domingo, 1 de março de 2026

"Agora é tarde, Inês é morta": A História Real por Trás do Ditado que Imortalizou um Amor Trágico

 

"Agora é tarde, Inês é morta": A História Real por Trás do Ditado que Imortalizou um Amor Trágico


"Agora é tarde, Inês é morta": A História Real por Trás do Ditado que Imortalizou um Amor Trágico

Entre intrigas palacianas, paixões proibidas e uma sentença de morte que ecoa há quase sete séculos, conheça a verdadeira história de Inês de Castro, a mulher que se tornou rainha após a morte e inspirou um dos mais célebres ditados da língua portuguesa
Por Renato Drummond Tapioca Neto

Quantos de nós já ouvimos a expressão "Agora é tarde, Inês é morta" sem imaginar que, por trás dessas palavras, esconde-se uma das histórias de amor mais trágicas e comoventes da história de Portugal? Um amor que desafiou reis, transcendeu a morte e se eternizou na memória de um povo.
Nascida provavelmente em 1325, em Monteforte, na província de Vigo, Dona Inês de Castro carregava no sangue a nobreza das linhagens reais castelhanas. Era bisneta de D. Sancho IV de Castela (1257-1295), filha natural de Pedro Fernandes de Castro – conhecido como "o da Guerra" – com Aldonça Valadares. Seu pai havia servido como mordomo-mor de D. Afonso XI de Castela, e os Castro eram, ao final do século, uma das famílias mais proeminentes da nobreza castelhana e portuguesa.
Mas foi o destino – ou talvez a tragédia – que quis que esta jovem de origem ilustre, mas bastarda, se tornasse o centro de um dos romances mais famosos da história ibérica.

O Exílio e a Chegada a Portugal

A infância de Inês foi marcada pelo exílio e pelas disputas pelo trono português. Criada por Dona Teresa de Albuquerque, esposa de D. Afonso Sanches (filho natural do rei D. Dinis e meio-irmão de D. Afonso IV), Inês cresceu em Castela, longe de sua terra natal. Seu pai, Pedro Fernandes de Castro, havia tomado o lado de Afonso Sanches contra o novo monarca e, como punição, também foi exilado.
Apesar de sua origem bastarda, Inês recebeu a educação reservada às mulheres nobres do período: aprendeu as prendas domésticas, a administrar uma casa e seus rendimentos, a leitura e a escrita. Cresceu no seio de uma família com posses, condição que a recomendava como dama no séquito da futura esposa do príncipe D. Pedro.
Quando chegou a Portugal, acompanhando Dona Constança Manuel (a noiva do infante), Inês tinha aproximadamente 15 anos. Era uma idade casadoura, e sua posição como dama da princesa lhe abria possibilidades para um bom casamento com algum membro da corte. O que ninguém poderia prever é que sua beleza loura e exuberante encantaria não um nobre qualquer, mas o próprio herdeiro do trono.

O Amor Proibido

O infante D. Pedro, filho de D. Afonso IV, deveria se dedicar exclusivamente a Dona Constança, sua esposa legítima. Mas o coração não obedece às conveniências políticas. Inês, com sua graça e beleza, roubou a atenção do príncipe, provocando ciúmes na esposa.
Rui Pina, cronista que escreveu sobre esses eventos quase um século depois, relatou que a infanta percebeu que seu marido "queria bem" a Inês. Temendo que a tomasse por amante, Dona Constança convidou-a para ser madrinha do primeiro filho do casal, o Infante Luís. Uma vez ligados por esse parentesco religioso, a princesa certamente esperava que não se desenvolvesse entre ambos quaisquer tipos de ligação amorosa.
Mas o destino já havia traçado seu curso. Como bem observou Terezinha Maria de Brito:
"A história de Pedro e Inês se desenvolveu de acordo com os paradigmas do amor cortês, que tem como uma de suas tensões amorosas o finis amoris, ou seja, a relação que tende a se acabar porque é impossível se realizar. Mas esse amor não se limitou à breve vida de Inês, ao contrário, se estendeu após sua morte e se tornou imortal. No túmulo de Inês foi gravada a inscrição 'Até ao fim do mundo' como simbologia do amor verdadeiro e eterno. Mais parece o verso de uma canção cortês feita por um trovador apaixonado confessando a intensidade do seu amor a uma dama idealizada" (2006, p. 52).

As Forças Contra o Romance

Uma série de forças poderosas trabalhava para que o romance entre Pedro e Inês não fosse adiante. Malogradas as tentativas de Dona Constança para separá-los – uma vez que o infante D. Luís morreu poucos dias depois de nascido –, tampouco era do interesse do rei D. Afonso IV que seu filho tomasse por amante uma dama cuja família possuía tantas ambições, não só em Portugal como também no reino vizinho de Castela.
A ligação entre o herdeiro do trono e Dona Inês preocupava o rei por múltiplas razões: insultava João Manuel de Castela, pai de Dona Constança; constituía uma ameaça aos fidalgos da corte portuguesa, especialmente os nobres da família Pacheco, que temiam a influência que os Castro pudessem vir a exercer sobre o futuro soberano; e havia ainda o fato de que um dos antepassados da dama, D. Fernando Rodrigues de Castro, comandara uma invasão contra Portugal através do Minho, em 1337.
Diante desses impasses, o monarca resolveu a questão da maneira mais drástica: expulsando a jovem para o exílio em Albuquerque, na atual província de Badajoz.

A Correspondência Secreta e o Retorno

Enquanto D. Pedro se correspondia secretamente com a amada com a ajuda de mensageiros de sua confiança, ele retomou suas obrigações conjugais. De seu casamento com Dona Constança, nasceu a infanta Dona Maria (possivelmente em 1342) e o futuro D. Fernando I de Portugal, em 1345.
As evidências apontam para a morte prematura da princesa em 1349, durante o parto de uma filha natimorta. Viúvo, o príncipe não viu mais qualquer impedimento para retomar suas relações com a exilada Inês, colocando-a sob sua proteção. A paixão logo se tornou pública, causando escândalo entre a nobreza da época e prejudicando as pretensões de D. Afonso IV de casar novamente seu filho com uma dama de sangue real.

O Casamento Secreto

Em 1º de janeiro de 1353, o príncipe D. Pedro (futuro Pedro I de Portugal) teria se casado com Dona Inês de Castro. Segundo depoimento oferecido por Estêvão Lobato durante o processo aberto pelo monarca em 1360 para legitimação dos filhos do casal, ele estava em Bragança quando seu amo o mandou chamar até sua câmara para que fosse testemunha de seu casamento com Dona Inês de Castro.
No momento seguinte, ele presenciou o bispo D. Gil da Guarda "[…] tomar o dito senhor por uma mão e ela por outra e que então os recebera a ambos por aquelas palavras que costumam dizer em tais esponsórios e que os vira viver juntamente até ao tempo da morte dela. Que isso foram num primeiro dia de janeiro, podia haver sete anos mais ou menos" (apud OLIVEIRA, 2010, p. 269).
Vivendo entre a Quinta do Canidelo, localizada na margem esquerda do rio Douro (na Serra d'el Rei), e em Moledo, D. Pedro e Dona Inês fizeram "maridança qual deviam". Entre 1350 e 1355, ela deu à luz praticamente um filho por ano, dos quais sobreviveram D. João (nascido em 1352), D. Dinis (1353) e Dona Beatriz (1354).
Foi por essa época que o príncipe tentou obter do Papa Inocêncio VI uma bula que lhe permitia o casamento com uma parente com grau próximo de afinidade. Afinal, tanto D. Pedro quanto sua amada eram descendentes de D. Sancho IV de Castela. Esse é um dos principais argumentos para aqueles que sustentam a afirmação feita pelo rei, anos mais tarde, de que ele teria se casado com Inês na presença de testemunhas.
Para que tal arranjo fosse possível, apenas uma autorização do sumo pontífice poderia garantir ao infante a realização de seus planos, vide as disposições do IV Concílio de Latrão (1215). Pouco depois, os dois se instalaram no Paço do Mosteiro de Santa Clara, em Coimbra, construído pela avó de Pedro, a rainha Santa Isabel. Consta que a soberana teria legado o prédio para seus herdeiros que fossem reis ou príncipes de Portugal, incluindo suas esposas legítimas.

A Sentença Fatal

Foi ali, no Paço do Mosteiro de Santa Clara, que o destino de Inês de Castro foi selado para sempre. Em 7 de janeiro de 1355, Dona Inês de Castro foi assassinada por ordens do rei D. Afonso IV. Aproveitando-se da ausência momentânea do marido dela, o príncipe D. Pedro (com quem D. Inês vivia desde 1351), o rei e seus conselheiros encontraram Inês sozinha, acompanhada apenas dos pequenos filhos.
A cena seguinte à chegada de D. Afonso ao Paço é um dos elementos mais dramáticos dessa narrativa. Ao saber da sentença de morte, Dona Inês teria comparecido na presença do monarca cercada pelos seus três filhos com D. Pedro, que ficariam órfãos de mãe caso ela fosse executada.
As razões por trás do crime até hoje são matéria de conjectura. Possivelmente, o rei D. Afonso queria a mão de seu filho livre para desposar novamente uma fidalga de grande estirpe, mas sua ligação com D. Inês se tornou um impedimento. Os irmãos dela também se beneficiaram com o caso e incentivaram o infante a se envolver nos conflitos com o reino vizinho de Castela. Como D. Afonso não queria Portugal envolvido nos problemas castelhanos, possivelmente julgou melhor se livrar de Inês, na expectativa de que seu filho voltasse à razão e agisse de acordo com sua vontade.

"Agora é Tarde, Inês é Morta"

Diante das lágrimas da mulher indefesa, que rogava por sua vida e pela segurança de suas crianças, dizem que o velho D. Afonso ficou comovido. Quando estava prestes a revogar a sentença, um de seus conselheiros o teria alertado novamente sobre o perigo que aquela conexão com a família Castro representava para o reino de Portugal.
Embora esse episódio nos pareça verossímil, ele carece de maior embasamento histórico. Tendo ela implorado por clemência ou não, os conselheiros do rei fizeram executar a sentença de um só golpe. A vítima foi decapitada e seu corpo foi originalmente sepultado numa igreja vizinha ao Paço.
Foi nesse momento, conta a lenda, que alguém teria proferido as famosas palavras: "Agora é tarde, Inês é morta". Uma frase que se tornaria um ditado popular em Portugal e no Brasil, usado até hoje para expressar a irreversibilidade de uma situação, o arrependimento que chega tarde demais.

A Vingança e a Rainha Póstuma

A morte de Inês desencadeou uma disputa entre pai e filho, que terminou graças ao intermédio da rainha Dona Beatriz, com grande transferência de poder do monarca para D. Pedro. Uma vez rei de Portugal, D. Pedro I providenciou um sepulcro digno para a mulher que amava, no Mosteiro de Alcobaça. Sua efígie tumular é o melhor indício de como seria sua aparência em vida.
Assim, Dona Inês de Castro ficaria conhecida como a rainha póstuma de Portugal. A lenda celebra a história de que D. Pedro I teria expressado o desejo de que seu próprio túmulo fosse colocado em frente ao de Dona Inês, com a inscrição: "Até o fim do mundo".
E assim foi feito. Os dois túmulos, magníficos exemplos da arte gótica portuguesa, estão de frente um para o outro em Alcobaça, de modo que, segundo a tradição, quando os mortos ressuscitarem no Dia do Juízo Final, a primeira coisa que Pedro verá será Inês.

O Legado Imortal

Sete séculos se passaram desde aquela manhã trágica de janeiro de 1355, mas a história de Inês de Castro continua viva. Vive nos túmulos de Alcobaça, que recebem milhares de visitantes todos os anos. Vive no ditado popular que ecoa em Portugal e no Brasil. Vive nas obras de arte, na literatura, no teatro, no cinema.
Mas, acima de tudo, vive como símbolo de um amor que desafiou a morte. Um amor que começou proibido, foi interrompido pela violência, mas que se eternizou na memória de um povo. Inês de Castro não foi apenas uma vítima das intrigas palacianas de seu tempo. Foi uma mulher cujo amor foi tão grande que transcendeu a própria morte, transformando-a em lenda, em símbolo, em imortalidade.
"Agora é tarde, Inês é morta". Sim, é verdade. Mas talvez, apenas talvez, aquele amor tenha encontrado uma forma de viver para sempre. Até o fim do mundo.

Texto: Renato Drummond Tapioca Neto
Imagem: imagem gerada por I.A, a partir de Litografia póstuma representando D. Inês de Castro.
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No Mesmo Chão Sagrado: William Revive Momento de Diana no Cristo Redentor em Visita Emocionante ao Rio

 

No Mesmo Chão Sagrado: William Revive Momento de Diana no Cristo Redentor em Visita Emocionante ao Rio


No Mesmo Chão Sagrado: William Revive Momento de Diana no Cristo Redentor em Visita Emocionante ao Rio

34 anos separam duas visitas reais ao monumento mais icônico do Brasil. Separados pelo tempo, unidos pelo coração: mãe e filho compartilham o mesmo olhar sobre a Cidade Maravilhosa
Por Renato Drummond Tapioca Neto
Rio de Janeiro, 5 de novembro de 2025

O vento soprava suave naquela manhã de novembro no Corcovado. Ao chegar ao topo dos 710 metros de altitude, William, Príncipe de Gales e herdeiro do trono britânico, respirou fundo. À sua frente, a vista panorâmica de 360 graus do Rio de Janeiro se descortinava em toda sua exuberância: o Pão de Açúcar emergindo da Baía de Guanabara, as praias de Copacabana e Ipanema desenhando curvas perfeitas junto ao mar, o Maracanã ao longe. Mas não foi apenas a paisagem que emocionou o príncipe naquele momento. Foi a memória.
Ali, no mesmo mirante onde 34 anos antes sua mãe, a Princesa Diana, havia posado sorridente e deslumbrada, William parou. O tempo pareceu suspender-se. Com um misto de nostalgia e reverência, o herdeiro da Coroa Britânica posicionou-se exatamente no mesmo ponto onde Lady Di, em 25 de abril de 1991, havia declarado: "Valeu a pena ter vindo aqui".

Uma Jornada Através do Tempo

A visita de William ao Rio de Janeiro, ocorrida em 5 de novembro de 2025, tinha como objetivo principal a cerimônia do prêmio Earth Shot, iniciativa ambientalista fundada pelo próprio príncipe para incentivar soluções inovadoras contra as mudanças climáticas. Mas entre compromissos oficiais e reuniões com líderes ambientais, o herdeiro real reservou um momento especial para conectar-se com a história de sua família e com o povo brasileiro.
Assim como sua mãe fizera três décadas e meia antes, William optou pelo trajeto clássico até o Cristo Redentor: o trem do Corcovado serpenteando pela Mata Atlântica até a base da escadaria. E, honrando o legado de Diana – conhecida por sua excelente forma física e determinação –, o príncipe decidiu subir os 216 degraus que levam ao topo do monumento, uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno desde 2007.
Cada degrau era um passo em direção não apenas ao Cristo, mas também ao passado. A cada lance de escada, William podia imaginar sua mãe, jovem e radiante, fazendo o mesmo percurso em 1991, parando ocasionalmente para recuperar o fôlego, sorrindo para os turistas que a reconheciam, distribuindo simpatia e gentileza – qualidades que, décadas depois, seu filho também demonstraria ao interagir com os cariocas.

Diana no Rio: A Memória de 1991

Naquela manhã de abril de 1991, o Rio de Janeiro acordou diferente. A Princesa de Gales, então com 29 anos, desembarcava na Cidade Maravilhosa como parte de uma turnê pela América Latina. Seu destino principal: o Corcovado.
Diana, vestida com elegância discreta mas inconfundível, seguiu de trem até a base do monumento. Mesmo com a agenda apertada, insistiu em subir todos os degraus a pé, recusando qualquer atalho ou facilitação. Sua determinação era admirável. A cada parada para descansar, ela aproveitava para conversar com seus acompanhantes, perguntar sobre a história do Rio, demonstrar curiosidade genuína sobre a cultura brasileira.
Ao chegar ao topo, ofegante mas triunfante, Diana foi recompensada com uma das vistas mais espetaculares do planeta. O Cristo Redentor, com seus 38 metros de altura e braços abertos de 28 metros, parecia abraçar não apenas a cidade, mas também a princesa naquele momento especial. Ela posou para diversas fotografias, sempre com aquele sorriso característico que conquistava corações ao redor do mundo. Ao fundo, o Pão de Açúcar emoldurava a cena como um cartão-postal vivo.
"Valeu a pena ter vindo aqui", declarou Diana, ainda admirando a paisagem. Em seguida, perguntou sobre outros pontos turísticos do Rio, demonstrando interesse autêntico em conhecer mais da cidade que a recebia com tanto carinho.
Os cariocas, por sua vez, apaixonaram-se pela princesa. Sua simpatia, sua humildade ao interagir com as pessoas, sua beleza natural e sua capacidade de fazer todos ao seu redor se sentirem especiais – tudo isso ficou gravado na memória de quem teve o privilégio de encontrá-la naquele dia.

William Segue os Passos da Mãe

Trinta e quatro anos depois, William chegava ao mesmo local carregando não apenas o peso de ser o futuro rei da Inglaterra, mas também a saudade de uma mãe que partiu cedo demais, em 31 de agosto de 1997, deixando um legado de compaixão e humanidade que transcende gerações.
Ao subir os degraus do Corcovado, o príncipe foi recebido por turistas e moradores locais. Assim como Diana fizera, ele parou para conversar, tirar fotos, ouvir histórias. Sua abordagem era a mesma: acessível, caloroso, genuinamente interessado nas pessoas. Os cariocas, reconhecendo nele os traços inconfundíveis da mãe – o sorriso, o olhar azul, a gentileza – o receberam com o mesmo entusiasmo com que haviam acolhido Lady Di décadas antes.
No topo, o momento de maior emoção chegou. William posicionou-se no exato local onde sua mãe havia posado em 1991. O Cristo Redentor, testemunha silenciosa de ambos os momentos, parecia conectar passado e presente. O príncipe olhou para o horizonte, para o Pão de Açúcar, para as praias, para a cidade que sua mãe tanto admirara. E, naquele instante, talvez tenha sentido Diana próxima, como se ela também estivesse ali, compartilhando aquela vista espetacular.
As fotos tiradas por William naquele mirante não são apenas registros turísticos. São pontes entre duas gerações da família real britânica, são tributos a uma mãe ausente mas eternamente presente, são testemunhos de que o amor e a memória transcendem o tempo.

Além do Cristo: William e o Rio

A visita de William ao Cristo Redentor foi apenas um dos momentos marcantes de sua passagem pelo Rio de Janeiro. O príncipe, conhecido por seu amor ao esporte e ao ar livre, não resistiu a uma partida de vôlei de praia, demonstrando habilidade e bom humor ao interagir com jogadores locais. Mais uma vez, a semelhança com Diana era evidente: a capacidade de se conectar com pessoas comuns, de deixar de lado o protocolo real para viver experiências autênticas.
O Rio de Janeiro, cidade que havia encantado Diana em 1991, repetia a dose com William em 2025. E os cariocas, sempre receptivos e calorosos, abraçaram o príncipe como haviam abraçado sua mãe, reconhecendo nele não apenas o herdeiro do trono britânico, mas também o filho de Lady Di, a princesa do povo.

O Legado que Permanece

A visita de William ao Cristo Redentor, 34 anos após a passagem de Diana pelo mesmo local, é mais do que uma coincidência histórica. É um símbolo de continuidade, de amor filial, de memória preservada.
Diana, em 1991, não poderia imaginar que, décadas depois, seu filho estaria ali, seguindo seus passos, revivendo seus momentos, honrando seu legado. Mas William, ao escolher visitar o mesmo monumento, ao subir os mesmos degraus, ao posar no mesmo mirante, enviou uma mensagem poderosa: sua mãe nunca será esquecida. Seu espírito vive em cada gesto de compaixão, em cada ato de gentileza, em cada momento em que William escolhe conectar-se com as pessoas da mesma forma que Diana fazia.
O Cristo Redentor, com seus braços abertos sobre o Rio de Janeiro, testemunhou dois momentos históricos separados por 34 anos. Dois membros da família real britânica, mãe e filho, unidos pelo amor, pela memória e pela capacidade única de tocar corações.
E assim, quando William olhou para o horizonte a partir do mirante do Corcovado, ele não viu apenas a beleza deslumbrante do Rio de Janeiro. Viu o sorriso de sua mãe. Sentiu seu abraço. Ouviu suas palavras. E, naquele momento, teve certeza: Diana estava ali, sempre estará. Porque o amor verdadeiro nunca morre. E o legado de uma princesa do povo vive eternamente no coração de seu filho – e no coração de todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecê-la, mesmo que apenas através das histórias e das fotos que o tempo não apaga.

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sábado, 28 de fevereiro de 2026

A VISITA DE GETÚLIO VARGAS AO PARANÁ EM 1953

 A VISITA DE GETÚLIO VARGAS AO PARANÁ EM 1953



Transcrevi adiante o pronunciamento do presidente Getulio Vargas por ocasião de sua visita à Curitiba, em 24/01/1953, por ocasião das comemorações do 1° Centenário da Emancipação do Paraná.

Nesta histórica foto do fotógrafo paulista P. C. Sheier, vemos uma amostra do que foi o desfile do presidente pela av. Luiz Xavier, em Curitiba, com chuva de papel picado e ovação. Tempos áureos de uma Curitiba transbordante de progresso. Getulio Vargas, com certeza foi o mais ilustre e célebre presidente que o país já teve até agora:

"Senhor Governador. Meus Senhores.

Com a homenagem que ora me prestais, em nome do Paraná e do seu nobre povo, quisestes acrescentar uma nova satisfação às profundas alegrias confortadoras que o meu sentimento de patriota aqui encontrou, ante o espetáculo do vosso triunfo pelo trabalho, da vossa bem conquistada abundância, do vosso empenho em contribuir para a grandeza da Nação.

E' grato ver que, ao celebrar o primeiro centenário da sua autonomia política, este admirável Estado, o mais jovem da Federação, já figura entre os vanguardeiros na luta pela emancipação econômica do Brasil. O progresso vertiginoso que vindes realizando, com a vossa fé e o vosso esforço, nestes rincões de esperança, nos reafirma a certeza de que haveremos de ganhar também essa última e decisiva batalha. Assim, como esteio da nossa riqueza e motivo de confiança na energia empreendedora da nossa gente, revestem-se da maior significação para todo o país os extraordinários índices de prosperidade que apresentais.

Ainda agora, a Exposição Internacional do Café, que tanto realça as comemorações destes dias festivos, põe em relevo uma proeza assombrosa do vosso labor aplicado à terra fecunda, no que diz respeito ao elemento básico da exportação brasileira. Avançando pelos campos infinitos, na verde marcha da fartura, até alcançar as barrancas do rio Paraná, os cafezais assinalam números estonteantes. A produção do Estado, que no começo do século não atingia a dez mil sacas, hoje ultrapassa a casa dos quatro milhões.

Esse é apenas um aspecto da vossa exuberância, do vosso crescimento promissor. Tendes a primazia na produção da erva-mate, como na indústria das madeiras, com a maior fábrica de toda a América Latina para a elaboração da sua pasta e produção de papel de imprensa. Entre os Estados brasileiros, sois o segundo na extração de ouro e prata, um dos cinco mais ricos em pecuária, com quase dois e meio milhões de cabeças de gado, obtendo ainda posições cada vez mais relevantes na lavoura dos cereais. Desbravando as matas virgens, estendendo sempre as florescentes plantações, já chegastes a ser o quarto Estado em área cultivada e o primeiro em produção agrícola per capita.

Por isso mesmo, repercutirá de maneira auspiciosa no desenvolvimento da economia paranaense a nova política de câmbio que, onerando as importações supérfluas, incentiva e favorece a produção dos artigos exportáveis, de modo a compensar os lavradores das agruras e incertezas próprias do labor campesino.

Muitas outras providências do meu Governo atestam o quanto reconhece a importância do Paraná para o Brasil e demonstram o meu cuidado em amparar o vosso Estado na solução dos seus problemas primordiais.

Os empréstimos concedidos ao Paraná pelo Banco do Brasil exprimem vigorosamente o empenho com que meu Governo tem procurado incentivar a vossa produção e o vosso surto de progresso. Desde o início do meu atual mandato, o Banco abriu créditos ao Governo paranaense cujo montante se aproxima da cifra de trezentos milhões de cruzeiros. Nesse mesmo período, só as operações da Carteira de Crédito Agrícola e Industrial do Banco do Brasil no Paraná envolveram financiamentos de iniciativas privadas que sobem a quase um bilhão de cruzeiros. O ritmo acelerado em que se desenvolve as aplicações do Banco no Paraná é ilustrado pelo seu aumento de 88% nos últimos dezoito meses, para atingir agora um total que sobe a mais de um bilhão e setecentos milhões de cruzeiros.

Em regime de acordo com o Estado, a União contribuirá para o incremento da vossa produção vegetal, destinando-se para isso verba apreciável e apenas superada pela que foi atribuída a Minas Gerais. Para o combate à praga do café, o Paraná também recebe do Governo Federal vultoso auxílio que só no último ano montou a mais de nove milhões de cruzeiros.

Como tendes a vocação de criar novas riquezas nestas abençoadas terras, o Governo vem estimulando aqui a produção do trigo, para cujo fomento já concedeu ao vosso Estado mais de três milhões de cruzeiros no ano findo e cerca de seis milhões no corrente exercício. Foi ainda assinado um convênio entre o Governo Federal e o Estadual para a construção de um armazém graneiro em União de Vitória, programando-se igualmente mais dois armazéns do mesmo gênero e um deles em Ponta Grossa.

Não têm sido menores os esforços do Governo Federal em prol da pecuária do vosso Estado. Através da Inspetoria Regional de Ponta Grossa, a Divisão de Fomento da Produção Animal, do Ministério da Agricultura, vem prestando constante auxílio aos criadores paranaenses, não só nos trabalhos relativos à aclimatação e multiplicação das raças bovinas mais puras, como também na seleção das qualidades do gado rústico. Estimula-se a melhoria dos rebanhos pelo Plano de Revenda. Os recursos financeiros concedidos a colônias estrangeiras, como as de Carambei e Castrolanda ândia, impulsionaram consideravelmente a indústria dos laticínios. Não deixou o Governo Federal de subsidiar as Exposições de Animais e Produtos Derivados no Paraná. Quanto à Defesa Sanitária Animal, até setembro do corrente ano já foram instalados quatro novos Postos de Vigilância, nas localidade de Mourão, Paranavai, Jaguaríari e Garapuava.

Por sua vez, não foram esquecidas as riquezas minerais deste Estado, como demostram os recursos e esforços que o meu Governo vem dispendendo no prosseguimento dos estudos e pesquisas, já encetados na minha gestão anterior, para o aproveitamento das jazidas carboníferas do Paraná.

Abrangem, assim, as providências federais o vasto campo das atividades criadoras do Paraná. Mas, todo o admirável labor do vosso povo, que floresce e frutifica na variedade e exuberância da produção, seria desperdiçado se faltassem meios de transporte capazes de assegurar a distribuição e o escoamento das riquezas obtidas. Para a solução desses problemas, que decorrem paradoxalmente da vossa prosperidade, o meu Governo está procurando dotar o Paraná de uma rede ferroviária em condições de atender as necessidades da sua laboriosa população. Como prova do meu empenho em levar adiante esse programa de ação, basta mencionar que o orçamento federal para 1953 prove o emprego de 95 milhões de cruzeiros na construção das ligações ferroviárias Apucarana- Guaira-Porto Mendes e Itaguá-Engenheiro Bley. Dez milhões de cruzeiros de recursos federais foram também destinados, no corrente ano, à manutenção da Estrada de Ferro Central do Paraná. Diversos trechos novos da Rede de Viaçao Paraná-Santa Catarina estão sendo construídos graças a dotações consignadas no orçamento da União.

O empreendimento de maior vulto no quadro geral do reaparelhamento do sistema de transportes do Paraná, foi sem dúvida o plano de reequipamento da Rede de Viaçao Paraná-Santa Catarina elaborado pela Comissão Mista Brasil-Estados Unidos. Esse estudo, que o Governo já aprovou, prevê o emprego de 17 milhões de dólares e 530 milhões de cruzeiros na remodelação de várias linhas e no reaparelhamento geral da importante ferrovia, eixo fundamental da economia de dois dos mais prósperos Estados da Federação. Ultimam-se no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico as providências para que seja entregue à Rede, desde logo, uma parte substanciosa daqueles recursos, a fim de possibilitar o início imediato das obras programadas.

Por outro lado, não descurou o Governo de ampliar o sistema rodoviário paranaense e melhorar as suas condições de tráfego. Desde o início do meu mandato, mais de 240 milhões de cruzeiros de verbas federais foram utilizadas na construção, conservação e pavimentação de estradas de rodagem neste Estado. Cumpre mencionar aqui que prossegue em ritmo acelerado a execução das obras da rodovia Ponta Grossa-Foz do Iguaçu, de grande importância política, estratégica e econômica. A lei orçamentária em vigor destina 30 milhões de cruzeiros à continuação desses trabalhos. Prevê-se a sua conclusão no correr de 1954.

Para proporcionar-vos condições materiais condizentes com o vulto das necessidades do vosso comércio, determinei fosse incluído no plano de reaparelhamento e ampliação dos portos nacionais a dragagem da Barra de Paranaguá, que já se encontra em plena fase de execução.

A parte essas providências, destinadas ao esforço da vossa estrutura econômica, desvelou-se o Governo em assegurar plena assistência à população do Estado, por vários títulos digna do afeto e da admiração de todos os brasileiros. No campo da educação, saúde e assistência, de 1951 ã 1953, a União empregou no vosso Estado cerca de 175 milhões de cruzeiros, que foram dispendidos em auxílios e subvenções a estabelecimentos hospitalares, em campanhas contra doenças endêmicas, na construção de Escclas e em contribuições para o desenvolvimento da Universidade do Paraná.

Dentro em breve terão início as obras de construção do conjunto residencial do Cajuru, com as quais o meu Governo, através do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriados, trará uma contribuição decisiva para a solução do problema de habitação do trabalhador paranaense.

Esses e tantos outros dados, que seria fastidioso mencionar nesta oportunidade, testemunham que o Governo Federal, cônscio da magnitude da contribuição paranaense para a grandeza nacional., procura envidar o melhor de seus esforços a fim de que seja dada ao Paraná integral assistência material, financeira e técnica, para permitir o pleno desenvolvimento de suas fabulosas reservas.

Na exploração fecunda dos recursos naturais, gozará brevemente a população rural do Paraná, como a de todo o Brasil, de novas condições de tranqüilidade e estabilidade, graças a uma importante iniciativa de meu Governo, consubstanciada em projeto de lei já aprovado pelo Congresso e que afetará profundamente a vida dos Estados cuja economia se funda sobretudo na lavoura e na pecuária. Refiro-me à Lei que jnstitue no Brasil o seguro agrícola, verdadeira revolução na estrutura de nossa vida do campo. Fez-se, desse modo nosso País o pioneiro neste Continente de uma instituição que dará novo impulso às atividades rurais em toda a extensão de seu imenso território. O propósito de garantir e preservar as colheitas contra as fatalidades dos riscos naturais foi o ponto de partida dessa iniciativa.

Não é preciso encarecer a transcendental significação do seguro agrícola para um operoso povo de lavradores e criadores como o do Paraná, que, episódicamente, tem demonstrado a sua fibra e a sua tenacidade na luta contra as pragas e as calamidades da natureza. Amparado por ele, o homem do campo se sentirá doravante mais garantido em seus empreendimentos, na consciência tranqüila de que o Governo o protege contra a devastação das colheitas e o indeniza dos riscos eventuais que possam ameaçar o fruto do seu labor.

Meus amigos do Paraná.

Estou seguro de cumprir um dever de justiça ao render o pleito do meu louvor e da minha homenagem ao Governador Munhoz da Rocha, a cuja administração operosa, empreendedora e esclarecida tanto deve o progresso do vosso Estado e o bem estar do seu povo.

O Paraná é um espelho de otimismo e de esperança, em que vemos engrandecida e venturosa a imagem da Pátria.

Guardarei para as horas do meu labor devotado ao País e aos seus problemas as exultantes impressões destes dias de festa, vividos onde a vida se mostra tão promissora e ao calor de uma hospitalidade que profundamente me comove.

Fortaleço-me no vosso exemplo. A lição do Paraná reacende a flama da nossa fé inabalável nos destinos do Brasil." - Getulio Vargas.

(Foto: acervo Paulo José Costa)

Paulo Grani 

Histórica foto do Bairro Batel, de 1941, apresenta a Rua Coronel Dulcídio X Rua Gutemberg.

 Histórica foto do Bairro Batel, de 1941, apresenta a Rua Coronel Dulcídio X Rua Gutemberg.