sexta-feira, 24 de abril de 2026

A imagem do alto, contempla uma vista panorâmica da Região Central de Curitiba e adjacências, e em 1º plano a Rua Barão do Serro Azul, em registro de meados da década de 40.

 A imagem do alto, contempla uma vista panorâmica da Região Central de Curitiba e adjacências, e em 1º plano a Rua Barão do Serro Azul, em registro de meados da década de 40.


ENTRANDO NO PALACETE GARMATTER

 ENTRANDO NO PALACETE GARMATTER

Quase todos os curitibanos já conhecem ou ouviram falar do Palacete Garmatter, construído de frente à Praça João Cândido, em Curitiba. Durante muito tempo foi residência da família Garmatter.
A construção se enquadra com a paisagem urbana e faz composição com os detalhes da Praça João Cândido. Foi construída em concreto armado, em estilo eclético, apresentando influência do modernismo e Art Déco germânico. Sendo baseada em uma construção alemã, teve seu interior ricamente pensado para abrigar com conforto essa importante família da capital paranaense.
Idealizado e financiado por Julio Garmatter, alemão nascido em Krepe-Bei-Posen, em 1878, que emigrou para o Brasil no ano de 1894. Se estabeleceu na cidade de Curitiba, tornando-se um grande comerciante de carnes e proprietário de terras, com grande açougue e fábrica de banha, linguiça e presunto. Casou-se em 1902 com Maria Meister, com quem teve cinco filhos, três meninos, Reinaldo, Julio e Carlos, e duas meninas, Carlota e Edith. Sua participação no desenvolvimento na cidade de Curitiba foi ampla, possuiu um grande comércio de carnes no centro da cidade, localizado na esquina das Travessas Nestor de Castro e José Bonifácio, construção que existe até os dias atuais.
Criou amizades com importantes personalidades da elite, conseguindo casamentos para seus filhos com descendentes de grandes famílias da capital paranaense, de empresários de bens de uso e produtores de erva mate. Sua influência atingiu até o âmbito político, participando da Associação Comercial do Paraná e sendo membro de comitês civis em assuntos de desenvolvimento e avanços tecnológicos na indústria.
Entre os anos de 1926 e 1928, Julio Garmatter articulou a compra de três terrenos na região do Alto São Francisco para a construção de sua residência. Hoje em dia ela fica localizada na rua Dr. Kellers, de frente à praça João Cândido, sendo delimitada nas laterais pelas ruas Ébano Pereira e Ermelino de Leão.
O início das construções não tem uma data definida, pois como descoberto nos arquivos da Coordenação do Patrimônio Cultural, os registros que possuíam tal informação e as plantas originais foram queimados em um incêndio. Contudo, em relatos da filha do senhor Garmatter, Edith Garmatter Ritzmann, "a construção da casa demorou quase dois anos". Portanto, partindo da data da última compra e unificação dos lotes, presumiu-se a construção entres os anos de 1928 e 1929.
A autoria do projeto da residência (figura 3) é de Fernando Eduardo Chaves, que a pedido do proprietário projeta o palacete “de grande porte com três pavimentos de 1.145,00 m2”, baseado na Rash Haus, de autoria do arquiteto alemão Hermann Muthesius, de 1913, em Wiesbadem, nas proximidades da cidade de Frankfurt, Alemanha.
A neta de Julio Garmatter, Annemarie L. R. Glaser, comenta que “Meu avô visitou esta casa na Alemanha, gostou e trouxe o projeto da casa para construir em Curitiba”, também “trouxeram o projeto da casa e, depois, compraram os sanitários, as maçanetas, as torneiras, os pisos e os vitrais, afinal, tudo o que era necessário para a casa foi importado da Alemanha”.
Descrição do palacete:
Annemarie afirma que “entrando pela porta principal da casa havia um pequeno hall (cômodo 1 da planta pavimento térreo – Figura 8 ), em seguida, à esquerda, o escritório do vovô (cômodo 2 – Figura 8 ), e, à direita, uma saleta (cômodo 3 – Figura 8 ) e uma cozinha (cômodo 4 – Figura 8 ) montada para a tia Edith.” Assim, os aposentos que são classificados como escritório também tinham outra função, como espaço para a filha do proprietário e sua família. O mesmo pode ser dito a respeito do aposento “sala do café-da-manhã” (cômodo 8 – Figura 8 ) que, seguindo o princípio da configuração das janelas e portas, seria uma sala de estar intima (figura 10). De acordo com o livro “As virtudes do bem-morar”, seria “saleta do Palacete Garmatter, década de 1930. Ambiente feminino, com cadeiras e conversadeiras estofadas e revestidas em gobelin.”
Observação: Onde foi referido como “hall”, a senhora Glaser comenta “na sala de visitas (cômodo 6 – Figura 8 ) havia uma lareira e móveis de estilo, feitos à mão.” As fotografias do álbum do proprietário (Figuras 11 e 12) mostram “a madeira escura – presente no piso, no teto, nos lambris e nas esquadrias – e os papéis de paredes importados com motivos florais”, contrastando com o mobiliário moderno: “mesas, sofás e poltronas de linha futuristas.”
Quanto à sala de refeições (cômodo 7 – Figura 8 ) fala que “na sala de jantar – que se comunicava com a de visitas e a copa – tinha a mesa, dois buffets, a cristaleira e o relógio com pé em madeira”, a respeito da mesa (Figura 13), ainda comenta que “a mesa de jantar tinha 14 lugares e aumentava com mais sete tábuas.”
Descrevendo a cozinha (cômodo 11 – Figura 8 ), é dito: “tinha fogão a lenha, grande e com serpentina, e ainda um fogão e um forno elétrico”49 (Figura 14); sobre o reservado ao lado da cozinha (cômodo 14 – Figura 8 ), Annemarie acrescenta “embaixo da escada de serviço, havia uma pequena despensa com enlatados, que ficava sempre trancada.”
A garagem do Palacete Garmatter (cômodo 1 da planta porão, Figura 7) ficava no porão sob a cozinha, sendo disposta da seguinte maneira: "a garagem ficava no subsolo e, ao lado, tinha o depósito de lenha, a lavanderia, o armário para limpeza e para o jardim, etc.”
O pavimento superior no palacete abrigava a área íntima da família, mantendo as diferenças com a Rasch Haus, que abrigava áreas comuns: Subindo a escada principal, sobre a sala de refeições e com planta idêntica, temos a sala da família. Neste pavimento estão todos os quartos ocupados pela família, mais dois banheiros completos. O terceiro e ultimo pavimento destinava-se exclusivamente aos empregados.
Em palavras da neta do proprietário, “tinha um quarto para meus avós; um para o tio Julio; outro para tia Edith, seu marido e filho; e, ainda, a sala íntima, muito gostosa e bem iluminada pelos vitrais.” Afirmava ainda que “o quarto dos meus avós, no pavimento superior, era próximo ao do filho solteiro, Julio. Do outro lado, estava o quarto da filha casada, Edith, e do seu primeiro filho.” A respeito do jardim de inverno (cômodo 9 – Figura 15), relatou que “a sala utilizada por minha avó nos momentos de descanso era bem viva e iluminada pelos vitrais de motivos florais, coloridos e lindos, que vieram da França.” No último pavimento (planta sótão, Figura 16) ela revelou que “o Julio tinha um laboratório instalado na mansarda, onde ficavam os quartos do motorista – homem de confiança de meu avô, que também cuidava do jardim –, da cozinheira e da empregada.”
Utilizando destes dados, podemos supor a distribuição da ocupação dos aposentos da seguinte forma: o quarto do casal Garmatter (figura 18) ocupava o aposento ao fundo do lado esquerdo (cômodo 6 da planta pavimento superior – Figura 15), com acesso ao banheiro (cômodo 7 – Figura 15 e Figura 20) e a um pequeno hall (cômodo 8 – Figura 15) com janela para o jardim de inverno. O quarto do casal Ritzmann (cômodo 15 – Figura 15 e Figura 19) ficava nos dois aposentos na frente à direita, onde o quarto dos filhos do casal (cômodo 14 – Figura 15) continha acesso ao quarto dos pais, ao banheiro (cômodo 13 – Figura 15) e ao terraço. A sala de estar da família (cômodo 2 – Figura 15 e Figura 17) se localizava ao centro do edifício com projeção abaulada. Com as descrições não podemos definir a localização exata do quarto do filho solteiro do casal Garmatter, e a única descrição afirmava que ficava próxima ao dos pais.
Não é possível identificar quatro aposentos do pavimento superior; sendo os dois aposentos (cômodos 10 e 11 – Figura 15) do lado direito do jardim de inverno que possuía acesso ao banheiro e janelas para o jardim de inverno, e dois quartos (cômodos 3 e 4 – Figura 15) localizados na frente ao lado esquerdo da sala de estar da família, que possuía acesso ao banheiro do casal Garmatter, e a sala de estar. Quanto a estes quatro aposentos, podemos supor que os dois primeiros se destinavam ao “quarto das visitas”, como deixa a entender a neta do proprietário ao dizer que “também residiram temporariamente no palacete até construir sua casa, o quarto filho do casal Garmatter, Carlos, e sua esposa.” Quanto aos outros dois aposentos, o com acesso a sala de estar da familia, poderia ser uma antessala para os quartos, e o segundo, com acesso ao banheiro, o quarto do filho mais novo do casal Garmatter, Julio.
Com um breve relato da parte externa do edifício, o terreno era enorme [4.455,00m2]. "Nos fundos do terreno, havia um portão de serviço (rua Ermelino de Leão), um canil e um cercado com um tanque para os marrecos. Aos domingos, toda família se reunia no almoço. Os parentes e os amigos vinham com seus carros brilhando e estacionavam no pátio dos fundos", relata a senhora Glaser. Na fotografia abaixo (figura 21), podemos ver o pátio ao fundo da casa, aos pés da escadaria que tinha em suas colunas pontos de luz, e também vemos a entrada da garagem e o piso de ladrilho de cimento.
A família Garmatter residiu no palacete até 1938, quando a residência foi comprada pelo Governo do Estado do Paraná. Por fim a senhora Glaser conta o destino de seus avós após a venda da casa, “com a mudança de Edith para sua própria residência, meus avós construíram outra, no bairro das mercês e venderam o palacete para Manoel Ribas”.
No início de 1938, durante o governo do interventor Manoel Ribas, o Sr. Garmatter vendeu a casa para o governo do estado, por “… quasi 500 contos …”, segundo o jornal “Diário da Tarde”.
Em fevereiro de 1938, a sede do governo estadual foi transferida para o Palacete Garmatter que logo passou a chamá-lo de Palácio São Francisco. Com a inauguração do Palácio Iguaçu em 19 de dezembro de 1954 a sede do governo deixou o local.
Em 1961, o prédio foi cedido ao governo federal e passou a ser utilizado pelo Tribunal Regional Eleitoral, que ocupou-o até 1987. O prédio foi então devolvido para o governo estadual e em 28 de novembro de 1987 o prédio foi tombado e passou a fazer parte do Patrimônio Cultural do Paraná.
No anos 1960, o TRE ampliou consideravelmente a casa. No livro do tombo está escrito: “… com a construção do edifício contíguo ao Palácio, sacrificando uma de suas elevações laterais e alterando a relação volumétrica do edifício com o seu jardim e o espaço urbano da Praça João Cândido. O tombamento do Palácio diz respeito só ao edifício construído na década de 20. …”.
O restauro efetuado em 1987 recuperou o que foi possível do antigo palacete, eliminando divisórias e recuperando a divisão original das peças. Também foi feito um trabalho que revelou parte da cobertura original das paredes. Mas mantiveram a ampliação feita nos anos 1960.
Depois de restaurado o conjunto passou a ser ocupado pelo Museu de Arte do Paraná.
(Adaptado do livro Palácio São Francisco - De Residência Garmatter a Museu Paranaense, do escritor Antonio Carlos de Carvalho)
Paulo Grani




































Nesta histórica foto de 1912, apreciamos um momento que algumas autoridades aguardam na caleche (carruagem) estacionada em frente ao Grande Hotel, que existia em Curitiba, na Rua XV de Novembro esquina com Rua Barão do Rio Branco. Os trilhos do bondinho, completam a nostálgica paisagem da antiga Curitiba. (Foto: Acervo Paulo José Costa)

 Nesta histórica foto de 1912, apreciamos um momento que algumas autoridades aguardam na caleche (carruagem) estacionada em frente ao Grande Hotel, que existia em Curitiba, na Rua XV de Novembro esquina com Rua Barão do Rio Branco.  Os trilhos do bondinho, completam a nostálgica paisagem da antiga Curitiba.  (Foto: Acervo Paulo José Costa)



Histórico Cartão Postal de Curitiba, de 1912, intitulado "Avenida Luiz Xavier e entrada da Rua 15 de Novembro de Curitiba - Corytiba", publicado no Álbum do Paraná, de Anibal Rocha. (Foto: Arquivo Público do Paraná)

 Histórico Cartão Postal de Curitiba, de 1912, intitulado "Avenida Luiz Xavier e entrada da Rua 15 de Novembro de Curitiba - Corytiba", publicado no Álbum do Paraná, de Anibal Rocha.  (Foto: Arquivo Público do Paraná)


Antonio Zacarias de Paula Xavier Nascido a 16 de março de 1891 (segunda-feira) - Nossa Senhora da Luz da Catedral, Curitiba, Paraná, Brazil Baptizado a 8 de agosto de 1891 (sábado) - Nossa Senhora da Luz da Catedral, Curitiba, Paraná, Brazil Falecido - Santa Catarina

  Antonio Zacarias de Paula Xavier Nascido a 16 de março de 1891 (segunda-feira) - Nossa Senhora da Luz da Catedral, Curitiba, Paraná, Brazil Baptizado a 8 de agosto de 1891 (sábado) - Nossa Senhora da Luz da Catedral, Curitiba, Paraná, Brazil Falecido - Santa Catarina

Antonio Zacarias de Paula Xavier: O Homem que Carregou Séculos nos Ombros
Nasceu em 16 de março de 1891, numa segunda-feira em que o frio ainda se apegava aos campos abertos de Bacacheri. Curitiba era uma cidade de horizontes largos, de ruas de terra batida, de igrejas que marcavam o tempo com o sino e a reza. Foi na Catedral de Nossa Senhora da Luz que seu nome foi inscrito nos livros paroquiais e, meses depois, no dia 8 de agosto, banhado pelas águas sagradas do batismo, Antonio Zacarias de Paula Xavier entrou oficialmente na comunidade dos vivos, dos crentes e dos herdeiros. Seu nome, forte e solene, não era apenas um conjunto de sílabas: era um testamento vivo, carregando nos ombros o peso e a honra de uma linhagem que já havia atravessado rios, serras e gerações antes mesmo de ele abrir os olhos para o mundo paranaense.
Raízes e Sangue: O Alicerce de uma Árvore Antiga Filho de Zacharias de Paula Xavier (1854–1925) e Joaquina Ribeiro de Macedo (1862–1943), Antonio era o elo pulsante de uma família que se enraizava no solo brasileiro desde os séculos XVII e XVIII. Seus antepassados não eram apenas nomes em registros desbotados. Eram sobreviventes: Manoel Ribeiro Callado, Catharina de Macedo, José Luiz Pereira de Macedo, Anna Maria de Jesus de Lustoza, Ignácio Lustosa de Andrade e tantos outros que, com suor, fé e teimosia, desbravaram e semearam o que um dia se tornaria lar. Antonio cresceu sabendo, mesmo que intuitivamente, que pertencia a uma corrente ininterrupta. Cada gesto, cada conselho, cada silêncio na mesa de jantar carregava a memória de quem o precedeu.
Ao seu redor, a casa era um universo povoado. Irmãos e irmãs dividiam o espaço, as brincadeiras, as obrigações e os sonhos: Francisca (1878), Leocádia (1881), Laurinda (1885), Orminda (1888), Joaquina (1894), Maria da Conceição (1896) e a pequena Euterpe (1902), que chegaria anos depois. Havia também a memória doce e triste de Eleonora, partida em 1883, cuja ausência ecoava como um sussurro nos cantos do lar. A família era um organismo vivo, onde o trabalho árduo, a devoção e o cuidado mútuo eram a lei não escrita que os mantinha unidos.
Juventude, Resistência e as Primeiras Despedidas Os primeiros anos de Antonio transcorreram entre as residências que a família ocupou em Curitiba, nos registros de 1891 e 1893. Era uma época de transição profunda: o Império dava lugar à República, a escravidão havia sido abolida, e o Paraná começava a desenhar seus novos rumos econômicos e sociais. Antonio cresceu ouvindo as histórias dos mais velhos, acompanhando o crescimento das irmãs, aprendendo cedo que a vida exige firmeza e que o tempo não espera.
Aos 17 anos, enfrentou seu primeiro grande luto familiar: a partida da avó materna, Francisca de Paula Pereira, em 1908. Aos 34, viu partir o pai, Zacharias, em São Mateus do Sul (1925). Aos 52, chorou a mãe, Joaquina, em Curitiba (1943). Cada adeus era um pedaço de si que se desprendia, mas Antonio seguia, como muitos homens de sua geração, carregando a dor com dignidade e o dever com passos firmes. A vida lhe ensinava que amar também é saber perder, e que a força não está em evitar o luto, mas em atravessá-lo.
Amores, Casamentos e a Reconstrução do Lar O coração de Antonio, porém, não se fechou para o afeto. A vida lhe reservou dois laços profundos, duas companheiras que dividiram com ele o peso e a leveza dos dias. O primeiro casamento foi com Maria de Jesus Portugal. Unidos numa época em que o compromisso era promessa sagrada e o amor se media em gestos de cuidado, partilha e lealdade, construíram juntos um refúgio. Quando o destino levou Maria, a dor foi silenciosa, como convém aos homens de seu tempo, mas não paralisante.
Mais tarde, a vida trouxe Durvalina Garcêz. Com ela, Antonio reconstruiu a casa, os sonhos, a rotina. Não há registros que detalhem as datas exatas das bodas ou os pormenores desses encontros, mas isso não diminui a verdade do amor vivido. Foram uniões de resistência, de mãos que se entrelaçaram nos dias claros e nas tempestades, de olhares que se entendiam sem precisar de palavras. Durvalina não foi apenas uma esposa; foi a companheira que o ajudou a seguir em frente quando o mundo parecia exigir mais do que um homem poderia carregar.
Paternidade: O Legado que Caminha Da união com Durvalina nasceu João Ismail Garrcez Xavier. O nome, forte e distintivo, carregava a marca da mãe no sobrenome e a continuidade do pai no sangue. João Ismail não foi apenas um filho; foi a prova de que a vida segue, de que o futuro se escreve a partir do presente. Criá-lo num Brasil em plena transformação exigiu de Antonio não apenas o pão de cada dia, mas o exemplo, a palavra certa, o silêncio que ensina mais que o discurso. Pai e filho compartilharam horizontes, medos e esperanças. João Ismail herdou não apenas o nome, mas a essência de um homem que sabia que a verdadeira herança não se mede em bens, mas em caráter, em honra, na capacidade de olhar para o próximo e dizer: "eu cuido de você".
A Travessia e as Despedidas Finais Os anos passaram, e com eles, o mundo mudou. O asfalto cobriu a terra, os bondes deram lugar aos automóveis, e Curitiba se expandiu além dos limites que Antonio conheceu na infância. Ele, porém, traçou um novo caminho: Santa Catarina. Não se sabe exatamente quando ou por que fez a travessia, mas é possível imaginar um homem buscando ares novos, talvez seguindo oportunidades, talvez buscando paz, ou simplesmente respondendo ao chamado de uma vida que ainda tinha páginas a escrever. Foi em terras catarinenses que seus dias chegaram ao fim, longe dos pinheirais de Bacacheri, mas nunca longe da memória que carregava no peito.
Mesmo à distância ou no silêncio dos últimos anos, seu coração acompanhou as partidas dos irmãos. Em 1970, Francisca se foi no Rio de Janeiro. Em 1971, Orminda, em Curitiba. Em 1972, Laurinda. Em 1978, Maria da Conceição. Cada adeus era um laço que se soltava da grande tapeçaria familiar, mas Antonio já havia partido antes, deixando para trás não o vazio, mas a semente de uma história que continua viva nos que lembram, nos que contam, nos que honram.
Legado: O Que Permanece Quando o Papel Se Desfaz Antonio Zacarias de Paula Xavier não buscou holofotes. Viveu a vida como a maioria dos homens de seu tempo: com trabalho, com fé, com amor discreto, com luto silencioso e com a certeza de que o importante não é ser lembrado pelo mundo, mas ser guardado pelos seus. Sua existência é um testemunho de que a história não se faz apenas em grandes feitos, mas nos gestos cotidianos, nas mãos que seguram, nos nomes que se repetem, nas famílias que resistem ao tempo.
Ele foi filho de Zacharias e Joaquina. Irmão de Francisca, Leocádia, Laurinda, Orminda, Joaquina, Maria da Conceição, Euterpe e Eleonora. Marido de Maria de Jesus Portugal e Durvalina Garcêz. Pai de João Ismail. Homem de seu tempo, mas cuja essência atravessa décadas. E enquanto houver quem pronuncie seu nome, quem conte suas origens, quem honre a memória dos que o amaram e dos que dele descendem, Antonio Zacarias de Paula Xavier seguirá vivo, não em monumentos, mas na memória que escolhe não esquecer.



Pais

 Casamento(s) e filho(s)

 Irmãos

(esconder)

 Acontecimentos

16 de março de 1891 :
Nascimento - Nossa Senhora da Luz da Catedral, Curitiba, Paraná, Brazil
--- :
Nascimento - Bacacheri, Curitiba, Paraná, Brasil
8 de agosto de 1891 :
Baptismo - Nossa Senhora da Luz da Catedral, Curitiba, Paraná, Brazil
1891 :
Residência

Address:
Address:

1893 :
Residência

Address:
Address:

--- :
Casamento (com Maria de Jesus Portugal)
--- :
Casamento (com Durvalina Garcêz)
--- :
Morte - Santa Catarina
1891

Residência

 
Notas

Address:
Address:

1893
2 anos

Residência

 
Notas

Address:
Address:

18948 ago.
3 anos

Nascimento de uma irmã

 
Baptismo a 15 de novembro de 1894 (Nossa Senhora da Luz da Catedral, Curitiba, Paraná, Brazil)
18968 dez.
5 anos

Nascimento de uma irmã

 
Baptismo a 2 de maio de 1896 (Nossa Senhora da Luz da Catedral, Curitiba, Paraná, Brazil)
19023 mar.
10 anos

Nascimento de um irmão/uma irmã

1908
17 anos
197012 mar.
78 anos
197117 out.
80 anos
19726 out.
81 anos
197815 abr.
87 anos

Antepassados de Antonio Zacarias de Paula Xavier

        António Ribeiro 1680-1754 Ana Fernandes de Retorna 1682- João Correia da Fonseca 1720-1799 Catharina de Macedo Baldraga (Távora) †1799   Antonio Martins Lustoza 1733-1794 Isabel Maria de Andrade 1736-1788 Antonio dos Santos Pinheiro 1735- Ana Gonçalves Cordeiro 1741-ca 1809
        | | |- 1777 -|   | | | |
        


 


   


 


        | |   | |
    Vicente Ribeiro Callado 1723- Catharina Barboza 1759- Bento Ribeiro Guimarães 1718-1786 Maria Correia de Macedo ca 1740-1786   Ignácio Lustosa de Andrade 1776-1834 Maria Catharina de Moraes Cordeiro 1756-1844
    |- 1751 -| |- 1757 -|   |- ca 1807 -|
    


 


   


    | |   |
    Manoel Ribeiro Callado 1782-1882 Catharina de Macedo 1763-1881 José Luiz Pereira de Macedo 1770- Anna Maria de Jesus de Lustoza De Andrade ca 1779-1879
    |- 1800 -| |- 1804 -|
    


 


    | |
Antonio de Paula Xavier ca 1792- Leocádia Ubaldina de Paula Franco 1790- Manoel Ribeiro de Macedo 1804-1879 Francisca de Paula Pereira 1825-1908
|- 1842 -| | |



 


| |
Zacharias de Paula Xavier 1854-1925
imagem
 Joaquina Ribeiro De Macedo 1862-1943
|- 1877 -|



|
Antonio Zacarias de Paula Xavier 1891-
imagem





Descendentes de Antonio Zacarias de Paula Xavier