quinta-feira, 25 de junho de 2026

Conjunto Monumental Lyab-i Hauz Também conhecido como: Lyabi-Khauz, Lab-e hauz; em usbeque: Labihovuz

 

Lyab-i Hauz
Lyabi-Khauz • Labihovuz
Khanqah (albergue para sufis itinerantes) Nadir Divambegui, em frente ao hauz (tanque) que dá o nome ao conjunto Lyab-i Hauz
Informações gerais
TipoConjunto monumental
Construçãoséculos XVI e XVII
Património Mundial
Ano1993 [♦]
Referência602 en fr es
Geografia
PaísUsbequistão
CidadeBucara
Coordenadas39° 46′ 23″ N, 64° 25′ 13″ L
Localização em mapa dinâmico
Notas:
[♦] ^ Parte do sítio do Património Mundial "Centro histórico de Bucara"
Um simurgue no tímpano do ivã (portal) da Madraça de Nadir Divambegui

O Lyab-i Hauz (em usbeque: Labihovuz), também chamado ou grafado Lyabi-Khauz ou Lab-e hauz (do persa لب حوض,, que significa "junto ao lago"), é um conjunto monumental histórico islâmico em Bucara, no Usbequistão, que faz parte do sítio do Património Mundial da UNESCO "Centro histórico de Bucara".[1]

É uma área que rodeia um dos últimos hauz (tanques ou lagos artificias) em Bucara. Antes do período soviético existiam vários desses lagos, que funcionavam como as principais fontes de abastecimento água da cidade, mas também contribuíam para a propagação de doenças, o que levou a que fossem drenados durante as décadas de 1920 e 1930. O Labi Hovuz foi mantido devido a ser o centro dum conjunto arquitetónico datado dos séculos XVI e XVII. Dele fazem parte a madraça Kukeldash, do século XVI, a maior da cidade,[2] situada na margem norte do lago.[3] Nas margens oriental e ocidental do lago encontram-se o khanqah (albergue para sufis itinerantes) de Nadir Divambegui e a Madraça de Nadir Divambegui, ambos do início do século XVII.[4]

História e descrição

O conjunto deve-se em grande medida a Nadir Divambegui (Nadir Divan-Beghi), o grão-vizir do Canato de Bucara que mandou construir o hauz c.1620, que era alimentado pelo Shah Rud ("Canal Real"), o qual ainda divide a cidade antiga em duas. As bordas do tanque têm degraus para permitir aos aguadeiros encherem facilmente os seus baldes qualquer que fosse o nível da água. As amoreiras existentes na área foram plantadas em 1477. O conjunto organiza-se em torno dum hauz, o qual é rodeado por monumentos em três dos seus quatro lados. A Madraça Kukeldash já existia quando o hauz foi construído a sul dela. Ao seu lado existiu erguia-se a Madraça Qazi-e Kalyan Nasreddin, mais pequena, que já não existe.[5]

Os outros monumentos do conjunto foram mandados construir por Nadir Divambegui e têm o seu nome: um khanqah e uma madraça. Esta última foi construída para ser um caravançarai, mas segundo a tradição, durante a sua inauguração, o cã Imã Culi Cã (Imomquli ou Imomqulixon Ibn Dinmuhammadxon) referiu-se insistentemente a ela como uma madraça, pelo que teve que ser refeita, embora lhe faltem algumas caraterísticas, pois não tem salas de aula nem mesquita.[5]

A Madraça de Nadir Divambegui é um melhores exemplos de arte figurativa em azulejo do Usbequistão, a par da Madraça Cher-Dor em Samarcanda, algo bastante raro na arte islâmica. O facto da função inicialmente planeada para o edifício não ser religiosa pode ter contribuído para que fosse usada essa decoração pouco ortodoxa, mas também há que ter em conta de que praticamente tudo o que se pode ver atualmente resulta dos restauros realizados na década de 1970, quando o edifício praticamente já não tinha azulejos.[5]

Atualmente o aspeto do hauz é edílico, mas no passado a água estagnada era uma fonte de várias doenças que constantemente assolavam a cidade. Essa situação só terminou quando o regime soviético recontruíram o lago após terem-no drenado, na década de 1960. Uma das doenças mais temíveis em Bucara, como na generalidade da Ásia Central, foi a dracunculíase, conhecida localmente como reshta, provocada pelo verme-da-guiné que proliferava no hauzes de Bucara. Nos meses secos de verão, o abastecimento de tanques e canais da cidade era irregular, chegando a estar interrompido durante meses a fio. Os habitantes usavam a água dos hauzes para bebere e para lavagens, o que provocava muitas doenças de pele e dracunculíase. Os visitantes familiarizavam-se rapidamente com os horrores da reshta, um parasita que entrava na corrente sanguínea e emergia na forma dum verme branco com cerca de 60cm de comprimento, que tinha que ser retirado lentamente ao longo de dias enrolando-o num pau. Se o verme se partisse, dividia-se numa dúzia de pedaços, que ressurgiam dias depois, provocando gemidos agonizantes ao hospedeiro. O O sistema de saneamento de como que flutuava sobre um mar da porcaria produzida pela cidade e, numa tentativa de controlar as frequentes epidemias, os enfermos de doenças de pele graves eram colocados em quarentena numa secção fechada da parte norte da cidade e qualquer cidadão local tinha ordem para matar doentes que andassem fora do seu bairro.[5]

Referências

  1. Historic Centre of Bukhara. UNESCO World Heritage Centre - World Heritage List (whc.unesco.org). Em inglês ; em francês ; em espanhol. Páginas visitadas em 18 de dezembro de 2020.
  2. Page, Dmitriy. «Kukeldash Madrasah». www.pagetour.org
  3. Page, Dmitriy. «Nadir Divan-Begi Khanaka». www.pagetour.org
  4. Page, Dmitriy. «Nadir Divan-Begi Madrasah». www.pagetour.org
  5.  «Lyabi-Hauz» (em inglês). caravanistan.com. Consultado em 18 de dezembro de 2020

Conjunto Monumental Lyab-i Hauz

Também conhecido como: Lyabi-Khauz, Lab-e hauz; em usbeque: Labihovuz
Significado do nome: Do persa Lab-i hauz, significa literalmente “junto ao lago” ou “à beira do reservatório”.

Localização e Importância

O Lyab-i Hauz é um dos conjuntos arquitetônicos mais icônicos e bem preservados da cidade de Bucara, no Usbequistão. Ele faz parte do Centro Histórico de Bucara, declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO, e representa um exemplo notável da organização urbana e da arquitetura islâmica da Ásia Central, desenvolvida entre os séculos XVI e XVII.
Sua característica central é o hauz — um reservatório ou lago artificial — um elemento tradicional que, durante séculos, cumpriu funções essenciais na vida da cidade. Antes da era soviética, Bucara contava com dezenas desses tanques, que serviam como principal fonte de água para consumo, higiene e agricultura. No entanto, por serem espaços de água parada, também se tornaram focos de proliferação de doenças, o que levou as autoridades a drenar a maioria deles nas décadas de 1920 e 1930. O Lyab-i Hauz foi uma das poucas exceções, mantido justamente por ser o núcleo de um conjunto monumental de grande valor histórico e artístico.

Composição do Conjunto

O conjunto está disposto ao redor do hauz, com edifícios que ocupam três de suas quatro margens:
  • Margem norte: A Madraça Kukeldash, construída no século XVI, é a maior instituição de ensino religioso de Bucara e uma das mais imponentes da região.
  • Margem ocidental: O Khanqah de Nadir Divambegui, erguido no início do século XVII, funcionava como albergue e centro espiritual para dervixes e peregrinos sufis.
  • Margem oriental: A Madraça de Nadir Divambegui, construída na mesma época que o khanqah, com uma história e características arquitetônicas singulares.
No passado, ao lado da Madraça Kukeldash também existia a Madraça Qazi-e Kalyan Nasreddin, uma construção menor que não chegou até os dias atuais.

História e Desenvolvimento

O projeto do conjunto como o conhecemos hoje deve-se principalmente a Nadir Divambegui (também chamado de Nadir Divan-Beghi), grão-vizir e figura influente do Canato de Bucara, além de tio materno do governante Imã Culi Cã. Por volta de 1620, ele ordenou a construção do hauz, que foi abastecido pelas águas do Canal Shah Rud — conhecido como “Canal Real” — uma importante via hídrica que ainda hoje divide a parte antiga da cidade.
O reservatório foi projetado com funcionalidade prática: suas bordas possuem degraus que permitiam aos aguadeiros encher seus recipientes com facilidade, independentemente do nível da água. Curiosamente, algumas das amoreiras que ainda hoje embelezam a área foram plantadas muito antes da construção do conjunto, em 1477, tornando-se testemunhas silenciosas de toda a evolução do local.

A Madraça de Nadir Divambegui: uma história de função alterada

Um fato curioso marca a história da madraça situada na margem leste: ela foi originalmente concebida para ser um caravançarai — uma pousada ampla destinada a receber mercadores, viajantes e suas caravanas ao longo da Rota da Seda. Porém, durante a cerimônia de inauguração, o próprio cã Imã Culi Cã, ao visitar a obra, referiu-se repetidamente ao edifício como se fosse uma madraça. Naquela época, a palavra do monarca era lei, e a construção teve que ser adaptada rapidamente à nova função. Por isso, até hoje ela apresenta particularidades: não possui salas de aula nem uma mesquita própria, elementos considerados essenciais em uma madraça tradicional.
Essa mudança de propósito também ajudou a explicar um traço raro em sua decoração: a presença de motivos figurativos em azulejo, como animais e aves. Na arte islâmica, a representação de seres vivos costuma ser evitada nos espaços religiosos. Por ter sido projetada inicialmente para uso comercial e não religioso, os artistas puderam usar essa linguagem visual mais livre. Hoje, ela é considerada um dos melhores exemplos desse tipo de decoração no Usbequistão, ao lado da Madraça Cher-Dor, em Samarcanda. Importante ressaltar, porém, que quase toda a ornamentação visível atualmente é resultado de extensas restaurações feitas na década de 1970, quando o edifício já havia perdido praticamente todos os seus azulejos originais.

A Realidade da Água e a Saúde Pública

Atualmente, o Lyab-i Hauz é um espaço tranquilo e agradável, com águas tratadas e paisagem bem cuidada. Mas durante séculos, a realidade foi bem diferente. A água parada dos hauzes era a principal causa de epidemias em Bucara. A doença mais temida era a dracunculíase, conhecida localmente como reshta, provocada pelo verme-da-guiné.
O ciclo da doença era devastador: os parasitas se desenvolviam na água suja e, quando ingeridos, entravam na corrente sanguínea humana. Após um ano, emergiam da pele como vermes brancos de até 60 centímetros de comprimento. O tratamento era doloroso e demorado: era preciso enrolar o verme lentamente em um pequeno pau ao longo de vários dias; se ele se rompesse, se multiplicava e espalhava a infecção pelo corpo.
Além disso, nos meses mais secos, o abastecimento dos canais era interrompido por semanas ou meses, obrigando a população a usar apenas a água estagnada dos reservatórios. Isso provocava também doenças de pele, infecções intestinais e surtos de outras enfermidades. A situação era tão crítica que, em épocas de epidemia, medidas rigorosas eram adotadas: doentes com feridas graves eram confinados em uma área isolada da cidade, e havia ordens para impedir que circulassem fora de seus bairros.
A mudança só ocorreu definitivamente na década de 1960, quando as autoridades soviéticas drenaram, limparam e reconstruíram o hauz, implantando um sistema de circulação e tratamento da água que eliminou os focos de contaminação.

Importância Cultural e Turística

Hoje, o Lyab-i Hauz é muito mais do que um conjunto de edifícios antigos: é o coração social e cultural do centro histórico de Bucara. Suas margens sombreadas, cercadas por árvores seculares, lojas de artesanato, restaurantes e cafés, são ponto de encontro tanto para moradores quanto para visitantes. Ele preserva a memória de como a cidade se organizou ao longo da história, mostrando como a arquitetura, o abastecimento de água, a religião e o comércio caminharam juntos para construir uma das mais importantes paradas da Rota da Seda.

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