sexta-feira, 26 de junho de 2026

Mesquita Bolo Hauz Também conhecida como: Bolo Haouz, Bolo-KhauzNome em usbeque: Bolohovuz

 

Mesquita Bolo Hauz
Mesquita Bolo Haouz • Mesquita Bolo-Khauz • Mesquita Bolohovuz
Informações gerais
TipoMesquita
Início da construção1712
Religiãoislão
Património Mundial
Ano1993 [♦]
Referência602 en fr es
Geografia
PaísUsbequistão
CidadeBucara
Coordenadas39° 46′ 40″ N, 64° 24′ 27″ L
Localização em mapa dinâmico
Notas:
[♦] ^ Parte do sítio do Património Mundial "Centro histórico de Bucara"
Ivã frontal de madeira da Mesquita Bolo Hauz

A Mesquita Bolo Hauz, Bolo Haouz ou Bolo-Khauz (em usbeque: Bolohovuz) é uma mesquita histórica no centro histórico de Bucara, um sítio classificado como Património Mundial pela UNESCO no Usbequistão.[1] Situa-se na praça do Registan, no lado ocidental, em frente à Ark (cidadela), que fica no lado oriental da praça, formando um kosh, um arranjo urbanístico típico da Ásia Central, no qual dois monumentos formam um par simétrico, segundo um mesmo eixo longitudinal.[2]

História

A mesquita faz parte dum conjunto arquitetónico que também inclui um lago artificial (hauz) e um minarete. A sua construção foi iniciada em 1712, por ordem da esposa[3] do cã de Bucara Abul Faiz Cã (Abulfayzxon; r. 1411–1747), e é um dos últimos e mais importantes e belos monumentos de Bucara anteriores à Idade Contemporânea.[2][4] Segundo uma lenda, a mesquita foi construída pelo fundador do Emirado de Bucara, Xá Murade (Shohmurod; r. 1785–1800) para orações públicas porque gostava de estar entre pessoas comuns. O minarete, de peequenas dimensões foi construído em 1717 e é da autoria dum arquiteto local famoso, Shirin Muradov.[3]

O nome significa "por cima do tanque" ou "tanque das crianças", referindo-se ao hauz (lago artificial) octogonal que fica em frente da mesquita. Tradicionalmente, e sempre que possível, as mesquitas de Bucara tinham um hauz.[2][4] Além da sua função decorativa, os hauz constituíam o principal meio de abastecimento de água da população e frequentemente eram focos de doenças que assolavam constantemente a cidade, o que levou a que muitos deles fossem drenados.[3] Durante o período soviético o edifício foi usado brevemente como clube de trabalhadores proletários, mas depois foi cuidadosamente restaurado.[5]

Arquitetura

É uma mesquita congregacional ("de sexta-feira"), com dimensões suficientes para nela se reunir grande parte da população da cidade para a jumu'ah (oração do meio-dia de sexta-feira). Na prática, a mesquita era o local de culto pessoal do emir de Bucara, que frequentemente se deslocava entre ela e o palácio da Ark (cidadela) com grande pompa e cerimónia, caminhando sobre tapetes colocados especialmente para a ocasião. Era na mesquita que o nome do emir era lido em voz alta nas orações de sexta-feira, salientando a sua autoridade absoluta sobre a cidade e todos os seus assuntos.[2]

O desenho da mesquita apresenta caraterísticas híbridas curiosas, que refletem o clima rigoroso de Bucara, com calor sufocante no verão e frio de gelar no inverno, com clima ameno entre eles. À semelhança do que foi feito em Quiva, os arquitetos adaptaram os edifícios a esses extremos climáticos dotando-os de ivãs voltados para norte ou leste, abertos em pleo menos um dos lados para proporcionar ventilação e sombra no verão. Nos meses de inverno, os ocupantes deslocavam-se para o interior, onde eram acesas lareiras. Na Mesquita Bolo Hauz, o núcleo do edifício é a mesquita de inverno, com paredes espessas de tijolo, encimada por uma ampla cúpula. O interior é decorado com abóbadas com muqarnas, principalmente na antecâmara adjacente ao mirabe.[2]

No verão, os fiéis usavam o espaçoso ivã do lado oriental, o qual tem um salão com 42 de comprimento por 10 metros de largura[2] e 12 metros de altura,[5] sustentado por 20 pilares e delimitado em três lados por paredes de tijolos. Como observam Chuvin e DeGeorge, essa planta faz lembrar os "quarenta pilares" (Chehel Sotoun) comuns na arquitetura persa. Cada um dos pilares é formado por dois troncos de árvore (nogueira, ulmeiro e choupo) ligados nas extremidades para aumentar a altura.[2] O ivã é abundantemente decorado, com estalactites de madeira esculpida e pintada, com arabescos, motivos florais e padrões geométricos.[3] Pela rica decoração, nomeadamente as pinturas de cores vivas, e pela sua altura, o ivã é apontado como um dos mais belos e mais altos da Ásia Central.[5]

Esse ivã com 20 pilares é relativamente recente, tendo sido construído no início do século XX. Antes disso, a mesquita tinha apenas o núcleo central de tijolo ou poderá ter tido outro ivã de madeira que já não existe. O ivã de madeira atual foi poupado pelo fogo que destruiu a maior parte da vizinha Ark durante a tomada da cidade pelo Exército Vermelho em 1920.[2]

Referências

  1. Historic Centre of Bukhara. UNESCO World Heritage Centre - World Heritage List (whc.unesco.org). Em inglês ; em francês ; em espanhol. Páginas visitadas em 16-12-2020.
  2.  «Bolo Hauz Mosque, Bukhara, Uzbekistan» (em inglês). Asian Historical Architecture. www.orientalarchitecture.com. Consultado em 16 de dezembro de 2020
  3.  «Bolo-Khauz Complex, Bukhara» (em inglês). www.advantour.com. Consultado em 16 de dezembro de 2020
  4.  «Bolo Hauz complex» (em inglês). www.doca-tours.com. Consultado em 16 de dezembro de 2020
  5.  MacLeod & Mayhew 2017, p. 263.

Bibliografia

Mesquita Bolo Hauz

Também conhecida como: Bolo Haouz, Bolo-Khauz
Nome em usbeque: Bolohovuz
Significado do nome: “Por cima do tanque” ou “Tanque das crianças”, em referência ao lago artificial que fica à sua frente
Localização: Praça do Registan, lado ocidental, em Bucara — centro histórico classificado como Património Mundial pela UNESCO
Contexto urbanístico: Forma um par simétrico (kosh) com a Ark, a cidadela e palácio do governante, situada no lado oposto da praça

História

A construção da mesquita teve início em 1712, por ordem da esposa de Abul Faiz Cã, governante de Bucara. É um dos mais importantes e belos monumentos da cidade erguidos antes da era contemporânea, marcando o final de um ciclo de grandes obras arquitetónicas na região.
Segundo uma tradição popular, a mesquita foi também associada ao fundador do Emirado de Bucara, Xá Murade (reinou entre 1785 e 1800), que teria escolhido este espaço para orar em público, por preferir estar próximo do povo comum. O conjunto arquitetónico inclui ainda um minarete de pequenas dimensões, concluído em 1717 e projetado pelo reconhecido arquiteto local Shirin Muradov.
O elemento que deu nome ao edifício é o hauz — um reservatório de água de forma octogonal, situado em frente à entrada. Estes tanques eram uma característica habitual das mesquitas de Bucara: serviam como fonte principal de abastecimento de água para a população, mas também como focos de doenças, o que levou ao esvaziamento de muitos deles ao longo do tempo.
No período soviético, a mesquita chegou a ser usada temporariamente como clube de trabalhadores, mas foi posteriormente alvo de cuidadosas intervenções de restauro, que preservaram a sua estrutura e decoração originais. Em 1920, durante a tomada da cidade pelo Exército Vermelho, a cidadela da Ark foi gravemente danificada por um incêndio, mas a parte principal da Mesquita Bolo Hauz, nomeadamente o seu grande alpendre de madeira, escapou ilesa.

Arquitetura e Funcionamento

Trata-se de uma mesquita congregacional, destinada à oração de sexta-feira (jumu’ah), onde se reunia uma grande parte da população. Para além da função religiosa, desempenhava também um papel político: era aqui que o nome do emir era mencionado publicamente durante as orações, confirmando a sua autoridade sobre a cidade. O governante deslocava-se frequentemente da Ark até à mesquita com grande cerimónia, caminhando sobre tapetes estendidos especialmente para a ocasião.
A sua arquitetura reflete de forma engenhosa as condições climáticas extremas de Bucara — verões muito quentes e invernos rigorosos — adotando uma organização espacial diferenciada conforme a estação do ano:

Espaço de inverno

No interior, o núcleo da construção é feito com paredes espessas de tijolo, que retêm o calor, e é coberto por uma ampla cúpula. O ambiente é acolhedor e fechado, com lareiras para aquecimento. A decoração destaca-se pelas abóbadas trabalhadas com muqarnas — elementos em forma de estalactite — especialmente na zona de entrada da sala principal e junto ao mirabe (nicho que indica a direção de Meca).

Espaço de verão

Para os meses mais quentes, foi construído um amplo alpendre aberto, ou ivã, voltado para leste. Tem cerca de 42 metros de comprimento por 10 metros de largura e 12 metros de altura, sustentado por 20 pilares de madeira. Esta estrutura aberta garante ventilação natural e sombra, tornando o espaço fresco e confortável.
Cada pilar é formado por dois troncos de árvores nobres — como nogueira, ulmeiro e choupo — unidos para atingir a altura necessária. A sua disposição faz lembrar os salões chamados Chehel Sotoun (“Quarenta Pilares”), muito comuns na arquitetura persa.
A decoração deste espaço é considerada uma das mais ricas e expressivas da Ásia Central: os pilares e o teto são esculpidos e pintados com cores vivas, com motivos de arabescos, desenhos florais e padrões geométricos, além de detalhes em forma de estalactites de madeira. Este ivã atual foi erguido no início do século XX, substituindo possivelmente uma estrutura anterior mais simples ou de menores dimensões.

Importância Cultural

Hoje, a Mesquita Bolo Hauz continua a ser um dos pontos de maior interesse histórico e artístico de Bucara. Representa a sabedoria construtiva dos arquitetos da região, que souberam adaptar a arquitetura ao clima e às necessidades da comunidade, ao mesmo tempo que criaram um espaço de grande beleza estética. A sua sobrevivência e conservação permitem compreender não só a prática religiosa, mas também a organização política e a vida quotidiana da cidade ao longo dos séculos.

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