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segunda-feira, 1 de junho de 2026
Ticinosuchus: o "crocodilo do Ticino" do Triássico Médio
| Ticinosuchus | |
|---|---|
| Classificação científica | |
| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Reptilia |
| Clado: | Archosauria |
| Clado: | Pseudosuchia |
| Clado: | Suchia |
| Gênero: | †Ticinosuchus Krebs, 1965 |
| Espécies: | †T. ferox |
| Nome binomial | |
| †Ticinosuchus ferox Krebs, 1965 | |
Ticinosuchus (que significa "crocodilo do Ticino") é um gênero extinto de arcossauro membro do clado Pseudosuchia do Triássico Médio (Anisiano - Ladiniano) da Suíça e Itália.[1][2]
Descrição
Ticinosuchus, em relação à forma física, possuía algumas semelhanças com os crocodilos atuais. Ele tinha cerca de 2,5 metros de comprimento, crânio em forma de ponta de flecha e corpo grácil, sendo que todo este, até mesmo a barriga, estava coberto de escamas grossas e blindadas (osteoderma).[3] A estrutura dos quadris mostra, em contraste com os crocodilos, que as suas pernas eram posicionadas sob o corpo quase verticalmente e juntamente com o desenvolvimento de um calcâneo e uma articulação do tornozelo especializada, teriam tornado Ticinosuchus um corredor rápido, diferentemente da maioria dos répteis anteriores.[4] O estudo dos dentes e de ossos encontrados na cavidade do corpo indicam que o Ticinosuchus muito provavelmente era carnívoro e peixes faziam parte da sua alimentação. Devido à sua localização em sedimentos marinhos do Tétis europeu, seu habitat pode ter incluído o antigo sul da Europa.[2] Considera-se que o Ticinosuchus seja muito próximo ou possivelmente até da mesma espécie que fez os vestígios fósseis de Chirotherium encontrados na Alemanha (o icnofóssil se encontra em exibição no Museu de História Natural da Universidade de Oxford). Estes icnofósseis também mostram uma estreita trilha de pegadas, semelhante à do Ticinosuchus.[5][6]
Classificação
O primeiro espécime deste animal foi encontrado em 1933 no Monte San Giorgio, na Suíça e foi descrito apenas trinta e dois anos mais tarde por Bernard Krebs, que atribuiu a um novo gênero e uma nova espécie de répteis do Triássico, Ticinosuchus ferox (que significa "feroz crocodilo do Ticino").[1] Em 1978, outro espécime foi descoberto no lado italiano do campo, perto de Besano, uma comuna italiana.[7]

Ticinosuchus, embora seja conhecido a partir de um espécime quase completo, foi anormalmente pouco estudado; de acordo com análises filogenéticas feitas por Brusatte et al. (2010), este animal é um representante relativamente primitivo de Rauisuchia, um grupo de arcossauros de hábitos carnívoros e forma particular dos membros.[8]
Um artigo recente coloca o gênero como táxon-irmão de Paracrocodylomorpha e o grupo formado pelos dois como táxon-irmão da nova família Gracilisuchidae, que inclui os gêneros Turfanosuchus, Yonghesuchus e Gracilisuchus, e todos esses grupos pertos da base do Suchia.[9]
Filogenia
O cladograma abaixo mostra a posição filogenética do Ticinosuchus, baseado em Butler et al. (2014):[9]
| Archosauria |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Referências
- Krebs, Bernard (1965). «Ticinosuchus ferox nov. gen. nov. sp. Ein neuer Pseudosuchier aus der Trias des Monte San Giorgio». Neues Jahrbuch fur Geologie und Paläontology, Abhandlungen (em alemão). 81: 1-140
- Nesbitt, Sterling J (29 de abril de 2011). «The early evolution of archosaurs: relationships and the origin of major clades» (PDF). Bulletin of the American Museum of Natural History (em inglês). 352: 1-292. doi:10.1206/352.1. Consultado em 19 de fevereiro de 2016
- Lautenschlager, Stephan; Desojo, Julia Brenda (2011). «Reassessment of the Middle Triassic rauisuchian archosaurs Ticinosuchus ferox and Stagonosuchus nyassicus». Paläontologische Zeitschrift (em inglês). 85 (4): 357-381. doi:10.1007/s12542-011-0105-1. Consultado em 29 de março de 2016
- Palmer, Douglas (1999). The Marshall Illustrated Encyclopedia of Dinosaurs and Prehistoric Animals (em inglês). Londres, Reino Unido: Marshall Editions. 95 páginas. ISBN 1-84028-152-9
- Haubold, Hartmut (2006). «Die Saurierfährten Chirotherium barthii Kaup, 1835 - das Typusmaterial aus dem Buntsandstein bei Hildburghausen/Thüringen und das „Chirotherium-Monument"». Veröffentlichungen des Naturhistorischen Museums Schleusingen (em alemão). 21: 3-31
- «Le impronte di Ticinosuchus ferox scoperte in Valle Maira (Piemonte, provincia di Cuneo):» (em italiano). www.naturaoccitana.it. 28 de julho de 2009. Consultado em 28 de março de 2016
- Pinna, G.; Arduini, P (1978). «Un nuovo esemplare di Ticinosuchus ferox Krebs, rinvenuto nel giacimento Triassico di Besano in Lombardia (Thecodontia, Rauisuchidae)». Natura, Societ`a Italiana di Scienze Naturali, Milano (em italiano). 69: 73-80
- Brusatte, Stephen L.; Benton, Michael J.; Desojo, Julia B.; Langer, Max C (2010). «The higher-level phylogeny of Archosauria (Tetrapoda: Diapsida)». Journal of Systematic Palaeontology (em inglês). 8 (1): 3-47. doi:10.1080/14772010903537732. Consultado em 28 de março de 2016
- Butler, Richard J.; Sullivan, Corwin; Ezcurra, Martín D.; Liu, Jun; Lecuona, Agustina; Sookias, Roland B (2014). PMC 4061117. «New clade of enigmatic early archosaurs yields insights into early pseudosuchian phylogeny and the biogeography of the archosaur radiation». BMC Evolutionary Biology (em inglês). 14. 128 páginas. PMID 24916124. doi:10.1186/1471-2148-14-128. Consultado em 24 de março de 2016
Rhynchosaurus: o "lagarto com bico" do Triássico
| Rhynchosaurus | |
|---|---|
| Crânio | |
| Classificação científica | |
| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Reptilia |
| Ordem: | †Rhynchosauria |
| Família: | †Rhynchosauridae |
| Gênero: | †Rhynchosaurus Owen, 1842 |
| Species | |
| |
Rhynchosaurus (que significa "lagarto com bico") foi um gênero de réptil arcossauromorfo que habitou o Reino Unido durante o período Triássico. Sua espécie-tipo e única espécie foi descoberta nas formações Taporley Siltstone, e possivelmente arenitos imediatamente abaixo desta formação, e Grinshill Sandstone.
Taxonomia
Rhynchosaurus articeps

Alguns anos antes de 1842, o dono de pedreira John Carline e o naturalista T. Ogier Ward descobriram os primeiros espécimes de Rhynchosaurus e os enviaram a um museu em Shropshire e à Sociedade de História Natural do Norte de Gales[1] (Ward, no entanto, disse que foi ele quem primeiro achou os restos em 1838-39[2]). Os ossos foram posteriormente descritos por Richard Owen em 1842,[3][4] embora Ward, em 1840, tenha descrito pegadas (encontradas nos mesmos leitos que os ossos) que foram mais tarde identificadas como de "tipo rincossauróide".[5][6][1] Os espécimes descritos por Owen são: SHRBM G132/1982, formalmente ShM 1 (um crânio bem completo e mandíbula); um crânio parcial agora perdido; SHRBM G134/1982, formalmente ShM 2 (algumas vértebras dorsais e costelas agora perdidas e uma escápula, coracóide e úmero); algumas vértebras caudais agora perdidas; algumas vértebras dorsais, costelas e membros agora perdidos; e um ílio parcial e dois ossos dos membros também perdidos. Apesar da relativa abundância de espécimes, nenhum holótipo foi designado em ambas as descrições de Owen. Sendo assim, em 1990, Benton designou um lectótipo, SHRBM G132/1982, e um paralectótipo, SHRBM G134/1982. Cerca de 17 indivíduos de R. articeps são conhecidos, mas o número mínimo estimado de indivíduos com base na quantidade de crânios é 7.[1]
"Rhynchosaurus brodiei"

Cerca de 15 espécimes individuais escavados na Formação Bromsgrove Sandstone foram encaminhados à espécie "R. brodiei" por Benton em 1990.[1] Entretanto, em 2016, Ezcurra e colegas alegaram que alguns espécimes de "R. brodiei" descritos por Benton não se sobrepõem ao holótipo da espécie (NHMUK PV R8495 e WARMS G6097/1, um crânio parcial que foi preparado em duas instituições diferentes), enquanto outros não tem uma morfologia consistente com a do espécime-tipo. Portanto, "R. brodiei" deve ser restrito ao holótipo.[7] Butler et al. (2015), foram os que primeiro evidenciaram que Rhynchosaurus (naquele momento composto por R. articeps e R. brodiei) podia não ser monofilético, mas sim parafilético.[8] Ezcurra et al. (2016) então mostraram mais evidências a favor disso e erigiram o gênero Langeronyx para a espécie "R. brodiei".[7]
"Rhynchosaurus spenceri"
A espécie "R. spenceri" foi nomeada e descrita inicialmente por Benton em 1990.[1] Um crânio parcial e mandíbula (espécime EXEMS 60/1985.292) foram designados como holótipo.[1] 34 espécimes pertencem a esta espécie, representando pouco mais de 24 indivíduos.[9][1] Todos os espécimes foram encontrados na Formação Otter Sandstone.[1]
Em seu artigo de descrição inicial, "R. spenceri" não foi incluído na análise cladística porque era muito incompleto, ação criticada por Wilkinson e Benton.[10] Estes autores, então, incluíram a espécie em análise filogenéticas e encontraram dois cenários: no primeiro, ela estaria entre as duas outras espécies de Rhynchosaurus (R. articeps e "R. brodiei"); no segundo, ela pertenceria a um clado de rincossauros do Triássico Superior.[10] Langer e Schultz, anos mais tarde, chegaram no mesmo resultado.[11] Sendo assim, em 2008, Hone e Benton ergueram um novo gênero para "R. spenceri": Fodonyx.[9]
Referências
- Benton, Michael J.; Westoll, Thomas Stanley (12 de junho de 1990). «The species of Rhyncosaurus, a rhynchosaur (Reptilia, Diapsida) from the Middle Triassic of England». Philosophical Transactions of the Royal Society of London. B, Biological Sciences (1247): 213–306. doi:10.1098/rstb.1990.0114. Consultado em 20 de fevereiro de 2024
- Ward, T. Ogier (novembro de 1874). «Note on the Rhynchosaurus Articeps, Owen». Nature (em inglês) (262): 8–8. ISSN 1476-4687. doi:10.1038/011008c0. Consultado em 20 de fevereiro de 2024
- Owen, R. 1842b Report on British fossil reptiles. part II. Rep. Br. Ass. Advmt Sci. 1842 (1841), pp. 60-204
- Owen, R. 1842c Description of an extinct lacertilian, Rhynchosaurus articeps, Owen, of which the bones and foot-prints characterize the upper New Red Sandstone at Grinshill, near Shrewsbury. Trans. Camb. phil. Soc. 7 (2), 355 369.
- Ward, T. O. 1840 On the foot-prints and ripple marks of the New Red Sandstone of Grinshill, Shropshire. Rep. Br. Ass. Advmt Sci. 1840 (1839), 75-76.
- Beasley, H. C. 1906 Notes on footprints from the Trias in the museum of Warwickshire Natural History and Archaeological Society at Warwick. Rep. Br. Ass. Advmt Sci. 1906 (1905), pp. 162-165.
- Ezcurra, Martín D.; Montefeltro, Felipe; Butler, Richard J. (2016). «The Early Evolution of Rhynchosaurs». Frontiers in Ecology and Evolution. ISSN 2296-701X. doi:10.3389/fevo.2015.00142. Consultado em 20 de fevereiro de 2024
- Butler, Richard J.; Ezcurra, Martín D.; Montefeltro, Felipe C.; Samathi, Adun; Sobral, Gabriela (julho de 2015). «A new species of basal rhynchosaur (Diapsida: Archosauromorpha) from the early Middle Triassic of South Africa, and the early evolution of Rhynchosauria». Zoological Journal of the Linnean Society (em inglês) (3): 571–588. doi:10.1111/zoj.12246. Consultado em 20 de fevereiro de 2024
- HONE, DAVID W. E.; BENTON, MICHAEL J. (17 de janeiro de 2008). «A new genus of rhynchosaur from the Middle Triassic of South-west England». Palaeontology (1): 95–115. ISSN 0031-0239. doi:10.1111/j.1475-4983.2007.00739.x. Consultado em 20 de fevereiro de 2024
- Wilkinson, Mark; Benton, Michael J. (1 de agosto de 1995). «Missing data and rhynchosaur phylogeny». Historical Biology (2): 137–150. ISSN 0891-2963. doi:10.1080/10292389509380517. Consultado em 20 de fevereiro de 2024
- Langer, Max C.; Schultz, Cesar L. (outubro de 2000). «A New Species Of The Late Triassic Rhynchosaur Hyperodapedon From The Santa Maria Formation Of South Brazil». Palaeontology (4): 633–652. ISSN 0031-0239. doi:10.1111/1475-4983.00143. Consultado em 20 de fevereiro de 2024
Rhynchosaurus: o "lagarto com bico" do Triássico
História e taxonomia
Descoberta e primeiros estudos
Espécies que deixaram de pertencer ao gênero
- "Rhynchosaurus brodiei": Proposta por Benton em 1990, com base em cerca de 15 fósseis da Formação Bromsgrove Sandstone. Estudos de 2016, conduzidos por Ezcurra e sua equipe, demonstraram que apenas o exemplar de referência (holótipo) apresentava características compatíveis com a descrição original; os demais materiais não correspondiam ao perfil morfológico esperado. Além disso, análises filogenéticas indicaram que o grupo formado por R. articeps e "R. brodiei" não era um grupo natural (monofilético). Por isso, essa espécie foi transferida para um gênero novo, batizado de Langeronyx.
- "Rhynchosaurus spenceri": Também descrita por Benton em 1990, com base em 34 fósseis da Formação Otter Sandstone, que representam cerca de 24 indivíduos. No início, não foi possível incluí-la em estudos de parentesco evolutivo por causa da incompletude dos fósseis. Trabalhos posteriores, porém, mostraram que ela ocupava uma posição distinta na árvore evolutiva: ora entre as outras espécies de Rhynchosaurus, ora em um grupo de rincossauros que viveram no Triássico Superior. Diante dessas evidências, em 2008, Hone e Benton criaram o gênero Fodonyx, para o qual essa espécie foi transferida definitivamente.