terça-feira, 27 de junho de 2023

Jamil Snege (Curitiba, 10 de julho de 1939 - Curitiba, 16 de maio de 2003)

 Jamil Snege (Curitiba, 10 de julho de 1939 - Curitiba, 16 de maio de 2003)


Jamil Snege
Nome completoJamil Antônio Snege
Pseudónimo(s)Turco
Nascimento10 de julho de 1939
CuritibaParaná
Morte16 de maio de 2003 (63 anos)
CuritibaParaná
Principais trabalhosO jardim, a tempestade
Como eu se fiz por si mesmo
Viver é prejudicial à saúde
Como tornar-se invisível em Curitiba
PrémiosPrêmio Profissionais do Ano (1978 e 1987)
XIV Bienal de São Paulo (1977)
ÁreaLiteratura
Publicidade
FormaçãoSociologia e Política
Movimento(s)Literatura contemporânea

Jamil Snege (Curitiba, 10 de julho de 1939 - Curitiba, 16 de maio de 2003) foi um escritor e publicitário paranaense, formado em Sociologia e Política pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Destacou-se na publicidade pela ousadia e irreverência na criação de campanhas comerciais, políticas e educativas de grande êxito. No campo literário, além da reconhecida qualidade de sua obra ficcional, notabilizou-se por recusar sistematicamente as propostas recebidas de grandes editoras, optando por financiar com recursos próprios a publicação de seus livros.

Biografia

Filho de Antônio Snege, um tipógrafo de origem sírio-libanesa, e de Anita Bassani, descendente de imigrantes italianos da região do Vêneto, Jamil Snege cresceu no bairro Água Verde (Curitiba). Por volta dos 16 anos, começou a frequentar os eventos da sociedade curitibana e a escrever em colunas sociais de jornais locais. Aos 18 anos, às vésperas de sua formatura como oficial do Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR/PR), acabou causando um incêndio durante um treinamento e foi expulso da corporação. Em 1960, optou por concluir o serviço militar como para-quedista no Rio de Janeiro, mesma época em que atuou como estagiário na redação do jornal carioca Tribuna da Imprensa, em cujo suplemento, anos depois, Snege teria alguns de seus contos publicados. Por esse tempo, regressando a Curitiba, o "Turco" já era conhecido e respeitado nas rodas intelectuais que se formavam na região da Boca Maldita e que também eram frequentadas por Dalton Trevisan.[1] No final dos anos 60, costumava reunir os amigos nas noites de sábado e domingo em sua casa, ao lado da casa dos pais, na Rua Engenheiro Rebouças. Costumavam participavam dessas reuniões semanais, entre outros: Roberto RequiãoWilson BuenoFábio Campana, Aroldo Murá G. Haygert e Wilson Galvão do Rio Apa.[2] A partir da década de 90, trabalhando na agência Beta Publicidade, adquirida em 1983, Snege concentrou suas atividades publicitárias no marketing político. De maio de 1997 a maio de 2003, publicou crônicas quinzenais no Caderno G do Jornal Gazeta do Povo.[3] Entre os admiradores declarados da obra literária de Snege podem ser citados: Moacyr ScliarAffonso Romano de Sant'AnnaHilda HilstCristóvão TezzaMiguel Sanches NetoNelson de OliveiraMarcelino FreireMarçal Aquino e Joca Reiners Terron.[4] Em 2013, a Biblioteca Pública do Paraná organizou uma série de iniciativas lembrando os dez anos de morte do escritor.[5]

Obras

  • Tempo sujo (novela, Curitiba: Escala, 1968)
  • A mulher aranha (contos, Curitiba: Editora Hoje, 1972)
  • Ficção onívora (contos, Curitiba: Grupo 1, 1978)
  • As confissões de Jean-Jacques Rousseau (drama em 2 atos, Curitiba: Edição do Autor,1982)
  • Para uma sociologia das práticas simbólicas (ensaio, Curitiba: Beta/Multiprint, 1985)
  • Senhor (poesia, Curitiba: Beta Publicidade, 1989)
  • O jardim, a tempestade (contos, Curitiba: Beta Publicidade,1989)
  • Como eu se fiz por si mesmo (romance autobiográfico, Curitiba: Travessa dos Edittores, 1994)
  • Viver é prejudicial à saúde (novela, Curitiba: Edição do Autor, 1998)
  • Os verões da grande leitoa branca (contos, Curitiba: Travessa dos Editores, 2000)
  • Como tornar-se invisível em Curitiba (crônicas, Curitiba: Criar Edições, 2000)

Além das obras acima, Snege deixou inédito e inacabado um romance de fundo histórico intitulado O grande mar redondo, sobre a vida do cronista português Antonio Vieira dos Santos, considerado "Pai da historiografia paranaense". "Grande mar redondo" é a tradução para a denominação da baía e município de Paranaguá na língua tupi-guarani.

Antologias e textos esparsos

  • Contos de Repente. Curitiba: Delfos, 1965. ("As luzes" e "O expresso")
  • Bóias-frias. (Prêmio Bienal de São Paulo, 1977)
  • PELLEGRINI JR., Domingos (org.). Assim escrevem os paranaenses. São Paulo: Alfa-Ômega, 1977. ("A batalha das bolas de goma")
  • Revista Zéblue. n. 0. Curitiba, [1978].
  • Paraná: memória e momento. São Paulo: Museu de Arte de São Paulo, 1980. (catálogo da exposição)
  • Revista Quem, nº 155. Curitiba: Diretriz Editorial, junho de 1986. (Considerações sobre o uso do cigarro no cinema)
  • Senhor. In: Nicolau. Curitiba, ano IV, n. 34, p. 32, ago-set. 1990.
  • RAVAZZANI, Carlos; SNEGE, Jamil; TREVISAN, Dalton (et. al.). Curitiba Capital Ecológica / The Ecological Capital. Curitiba: Edibran, 1991.
  • ALMEIDA, Dirck. Vida brava - novela sertaneja. Curitiba: Edição da Autora, 1991. (apreciação crítica na "orelha" do livro)
  • Meus caninos, teus músculos. In: Nicolau, Curitiba, ano VII, n. 52, p. 13, mar-abr 1994.
  • SABINO, Fernando (et. al.).Encontro das águas. Curitiba: Travessa dos Editores, 1994. (“Viagem à torre de babel ou A noite em que Morretes iniciou-se no mistério das línguas”, “Napoleão invade Portugal; Paranaguá festeja” e “As palavras no galpão”)
  • CAMPANA, Fábio (et. al.). Confabulário. Curitiba: Imprensa Oficial do Paraná, 1998. (“Os verões da grande leitoa branca ou Amo meu cavalo mas não deixo minha mulher”)
  • Minha mãe se veste para morrer. In: Revista Et Cetera, Curitiba, n. 1, p. 110-115, outono de 2003.

Prêmios

  • Prêmio Profissionais do Ano, 1978 - Título: "Poupe Água e Luz", Anunciante: Companhia Paranaense de Energia (COPEL).
  • Prêmio Profissionais do Ano, 1987 - Título: "Feliz Ano Novo", Anunciante: SECOM-PR.
  • Prêmio 14ª Bienal Internacional de São Paulo (1977) - Equipe "Bóias-Frias": Margareth Born, Renato Mazanek, Jamil Snege e João Urban.

Referências

  1.  Franco Caldas Fuchs (Maio de 2013). «O anti-herói paranaense». Cândido - Jornal da Biblioteca Pública do Paraná. Consultado em 16 de outubro de 2014
  2.  Aroldo Murá G. Haygert (11 de junho de 2004). «Jamil Snege: Criador e criatura de um itinerário nonsense». Revista Idéias. Curitiba: Travessa dos Editores. Consultado em 16 de outubro de 2014
  3.  ALMEIDA, Camila Gino (2006). Um cronista da cidade: Curitiba no jornal sob o olhar de Jamil Snege 1997-2003. (PDF). Curitiba: Dissertação (Mestrado em Estudos Literários). Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná. p. 300
  4.  Bolívar Torres (18 de maio de 2013). «Jamil Snege, uma obra à sombra». Jornal O Globo. Consultado em 13 de outubro de 2014
  5.  Vários autores (Maio de 2013). «O escritor que se fez por si mesmo.». Cândido - Jornal da Biblioteca Pública do Paraná. Consultado em 13 de outubro de 2014

Bibliografia

  • WINCK, Otto Leopoldo. Aventuras da linguagem: princípios da narratologia genettiana aplicados à obra de Jamil Snege. Dissertação (Mestrado em Estudos Literários). Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná. Curitiba, 2006. Disponível em: Educadores

Jaime Nelson Wright (Curitiba, 12 de julho de 1927 — Vitória, 29 de maio de 1999)

 Jaime Nelson Wright (Curitiba12 de julho de 1927 — Vitória29 de maio de 1999


Jaime Wright
Nascimento12 de julho de 1927
Curitiba
Morte29 de maio de 1999
Vitória
CidadaniaBrasil
Progenitores
  • Lothan Ephrain Wright
  • Maggie Belle Wright
Irmão(s)Paulo Stuart Wright
Ocupaçãoativista dos direitos humanos

Jaime Nelson Wright (Curitiba12 de julho de 1927 — Vitória29 de maio de 1999) foi pastor presbiteriano e defensor dos direitos humanos no Brasil.

Um nome para a liberdade

Filho de missionários presbiterianos estadunidenses,[1] Jaime Wright formou-se pela Universidade de Arkansas, e pós-graduou-se na Pensilvânia, exerceu o ministério no interior da Bahia, destacando-se em Caetité, no final da década de 1960 e começo da seguinte. Ali marcou pelas denúncias contra desvios em órgãos do governo estadual, o que lhe valeu as primeiras perseguições por parte de um regime que não tolerava a exposição de suas mazelas. Na loja maçônica de Caetité, em 1968 fez a instituição aprovar uma declaração que condenava a transgressão aos direitos humanos.[2]

Em 1973 seu irmão, Paulo Wrightdeputado estadual cassado por Santa Catarina e militante de esquerda, desaparece nos porões da ditadura.[3] Jaime parte, então, para uma luta que o fez reunir uma farta documentação sobre a tortura e assassinatos praticados pelo Estado. De forma secreta, une-se ao cardeal arcebispo de São Paulo Dom Paulo Evaristo Arns e ao Rabino Henry Sobel,[4] que resultou em 1985 na publicação do livro Brasil: Nunca Mais – um marco na história dos direitos humanos no país, em que a tortura e os torturadores são expostos com base no farto material por ele reunido[5].

(Nesta ocasião, por volta de 1974, Jaime Wright foi dos primeiros pastores a rebelar-se contra a postura do reverendo Boanerges Ribeiro que, de forma impositiva, emprestou apoio das entidades presbiterianas ao regime militar tendo participado da fundação de entidade dissidente, a FENIP, núcleo do qual originou-se a atual Igreja Presbiteriana Unida do Brasil).

Foram consultados mais de 700 processos, listados mais de 1.800 casos de tortura, e constatados o desaparecimento de 125 pessoas durante o período sombrio de 1964 a 1979. Engendrou o encontro de Dom Paulo com Jimmy Carter, onde foi entregue uma lista de desaparecidos políticos do regime ditatorial[3]

Seu nome figura dentre os brasileiros que mais contribuíram para que o país repudiasse a tortura, em nome da cidadania e dos direitos fundamentais do homem.[6] Escreveu o filme “O Punhal” em 1959, produzido em Itacira, município de Wagner (Bahia), pelo reverendo Ricardo William Waddel.[7]

Ver também

Referências

  1.  «Jaime Wright - Memórias da ditadura»
  2.  SANTOS, Helena Lima. Caetité, Pequenina e Ilustre, Tribuna do Sertão, Brumado, 1996; Revista Veja, de 6 de junho de 1999 e
  3. ↑ Ir para:a b sítio da Fundação Perseu Abramo[ligação inativa], artigo de Paulo Moreira Leite, extraído de texto publicado na revista Caros Amigos (consultado em 4 de janeiro de 2008, às 16:01)
  4.  Jornal Folha de S. Paulo, edição de 30 de maio de 1999, Primeiro Caderno, página 5
  5.  Entrevista com dom Paulo Evaristo Arns, transcrita do Jornal do Brasil - 13/6/99. Ali o prelado católico afirma que:
    "Trabalhamos mais de nove anos lado a lado, como dois irmãos ligados pelo sangue e pelos ideais de defesa dos direitos humanos" (consultado em 4 de janeiro de 2008, às 16:03).
  6.  Revista Veja, de 7 de junho de 1999; Revista IstoÉ, de 9 de junho de 1999.
  7.  Faculdade 2 de Julho "2 de Julho: 80 anos construindo o saber". Salvador: F2J,2008.