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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Submarino NO510 (1956 / 1960-1961) Projeto 613 "Whiskey" – A Era de Ouro da Guerra Fria Submarina

 

 Submarinos NO510 (1956 / 1960-1961)



DADOS TÉCNICOS


Padrão de deslocamento, t

 

Deslocamento normal, t

1045/1342

Comprimento, m

76,0

Largura, m

6,30

Calado, m

4,55

Não de eixos

2

Maquinário

2 motores diesel 37D / 2 motores elétricos PG-101

Potência, hp

4000/2700

Velocidade máxima, nós

18,3 / 13,1

Combustível, t

óleo diesel

Resistência, nm (kts)

8580 (10) / 353 (2)

Armamento

6 - 533 TT (4 proa, 2 popa, 12 ou 22 minas)

Equipamento eletrônico

Radar de bandeira, Tamir-5L, sonares Feniks, conjunto Nakat ECM

Complemento

55

Profundidade de mergulho operacional, m

170



IMAGENS EM ESCALA PADRÃO


<i> Nº 510 </i> <i> </i> 1965
No 510 1965


GRÁFICOS





HISTÓRIA DO PROJETO

Submarinos médios do Projeto 613 soviético foram apreendidos em 1961 após a retirada dos soviéticos de sua base na Ilha Sazan.

MODERNIZAÇÕES

Nenhum.

SERVIÇO NAVAL

Sem eventos significativos.

Submarino NO510 (1956 / 1960-1961)

Projeto 613 "Whiskey" – A Era de Ouro da Guerra Fria Submarina

Introdução Histórica

O submarino NO510 representa um capítulo fascinante da história naval da Guerra Fria, integrando a lendária classe Whiskey (Projeto 613 soviético), a maior família de submarinos convencionais já construída no período pós-Segunda Guerra Mundial. Originalmente comissionado em 1956 sob a bandeira da Marinha Soviética, esta unidade teve seu destino alterado dramaticamente em 1961, quando foi apreendido pelas forças albanesas durante a retirada soviética da base naval da Ilha Sazan, no Adriático.
Este episódio ocorreu no contexto do rompimento político entre a União Soviética e a Albânia de Enver Hoxha, um momento crítico que reconfigurou o equilíbrio de poder no Mediterrâneo e dotou a pequena nação balcânica de uma capacidade submarina inesperada.

DADOS TÉCNICOS DETALHADOS

Características Principais de Desempenho

Parâmetro
Valor
Deslocamento padrão
1.045 toneladas (superfície) / 1.342 toneladas (submerso)
Comprimento total
76,0 metros
Largura máxima
6,30 metros
Calado operacional
4,55 metros
Configuração de eixos
2 eixos com hélices de passo controlável

Sistema de Propulsão e Mobilidade

O NO510 era equipado com um sistema diesel-elétrico convencional, característico da engenharia naval soviética da década de 1950:
  • Motores principais: 2 motores diesel modelo 37D, desenvolvendo 2.000 hp cada
  • Motores elétricos: 2 motores PG-101, com potência combinada de 2.700 hp
  • Potência total: 4.000 hp em superfície / 2.700 hp submerso
  • Baterias: 224 células do tipo 46SU para operação silenciosa
Desempenho em Navegação:
  • Velocidade máxima em superfície: 18,3 nós
  • Velocidade máxima submerso: 13,1 nós
  • Velocidade econômica submerso: 2 nós (para máxima discrição)
Autonomia e Resistência:
  • 8.580 milhas náuticas a 10 nós (superfície)
  • 353 milhas náuticas a 2 nós (submerso)
  • Endurance operacional: até 30 dias em patrulha
  • Combustível: óleo diesel armazenado em tanques de lastro e compartimentos dedicados

Capacidade de Mergulho e Segurança

  • Profundidade operacional máxima: 170 metros
  • Profundidade de colapso estimada: aproximadamente 200 metros
  • Tempo de submersão de emergência: menos de 45 segundos
  • Sistemas de emergência: bóias de marcação, equipamentos de escape individual e compartimentos estanques redundantes

ARMAMENTO E SISTEMAS DE COMBATE

Configuração de Torpedos

O NO510 dispunha de uma disposição clássica e eficaz de tubos lançadores:
  • 6 tubos de 533 mm: 4 na proa e 2 na popa
  • Capacidade de munição: 12 torpedos em configuração padrão de ataque
  • Capacidade alternativa: até 22 minas navais AMD-1000 para operações de bloqueio
Tipos de armamento compatíveis:
  • Torpedos convencionais não-guiados: série 53-38, 53-39, 53-51 e 53-56V
  • Torpedos com busca acústica passiva: SAET-50, SAET-50M e SAET-60M para engajamento de superfície
  • Torpedos antisubmarino: SET-53 com busca acústica para defesa contra ameaças subaquáticas
  • Torpedos de esteira acústica: 53-61 e 53-65K para ataques contra alvos de grande porte

Sistemas de Detecção e Guerra Eletrônica

O submarino era equipado com um conjunto integrado de sensores para sua época:
  • Sonar principal: Feniks, sistema de busca ativa e passiva para detecção de alvos subaquáticos
  • Sonar de navegação: Tamir-5L, para mapeamento do fundo marinho e evitar obstáculos
  • Radar de superfície: Bandeira (NATO: Snoop Plate), operando em banda X para detecção de contatos na superfície
  • Sistemas de contramedidas: Conjunto Nakat ECM para interferência em radares inimigos e detecção de emissões eletrônicas
  • Direcionadores de rádio: RPN-47-03 e ARP-53 para triangulação de sinais e navegação por radioajuda

Armamento Defensivo Secundário

Nas configurações iniciais, o Projeto 613 incluía armamento de superfície:
  • 1 montagem dupla de 57 mm SM-24ZIF (removida a partir de 1957/58)
  • 1 montagem dupla de 25 mm 2M-8 para defesa antiaérea (também removida em modernizações)
O NO510, operando na configuração final, provavelmente já havia recebido a remoção destes armamentos, priorizando o perfil hidrodinâmico e a discrição operacional.

EQUIPE E CONDIÇÕES DE VIDA A BORDO

Composição da Tripulação

  • Total de efetivo: 55 homens
  • Oficiais: 9, incluindo comandante, oficial de navegação, engenheiro chefe e especialistas em armamento
  • Praças e sargentos: 46, distribuídos entre operadores de sonar, maquinistas, eletricistas, torpedistas e pessoal de apoio

Condições de Habitabilidade

A vida a bordo de um submarino do Projeto 613 era marcada por espaços compactos e rotinas rigorosas:
  • Dormitórios: Beliches superpostos em compartimentos compartilhados, com ventilação controlada
  • Refeitório: Cozinha compacta com capacidade para preparação de refeições quentes em turnos
  • Áreas de descanso: Limitadas, com prioridade para oficiais e operadores de sistemas críticos
  • Saneamento: Sistemas de destilação de água e tratamento de resíduos adaptados para operação submersa prolongada
  • Controle atmosférico: Regeneradores de oxigênio e absorvedores de CO₂ para manter a qualidade do ar durante patrulhas submersas
A rotina operacional exigia disciplina extrema, com turnos de vigia, manutenção preventiva e exercícios de emergência integrados à programação diária.

CONTEXTO HISTÓRICO: DA UNIÃO SOVIÉTICA À ALBÂNIA

Origem e Construção

O NO510 foi construído em um dos quatro estaleiros soviéticos dedicados ao Projeto 613, provavelmente no complexo de Krasnoye Sormovo em Gorky ou no estaleiro No. 444 em Nikolaev. Sua quilha foi batida no início da década de 1950, com comissionamento oficial em 1956, período de intensa expansão da frota submarina soviética.

Transferência e Apropriação pela Albânia (1960-1961)

Em 1960, no auge da cooperação militar entre Moscou e Tirana, duas unidades do Projeto 613 foram formalmente transferidas para a Marinha Albanesa como parte de um acordo de assistência técnica. O NO510 estava entre os submarinos destacados para a base de Pasha Liman, em Vlorë, com apoio logístico na estratégica Ilha Sazan.
Contudo, o rompimento político entre Nikita Khrushchev e Enver Hoxha em 1961 alterou drasticamente o cenário. Quando as forças soviéticas receberam ordens de evacuar a Albânia, quatro submarinos — incluindo o NO510 — foram deixados para trás. Relatos indicam que algumas unidades sofreram sabotagem por parte de suas tripulações soviéticas antes da partida, mas técnicos chineses posteriormente repararam os danos, permitindo o retorno ao serviço ativo em 1964.

Serviço na Marinha Albanesa

Sob a bandeira albanesa, o NO510 e seus irmãos de classe formaram a espinha dorsal da força submarina nacional por décadas. Operando principalmente em missões de defesa costeira, patrulha de águas territoriais e treinamento de tripulações, estas unidades mantiveram relevância estratégica em um contexto regional marcado por tensões com a Iugoslávia e a OTAN.
A frota albanesa de Whiskeys permaneceu operacional até o início dos anos 1990, quando restrições orçamentárias e obsolescência técnica levaram à desativação gradual. Três unidades foram vendidas como sucata, enquanto o destino do NO510 específico permanece objeto de pesquisa histórica, com possibilidade de preservação como navio-museu na base de Pasha Liman.

LEGADO TÉCNICO E INFLUÊNCIA

O Projeto 613 representou um marco na evolução dos submarinos convencionais, combinando simplicidade construtiva, confiabilidade operacional e versatilidade tática. Sua influência se estendeu além da União Soviética:
  • China: Produziu 21 unidades sob licença (Tipo 03/6603), estabelecendo as bases de sua indústria submarina
  • Indonésia, Egito, Polônia, Bulgária e Coreia do Norte: Operaram variantes da classe, adaptando-as às suas necessidades regionais
  • Inovações derivadas: Testes com mísseis de cruzeiro (Projetos 644 e 665), sistemas de radar avançados e configurações experimentais de propulsão
O NO510, em particular, simboliza a complexidade das alianças da Guerra Fria, onde equipamentos militares tornavam-se ativos políticos e a transferência de tecnologia podia alterar equilíbrios regionais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O submarino NO510 (1956/1960-1961) não foi apenas uma plataforma de combate, mas um testemunho material de uma era de transformações geopolíticas. Sua trajetória — da construção soviética à apropriação albanesa — reflete as dinâmicas de poder, cooperação e ruptura que definiram o século XX.
Tecnicamente, o Projeto 613 estabeleceu padrões de robustez e adaptabilidade que influenciaram gerações subsequentes de submarinos convencionais. Historicamente, o NO510 permanece como um símbolo da capacidade de nações menores de projetar poder naval através da aquisição estratégica de tecnologia militar.

Sua história convida à reflexão sobre o papel dos submarinos na dissuasão, na defesa costeira e na projeção de influência em águas contestadas — lições que permanecem relevantes na arquitetura de segurança marítima contemporânea.