quarta-feira, 3 de março de 2021

IMIGRAÇÃO ITALIANA EM MORRETES.

 



A Imigração Italiana em Morretes


MORRETES

Os fatos de Morretes fazem parte do primeiro capítulo da História do Paraná. De início, seus moradores foram aventureiros e mineradores paulistas (suas terras eram ricas em ouro e seus rios diamantíferos) os quais chegaram por volta de 1646.
Situada no litoral, numa grande várzea ao sopé do majestoso Marumbi, entre Paranaguá, Antonina e Curitiba; Morretes teve parte preponderante no desenvolvimento econômico da Província e, mais tarde, do Estado.


FUNDAÇÃO

Em 1721, o Ouvidor Rafael Pires Pardinho, por ordem de Sua Majestade Imperial, ordenou que a Câmara de Paranaguá medisse e demarcasse 300 braças em quadra, em lugar certo para servir de sede à futura povoação.
Em 31 de outubro de 1733, no então porto de Morretes, onde já existia João D'Almeida, que ficou sendo seu primeiro morador, foram demarcadas as 300 braças, tendo as autoridades parnanguaras nomeado como primeiro alcaide, o sr. Antonio José Garcia Homem. (Corografia do Paraná - Sebastião Paraná). No livro do Tombo de Paranaguá, folhas 156 em diante, encontra-se o auto de posse e medição que fizeram os oficiais da Câmara, de 300 braças de terras no porto de Morretes.
Em 5 de julho de 1767, o capitão Antonio Rodrigues de Carvalho e sua esposa Maria Gomes Setúbal, receberam autorização da Provisão para erigir uma capela em Morretes, tendo esta ficado pronta em 1769, com a denominação de "Nossa Senhora do Porto".
Mais tarde, em 29 de abril de 1812, a povoação foi elevada à freguesia, sob a mesma invocação, por ordem do Bispo de São Paulo, e a seguir, promovida à vila pela Lei Provincial n° 16 de São Paulo, em 10 de março de 1841. Assim referiu-se Antonio Vieira dos Santos no 1º Tomo de seu livro, às páginas 358 a 363.
Foi nesse ano que a legislatura da ilustrada Assembléia Legislativa Provincial liberou definitivamente pela Carta da Lei número 16 de 1º de março do mesmo ano e referendada pelo Presidente da Província, Rafael Tobias de Aguiar, de agraciar a Freguesia de Nossa Senhora do Porto de Morretes, no município de Antonina, com o honorífico título de Vila, desmembrando-se daquele município e ficando independente em seu governo administrativo.
Pela Lei n° 188 de 24 de maio de 1869, foi elevada à cidade, com a denominação de Nhundiaquara, nome do grande rio que a margeia, porém, por nova Lei n° 227 de 7 de abril de 1870, voltou a Ter seu primitivo nome - Morretes.
Devido a fama de suas terras ubérrimas, das suas riquezas no reino mineral e vegetal, a região atraiu muitos imigrantes que passaram por suas terras, mais tarde abandonando-as, como por exemplo um grupo de colonos e capitalistas norte americanos que fundaram o "Sítio Americano". Muitos foram as gentes de outros países (ingleses, franceses, sírios, etc.) que passaram por Morretes.
Mais tarde, por volta de 1872, chegou em massa a imigração italiana, fundando a Colônia Nova Itália com os seus diversos núcleos.
Os italianos aqui aportaram e encontraram um povo amigo e acolhedor que os recebeu de braços abertos. Aqui assentaram as suas primitivas vivendas, trabalharam de sol-a-sol, dispostos a lutar e a vencer.
Pesquisando este solo, passo a passo, buscaram o progresso próprio e o desta nação, aproveitando ao máximo a generosidade da terra, para Ter uma vida digna com o fruto do trabalho.
Hoje, os seus descendentes - filhos, netos, bisnetos e trinetos, brasileiros integrados no senso pátrio, estão espalhados por este Brasil. Aonde quer que se vá, encontraremos os descendentes daqueles imigrados que aqui chegaram, ansiosos por uma vida melhor, e a conseguiram. Hoje os vemos por toda a parte, exercendo as mais variadas funções e profissões na comunidade brasileira: políticos, administradores, artistas, professores, clérigos. Na medicina, no direito e na engenharia, na indústria e comércio, na lavoura, o nome italiano está sempre evidenciado na liderança representativa de uma etnia que se ajustou num caldeamento predestinado a um grande povo, o que nos leva a crer nos destinos deste nobre país.

A COLONIZAÇÃO ITALIANA NO PARANÁ

Em 1872, o empresário Savino Tripotti iniciou os preparativos para a fundação da Colônia Alexandra (fundada em fevereiro de 1872) quando chegou da Itália a primeira leva de imigrantes, com a galera Ana Pizzorno" e pelo navio "Liguria".
Muitos italianos que vieram, não se destinavam propriamente ao Paraná. Eram obrigados, muitas vezes, a interromper a viagem, quer pela beleza da paisagem tropical, quer por cansaço ou doença, ou para abreviar o sofrimento das crianças que adoeciam e morriam a bordo, entulhadas que eram nas terceiras classes ou porões de navios infectos, junto às caldeiras, iluminados por insuficiente luz artificial, sem que nem mesmo o vento do mar chegasse até eles para minorar o calor sufocante.
Devido ao balanço do navio, que jogava muito, a maioria enjoava e já no segundo dia de viagem não havia um lugar seco onde pisar; poças de vômito espalhavam-se por todo o lado.
Não bastasse isso, mais tarde, durante a travessia, combalidos, estranhando a comida a bordo que não era boa, sobrevinha a diarreia, e as mães que amamentavam perdiam o seu leite e, em consequência, as crianças pereciam.
Chegados em Paranaguá, eram alojados na Casa da Imigração, recebendo sua primeira alimentação em terra - aí, alguns tiveram a sua primeira decepção. Vendo sobre a mesa várias cuias de farinha de mandioca, avançaram para as mesmas, à voz de "formaggio, formaggio...", pois a muito não comiam queijo; mas de imediato cuspiram fora, sentindo que o gosto não se amoldara aos seus paladares (pensavam ser queijo ralado).
Da Casa da Imigração, eram encaminhados à Colônia Alexandra, correndo as despesas de hospedagem e o transporte, por conta do Governo da Província.
Ao chegarem os colonos nas áreas que lhes eram destinadas, viam logo que não era bem a sonhada terra que eles imaginavam. Muitos dos seus lotes ficavam em lugares ermos, praticamente inabitáveis. Alguns deles ficavam em terreno alagadiço, arenoso ou pedregoso, longe dos centros mais populosos como Morretes e Paranaguá, provocando desânimo na posse da nova terra.
Como ignoravam o rigor do clima, que era muito quente no litoral, e outros aspectos da ecologia da região, ainda mais, o desconhecimento de como prevenir e acautelar-se contra animais ferozes, ofídios e insetos, que em grande quantidade existiam no lugar, de como começar uma agricultura rápida, tudo isso, agravado pela inexperiência no idioma, sobrevinha para os menos fortes o total esmoreci mento que influiu negativamente no colono italiano.
Se isso não bastasse, sucediam-se os casos de doenças. Havia falta de médicos, e pelos altos preços que estes cobravam pelos seus trabalhos, eram pouco procurados.
Nos casos de emergência, apelavam para os curandeiros, charlatães que gozavam de grande prestígio entre a população nativa, não menos ignorante e supersticiosa.
Por esse tempo chegaram à Província mais 870 colonos italianos com destino a Alexandra, dirigida por Savino Tripotti.
Este, dizendo que estava sem recursos até para manter os antigos colonos, abandonou-os declarando que não tinha meios sequer para os primeiros suprimentos.
Por sua vez, os imigrantes recém-chegados declararam que tinham vindo iludidos e ao saberem do aperto porque estavam passando os seus patrícios, não quiseram absolutamente pertencer a Colônia Alexandra. Negaram-se a fazer parte da referida Colônia por vários motivos, e estas queixas e alegações provocaram os seguintes acontecimentos:
1º- Transferência de colonos de Alexandra para a Colônia Nova Itália, em Morretes.
2º- Criação de novos núcleos no planalto curitibano.
3º- Rescisão de contratos estabelecidos entre o Império e Empresários.
- Isso não impediu que novos empresários continuassem a introduzir italianos no Paraná.
Naquelas condições, as autoridades, de acordo com o Inspetor Geral da Colonização, resolveram transferi-los para Morretes, onde existiam terras férteis, próprias para todo o gênero de cultura.
Mas o descontentamento persistiu em Morretes, onde a precariedade dos caminhos era semelhante às dificuldades da Colonia Alexandra, e muitos colonos, em situação crítica, puseram-se em debandada. Enquanto isso, o Governo providenciava a medição de terrenos no planalto curitibano para a formação de novas colônias.
- Scnino Tripotti era natural de Teramo, no Abruzzo. Veio para a América fugido da justiça italiana, sendo mais tarde absolvido da acusação que lhe imputavam.

A DESERÇÃO

A Colônia Nova Itália começara a sofrer o êxodo, abundante nos seus primeiros tempos, a ponto de assustar as autoridades encarregadas da colonização, pressentindo estar em risco o êxito da iniciativa. Pensara-se então ser o clima, o maior fator do esvaziamento.
Além das condições climáticas que em parte contribuíram para afugentar os imigrantes, também, surtos mórbidos vitimavam os colonos.
Muito duvidoso era, então, acreditar-se que só o clima determinava a fuga de muitos para o planalto. Porém é sabido, que muitos deles, um dia, retornaram espontaneamente aos seus primitivos lotes da Colônia Nova Itália em Morretes.
Haviam colonos carpinteiros, pedreiros, canteiros, alfaiates, sapateiros, etc.
Muitos foram impelidos à construção da estrada de ferro Paranaguá-Curitiba (1881-1885), aproveitados principalmente no seu trecho mais difícil (Volta Grande à Roça Nova), onde demonstraram os seus conhecimentos de cavouqueiros, perfuradores de túneis, preparadores de minas, sendo nesses misteres muito eficientes.
Anteriormente, também trabalharam na estrada de rodagem Graciosa.
No livro n° 239 intitulado 'Livro de Contas de Colonos de Morretes - 1878', encontram-se nomes de imigrantes como: Lazarotto Pietro, Taverna Giacomo, Trevizan Giuseppe, Simioni Giovani, Mocelin Adamo, Mottin Giovani, Maschio Francesco e outros, aos quais o Governo Provincial creditava utensílios, ferramentas, alimentos e outros pertences úteis ao seu trabalho.
A procura de trabalho na estrada de ferro foi tão grande por parte do imigrante (Arquivo Público, Livro de Ofícios n° 16-1 880) que se fez disso um caso de polícia enfrentado pelas autoridades de Morretes, onde estavam os escritórios da companhia.
Em 10 de agosto de 1880, dirige-se o delegado de polícia Antonio Polidoro, ao Presidente da Província, solicitando o aumento do destacamento local: - "Invadida como se acha esta cidade (Morretes) por estrangeiros que procuram serviços na Estrada de Ferro".
Mais tarde, com a decadência da Colônia Cecília (anarquistas) localizada no município de Palmeira, os italianos, tendo perdido suas terras, dispersaram-se, e ficaram perambulando sem destino em busca de trabalho para que pudesses reconstruir suas vidas.
Na ocasião, a construção da estrada de ferro nos trechos de Restinga Seca à Palmeira e entre Palmeira e Lago, ofereceu a essa gente oportunidade de emprego, beneficiando tanto às obras quanto aos colonos, sendo esse trabalho assalariado a arrancada para uma vida melhor e estável, e o olvido de seus ideais anárquicos.
Inúmeros toparam o trabalho assalariado na estrada de ferro. Os do litoral, muitos deles subiram a serra junto com os trilhos e por lá ficaram. Os que permaneceram foram aos poucos se adaptando ao meio, adquirindo costumes locais e, em troca, introduzindo conhecimentos e costumes trazidos de sua longínqua terra de origem.
Em 1886, muitos italianos já possuíam títulos provisórios dos seus lotes, recebidos por autorização do Presidente da Província.
Pelos idos de 1885-1886, fundaram-se sociedades de imigração em Morretes e Porto de Cima, que muito concorreram para o bom êxito e o bom andamento dos núcleos. Colaboravam em tudo no sentido de dar pronto atendimento às colônias, revelando o cuidado pela instalação conveniente de novos imigrantes que chegavam à Província.
Sobressaiu-se nesse setor, a Sociedade de Imigração de Porto de Cima, a qual tinha por fim ocupar-se com tudo o que se inclinava a favorecer o aumento da imigração e o bem estar dos núcleos.


O SUCESSO

Souberam os colonos italianos, em poucos anos de permanência entre nós, conquistar a simpatia dos brasileiros com os quais passaram a viver na maior e melhor harmonia, pouco a pouco amalgamando-se, aprendendo o vernáculo, os seus costumes e unindo as duas raças parecidas através de matrimônio cruzado.
O jornalista italiano Alfredo Cusano, que esteve no Brasil durante cinco anos, publicou na Itália o seguinte depoimento (resumido) quanto ao estabelecimento de imigrantes italianos em nosso país:
"Itália Oltre Mare - Impressioni e Ricordi Dei Miei Cinque Ani di Brasile" (Milão, 1911).
Começando pelas colônias do município de Morretes, isto é: Sítio Grande, Porto de Cima, Alexandra, América, Rio do Pinto, Anhaia e outras que, como já frisei, são muito prósperas, encontramos por volta de uns quarenta que saíram da mediocridade para uma vida melhor.


Destes, três usufruem de uma verdadeira riqueza, porque o seu patrimônio oscila entre 200 mil liras a meio milhão, a saber:
Salvatore Scucato, vindo de Vicenza em 1888; a viúva Brambilla e Marcos Malucelli, o mais rico de todos, que produziu um engenho de cana de açúcar.


Doze possuem uma fortuna que varia de 80 a 150 mil liras, a saber:
Giuseppe Gnatta, de Vicenza; André Buzetti, Vicente Bettega. Bôrtolo Foltran, José Sanson e Benjamim Zilli, de Treviso; Alexandre Brandalize, de Belluno; Antonio Chierigatti, de Môntova; Antonio Pedinato, de Vicenza, e Antonio Consentino, de Cocenza.


Finalmente, vinte e cinco possuem de 50 a 80 mil liras, a saber: Júlio Vila Nova, Antonio Fruscolin, Luiz de Fiori, Antonio de Bona, Battista Citti, Ângelo de Rocco e Ângelo Ciscata, de Belluno; Antonio Robassa, Francisco Filipetti, Pedro Callegari, Luiz Tonetti, André Simon, José Dal' Col, Domingos Dall' Negro, Marcelino Meduna e Antonio Orreda, de Treviso; Antonio Dalcucchi, de Mântova; Pio Manosso, Ângelo Pilotto, José Fabris e Marcos Tosetto, de Vicenza.

E outros como: Valério, Turin, De Mio, Fante, Cherobin, Sotta, Ghignone, Fontana, Dall' Stella, Borsatto, Grandi, Piazza, Mazza, Gregorini, Bindo, Lati, Pontoni, Bacci, Madalozzo, Della Bianca, Pasquini, Gobbo, Zanardi, Canetti, Moro, Bavetti, Cavagnoíli, De Lay, Mori, Possiedi, Piovesan, Sundin, Miranda, Bertholdi, Bortholin, Triacchini (Triaquim), Curcio, Meneghetti, Contin, Cavogna, Bazzani, Grossi, Cavagnari, Brustolin, Belotto, Bergonse, Bertagnolli, Bortholuzzi, Carazzai, Carta, Casagrande, Cavalli, Cavallin, Cheminazzo, Chiarello, Zicarelli, Cini, Cit, Conte, Costa, Cusman, Dall' Ligna, Daí Lin, Dea, De Carli, De Paola, Dirienzo, Dotti, Ercole, Scarante, Favoretto, Comandulli, Ferrari, Ferrarini, Fraxino, Ferruci, Gabardo, Galli, Gaio, Gasparin, Grigoletto, Guzzoni, Jacomelli, Lazzarotto, Lucca, Lunardeli, Manfredini, Marchioratto, Marconsin, Marcon, Menin, Moreschi, Menegazzo, Molinari, Muraro, Nadalin, Nori, Olivetti, Orlandi, Panzolini, Pietrobom, Pilatti, Poletto, Possiedi, Ramina, Ramagnolli, Roncaglio, Rossetto, Rossi, Salvare, Santi, Savio, Scarpin, Scorzin, Scremin, Semionatto, Simeão, Sperandio, Sguário, Stocco, Stocchero, Strapasson, Talamini, Feltrin, Tessari, Giglio, Tosin, Tozetto, Tramontini, Trevisan, Trombini, Todeschini, Túllio, Valenti, Valenza, Vicentini, Volpato, Vardanega, Zalton, Zeni, Zem, Zampieri, Zanardini, Zanella, Zanetti, Zanier, Zanon, Zortea e muitos outros.

A COLÔNIA NOVA ITÁLIA

A Colônia Nova Itália foi fundada em 22 de abril de 1877, iniciada por imigrantes vênetos retirantes da Colônia Alexandra.
Era formada por 12 núcleos, num total de 610 lotes demarcados, mas com poucas casas construídas.
O município de Morretes contava com sete núcleos: América (de cima e de baixo), Sítio Grande, Sesmaria, Rio do Pinto, Anhaia, Rio Sagrado e N.S. do Porto.
O município de Porto de Cima com cinco núcleos: Marques, Ipiranga, Bananal, Cari e Esperança.
Em janeiro de 1878, época em que o Governo da Província designou o engenheiro André Braz Chalréo para dirigir a Colônia, a situação dos imigrantes era deplorável.
Mais de oitocentas famílias viviam em barracas ou casas alugadas, alimentando-se do que lhes fornecia o Governo (Romário Martins).
Numa de suas visitas, o Presidente da Província Dr. Rodrigo Otávio, a fim de examinar as colônias do litoral e, em particular, a Colônia Nova Itália, que mais chamava a atenção pelas queixas, encontrou-a em estado lastimável: os colonos quase na miséria, sem roupas, habitação apenas suportável, sem sementes para o plantio.
Estavam em completo desânimo; seus terrenos eram alagadiços e ruins.
As más condições da colonização fizeram com que muitos italianos solicitassem sua volta à terra de origem, ou transferência para outros países sul americanos, visto que todos os pedidos às autoridades provinciais eram negados, em virtude da falta de verbas.
Os mais velhos contavam a história de um italiano já de certa idade, que blasfemava contra este estado de coisas e desejava voltar a todo custo para sua terra natal, onde queria morrer. Dizia ele: "Questa sporca terra dei Brasile nom mi mangiara".
E não comeu mesmo, diziam os antigos, pois, ao ser exumado o seu corpo, ao final do período regulamentar, estava mumificado. Fez-se o desejo do italiano e a terra brasileira, também, o rejeitou!

AS REIVINDICAÇÕES

Quando da visita de S.M.I. D.Pedro II à Província do Paraná, no ano de 1880, os italianos residentes nas diversas colônias de Morretes aproveitaram a ocasião para bombardearem-lhe com requerimentos de diversos pedidos:
"Giacomo Arboit e outros, abaixo assinados, colonos moradores no núcleo Rio Sagrado, Colônia Nova Itália, solicitando ao Imperador que lhes mande fornecer a ferragem e mola para estabelecerem um moinho para preparar o milho preciso à sua alimentação". Morretes, junho de 1880.
"Alexandre Bridarolli e outros, abaixo assinados, de colonos do núcleo Sesmaria, solicitando cobertura de telhas para as suas pequenas casas que são precariamente cobertas de palha". Morretes, 3 de junho de 1880.
- "Os mesmos solicitando que lhes seja concedida passagem gratuita na balsa que comunica o caminho de Barreiros com a cidade ou melhor, que se arrecade o produto dessas assinaturas para favorecer a construção de uma ponte, sem o que procurarão estabelecer-se em outros núcleos assim favorecidos". Morretes, 3 de junho de 1880.
- "Giovani Tassi e outros, abaixo assinados, ao Imperador, residentes no núcleo Rio do Pinto, solicitando que se cumpra a promessa de serem cobertas de telhas as suas casas".
Morretes, 3 de junho de 1880.
- "Joseph Comei, sendo um dos primeiros colonos que se estabeleceram na colônia N.S.do Porto, solicita a V.M.I. que se digne manda abonar ao suplicante a alimentação a que tem direito, e cobrir de telhas sua casinha".
Morretes, 3 de junho de 1880.
- "Caterina Vollodel, colona moradora na colônia N. S. do Porto, lote número 27, suplicando a S.M.I., a graça de mandar para a sua companhia seu filho Pietro, a mulher e os três filhos que o Governo mandou para Santa Catarina, ficando assim inconsolável a suplicante sem saber o destino que tiveram".
Morretes, 2 de junho de 1988.
- Muitos dos requerimentos não tiveram o devido encaminhamento, e, se tiveram, alguns não foram agraciados com o respectivo despacho.

OS MALUCELLI
Certificado de batismo de Margherita Gobbo, em 28 de novembro de 1834. Paróquia de San Giorgio di Perlena.

Margaritha Gobbo Malucelli
Giovanni Malucelli - Pai (1825) e seus varões.

Irmãos Malucelli: Baptista, Lourenço, Antônio e Domingos. Filhos de Giovanni Malucelli  e Margherita Gobbo Malucelli.
João - Giovanni Malucelli (filho de Giovanni e Margherita Gobbo Malucelli), segundo da esquerda para direita.
Itália - aproximadamente, ano de 1911.









"Malucelli" é uma antiga e ilustre família originária da Toscana, de

onde se transferiu para Forli e inscrita na cidadania no ano de 1554 na pessoa de Nicoló Malucelli.
Em seguida, ao dividir-se em vários ramos, propagou-se em Gênova, Mântova, Ferrara e em outras regiões da Península Itálica.
Em todos esses lugares foi grandemente considerada e seus membros sempre esforçaram-se para fazê-la célebre, distinguindo-se em qualquer campo de atividade e sabedoria.
GIOVANNI MALUCELLI - Era filho de Marcantonio Malucelli e Giustina Guidolin.
Empolgado com as vantagens que o Brasil oferecia para a colonização, apesar de viver bem, relativamente abastado, tudo deixou na Itália e emigrou para o Brasil em 9 de janeiro de 1877, chegando em Paranaguá no dia 1º de abril do mesmo ano.
Ao chegar ao seu destino, Giovanni viu que tudo, ou quase tudo, foi um engodo tremendo! Isso foi sua primeira impressão.
Tinha 52 anos de idade quando chegou; estatura mediana, barba, cabelos e sobrancelhas grisalhos, olhos azulados. O lugar de seu nascimento, na Itália, foi Fara Vicentina, Parochia de S. Giorgio de Perlena (Comuna de Dueville, Província de Vicenza).
Foi casado na Itália em primeira núpcias com Corona Marchioretto e em segunda núpcias com Margarida Gobbo, também nascida em Fara Vicentina, no dia 28 de novembro de 1834, filho de Gio Batta Gobbo e Lúcia Galvan.
Após um ano de Brasil, Giovanni faleceu vítima de maleita em Alexandra, onde primitivamente se instalou a família.
Margarida ficou só, com oito filhos menores para acabar de criar.
Vivendo em lugar ermo, insalubre, de comunicação precária, longe dos centros maiores como Morretes e Paranaguá, sem recursos mínimos, sem estradas, pelo menos carroçáveis, pois assim era Alexandra naquele tempo, resolveu transferir-se para Morretes, estabelecendo-se no Sítio Grande, onde comprou o lote n° 5 da Colônia Nova Itália.
Mulher de coragem, com heróica tenacidade e com a ajuda dos filhos mais velhos, conseguiu estabelecer-se, educar e encaminhar toda a prole. Eram oito os seus filhos, todos nascidos em Comuna Dueville, Província de Vicenza na Itália:
- MARCO ANTONIO:  Veio com 17 anos. Casou no Brasil com Josefina Taverna e teve os seguintes filhos: Amália, Maria da Trindade (Maricota) e Vitório.
- GIUSTINA:  Veio com 15 anos. Casou no Brasil com Marcos Tozetto. Teve os seguintes filhos: José, Antonio, João, Marcos, Pedro, Batista, Ângelo e Domingos.
- GIO BATTA (GIOVANNI BAPTISTA): Veio com 13 anos. Casou com Catarina Pizzatto em primeira núpcias e em segundo matrimônio com Ester Meduna, tendo os seguintes filhos: João Batista, Angelina, Lúcia, Marcos, Vicente, Emílio, Benjamim, Marina, Itália e Maria Cândida.
- LÚCIA:  Veio com 11 anos. Casou com Fortunato Canetti e teve os seguintes filhos: Caetano e Domingos.
- LORENZO:  Veio com 9 anos. Casou com Rosa Valério e teve 9 filhos: Josefina, João Lourenço, Máximo, Vitor, Stella, Olímpio, Lourenço, Margarida e Orlanda.
- GIO (GIOVANNI-JOÃO):  Veio com 6 anos e casou com Maria Sotta, tendo os seguintes filhos: Marieta, Sebastião, Margarida, Humberto, Aquiles, Alfredo, Donaide, João, Mafalda, Madalena e José.
- ANTÔNIO:  Chegou com 3 anos. Casou com Rosa Zilli e teve os seguintes filhos: João Antonio, Madalena, Margarida, Luís, Maria, Marcos Antonio, Antonio Júnior, Idália, Itália, Benjamim Antonio, Rosa e Pedro.
- DOMÊNICO: Veio com 1 ano. Casou-se com Cândida Meduna e teve 9 filhos: Batista, Vicente, Olindo, Angelita, Narcizo, Amália, Leonel, Letícia e Matilde.
De Domênico (Domingos) e Margarida, os filhos:
- Batista, faleceu solteiro
- Vicente, casou-se com Palmira Smaniotto
- Olindo, casou-se em primeira núpcias com Eutália e em segunda núpcias com Dona Quita.
- Angelita, casou-se com José Cherobim
- Narcizo, casou-se com Helvídia Hauagge
- Amália, casou-se com Roberto Brustolin
- Leonel, casou-se com Ana Hilbert
- Letícia, casou-se com Léo Hunzicker
- Matilde, casou-se com Aldo Moraes
Apesar dos percalços, na base do trabalho árduo, Margarida sozinha enfrentou a responsabilidade de criar os oito filhos. Trabalhava de sol-a-sol no seu lote do Sítio Grande.
Com a construção da estrada de ferro, viu aparecer a oportunidade de ganhar um dinheiro extra. Empregou seus filhos mais velhos na construção da estrada, onde pagavam muito bem.
Marco Antonio, nos seus 18 anos, logo galgou promoções, pois se entendia melhor na língua de alguns engenheiros que eram de nacionalidade italiana, servindo como auxiliar do engenheiro Antonio Ferrucci.
Como eram muito econômicos (sendo esta uma característica de quase todo o italiano, tido que era como "pão-duro"), formaram o seu capital, suficiente, para tomarem conta do Engenho Central de Morretes que, por esse tempo, estava em decadência e já tinha passado de mão em mão.
Assim, foram ampliando suas atividades. A família prosperou gradativamente, quer na agricultura e pecuária, depois na indústria, comércio, etc.
Hoje, no clã dos Malucelli existem industriais, comerciantes, economistas, médicos, engenheiros, dentistas, advogados, agrônomos, militares, professores, magistrados, químicos, etc.
OBS: A família Malucelli está inscrita no Livro de Ouro do antigo Ducado de Ferrara e, por isso, os atuais legítimos e naturais descendentes podem reivindicar , através da reconstrução da árvore genealógica da própria família o título de NOBRE FERRARESE.






"FAMÍLIA MALUCELLI DESDE 1743"

"ÁRVORE GENEALÓGICA DA FAMÍLIA MALUCELLI"

1ª Geração: considerando a data de casamento de Marco e Maddalena, 30/04/1743:
- MARCO MALUCELLI (Pentavô de Marcos Triaquim Malucelli) e MADDALENA GNATA, casaram em FARA no dia 30/04/1743.
- Tiveram um filho de nome "LORENZO", nascido em FARA no dia 27/01/1749.

2ª Geração:
- LORENZO (Tataravô/Tetravô de Marcos Triaquim Malucelli) casou-se com Maria Maddalena Zan, em FARA no dia 22/02/1781, e faleceu em San Giorgio de Perlena, no dia 22/02/1815, exatamente no dia em que iria completar 34 anos de casado.
- LORENZO e MARIA MADDALENA, tiveram 4 filhos:
- MARCO ANTONIO (Trisavô de Marcos Triaquim Malucelli), nasceu em Fara Vicentina, no dia 04/08/1785, e faleceu em 04/05/1837, em San Giorgio de Perlena.
- VALENTINO, nasceu em Fara Vicentina, no dia 17/02/1792, e faleceu no dia 04/07/1874, em San Giorgio de Perlena.
- MADDALENA, nasceu em Fara Vicentina, no dia 25/08/1782.
- PAOLA, nasceu em Fara Vicentina, no dia 22/03/1783.

3ª Geração:
- MARCO ANTONIO (Trisavô de Marcos Triaquim Malucelli), casou-se com Giustina Guidolin, em Breganze, no dia 28/02/1810, e tiveram 6 filhos:
- LORENZO (Bisavô de Marcos Triaquim Malucelli), nasceu em San Giorgio de Perlena, no dia 19/03/1811.
- GIOVANNI BATISTA, nasceu em San Giorgio de Perlena, no dia 22/07/1813, faleceu em 15/09/1815.
- MARIA MADDALENA, nasceu em San Giorgio de Perlena, no dia 23/06/1816.
- MARIA, nasceu em San Giorgio de Perlena, no dia 25/10/1819, e faleceu em 16/07/1820.
- MARIA TERESA, nasceu em San Giorgio de Perlena, no dia 04/07/1822
- GIOVANNI (Tio/bisavô de Marcos Triaquim Malucelli), nasceu em San Giorgio de Perlena, no dia 30/07/1825.

- Pelo que se sabe, apenas os dois irmãos "LORENZO" e "GIOVANNI" sobreviveram, casaram e constituíram família:
OBS:- NESSA COLETÂNEA NÃO ESTÁ INSERIDA A CONSTITUIÇÃO/SEGMENTO DA FAMÍLIA DE GIOVANNI MALUCELLI, nascido no dia 30/07/1825.

4ª Geração:
- LORENZO (Bisavô de Marcos Triaquim Malucelli), casou-se com Caterina Marchioretto, em Mason Vicentino, no dia 15/02/1844; Caterina era filha de Domênico e Anna Bidese, nasceu no dia 07/08/1812 e faleceu em 29/08/1854, era natural de Mason Vicentino.
- LORENZO e CATERINA (Bisavós de Marcos Triaquim Malucelli), tiveram 4 filhos, todos nascidos em San Giorgio de Perlena:
- MARCO, nascido no dia 14/12/1844, casou-se com Anna De Bassi, e faleceu em Morretes/Pr/Brasil, no dia 25/06/1905, não deixaram filhos.
- DOMÊNICO, nasceu no dia 07/10/1849, e faleceu em 14/01/1850, na Itália.
- DOMÊNICO, (Avô de Marcos Triaquim Malucelli), nasceu no dia 12/02/1851, casou-se com Margherita Filippi, e faleceu em Morretes/Pr/Brasil, deixaram seis filhos.
- GIUSTINA, nasceu no dia 13/07/1852, e faleceu no dia 07/06/1854, na Itália.

5ª Geração:
- DOMÊNICO MALUCELLI e MARGHERITA FILIPPI (Avós de Marcos Triaquim Malucelli), tiveram seis filhos, a saber:
- LORENZO, nascido na Itália, San Giorgio de Perlena, dia 25/06/1878 (Pai de Marcos Triaquim Malucelli).
- MARIETA, nascida em Morretes/Pr/Brasil, e casou-se com JOSÉ COELHO.
- CATINA, nascida em Morretes/Pr/Brasil, e casou-se com AUGUSTO TIRONE.
- ANGELA, nascida em Morretes/Pr/Brasil, e casou-se com FRANCISCO "Português".
- ANNA, nascida em Morretes/Pr/Brasil, e casou-se com JOSÉ ROSA.
- FREDERICO, nascido em Morretes/Pr/Brasil, e que faleceu solteiro, com 33 anos.

A seguir: "PAI/MÃE DE MARCOS TRIAQUIM MALUCELLI"

6ª Geração:
- LORENZO, casou-se em Morretes/Pr/Brasil, com LUIZA TRIAQUIM, e tiveram dois filhos: Marcos Triaquim Malucelli e Maria Malucelli (mariquinha).

7ª Geração:
- MARCOS TRIAQUIM MALUCELLI, nasceu em Morretes/Pr/Brasil, no dia 21/11/1901, casou-se com THEREZA DE OLIVEIRA, Thereza faleceu no ano de 1954, e Marcos faleceu no dia 10/06/1988.

- MARCOS TRIAQUIM MALUCELLI e THEREZA DE OLIVEIRA, tiveram seis filhos, a saber: Lourenço Euclides, Jorge Luiz, Maria Luiza, Alfredo Augusto, Maria de Lourdes e HELENA (mãe de Marcos Pereira).

Agradecimento: Pequisa/coletânea até a 7ª geração: Jorge Luiz Malucelli (Jorginho).

A seguir: Complementos efetuados por Marcos Pereira (neto de Marcos Triaquim Malucelli).

8ª Geração:
- LOURENÇO EUCLIDES, casou-se com Ignês Menin, e tiveram 3 filhos: Lourenço Euclides Malucelli Filho(Cidinho), Denise e Débora.
- JORGE LUIZ, casou-se com Therezinha Thomaz, e tiveram 4 filhos: Marcos Augusto, Tânia Mara, Sérgio Luiz e Zuleica do Rocio.
- MARIA LUIZA, casou-se com Romeu Manosso, e tiveram 3 filhos: Elizabeth, Marco Antônio e Rodrigo.
- ALFREDO AUGUSTO, casou-se com Zely, e tiveram 4 filhos: Maurício, Marcelo, Isabela e Márcio.
- MARIA DE LOURDES, casou-se com Manoelino Pinheiro, e tiveram 3 filhas: Rita de Cássia, Maria José e Regina.
- HELENA MALUCELLI, casou-se com ANTONIO PEREIRA, e tiveram 4 filhos: José Maria, Antonio Marcos ( leia-se: Marcos Pereira, administrador do blog), Vera Lúcia e Silvia Tereza (falecida).

- MARIA (irmã de Marcos Triaquim Malucelli), nasceu em Morretes/Pr/Brasil, casou-se em primeira núpcias com BENEDITO AIROSA, e tiveram um filho de nome João Lourenço ("Joanito"). Em segunda núpcias casou-se com JOÃO BIUDES, e tiveram 7 filhos, a saber: Maria Leonir, Leonéia de Lourdes, Luís Francisco, Leonice Terezinha, Luiza Oneide, José Alfeu e Luci Valderez.

Marcos Triaquim Malucelli e sua bisneta Fernanda Karolina, filha de Marcos Pereira - 1986.
RESUMO:
Relação de Marcos Triaquim Malucelli com seus ancestrais desde o ano de 1743, a saber:
Marcos Triaquim Malucelli, nascido em 21/11/1901 (Morretes), falecido em 10/06/1988, casou com Thereza de Oliveira, nascida em 05/10/1906, falecida em 08/05/1954.
a) Pentavô: Marco Malucelli, (data de nascimento ausente), casou com Maddalena Gnatta em 30/04/1743;
b) Tetravô ou Tataravô: Lorenzo Malucelli, nascido em 27/01/1749, casou com Maria Maddalena Zan em 22/02/1781;
c) Trisavô: Marco Antônio Malucelli, nascido em 04/08/1785, casou com Giustina Guidolin em 28/02/1810;
d) Bisavô: Lorenzo Malucelli, nascido em 07/08/1812, casou com Caterina Marchioretto em 15/02/1844;
e) Avô: Domênico (Domingos) Malucelli, nascido em 12/02/1851, casou com Margherita Filippi;
f) Pai: Lorenzo Malucelli, nascido em 25/06/1878, casou com Luiza Triaquim em 22/09/1900, em Morretes. Luiza, mãe de Marcos Triaquim Malucelli, nasceu em 06/11/1878 e faleceu em 05/01/1971.




 

Publicado no facebook por Rodrigo Hjort.























MARGARIDA - A matriarca

Margarida Gobbo Maluceli, quando viúva, mandou vir da Itália para o Brasil os seus sobrinhos Marco e Domênico, os quais eram filhos de um irmão de Giovanni, seu marido.
Ambos eram casados. Marco com Ana de Bassi, e Domênico com Margherita Fellippi. Estes tinham um filho que se chamava Lourenzo.
Imigraram para o Brasil em 3 de novembro de 1880. Todos eram naturais de Fara Vicentina, Comuna de Dueville, Parochia de S. Giorgio de Perlena.
No Brasil, Domênico e Margherita tiveram outros filhos:
- Marieta: que se casou com José Coelho;
- Catina: que se casou com Augusto Tirone;
- Ângela: que se casou com Francisco (português);
- Ana: que se casou com José Rosa;
- Frederico: que faleceu solteiro.
- Lourenzo, o que veio da Itália, casou no Brasil com Luiza Triaquim.
O casal Marco e Ana não tiveram descendência.

No Arquivo Público de Paranaguá, existe um documento, aliás, um requerimento de Margarida Gobbo Malucelli, nos seguintes termos:

"Senhor,
Diz Malucelli Margarida, viúva, com oito filhos, sendo o mais velho com 17 anos, moradores no lote n° 5 do Sítio Grande da Colônia de Nova Itália que, tendo na Itália, Província de Vicenza, Comuna de Dueville, distrito de Vicenza, dois filhos, que por falta de meios de transporte não vieram em companhia da suplicante, nem tem podido vir pela...(ilegível)... vem a suplicante à presença de S.M.I. suplicar a graça de lhe mandar vir estes dois seus filhos (o grifo é nosso) por conta do Estado que aqui não somente lhes serão úteis a Colônia como à suplicante e a seus filhos menores, ajudando a criá-los.
A suplicante espera de V.M.I. a graça pedida e mercê.
Morretes, 3 de junho de 1880.
(a rogo da suplicante)
a) Pizzatto João"

Como vemos, Margarida refere-se neste requerimento ao Imperador, a dois filhos que ficaram na Itália. Mas, sabemos que Giovanni e Margarida, quando vieram para o Brasil trouxeram todos os seus oito filhos, e que Giovanni, do primeiro matrimônio, teve dois filhos que morreram um pouco antes da sua primeira esposa.
Conclui-se daí, que para reforçar o pedido a S.M.I., no intuito de despertar ainda mais a bondade de D. Pedro II, Margarida trocou a expressão sobrinhos por filhos, para melhor sensibilizar o coração magnânimo de Sua Majestade. Mais do que certo, ela foi atendida, pois que seus sobrinhos chegaram ao Brasil com suas respectivas esposas em novembro de 1880, exatamente 5 meses depois de seu requerimento.
Notamos também, que Margarida não sabia escrever, caso contrário teria assinado o seu requerimento, o que foi feito, a rogo, por João Pizzatto. (Muitos colonos que vieram naquela época ao Brasil não eram alfabetizados).
                                               
MARCOS MALUCELLI

Filho mais velho de Giovanni e Margarida Malucelli, ficou órfão de pai, vítima de maleita, 1 ano após sua chegada ao Brasil.
Sua mãe, assumindo a responsabilidade da família, enfrentou com coragem e denodo a vida, trabalhando de sol-a-sol, a fim de educar e criar sua prole.
Marcos, que era forte e trabalhador, ainda adolescente, sentiu que parte dessa responsabilidade também lhe incumbia. Com o alvorecer da estrada de ferro, achou ele ser a oportunidade de ajudar a família, empregando-se como operário na construção da mesma.
Como falava a língua italiana, melhor se entendia com os engenheiros italianos, e por ser forte e ativo, logo foi requisitado para "auxiliar imediato" do engenheiro Ferruci.
Assim foi galgando postos e vantagens, melhorando sua condição de empregado assalariado. Passado a correria da construção da estrada, voltou Marcos ao convívio dos seus.
No decorrer desse tempo, com grande luta e muita economia, formaram o capital suficiente para tomar conta do Engenho Central de Morretes que, nessa época, estava em decadência sob domínio dos proprietários anteriores.
Nas mãos dos irmãos Malucelli, o engenho prosperou, e apar dessa atividade, foram ampliando suas aptidões na agricultura, pecuária e depois na indústria e comércio, onde Marcos destacou-se pela retidão de sua personalidade, tornando-se um elemento de grande projeção na sociedade morretense.
O escritor Alfredo Cusano, que esteve no Brasil por 5 anos, publicou na Itália (Milão, 1911) "Itcãia Oltre Mare - Impressioni i ricordi dei miei chique anni di Brasile".
Escrevendo sobre as colônias italianas localizadas em Morretes e sobre os colonos que usufruíam já de alguma riqueza, citou o seguinte: ..."Marcos Malucelli como o mais rico de todos, o qual possuia um patrimônio de 200 mil liras a meio milhão, e que o mesmo já era proprietário de um engenho de cana de açúcar".
Sabedor dessas qualidades, o coronel Rómulo José Pereira, político líder do lugar, homem público de grande experiência, que foi prefeituo de Morretes por 17 anos, isto é, até o fim dos seus dias, convocou-o para as hostes do Partido Republicano então dominante naquela época. Não é preciso dizer, mas a totalidade dos italianos e seus descendentes ítalo-brasileiros, correram a engrossar as fileiras do Partido Republicano.
Foi elevado ao cargo de Vereador, depois Presidente da Câmara, cargo que exerceu até sua morte em 1927, tendo deixado atrás de sí um grande acervo de serviços prestados à comunidade em que viveu.
Marco Antonio (esse era seu nome), casou no Brasil em Morretes com Josefina Taverna e teve 3 filhos:
- AMÁLIA, que se casou com Dante de Paola
- MARIA DA TRINDADE (Maricota), que se casou com Adalberto Villanova
- VITORIO, que se casou com Constança Carias
Foram seus irmãos, todos nascidos na Itália: Justina, João Batista, Lúcia, Lourenço, João, Antonio e Domingos.


O ENGENHO CENTRAL



Sendo a indústria açucareira a fonte primordial da economia brasileira, na época, incentivados pelos poderes públicos, surgiram os Engenhos Centrais, utilizando tecnologia francesa adaptada às condições locais pela capacidade do brasileiro.
Ergueram-se então Engenhos Centrais no Nordeste, Recôncavo Baiano, Rio de Janeiro e em Morretes, entre os anos de 1875 a 1877, de acordo com os Decretos Legislativos que a cada um criava.
O decreto de concessão n° 6.639 de 31 de julho de 1877 criou o Engenho Central de Morretes, esclarecendo que o mesmo devia ser construído"mediante emprego de aparelhagem e processos dos mais modernos e aperfeiçoados".
Estes engenhos comemoraram os seus centenários, de acordo com as datas de fundação, entre 1875 e 1877, o que não aconteceu com o de Morretes, que poderia ter comemorado os seus 100 anos em 1977, mas, infelizmente, não subsistiu, decaindo cada vez mais até a sua desativação completa.
O lugar escolhido para a montagem e funcionamento foi a Colônia Nova Itália. O capital garantido pelo Poder Público foi o de 100:000$000 (cem contos de réis) e a capacidade mínima de moagem diária deveria atingir 100 toneladas de cana, com produção anual de 150 toneladas de açúcar ou aguardente.
Muito contribuiu para isso o período presidencial do Dr. Adolfo de Lamenha Lins que, mesmo quando se viu fora do governo da Província, permaneceu ainda no Paraná como Inspetor Especial de Terras e Colonização.
Graças a essa continuidade, ganhou então o Paraná o seu Engenho Central e por força da Lei que o concedeu, teria que funcionar dentro da Colônia Nova Itália, constituindo-se para esta em elemento de apoio e sustentação.
Começou a funcionar em 2 de junho de 1878, com matéria prima fornecida pelos colonos da Colônia Nova Itália.
Em 29 de abril de 1897, vinte colonos do Núcleo Nossa Senhora do Porto alegaram: "tendo boa plantação de cana de açúcar para a colheita que se aproxima e não lhes convindo vendê-la ao Engenho Central desta cidade pelo preço baixo por que o sue proprietário deseja comprar, e mesmo porque a condução é bastante distante, cujo frete absorverá a maior parte do lucro e existindo um engenho no centro da Colônia, que muito bem se presta para que nele os suplicantes façam a safra deste ano e dos que se seguirem". (Requerimento às autoridades locais).
Outros colonos do Núcleo Bananal, pelos mesmos motivos, pediram para construir um engenho de aguardente. Assim, outros mais seguiram o exemplo de seus compatriotas. Desta maneira, surgiram os pequenos engenhos de alguns imigrantes já em situaçãofmanccira razoável, que vieram somar-se aos engenhos nacionais existentes na região.
Como resultado da inevitável decadência que se abatia sobre o Engenho Central, passando de mão em mão após a morte dos seus primeiros dirigentes, Horácio Ricardo dos Santos em 1884 e de Antonio Ricardo dos Santos em 1888, entra em ação a tendência empreendedora do italiano da Colônia Nova Itália.
Finalmente foi parar nas mãos da família Malucelli, dirigido pela extraordinária viúva Margarida Malucelli e seus filhos. Daí para frente, houve uma grande época de trabalho e prosperidade para a família Malucelli e para o município de Morretes.

OS DE BONA

Os irmãos Antonio e Arcângelo De Bona vieram para o Brasil seguindo o mesmo caminho usado pelos seus compatriotas, isto é, desembarcando em Paranaguá com uma das levas imigratórias no final do século passado.
Antonio tinha 20 anos de idade a Arcângelo era um pouco mais jovem. Eram naturais de Igne de Longarone na Itália, chegando eles até Morretes pelo Porto de Barreiros, subindo o rio Nhundiaquara até chegar ao destino previamente almejado.
Eram operários especializados, como outros italianos que vieram naquela época.
Não se adaptando na lavoura, aproveitaram a oportunidade que lhes oferecia a construção da estrada de ferro Paranaguá-Curitiba que estava a se iniciar, trabalhando na construção de pontes.
Terminado o serviço de construção da estrada e já tendo os dois amealhado um bom dinheiro, fruto de suas economias, estabeleceram-se em Curitiba, na rua Voluntários da Pátria, com oficina de carpintaria. Diversificaram o ofício, quer na confecção de carruagens que, naquele tempo, era o meio de transporte mais usado, quer na confecção de moinhos para café, milho, etc.
Ambos casaram em Curitiba, tendo Antonio perdido a esposa ao dar à luz ao primeiro filho. Desgostoso com o sucedido, resolveu Antonio voltar a Morretes, montando uma oficina para fabrico de alambiques de cobre, muito procurados pelos industriais que, na época, começavam a montar os seus próprios engenhos para a fabricação de aguardente.
Como a agricultura da cana de açúcar era florescente, multiplicaram-se os engenhos no município e o negócio de Antonio prosperou.
Casou-se em, em segundas núpcias, com Cesira Bertazzoni, também filha de imigrantes italianos, agricultores estabelecidos no Núcleo Capituva em Morretes.
O casamento religioso foi realizado na Matriz de N. S. do Porto e o civil na casa do Juiz Dr. Artur Heráclio Gomes, servindo como testemunhas os senhores Pedro Brambilla e José Scremin.
O casal teve seis filhos, dentro os quais, a musa caprichosa quis aquinhoar um dos rebentos, transformando-o num grande mestre da pintura de fama internacional - Theodoro De Bona.


THEODORO DE BONA
Theodoro De Bona
Nasceu Theodoro De Bona na madrugada de 11 de junho de 1904, em Morretes, num velho casarão, situado na estrada do Anhaia, próximo à cidade.
O pequeno Theodoro teve uma infância simples e normal, como quase todos os garotos da sua idade e vizinhança. Em sua casa, quando criança, nunca ouvira falar em arte, nunca sequer vira mesmo alguém pintar. Diz-se-ia que ele foi um predestinado na arte em que, mais tarde, haveria de se revelar.
Seria, por assim dizer, que a paisagem luxuriante e tropical de Morretes, com sem Marumbi sobranceiro, viesse a influir no menino - com os reflexos da luz do sol ao nascer esparramando-se pelo casario, refletindo-se nas torres das igrejas e, sobretudo, no imponente Marumbi.
Diga-se, outrossim, que a mesma magia refletia-se à tarde, quando o sol descambava seus derradeiros rais por detrás da montanha, num belíssimo "tramonto".
Certamente, estas impressões - luzes, cores, o céu, as serras cresceram com ele, perdurando na sua retina por toda a vida.
Suas primeiras letras foram no Colégio de Freiras Francesas, em Morretes, (hoje Colégio N.S. de Lourdes, em Curitiba) passando depois a frequentar o Grupo Escolar do Município.
Mais tarde foi enviado para Curitiba, onde passou a estudar no Colégio Bom Jesus, dos padres franciscanos, conforme o desejo do pai.
Foi aí que, praticamente, começaram os primeiros conhecimentos de desenho do pintor em potencial.
O professor alemão, vendo que o menino levava jeito para a arte, indicou dona Gina Bianchi para que lhe ministrasse aulas de pintura. Por esse tempo, Theodoro já morava com seu tio Arcângelo, pois, com 13 anos teve a má sorte de perder a sua mãe, e um ano depois, o seu pai.
Em consequência, seu irmão mais velho que tinha 18 anos, assumiu a tutela dos seis irmãos menores e a direção do pequeno engenho de aguardente deixado pelo pai, em Morretes.
Depois de dona Gina, ainda teve aulas com a pintora italiana Ercília Cecchi. Todas elas ensinavam na base da cópia de estampas, muito bonitas mas medíocres, todas de paisagens estrangeiras.
Mais tarde, aconselhado por um amigo pintor - Ghelfi - procurou o grande mestre da pintura paranaense, Andersen, freqüentando sua Escola entre os anos de 1922 a 1926.
O tempo em que De Bona estudou na Escola Andersen foi de grande aproveitamento. Com tenacidade, procurava no aprendizado sério, o aperfeiçoamento cada vez mais puro das suas aptidões artísticas, que o predestinavam a um grande futuro nas artes plásticas.
Em 1927 já começava a expor seus trabalhos nas vitrinas da rua 15, fazendo sua primeira exposição, composta de vinte e seis telas, no saguão do antigo cinema Mignon, chamando assim a atenção de críticos e autoridades.
Por seus méritos, obteve subvenção do Estado do Paraná, pela pessoa do seu Presidente Caetano Munhoz da Rocha e, também, da sua terra natal, Morretes, quando prefeito o senhor Luís Brambilla que, como ele, era filho de imigrantes italianos.
Embora o dinheiro mal bastasse para sua manutenção, lá seu foi Theodoro para a Europa. Na Itália, optou por Veneza, a "Meca"dos artistas plásticos do mundo, atraído pela sua famosa Academia.
Estudou com grandes mestres como Vicenzo de Stefani, Ettore Tito, Alexandre Milesi (grande pintor de retratos), tendo já no verão seguinte, 1928, sido aceito com dois quadros no salão oficial dos artistas venezianos, o mesmo acontecendo no salão de 1929.
Em 1930, teve a ventura de ser aceito na grande Bienal Internacional de Arte Moderna com o quadro "Grande Canal", sendo na ocasião apresentado ao Rei da Itália. Figurou ainda em 1931, 32, 33, 34 e 1935.
Ainda em 1930, teve adquirido oficialmente o seu trabalho "Neve em Veneza" pela prefeitura de Veneza, para a galeria de Arte Moderna. Em 1931, "Paese Sotto la Neve", adquirido com a verba do Rei da Itália. Em 1932, "Ponte Vidor", adquirido também com a verba do Rei da Itália.
Em 1935, participou com o quadro "Zattere"na Exposição Comemorativa da Bienal Internacional, sendo o mesmo adquirido, oficialmente, pela Prefeitura de Veneza.
Nesse mesmo ano, tomou parte na Exposição de Pintores Latino-Americanos organizada pela Prefeitura de Roma, com três trabalhos.
Na Exposição Internacional de Florença, compareceu com 'Paisagem Veneziana"que foi produzido em jornais de Roma e Turin, otimamente recebido pela crítica especializada.
Quando estourou a 2ª Guerra Mundial, tornou-se precarríssima a sobrevivência do pintor Theodoro De Bona na Europa. Já em tempos normais, a vida de um artista em terra estranha é penosa, e mais árdua ainda se tornou para ele, obrigando-o, como todo o pintor mais afamado que fosse, a realizar telas mais a gosto do público.
Foi o que fez o nosso De Bona. Pintou na Academia uma série de estudos nus, vendendo-os todos por algumas liras e garantindo assim a sua subsistência.
Levou sorte, o artista. Apareceram-lhe convites para retratos e painéis para igrejas, chegando mesmo ao ponto de poder manter-se dois meses em Paris, aproveitando para estudar os impressionistas franceses.
Quando de volta a Veneza, recebeu do Brasil encomenda para pintar para o Museu David Carneiro a "Morte do General Carneiro no Cerco da Lapa", cuja tela acha-se hoje no referido Museu.
Em 1944, já de volta ao Brasil, casou-se com a sobrinha de seu grande amigo escultor João Turin, Argentina, passando ela a fazer parte da vida artística do marido em toda a sua plenitude.
A belíssima "Via Sacra", conjunto de 14 telas, a única pintada por pintor famoso que se tem notícia, doou ele à Matriz N. S. do Porto de Morretes,. Sua terra natal e onde foi coroinha.
O dito conjunto é motivo de perenes romarias de turistas e povo em geral, que buscam conhecer o belo trabalho artístico deste genial pintor - Theodoro De Bona. Inclusive em uma das telas ele fez seu auto-retrato e em outra retratou o Padre Walter, que foi pároco de Morretes por um longo tempo.
Faleceu Theodoro De Bona em 20 de setembro de 1990, deixando uma imensa lacuna nas artes paranaenses. Deixou viúva a senhora Argentina Turin De Bona, e as filhas:
- GIOCONDA, casada com o senhor Aquiles Morais;
- IRACEMA, casada com o senhor Gilberto Foltran.
"Irmãos De Bona" - foto de 1970, em Curitiba. 
(faltando Santos, o mais velho).

Marcos Luiz, Antônio, Theodoro, Maria e Thereza.




















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JOÃO TURIN
João Zanin Turin
Nasceu João Zanin Turin em 21 de setembro de 1885 na vila de Porto de Cima, em Morretes, Estado do Paraná-Brasil.
Era filho de João Batista Turin e de Maria Zanin Turin, imigrantes italianos, há pouco chegados ao Brasil pelo Porto de Paranaguá.
Muito jovem ainda, levado pela premência de aprender um ofício que lhe desse uma profissão estável futura e levando em consideração a sua facilidade em esculpir figuras em madeira, entrou Turin como aprendiz de entalhador numa oficina de móveis, das muitas que existiam em Curitiba. Logo nos primeiros dias de trabalho, foi observada sua grande queda para a arte das formas.
Aconselhado por amigos que enxergavam nos traços vigorosos do seu trabalho algo aproveitável, entrou para a "Escola de Artes e Ofícios", dirigida por Mariano de Lima, o precursor do ensino de Artes no Paraná. Por esse tempo, era a única escola do gênero em Curitiba, localizada na Praça Carlos Gomes, fundada em 1886.
Nesse estabelecimento, o seu talento ficou atestado e comprovado.
Naqueles tempos, havia por parte das autoridades governamentais interesse para o desenvolvimento cultural e o aproveitamento dos talentos emergentes do seio popular.
Estudou na Europa, em Bruxelas e Paris, e seus temas foram os bustos, as alegorias, os índios e as onças.
Existem trabalhos seus espalhados por esse Brasil, em particular no Paraná, como a estátua de Tiradentes e Benjamim Constant, em Curitiba, Gomes Carneiro na Lapa, e muitas outras.
Além disso encontram-se bustos nas praças públicas, como o de Carlos Gomes e os de vários poetas e artistas; e inúmeros baixos relevos em diversos logradouros, jardins, sociedades e cemitérios.
Faleceu no dia 10 de julho de 1949, em Curitiba, provocando grande consternação na cidade onde, até hoje, a sua arte não teve substituto à altura do seu exuberante gênio.


OS BRAMBILLA

Pedro Brambilla e sua esposa Ângela Bolotto Brambilla vieram da Itália numa das primeiras levas de imigrantes.
Escolheram o porto de Antonina para desembarque, para ali, começarem vida nova em terras da América.
Tiveram 6 filhos, sendo que o primogênito, chamava-se Luís. Em seguida, nasceram Regina, Rosa, Natalina, Maria e por último, Ângelo.
Logo ao nascimento de Luis, a família mudou-se para Morretes onde se estabeleceu com padaria, fixando residência definitiva nessa cidade.
Pedro, além da padaria, diversificou suas atividades, no comércio, fundando a fima comercial que, por ocasião do seu falecimento, passou ao comando do seu filho Luis.

LUIS BRAMBILLA

Nasceu em 28 de julho de 1879 em Antonina, vindo em seguida morar em Morretes, onde estabeleceram-se comercialmente os seus pais.
Aí cresceu, estudou e trabalhou, primeiro junto ao pai, depois chefiando a família. A circunstância de ter nascido em Antonina era despercebida pela maioria dos seus concidadãos, que o consideravam, e ele próprio, ser um cidadão morretense.
O jovem Luis, tomando a direção da firma fundada por seu pai, organizou a firma "Viúva Brambilla & Filhos", tendo como sócios sua mãe Ângela, ele mesmo, e seu irmão mais moço, Ângelo.
Por já terem se casado, suas irmãs não fizeram parte da organização.
- Regina, casou-se com Benjamim Zilli
- Rosa, com Felix Meltro
- Natalina, com Maximiliano Ratzke
- Maria, com Antonio Costa Pinto
- Angelo faleceu em 1921 e, em consequência, modificou-se a Sociedade, recebendo esta o nome de Brambilla & Cia., tendo como sócios Luis Brambilla, Elvira Luck Brambilla (viúva de Ângelo) e sua mãe, Ângela Bolota Brambilla.
A firma Brambilla prosseguiu prosperando cada vez mais, sendo um dos baluartes da economia morretense. Era, também, correspondente de todos os bancos da Capital.
Possuía um grande armazém de secos e molhados e lojas de fazendas e armarinhos, onde era encontrado tudo do bom ao melhor, até tecidos e perfumes estrangeiros.
Em 1913, fundou com outros morretenses ilustres, dentre eles, Arsênio Gonçalves Cordeiro, João Rodrigo de Freitas, Elpídio Trancoso de Miranda, João Ghignone, Abrahão Elias Maia e outros, o "Clube Literário e Recreativo 7 de Setembro", ponto de reunião da fina flor da sociedade morretense, sendo seu presidente por várias vezes.
Foi sócio-fundador da "Sociedade Beneficente e Recreativa dos Operários", e presidente do "Tiro de Guerra 70".
Quando desempenhava a presidência da Câmara Municipal em 1925, assumiu o governo do município, por ocasião do falecimento do então prefeito, Coronel Rômulo José Pereira.
Em sua vida particular, foi espelho de virtudes. Casou-se com a mais bela jovem de sua época, integrante de cepa antiga, ligada aos mais velhos troncos da genealogia morretense, dona Maria dos Anjos Pinto.
Desse enlace, tiveram 3 filhos:
- Odete, casada com Brasílio Carlos Jorge Buffara
- Olga, casada com Marcos Luis De Bona
- Orbela Brambilla.


Luís (Nenê) Brambilla.

Luís Brambilla possuía o carinhoso apelido de "Nenê" e sua popularidade e estima vinha de longe. Já em 1910, quando completou 31 anos, o poeta Aguilar Morais lhe dedicou um soneto humorístico.
Assim viveu Luis Brambilla, servindo a sua terra e a sua gente, desaparecendo em 19 de janeiro de 1952, cercado do carinho de sua família e do povo de Morretes.
Dentro as muitas homenagens póstumas que lhe foram tributadas, houve por bem ser lembrado com o nome de uma rua da cidade, cuja placa foi inaugurada com grande solenidade.

SEBASTIÃO SCUCATO

Era filhos de Giovanni Scucato e de Maria Marcon, que em 1877 imigraram para o Brasil, vindos de Shiavon, província de Treviso ao norte da Itália.
Giovanni tinha na época 39 anos. Possuía o casal dois filhos nascidos na Itália: Sebastião e Antonio. Sebastião era o mais velho, e tinha 3 anos quando aqui chegou. No Brasil, nasceram Margarida e Domingos.
Na mesma leva e da mesma província, veio o irmão de Giovanni, Salvatori, que morreu em viagem.
Estabeleceram-se primeiramente na Ponte Alta, onde tinham pequena lavoura. Mais tarde mudaram-se para a reta entre Porto de Cima e Morretes, montando o seu engenho de aguardente.
Giovanni (João) e sua esposa Maria, quando invalidados pela velhice, entregaram a direção dos trabalhos ao seu filho mais velho Sebastião, visto que Antonio casou e foi morar em Curitiba; Domingos foi residir em Tamandaré, onde casou com Ana Coradin e Margarida casou com Domingos Coradin e sempre viveu na Colônia Faria.
Sebastião Scucato (o filho) era um homem alto, bem apessoado, olhos azuis e cabelos castanhos. Casou-se com Lúcia Bortholin e tiveram 12 filhos:
- MARIA, casada com Antonio Gnatta
- ROSA, casada com Pedro Trevisan
- FRANCISCA, casada com Custódio Borges (Clóvis)
- PIERINA (conhecida como Piera), casada com José Machado de Souza
- TERESA, casada com Humberto Polidoro
- LUÍSA, casada com Rolando Malucelli
- JOÃO BATISTA, casado em primeira núpcias com Luísa Borges, e em segunda, com Maria de Lourdes Simas Santos.
- BÔRTOLO, casado com Esmeralda Cit
- SEBASTIÃO, faleceu solteiro
- ANTONIO, faleceu menino
- PEDRO, casado com Osminda Hunzicker
Muito trabalhador, ajudado pela esposa e sua numerosa prole, progrediu sempre, conseguindo logo relativa independência econômica, sendo mais tarde considerado um dos homens ricos da região.
Muito seguro, dificilmente soltava dinheiro a quem quer que fosse, mesmo a seus filhos, sem que tivesse retorno economicamente garantido.
Essa maneira de ser, resultou-lhe lucros generosos ao ceder dinheiro sob hipoteca a diversos figurões moradores da cidade, tendo, como garantia suas casas apalaçadas, que mais tarde, devido a decadência econômica da região, vieram cair nas mãos de Sebastião. Assim, tornou-se ele proprietário de várias casas e residências na cidade de Morretes, aumentando o seu poder econômico e a fama de homem abastado.
Não possuía barbas longas, mas chamavam-no de "barbudo", adjetivo este empregado mais para demonstrar o montante do seu dinheiro, do que de suas próprias barbas.
De grande reliosidade, educou seus filhos rigorosamente na fé católica. Foi grande benemérito em tudo que contribuísse para a elevação da religião local, tais como doações à igrejas e pertences ao aperfeiçoamento do culto religioso nos templos, etc.
Além das missas dominicais, Sebastião Scucato realizava às 15 horas de todos os domingos, em sua casa, um terço, rezado em língua italiana, franqueado a qualquer pessoa que quisesse assisti-lo.
Afora isso, diariamente, à noite, haveria de se rezar o terço com toda a família reunida, e ai daquele que, sob qualquer pretexto, não atendesse ao chamado para o momento da reza..
Como todo o peninsular, tinha o temperamento exaltado, um pouco rude mesmo, mantendo os seus filhos e emrpegados na mais estrita disciplina, e, quando zangado, lá vinha os impropérios em lingua italiana, os palavrões e blasfêmias, mesmo à sua própria crença.
Não gostava de festas, onde houvesse dança. Nunca dançou, e proibia, terminantemente, que os filhos fossem a bailes. Mesmo aos seus filhos homens, não aprovava que dançassem. Nos casamentos da família, apesar do ambiente festivo, não havia baile. Nesse ponto era diferente de outros italianos, que eram extrovertidos a valer, até em excessos e abusos.
Não permitia que as filhas trajassem sem o devido decoro. O baton era decisivamente vetado, e quando no advento da moda de cabelos curtos, elas foram as últimas a cortá-los, ou mesmo só depois cie casadas, quando já estavam sob a jurisdição dos maridos.
A família Scucato foi uma das primeiras a usar as caleças ou troles, naquele tempo muito requisitadas para cortejos de casamento, para ir a festas e a missa aos domingos. Só as pessoas ricas é que as possuíam, assim como outros tipos de carruagens.
Sebastião Scucato muito trabalhou para o progresso da sua terra adotiva: viu. já na sua velhice, o seu filho caçula Pedro partir para a guerra na Itália, incorporado à Força Expedicionária Brasileira, onde lutou contra o nazi-fascismo.
Voltou Pedro com a satisfação do dever cumprido, de ter lutado pela liberdade da sua Pátria e da Pátria dos seus pais e avós.

BENJAMIM ZILLI

Benjamim Zilli nasceu a 17 de setembro de 1876, na Província de Treviso na Itália.
Era filho de Luigi Zilli e de Magdalena Scarton. Foram seus avós paternos, Pietro Zilli e Teresa de Conto e, maternos, Ludovico e Giacoma Scarton.
Foi batizado pelo arcebispo D. Antonio Cesa Coste, na Paróquia de Santa Maria - Comuna de Miane, Itália.
Em março de 1877, aos 6 meses de idade, juntamente com seus pais e seus irmãos, Constante que contava com 10 anos e Izidoro Leonardo com 3 anos, emigrou para o Brasil. Havia ainda um irmão mais velho, Pedro, nascido em 7 de setembro de 1864, que faleceu na Itália na primeira infância.
Após exaustiva viagem, própria daquela época, a família aportou em Paranaguá vindo fixar residência na cidade de Morretes.
Seus pais, Luigi Zilli e Magdalena Scarton tiveram nesta cidade mais duas filhas: Rosa e Maria.
Muito jovem ainda, Benjamim Zilli rumou à Curitiba para aprender o ofício de celeiro na oficina de Rodolfo Hatschbach, voltando a Morretes onde se instalou com oficina própria.
Em junho de 1906, contraiu núpcias com Regina Brambilla, de cujo consórcio tiveram os seguintes filhos:
- PAIADIA, falecida quando ainda criança
- LUIS EULÓGIO, industrial e comerciante, musicista, professor da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, casado com Nayr Todeschini
- OSMÁRIO, comerciante e economista, casado com Erica Dittrich
- ISMÊNIA, casada com Reinaldo Garmatter
- BENJAMIM, advogado, casado com Mercedes Regina Müller (falecido)
- ALVIR, médico, casado com Maria de Lourdes Peixoto (falecido)
- MARIA ÂNGELA casada com Arno Ewaldo Iwersen (falecida)
Seu irmão Constante, mais conhecido pelo apelido de 'Tim", casou-se com Maria Luiza Zilli e teve os seguintes filhos:
- JOSUÉ, casado com Alaíde Costa
- LUIS, casado com Teresa Madalozzo
- MADALENA, casada com Calil Cecy
- DAVI, casado com Rosalba Polatti
- CAROLINA assumiu votos religiosos e tomou o nome de Irmã Maria Letícia.
Sua irmã Rosa, casou-se com Antonio Malucelli e teve os seguintes filhos: João Antonio, Madalena, margarida, Luis, Maria, Marcos Antonio, Antonio Junior, Idália, Itália, Benjamim Antonio, Rosa e pedro.
Sua irmã Maria casou-se em primeiras núpcias com José Stramontini, não havendo descendência. Em segundas núpcias com Antonio Vieira Cassilha, havendo desta união dois filhos: Benjamim e Diógenes.
O outro irmão, Izidoro Leonardo, faleceu solteiro em 1922 aos 42 anos de idade.
Em 1910 Benjamim, com apenas dois filhos, transferiu-se com a familia para Curitiba, onde se instalou com mercearia na Avenida 7 de Setembro, próxima à praça Oswaldo Cruz.
Em 1915, mudou seu estabelecimento para a praça Zacarias, esquina da rua Marechal Deodoro.
Em 1924, adquiriu a fima atacadista denominada União Comercial, transformando-a em Benjamim Zilli & Cia. Ltda., situada no Largo Coronel Enéas, tornando-se proprietário do prédio em cujo sobrado passou a residir até o seu falecimento no dia 17 de julho de 1958, aos 82 anos.
Teve uma vida dignificante, desfrutando de invulgar conceito nos meios empresariais, que o fez, também, muito benquisto na comunidade curitibana, sendo muitas vezes mencionado como padrão de honestidade.
Destacou-se na sociedade local sem nunca se desligar da comunidade italiana, tendo sido sócio remido das sociedades Garibaldi e Dante Alighieri.

LUIZ EULÓGIO ZILLI

Nasceu na cidade de Morretes, no dia 13 de setembro de 1907, filho de Benjamim Zilli e Regina Brambilla Zilli, faleceu em 16 de agosto de 1990.
Em 4 de fevereiro de 1932, casou-se com Nahyr Todeschini, tendo desta união os seguintes filhos: Rachel Maria, Ruth Maria, Regina Maria, Renata Maria e Luis Alfeu (falecido).
Em 1913, iniciou seus estudos no Colégio da Divina Providência. De 1914a 1922, estudou no Colégio agrado Coração de Jesus, Escola Oliveira Belo, Centro Cultural ítalo Brasileiro Dante Alighieri, Colégio Theodorico e Ginásio Estadual do Paraná.
Poliglota, além do português, falava alemão e italiano, e tinha conhecimentos de inglês, polonês e espanhol.

OSMÁRIO ZILLI

Nasceu em Morretes, filho de Benjamin Zilli e de dona Regina Brambilla Zilli, iniciu suas primeiras letras no afamado Colégio Julio Theodorico, onde fez o curso primário; o secundário fez no Ginásio Paranaense (atual Colégio Estadual do Paraná) e, em prosseguimento, no Instituto Comercial, fez os cursos de Contador e Perito Contador.
É casado com a senhora Érica Dittrich Zilli, tendo desse consórcio uma filha, Leoni Zilli, e uma neta, Andréa Zilli Amazonas.

TIA NEGRA

A maioria dos italianos, ou quase a totalidade, ao chegar ao Brasil, foi se incorporando à nossa nacionalidade e espontaneamente assimilando os nossos costumes, tais como os apelidos afetuosos, carinhosamente usados pelos brasileiros, que os tomavam muito mais conhecidos pelos cognomes, tais como: Mariquinha, Maricota, Jango, Chico, Chica, Negro, Negra, Zeca, Nenê, etc...
Assim, pois, era a Maria Zilli, mais conhecida pela alcunha afetiva de "Negra".
Negra Zilli era muito extrovertida, estava sempre alegre e disposta, pronta para um bate-papo amistoso com quem dela se aproximasse.
Muito simpática, de feições delicadas, as faces sempre coradas, o cabelo em coque, eram uma mulher bonita, estimando-se na juventude, ser de rara beleza.
Negra era filha de Luigi Zilli e Madalena Scarton que, em março de 1877 emigraram para o Brasil, fixando-se em Morretes, onde nasceu Maria.
Era irmã de Benjamin, Izidoro Leonardo e Constante, nascidos na Itália, e de Rosa, nascida em Morretes.
Casou-se em primeiras núpcias com José Stramontini, de cujo consórcio não houve descendência. Do seu segundo casamento com Antonio Vieira Cassilha houve dois filhos: Benjamin e Diógenes. Aquele recebeu tal nome em homenagem ao irmão de Negra, Benjamin Zilli.
Tia Negra, como era chamada, sempre tinha palavras de agrado e elogio para as crianças, mesmo quando estas praticavam artes pouco aceitáveis quando dos tombos e arranhões nas correrias.
Gostava de ingerir líquidos espirituosos como um bom vinho e, na falta deste, o vinho de cana, quando o mesmo já estava com a fermentação parada, azedo e forte, tendo um teor alcoólico já elevado. Deste é que ela gostava!
Na época da safra, quando o engenho estava em pleno movimento, aparecia por lá a Tia Negra. Com um bule louçado enorme na mão, adentrava a casa que ficava ao lado do engenho, com grande estardalhaço: "Buona sera, buona sera..."assim fazendo-se anunciar com muita alegria.
Como era difícil retirar o vinho das dornas, que ficavam em lugar alto, tendo-se que subir escadas, solicitava ela a ajuda dos sobrinhos, com recomendação de encher o bule com o vinha mais azedo e parado que existisse!... Assim era uma das figuras mais queridas e simpáticas que havia naquela reta do Porto de Cima-Morretes.

OS TROMBINI

Carlos Trombini era casado com Cecília Bavetti, ambos nascidos em Cremona, na Itália.
Chegaram ao Brasil em 1877, desembarcando no porto de Paranaguá, estabelecendo-se primeiramente na Colônia Alexandra e, posteriormente, por doação de terras por parte do governo, em Morretes, na Colônia América, onde se dedicaram a lavoura de cana de açúcar e banana.
Tiveram 4 filhos, todos nascidos em Morretes: Olympio, Rosa, Achilles e Paulina.
Ainda não satisfeito com o que lhe era dado produzir na Colônia América, mudou-se para Curitiba, arriscando no comércio, principalmente no Mercado Municipal, que ficava nas proximidades do Passeio Público.
Não tendo ele a prosperidade que desejava no comércio da Capital, voltou ele com a família para Morretes, onde se prenunciava melhor futuro e garantias de sobrevivência, sendo auxiliado nessa empreitada por alguns patrícios.
No decorrer dos anos, Carlos foi vítima de um acidente, caindo da sua carroça e quebrando uma das pernas. Por falta de recursos médicos, ficou praticamente inutilizado para o trabalho. Seus filhos, já crescidos, serviram de apoio à sua manutenção, em condições precárias.
Quando faleceu, aos 60 anos, deixou sua prole já definida.
- OLYMPIO, casou-se com Angelina Mori Busetti, tendo 7 filhos: Luisa, Edilberto, Sinibaldo, Geraldo, Alcides, Mirtillo e Odette, todos nascidos em Morretes.
- ROSA, casou-se com Abel Fornarolli, de cujo casamento teve 14 filhos.
- ACHILLES, casou-se com a irmã de Angelina, Margarida Mori Busetti, tendo os filhos: Carlos Waldemar, Anita, Aymée, Eloy e Léa.
- PAULINA casou-se com o militar Benedito da Luz, de cujo consórcio tiveram 6 filhos: Ramiro, João, Ely, Cecília, Odilon e Lourival.
Mais tarde, cada família, por questão de sobrevivência, ou por melhores oportunidades, rumou para a Capital, onde todos esperavam achar meios mais oportunos para progredir na vida.
É por bem destacar que a família de Olympio Trombini, após algum tempo em Curitiba, voltou a Morretes a pedido do seu amigo Coronel Rômulo José Pereira, então Prefeito Municipal e personagem de grande prestígio local.
Dedicou-se Olympio na sua terra natal à indústria da pedra e cantaria, e, como técnico que era, tomou a seu cargo a construção de várias obras no município de Morretes e Antonina.
Foi também gerente de cinemas em Morretes e Paranaguá. Por longo tempo dirigiu o Cine Marumbi, que funcionava no Teatro Municipal, o qual foi consumido por um incêndio tempos depois.
Mais tarde, abandonando suas diversas atividades, foi residir em Curitiba, onde faleceu aos 78 anos de idade.

OS CAVAGNOLLI

Giuseppe Cavagnolli, a esposa Rosina Dalchuch e o filho Cenofonte vieram de San Ciro, Milão.
Embarcaram de Gênova no dia 28 de janeiro de 1877, chegando em Paranaguá a 5 de maio do mesmo ano. A bordo do navio Iguaçu, entraram pelo porto de Barreiros, subindo o rio Nhundiaquara até Morretes, para onde se destinavam.
Tinha Giuseppe na época, 26 anos, altura mediana, cabelos e barbas castanhos, olhos azuis. Rosina contava 25 anos e o filho Cenofonte, que morreu em viagem, com 5 anos.
A profissão de Cavagnolli era a de lavrador, sendo que na Itália gerenciava grande plantação de arroz. Também era bom carpinteiro, e logo ao chegar, dedicou-se com afinco ao trabalho, procurando ambientar-se cada vez mais em sua terra adotiva.
Diversificou suas atividades, montando engenho de aguardente e moinho de milho no Capituva, onde morava, e outro na Colônia Marques, em Porto de Cima.
No Brasil, nasceu-lhe outro filho, Antonio, que se casou com Mercedes De Bona, também descendente de imigrantes. Deste consórcio nasceram: José, Elvira, Pedro (faleceu menino), Marialda, Rosa e Sebastião.
Antonio era um homem de sete instrumentos. Era mecânico, carpinteiro, funileiro, pedreiro, ferreiro, marceneiro, músico e regente. Conhecia muito de engenharia, tendo em algumas oportunidades confrontado destacados engenheiros.
Foi um dos fundadores da afamada banda de música "Euterpina Morretense", da qual foi benemérito.
Aprendeu a ler com o pai do historiador Rocha Pombo, francês, latim e música com o padre José Duch, que era pároco da cidade.
Possuía um órgão sendo que seguidamente, reunia em sua casa alguns amigos (Landucci, Carta, Teresa De Bona) para cantar óperas.
Residia no centro da cidade, onde possuía um engenho de aguardente e minho de milho, tendo como guarda-livros o senhor Silvio Zanatta.
Faleceu em 8 de abril de 1933, consternando profundamente a população morretense.

DOMINGO FANTE

Era uma figura diferente, alegre, esquentadiço quando tomava umas e outras. Ao ser provocado, subia-lhe o sangue, suas faces ficavam vermelhas e lá vinha os impropérios em forma de palavrões.
Em lugar de cinta, cingia a cintura com uma faixa vermelha, costume esse de sua terra natal.
Seu divertimento aos domingos era o jogo de bocha. Como era difícil convencer Domingo no acerto das bolas em razão do balim, quando estas ficavam mais ou menos equidistantes ao mesmo! - "Bisogna Calcorare... Bisogna Calcolare..."
Sempre dava-se razão ao italiano, senão seus companheiros de jogo ouviriam um rol de palavras injuriosas: ladro, vegliacchi, bruta bestia, porca miséria... mas, tudo acabava em risos entre os seus amigos e comparsas.
O nativo brasileiro do litoral alimentava-se muito com farinha de mandioca. A farinha, mais a laranja, a banana, a batata doce, quando misturadas provocam a gaseificação dos alimentos ingeridos e, volta e meia estava Domingo a fungar e a reclamar durante o jogo: - Puxa raça prá peidá!...
No fundo, era ele um homem bom e benquisto. Era casado com Brígida e não deixou descendência.

OS TREACHIN, TRIACCHINI OU TRIAQUIM

Os Treachin/Triacchini/Triaquim moravam à margem da reta do Porto de Cima-Morretes, numa casa a enxaimel, tipo das que eram muito usadas pelos italianos.
Havia o João "Jango", Marcos, apelidado de Pacú por ser barrigudinho, uma menina, a Luisa e outros mais. Os seus pais eram o Angelim e a Anita. Anita era uma mulher de traços bonitos, dentes perfeitos, mas muito desleixada.
Os meninos em suas brincadeiras, quando zangados, praguejavam sem cerimônia e nos cobriam de imprecações, juntando a cada palavrão o adjetivo "mesmo":
- Desgraciado mesmo, fili di puti mesmo, porca madnna mesmo, maledetto mesmo, etc...
Jango, o mais velho, tinha o aspecto triste, era ressabiado, andava de cabeça sempre baixa a olhar para o chão.
Notava-se logo à primeira observação, que as crianças imitavam os seus pais, no modo de falar e maldizer as coisas.
Com o tempo, venderam a propriedade a um japonês e sumiram.

Famiglia Triacchini

Por Denise Elisete Triaquim Garcia

Em 2007 me despertou a curiosidade de pesquisar a origem da família Triaquim. Infelizmente, dos parentes mais idosos, já não havia ninguém, mas tratei de procurar os que tinham em torno de 80 anos, e fui juntando uma informação daqui, outra dali...e assim por diante.
A mais idosa foi a mãe de Nelson da casa de frutas, tia Zenóbia, ela foi casada com um irmão do meu avô João, estava então com 105 anos e lúcida. E olha que, quando criança, na idade de entrar na escola, por brincadeira, uma irmã dela deu-lhe um tiro de espingarda, disse também, que foi operada em Antonina, com dr Macedo. Não foi mais à escola. Faz três anos que faleceu.  Contou-me que quando o casal primitivo chegou da Itália, em 1877, foi morar no Pitinga, imagine,  no meio da mata, em torno de 17 km do centro de Morretes. Segundo ela, ficaram lá por pouco tempo, pois levava o dia inteiro para vir a cidade e retornar, no lombo de uma mula.
Chegaram a criar aves, cavalos e bois, nesse lugar... Num belo dia, o nosso trisavô Ângelo estava no mercado de peixes e conheceu uma pessoa de nome Manoel Dias (de Antonina), que era proprietário do sitio do Rio do Pinto e, acertou a compra. E nesse lugar viveram muitos descendentes. Também conversei com o saudoso e primo Joanito Ayrosa, contou-me ele, que o pai do sr Lourenço Malucelli tinha muita confiança na tia Luiza, pois confiava à ela, a guarda do dinheiro que ficava ao sol... Enfim, conseguiram a tão sonhada terra e, conseqüentemente, a paz.
Os pais do marido da tia Luiza moravam do outro lado do rio, no sitio do Rio do Pinto.
Quanto ao local italiano que vieram, ninguém tinha a mínima ideia. Daí, me pus a campo na internet, encontrei uma página espetacular onde têm muita coisa, mostra o caminho. Fui numa página que mostrava no mapa da Itália o número de Triacchini e onde.
Entrei na lista telefônica, verifiquei as cidades que tinham Triacchini,  a possível Província e, enviei uma carta ao Archivio di Stato da Província di Cremona. Acertei em cheio. Logo em seguida recebi a certidão de nascimento do meu bisavô, que é irmão da tia Luiza.
Nos documentos do Brasil, estão errados, além do sobrenome, o nome da mãe deles. Com a certidão de nascimento italiana, constatamos os nomes e sobrenomes corretos.
Para eu conseguir informações antigas, também fui solicitando certidão de casamento, óbito, nascimento de várias pessoas, pois estes documentos dizem muita coisa...As informações italianas estão quase tudo on line.
Quando eu tiver mais alguma coisa, enviarei. Pena que não tenho fotos dos meus antigos...
No registro da Colônia Nova Itália, não consta meu bisavô Marco, irmão da tia Luiza.
No cartório de Morretes me atenderam bem. Até buscas faziam.
O livro de devotos de São Benedito consta o nome do nosso trisavô Ângelo, ele colaborava.
Você veja que na relação das pessoas constantes do livro da Colônia Nova Itália, consta o nome de Francisco Caproni, possivelmente eram amigos da Itália, moravam perto daqui e, na relação de nascimentos da cidade de Tredossi consta o sobrenome Caproni.
A Certidão de batismo de tia Luiza foi trabalhosa. A secretária do padre dizia que não achava, outro dia afirmava de não constava.
Eu deixava passar vários meses e, voltava a insistir até que um dia, gracas a Deus, acharam. Eu queria confirmar onde ela nasceu, aqui ou na Itália, além do local aqui no Brasil, mas, infelizmente, esta informação não consta, se no Pitinga ou no núcleo do Rio do Pinto.
Eu preciso de alguém bastante ligado com a secretária, para conseguir uma foto da página, pois os nomes dos padrinhos são estranhos... Na Itália é fácil.
Está on line a capa do livro índice de nascimentos.
Folha índice - verifique na letra T.. - Marco Triacchini, Teresa, Elena, Giacomo. Este Giacomo consta que tinha um ano quando chegou. Ele eh avo de Eurly, Lea, Romeu, Lindo...
Enfim, aquela família é originária da região da Lombardia, Província de Cremona. Quando eles vieram a comune chamava-se Tredossi. Anos mais tarde passou a chamar-se Castelverde até hoje.
Então, com estes documentos italianos sanamos as dúvidas.
1) Marco é o irmão mais velho da tia Luiza e, nasceu em Tredossi.
2) Seus pais chamavam-se Ângelo Triacchini e Rosa Bosi.
3) Ainda pude verificar que quando Ângelo foi registrar o Marco, em 1867, seu pai já havia falecido, e se chamava Martino.


Coletânea de vários documentos da família Triacchini e de outros imigrantes italianos, os quais foram adquiridos com muita dedicação e perseverança da prima Denise Elisete Triaquim Garcia, fornecidos gentilmente para a inserção no meu blog, a saber:


No centro, Luiza Triaquim Malucelli com os filhos: Marcos e Maria.
















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Foto e texto (abaixo) enviados por Gabriel Callegari.


Teresa e Antonio Giuseppe Nogarol, tataravós de Gabriel Callegari, que nasceram na Itália em 1854 e 1858, respectivamente. Chegaram ao Brasil em 1877, já casados, e vieram direto para Morretes. Aqui constituíram família e juntos deram origem aos Nogarolli, Nogaroli e Nogarol, e também de Curitiba.

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RETA DO PORTO DE CIMA-MORRETES

A reta do porto, como era e ainda é conhecida, era muito populosa (o mesmo se diga da Ponte Alta) aí fixando-se muitas famílias italianas.
O número de nativos dessa região, somado aos peninsulanos de várias colônias como as de Porto de Cima, Central e Ponte Alta, era considerável.
Anexo à "bodega"do Camilo, havia uma cancha de bocha. Ali, aos domingos, reunia-se a maioria dos italianos da redondeza que, já tendo passado pelo período de adaptação, falavam um português arrevesado.
Eram loucos pelo jogo de bocha, como atualmente, e passavam suas tardes de domingo e dias santos na maior alegria e camaradagem, jogando com os brasileiros até o cair da noite.
Enquanto disputavam seus jogos, consumiam o bom vinho e mesmo a cachaça, nosso produto local, que logo aprenderam a gostar, acompanhada da linguiça (salsicha), broinha, pão de ló, amendoim torrado e demais guloseimas regionais.
Havia também umas mesinhas na sala principal da bodega, onde disputavam-se o carteado e a "mora", jogo muito a gosto dos italianos, principalmente napolitanos e calabreses, fazendo-nos lembrar o jogo de palitos muito comum na época.
Entre os italianos, dois adversários de cada vez apostavam abrindo as mãos rapidamente, apontando os dedos, ou nenhum ao mesmo tempo e gritando a soma.
O que acertasse seria o vencedor.
E gritavam a plenos pulmões, atroando aos quatro cantos, aturdindo os tímpanos dos que ali presenciavam o jogo.
Esses brados eram ouvidos a quilômetros de distância: "due - otto - cinque - quattro, etc".
Ao cair da noite, alegres e satisfeitos, tomavam o rumo de suas casas, cantarolando as canções da sua velha pátria, Itália, e abraçados, caminhavam pela estrada...

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REGISTRO DE IMIGRANTES ITALIANOS.
Livro 834 – Matrícula de colonos – COLÔNIA NOVA ITÁLIA - Morretes – 1877-1879 p. 5

Família MALUCELLI ...

Ordem nº. 146 – Giovanni, 50 anos, nacionalidade: italiana, profissão: agricultor, data da chegada, 22/04/1877, faleceu em 23/04/1879. 
Ordem nº. 147 – Margherita, 42 anos, nacionalidade: italiana, profissão: agricultor, data da chegada, 22/04/1877. 
Ordem nº. 148 – Marco, 17 anos, nacionalidade: italiana, profissão: agricultor, data da chegada, 22/04/1877. 
Ordem nº. 149 – Battista, 13 anos, nacionalidade: italiana, profissão: agricultor, data da chegada, 22/04/1877. 
Ordem nº. 150 – Lorenzo, 9 anos, nacionalidade: italiana, profissão: agricultor, data da chegada, 22/04/1877.
Ordem nº. 151 – Giovanni, 6 anos, nacionalidade: italiana, profissão: agricultor, data da chegada, 22/04/1877. 
Ordem nº. 152 – Antônio, 3 anos, nacionalidade: italiana, profissão: agricultor, data da chegada, 22/04/1877. 
Ordem nº. 153 – Domênico, 1 ano, nacionalidade: italiana, profissão: agricultor, data da chegada, 22/04/1877. 
Ordem nº. 154 – Cristina, 15 anos, nacionalidade: italiana, profissão: agricultor, data da chegada, 22/04/1877.
Ordem nº. 155 – Lúcia, 10 anos, nacionalidade: italiana, profissão: agricultor, data da chegada, 22/04/1877.

Os campos: Estabelecimento, situação, dia, mês e ano, lote, núcleo, lugar, comportamento: bom, regular, mau, infrações e abandono não foram preenchidos.
 
Fonte> Solange Rocha
DDP - SAI
 
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Mais uma sobre a imigração italiana no Brasil.

Por Maurício Ferrarini

Da Itália para o Brasil


Na época, a Itália passava por uma grande transformação devido à industrialização e o número de camponeses e desempregados só aumentava.
A crise vivida pela Itália e a idéia de que o Novo Mundo poderia oferecer uma vida melhor, motivaram muitos cidadãos a migrarem.
Do início do século XIX até a década de 30, dez milhões de italianos deixaram o país.

 

“Merica Merica”

Original em dialeto vêneto

Tradução

Dalla Italia noi siamo partiti
Siamo partiti col nostro onore
Trentasei giorni di macchina e vapore,
e nella Merica noi siamo arriva’.
Merica, Merica, Merica,
cossa saràlo ‘sta Merica?
Merica, Merica, Merica,
un bel mazzolino di fior.

E alla Merica noi siamo arrivati
no’ abbiam trovato nè paglia e nè fieno
Abbiam dormito sul nudo terreno,
come le bestie abbiam riposa’.
Merica, Merica, Merica,
cossa saràlo ‘sta Merica?
Merica, Merica, Merica,
un bel mazzolino di fior.

E la Merica l’è lunga e l’è larga,
l’è circondata dai monti e dai piani,
e con la industria dei nostri italiani
abbiam formato paesi e città.
Merica, Merica, Merica,
cossa saràlo ‘sta Merica?
Merica, Merica, Merica,
un bel mazzolino di fior.

Merica, Merica, Merica,
cossa saràlo ‘sta Merica?
Merica, Merica, Merica,
un bel mazzolino di fior.
Da Itália nós partimos
Partimos com nossa honra
Trinta e seis dias de máquina à vapor,
e na América chegamos.
América, América, América,
o que será esta América?
América, América, América,
um belo ramalhete de flores.
E na América chegamos
não encontramos nem palha e nem feno
Temos dormido no terreno nu,
como os animais descansamos.
América, América, América,
o que será esta América?
América, América, América,
um belo ramalhete de flores.
E a América é longa e larga,
é rodeada por montes e planícies,
e com a indústria dos nossos italianos
formamos países e cidades.
América, América, América,
o que será esta América?
América, América, América,
um belo ramalhete de flores.
América, América, América,
o que será esta América?
América, América, América,
um belo ramalhete de flores.
 Letra da música Merica Merica

O poema de Ângelo Giusti, imigrante italiano, “La Merica” (1875), foi transformada em música, “Merica Merica”, tornando-se o hino dos imigrantes italianos, e retrata as dificuldades e o sofrimento a que passaram.

Abaixo: Resposta de um italiano a um Ministro de Estado de seu país, a propósito das razões que estavam ditando a emigração em massa.

Embarque dos imigrantes italianos para o Brasil


Imigrantes italianos

 
Imigrantes italianos que partiam para o Brasil em navios à vapor.

 
Típica casa construída pelo governo, para os imigrantes.



Festa de casamento

Cerimônia de Primeira Comunhão.


Foi quando ouviram que na América, mais precisamente no Brasil, as grandes lavouras necessitavam de trabalhadores e para cá vieram.
Além da mão-de-obra, em substituição à escrava, estava intrínseca nessa política imigrantista, em uma de suas vertentes, a necessidade de branquear a população do país.
Era uma maneira considerada adequada de aumentar a oferta de mão-de-obra e, ao mesmo tempo, trazer um maior número de pessoas brancas para o país, além de possibilitar uma vida nova para os europeus agricultores que viviam em más condições em seu país de origem (Colbari, 1997).
A possibilidade de aquisição de terras em forma de pequenas propriedades atraiu para o Brasil um grande número de pessoas, ainda mais pelas subvenções em dinheiro oferecidas pelo governo.
A legislação brasileira estabeleceu o tipo de imigrante que lhe interessava para ingressar no país: exigia um certificado de boa conduta, proibia o embarque de menores de 12 anos sem acompanhantes, de pessoas idosas, de indivíduos com algum tipo de deficiência e estava atento para a proporção de homens e mulheres solteiros (Carneiro, 1950).
A Itália foi um país fornecedor de mão-de-obra barata em fins do século XIX, por suas condições sociopolíticas e econômicas.
Os italianos que vieram para o Brasil podem ser classificados como meridionais, setentrionais e os pequenos proprietários vênetos. (Alvim, 1986).
Os meridionais preferiam as ocupações da urbe e eram temidos pela sua agressividade; os setentrionais ou trabalhadores braçais, que provinham da região Norte da Itália, eram os diaristas, conhecidos como os sem-propriedades e foram utilizados para o trabalho conjunto com os escravos, e os pequenos proprietários nortistas, vindos da região do Vêneto, instalaram-se nos núcleos coloniais no interior das províncias.
Quando saíram do seu país não tinham a pretensão de voltar, e por isso se desfaziam de todos os seus bens e de sua pequena propriedade que “lhes dava uma ilusão de independência” (Alvim, 1986), que não ocorria mais nesses anos.
Todos aceitavam os contratos de trabalho impostos e os locais para onde deveriam ir quando chegassem ao Brasil.
Desse modo, a imigração surgiu, para eles, como solução para a sobrevivência.
Deixaram parte de suas famílias, amigos, sua pátria e seguiram de navio para uma terra distante, onde nada conheciam.
Vieram apenas com a sorte e a força para lutar por uma vida melhor, em busca de uma nova felicidade e deixar a miséria e as lembranças da tristeza, para trás.
Durante os longos 36 dias de viagem se perguntavam:
 “Merica, Merica, Merica, cossa saràlo ´sta Merica?”













A imagem de Nossa Senhora da Saúde, de tamanho natural, veio da cidade de Lucca, Itália.

Chegou juntamente com as imagens de S. Antônio e S. Valentin protetores, no Porto D. Pedro II em Paranaguá, aos 04 de abril de 1929. Foi liturgicamente benzida e oficialmente entronizada Padroeira da Colônia Presidente Faria no dia 21 de novembro de 1930 (Ferrarini, 2002).



1ª capela construída pelos imigrantes

Em 1934 é iniciada a construção da torre, sendo concluída em 1936.
Em 1934 é iniciada a construção da torre, sendo concluída em 1936.
Em 1969 foi inaugurado o “Largo Nossa Senhora da Saúde” e o monumento “Presidente Faria”, em comemoração ao 82º aniversário de fundação da Colônia.
Mata nativa com muitos pinheiros que cercavam a Colônia.
Durante todos esses anos de trabalho e dedicação à sua nova pátria os imigrantes muito contribuíram para o crescimento da Colônia, do Paraná e do Brasil.
Ainda hoje muitas das tradições adquiridas dos nonos, bisnonos e tataranonos são mantidas e passadas para as futuras gerações. Sempre mantendo as tradições, o respeito e a religiosidade.
Nos dias atuais, a Colônia ainda mantém muitas das tradições e ainda vive da agricultura, vinicultura, criação de animais, o comércio e de muitas outras atividades que foram introduzidas por seus descendentes.
Uma cidade pacata, de gente simples, mas hospitaleira e que gosta de uma boa prosa sentados nas varandas de suas casas, ou nas grandes mesas, saboreando um bom vinho com “formaio” e a famosa polenta.
Esta é uma homenagem a todos os imigrantes que aqui no Brasil criaram suas famílias e lutaram por uma vida mais digna.
Deixaram para seus descendentes as tradições, os ensinamentos e a sua coragem para lutar pelos seus sonhos!
Texto: Maurício Ferrarini
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Referências Bibliográficas:

FERRARINI, S. A Imigração Italiana na Província do Paraná e o Município de Colombo. Curitiba: Editora Lítero-Técnica, 1973.

FERRARINI, S. Colombo – Centenário da Imigração Italiana. Curitiba: Editora Lítero-Técnica, 1979.

FERRARINI, S. Da Itália ao Paraná – 100 anos depois (genealogia). Curitiba: Editora Universitária Champagnat, EDUCA, 1989.

FERRARINI, S. Gente que Preza sua Gente: Genealogia, Heráldica – História / Sebastião Ferrarini. São Paulo: Takano Editora Gráfica Ltda, 2002.

COLBARI, A. Familismo e ética do trabalho: o legado dos imigrantes italianos para a cultura brasileira. Revista Brasileira de História. São Paulo: ANPUH/Humanitas, 1997.

CARNEIRO, J. Imigração e colonização no Brasil. Rio de Janeiro: Universidade do Brasil, 1950.

ALVIM, Z. Brava Gente! Os italianos em São Paulo 1870-1920. São Paulo: Brasiliense, 1986.


Pesquisa feita por Jorge M. Fujita.

Segundo levantamento recente, vivem no país cerca de 30 milhões de descendentes de italianos no Brasil, e na semana passada no dia 21 de fevereiro de 2019, foi comemorado o “Dia Nacional do Imigrante Italiano”.

“Os primeiros imigrantes italianos começaram a chegar ao Brasil na década de 1870. Porém, foi entre as décadas de 1880 e 1910 que houve o maior fluxo de italianos para o território brasileiro, principalmente, para as regiões sul e sudeste do país.

Grande parte dos italianos que migrou para o Brasil eram de origem humilde, principalmente de regiões rurais da Itália. O Brasil era visto como uma terra nova, repleta de oportunidades. Vale lembrar que a Itália passava por uma crise de emprego na segunda metade do século XIX, gerada, principalmente, pela industrialização do país. O alto crescimento populacional não foi acompanhado pelo crescimento econômico do país e pela geração de novos empregos, fazendo com que muitos italianos optassem pela vida em outros países (Brasil, Estados Unidos, Argentina, França, Suíça, entre outros).

Se por um lado a Itália tinha muitas pessoas querendo buscar trabalho em outros países, o Brasil necessitava de mão de obra. Após a Abolição da Escravatura (1888), os agricultores optaram pela mão de obra de origem europeia, ao invés de integrarem os ex-escravos ao mercado de trabalho. O próprio governo brasileiro fez campanha na Itália para atrair esses italianos para o trabalho na lavoura brasileira.
Grande parte das colônias italianas se concentrou nas regiões sul e sudeste do Brasil. O estado de São Paulo foi o que mais recebeu imigrantes italianos. que foram trabalhar nas lavouras de café e também nas indústrias da capital do estado. 
Já no sul do país, estes imigrantes se concentraram, principalmente, na região da Serra Gaúcha. Muitas colônias italianas foram criadas em cidades como, por exemplo, Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Garibaldi. A cultura de uva para a produção de vinho foi a principal atividade econômica realizada por estes imigrantes.
Alguns italianos chegaram ao Brasil dispostos a criar pequenas empresas e prosperar na nova terra. Vendiam o que tinham na Itália e investiam no Brasil em áreas como a agricultura, comércio, prestação de serviços e indústria. Muitos destes italianos empreendedores prosperaram em seus negócios, gerando riquezas e empregos no Brasil. Um dos exemplos mais conhecidos foi de Francesco Matarazzo e seus irmãos, que emigraram para o Brasil em 1881 e construíram em São Paulo um verdadeiro império industrial.
No começo do século XX, começou chegar à Itália, notícias das péssimas condições de trabalho e moradia de famílias italianas residentes no Brasil. Essas informações foram divulgadas pela imprensa, fazendo com que diminuísse drasticamente a vinda de italianos para o Brasil. Outro fato que influenciou essa queda na imigração, foi o controle feito pelo governo de Benito Mussolini sobre a imigração no final da década de 1920.
Os italianos que vieram viver no Brasil trouxeram na bagagem muitas características culturais que foram incorporadas à cultura brasileira, estando presentes até os dias de hoje. Muitas palavras italianas foram, com o tempo, fazendo parte do vocabulário português do Brasil. No campo da culinária esta influência foi marcante, principalmente, nas massas (macarronada, nhoque, canelone, ravióli, etc.), molhos e pizzas. Os italianos também ajudaram a fortalecer o catolicismo no país. 
De acordo com dados estimados da Embaixada da Itália no Brasil, vivem no país cerca de 30 milhões de descendentes de italianos, sendo que grande parte concentrada nas regiões sul e sudeste.
Entre os séculos XIX e XX, cerca de 1,5 milhão de imigrantes italianos vieram residir no Brasil.”
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