sábado, 27 de junho de 2026

Mesquita Namazgah Também chamada: Namozgoh ou NamozgohiSignificado: O termo vem do persa e significa literalmente “local de oração” — também designada como musalla ou “mesquita de festivais”

 

Mesquita Namazgah
Mesquita Namozgoh • Mesquita Namozgohi
Informações gerais
Construção1119-1120, remodelada no século XVI
ReligiãoIslão sunita
Geografia
PaísUsbequistão
CidadeBucara
Coordenadas39° 45′ 42″ N, 64° 24′ 44″ L
Localização em mapa dinâmico

A Mesquita Namazgah, Namozgoh ou Namozgohi é um espaço ao ar livre com um mirabe monumental em Bucara no Usbequistão, que era usado para orações congregacionais realizadas em feriados islâmicos importantes. Situa-se fora do centro histórico, cerca de 1,6 km a sul do conjunto monumental Po-i Kalyan, numa área pouco frequentada por turistas. Construída no início do século XII, é um dos monumentos mais antigos de Bucara, contemporâneo do icónico Minarete Kalyan. No final da década de 2010 encontrava-se parcialmente em ruínas.[1][2]

Descrição e história

O monumento encontra-se na parte sul da cidade, cerca de um quilómetro a sul da porta Namazgah da muralha, numa zona de pomares. Namazgah é um termo persa que significa "local de oração".[1] Também conhecidas como musallas, ou mesquitas de festivais, as namazgahs são mesquitas ao ar livre com lotação para grandes multidões ou tropas acampadas e eram usualmente construídas fora das cidades, geralmente junto a estradas importantes.[2]

Possivelmente devido à sua localização fora do centro da cidade, a mesquita é um dos únicos edifícios anteriores às invasões mongóis que chegou aos nossos dias, além do Minarete Kalyan, do Mausoléu Samânida e da Mesquita Magok-i Attari, esta muito remodelada. Quando a mesquita foi construída, ela deve ter sido o que Knoblauch chama "mesquita fora da cidade", onde os fiéis da cidade podiam reunir-se durante vários dias por ano para festas importantes. Como até mesmo a mesquita de sexta-feira da cidade era geralmente pequena demais para esse propósito, essas mesquitas "fora da cidade" eram de grande utilidade, pois por estarem em campos abertos tinham capacidade para congregar muito mais pessoas. Por estarem situadas longe do centro da cidade, essas mesquitas eram usadas apenas ocasionalmente, em feriados especiais, como o Eid al-Fitr ou o Eid al-Adha (Festa do Sacrifício).[1]

O monumento foi construído em 1119 ou 1120, quando Bucara fazia parte do Canato Caracânida, durante o reinado de Arslano Cã (r. 1102–1129), que sete anos depois mandou construir o Minarete Kalyan. Ao longo dos séculos sofreu várias remodelações significativas. Na primeira fase de construção, no século XII, foi construída uma longa quibla (parede virada para Meca) de tijolo com 38 metros de comprimento, com um mirabe ao centro flanqueado por um arco cego em cada um dos lados. Acredita-se que tenha existido uma vedação que cercava parcialmente o amplo recinto da mesquita, para demarcar o território sagrado. O espaço imediatamente em frente ao mirabe pode ter sido coberto, como aconteceu em estruturas semelhantes em Merve e Nisa.[2]

A partir de meados do século XIII, quando Bucara fazia parte do Ilcanato mongol foram adicionadas decorações geométricas de tijolo, terracota[2] e, segundo algumas fontes, também azulejos.[1] No século XV, durante o reinado de Tamerlão, foram adicionadas faixas decorativas de ladrilhos vidrados.[2] Alguns autores mencionam uma remodelação realizada no século XVI, que incluíram a construção das arcadas atualmente existentes, que alguns consideram ter sido uma adição algo tosca.[1] Outros autores não referem essas obras ou colocam-nas no século XVII, quando o Canato de Bucara era governada pelos astracânidas (ou manguitas). Essa remodelação incluiu a construção duma nova fachada, com um pórtico de três vãos, com um pishtaq (portal saliente de estilo persa), anexada à parede da quibla original e elevada sobre uma base de pedra. No canto norte do pórtico, de frente para a área de congregação foi colocado um mimbar de tijolo, possivelmente em substituição de um anterior em madeira.[2]

O pishtaq é revestido com faixas de cerâmica vidrada azul ou turquesa cúfica. O tímpano está preenchido com decorações com estrelas e hexágonos entrelaçados em cerâmica azul[2] e há também alguns padrões de cúfico quadrado de alta qualidade em alto-relevo em tijolo, que faz lembrar um labirinto. O facto daquele ser um espaço protegido das intempéries deve ter contribuído para a sua conservação parcial.[1]

Jean e Porter Soustiel sugerem que vários fragmentos de caligrafia com vidrado cor de turquesa que se encontram na arcada norte podem ser do período mongol. É evidente que são anteriores à adição das arcadas, pois a composição arquitetónica é desajeitadamente interrompida por essas arcadas. Se essa suposição estiver correta, esses fragmentos constituem os exemplos mais antigos de mosaicos vidrados da região de Bucara, além dos do minarete de Vobkent e o Chashma Ayub. Esses mosaicos são os os únicos elementos decorativos no exterior da mesquita.[1]

O edifício é feito de tijolo, terracota e ganch (painéis de alabastro), fazendo com que seja de cor predominantemente ocre. Os painéis de terracota incisos apresentam vestígios de decoração policromática. A nordeste da quibla há um hauz (tanque decorativo) octogonal de pedra lavrada, com degraus, que possivelmente era usado para abluções. No final da década de 2010, o monumento apresentava extensos danos no pedestal e telhado, causados ​​por infiltração de água. O seu relativo afastamento dos principais locais turísticos resultou no seu desuso e abandono.[2]

Numa obra datada de 1843, o orientalista russo Nikolai Khanikov refere que a mesquita ainda era usada e que o terreno em frente tinha várias árvores espalhadas onde as pessoas se reuniam para ouvir as orações lidas durante os feriados do Ramadão e o Eid Qurbani. No caminho entre a cidade e a mesquita eram montadas tendas que vendiam doces, frutos secos e outros bens. Khanikov refere ainda durantes esses feriados havia outras formas de entretenimento, como lutas, corridas e lutas de camelos.[1]

Referências

  1.  «Namazgah Mosque, Bukhara, Uzbekistan» (em inglês). Asian Historical Architecture. www.orientalarchitecture.com. Consultado em 15 de janeiro de 2021
  2.  «Buxhoro Namozgohi». archnet.org (em inglês). ArchNet: Islamic Architecture Community. Consultado em 15 de janeiro de 2021

Bibliografia

Mesquita Namazgah

Também chamada: Namozgoh ou Namozgohi
Significado: O termo vem do persa e significa literalmente “local de oração” — também designada como musalla ou “mesquita de festivais”
Situada cerca de 1,6 km a sul do centro histórico de Bucara e do conjunto Po-i Kalyan, fora das antigas muralhas da cidade, esta é uma estrutura singular: não se trata de uma mesquita fechada, mas sim de um amplo espaço ao ar livre organizado em torno de uma parede e nicho sagrados. Construída no início do século XII, durante o período caracânida, é um dos monumentos mais antigos da cidade, contemporâneo do famoso Minarete Kalyan, e um dos poucos edifícios que resistiu à destruição das invasões mongóis.
Atualmente, fica numa zona de pomares pouco frequentada por turistas e, no final da década de 2010, encontrava-se já parcialmente em ruínas e em estado de conservação frágil.

Função e Propósito

As namazgahs ou mesquitas de festivais eram espaços deliberadamente construídos fora dos limites urbanos. A sua função principal era receber grandes multidões nas celebrações religiosas mais importantes do calendário islâmico, como o Eid al-Fitr (fim do Ramadão) e o Eid al-Adha (Festa do Sacrifício).
Como as mesquitas congregacionais situadas dentro da cidade não tinham capacidade suficiente para reunir toda a população, estes espaços abertos ofereciam amplitude e flexibilidade. Além disso, serviam também para acolher tropas acampadas ou peregrinos em trânsito, geralmente instalados ao longo de estradas principais. Eram utilizados apenas ocasionalmente, o que também contribuiu para a sua preservação ao longo dos séculos.

História

  • Fundação (1119–1120): A mesquita foi erigida sob o reinado do cã caracânida Arslano Cã — o mesmo governante que, sete anos mais tarde, mandou construir o Minarete Kalyan. Na sua versão original, consistia numa longa parede da quibla (voltada para Meca), com 38 metros de comprimento, feita de tijolo. No centro ficava o mirabe (nicho de oração), ladeado por dois arcos cegos. É provável que houvesse uma vedação baixa a delimitar o recinto sagrado e que a zona imediata em frente ao nicho tivesse uma cobertura simples, tal como ocorria em estruturas semelhantes de Merve e Nisa.
  • Período mongol (século XIII): Quando Bucara passou a integrar o Ilcanato mongol, foram acrescentados detalhes decorativos em tijolo trabalhado, terracota e, segundo algumas fontes, os primeiros revestimentos em azulejo.
  • Época timúrida (século XV): Durante o governo de Tamerlão, foram adicionadas faixas ornamentais com ladrilhos vidrados, que trouxeram mais cor e requinte à estrutura.
  • Reformas posteriores (séculos XVI–XVII): Sob a dinastia xaibânida ou mais tarde sob os astracânidas, a mesquita foi ampliada. Construiu-se uma nova fachada com um pórtico de três vãos e um pishtaq (portal saliente de estilo persa), assente sobre uma base de pedra. No canto do pórtico foi instalado um mimbar (púlpito) de tijolo, substituindo provavelmente um anterior de madeira. Alguns especialistas consideram esta adição mais tardia menos cuidada que a obra original.
  • Uso até ao século XIX: Em 1843, o orientalista russo Nikolai Khanikov registou que a mesquita ainda estava em pleno funcionamento. Descreveu o ambiente festivo: no caminho até ao local montavam-se barracas com doces, frutos secos e mercadorias; no recinto, além das orações, realizavam-se lutas, corridas e competições com camelos.
  • Estado atual: Com o tempo, o afastamento do centro e as mudanças na dinâmica da cidade levaram ao seu desuso. No final da década de 2010, apresentava danos estruturais, infiltrações de água e parte da estrutura em ruínas.

Arquitetura e Decoração

A Mesquita Namazgah reflete as várias fases da sua história, combinando elementos de diferentes épocas:
  • Estrutura principal: É construída maioritariamente em tijolo, terracota e ganch (painéis de alabastro), o que confere à construção uma cor dominante em tons de ocre. Os painéis de terracota apresentam vestígios de terem sido pintados com cores vivas no passado.
  • Pishtaq e decoração: O portal saliente é revestido com faixas de cerâmica vidrada em tons de azul e turquesa, com inscrições em caligrafia cúfica. No tímpano, destacam-se padrões geométricos de estrelas e hexágonos entrelaçados. Também existem relevos em tijolo com caligrafia cúfica quadrada, organizada como um labirinto ornamental.
  • Elementos antigos: Fragmentos de azulejos vidrados na arcada norte parecem pertencer já ao período mongol, sendo alguns dos exemplos mais antigos deste tipo de revestimento na região, comparáveis apenas aos do Minarete de Vobkent e do santuário Chashma-Ayub.
  • Estruturas complementares: A nordeste da parede da quibla existe um hauz — reservatório de água octogonal, lavrado em pedra e com degraus — provavelmente utilizado para as abluções rituais antes das orações.

Nenhum comentário:

Postar um comentário