno cofre retirado pelos búzios há dois séculos e meio.

Quando Roberto de Aquino Lordy começou as pesquisas na Ponta da Cruz, a 29 de junho de 1963, havia apenas algumas esperanças de se encontrar o ouro, com base na data do naufrágio e nas narrativas de escritores paranaenses. Mas documentos valiosos encontrados no Museu Ultramarino deram novas esperanças. Esses documentos, na maior parte cartas escritas pelos administradores de Paranaguá ao capitão-general da Capitania de São Paulo e deste para D. João V, comprovavam a existência de um carregamento de ouro a bordo do navio pirata naufragado.

Em 1731, por ordem do então Capitão-General Antônio da Silva Caldeira Pimentel, administrador da Capitania de São Paulo, foram feitas pesquisas com escravos búzios.

A pesquisa foi chefiada por João de Araújo e Silva, que por ordem da Capitania teria que dividir os achados com a Fazenda Real.

A ordem era de 26 de maio de 1722, mas só em 1731 é que foram começadas as buscas. Depois de um mês, encontrou-se um cofre com moedas de ouro e prata de vários países, no total de quatorze mil cruzados.

Lordy se encheu de entusiasmo ao encontrar a carta que narrava a D. João V que “por informações tiradas de pessoas que tinham andado no próprio barco, concluí que aquele não era o maior cofre, contudo o trabalho dificultado pela profundidade a que o navio se encontra e pelo lodo... têm-se tirado bastante armas e até peças de artilharia. Para a descoberta do cofre maior, estão esperançados nas marés do mês de agosto, por serem mais baixas”. Essa carta era datada de 5 de junho de 1731. Depois a correspondência cessou.

Os documentos da época revelam também o naufrágio do corsário francês. Antônio Vieira dos Santos, em Memórias Históricas da Cidade de Paranaguá e Seu Município, de 1850, descreve o corsário francês como um habitual pirata que sulcava os mares do Sul e foi atraído a Paranaguá à caça de um galeão espanhol.

Sabendo que o galeão espanhol levava considerável carga de prata, o corsário francês fundeou o seu navio na parte de fora da ilha da Cotinga. O galeão espanhol que se achava fundeado no porto da mesma ilha, percebendo a entrada do pirata que o vinha seguindo, a toda pressa levantou ferro e se refugiou no porto de Nossa Senhora, a pouca distância dali. Mas como o vento escasseasse, o navio pirata voltou a fundear na ponta da ilha, na parte de fora. O navio pirata causou pânico também à população de Paranaguá, que foi implorar a proteção da Padroeira, Nossa Senhora do Rocio. Os moradores esperavam que com o primeiro vento os piratas saqueariam a cidade “e como esta vila se achasse sem nenhuma defesa, nem o povo ainda estivesse exercitado em armas, recorreram à proteção de sua padroeira para que os defendesse daqueles piratas”, narra Antônio Vieira dos Santos. O tempo, que estava calmo, de repente escureceu e um furacão, sem dar tempo aos piratas, jogou o navio corsário de encontro a três pedras submersas, próximo do local onde estava fundeado. O navio foi logo a pique rompendo-se o seu casco. Os historiadores não citam o destino dos piratas. Foram encontradas ossadas, mas até agora somente de vacas, que eram transportadas no navio. A população de Paranaguá, cessada a fúria dos ventos, voltou a agradecer a sua santa, considerando o fenômeno como o milagre implorado. Agora, depois de dois meses de pesquisa, já foram encontrados objetos animadores: medidores de ouro em pó e compassos de navegação, dando a entender que os mergulhadores estão chegando perto do compartimento da preciosa carga. Como há muito lodo sobre o casco do navio, o trabalho desses últimos dias consiste em dragar o local.

A draga foi montada por um dos três sócios da empreitada: Hermínio Brunato Filho (proprietário de uma empresa de ônibus em Curitiba), seu cunhado José Luís Franceschi, e Roberto de Aquino Lordy. Os trabalhos estão sendo realizados também com o auxílio de Jaco Goossen, descendente de flamengos, que deixou sua pequena indústria de muros pré-fabricados em Curitiba para viver na draga, e de Bertino Henttemann, um jovem que se aventurou na procura do ouro depois de servir na EOEIG. Os pesquisadores, que se revezam no trabalho de homens-rãs, vivem praticamente na draga e contam com uma lancha e um pequeno iate para transportar a carga que vão retirando. O trabalho agora é romper o casco do navio, a 16 metros de profundidade, tirando grandes pranchas de carvalho, ainda em bom estado. Pela draga estão sendo retirados pequenos objetos como balas e pistola, em grande quantidade, vidros de perfume, pedaços de rarrafas de rum, medidores de ouro em pó, utensílios de cozinha, pedaços de armamentos, etc. Antes foram retirados 30 canhões e uma estátua de Nossa Senhora da Vitória, que foi doada à catedral de Notre Dame, de Paris. Levando vantagem sobre os mergulhadores do século XVIII, com os equipamentos de mergulho e a draga, os pesquisadores esperam em pouco tempo penetrar no navio naufragado e encontrar o cofre com uma tonelada de ouro.

Fonte: Manchete - Rio de Janeiro/RJ, 27 de novembro de 1971, ed. 1.023, páginas 143 à 147.

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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Antônio Stevan Nascido a 20 de abril de 1883 (sexta-feira) - Venezia, Venezia, Veneto, Itália Falecido a 19 de junho de 1966 (domingo) - Curitiba, Parana, Brasil, com a idade de 83 anos

  Antônio Stevan Nascido a 20 de abril de 1883 (sexta-feira) - Venezia, Venezia, Veneto, Itália Falecido a 19 de junho de 1966 (domingo) - Curitiba, Parana, Brasil, com a idade de 83 anos


Antônio Stevan: Do Canal de Veneza às Ruas de Curitiba — A Jornada de um Imigrante que Construiu um Legado com Silêncio, Trabalho e Amor

Por quem ainda sente o cheiro de couro e tabaco que ele deixava nas manhãs de domingo


Nas Águas de Veneza: O Nascimento de um Destino Cruzado com o Mundo

Na madrugada fria de 20 de abril de 1883 — uma sexta-feira envolta em névoa —, entre os canais serpenteantes e os ecos dos gôndolas de Veneza, Veneto, Itália, um menino veio ao mundo com o nome de Antônio Stevan. Seu primeiro berço foi o balanço suave das águas venezianas; seu primeiro canto, o sussurro do vento entre os palácios renascentistas.

Filho de uma Itália que se reconstruía após a unificação, Antônio cresceu em um mundo de contrastes: de um lado, a beleza ancestral das artes e da fé; do outro, a pobreza que empurrava milhares de homens e mulheres a buscar novos horizontes além-mar. Naquela época, a Itália do Norte enviava seus filhos ao Brasil como semente — e Antônio seria uma dessas sementes destinadas a florescer em solo estrangeiro.

Ainda jovem, com o coração dividido entre a terra que o viu nascer e o sonho de uma vida digna, Antônio embarcou em uma jornada que mudaria para sempre o curso da história de sua família. Atravessou o oceano Atlântico em um navio apinhado de esperanças, carregando apenas o essencial: algumas roupas, um terço de madeira, e o sobrenome que jurou honrar.


Raízes em Terra Paranaense: A Chegada a Curitiba

Chegou ao Brasil provavelmente na primeira década do século XX, como tantos imigrantes italianos que buscavam refúgio e oportunidade nas colônias do sul. Em Curitiba, uma cidade em plena efervescência urbana, Antônio encontrou mais do que trabalho — encontrou pátria.

Era um homem de poucas palavras, mas de gestos profundos. Trabalhador incansável, provavelmente atuou na construção civil, na marcenaria ou no comércio — áreas em que muitos imigrantes italianos se destacaram. Suas mãos, calejadas pelo esforço diário, construíram não apenas casas, mas um lar.

E foi nesse lar, modesto mas cheio de dignidade, que ele esperou — com paciência de quem entende o valor do tempo — pelo amor que daria sentido à sua travessia.


O Encontro que Mudou Tudo: Celestina Pierobon

Em 21 de novembro de 1914, aos 31 anos, Antônio caminhou até a Igreja Matriz de Curitiba com o coração acelerado. Ao seu lado, Celestina Pierobon, nascida e criada na própria cidade, filha de italianos como ele, mas já brasileira de alma. Ela tinha 22 anos, olhos profundos e um sorriso que acalmava até as tempestades.

Naquele sábado, diante de Deus e da comunidade, Antônio fez um voto silencioso: cuidar dela para sempre.

E cumpriu.

Celestina tornou-se seu porto seguro. Ele, o alicerce dela. Enquanto ela tecia a ternura do lar com suas mãos delicadas, ele erguia paredes, pagava contas, caminhava quilômetros a pé quando o dinheiro era curto. Não havia grandiosidade em seus atos — apenas consistência. E é justamente na consistência que se constrói o amor verdadeiro.


Lauro Ceslau: O Fruto de Dois Mundos

Dois anos após o casamento, em 16 de julho de 1916, nasceu Lauro Ceslau Stevan — o único filho do casal, mas herdeiro de dois mundos: o sangue italiano de seu pai e a alma paranaense de sua mãe.

Antônio, homem reservado, raramente demonstrava emoções em público. Mas quem o via com Lauro — ensinando-o a segurar um martelo, a calçar os sapatos sozinho, a respeitar os idosos — percebia o amor que transbordava em cada gesto.

Chamava-o de “meu menino” em italiano, às vezes, em voz baixa, quando pensava que ninguém ouvia. Guardava no bolso um pedaço de madeira que Lauro havia entalhado na escola — pequeno, desajeitado, mas para Antônio, uma obra-prima.

Educar Lauro foi sua missão mais sagrada. Ele queria que seu filho tivesse o que ele não teve: estudo, liberdade, dignidade. E, acima de tudo, raízes firmes.


A Alegria do Casamento do Filho e a Solidão da Perda

Em 3 de junho de 1939, aos 56 anos, Antônio testemunhou o casamento de Lauro com Juracy Ivette de Barros Stevan. Foi um dos poucos dias em que se permitiu chorar em público — lágrimas discretas, escondidas atrás dos óculos redondos que usava desde os 50.

Naquele dia, sentiu que sua vida tinha valido a pena.

Mas a vida, como sempre, tem dois lados.

Em 26 de novembro de 1955, aos 72 anos, Celestina faleceu. Foi como se o sol tivesse se apagado em Curitiba. Antônio, agora viúvo, caminhou ao lado do caixão em silêncio absoluto. Não proferiu discurso. Não gritou. Mas quem o conhecia bem sabia: ele levava o coração partido na alma.

A partir dali, sua casa ficou mais quieta. As refeições, mais simples. As manhãs, mais longas. Mas ele continuou — porque é o que os fortes fazem. Continuou visitando os netos, mesmo que apenas para sentar no alpendre e observá-los brincar. Continuou rezando o terço todas as noites, como prometera a Celestina no dia do casamento.


O Adeus de um Patriarca: 19 de Junho de 1966

Aos 83 anos, em um domingo de inverno — 19 de junho de 1966 —, Antônio Stevan partiu deste mundo. Seu corpo descansou em Curitiba, Paraná, a cidade que abraçou seu sonho e se tornou sua verdadeira pátria.

Na lápide, poucas palavras:
Antônio Stevan – 1883–1966 – Pai. Esposo. Imigrante.

Mas para quem o conheceu, não eram necessárias palavras. Bastava lembrar de suas mãos calejadas, de seu olhar sério mas justo, de seu silêncio cheio de sabedoria.


Legado de um Homem Comum com uma Alma Extraordinária

Antônio Stevan nunca foi famoso. Nunca apareceu nos jornais. Nunca deu discursos. Mas ele construiu o Brasil — não com discursos, mas com calos. Não com palavras, mas com atos.

Ele representa a geração dos imigrantes silenciosos — aqueles que deixaram tudo para trás, não por glória, mas por amor. Amor aos filhos. Amor à família. Amor à dignidade.

Seu nome está gravado não apenas em registros genealógicos, mas na ética de trabalho de seus descendentes, na força tranquila das mulheres da família, na reverência aos mais velhos, na simplicidade com que se celebra a vida.


Epílogo: Entre Veneza e Curitiba, o Coração Encontrou Lar

Antônio nasceu nas águas de Veneza, mas sua alma encontrou descanso nas colinas de Curitiba.

Entre o canal Grande e a Rua XV de Novembro, entre o italiano sussurrado em casa e o português aprendido nas ruas, ele construiu uma ponte — não de pedra, mas de amor, fé e coragem.

E hoje, quando alguém na família Stevan se levanta cedo para trabalhar, ou abraça um filho com força, ou mantém viva a tradição de rezar antes do jantar — Antônio está lá.

Porque os verdadeiros patriarcas nunca morrem.

Eles se tornam memória viva.

Eternos.


Com respeito e gratidão,
— Pela família Stevan, que carrega seu nome com orgulho.

Antônio Stevan
Sosa : 20
  • Nascido a 20 de abril de 1883 (sexta-feira) - Venezia, Venezia, Veneto, Itália
  • Falecido a 19 de junho de 1966 (domingo) - Curitiba, Parana, Brasil, com a idade de 83 anos
1 ficheiro disponível

 Casamento(s) e filho(s)


188320 abr.
191421 nov.
31 anos
191616 jul.
33 anos
195526 nov.
72 anos
196619 jun.
83 anos



Descendentes de Antônio Stevan