sexta-feira, 17 de abril de 2026

Orthemio Hortencio CECATO Nascido a 22 de setembro de 1918 (domingo) - Curitiba, Parana, Brasil Falecido a 1 de fevereiro de 1987 (domingo) - Curitiba, Parana, Brasil, com a idade de 68 anos Comerciante

 Orthemio Hortencio CECATO Nascido a 22 de setembro de 1918 (domingo) - Curitiba, Parana, Brasil Falecido a 1 de fevereiro de 1987 (domingo) - Curitiba, Parana, Brasil, com a idade de 68 anos Comerciante

Orthemio Hortencio Cecato: Uma Vida Tecida em Amor, Resiliência e Família

Nascer em Curitiba no dia 22 de setembro de 1918, um domingo silencioso que ainda guardava os ecos de um mundo em reconstrução, foi o primeiro ato de uma existência marcada pela dignidade, pelo trabalho honesto e por um amor profundo à família. Orthemio Hortencio Cecato não buscou holofotes nem escreveu sua história em grandes feitos públicos; ele a escreveu no dia a dia, no balcão da loja, nos abraços aos filhos, na lealdade à esposa e na firmeza diante das perdas que a vida, inevitavelmente, impõe. Aos 68 anos, partiu em 1º de fevereiro de 1987, também num domingo, deixando para trás não apenas memórias, mas um alicerce familiar que atravessa gerações.

As Raízes: Pais e Herança

A linhagem de Orthemio era um entrelaçar de tradições. Seu pai, João Cecato Junior, nascido por volta de 1881, carregava consigo a força e a determinação típicas de quem constrói vida do zero. Sua mãe, Ida Elisa Engelhardt, nascida em 1881, trazia na alma a herança germânica de seus antepassados, como o avô Frederico Engelhardt, cuja partida em 1924 marcou o início de uma era de mudanças na família. Juntos, João e Ida formaram um lar onde a palavra empenho era tão sagrada quanto o afeto. Orthemio cresceu ouvindo histórias de imigração, de adaptação e de fé, valores que se tornariam a bússola de sua própria caminhada.

Infância, Irmãos e as Primeiras Perdas

A família Cecato crescia, mas também conhecia a dor precoce. Entre 1907 e 1909, nasceram e partiram rapidamente José e Maria, irmãos cujas vidas efêmeras ensinaram à família o valor de cada respiro. Em 1912, chegou João, que se tornaria o irmão mais velho e, décadas depois, um testemunho vivo da longevidade familiar. Quando Orthemio nasceu, em 1918, o lar já respirava a mistura de alegria e cautela que só quem viveu perdas compreende. Em 1922 e 1924, vieram Izolde e Yone, completando o círculo de irmãos que acompanhariam Orthemio por diferentes fases da vida.
A primeira grande provação veio cedo. Em 4 de junho de 1931, quando Orthemio tinha apenas 12 anos, seu pai, João Cecato Junior, faleceu. Perder o pai na infância é um corte que molda caráter. Sem espaço para luto prolongado, o menino precisou amadurecer. Aprendeu que a vida não espera e que a responsabilidade, muitas vezes, chega antes do tempo. Foi nesse período que a figura de sua mãe, Ida Elisa, se ergueu como rocha: viúva, mãe de cinco filhos, administrando a casa e sustentando os sonhos com trabalho discreto e inabalável.

Juventude e a Vida de Comerciante

Curitiba da década de 1930 e 1940 era uma cidade em transformação. Ruas de paralelepípedo cediam lugar ao asfalto, bondes elétricos cortavam bairros e um espírito empreendedor começava a definir a identidade paranaense. Orthemio inseriu-se nesse ritmo. Comerciante por vocação e por necessidade, descobriu no ato de negociar não apenas um meio de sustento, mas uma forma de servir. Na loja, no atendimento, na palavra dada, ele cultivou reputação de homem íntegro. Seu balcão não era apenas um ponto de venda; era um espaço de escuta, de conselho, de trocas que iam além da mercadoria.
O comércio exigia paciência, disciplina e visão. Ele as teve. Sabia que cada cliente era uma história, cada conta em dia era um pacto de confiança, e cada dia de trabalho era um tijolo na construção do futuro de sua família. Não acumulou fortunas vistosas, mas acumulou algo mais raro: respeito.

O Amor que Teve Nome: O Casamento com Léa

Em 8 de junho de 1946, um sábado de outono curitibano, Orthemio, então com 27 anos, uniu sua vida à de Léa França Silva. Nascida em 1923, Léa trouxe ao matrimônio a leveza e a força de uma mulher que sabia que o casamento não é apenas um contrato, mas uma parceria de vida. Juntos, construíram um lar onde o diálogo substituía o orgulho, onde o trabalho dividido não pesava, e onde o amor se mostrava nos pequenos gestos: na mesa posta, na roupa arrumada, no silêncio cúmplice após um dia longo.
O casamento de Orthemio e Léa durou mais de quatro décadas. Não foi isento de desafios, mas foi sustentado por uma convicção simples e poderosa: a família vem primeiro. Eles não precisavam de grandes declarações públicas; sua união falava pelas atitudes, pela constância, pela maneira como enfrentaram lutos, crises e mudanças de época sempre de mãos dadas.

A Bênção dos Filhos

Da união nasceram três filhos, cada um com sua marca, todos carregando um pedaço do legado dos pais. Luis Fernando chegou para ser o primogênito, aquele que abre caminho e carrega expectativas, mas que encontrou nos pais a liberdade para ser ele mesmo. Gloria Mariza trouxe a sensibilidade e a presença feminina que equilibrou a casa, tornando-se o elo afetivo entre irmãos e gerações. Ortemio Junior, o caçula, herdou o nome e, com ele, a responsabilidade de manter viva a memória do pai, selando sua própria história ao se unir a Naraciara Zampini, ampliando ainda mais a árvore genealógica que Orthemio ajudara a plantar.
Criar filhos no Brasil da segunda metade do século XX exigiu visão. Orthemio e Léa não os pouparam do trabalho, mas também não os privaram do afeto. Ensinaram que a educação é a maior herança, que a honestidade vale mais que qualquer atalho, e que o sucesso não se mede apenas em bens, mas em caráter. Os filhos cresceram ouvindo histórias de avós, aprendendo a respeitar as raízes e a olhar para o futuro com coragem.

Lutos, Resiliência e o Peso do Tempo

A vida, porém, não poupou Orthemio das despedidas. Em 11 de março de 1953, sua irmã Izolde partiu aos 30 anos. Perder um irmão na juventude é ver um pedaço do próprio passado se apagar antes do tempo. Dois anos depois, em 1955, se Yone ainda estava presente, o tempo já começava a mostrar seu curso inexorável. Em 8 de novembro de 1963, faleceu Ida Elisa Engelhardt, sua mãe, aos 82 anos. Orthemio, então com 45 anos, viu partir a mulher que fora seu porto seguro após a morte do pai. Naquele dia, compreendeu de vez que ser adulto também é saber segurar as pontas quando os que nos ensinaram a andar já não caminham mais.
Ele não se deixou paralisar pela dor. Transformou-a em cuidado, em presença, em silêncio que acolhe. Manteve viva a memória dos que partiram através de gestos simples: uma foto na estante, uma história contada aos netos, um valor preservado na rotina. Sua resiliência não era de aço, era de madeira nobre: flexível, durável, enraizada.

Os Últimos Anos e o Legado que Permanece

Nos anos 1970 e 1980, Curitiba cresceu, modernizou-se, mas Orthemio manteve o passo firme. Continuou como comerciante, adaptando-se sem perder a essência. Viu os filhos se tornarem adultos, acompanhou o crescimento da família, celebrou novos nascimentos, partilhou conselhos, riu, chorou, rezou, trabalhou. Quando 1º de fevereiro de 1987 chegou, um domingo como o de seu nascimento, ele partiu em paz, cercado pelo amor que cultivou e pelo respeito que conquistou. Tinha 68 anos. Não foi uma vida longa por padrões modernos, mas foi plena por padrões humanos.
Léa permaneceu com a família até 1992, cuidando da memória do marido e da unidade dos filhos. Os irmãos que sobreviveram, João e Yone, seguiram seus caminhos, carregando consigo as lembranças da infância compartilhada, das brigas de criança, das risadas à mesa, da força que os manteve unidos mesmo quando a vida os separou geograficamente ou pelo tempo.

Conclusão: O Que Fica

Orthemio Hortencio Cecato não deixou discursos gravados nem nomes em placas de bronze. Deixou algo mais difícil de apagar: a coerência de uma vida vivida com integridade. Deixou os filhos que honram seu nome, os netos que carregam seu sangue, as histórias que ainda são contadas em reuniões familiares, os valores que ecoam em cada escolha honesta, em cada gesto de lealdade, em cada tarde de domingo reunindo gerações.
Sua vida nos lembra que a grandeza não mora apenas nos feitos extraordinários, mas na constância do ordinário bem feito. No comércio, foi homem de palavra. No casamento, foi parceiro. Na paternidade, foi guia. Na irmandade, foi presença. Na fé, foi silêncio que sustenta.
Hoje, quando o vento sopra sobre as árvores antigas de Curitiba ou quando uma família se reúne para recordar os que já partiram, é como se Orthemio ainda estivesse ali, de pé, observando com olhos serenos o que plantou. E o que plantou, frutificou. Não em títulos ou fortunas, mas em laços. E laços, quando bem tecidos, nenhum tempo desfaz.
  • Nascido a 22 de setembro de 1918 (domingo) - Curitiba, Parana, Brasil
  • Falecido a 1 de fevereiro de 1987 (domingo) - Curitiba, Parana, Brasil, com a idade de 68 anos
  • Comerciante

 Pais

 Casamento(s) e filho(s)

 Irmãos

 Notas

Notas individuais

As duas grafias Orthemio e Hortencio constam em diferentes documentos.

 Árvore genealógica (até aos avós)

  Frederico ENGELHARDT ca 1845-1924 sosa Johanna Maria Dorothea BOTHE 1839-1909
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João CECATO Junior ca 1881-1931 Ida Elisa ENGELHARDT 1881-1963
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Orthemio Hortencio CECATO 1918-1987


191822 set.
192217 ago.
3 anos

Nascimento de uma irmã

192428 maio
5 anos
192416 set.
5 anos
19314 jun.
12 anos
19468 jun.
27 anos
195311 mar.
34 anos
19638 nov.
45 anos

Morte da mãe

19871 fev.
68 anos

Antepassados de Orthemio Hortencio CECATO

      Heinrich Christoph FRANKE Sophia Elisabeth Friederieke KNABEN KNABE
      | |
      


      |
    Heinrich Andréas Christian BOTHE Marie Dorothea FRANKE 1814
    | |
    


    |
  Frederico ENGELHARDT ca 1845-1924 Johanna Maria Dorothea BOTHE 1839-1909
  | |
  


  |
João CECATO Junior ca 1881-1931 Ida Elisa ENGELHARDT 1881-1963
|- 1906 -|



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Orthemio Hortencio CECATO 1918-1987



Descendentes de Orthemio Hortencio CECATO

  








































































































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