Relembrando: A Alameda Doutor Muricy, quando existia o Teatro Guayra, junto aos portões de ferro do Quartel dos Bombeiros, nesta imagem do ano de 1937.
CURITIBA E PARANA EM FOTOS ANTIGAS
fotos fatos e curiosidades antigamente O passado, o legado de um homem pode até ser momentaneamente esquecido, nunca apagado
quinta-feira, 26 de março de 2026
NOS TEMPOS DA COMPAGNIE GÉNÉRALE DE CHÉMINS DE FER BRÉSILIENS
NOS TEMPOS DA COMPAGNIE GÉNÉRALE DE CHÉMINS DE FER BRÉSILIENS
Nesta histórica foto da década de 1890, vemos a diretora da "Compagnie Générale de Chemins de Fer Brésiliens", seccional do Paraná, posando na frente das locomotivas nº 15 e nº 16, estacionadas na garagem da Estação Ferroviária de Curitiba.
As concessões da construção da Estrada de Ferro Paranaguá-Curitiba foram transferidas à essa companhia em 1879, pelo Imperador D. Pedro II, visto ela estar atrasada por parte dos concessionários anteriores.
Adiante, texto do Decreto que a credenciou:
" DECRETO Nº 7.420, DE 12 DE AGOSTO DE 1879 - Autoriza a José Gonçalves Pecego Junior e José Maria da Silva Lemos a transferirem á companhia franceza, denominada - Compagnie Générale de Chémins de Fer Brésiliens - os seus direitos e obrigações.
Attendendo ao que Me requereram José Gonçalves Pecego Junior e José Maria da Silva Lemos, Hei por bem Autorizal-os a transferirem á companhia franceza denominada - Compagnie Générale de Chémins de Fer Brésiliens - os direitos o obrigações que têm em virtude das concessões constantes dos Decretos n. 5912 do 1º de Maio de 1875, n. 6995 de 10 de Agosto e n. 7035 de 5 de Outubro de 1878, e contrato celebrado em 9 de Setembro deste ultimo anno, mediante as clausulas que com este baixam, assignadas por João Lins Vieira Cansansão de Sinimbú, do Meu Conselho, Senador do Imperio, Presidente do Conselho do Ministros, Ministro e Secretario de Estado dos Negocios da Agricultura, Commercio e Obras Publicas, que assim o tenha entendido e faça executar:
I - Ficam autorizados José Gonçalves Pecego Junior e José Maria da Silva Lemos, concessionarios da Estrada de ferro do Paraná, a transferir á companhia franceza denominada «Compagnie Générale de Chemins de Fer Brésiliens» a concessão que obtiveram do Governo Imperial para construir a mesma estrada de ferro, com a garantia de juros de 7%, sobre o capital fixado de 11.492:042$707, favores e privilegios constantes dos Decretos n. 5912 do 1º de Maio de 1875, e n. 6995 de 10 de Agosto de 1878, e contrato celebrado com o Governo Imperial em data de 9 de Setembro do mesmo anno.
O capital de 11.492:042$707, fixado pelo Decreto n. 7035 de 5 de Outubro de 1878, e que goza da garantia de juros de 7% ao anno, é computado em 32,500,000 francos.
II - Obriga-se a companhia cessionaria a construir a Estrada de ferro de Paranaguá á cidade de Coritiba, entregando-a ao trafego dentro do prazo de tres annos, a contar do começo das obras, que deverá ter logar dentro de cinco mezes, contados desta data, sendo este o prazo tambem fixado para a companhia começar a funccionar no Imperio.
III - Em vista da clausula precedente, o Governo Imperial pagará á - Companhie de Chemins de Fer Brésiliens - os juros garantidos de 7% sobre o capital de 32,500,000 francos, do seguinte modo:
§ 1º - 1,925,000 francos, representando os juros de 7% ao anno sobre 27,500,000 francos, a contar do dia em que esta ultima somma fôr depositada em casa dos agentes financeiros do Brazil em Londres, podendo ser o deposito feito de uma só vez, ou em prestações, contados, porém, os juros respectivos sómente dos valores effectivamente depositados, e do dia em que o forem.
§ 2º - 350,000 francos, que representam os juros garantidos de 7% ao anno sobre 5,000,000 francos, importancia do saldo do capital garantido, serão pagos sómente dous annos depois de feito o deposito de que trata o paraprapho antecedente, effectuando-se em tal occasião o deposito desse saldo de 5,000,000 francos, caso esta mesma somma não tenha sido anteriormente despendida nas obras da estrada.
Se, porém, antes de expirar o mencionado prazo de dous annos, a estrada estiver concluida e fôr entregue ao trafego, começarão a correr os juros sobre o referido capital dos 5,000,000 francos do dia da abertura de toda a linha ao trafego.
IV - A companhia obriga-se a applicar exclusivamente ao pagamento dos juros annuaes e amortização do capital de 23,000,000 francos que fôr realizado por meio de obrigações emittidas por conta e risco da mesma companhia, a quantia de 1,670,925 francos, que será deduzida da importancia total dos juros garantidos nos termos da clausula III.
V - Ficará dependente da fiel execução da precedente clausula a continuação do pagamento semestral, por parte do Governo Imperial, dos juros garantidos, devendo a companhia provar perante o mesmo Governo haver realizado no semestre anterior o pagamento estipulado na clausula IV;
VI - O reembolso á companhia das quantias depositadas nos termos da clausula III, será feito por prestações e mediante pedido dirigido ao Governo Imperial com a antecedencia de 90 dias pelo representante da companhia, no Rio de Janeiro.
Palacio do Rio de Janeiro, em 12 de Agosto de 1879. Com a rubrica de Sua Magestade o Imperador."
(Foto: Acervo Paulo José Costa)
Paulo Grani
Praça Carlos Gomes, Curitiba, 1918. À direita, a Av. Marechal Floriano. Ao fundo o chalé do Dr. Victor Ferreira do Amaral. (Foto: Arquivo Gazeta do Povo) Paulo Grani.
Praça Carlos Gomes, Curitiba, 1918. À direita, a Av. Marechal Floriano. Ao fundo o chalé do Dr. Victor Ferreira do Amaral. (Foto: Arquivo Gazeta do Povo) Paulo Grani.
Bondinho puxado a cavalo, chegando próximo ao ponto do Batel, em 1906. Foto: Coleção Julia Wanderley.
Bondinho puxado a cavalo, chegando próximo ao ponto do Batel, em 1906.
Foto: Coleção Julia Wanderley.Edifício Brasílio de Araújo: A Consolidação do Morar Moderno em Curitiba (1963)

Anúncio de venda dos apartamentos do Edifício Brasílio de Araujo, em 1963.
Página do livro Morar nas alturas! A verticalização de Curitiba entre 1930 e 1960. Para saber mais acesse a página deste trabalho no site Memória Urbana: https://www.memoriaurbana.com.br/morar-nas-alturas/.
Edifício Brasílio de Araújo: A Consolidação do Morar Moderno em Curitiba (1963)
Introdução
O Incorporador: Jayme Canet Jr. e a Tradição de Sucesso
Localização Estratégica: O Coração Nobre de Curitiba
- Rua Comendador Araújo
- Avenida João Pessoa
- Rua Vicente Machado
- Rua Visconde de Nácar
Conceito Arquitetônico: "Exclusivamente Familiar"
Inovações e Áreas de Lazer: O Nascimento do Condomínio Clube
- Salão de Festas Monumental: O texto destaca um "salão de festas decorado e mobiliado, com mais de 200m²". Para os padrões da época, um espaço privativo de convivência deste tamanho dentro de um edifício residencial era algo extraordinário, permitindo que os moradores realizassem grandes eventos sem sair de casa.
- Foco na Infância: Havia um "salão infantil cuidadosamente decorado" e um "play-ground ao ar livre, na térrea". Isso revela uma mudança cultural significativa: o edifício passava a ser projetado pensando não apenas no adulto trabalhador, mas na criança e na família nuclear.
- Lazer Adulto: Um "salão de jogos" complementava as opções de lazer, oferecendo espaço para reuniões sociais informais.
- Conforto e Espera: As "salas de espera, junto aos elevadores" demonstram um cuidado com a circulação e a etiqueta social, evitando aglomerações nos corredores dos apartamentos.
A Tecnologia da Construção e Segurança
- 4 Elevadores Atlas: A marca "Atlas" era sinônimo de qualidade e durabilidade. Ter quatro elevadores para um edifício desta altura garantia agilidade no transporte vertical.
- Revestimento: Os elevadores seriam "revestidos de fórmica", um material moderno, higiênico e fácil de limpar, muito em voga no design de interiores dos anos 60.
- Tipologia: Os apartamentos contavam com 2 e 3 dormitórios, o formato padrão para famílias de classe média da época.
O Contexto Econômico: A Garantia do "Preço Fixo"
Estratégia Comercial e Vendas
- Visita à Obra: "Venha ver pessoalmente seu apartamento. Dado o adiantado da obra, você poderá escolher, no próprio prédio, seu apartamento." Isso permitia que o cliente visualizasse a vista real e a posição do sol, algo impossível de fazer apenas com plantas baixas.
- Horários Estendidos: O estande de vendas atendia "diariamente... até as 22 horas, inclusive aos domingos". Essa flexibilidade visava captar o comprador trabalhador, que só tinha tempo livre no final do dia ou no fim de semana.
- Facilidades: A menção a "Condições bem facilitadas" sugeria um financiamento próprio ou parcelamento direto que contornava as dificuldades de crédito da época.
O Legado do Edifício Brasílio de Araújo
Edifício Asa: O Gigante Modernista de Curitiba nos Anos 1950

Anúncio de venda dos apartamentos do Edifício Asa, em 1955.
Página do livro Morar nas alturas! A verticalização de Curitiba entre 1930 e 1960. Para saber mais acesse a página deste trabalho no site Memória Urbana: https://www.memoriaurbana.com.br/morar-nas-alturas/.
Edifício Asa: O Gigante Modernista de Curitiba nos Anos 1950
Introdução
Contexto Histórico: Curitiba nos Anos 1950
A Cidade em Transformação
O Surgimento dos Primeiros Arranha-Céus
O Edifício Asa: Características Arquitetônicas
Um Colosso de 22 Pavimentos
Infraestrutura Avançada
Localização Privilegiada
O Anúncio de 1955: Estratégias de Marketing Imobiliário
"APROVEITEM! Últimos Apartamentos"
"Neste Majestoso Edifício"
As Imagens do Anúncio
- A volumetria impressionante da construção
- A regularidade das fachadas com suas fileiras de janelas
- A inserção do edifício no tecido urbano, com referência às ruas do entorno
- A modernidade da arquitetura, com linhas retas e ausência de ornamentação
Aspectos Econômicos e Financeiros
Os Preços: 180 a 225 Mil Cruzeiros
Condições de Pagamento Facilitadas
A Administradora Santa Ângela
Arquitetura Modernista em Evidência
Características do Estilo Internacional
Influências do Modernismo Brasileiro
Transformação da Paisagem Urbana
Da Foto dos Anos 50 à Foto de 2017
Permanência e Mudança
Aspectos Sociais e Culturais
Um Novo Modo de Vida Urbano
Status e Modernidade
Perfil dos Moradores
O Centro de Curitiba: Coração da Cidade
A Avenida João Pessoa
- O comércio mais sofisticado e diversificado
- Os principais serviços bancários e financeiros
- Escritórios profissionais de todas as áreas
- Teatros, cinemas e espaços culturais
- Restaurantes e cafés elegantes
- A sede do governo estadual e municipal
A Rua XV de Novembro e o Entorno
- Lojas e boutiques de destaque
- Cafés e restaurantes tradicionais
- Bancos e instituições financeiras
- Teatros como o Guaíra
- Praças como a Tiradentes e a Santos Andrade