Manoel Tanadini Maneco (Manoel Tanadini) Nascido a 3 de julho de 1879 (quinta-feira) - Morretes, Paraná, Brasil Baptizado a 22 de julho de 1879 (terça-feira) - Morretes Falecido a 6 de agosto de 1962 (segunda-feira) - Curitiba, Paraná, Brasil, com a idade de 83 anos Enterrado - Cemitério Municipal São Francisco de Paula Artista
Manoel Tanadini, o “Maneco”: O Artista Silencioso da Família Tanadini
Morretes, 1879 – Curitiba, 1962
Nascido sob as montanhas verdes da Serra do Mar, em 3 de julho de 1879, em Morretes, no Paraná, Manoel Tanadini — carinhosamente conhecido como Maneco — veio ao mundo com o dom raro de transformar o cotidiano em arte. Filho de imigrantes italianos, criado entre tradições europeias e o calor do sul do Brasil, Maneco não apenas testemunhou as transformações de seu tempo, mas as viveu com a sensibilidade de quem enxerga beleza até nas sombras.
Artista de alma, pai de nove filhos, marido devotado e irmão leal, sua vida foi um mosaico de perdas, criações e resistência — uma jornada que, embora marcada por dramas familiares e lutos recorrentes, foi guiada sempre por uma quietude criativa que poucos compreenderam em vida, mas que hoje ecoa nas memórias que deixou.
Raízes Entre Dois Mundos
Maneco foi o quinto filho — e segundo homem a sobreviver à infância — do casal Luigi (Luiz) Tanadini (1841–1910) e Tersilla Cecília Tomaselli (1849–1932), originários da Lombardia, norte da Itália. Seu nascimento em Morretes, uma das mais antigas vilas do Paraná, sugere que a família ainda buscava se estabelecer nas terras brasileiras, talvez atraída pelas oportunidades agrícolas ou pelas redes de imigrantes que se formavam ao longo da Estrada da Graciosa.
Batizado em 22 de julho de 1879, na mesma Morretes, recebeu o nome Manoel, mas desde cedo foi chamado de Maneco — um diminutivo carinhoso que carregaria por toda a vida, como uma segunda pele.
Seu mundo infantil foi povoado por vozes de irmãos: Armília, Alberto Luiz, Raquel, Ernesto, Rosinha, Luiza e os dois Francisco, um dos quais morreu recém-nascido. A convivência com tanta vida — e tanta morte — forjou nele uma sensibilidade aguçada, talvez a raiz de seu talento artístico.
O Casamento e a Construção de um Novo Lar
Em 3 de janeiro de 1903, aos 23 anos, Maneco uniu seu destino ao de Emilie Auguste Martha Tabert (1885–1953), uma mulher de origem possivelmente germânica — nome e sobrenome que remetem à forte presença alemã em Curitiba. O casamento, celebrado na capital paranaense, marcou o início de uma nova fase: a de construtor de família.
Dos braços de Emilie, nasceram nove filhos, cada um com seu próprio brilho:
- Maria Tanadini (1904–1904) — a primeira filha, partida ainda no berço, em Bacacheri, deixando uma ferida silenciosa no coração dos pais.
- Luiz Tanadini (1905–1963) — que carregaria o nome do avô e viveria quase tanto quanto o pai.
- Jovita Tanadini
- Maria Seraphina Tanadini
- Maria Seraphina Marica Tanadini (possivelmente uma repetição de nome após falecimento, prática comum na época)
- Iracema Tanadini
- Irany Emília “Nane” Tanadini
- Alice Tanadini
- Emília Cecília “Nenê” Tanadini
Criar tantos filhos em pleno século XX — entre guerras mundiais, crises econômicas e mudanças sociais radicais — exigia não apenas força física, mas uma alma capaz de sonhar. E foi aí que o artista em Maneco floresceu.
Embora os registros não detalhem sua especialidade — pintura, escultura, carpintaria, música? — o simples fato de ser identificado como "Artista" nos documentos oficiais é um testemunho raro. Num tempo em que poucos se autodenominavam assim, especialmente entre imigrantes trabalhadores, Maneco ousou viver com os olhos abertos para a beleza.
Lutos que Moldaram o Silêncio
A vida de Maneco foi atravessada por perdas profundas. Aos 30 anos, perdeu o pai Luigi, vítima de um derrame em 1910 — o mesmo ano em que seu filho Luiz completava 5 anos. Em 1924, viu seu irmão Ernesto sucumbir ao alcoolismo crônico, um drama silencioso da época. Em 1927, outro golpe: a morte do irmão Francisco em Rio Negro.
Em 1932, com 52 anos, enterrou sua mãe Tersilla, a matriarca que segurou a família com mãos de ferro e coração de veludo. Em 1946, despediu-se de Alberto Luiz, seu irmão mais próximo na idade e talvez em espírito. E em 1953, aos 74 anos, perdeu Emilie, sua companheira de meio século, vítima de um ataque cardíaco.
Mesmo assim, Maneco seguiu em frente. Talvez fosse na arte que encontrava refúgio — nas linhas traçadas com carinho, nas formas esculpidas com paciência, nas canções sussurradas aos netos. Sua arte não era para museus, mas para a casa, para a alma.
O Último Ato de um Homem de Fibra
Maneco viveu até os 83 anos, falecendo em 6 de agosto de 1962, em Curitiba. A causa: pneumonia agravada por arterioesclerose generalizada — o corpo cansado de uma vida longa e intensa. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Municipal São Francisco de Paula, onde repousa em paz, não muito longe de sua irmã Armília, que o precedera na morte apenas sete meses antes.
Curiosamente, sua irmã Luiza Pasquina Tanadini, cuja vida foi tão profundamente entrelaçada à dele — ambos filhos de Luigi e Tersilla, ambos testemunhas dos mesmos lutos, ambos pilares familiares — faleceria um ano depois, em 1963, fechando poeticamente o ciclo da geração Tanadini.
O Legado do Artista que Não Precisava de Palcos
Maneco não deixou obras assinadas em galerias, nem discos gravados, nem livros publicados. Mas deixou filhos, netos, histórias, hábitos, gestos. Deixou o exemplo de um homem que, mesmo diante da dor, escolheu criar. Que transformou o luto em cuidado, a solidão em presença, a memória em afeto.
Hoje, ao folhear álbuns amarelados ou ouvir o sotaque paranaense entremeado de palavras italianas em alguma reunião familiar, é possível sentir o eco de Maneco — não como um fantasma do passado, mas como uma presença viva, sutil, artística, humana.
Manoel “Maneco” Tanadini foi um dos muitos artistas anônimos que constroem o Brasil com as mãos e o coração. E talvez, justamente por isso, seja um dos mais verdadeiros.
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"A arte mais profunda não está nas paredes dos museus, mas nas paredes das casas onde se ama, se perde e se recomeça."
— Em homenagem a Maneco, que sabia disso melhor do que ninguém.
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Pais
Luigi (Luis) Luiz Tanadini (Tenedini, Tenadini) 1841-1910- Tersilla Cecilia Tomaselli 1849-1932
Casamento(s) e filho(s)
- Casado (3 de jan de 1903), Curitiba, Paraná, Brasil, com Emilie Auguste Martha Tabert 1885-1953 tiveram
Irmãos
Armilia Barbara Palmira Emilia / Palmira Tanadini 1871-1962
Abele Federico (Alberto Luiz) Alberto Luiz Tanadini 1873-1946
Rachele Lucia Tanadini 1874-1876
Rachele (Raquel) Raquel Tanadini 1877-1965
Manoel Maneco Tanadini 1879-1962
Ernesto Tanadini ca 1880-1924
Maria Rosa Rosinha Tanadini 1883-1971
Luiza Pasquina Tanadini 1887-1963
Francisco Tanadini 1888-1888
Francisco Tanadini 1891-1927
Notas
Notas individuais
Nazionalità : Brasil
Caratteri fisici :
Morte
Fontes
- Pessoa: Árvore Genealógica do FamilySearch - https://www.myheritage.com.pt/research/collection-40001/arvore-genealogica-familysearch?itemId=1004279067&action=showRecord - Sr Manoel Tanadini<br>Sexo: Masculino<br>Nascimento: 3 de jul de 1879 - Morretes, Paraná, Brasil<br>Crisma: 22 de jul de 1879 - Morretes<br>Casamento: Cônjuge: Sra Emilia Augusta Martha Tabert Tanadini - 3 de jan de 1903 - Curitiba, Paraná, Brasil<br>Morte: 6 de ago de 1962 - Curitiba, Paraná, Brasil<br>Esposa: Sra Emilia Augusta Martha Tanadini (nascida Tabert Tanadini)<br>Filhos: Sr Luiz Tanadini, Sra Irany Emilia da Silva (nascida Tanadini), Sra Iracema Moura (nascida Tanadini Moura), Sra Alice Macagnãn (nascida Tanadini Macagnan), Sra Emilia Cecília Arruda (nascida Tanadini Arruda), Sra Maria Seraphina Walkoski (nascida Tanadini Walkoski), Jovita Tanadini, Maria Tanadini
Árvore genealógica (visão geral)
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Nascimento
Baptismo
Nascimento de um irmão
Morte da avó paterna
Nascimento de uma irmã
Batismo folha 101, livro Suplementar de Batismo. Catedral Metropolitana de Curitiba.
Nascimento de uma irmã
Nascimento de um irmão
Morte de um irmão
Nascimento de um irmão
Morte da avó materna
Nascimento de uma filha
Morte de uma filha
Nascimento de um filho
Morte do pai
Causa : Derrame
Certidão de óbito Nº 17109
Casamento de uma irmã
Morte de um irmão
Morte de um irmão
Morte da mãe
Morte de um irmão
Morte do cônjuge
Morte de uma irmã
Morte
Antepassados de Manoel Maneco Tanadini
| Antonio Tomaselli | Catterina Pirotti | Antonio Crescini | Cattarina Guarnieri | Federico Bottoli | Innocente Cattani | ||||||||||
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| Giuseppe Tomaselli 1785- | Domenica Crescini 1787- | Andrea Bottoli 1763- | Barbara Cattani | ||||||||||||
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| Francesco Tanadini † | Catterina Andreis ca 1803-1880 | Pietro Antonio Tomaselli 1810-?1874 | Pasqua Bottoli 1815-1899 | ||||||||||||
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| Luigi (Luis) Luiz Tanadini (Tenedini, Tenadini) 1841-1910 | Tersilla Cecilia Tomaselli 1849-1932
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Manoel Maneco Tanadini 1879-1962
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