sábado, 27 de junho de 2026

Mesquita Magok-i Attari Também chamada: Mesquita Maghoki-Attar, Magak-i Attari ou Magoki AttoronNome em usbeque: Magʻoki Attori masjidi

 

Mesquita Magok-i Attari
Mesquita Maghoki-Attar • Mesquita Magak-i AttariMesquita Magoki AttoronMagʻoki Attori masjidi
Informações gerais
TipoMesquita
Construçãoséculos XII e XVI
Religiãoislão sunita
Património Mundial
Ano1993 [♦]
Referência602 en fr es
Geografia
PaísUsbequistão
CidadeBucara
Coordenadas39° 46′ 23,5″ N, 64° 25′ 06″ L
Localização em mapa dinâmico
Notas:
[♦] ^ Parte do sítio do Património Mundial "Centro histórico de Bucara"
Detalhe do pishtaq caracânida, no lado sul da mesquita

A Mesquita Magok-i Attari, Mesquita Maghoki-Attar, Magak-i Attari ou Magoki Attoron (em usbeque: Magʻoki Attori masjidi) é uma mesquita situada no centro histórico de Bucara,[1] um sítio do Património Mundial da UNESCO no Usbequistão.[2] É um dos únicos monumentos de Bucara anteriores à destruição da cidade por Gêngis c.1219–1221 e, segundo muitos autores é a mesquita mais antiga da Ásia Central que chegou aos nossos dias.[3]

O edifício atualmente existente foi originalmente construído no século XII, durante o período caracânida, que foi parcialmente reconstruída no século XVI, mas já no tempo dos samânidas, no século X, existia uma mesquita no local, que por sua vez tinha sido erigida sobre as fundações dum antigo templo[4] do período soguediano. Situa-se imediatamente a oeste do conjunto monumental Lyab-i Hauz. Atualmente a mesquita é um museu de tapetes.[3] É um exemplo duma mesquita urbana dum bairro residencial e um dos melhores exemplos da arquitetura caracânida da Ásia Central.[4]

História

O historiador local al-Narshakhi, que completou a sua “História de Bucara” em 943 ou 944, durante o reinado do imperador samânida Nu I, relata que a mesquita foi construída no local onde existia um antigo templo do fogo anterior à chegada do islão à região, o qual era provavelmente um templo zoroastrista usado pela população soguediana da cidade. Narshaki também menciona que no local se realizava duas vezes por ano uma feira muito concorrida onde se vendiam ídolos, onde se chegavam a transacionar 50 000 dirrãs num só dia. Estranhamente, a feira era tolerada pelos governantes islâmicos e no tempo de Narshakhi ainda se realizava, o que indica que uma parte substancial da população de Bucara ainda não se tinha convertido ao islão no século X.[3]

Narshakhi refere-se à mesquita com o nome "Grande Mesquita de Makh"; Makh era o nome do bazar vizinho onde se vendiam ídolos. Por sua vez, o bazar devia o seu nome a um rei lendário de Bucara chamado Makh. Porém, numa parte posterior da sua crónica, Narshahki chama ao edifício "Mesquita de Maghak", que praticamente coincide com o nome atual Magok, que significa "numa reentrância" ou "num nicho"[3] ou "numa cova",[5] o que sugere que a mesquita já então se encontrava abaixo do nível do solo, como ainda ocorre atualmente — o chão da mesquita está cerca de quatro metros abaixo do solo da área em redor. O resto do nome da mesquita — attari (perfumistas) — tem origem no facto de no bazar vizinho também se comercializarem perfumes.[3]

Segundo algumas fontes, nos tempos pré-islâmicos Bucara foi um centro de culto a um deus lunar, similar a Sim da mitologia mesopotâmica e o templo anterior à mesquita era dedicado a esse deus. Os habitantes do vale do Zarafexã acorriam à feira que se realizava junto ao templo para trocarem os seus ídolos velhos por novos, para assegurarem a fertilidade das terras das quais dependiam, o que contribuiu para que Bucara se tornasse um centro de comércio.[5]

Os únicos vestígios da mesquita original existente na era samânida são alguns pedaços de decoração em alabastro e vestígios de tijoleiras encontradas durante escavações. Os arqueólogos presumem que o edifício original foi demolido ou incendiado, apesar de ser provável que a planta atual seja muito semelhante à antiga. A edificação atual é uma espécie de palimpsesto de vários períodos arquitetónicos, o mais antigo deles do século XII, durante a era caracânida. O portal sul, ainda existente, foi provavelmente construído pelo mesmo cã caracânida que construíu a Mesquita Namazgah, situada fora das muralhas, e o Minarete de Vobkent, na vila com esse nome, alguns quilómetros a norte de Bucara.[3]

Entre 1547 e 1549, o governante xaibânida Abdul-Aziz Cã mandou restaurar a mesquita[5] e adicionou-lhe um pishtaq monumental no lado oriental, pois a entrada do lado sul já estava soterrada.[1] Nessa altura, as ruas em volta já eram mais altas do que o nível do chão da mesquita, pelo que foi construído um lance de escadas que desce da antecâmara do pishtaq para o interior da mesquita.[3] Grande parte do que se pode atualmente admirar do edifício resulta das escavações levadas a cabo na década de 1930, pois até essa altura uma parte estava enterrada, nomeadamente o portal sul da época caracânida.[4]

Antes da construção da primeira sinagoga em Bucara mo século XVII, os judeus partilhavam com os muçulmanos a mesquita como local de culto. Segundo algumas fontes, os judeus faziam as suas orações lado a lado com os muçulmanos, no mesmo local e ao mesmo tempo. Segundo outras fontes, os judeus faziam as suas orações depois dos muçulmanos.[5]

Arquitetura

O portal caracânida tem dois conjuntos de colunas nos lados opostos do pishtaq, que formam um conjunto com a aparência de livros entreabertos ou rolos de pergaminho colocados lado a lado. Alguns historiadores sugerem que esse arranjo tem origem no edifício pré-islâmico. A forma da parte central do pishtaq é muito semelhante ao do Chashma-Ayub de Vobkent, a ponto de alguns autores sugerirem que muito provavelmente ambos os portais são da autoria do mesmo mestre de obras. O arco do pishtaq é encimado por um friso epigráfico em azulejos vidrados azuis, que está parcialmente destruído.[3]

O interior da mesquita está organizado num padrão em quadrícula com três por quatro tramos, cada um deles com uma cúpula. Duas da cúpulas centrais assentam em tambores altos para permitir a entrada de luz.[3]

Referências

  1.  «Magoki Attori mosque» (em inglês). www.doca-tours.com. Consultado em 23 de dezembro de 2020
  2. Historic Centre of Bukhara. UNESCO World Heritage Centre - World Heritage List (whc.unesco.org). Em inglês ; em francês ; em espanhol. Páginas visitadas em 18 de dezembro de 2020.
  3.  «Magok-i-Attari Mosque, Bukhara, Uzbekistan» (em inglês). Asian Historical Architecture. www.orientalarchitecture.com. Consultado em 21 de dezembro de 2020
  4.  «Magoki-Attori Mosque, Bukhara: Islamic mosque dating back to Zoroastrianism» (em inglês). www.advantour.com. Consultado em 23 de dezembro de 2020
  5.  «The Magak-i Attari Mosque» (em inglês). pagetour.org. Consultado em 23 de dezembro de 2020

Bibliografia

Mesquita Magok-i Attari

Também chamada: Mesquita Maghoki-Attar, Magak-i Attari ou Magoki Attoron
Nome em usbeque: Magʻoki Attori masjidi
Localizada no centro histórico de Bucara — Património Mundial da UNESCO, no Usbequistão — esta é uma das construções mais antigas e extraordinárias da Ásia Central. É um dos raros monumentos que sobreviveram à destruição da cidade pelas tropas de Gêngis Cã, por volta de 1219–1221, e muitos especialistas consideram-na a mesquita mais antiga da região que chegou aos dias de hoje.
Situa-se imediatamente a oeste do conjunto monumental Lyab-i Hauz. O edifício atual remonta essencialmente ao século XII, com importantes reformas no século XVI, mas ergue-se sobre camadas muito mais antigas de ocupação. Atualmente, não funciona como espaço de culto, mas sim como museu dedicado à arte dos tapetes, sendo também um exemplo notável da arquitetura caracânida e da evolução urbana e religiosa de Bucara.

História: Um Local de Culto Milenar

A história deste espaço reflete as transformações culturais e religiosas da região ao longo de mais de um milénio.

Origens pré-islâmicas

Conforme relata o historiador al-Narshakhi, na sua História de Bucara escrita em 943–944, antes da chegada do Islão ali existia um templo do fogo, utilizado pela população soguediana e dedicado ao zoroastrismo. Algumas fontes acrescentam que o local também teria servido como santuário dedicado a uma divindade lunar, semelhante ao deus Sim da mitologia mesopotâmica.
O espaço era tão importante que duas vezes por ano ali se realizava uma feira muito concorrida, onde se vendiam ídolos religiosos e se chegavam a movimentar cerca de 50 mil dirrãs num único dia. Curiosamente, mesmo após a consolidação do poder islâmico, a feira continuou a ser tolerada — um sinal de que uma parte significativa da população ainda mantinha as suas crenças antigas no século X.

Evolução do nome

  • No tempo de al-Narshakhi, era chamada de “Grande Mesquita de Makh”, em referência ao bazar vizinho e a um rei lendário com esse nome.
  • Mais tarde passou a chamar-se Maghak, termo que significa “numa reentrância”, “num nicho” ou “numa cova” — uma descrição exata, pois o pavimento da mesquita fica cerca de quatro metros abaixo do nível do solo circundante, resultado do acúmulo de camadas de terra e construção ao longo dos séculos.
  • A parte final do nome — Attari — significa “perfumistas”, pois o bazar ao lado também era famoso pelo comércio de especiarias e fragrâncias.

Fases de construção

  • Século X (período samânida): Foi erigida a primeira mesquita islâmica no local, sobre as fundações do antigo templo. Restam apenas pequenos vestígios de decoração em alabastro e tijolos, encontrados em escavações arqueológicas.
  • Século XII (período caracânida): A estrutura atual foi construída, mantendo provavelmente a mesma disposição da mesquita anterior. O portal sul, que ainda se conserva, é desta época e revela grande qualidade técnica.
  • Século XVI: Entre 1547 e 1549, o governante xaibânida Abdul-Aziz Cã ordenou uma ampla restauração. Como o nível da rua já tinha subido e a entrada sul ficava soterrada, foi construído um novo pórtico monumental (pishtaq) no lado oriental, com uma escada que desce até ao interior.
  • Século XX: Apenas na década de 1930, com trabalhos de escavação e recuperação, foi possível revelar e limpar a parte antiga do edifício, que estava parcialmente enterrada.

Um espaço de convívio religioso

Antes da construção da primeira sinagoga de Bucara, no século XVII, este local serviu também de ponto de encontro para a comunidade judaica da cidade. Segundo relatos, os judeus realizavam as suas orações ali — ou lado a lado com os muçulmanos, ou em horários diferentes, após a conclusão dos rituais islâmicos — o que demonstra uma convivência pouco comum para a época.

Arquitetura

A Mesquita Magok-i Attari é um verdadeiro “palimpsesto arquitetónico”, onde se podem reconhecer traços de diferentes épocas.

Pórticos e fachadas

  • Portal sul (século XII): É o elemento mais antigo e valioso. Apresenta duas fileiras de colunas dispostas de forma a parecerem livros ou rolos de pergaminho abertos — uma forma que alguns especialistas acreditam ter origem ainda na estrutura pré-islâmica. A sua composição é tão semelhante à do santuário Chashma-Ayub, na vila de Vobkent, que se supõe que ambos tenham sido projetados pelo mesmo mestre construtor. Acima do arco, restam fragmentos de um friso com inscrições em caracteres cúficos, feitos com azulejos vidrados de cor azul.
  • Pórtico leste (século XVI): Mais amplo e imponente, foi adicionado para tornar a entrada acessível. A escadaria que desce até ao interior reforça a sensação de que se entra numa camada mais antiga da cidade.

Espaço interior

A planta é organizada numa grelha regular, dividida em três tramos no comprimento e quatro na largura, totalizando doze secções cobertas por cúpulas. Duas das cúpulas centrais assentam sobre tambores mais altos, com aberturas que permitem a entrada de luz natural, iluminando o espaço de forma suave e uniforme.

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