quinta-feira, 22 de junho de 2023

Clementino Paraná (Curitiba, 16 de maio de 1870 — Morretes, 1938)

 Clementino Paraná (Curitiba16 de maio de 1870 — Morretes1938


Clementino Paraná
Clementino Paraná.png
Coronel Clementino Paraná na PMMT.
Nome completoClementino Paraná
Dados pessoais
Nascimento16 de maio de 1870
Curitiba
Morte1938 (68 anos)
Morretes
Nacionalidadebrasileiro
Vida militar

Clementino Paraná (Curitiba16 de maio de 1870 — Morretes1938) foi um militar do Exército Brasileiro, da Polícia Militar do Paraná e da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso, que teve ativa participação no tumultuado período que se seguiu à proclamação da República.

Biografia

Na infância em Curitiba exerceu a profissão de tipógrafo do jornal A República. Posteriormente entrou para o Exército Brasileiro por influência de seu pai, militar veterano da Guerra do Prata; tendo atingido a graduação de segundo sargento no período da proclamação da República.

Revolução Federalista

Em 15 de maio de 1893 foi comissionado como capitão do Regimento de Segurança, antiga denominação da Polícia Militar do Paraná, como comandante da 4ª companhia do batalhão de infantaria.

Combate do Rio da Várzea

Na Revolução Federalista, o Combate do Rio da Várzea foi o primeiro confronto em solo paranaense. Ele ocorreu no município de Rio Negro, em 14 de dezembro de 1893 e foi basicamente protagonizado pelo Regimento de Segurança do Paraná.

Nessa localidade, a vanguarda das tropas do general Piragibe havia estabelecido um posto avançado para o controle de acesso ao Estado de Santa Catarina. O general Antônio Ernesto Gomes Carneiro, observando que esse posto podia servir como base para lançar um amplo ataque a toda a região, determinou que fosse feita uma incursão ao local.

O capitão Clementino Paraná, no comando de sua unidade, e com o apoio do capitão Custódio Gonçalves Rollemberg do Esquadrão de Cavalaria, envolveu os federalistas entre dois fogos, travando acirrado combate e obrigando-os a recuarem. Nesse confronto, os maragatos sofreram doze mortes e grande quantidade de feridos, e perderam ainda dezenove combatentes como prisioneiros, e foram capturados muitos animais, armas e munições. O efetivo do Regimento de Segurança sofreu apenas uma morte, o soldado David José da Silva, e um ferido, o soldado Manoel Rodrigues dos Santos Carvalho.

Canhão Krupp exposto em frente ao Panteão dos Heróis, na Lapa.

Combate da Estação Ferroviária

No dia 22 de janeiro, os federalistas iniciaram uma grande ofensiva, com dois mil homens, sobre a já sitiada cidade da Lapa; sucessivamente tomando a estação ferroviária, o cemitério e o Engenho Lacerda.

Estrategicamente a situação se tornara desesperadora, e era urgente a necessidade de retomar as posições perdidas.

O capitão Clementino Paraná recebeu a missão de retomar a estação, e com apenas vinte e dois homens de sua companhia, oculto pela vegetação, atacou de surpresa os maragatos. Os combatentes descarregaram suas armas, mas não perderam tempo em recarregar, passando o combate a ser corpo a corpo, com baionetas, facões e coronhadas. Todos, exceto o corneteiro, receberam ferimentos nesse ataque. O próprio capitão Clementino Paraná foi atingido por um disparo no ventre, mas os maragatos foram expulsos, deixando dezenove mortos e diversos prisioneiros.[1]

Após a retirada dos federalistas, dois dias depois, chegaram as tropas militares de São Paulo; desencadeando-se uma série de covardes execuções sumárias. O capitão Clementino Paraná soltou então todos os prisioneiros; [2] [3] justificando-se:

Canudos em 1897. Fotografia de Flávio de Barros, fotógrafo do Exército.

Guerra de Canudos

Após o fim da Revolução Federalista, Clementino Paraná deu baixa do Regimento de Segurança do Paraná em 6 de setembro de 1894, sendo promovido a alferes e incorporado ao 39° Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro.

Em 1897 foi enviado com o 39° Batalhão para o Estado da Bahia, para participar da Guerra de Canudos; posteriormente retornou a Curitiba ao final do conflito.[4]

Mato Grosso

Em 1904 foi transferido para o Estado de Mato Grosso, possivelmente devido seu envolvimento em um tiroteio ocorrido em Curitiba.[3]

Comissão Rondon

Com a formação da Comissão Rondon (1907 - 1915), comissão que atravessou amplas regiões do que são hoje os estados de Mato Grosso, Rondônia e Amazonas, com o objetivo de instalar linhas telegráficas para a integração dessas regiões às principais cidades brasileiras, Clementino Paraná assumiu o comando do contingente da organização e execução dos trabalhos.[5]

Em 1910 foi desligado da comissão por ter adquirido enfermidade em serviço, devido as péssimas condições sanitárias.

Revolta Generoso Ponce

Com a proclamação da República, o Estado de Mato Grosso se envolveu numa complexa agitação revolucionária. E Clementino Paraná tomou partido de Generoso Ponce, comandando o assalto ao quartel da polícia militar em Corumbá.[6] Por sua participação nessa revolta, foi comissionado como comandante-geral da Polícia Militar do Estado do Mato Grosso em 1911,[7] permanecendo no comando até 15 de agosto de 1915. Durante sua gestão transformou o piquete de cavalaria em esquadrão, e reestruturou as instruções para a aplicação das penas disciplinares.[8]

Após deixar a corporação em 1915, passou a dirigir em Cuiabá o jornal O Estado (segundo do mesmo título), impresso em quatro colunas.[9]

Na década de 1920 retornou para o Paraná, passando a residir em Morretes, onde faleceu aos sessenta e oito anos de idade. Seus restos mortais repousam no Panteão dos Heróis, na cidade da Lapa.[3]

Notas e referências

  1.  Nossa História - Prefeitura Municipal da Lapa.
  2.  A Revolução do Brasil.
  3. ↑ Ir para:a b c Episódios da História da PMPR; do Capitão João Alves da Rosa Filho; Edição da Associação da Vila Militar; 2000.
  4.  João Gualberto - O Defensor do Paraná.
  5.  O medo do sertão: a malária e a Comissão Rondon (1907-1915)
  6.  A Revolução de Generoso Ponce - Datas e Fatos Históricos do Sul de Mato Grosso.
  7.  Governo Estadual de Mato Grosso - Ato n° 87, de 4 de dezembro de 1911.
  8.  A Polícia Militar de Mato Grosso - História e Evolução, 1835 a 1985; Ubaldo Monteiro.
  9.  Hoje na História

Clemente Ritz Teixeira de Freitas (Curitiba, 23 de novembro de 1888 - Lapa, 4 de novembro de 1935)

 Clemente Ritz Teixeira de Freitas (Curitiba23 de novembro de 1888 - Lapa4 de novembro de 1935)


Clemente Ritz
Autor de “Sonhos de Moço” (poesias)
Nome completoClemente Ritz Teixeira de Freitas
Nascimento23 de novembro de 1888
CuritibaParanáBrasil
(ex-Brasil Império)
Morte4 de novembro de 1935 (46 anos)
LapaParaná
Nacionalidadebrasileiro
Ocupaçãopoeta, jornalista

Clemente Ritz Teixeira de Freitas (Curitiba23 de novembro de 1888 - Lapa4 de novembro de 1935) foi um poetabiógrafo e jornalista brasileiro.

Biografia

Clemente Ritz nasceu na antiga Rua Borges de Macedo (atual Rua Ébano Pereira, centro da cidade), na capital paranaense, numa sexta-feira, dia 23 de novembro de 1888[1]. Estudou no Ginásio Paranaense, especializando-se em língua portuguesa e latina. Aos 17 anos já pertence ao meio literário curitibano, contribuindo para a revista "Stellario" e fazendo parte de um grupo literário que mais tarde será chamada de "Geração Literária de 1905".

Antes de completar 20 anos já era servidor público dos Correios, entrando como simples funcionário, mas logo promovido a Administrador dos Correios de Campanha, trabalhando, por um breve período, no estado de Minas Gerais [2][3].

Em 1912, Clemente Ritz foi um dos fundadores do Centro de Letras do Paraná e na data da fundação desta entidade (19 de dezembro de 1912) foi o secretário da mesa diretora, sendo ele o responsável pela redação da primeira ata do "Centro".

Jornalista irreverente, cronista, charadista, cultor de humorismo em prosa e verso, Clemente, ao longo de sua vida, contribuiu em jornais e revistas, sempre criando novas colunas, como as que manteve em "A Cidade" e o "Diário da Tarde". Clemente assinava alguns artigos e matérias com os pseudônimos: Mário de Resende, Valdemar Pompéia e Procópio E. d'Olivar[4].

Autor de vários livros, destacam-se[1][4]:

  • Barros Júnior - biografia (1907);
  • Sonhos de moço - poesia (1907);
  • Caminho de Eleusis - versos (1914);
  • Meu surrãozinho de trovas - versos (1935).

Falecimento

Muito doente, vítima de tuberculoseClemente Ritz Teixeira de Freitas é transferido da clínica Erasto Gaertner, em Curitiba, para o Sanatório São Sebastião, na cidade da Lapa, numa última tentativa de melhora, porém, na segunda-feira, dia 4 de novembro de 1935, faleceu o poeta, aos 46 anos e 11 meses de idade[1].

Homenagens póstumas

Apenas dez meses após o falecimento de Clemente Ritz, a Academia Paranaense de Letras (recém fundada) concedeu homenagem ao biógrafo e poeta ao determiná-lo como “Fundador” da Cadeira N° 15 desta instituição[5].

Em 1985 a Câmara Municipal de Curitiba determinou que uma das vias do bairro Cidade Industrial fosse batizada com o nome de Rua Clemente Ritz em referência ao poeta e jornalista curitibano[6].

Ligações externas

Notas

  1. ↑ Ir para:a b c HOERNER, 2001, p99.
  2.  D.O.U. de 21 de fevereiro de 1922 Diário Oficial da União – acessado em 2 de junho de 2010
  3.  D.O.U. de 24 de setembro de 1920 Diário Oficial da União – acessado em 2 de junho de 2010
  4. ↑ Ir para:a b Clemente Ritz Teixeira de Freitas Universidade Federal de Santa Catarina – acessado em 4 de junho de 2010
  5.  Cadeira N°15 Academia Paranaense de Letras – acessado em 31 de maio de 2010
  6.  SPL - Sistema de Proposições Legislativas da Câmara Municipal de Curitiba – Lei Ordinária n° 6706/1985 Câmara Municipal de Curitiba – acessado em 26 de maio de 2010

Bibliografia

  • HOERNER Jr, Valério; BÓIA, Wilson; VARGAS, Túlio. Bibliografia da Academia Paranaense de Letras - 1936/2001. Curitiba: Posigraf, 2001. 256p
  • COUTINHO, Afrânio; SOUSA, J. Galante de. Enciclopédia de literatura brasileira. São Paulo: Global; Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Academia Brasileira de Letras, 2001: 2v