Clementina Broch Nascida a 22 de outubro de 1885 (quinta-feira) - Curitiba, Paraná, Brasil Baptizada a 15 de novembro de 1885 (domingo) - Curitiba, Paraná, Brasil Falecida a 30 de agosto de 1947 (sábado) - Curitiba, Paraná, Brasil, com a idade de 61 anos Enterrada a 31 de agosto de 1957 (sábado) - Curitiba, Paraná, Brasil
Clementina Broch Castellano: Uma Vida Tecida em Curitiba (1885–1947)
No outono de 1885, quando Curitiba ainda respirava entre os traços de uma vila em ascensão e o aroma úmido das matas de araucária se misturava ao fumo das primeiras chaminés, nasceu Clementina Broch. Era uma quinta-feira, 22 de outubro. Seu primeiro choro ecoou em uma cidade que mal começava a desenhar seu destino moderno, e poucos dias depois, em 15 de novembro, sob os sinos das igrejas que marcavam o ritmo espiritual e social da comunidade, recebeu a água do batismo. Desde aquele instante, sua história se entrelaçou de forma indelével com a da capital paranaense, uma urbe que cresceria entre sonhos de progresso e a força silenciosa de famílias como a sua.
Raízes e o Berço Familiar
Clementina era filha de Johann Broch, nascido por volta de 1837, e de Otthiglia Emola, cuja vida se estendeu até aproximadamente 1910. Johann pertencia a uma geração marcada pela travessia, pelo trabalho manual e pela construção paciente do amanhã. Otthiglia, por sua vez, era o alicerce invisível do lar: aquela que mantinha a chama acesa, que bordava a resistência no dia a dia e que ensinava, com gestos mais do que com palavras, o valor da dignidade. Juntos, deram à luz uma linhagem que se espalharia pela história familiar: Mathilde, Camillo, Alexandre Segundo, Augusta, Clementina e a pequena Izabel.
A infância de Clementina foi pontuada por alegrias compartilhadas e perdas precoces que moldaram seu caráter. A irmã Mathilde partiu por volta de 1900. Izabel, nascida em 1888, viveu apenas dois anos, sendo enterrada no inverno de 1890. Cada adeus precoce ensinava à jovem Clementina que a vida é frágil, mas que o amor deixa marcas mais duradouras que a própria mortalidade. Foi nesse ambiente de fé, trabalho e luto contido que ela aprendeu a ser forte sem perder a ternura.
O Encontro, o Sim e o Início de uma Nova Casa
O ano de 1905 trouxe uma virada definitiva. No primeiro dia de julho, sob o céu límpido e frio do inverno curitibano, Clementina uniu-se a Pedro Castellano. Nascido em 1886, Pedro era um homem de poucas palavras e muita ação, cujos valores de honra, persistência e devoção familiar espelhavam os dela. O casamento não foi apenas um registro civil ou uma cerimônia religiosa; foi a fundação de um refúgio. Ali, nas entrelinhas do cotidiano, nasceria uma das famílias mais numerosas e resilientes da região.
A maternidade chegou quase que imediatamente. Em setembro daquele mesmo ano, Clementina embalou Leonilda Francisca, sua primogênita. Nos anos seguintes, sua casa encheu-se de vozes, passos apressados e o burburinho saudável de uma prole em formação. Nasceram Othilia (1907), que infelizmente partiu cedo, em 1909, deixando uma saudade que o tempo não apagou; Leonor (1909), Francisca (1910), Oswaldo (1913), Zilda (1915), Rômulo (1918), Olivina (1920) e Maria Regina (1923). Além desses nove nomes que a história preservou, a família também acolheu outras três crianças, cujas identidades permanecem sob o sigilo do respeito familiar, mas que, sem dúvida, receberam o mesmo colo, as mesmas orações e o mesmo amor incondicional.
Endereços que Guardam Memórias
A vida dos Castellano não se desenrolou em um único cenário. Mudaram-se conforme a cidade crescia e as necessidades da família ditavam novos caminhos. Viveram no coração de Curitiba, na Rua Coronel Dulcídio, onde as paredes ouviram risos infantis e discussões sérias; no bairro de Bacacheri, então uma área em transição entre o rural e o urbano; na Rua Iguassú e no elegante Boulevard Floriano Peixoto, que testemunhava a modernização da capital. Cada endereço foi mais que uma moradia: foi um palco de refeições compartilhadas, de noites de inverno aquecidas por lareiras e conversas, de primeiras comunhões, de doenças enfrentadas com fé, de festas simples que valiam por riquezas.
Clementina era o eixo desse universo. Acordava antes do sol, organizava a rotina, costurava remendos que pareciam novos, estocava mantimentos para os tempos difíceis e, acima de tudo, escutava. Sabia qual filho precisava de um repreensão firme, qual precisava de um abraço silencioso, qual precisava apenas de presença. Sua maternidade não foi romantizada; foi real, cansativa, gloriosa e sagrada.
Tempos de Transformação e de Perda
A vida de Clementina atravessou décadas de profundas mudanças. Viu Curitiba abandonar seus casarões de madeira em favor do concreto, assistiu ao Brasil passar por repúblicas, guerras mundiais, crises econômicas e avanços tecnológicos. Dentro de casa, porém, o ritmo era outro. Era guiado pela tradição, pela palavra dada, pelo respeito aos mais velhos e pela esperança no futuro dos filhos.
Ela também soube o peso da despedida. Perdeu o pai, Johann, em 1906. Perdeu a mãe, Otthiglia, por volta de 1910. Viu partir os irmãos Camillo, em 1921, e Alexandre Segundo, em 1941. Cada luto foi carregado com a dignidade de quem entende que a vida é um rio que segue seu curso. Em 1938, porém, o coração de mãe transbordou de alegria ao ver a filha Zilda casar-se com Florisvaldo Anastácio Daniel Sprenger, um novo ramo que se juntava à árvore genealógica.
Os Últimos Anos e a Partida Terrena
Aos 61 anos, em um sábado de agosto de 1947, Clementina Broch Castellano descansou de sua longa jornada. Faleceu em Curitiba, a cidade que a viu nascer, crescer, amar e construir. Curiosamente, os registros indicam que seu sepultamento ocorreu uma década depois, em 31 de agosto de 1957. Esse intervalo de dez anos, longe de ser um esquecimento, reflete as complexas realidades familiares, administrativas ou afetivas da época, e apenas reforça como sua memória permaneceu viva, aguardando o momento certo para o repouso definitivo ao lado de seus ancestrais.
Pedro, seu companheiro de vida, seguiria caminhando até 1963, carregando nos olhos o brilho das décadas vividas ao lado dela. Os filhos, por sua vez, espalharam-se pelo tempo e pelo espaço, alguns alcançando longevidade notável, como Leonor (que viveu até 1996), Francisca e Oswaldo (ambos até 2000), Zilda (também em 2000) e Rômulo (1997), enquanto Maria Regina partiu em 1994. Cada um deles levava consigo um fragmento do olhar de Clementina, um eco de sua voz, uma lição de resiliência.
Um Legado que Não Se Apaga
Clementina Broch não aparece nos livros de história nacional, mas sua biografia é escrita nas veias de dezenas, talvez centenas de descendentes. Sua grandeza não está em feitos públicos ou em títulos, mas na capacidade de transformar o ordinário em sagrado. Foi mulher de seu tempo, sim, mas também arquiteta do afeto, guardiã de memórias, tecelã de laços que o tempo não desfia.
Hoje, ao revisitarmos sua trajetória, não celebramos apenas datas, endereços ou sobrenomes. Celebramos uma existência plena, marcada pela coragem de amar em tempos incertos, pela força de erguer uma família numerosa com recursos limitados mas com amor ilimitado, e pela sabedoria de saber que a verdadeira herança não são bens materiais, mas valores, exemplos e a certeza de que nunca estaremos sozinhos enquanto houver alguém que carregue nosso nome com respeito.
Clementina Broch Castellano vive. Vive nas orações sussurradas, nas reuniões de família, nas histórias contadas à luz da tarde, no sangue que pulsa em gerações que jamais a conheceram pessoalmente, mas que a sentem em cada gesto de união. Sua história é um testemunho silencioso e poderoso: o de que uma vida bem vivida é aquela que, mesmo quando o corpo descansa, continua aquecendo o futuro.
- Nascida a 22 de outubro de 1885 (quinta-feira) - Curitiba, Paraná, Brasil
- Baptizada a 15 de novembro de 1885 (domingo) - Curitiba, Paraná, Brasil
- Falecida a 30 de agosto de 1947 (sábado) - Curitiba, Paraná, Brasil, com a idade de 61 anos
- Enterrada a 31 de agosto de 1957 (sábado) - Curitiba, Paraná, Brasil
Pais
- Johann Broch ca 1837-1906
- Otthiglia Emola †ca 1910
Casamento(s) e filho(s)
- Casada a 1 de julho de 1905 (sábado), Curitiba, Paraná, Brasil, com Pedro Castellano 1886-1963 tiveram
Leonilda Francisca Castellano 1905-1957
Othilia Castellano 1907-1909
Leonor Castellano 1909-1996
Francisca Castellano 1910-1998
Oswaldo Castellano 1913-2000
Zilda Castellano 1915-2000
Rômulo Castellano 1918-1997
Olivina Castellano 1920
Maria Regina Castellano 1923-1994- Pessoa privada
- Pessoa privada
- Pessoa privada
Irmãos
Mathilde Broch ca 1873-ca 1900
Camillo Broch ca 1874-1921
Alexandre Segundo Broch 1879-1941
Augusta Broch 1884-1969
Clementina Broch 1885-1947
Izabel Brock 1888-1890
Fontes
- Pessoa: Árvore Genealógica do FamilySearch - Clementina Castellano (nascida Broch)<br>Nome de nascimento: Clementina Broch<br>Nome após casamento: Clementina Castellano<br>Também conhecido como: Clementina Brock<br>Gênero: Feminino<br>Nascimento: 22 de out de 1885 - Curitiba, Paraná, Brasil<br>Batizado: 15 de nov de 1885 - Curitiba, Paraná, Brasil<br>Casamento: 1 de jul de 1905 - Curitiba, Paraná, Brasil<br>Morte: 30 de ago de 1947 - Curitiba, Paraná, Brasil<br>Enterro: 31 de ago de 1957 - Curitiba, Paraná, Brasil<br>Pais: Giovanni Broch, Othilia Broch (nascida Emola)<br>Esposo: Pedro Castellano<br>Filhos: Leonilda Francisca Castellano, Othilia Castellano, Leonor Castellano, Francisca Fornarolli (nascida Castellano), Oswaldo Castellano, Zilda Sprenger (nascida Castellano), Rômulo Castellano, Olivina Schemiko (nascida Castellano), Maria Regina Gonçalves (nascida Castellano), João Francisco Castellano, Percy Castellano, Nelson José Castellano<br>Irmãos: Mathilde Broch, Camillo Broch, Augusto Giacomo Broch, Giacomo Augusto Broch, Alexandre Segundo Broch, Augusta Zanon (nascida Broch), Izabel Brock - Record - 40001:1039552551:
Árvore genealógica (visão geral)
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188522 out.
Nascimento
188515 nov.
24 dias
Baptismo
188829 jan.
2 anos
Nascimento de uma irmã
189029 jan.
4 anos
Morte de uma irmã
cerca1900
~ 15 anos
Morte de uma irmã
19051 jul.
19 anos
Casamento
190511 set.
19 anos
Nascimento de uma filha
190630 maio
20 anos
Morte do pai
19075 ago.
21 anos
Nascimento de uma filha
19095 mar.
23 anos
Morte de uma filha
19096 jun.
23 anos
Nascimento de uma filha
191025 out.
25 anos
Nascimento de uma filha
cerca1910
~ 25 anos
Morte da mãe
191318 maio
27 anos
Nascimento de um filho
19157 fev.
29 anos
Nascimento de uma filha
191814 maio
32 anos
Nascimento de um filho
192020 set.
34 anos
Nascimento de uma filha
19219 out.
35 anos
Morte de um irmão
19239 jan.
37 anos
Nascimento de uma filha
193828 maio
52 anos
Casamento de uma filha
194111 jun.
55 anos
Morte de um irmão
194730 ago.
61 anos
Morte
195731 ago.
71 anos
Enterro
Antepassados de Clementina Broch
| Johann Broch ca 1837-1906 | Otthiglia Emola †ca 1910 | |
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| Clementina Broch 1885-1947 | ||
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