Anna Bazzani Nascida a 3 de janeiro de 1919 (sexta-feira) - Curitiba, Paraná, Brasil Falecida a 12 de maio de 1989 (sexta-feira) - Curitiba, Paraná, Brasil, com a idade de 70 anos
Anna Bazzani: Uma Vida Tecida em Amor, Perda e Legado Familiar
Nas terras férteis de Curitiba, onde o sopro das serras encontra a memória das colônias italianas, nasceu em 3 de janeiro de 1919, numa sexta-feira de inverno, Anna Bazzani. Sua chegada ao mundo coincidiu com o início de uma nova década, mas o verdadeiro marco de sua história não está nas datas, e sim na força silenciosa de uma mulher que soube transformar luto em alicerce, e família em eterna herança. Viveu 70 anos, falecendo em 12 de maio de 1989, também numa sexta-feira, na mesma cidade que a viu nascer, cercada pela memória de quem amou e pela vasta árvore que ajudou a plantar.
Raízes que Aqueceram a Alma
Anna era filha de José Bazzani (1888–1938) e Maria Anna Tessari (1895–1927), dois nomes que carregavam em si o peso e a beleza da imigração italiana no Paraná. Pelas veias de Anna corria a linhagem dos Tessari, dos Bazzani, dos Erbisti e dos Franzan, famílias que cruzaram o Atlântico trazendo consigo o trabalho duro, a fé inabalável e o amor profundo pelos laços de sangue. Seus avós, Pietro Erbisti e Tommaso Tessari, e bisavós como Giovanni Tessari e Anna Maria Cunico, deixaram como herança não apenas sobrenomes, mas uma cultura de resistência e união.
A infância de Anna foi marcada pela doçura do lar, mas também pela sombra precoce da perda. Em 31 de maio de 1920, com apenas 16 meses, viu partir a avó paterna, Caterina Erbisti. Pouco depois, em dezembro daquele mesmo ano, nasceu seu irmão Leopoldo, trazendo nova luz à casa. Em 1924, perdeu o avô materno, Antônio Tessari. Mas foi em 16 de janeiro de 1927 que o destino impôs a prova mais dura: com apenas 8 anos, Anna viu sua mãe, Maria Anna Tessari, partir no momento em que dava à luz o irmão Antônio João. A morte no parto deixou uma marca indelével, mas também revelou a resiliência que Anna carregaria para o resto da vida.
Irmãos, Meios-Irmãos e a Força da União
A família Bazzani era numerosa e unida. Anna cresceu ao lado das irmãs Catarina (nascida em 1913) e Angelina (por volta de 1914), do irmão Leopoldo (1920–1984) e da irmã Maria (por volta de 1925–1984). A chegada de Antônio João, em meio à dor da perda materna, simbolizou o ciclo incessante da vida que a família precisava honrar. Com o passar dos anos, José Bazzani reconstruiu sua vida ao lado de Regina Marconcin (nascida em 1908), com quem teve três filhos: Lucia Luiza, Pedro Lizéa e Izolda Genoveva (esta última nascida em 1919, no mesmo ano que Anna). Anna soube acolher esses meios-irmãos, entendendo que o amor familiar não se mede apenas pelo sangue direto, mas pela disposição de partilhar a história.
Em 1930, viu a irmã Catarina casar-se com Gustavo Zibarth, um primeiro passo de independência para as mulheres da família. Oito anos depois, em 16 de maio de 1938, o pai José partiu, deixando Anna com 19 anos e o coração dividido entre a saudade e a responsabilidade de seguir em frente. A casa dos Bazzani, antes guiada por mãos paternas, agora dependia da maturidade precoce de seus filhos, e Anna estava pronta para assumir seu papel.
O Encontro com o Amor e a Construção de um Novo Lar
No dia 11 de maio de 1940, um sábado ensolarado em Curitiba, Anna Bazzani, já com 21 anos, casou-se com Francisco Faria, nascido no mesmo ano que ela (1919). A cerimônia marcou o início de uma parceria que duraria mais de quatro décadas. Francisco não foi apenas um esposo, mas um companheiro de sonhos, um ombro firme nos dias difíceis e o pai devotado que ajudou a criar uma família numerosa e cheia de vida.
Juntos, ergueram um lar onde o riso das crianças ecoava mais alto que as preocupações do mundo exterior. Anna trouxe para a nova casa a herança de sua mãe: a capacidade de amar com intensidade, mesmo quando a vida exige sacrifícios. Francisco, por sua vez, trouxe a estabilidade e o carinho que permitiram a Anna florescer plenamente como mulher e mãe.
Filhos: O Legado Vivo de uma Geração
Do amor entre Anna e Francisco nasceram seis filhos, cada um com sua personalidade, mas todos unidos pelo mesmo sangue e pela mesma educação baseada em respeito e união: Arlete, Altair, José Custódio, Osvaldo, Arlene Solange e Amilton. A casa dos Faria-Bazzani era um ponto de encontro, onde as gerações se entrelaçavam.
Arlete casou-se com Nelson Sloboda, dando origem a uma linhagem que se multiplicou em netos como Nelson Antônio, Mara Niceia, Loranie, Inajá, Vanessa, Savana, Jessen, Doniasol Vanessa e Luana. Altair e José Custódio seguiram seus próprios caminhos, mantendo viva a memória dos pais. Osvaldo uniu-se a Sueli, e juntos tiveram Rosiane, expandindo ainda mais a árvore. Arlene Solange casou-se com Carlos Alberto Juski, trazendo ao mundo Delane e Dayana. Amilton, que partiu antes do tempo, deixou saudades que o tempo não apagou.
Através dos filhos, Anna viu nascer netos e bisnetos que carregariam seus traços, seus valores e seu nome. Nomes como Rui Carlos, Ana Paula, Renata, Meiji, Eiji, Suellen, Ana Carolina, Laura, Luis Filipe, Gabriel, Thayná, Lucas e Lara não são apenas palavras em uma árvore genealógica; são testemunhos vivos de que o amor de Anna e Francisco transcendeu gerações, plantando sementes de afeto que continuam a brotar.
Anos Finais: A Viuvez, a Saudade e a Paz
A década de 1980 trouxe testes difíceis. Em 24 de setembro de 1983, Francisco Faria partiu, deixando Anna viúva aos 64 anos. A perda do companheiro de vida foi um golpe profundo, mas Anna, que já conhecia a dor desde a infância, não se deixou abater. Em 1984, num ano de luto familiar consecutivo, perdeu a irmã Maria (26 de junho) e o irmão Leopoldo (11 de julho). A vida, que antes a presenteava com nascimentos, agora a levava por um caminho de despedidas.
Ainda assim, Anna manteve a dignidade e a serenidade. Continuou a receber filhos, netos e amigos, compartilhando histórias de Santa Felicidade, recordações de seu pai José, da mãe Maria Anna, e do marido Francisco. Em 12 de maio de 1989, numa sexta-feira como a do seu nascimento, Anna Bazzani fechou os olhos para sempre, aos 70 anos, em Curitiba. Não partiu sozinha: levou consigo a certeza de ter sido amada e deixou para trás uma família numerosa, forte e unida.
Uma Memória que Não se Apaga
Anna Bazzani não foi apenas uma data em um registro civil ou um nome em uma árvore genealógica. Foi uma mulher que viveu intensamente o século XX brasileiro, atravessando guerras silenciosas do coração, reconstruindo lares após perdas, educando filhos com exemplo e vendo sua linhagem florescer por gerações. Sua história é um testemunho de que a verdadeira imortalidade não está na ausência da morte, mas na continuidade do amor que se transmite de pai para filho, de avó para neto, de geração em geração.
Hoje, quando um descendente da família Faria-Bazzani pronuncia seu nome, conta uma história de infância ou reza por aqueles que partiram, Anna continua viva. Não em monumentos de pedra, mas no abraço dos netos, na força dos bisnetos, na união que ela ensinou a construir e na memória que o tempo, por mais que passe, jamais conseguirá apagar.
- Nascida a 3 de janeiro de 1919 (sexta-feira) - Curitiba, Paraná, Brasil
- Falecida a 12 de maio de 1989 (sexta-feira) - Curitiba, Paraná, Brasil, com a idade de 70 anos
Pais
- José Bazzani 1888-1938
- Maria Anna Tessari 1895-1927
Casamento(s) e filho(s)
- Casada a 11 de maio de 1940 (sábado), Curitiba, Paraná, Brasil, com Francisco Faria 1919-1983 tiveram
Irmãos
Catarina Bazzani 1913-
Angelina Bazzani ca 1914-
Anna Bazzani 1919-1989
Leopoldo Bazzani 1920-1984
Maria Bazzani ca 1925-1984
Antonio João Bazzani
Meios irmãos e meias irmãs
| Pelo lado de José Bazzani 1888-1938 |
Notas
Notas individuais
Fontes
- Pessoa: Fabio Bettega - Bettega Web Site (Smart Match)
Árvore genealógica (até aos avós)
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19193 jan.
Nascimento
192031 maio
16 meses
Morte da avó paterna
192022 dez.
23 meses
Nascimento de um irmão
192415 nov.
5 anos
Morte do avô materno
cerca1925
~ 6 anos
Nascimento de uma irmã
192716 jan.
8 anos
Morte da mãe
193013 set.
11 anos
Casamento de uma irmã
193816 maio
19 anos
Morte do pai
194011 maio
21 anos
Casamento
198324 set.
64 anos
Morte do cônjuge
198426 jun.
65 anos
Morte de uma irmã
198411 jul.
65 anos
Morte de um irmão
198912 maio
70 anos
Morte
Antepassados de Anna Bazzani
| Antonio Tessari † | Catterina Basso † | Domenico Cunico 1756-1821 | Catterina Forte | |||||||||||||||||
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| Giovanni Tessari 1780-1856 | Anna Maria Cunico 1788-1851 | Stefano Verona ca 1806- | Lucia Brunale ca 1806- | |||||||||||||||||
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| Pedro Erbisti † | Gamina ? † | Tommaso Tessari 1827-1890 | Mariana Verona 1829-1905 | Domingos Franzan † | Magdalena Pastetto † | |||||||||||||||
| | | | | | | - 1851 - | | | | | | | ||||||||||||||
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| Giovani Bazzani ca 1840-1909 | Caterina Erbisti ca 1849-1920 | Antônio Tessari 1866-1924 | Catharina Franzan 1867-1917 | |||||||||||||||||
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| José Bazzani 1888-1938 | Maria Anna Tessari 1895-1927 | |||||||||||||||||||
| | | - 1910 - | | | ||||||||||||||||||
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| Anna Bazzani 1919-1989 | ||||||||||||||||||||
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