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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

O Barracão de Lourenço Zanello: Uma Pequena Arquitetura de Esperança na Curitiba dos Anos 1920

 Denominação inicial: Projecto para barracão de madeira do Snr. Lourenço Zanello

Denominação atual:

Categoria (Uso): Diversos
Subcategoria: Barracão

Endereço: Rua Ivahy entre as Ruas 24 de Maio e Alferes Poli.

Número de pavimentos: 1
Área do pavimento: 24,00 m²
Área Total: 24,00 m²

Técnica/Material Construtivo: Madeira

Data do Projeto Arquitetônico: 12/07/1928

Alvará de Construção: N° 3013/1928

Descrição: Projeto Arquitetônico para construção de barracão.

Situação em 2012: Demolido


Imagens

1 - Projeto Arquitetônico.

Referências: 

1 - GASTÃO CHAVES & CIA. Projecto para barracão de madeira do Snr. Lourenço Zanello, à Rua Ivahy entre as ruas 24 de Maio e Alferes Poli. Planta do pavimento térreo e de implantação, corte e fachadas frontal e lateral apresentados em uma prancha. Microfilme digitalizado.

Acervo: Arquivo Público Municipal de Curitiba.

O Barracão de Lourenço Zanello: Uma Pequena Arquitetura de Esperança na Curitiba dos Anos 1920

No coração do centro histórico de Curitiba, entre as ruas que guardam séculos de memória urbana, ergueu-se, por breve tempo, uma modesta estrutura de madeira — pequena em dimensão, mas rica em significado. Tratava-se do barracão projetado para o senhor Lourenço Zanello, aprovado em 12 de julho de 1928 pela renomada firma Gastão Chaves & Cia. Embora hoje desaparecido, seu projeto arquitetônico, preservado em microfilme, resgata não apenas uma construção, mas um modo de vida: o do trabalhador comum que, com mãos calejadas e espírito empreendedor, ajudou a tecer a cidade que hoje conhecemos.


Um Espaço de Apenas 24 m²: Grandeza na Simplicidade

Com apenas 24,00 metros quadrados, o barracão de Lourenço Zanello era uma das menores estruturas registradas entre os projetos comerciais da época. Localizado na Rua Ivahy, entre as importantes vias 24 de Maio e Alferes Poli — eixo dinâmico do comércio, da indústria leve e do artesanato curitibano —, o barracão ocupava um terreno estratégico, mesmo que diminuto.

Construído inteiramente em madeira, material emblemático da arquitetura popular do início do século XX, o edifício refletia a lógica de custo-benefício, rapidez e adaptabilidade. Nesses pequenos espaços, floresciam oficinas de marcenaria, consertos de bicicletas, depósitos de ferragens, armazéns de produtos agrícolas ou simples abrigos para ferramentas e mercadorias. Cada metro quadrado era sagrado — e Lourenço, com certeza, sabia disso.


Lourenço Zanello: Um Nome Italiano na Trama Paranaense

O sobrenome Zanello aponta claramente para origem italiana, provavelmente vindo de imigrantes que se instalaram no Paraná nas últimas décadas do século XIX ou início do XX. Muitos desses imigrantes dedicaram-se a ofícios manuais, comércio de bairro ou pequenas indústrias familiares. Lourenço, provavelmente filho ou neto de imigrantes, seguia essa tradição — e ao encomendar um projeto arquitetônico, mesmo para um barracão, demonstrava respeito pelas leis urbanas e ambição de legitimar seu espaço na cidade.

Seu nome, gravado em tinta sépia nos arquivos municipais, é um eco da multiculturalidade que forjou a identidade curitibana: poloneses, italianos, ucranianos, sírio-libaneses — todos contribuíram, cada um com seu tijolo, sua madeira, seu suor.


O Projeto de Gastão Chaves & Cia.: Profissionalismo até nas Pequenas Obras

Apesar da simplicidade da encomenda, a firma Gastão Chaves & Cia. — responsável por edifícios públicos, residências burguesas e infraestruturas urbanas — dedicou ao projeto o mesmo rigor técnico aplicado a obras maiores. A prancha original, hoje digitalizada em microfilme, apresenta:

  • Planta do pavimento térreo
  • Planta de implantação no terreno
  • Corte construtivo
  • Fachadas frontal e lateral

Esses desenhos, feitos à mão com precisão milimétrica, revelam um compromisso com a clareza funcional e a integração urbana. Mesmo um barracão precisava dialogar com a rua, respeitar alinhamentos e garantir ventilação e acesso. Era arquitetura ao serviço da vida real, não da vaidade.

O projeto foi oficialmente autorizado pelo Alvará de Construção nº 3013/1928, emitido pela prefeitura de Curitiba — sinal de que, já na década de 1920, a cidade caminhava para um modelo de urbanismo regulado, onde até as construções mais humildes exigiam planejamento.


Desaparecimento e Memória Ativa

Em 2012, o barracão de Lourenço Zanello já havia sido demolido, provavelmente cedendo lugar a novas edificações ou ao esquecimento. Nenhuma fotografia do edifício erguido sobreviveu — apenas o desenho idealizado, que hoje habita os arquivos históricos como relíquia silenciosa.

Mas sua ausência não diminui seu valor. Pelo contrário: estruturas como essa são peças essenciais do mosaico urbano cotidiano. Elas não aparecem em postais, mas sustentavam a economia local. Não eram monumentos, mas eram abrigo do trabalho, da dignidade e da sobrevivência.


Legado de uma Pequena Grande Estrutura

O barracão de Lourenço Zanello ensina que:

  • A história urbana não se escreve apenas com palácios, mas com 24 m² de madeira bem usados;
  • A arquitetura popular é tão digna de preservação quanto a monumental;
  • E que, por trás de cada nome em um alvará antigo, há uma vida inteira de esforço e esperança.

Hoje, ao caminhar pela Rua Ivahy, entre as sombras das construções modernas, talvez passe despercebido o ponto exato onde, um dia, um homem chamado Lourenço Zanello viu seu pequeno sonho tomar forma — tábua por tábua, prego por prego.

Seu nome, graças a um projeto arquitetônico cuidadosamente arquivado, não se perdeu por completo. E é nisso que reside sua eternidade.


Ficha Técnica Resumida

  • Denominação inicial: Projecto para barracão de madeira do Snr. Lourenço Zanello
  • Localização: Rua Ivahy, entre as ruas 24 de Maio e Alferes Poli, Curitiba – PR
  • Data do projeto: 12 de julho de 1928
  • Arquitetura/Engenharia: Gastão Chaves & Cia.
  • Área total: 24,00 m² (1 pavimento)
  • Material construtivo: Madeira
  • Alvará de construção: nº 3013/1928
  • Situação em 2012: Demolido
  • Documentação existente: Projeto arquitetônico (planta, implantação, corte, fachadas frontal e lateral) em microfilme

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