Albano Santiago STUBERT Nascido a 28 de junho de 1917 (quinta-feira) - Curitiba, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL Falecido a 3 de abril de 1986 (quinta-feira) - Curitiba, Parana, Brasil, com a idade de 68 anos
Albano Santiago Stubert: Uma Vida Tecida entre Perdas, Renovações e o Silêncio dos Campos Paranaenses
Nascido sob o céu plúmbeo de uma quinta-feira de inverno — 28 de junho de 1917 —, Albano Santiago Stubert chegou ao mundo nos arredores de Curitiba, numa época em que o Paraná ainda respirava o cheiro fresco da terra virgem e o sotaque gutural dos imigrantes alemães ecoava entre as araucárias. Seu nome carregava duas heranças: Albano, talvez uma homenagem distante a terras italianas; Santiago, um sopro ibérico que se misturava ao Stubert germânico — Augusto August Ferdinand Wilhelm Stubert, seu pai, nascido em 1894, trazia na alma as memórias de uma Europa em chamas, enquanto fugia para o Brasil em busca de paz. Sua mãe, Olga Büst — jovem de apenas 21 anos quando o gerou —, trazia nos genes a força das famílias Büst, uma das estirpes mais antigas da colonização teuto-paranaense.
A Infância Interrompida: O Dia em que o Mundo Perdeu a Cor
Até os sete anos, a vida de Albano era feita de pequenos rituais campestres: o cheiro do pão de centeio assando ao amanhecer, o tilintar dos sinos das vacas no pasto, a voz suave de Olga cantando Volkslieder enquanto remendava roupas. Mas no dia 3 de fevereiro de 1925, em Tomazina — onde a família residia então —, algo se partiu para sempre. Olga, com apenas 29 anos, deixou este mundo, levando consigo a luz que aquecia a casa dos Stubert. Albano, ainda criança, viu o caixão branco ser carregado sob um céu cinzento de verão. Naquele momento, não havia palavras para explicar a ausência; havia apenas o vazio onde antes estivera o colo materno.
Dois anos depois, em 6 de fevereiro de 1926, seu pai Augusto, com o coração ainda em pedaços mas os ombros firmes para dois filhos pequenos, casava-se novamente em Curitiba com Maria Thereza — conhecida carinhosamente como "Nona" — Bertinatto. Nasceria então uma nova configuração familiar: Albano e sua irmã Dalila Thusnelda Lala (nascida em 1919, em Joinville) ganhavam uma madrasta e, mais tarde, um meio-irmão — Miguel Jacob, o "Tetéco", que chegaria ao mundo na mesma data de aniversário de Albano, 28 de junho, num mistério do destino que os ligaria para sempre.
Entre Duas Mulheres: A Sombra de Olga e a Presença de Nona
Crescer entre a memória de uma mãe perdida e a presença de uma madrasta exigiu de Albano uma maturidade precoce. Enquanto Dalila, mais nova, adaptava-se com a leveza da infância, Albano carregava dentro de si um retrato mental de Olga — seus olhos, seu sorriso, o modo como arrumava seu cabelo. Nona, por sua vez, não tentou substituir quem não podia ser substituída. Em vez disso, tornou-se coluna: cozinheira incansável, protetora fiel, aquela que garantia que as botas de couro estivessem engraxadas para a escola e que o leite quente esperasse na mesa ao amanhecer. Entre essas duas mulheres — uma ausente, uma presente — Albano forjou seu caráter silencioso, observador, de poucas palavras mas gestos profundos.
A Jornada do Homem: Raízes em Faxinal dos Corrêas
Enquanto o Brasil passava pela Era Vargas e a Segunda Guerra Mundial agitava o mundo, Albano crescia nos campos do Paraná. Trabalhou na roça desde cedo, suas mãos marcadas pelo contato com a terra vermelha, seu corpo fortalecido pelo ritmo das estações. Aos 29 anos, num dia de verão que precedia o outono — 25 de janeiro de 1947 —, caminhou até a capela de Faxinal dos Corrêas, na região de Lapa, para encontrar Diva Tyrka.
Diva não era apenas uma noiva; era um porto. Filha de família polonesa ou ucraniana — os Tyrka eram parte da mosaico étnico que compunha o interior paranaense —, trazia consigo a serenidade das mulheres do campo, aquelas que sabem que a vida se constrói na quietude dos gestos cotidianos. Naquele dia, Albano não apenas casava: encontrava finalmente o equilíbrio que buscara desde a morte da mãe. Com Diva ao seu lado, plantaria não só mandioca e feijão, mas uma família.
O Legado dos Quatro Nomes: Albani, Amauri, Algacir e Anadir
Do amor entre Albano e Diva nasceram quatro filhos — cada um um capítulo novo na história dos Stubert:
- Albani Magali, a primogênita, que carregou em seu nome uma versão feminina da própria essência do pai — Albano transformado em Albani, como se ele quisesse perpetuar sua alma em forma de menina;
- Amauri, cujo nome ecoa a musicalidade das terras do Sul, talvez uma homenagem a algum parente ou amigo que marcou a vida do casal;
- Algacir, nome raro e poético, que soa como um sussurro dos campos — alga (erva) e cir (talvez derivado de Cícero, mas aqui domesticado pela terra);
- Anadir, o caçula, cujo nome traz a força das raízes — Ana, vida; dir, caminho.
Cada nascimento foi uma vitória silenciosa contra a dor da infância. Cada filho, uma resposta ao vazio deixado por Olga. Albano, agora pai, aprendeu a ser para seus filhos o que perdera cedo demais: presença constante, mãos que consertavam brinquedos, voz que contava histórias sob o luar do campo paranaense.
O Fio que se Desfaz: Os Últimos Anos em Curitiba
Ao longo das décadas, Albano testemunhou partidas: a avó materna Berta Emma Busmann em 1957; seu próprio pai Augusto em 1970 — aos 76 anos, findando uma vida de imigrante resiliente. Com a morte do patriarca, Albano tornou-se, de certa forma, o guardião da memória Stubert em solo brasileiro — o elo vivo entre a Europa perdida e o Paraná que os acolhera.
Voltou a Curitiba nos últimos anos de vida, talvez buscando proximidade dos filhos já adultos, netos que começavam a chegar. E no dia 3 de abril de 1986 — outra quinta-feira, como seu nascimento —, aos 68 anos, Albano Santiago Stubert fechou os olhos pela última vez. Morreu na mesma cidade onde nascera, completando um círculo silencioso.
Epílogo: O Silêncio que Fala
Albano não deixou grandes feitos registrados em livros de história. Não foi político, não fundou empresas, não teve seu nome em praças. Sua grandeza está na tessitura invisível da vida comum: na capacidade de transformar a dor da orfandade em dedicação paterna; na escolha diária de levantar ao amanhecer para prover uma família; no silêncio respeitoso com que honrou a memória de sua mãe enquanto construía um novo lar com Nona e Diva.
Hoje, nos campos de Faxinal dos Corrêas, nas ruas de Curitiba, nos rostos de seus netos e bisnetos, Albano persiste. Persiste no modo como um filho Stubert ainda prepara o chimarrão com o mesmo cuidado que ele ensinou; na maneira como uma filha lembra, sem nunca ter conhecido, o cheiro do perfume que Olga usava — uma memória transmitida pelo pai que nunca esqueceu.
Sua vida foi um bordado feito com fios de perda e esperança, tecido com as mãos calejadas de quem entendeu, desde cedo, que a maior coragem não está em enfrentar guerras distantes, mas em acordar todos os dias e escolher amar — mesmo depois de ter perdido o primeiro amor que conheceu: o colo da mãe que partiu cedo demais.
E assim, Albano Santiago Stubert — filho de Augusto e Olga, irmão de Dalila, esposo de Diva, pai de Albani, Amauri, Algacir e Anadir — descansa em paz, sabendo que sua história não terminou. Continua viva onde sempre esteve: nas raízes profundas de uma família que, mesmo diante da dor, escolheu seguir plantando vida.
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Pais
Augusto August Ferdinand Wilhelm STUBERT 1894-1970
Olga BÜST 1896-1925
Casamento(s) e filho(s)
- Casado com Diva TYRKA tiveram
Irmãos
Albano Santiago STUBERT 1917-1986
Dalila Thusnelda Lala STUBERT 1919-1995
Meios irmãos e meias irmãs
Pelo lado de Augusto August Ferdinand Wilhelm STUBERT 1894-1970 |
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| (esconder) |
Acontecimentos
| 28 de junho de 1917 : | Nascimento - Curitiba, Grande Curitiba, Paraná, BRÉSIL |
| 25 de janeiro de 1947 : | Casamento - Faxinal dos Correas - Lapa - Paraná |
| 3 de abril de 1986 : | Morte - Curitiba, Parana, Brasil |
Fotos e Registos de Arquivo

Albano Santiago STUBERT Diva Tyrka

Foto Albano Santiago Stubert e Diva Tyrka pdf
Árvore genealógica (até aos avós)
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191728 jun.
Nascimento
191912 mar.
20 meses
Nascimento de uma irmã
19253 fev.
7 anos
Morte da mãe
19266 fev.
8 anos
Casamento do pai
194130 jul.
24 anos
Morte do avô materno
194316 out.
26 anos
Casamento de uma irmã
possivelmente194518 maio
~ 27 anos
Morte da avó paterna
Notas
Em 1928 ela aparece em uma foto em Rio Negro, onde residia seu filho Augusto Stubert.
No registro de óbito FS abaixo consta Eliza Stubert
194725 jan.
29 anos
Casamento
195724 jul.
40 anos
Morte da avó materna
197023 fev.
52 anos
Morte do pai
19863 abr.
68 anos
Morte
Antepassados de Albano Santiago STUBERT
Descendentes de Albano Santiago STUBERT
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