quinta-feira, 19 de março de 2026

Olha só, o árduo trabalho dos operários, na ocasião do prolongamento da RUA LAMENHA LINS, captada por Arthur Wischral em Maio de 1940.

 Olha só, o árduo trabalho dos operários, na ocasião do prolongamento da RUA LAMENHA LINS, captada por Arthur Wischral em Maio de 1940.





A nostálgica RUA XV de NOVEMBRO, a partir da esquina com a RUA BARÃO do RIO BRANCO do ano de 1948.

 A nostálgica RUA XV de NOVEMBRO, a partir da esquina com a RUA BARÃO do RIO BRANCO do ano de 1948.


NOVA SEDE DOS CORREIOS E TELÉGRAFOS DE CURITIBA Inauguração da nova sede dos Correios de Curitiba, em 1935. Uma obra arrojada e vultuosa do governo para a época, semelhante aos padrões europeus de então. No rodapé da foto, os jardins da Praça Santos Andrade. (Foto: Arquivo Gazeta do Povo) Paulo Grani.

 NOVA SEDE DOS CORREIOS E TELÉGRAFOS DE CURITIBA  Inauguração da nova sede dos Correios de Curitiba, em 1935. Uma obra arrojada e vultuosa do governo para a época, semelhante aos padrões europeus de então.  No rodapé da foto, os jardins da Praça Santos Andrade.  (Foto: Arquivo Gazeta do Povo)  Paulo Grani. 


RELEMBRANDO A CONFEITARIA SCHAFFER

 RELEMBRANDO A CONFEITARIA SCHAFFER



Em setembro de 1922, o livro "Galeria Paranaense-Notas Biographicas', de Sebastião Paraná, publicou:
"Nascido nos arredores de Coritiba, a 09/02/1866, filho do Sr. João Schaffer e de Dª Anna Schaffer, ambos imigrantes naturais da Áustria, Francisco Schaffer desde os primeiros anos mostrou-se inteligente e atinado, aprendendo a ler sem mestre, ou melhor, sendo mestre de si mesmo. Seguiu a profissão de seu pai, que era comercmnte estabelecido nas circum-vizinhanças de Curitiba, á margem da estrada que conduz ao bairro do Pilarzinho.
Em 1890, com 24 anos de idade, foi á Europa a fim de estudar os processos mais práticos e vantajosos de viticultura. Regressando ao Paraná iniciou aqui a plantação de videiras em grande escala. Porém, após 18 anos de experiências infrutuosas, abandonou aquela indústria, por se ter convencido de que o clima inconstante e chuvoso do planalto curitibano não ser propício á maturação perfeita da uva.
Foi então que, em 1912, o sr. Francisco Schaffer, decidiu importar da Hollanda nove novilhas leiteirasbe hum touro da raça frísia-holandesa e, com esses animais, passou a dedicar-se à produção leiteira no bairro do Pilarzinho. Suas vacas, produziam mais de 30 garrafas de leite por dia, sendo os animais ordenhados nas primeiras horas do dia e á tarde.
Este digno e laborioso industrial paranaense casou-se em 1893, com Dª Gabriella Wolf Schaffer. São seus descendentes: Dª Emma, casada; senhorinha Clara; Dª Gisela, casada; senhorinhas Rosina e Ida; Francisco, estudante da Escola Agrícola de Lavras (Minas Gerais) e Bruno, que terminou o curso prático do referido estabelecimento de ensino.
O leite da Chácara Schaffer - o melhor que atualmente se produz em Curitiba - é exposto á venda em asseado estabelecimento á rua Quinze de Novembro. [...] O sr. Francisco Schaffer é um cidadão respeitável, carinhoso chefe de família e útil à terra de seu nascimento. Tornou-se homem de muitos haveres à custa de sua inteligência e de seu trabalho incessante."
Auto-didata, Francisco foi um dos pioneiros na implantação de um equipamento para pasteurização do leite a ser distribuído na cidade, até que em 1916 inaugurou na Rua XV de Novembro, a "Leiteria Schaffer". 'O leite comercializado nesse estabelecimento asseado era considerado o melhor de Curitiba. Em poucos anos, os produtos da Chácara Schaffer adquiriram uma excelente reputação. 'O leite da Schaffer tornou-se muito procurado por sua pureza e valor nutritivo', revela João José Bigarella, em Imigrantes da Morávia no Paraná: de Römerstadt à Curityba (Saga dos Schaffer).
Francisco buscava levar ao campo tecnologia que resultasse em um produto de qualidade. Para prover alimento ao gado leiteiro durante todo o ano, construiu um silo de grandes proporções para armazenamento da forragem – o primeiro no Paraná – e foi um dos primeiros a importar trator dos Estados Unidos, além de aplicar sistematicamente técnicas de seleção para o melhor desenvolvimento da produção.
Outra inovação que o empreendedor trouxe para Curitiba foi a maneira de comercializar o leite. 'Novidade em Curitiba, pela forma como o leite passou a ser vendido: em higiênicas garrafas brancas, de bojudo e robusto modelo alemão, como a nossa geração chegou a conhecer antes do advento das embalagens plásticas', conforme relatou Rafael Greca de Macedo.
A primeira passagem da Leiteria Schaffer no número 424 da Rua XV de Novembro, em 1916, foi rápida e logo transferida para o prédio do Clube Curitibano, na esquina da Rua XV de Novembro com a Barão do Rio Branco. Ali permaneceu até 1944, quando Francisco Schaffer, já com 79 anos de idade, foi fiador dos pais de Conrado Esser para o aluguel do antigo ponto da leiteria. 'Como condição, Schaffer pediu que se conservasse o seu nome e a qualidade memorável dos seus produtos', diz Greca no texto do boletim. Com experiência com cafeteria, em Paranaguá, a família Esser assumiu o negócio, passou a oferecer além de leites e derivados, uma variedade de doces, refrigerantes e enlatados. Nascia então a "Confeitaria Schaffer", e retornava ao antigo endereço no número 424 da XV.
Quem experimentasse as delícias da Confeitaria Schaffer era candidato certo à volta. Conrado Esser sempre se orgulhou de jamais haver servido bebidas alcoólicas, e de nunca haver testemunhado qualquer incidente desagradável entre seus fregueses. A rotina de servir o pedido na mesa junto com a nota da caixa foi logo imitada por outros estabelecimentos da cidade. A coalhada servida em potes de porcelana, jamais conseguiu ser imitada. A Schaffer também detinha o honroso título de ser o local onde vetustas senhoras e adiantadas cocotas podiam entrar desacompanhadas, sem qualquer preocupação de ser importunadas.
Foi a Schaffer a introdutora do morango com nata na guia da gente curitibana, além dos mais aplaudidos “milk-shakes”, “frapés”, tortas de nozes e morangos, e a sempre decantada empadinha de palmito, que hoje vive na saudade do maior escritor da terra, Dalton Trevisan.
Nilton Cavalcanti, mais conhecido como "Barão", o mais antigo garçon da casa, ali trabalhou durante 33 anos e nunca, em toda sua vida, trabalhou em outro prédio, porquanto fora garçon do Café Rio Branco, ali localizado anteriormente. Porte inglês, com os cabelos encanecidos, Nilton tratava os mais assíduos pelo nome e costumava até adiantar-se aos pedidos. [...]". Seu Nilton foi condecorado em Brasília, pelo então presidente Sarney, com o título da Ordem do Mérito Judiciário como sendo o garçom que trabalhou por mais tempo em uma única casa.
Em 22/10/1978, a capa do periódico dominical, de 22/10/1978, trazia estampada a manchete: “Apenas recordação diante das cinzas”. A matéria do Diário do Paraná relatava o incêndio que na noite anterior havia destruído, por completo, um tradicional ponto de encontro de Curitiba, a "Confeitaria Schaffer".
' [...] habitual espaço de encontro e de discussão de ideias, assuntos contemporâneos e de manifestações populares –, a confeitaria foi devastada pelas chamas. Do ambiente refinado, discreto e familiar, restaram uma velha geladeira inaproveitável devido ao fogo, e as raríssimas mesas de mármore e ferro, do século passado que acompanharam a Leiteria Schaffer durante seus 47 anos de existência. (...) Em menos de cinco horas o fogo havia destruído uma tradição de duas gerações', dizia a matéria.
Passada uma semana da tragédia, os jornais novamente publicaram, agora anúncios do Clube de Criação do Paraná, com textos “Pegou fogo num pedaço da gente”, “Ponha sua ideia aqui, pelo amor da Schaffer”, um desafio e ao mesmo tempo um compromisso de que algo precisava ser feito para que o comércio fosse reconstruído. Edições posteriores criaram espaços nos jornais de Curitiba para que ideias fossem colocadas em papel e enviadas ao Clube de Criação do Paraná. O apelo deu certo. Foram recebidas 50 sugestões de como possibilitar que a Confeitaria Schaffer voltasse a funcionar e para dissolver a ideia do proprietário do imóvel que havia solicitado ao Patrimônio Histórico do Estado, a demolição da fachada.
Uma das preocupações do Diário da Tarde, daquele 22 de outubro, era com a possibilidade de não se ter acesso a uma última coalhada, principalmente aos consumidores de renome, um deles, o "Vampiro de Curitiba", Um dos mais ilustres conhecidos fregueses foi Dalton Trevisan, que toda tarde tomava leite ou coalhada na Schaffer, chamando de "sangue sem coágulo" o leite', trazia a matéria.
A mobilização popular foi fundamental para que os curitibanos pudessem voltar a provar da famosa coalhada. O escritório de arquitetura de Rafael Dely, Zenon Segundo de Braga Pesch e Ricardo José Machado Pereira, de maneira graciosa criou o projeto de restauro da confeitaria e do sobrado, mantendo as características arquitetônicas da fachada, preservando também, a memória visual da cidade. [...] Para a execução das obras foram levantados recursos na casa de Cr$ 6 milhões, por meio da Fundação Roberto Marinho, Banco do Brasil, Banco do Estado do Paraná e Banco Bamerindus.
Sérgio Mercer, então presidente da Fundação Cultural de Curitiba, foi o líder da campanha pela reconstrução da confeitaria. É dele a declaração publicada no Boletim Informativo da Casa Romário Martins, de janeiro de 1981 e aqui reproduzida: 'A leiteria & seu cardápio - “Durante toda a sua existência, a Schaffer recebeu com fidalguia a família curitibana, no ambiente germanicamente limpo, com suas mesinhas redondas de mármore, porcelana branca e garçons gentis e de todos conhecidos."
Terminada a revitalização, no primeiro semestre de 1981, além da confeitaria totalmente reconstruída, os curitibanos tiveram acesso a um novo espaço cultural no centro da cidade, administrado pela Fundação Cultural de Curitiba. No térreo do edifício voltou a funcionar a confeitaria, e os outros dois pavimentos foram ocupados por lojas, piano-bar, salas de exposição, de projeção – o Cine Groff –, de atividades culturais e de lazer.
A Prefeitura de Curitiba alugou o imóvel por Cr$ 150 mil e assinou um contrato válido por dez anos. De acordo com o jornal Folha de Londrina, de 21/09/2002, uma disputa judicial, iniciada em 1997, pedia a reintegração de posse do imóvel ao proprietário Ivo Bernardo Heisler. “Heisler havia locado o imóvel para a prefeitura na década de 1980, mas desde 1997 não recebia o valor dos aluguéis. A prefeitura se redime, informando que a responsabilidade é de quem sublocava o prédio”, aponta o jornal.
Com os problemas advindos, a Confeitaria Schaffer teve que fechar suas portas na Rua XV de Novembro, em 2002, porém, o herdeiro de Bube Esser, sr. Ronaldo Fonseca Hortmann, mantém seu funcionamento até os dias atuais, atendendo sua fiel clientela, via delivery, através do telefone (41) 998232407.
Assim, os curitibanos ainda podem apreciar as tradicionais coalhadas da Confeitaria Schaffer, "Light" ou "Integral", produzidas artesanalmente, sem quaisquer aditivos químicos, seguindo a receita original fielmente, a mais de 100 anos. Aprovada por seus clientes, as coalhadas são preparadas com mel, canela e açúcar ou puras. Confecciona, também artesanalmente, a sua famosa torta de morango com gelatina e empadões de frango e palmito, pratos de sabores inigualáveis.
(Fotos: Acervo pessoal de Ronaldo Fonseca Hortmann, fotografandocuritiba.com.br, Arquivo Gazeta do Povo, curitiba.pr.gov.br, Casa da Memória de Curitiba)
Paulo Grani

O Modernismo Educacional em Santo Antônio da Platina: A Trajetória do Colégio Estadual Rio Branco

 Denominação inicial: Ginásio Estadual de Santo Antônio da Platina

Denominação atual: Colégio Estadual Rio Branco

Endereço: Rua 19 de Dezembro, 1001 - Centro

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor: Departamento de Edificações

Data: 1949

Estrutura: padronizado

Tipologia: E

Linguagem: 


Data de inauguracao: 1952

Situação atual: Edificação existente com alterações

Uso atual: Edifício escolar

Ginásio Estadual de Santo Antônio da Platina - s/d

Acervo: Colégio Estadual Rio Branco

O Modernismo Educacional em Santo Antônio da Platina: A Trajetória do Colégio Estadual Rio Branco

No centro urbano de Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro do Paraná, ergue-se uma edificação que marca a transição estética e pedagógica do ensino público brasileiro em meados do século XX. Conhecido inicialmente como Ginásio Estadual de Santo Antônio da Platina e atualmente operando como Colégio Estadual Rio Branco, este imóvel é um testemunho vivo da expansão do ensino secundário e da adoção da linguagem modernista na arquitetura escolar paranaense.
Localizado na Rua 19 de Dezembro, 1001, no Centro, o prédio não serve apenas como um espaço funcional para aulas, mas como um marco histórico que conecta o período pós-guerra aos dias atuais. Sua preservação, mesmo com alterações, permite a leitura de uma época onde a educação era vista como vetor de modernidade e progresso racional.

Contexto Histórico: A Era dos Ginásios (1945-1951)

O período estimado para a concepção e construção deste edifício, entre 1945 e 1951, coincide com um momento de otimismo e reestruturação no Brasil. O fim da Segunda Guerra Mundial e o início da redemocratização trouxeram novas demandas sociais, especialmente na área educacional. O sistema de ensino passava por reformas que valorizavam o ciclo ginasial, etapa intermediária entre o ensino primário e o científico/clássico.
A criação do Ginásio Estadual de Santo Antônio da Platina respondeu à necessidade de oferecer ensino secundário de qualidade no interior do estado, descentralizando as oportunidades que antes se concentravam nas capitais ou cidades maiores. A instituição nasceu com o propósito de formar a juventude local sob padrões nacionais de currículo e infraestrutura, refletindo a política educacional do estado do Paraná naquele momento.

Arquitetura Modernista: A Ruptura com o Ornamento

Um dos aspectos mais distintivos do Colégio Estadual Rio Branco é a sua linguagem arquitetônica: o Modernismo. Diferente dos edifícios escolares anteriores da região, que frequentemente adotavam estilos Ecléticos ou Art Déco com ornamentos decorativos, o projeto de 1949 abraçou os princípios da arquitetura moderna.
O Modernismo na arquitetura escolar dos anos 1950 privilegiava a função sobre a forma, o racionalismo construtivo e a higiene ambiental. A fachada e a volumetria do edifício foram desenhadas para transmitir leveza, horizontalidade e transparência, utilizando elementos como grandes janelas para iluminação natural e linhas limpas, desprovidas de decorativismo excessivo. Essa estética comunicava uma ideia de escola nova, eficiente e voltada para o futuro, alinhada com as tendências internacionais que chegavam ao Brasil através de arquitetos como Oscar Niemeyer e Lucio Costa, ainda que adaptadas à realidade das obras públicas estaduais.

O Projeto do Departamento de Edificações

A autoria do projeto é atribuída ao Departamento de Edificações, órgão estatal responsável pelo planejamento e execução de obras públicas no Paraná. Assim como ocorria com a Secção Técnica em décadas anteriores, o Departamento de Edificações atuava na padronização das construções escolares.
O projeto, datado de 1949, revela uma estrutura padronizada. Isso significa que o edifício seguia módulos construtivos e normas técnicas definidas pelo estado, o que facilitava a licitação, a execução e a manutenção predial. A padronização não impediu a qualidade arquitetônica; pelo contrário, garantiu que escolas em diferentes municípios compartilhassem padrões de segurança, conforto térmico e acústico adequados para o aprendizado.

Tipologia em "E": Funcionalidade e Conforto

A classificação tipológica do edifício é E. Esta configuração geométrica é altamente significativa do ponto de vista da engenharia escolar da época. A forma em "E" permite uma distribuição inteligente dos espaços internos.
Geralmente, essa tipologia favorece a criação de múltiplas frentes de iluminação e ventilação, garantindo que as salas de aula recebam luz natural adequada sem incidência solar direta excessiva, um cuidado importante no clima do Norte Pioneiro. Além disso, a forma em "E" organiza os fluxos de circulação, separando áreas administrativas, pedagógicas e de recreação de maneira lógica. Os "braços" da letra E podem abrigar as alas de classes, enquanto o corpo central concentra as áreas comuns, criando pátios internos protegidos que funcionam como espaços de convivência seguros para os alunos.

Inauguração e Consolidação (1952)

A inauguração oficial do edifício ocorreu em 1952, dois anos após o período estimado de construção e três anos após a data do projeto. Esse cronograma reflete a complexidade das obras públicas na época e o cuidado tomado para entregar um equipamento durável à comunidade.
A abertura do Ginásio Estadual foi um evento cívico importante para Santo Antônio da Platina. Representava a concretização de um investimento estatal significativo e a promessa de ascensão social através do estudo para os jovens da cidade. O endereço na Rua 19 de Dezembro, uma via central, reforçava a visibilidade e a importância da instituição na malha urbana.

Transição Identitária: De Ginásio a Colégio Rio Branco

Ao longo das décadas, o sistema educacional brasileiro sofreu diversas reformas. O modelo de "Ginásio" foi substituído por outras estruturas curriculares, e as instituições passaram por renomeações para se adequar às novas leis de diretrizes e bases da educação.
O antigo Ginásio Estadual de Santo Antônio da Platina passou a ser conhecido como Colégio Estadual Rio Branco. A nova denominação homenageia o Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira, uma figura frequentemente celebrada em instituições de ensino para reforçar valores cívicos e nacionais. Apesar da mudança de nome, a continuidade do uso escolar no mesmo endereço mantém vivo o vínculo afetivo da comunidade com o local. Gerações que estudaram no "Ginásio" e gerações que estudam no "Rio Branco" compartilham o mesmo espaço físico, criando uma camada sobreposta de memórias.

Situação Atual: Existente com Alterações

O inventário patrimonial classifica a edificação como existente com alterações. Esta é uma condição comum e esperada para edifícios com mais de 70 anos de uso contínuo. As alterações podem incluir adaptações necessárias para o funcionamento moderno, como instalações elétricas e hidráulicas atualizadas, reformas de acessibilidade, substituição de esquadrias ou modificações internas para atender a novas demandas pedagógicas.
O fato de o uso atual permanecer como edifício escolar é extremamente positivo. Significa que o imóvel não foi abandonado, nem descaracterizado para fins comerciais ou residenciais. Ele continua a cumprir sua função social original. O desafio atual reside em gerir essas alterações de forma consciente, preservando sempre que possível os traços originais do Modernismo, como as linhas da fachada, a volumetria em "E" e os elementos estruturais que definem a identidade do projeto de 1949.

O Acervo Interno: Guardião da Memória Escolar

Um aspecto particularmente interessante deste caso é a localização do acervo documental. Diferente de edifícios cujos históricos estão apenas em secretarias estaduais, as informações e registros fotográficos do Ginásio Estadual de Santo Antônio da Platina - sem data (s/d) encontram-se no Acervo do próprio Colégio Estadual Rio Branco.
Isso indica que a instituição possui uma consciência histórica de sua própria trajetória. Fotografias antigas, documentos de fundação, livros de ata e registros de turmas passadas são guardados pela escola. Esse acervo interno é um tesouro para a comunidade local, permitindo que alunos e professores resgatem a história do prédio onde estudam. A preservação desses documentos dentro da escola fortalece o senso de pertencimento e valoriza o patrimônio imaterial ligado ao edifício físico.

Importância Sociocultural e Patrimonial

O Colégio Estadual Rio Branco é um pilar da identidade de Santo Antônio da Platina. Sua arquitetura Modernista destaca-se no centro da cidade, oferecendo um contraponto visual a construções mais recentes e servindo como referência de um período específico da história da arquitetura paranaense.
A permanência do edifício em pé, enquanto outros exemplos de arquitetura escolar do estado foram demolidos (como o antigo Grupo Escolar da mesma cidade), torna este imóvel ainda mais valioso. Ele é um exemplo raro de sobrevivência física de um projeto do Departamento de Edificações de 1949, com tipologia em "E" e linguagem modernista intacta em sua essência.
Para os moradores, o colégio é um ponto de encontro geracional. Avós, pais e netos podem ter passado pelos mesmos corredores, sob a mesma estrutura racionalista que priorizava a luz e o ar. Essa continuidade cria um tecido social forte em torno da instituição.

Conclusão: Um Legado de Concreto e Saber

O Ginásio Estadual de Santo Antônio da Platina, hoje Colégio Estadual Rio Branco, representa a maturidade da arquitetura escolar pública no Paraná. Projetado em 1949 pelo Departamento de Edificações e inaugurado em 1952, o edifício sintetiza os ideais modernistas de funcionalidade, higiene e progresso que marcaram a metade do século XX.
Sua tipologia em "E" e sua estrutura padronizada são testemunhos de uma época em que o Estado investia na padronização qualitativa das escolas. A situação atual de "edificação existente com alterações" não diminui seu valor; pelo contrário, atesta sua resiliência e utilidade contínua.
Com um acervo histórico guardado em suas próprias dependências, o Colégio Estadual Rio Branco não é apenas um local de ensino, mas um museu vivo de sua própria história. Preservar sua memória, documentar suas alterações e valorizar sua arquitetura original são passos essenciais para garantir que este marco do Modernismo no Norte Pioneiro continue a inspirar futuras gerações, mantendo viva a chama do saber que foi acesa em 1952 na Rua 19 de Dezembro.

Memórias de Pedra e Cal: A História do Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina

 Denominação inicial: Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina

Denominação atual: Colégio Estadual Dr. Ubaldino do Amaral

Endereço: Rua Coronel Capucho, 907 - Centro

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor: Seção Técnica da Diretoria de Obras Públicas

Data: 

Estrutura: padronizado

Tipologia: U

Linguagem: 


Data de inauguracao: 27 de dezembro de 1927

Situação atual: Edificação demolida

Uso atual: 

Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina na década de 1930

Acervo: Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR)

Memórias de Pedra e Cal: A História do Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina

A história da educação no Paraná é escrita não apenas em livros e registros matrículas, mas também na arquitetura que abrigou as primeiras letras de gerações inteiras. No município de Santo Antônio da Platina, no Norte Pioneiro do estado, existiu uma edificação que simbolizou o avanço do ensino público e a sofisticação arquitetônica de seu tempo: o Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina.
Embora a estrutura física não resista mais ao tempo, tendo sido classificada atualmente como edificação demolida, sua memória permanece viva através de documentos fotográficos e registros administrativos. Hoje, a instituição de ensino que herdou seu legado opera sob a denominação de Colégio Estadual Dr. Ubaldino do Amaral, mas o prédio original, localizado na Rua Coronel Capucho, 907, no Centro, foi um marco fundamental na paisagem urbana da cidade durante a primeira metade do século XX.

O Contexto Histórico: A Expansão do Ensino (1900-1930)

O período compreendido entre 1900 e 1930 foi decisivo para a consolidação das instituições públicas no interior do Paraná. Santo Antônio da Platina, vivendo um ciclo de crescimento econômico e demográfico, demandava equipamentos urbanos que refletissem o progresso da época. A criação dos "Grupos Escolares" foi a resposta do Estado para organizar o ensino primário, substituindo as escolas isoladas por edifícios maiores, capazes de atender múltiplas classes simultaneamente.
O Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina insere-se neste movimento de modernização. Sua presença no Centro da cidade, na estratégica Rua Coronel Capucho, não era acidental. A localização central reforçava o papel da escola como um núcleo cívico, acessível às famílias e integrado à vida cotidiana da comunidade.

Arquitetura Eclética: A Estética de uma Era

Diferente de edifícios posteriores que adotariam o Art Déco ou o Modernismo, o Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina foi concebido sob a linguagem arquitetônica Eclética. Predominante no Brasil entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, o Ecletismo caracterizava-se pela liberdade na composição formal, misturando elementos de estilos históricos como o Neoclassicismo, o Barroco e o Renascimento.
No caso deste grupo escolar, a linguagem Eclética manifestava-se provavelmente através de ornamentos na fachada, simetria rigorosa, frontões decorativos e um tratamento detalhado nas esquadrias e cornijas. Essa estética buscava transmitir solenidade e importância institucional. A escola não era apenas um local de aula, mas um monumento à cultura e à ordem civilizada.
O projeto contava com uma tipologia em U, configuração comum nos grandes grupos escolares da época. Este desenho arquitetônico permitia a criação de um pátio interno, protegendo os alunos do vento e do sol direto, além de facilitar a circulação de ar e a iluminação natural nas salas de aula laterais. A estrutura padronizada indica que, apesar dos ornamentos ecléticos, a construção seguia normas técnicas estaduais que visavam otimizar recursos e garantir a segurança estrutural.

A Autoria e o Projeto Técnico

A autoria do projeto é atribuída à Seção Técnica da Diretoria de Obras Públicas. Esta informação revela o caráter estatal da obra. Naquele período, o governo do Paraná centralizava o desenho das escolas públicas em seus departamentos técnicos, garantindo que edifícios em diferentes cidades compartilhassem padrões de qualidade e funcionalidade.
Embora a data exata do projeto não esteja especificada nos registros disponíveis, sabe-se que os trabalhos culminaram na inauguração em 27 de dezembro de 1927. A escolha do final do ano para a inauguração era comum, permitindo que as atividades letivas começassem no ano seguinte com a estrutura totalmente pronta e recebida pelas autoridades.

O Legado do Nome: Colégio Estadual Dr. Ubaldino do Amaral

Com as reformas educacionais e a expansão do ensino secundário no Paraná, o antigo Grupo Escolar transformou-se no Colégio Estadual Dr. Ubaldino do Amaral. A mudança de denominação homenageia Ubaldino do Amaral, uma figura proeminente na política paranaense, tendo sido governador do estado em dois períodos distintos (1888-1889 e 1913-1916).
Vincular o nome de um estadista a uma instituição de ensino era uma prática comum para reforçar o civismo e a identidade estadual. Assim, mesmo com as transformações administrativas, a essência da instituição permaneceu ligada à história política e educacional do Paraná. O endereço na Rua Coronel Capucho continuou sendo referência para a educação local por décadas, mesmo que a edificação original tenha sofrido intervenções ao longo do tempo até sua eventual demolição.

A Perda do Patrimônio Físico

A classificação atual da edificação como demolida representa uma perda significativa para o patrimônio histórico de Santo Antônio da Platina. A destruição de edifícios históricos, especialmente aqueles com valor arquitetônico eclético e importância social como grupos escolares, é um fenômeno que ocorreu em diversas cidades brasileiras durante processos de modernização urbana mal planejados nas décadas posteriores.
A demolição apaga a possibilidade de vivência física do espaço histórico. Não é mais possível caminhar pelos corredores originais de 1927 ou observar os detalhes ornamentais da fachada eclética in loco. No entanto, a memória do prédio não foi totalmente apagada. Ela sobrevive através da documentação técnica e iconográfica preservada em acervos públicos.

O Acervo do DER-PR: Guardião da Memória Visual

Uma das fontes primárias mais importantes para a reconstrução histórica deste edifício encontra-se no Acervo do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR). É neste arquivo que se preservam registros como a fotografia do Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina na década de 1930.
A presença deste documento no acervo do DER-PR pode estar relacionada a levantamentos fotográficos realizados pelo departamento em vias urbanas e edificações públicas durante obras de infraestrutura ou mapeamento estadual nas décadas seguintes à inauguração. Essas imagens são cruciais, pois permitem que historiadores, arquitetos e a comunidade visualizem a grandiosidade do prédio em seu período áureo, poucos anos após sua inauguração.
Esses registros na Pasta do DER-PR servem como prova material da existência do imóvel, detalhando sua volumetria, sua inserção na rua e sua relação com o entorno da época. Sem esses documentos, o prédio seria apenas uma menção em livros de ata; com eles, torna-se uma imagem viva na memória coletiva.

Importância Cultural e Reflexão Patrimonial

A história do Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina, hoje Colégio Estadual Dr. Ubaldino do Amaral (em sua continuidade institucional), levanta questões importantes sobre a preservação da memória urbana.
  1. Valor Documental: A existência de projetos da Seção Técnica da Diretoria de Obras Públicas e fotos do DER-PR demonstra que o Estado produziu e guardou registros de qualidade sobre suas próprias obras. Valorizar esses acervos é fundamental para a pesquisa histórica.
  2. Identidade Local: O prédio na Rua Coronel Capucho foi um ponto de referência para várias gerações. A sua demolição altera a percepção do centro histórico da cidade, mas a história do local permanece como parte da identidade platinaense.
  3. Lições para o Futuro: O caso deste edifício serve como alerta para a importância de tombamento e preservação de edifícios escolares históricos que ainda existem em outras cidades. O estilo Eclético, menos comum que o Art Déco em certas regiões do Paraná, torna este exemplo ainda mais precioso documentalmente.

Conclusão

O Grupo Escolar de Santo Antônio da Platina foi mais do que um conjunto de paredes e telhado inaugurado em 1927. Foi um símbolo de progresso, um exemplo da arquitetura Eclética no Norte Pioneiro e um palco para a formação cidadã de centenas de alunos.
Sua demolição, embora represente uma lacuna física na paisagem da Rua Coronel Capucho, não apagou sua relevância histórica. Graças aos acervos do DER-PR e aos registros da Diretoria de Obras Públicas, é possível resgatar a imagem daquele edifício padronizado em tipologia U, que um dia ostentou a bandeira da educação pública no coração da cidade.
O Colégio Estadual Dr. Ubaldino do Amaral carrega hoje o nome e a missão daquela fundação de 1927. Recordar o prédio original, suas características arquitetônicas e sua trajetória é uma forma de honrar o passado, garantindo que, mesmo sem a estrutura física, a história do ensino em Santo Antônio da Platina permaneça intacta e seja transmitida às futuras gerações como um patrimônio imaterial de valor incalculável.