Mostrando postagens com marcador Candido Mäder e a Residência da Rua João Negrão: A Grandeza Arquitetônica de uma Família na Curitiba dos Anos 1920. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Candido Mäder e a Residência da Rua João Negrão: A Grandeza Arquitetônica de uma Família na Curitiba dos Anos 1920. Mostrar todas as postagens

domingo, 30 de novembro de 2025

Candido Mäder e a Residência da Rua João Negrão: A Grandeza Arquitetônica de uma Família na Curitiba dos Anos 1920

 Eduardo Fernando Chaves:  Projetista

Denominação inicial: Projecto de residência para o Snr. Candido Mäder

Denominação atual:

Categoria (Uso): Residência
Subcategoria: Residência de Grande Porte

Endereço: Rua João Negrão, nº 96

Número de pavimentos: 2
Área do pavimento: 
Área Total: 

Técnica/Material Construtivo: Alvenaria de Tijolos

Data do Projeto Arquitetônico: 1926 - 1927

Alvará de Construção: 

Descrição: Fotografias da residência de Candido Mäder e planta do muro.

Situação em 2012: Demolido


Imagens

1 – Elevação do muro a ser construído.
2 – Fotografia da Residência de Nicolau Mäder na década de 1920.
3 – Detalhe da “rotunda” da residência ainda em construção (década de 1920).

Referências: 

1 – Microfilme digitalizado.
2 e 3 – Coleção Residência Candido Mäder.

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba; Rosa M.M. de Pauli.

Candido Mäder e a Residência da Rua João Negrão: A Grandeza Arquitetônica de uma Família na Curitiba dos Anos 1920

Na Curitiba dos anos 1920 — uma cidade em plena efervescência urbana, entre trilhos de bondes, chácaras em loteamento e a ascensão de uma elite industrial e comercial — ergueu-se, na Rua João Negrão, nº 96, uma residência que marcava presença não apenas pelo tamanho, mas pela distinção arquitetônica: a casa de Candido Mäder, projetada por Eduardo Fernando Chaves, um dos principais projetistas da época.

Classificada como “Residência de Grande Porte”, essa obra destacava-se em meio à paisagem residencial curitibana por sua imponência, volumetria em dois pavimentos e refinamento construtivo em alvenaria de tijolos — materiais que denotavam estabilidade, prestígio e visão de futuro.


Uma Casa para uma Família de Projeção

O nome Mäder já era conhecido em Curitiba. Associado à indústria farmacêutica — por meio da Farmacêutica Mäder, fundada por Nicolau Mäder, provavelmente parente próximo de Candido — a família simbolizava o sucesso do empreendedorismo imigrante de origem alemã no Paraná. A residência na João Negrão não era apenas um lar; era uma declaração de status social, cultural e econômico.

Embora os registros não especifiquem a área exata da construção, o fato de ter dois pavimentos e conter elementos como uma “rotunda” (espaço circular ou abóbada arquitetônica, raro em residências comuns da época) indica um programa arquitetônico sofisticado: salões de recepção, escadaria nobre, jardins bem delineados e, possivelmente, dependências para empregados.

Um detalhe simbólico e raro: o projeto incluía elevação do muro perimetral, sugerindo preocupação não apenas com a privacidade, mas com a identidade visual do lote. O muro, muitas vezes negligenciado, era aqui parte integrante da composição arquitetônica — uma moldura para a casa.


Eduardo Fernando Chaves: Entre o Técnico e o Artístico

Mais uma vez, o nome de Eduardo Fernando Chaves surge como ponte entre o desejo do cliente e a realidade construtiva. Embora muitas vezes rotulado apenas como “projetista”, sua atuação na residência Mäder revela um domínio técnico-estético compatível com os cânones da arquitetura eclética da Primeira República.

Em um período em que a arquitetura curitibana oscilava entre o vernáculo e o academicismo europeu, Chaves demonstrou habilidade em equilibrar monumentalidade e habitabilidade. A “rotunda” mencionada nas fotografias — captada ainda em construção — sugere influência de estilos neoclássicos ou até renascentistas, adaptados com modéstia ao contexto local.

Sua parceria com famílias como os Mäder revela que, longe de atuar apenas em residências econômicas (como vimos em outros projetos), Chaves também era procurado por elites urbanas para obras de envergadura — o que amplia significativamente seu papel na história arquitetônica da cidade.


Imagens que Sobreviveram à Demolição

Embora a casa tenha sido demolida antes de 2012, felizmente seu legado visual foi parcialmente preservado. O Arquivo Público Municipal de Curitiba guarda:

  1. Elevação do muro — um raro documento de projeto de paisagismo urbano doméstico;
  2. Fotografia da residência de Nicolau Mäder na década de 1920 — possivelmente a mesma propriedade ou residência irmã, dada a proximidade familiar;
  3. Detalhe da “rotunda” em construção — imagem rara que mostra a estrutura em obra, permitindo compreender técnicas construtivas e ritmo de execução.

Esses registros, especialmente a fotografia da rotunda, são preciosos para a história da arquitetura residencial em Curitiba, pois ilustram soluções formais que quase não subsistem no tecido urbano atual.

A menção a Rosa M. M. de Pauli como detentora de parte do acervo também reforça a importância da memória privada na preservação da história urbana — muitas vezes, são famílias, fotógrafos amadores e colecionadores que salvam o que as instituições não conseguem registrar a tempo.


Um Símbolo Perdido, uma História Recuperada

A demolição da residência de Candido Mäder é mais um exemplo do apagamento acelerado do patrimônio arquitetônico residencial do século XX em Curitiba. Não era um palácio, mas era uma casa que contava uma história de integração, sucesso, gosto e identidade cultural.

Seu desaparecimento físico não anula seu valor. Pelo contrário: torna urgente o resgate documental de projetos como este — não apenas como curiosidade histórica, mas como referência para entender como Curitiba se viu, se construiu e se sonhou.


Legado

Candido Mäder, ao encomendar uma residência de grande porte a um projetista de reconhecido talento, investiu mais do que em tijolos e cal: investiu em uma visão de futuro, em pertencimento e em beleza.

Eduardo Fernando Chaves, por sua vez, provou que sua obra abarcava tanto o povo quanto a elite — e que, em ambos os casos, tratava a arquitetura com seriedade, dignidade e arte.

Hoje, ao olhar as fotografias em preto e branco da rotunda em construção, somos convidados a imaginar os passos que ecoavam naqueles corredores, as reuniões sob aquela cúpula, os jantares nas varandas.

A casa se foi. A história, não.

“Grandes cidades não se medem apenas por seus edifícios em pé, mas pelas vidas que abrigaram — mesmo que em ruínas ou memórias.”


Ficha Técnica da Obra

  • Proprietário: Candido Mäder
  • Projetista: Eduardo Fernando Chaves
  • Endereço: Rua João Negrão, nº 96 – Curitiba, PR
  • Período do Projeto: 1926–1927
  • Categoria: Residência de Grande Porte
  • Pavimentos: 2
  • Material: Alvenaria de tijolos
  • Elementos notáveis: Rotunda, muro perimetral projetado
  • Situação em 2012: Demolido
  • Documentação preservada:
    • Microfilme digitalizado (Arquivo Público Municipal de Curitiba)
    • Fotografias da residência e da rotunda em construção (Coleção Residência Candido Mäder / Acervo Rosa M. M. de Pauli)