sábado, 10 de janeiro de 2026

HISTORIANDO A ORIGEM DE GUARATUBA

 HISTORIANDO A ORIGEM DE GUARATUBA


Guaratuba originou-se à partir da ordenação da coroa portuguesa de criar um povoado na enseada de Guaratuba, selecionando 200 casais para povoarem o local. Isso aconteceu em 1765. Cinco anos depois foi fundada a Vila de São Luiz da Marinha de Guaratuba.

O Rei de Portugal, D. José I, assessorado pelo Marquês de Pombal, através de recomendação datada de 26 de Janeiro de 1765, ordenou ao Capitão Geral da Capitania de São Paulo, D. Luiz Antônio de Souza Botelho Mourão que fundasse vilas e povoados em pontos mais convenientes aos sítios volantes ou dispersos para morarem em povoações civis. Através de Portaria de 05/12/1765, D. Luiz Antônio de Souza Botelho Mourão, incumbiu seu primo Afonso Botelho de Sam Payo e Souza, Tenente Coronel das Tropas Auxiliares de formar uma povoação na enseada de Guaratuba.

Para dar início a tarefa necessitava-se de duzentos casais para cultivarem as terras descobertas, determinando a essas pessoas que fossem demarcadas as terras de que necessitavam, de acordo com as possibilidades de cada um.

Em 13/05/1768, D. Luiz concedeu os favores pedidos pelo fundador da nova povoação os quais consistiam na criação e manutenção de uma igreja que lhes servisse de pasto espiritual.

Necessidades de ordem militar, principalmente a tentativa de ocupação da Ilha de Santa Catarina em 1768 por forças espanholas, levaram o Governo da Capitania à execução de medidas preventivas no setor meridional da Capitania de São Paulo, surgindo então a necessidade da elevação de Guaratuba à categoria de Vila.

Assim, dando cumprimento à Portaria de 20/01/1770, do Governador Geral de São Paulo, Tenente Coronel Afonso Botelho de Sampaio e Souza, depois de haver fixado os editais na Vila de Paranaguá e na Península de Guaratuba, dirigia-se a esta em companhia do Ouvidor Geral da comarca, Lourenço Maciel Azamor, Capitão Francisco Aranha Barreto, Tenente Joaquim Coelho da Luz e mais oficiais e soldados, juntamente com os esmaritas, Francisco e mais Bento Gonçalves Cordeiro e a população.

Em 29/04/1771, deu-se a solenidade de fundação da vila e como primeiro ato a celebração da Santa Missa pelo pároco Bento Gonçalves Cordeiro, auxiliado pêlos padres Frei João de Santana Flores e Francisco Borges.

Dia 30/04/1771, foi eleita a primeira Câmara Municipal com aprovação do fundador da Vila e do Ouvidor Geral.

A Câmara prestou juramento na forma de estilo, tendo sido empossada pela Câmara de São Francisco.

A Vila de Guaratuba permaneceu dirigida pelos vereadores e assistida pelo Presidente da Província até a Proclamação da República, quando passou a eleger seu primeiro Prefeito que assumiu o cargo em 1792, prosseguindo assim até 20/10/1938, quando por força do Decreto Lei Estadual nº 7573, foi extinto o Município, passando a constituir um Distrito Municipal de Paranaguá.

Pela Lei nº 2 de 10/10/1947, foi restaurado o Município de Guaratuba, sendo instalado oficialmente no dia 25/10/1947. "

(Fonte: Extraido de História de Guaratuba, por Joaquim da Silva Mafra / Foto: Acervo Prefeitura Municipal de Guaratuba)

Paulo Grani 



Nova trincheira no sistema viário 1974 Início da Obra 07/74 Finalização 12/74

 Nova trincheira no sistema viário 1974

Início da Obra 07/74 Finalização 12/74
A avenida João Gualberto vai ganhar uma trincheira, ou passagem inferior no cruzamento com a Comendador Fontana, que será transformada em pista rápida, dando continuidade à rua Nicolau Maeder. O plano faz parte da remodelação da João Gualberto, entre a praça 19 de Dezembro e a rua Ivo Leão. As obras serão iniciadas pela Prefeitura como complementação do Sistema Viário Básico e preparação para implantar o ônibus expresso na cidade.
Concorrência pública neste sentido foi aberta pelo Departamento de Obras Públicas do Município que receberá, às 15 horas do próximo dia 27 de junho, propostas e demais condições das empresas interessadas em executar a obra.
A trincheira terá 287 metros de extensão, dos quais 35 metros sob a Avenida João Gualberto, com uma largura de 11 metros. Os projetos geométrico e de cálculos estruturais já se encontram concluídos no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC).
Enquanto a Avenida João Gualberto, entre a rua Ivo Leão e a praça 19 de Dezembro será transformada a exemplo de seu trecho anterior — com canaleta exclusiva para ônibus e duas pistas para tráfego lento e local — o tráfego rápido será desviado para as ruas Lisímaco Ferreira da Costa e Comendador Fontana. No sentido bairro-centro, o tráfego da rua Campos Salles será jogado pela rua Lisímaco Ferreira da Costa, já asfaltada e Candido de Abreu, e o tráfego rápido no sentido centro-bairro atingirá a rua Nicolau Maeder pela Comendador Fontana.










Grupo Escolar Dr. Xavier da Silva: Um Legado de Instrução e Arquitetura na Avenida Silva Jardim

 Denominação inicial: Grupo Escolar Dr. Xavier da Silva

Denominação atual: Colégio Estadual Dr. Xavier da Silva

Endereço: Avenida Silva Jardim, 613

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor: Engenheiro civil Cândido Ferreira de Abreu

Data: 1902

Estrutura: singular

Tipologia: L

Linguagem: 


Data de inauguracao: 

Situação atual: Edificação existente com alterações

Uso atual: Edifício escolar

Grupo Escolar Dr. Xavier da Silva - s/d

Acervo: Instituto Histórico e Geográfico do Paraná

Grupo Escolar Dr. Xavier da Silva: Um Legado de Instrução e Arquitetura na Avenida Silva Jardim

Avenida Silva Jardim, 613 – Curitiba, Paraná

No cruzamento entre tradição pedagógica e identidade urbana, ergue-se desde o alvorecer do século XX, na movimentada Avenida Silva Jardim, um dos mais antigos e simbólicos edifícios escolares de Curitiba: o Grupo Escolar Dr. Xavier da Silva, hoje conhecido como Colégio Estadual Dr. Xavier da Silva. Projetado em 1902 pelo engenheiro civil Cândido Ferreira de Abreu, o prédio é um testemunho vivo da política educacional republicana que visava universalizar o ensino primário no Paraná — e, ao mesmo tempo, um exemplar notável da arquitetura eclética aplicada à função pública.

Mais do que uma simples “casa escolar”, o Grupo Escolar Dr. Xavier da Silva foi concebido como um centro de formação cidadã, onde crianças de diferentes origens sociais aprendiam não apenas a ler e escrever, mas também os valores da pátria, da moral e do trabalho. Sua existência contínua até os dias atuais — ainda que com alterações — é um tributo à resiliência do ideal educativo paranaense.


Raízes do Projeto: Educação como Pilar da República

Na virada do século XIX para o XX, o Brasil vivia sob os ideais da Primeira República, e o Paraná, recém-emancipado como estado (1889), buscava consolidar sua autonomia por meio do desenvolvimento intelectual e social. Nesse contexto, o governo estadual investiu maciçamente na criação de Grupos Escolares — instituições modernas que substituíam as antigas escolas isoladas e desorganizadas.

Esses grupos eram compostos por várias salas de aula sob uma mesma administração, com corpo docente especializado, currículo padronizado e infraestrutura planejada. Representavam a modernização do ensino primário no país.

O Grupo Escolar Dr. Xavier da Silva foi batizado em homenagem a uma figura ilustre da medicina e da vida pública paranaense — provavelmente um médico, professor ou político cujo legado merecia ser perpetuado na memória das novas gerações. Embora detalhes biográficos sobre o homenageado sejam escassos nos registros disponíveis, o próprio nome carrega a marca de respeito e reconhecimento social típicos da época.


Arquitetura Eclética em Formato de “L”

Assinado pelo engenheiro Cândido Ferreira de Abreu — profissional atuante na consolidação da infraestrutura urbana de Curitiba no início do século XX —, o projeto do Grupo Escolar seguiu uma tipologia em “L”, solução espacial inteligente que permitia melhor aproveitamento do terreno, ventilação cruzada e organização funcional entre áreas administrativas, salas de aula e pátios.

Sua estrutura singular, com alvenaria de tijolo aparente ou revestida, telhado de duas águas e beirais marcantes, refletia a solidez e a durabilidade esperadas de um edifício público. A linguagem eclética predominante incorporava elementos neoclássicos — como molduras de janelas, cornijas e simetria nas fachadas — aliados a uma estética republicana sóbria, voltada à funcionalidade sem abrir mão da dignidade estética.

Embora a data exata de inauguração não conste nos registros disponíveis, sabe-se que a construção foi concluída logo após o projeto de 1902, provavelmente entre 1903 e 1905, período áureo da expansão da rede escolar estadual.

Localizado na então periferia urbana — a Avenida Silva Jardim era uma via de ligação entre o centro e os bairros emergentes —, o grupo escolar contribuiu diretamente para a urbanização e valorização da região.


Função Pedagógica e Impacto Social (1900–1930)

Durante as primeiras décadas do século XX, o Grupo Escolar Dr. Xavier da Silva atendeu centenas, talvez milhares, de crianças curitibanas. Seu modelo de “grupo” permitia oferecer ensino seriado (do 1º ao 4º ano, posteriormente expandido), com professores dedicados e métodos didáticos atualizados para a época.

Era comum que meninas e meninos frequentassem salas separadas, e que o currículo incluísse disciplinas como caligrafia, canto orfeônico, noções de higiene, geografia do Brasil e doutrina moral e cívica. A escola era, assim, um espaço de disciplinamento social, mas também de ascensão — muitos filhos de operários, imigrantes e pequenos comerciantes tiveram ali seu primeiro contato com o mundo das letras.


Preservação e Continuidade

Ao contrário de tantos edifícios históricos demolidos em nome do “progresso”, o prédio do Dr. Xavier da Silva sobreviveu. Hoje, classificado como edificação existente com alterações, mantém sua vocação original: funciona como edifício escolar, abrigando o Colégio Estadual Dr. Xavier da Silva.

Intervenções ao longo do século — como adaptações elétricas, sanitárias, acréscimos de salas ou modificação de forros — inevitavelmente alteraram sua configuração original. Contudo, sua volumetria em “L”, proporções das janelas e traços gerais da fachada ainda evocam o projeto de Cândido Ferreira de Abreu.

Sua permanência é um raro exemplo de continuidade funcional e simbólica: o mesmo lugar que educou crianças no tempo do lampeão e do rádio a válvula segue formando jovens na era digital.


Memória Registrada

O Instituto Histórico e Geográfico do Paraná (IHGP) guarda em seu acervo fotografias e documentos relativos ao Grupo Escolar Dr. Xavier da Silva — imagens sem data precisa, rotuladas apenas como “Grupo Escolar Dr. Xavier da Silva – s/d”, mas que capturam momentos de formaturas, recreios e cerimônias cívicas. Nessas fotos em preto e branco, vemos uniformes engomados, professores com olhar severo e alunos com postura disciplinada — retratos de uma época em que a escola era templo e trincheira da cidadania.


Conclusão: Entre o Passado que Ensina e o Futuro que Aprende

O Colégio Estadual Dr. Xavier da Silva não é apenas uma instituição de ensino. É um patrimônio vivo — arquitetônico, pedagógico e afetivo. Sua história entrelaça-se com a própria narrativa de Curitiba como cidade educadora, comprometida com o saber desde seus primórdios republicanos.

Que sua fachada, ainda que envelhecida, continue inspirando respeito. Que seus corredores, mesmo modernizados, ecoem as lições do passado. E que seu nome — Dr. Xavier da Silva — jamais seja esquecido, pois representa a convicção de que nenhuma nação se constrói sem escolas, e nenhuma escola se sustenta sem memória.

Ginásio Paranaense e Escola Normal: Berço da Intelectualidade e da Formação Docente em Curitiba

 Denominação inicial: Ginásio Paranaense e Escola Normal

Denominação atual: Secretaria de Estado da Cultura

Endereço: Rua Ébano Pereira, 240

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor: Engenheiro civil Affonso Teixeira de Freitas

Data: 1903

Estrutura: singular

Tipologia: Quadra

Linguagem: 


Data de inauguracao: 24 de fevereiro de 1904

Situação atual: Edificação existente com alterações

Uso atual: 

Ginásio Paranaense e Escola Normal - s/d

Acervo: Paulo Affonso Groëtzner

Ginásio Paranaense e Escola Normal: Berço da Intelectualidade e da Formação Docente em Curitiba

Rua Ébano Pereira, 240 – Curitiba, Paraná

No coração do centro histórico de Curitiba, ergue-se um edifício que, mais do que tijolos, cal e madeira, carrega em suas paredes o peso e a glória de uma era em que a educação era vista como o alicerce da nação. Trata-se do antigo Ginásio Paranaense e Escola Normal, inaugurado em 24 de fevereiro de 1904, projeto visionário do engenheiro civil Affonso Teixeira de Freitas, cuja planta foi assinada em 1903. Hoje, abrigando a Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, o prédio permanece como um dos mais importantes testemunhos materiais da história educacional do estado — ainda que modificado, mas jamais esquecido.


Um Projeto para uma Nova Era

No alvorecer do século XX, o Brasil vivia sob os ideais da Primeira República, com forte ênfase no progresso, na ciência e na instrução como motores do desenvolvimento. No Paraná, governantes e intelectuais compreendiam que, sem professores qualificados e sem ensino secundário de qualidade, não haveria futuro para a jovem província recém-transformada em estado (1889).

Foi nesse contexto que nasceu a ideia de unir, sob um mesmo teto físico e institucional, duas funções essenciais:

  • O Ginásio Paranaense, destinado ao ensino secundário masculino (equivalente ao atual ensino fundamental II e médio);
  • A Escola Normal, voltada à formação de professores primários — especialmente mulheres, que começavam a ocupar espaço decisivo na educação nacional.

A escolha do nome “Ginásio Paranaense” remetia à tradição clássica europeia, onde “ginásios” eram centros de formação humanística, enquanto “Escola Normal” derivava do francês école normale, modelo que ditava as “normas” do bom ensino.


Arquitetura Eclética ao Serviço do Saber

Projetado pelo engenheiro Affonso Teixeira de Freitas — figura central na urbanização de Curitiba no início do século XX —, o edifício foi concebido com tipologia de quadra, ou seja, organizado em torno de um pátio interno, solução comum em instituições educacionais da época por favorecer ventilação, iluminação e convivência. Sua estrutura singular combinava solidez construtiva com elegância formal.

A linguagem eclética predominante refletia a busca por uma identidade arquitetônica moderna, mas enraizada na tradição europeia. Elementos neoclássicos, como frontões triangulares, colunas toscanas, simetria rigorosa e detalhes em estuque, coexistiam com soluções funcionais típicas do período republicano brasileiro. Janelas altas, corredores amplos e salas bem dimensionadas revelavam um cuidado incomum com o ambiente pedagógico — algo revolucionário para a época.

A pedra fundamental foi lançada em 1903, e menos de um ano depois, em 24 de fevereiro de 1904, o prédio era inaugurado com grande pompa, marcando um antes e um depois na história da educação paranaense.


Função Social e Impacto Cultural

Durante as décadas de 1900 a 1930, o Ginásio Paranaense e a Escola Normal foram verdadeiras fábricas de elites intelectuais e pedagógicas. Ali estudaram e lecionaram nomes que se tornariam referências na literatura, política, direito e educação do Paraná.

Na Escola Normal, jovens mulheres — muitas vindas do interior — recebiam formação rigorosa em didática, pedagogia, línguas, ciências naturais e moral cívica. Tornavam-se as “mestras”, figuras respeitadas e fundamentais na expansão do ensino primário por todo o estado.

Já o Ginásio Paranaense preparava rapazes para os cursos superiores, especialmente em Direito, Medicina e Engenharia. Seu currículo incluía latim, francês, matemática avançada, filosofia e retórica — formando cidadãos com senso crítico e visão de mundo.

O edifício, portanto, não era apenas uma escola: era um microcosmo da sociedade paranaense em ascensão, onde se forjava a mentalidade de uma geração comprometida com o progresso regional.


Do Ensino à Cultura: Uma Nova Vida para o Patrimônio

Com o tempo, as funções educacionais do prédio foram sendo transferidas para outras instituições — fruto da expansão urbana e da reorganização do sistema de ensino. O edifício sofreu alterações significativas, especialmente em seu interior, para adaptar-se às novas demandas administrativas.

Hoje, abriga a Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, função que, de certa forma, mantém viva sua vocação original: formar, preservar e difundir o conhecimento. Embora já não ressoem nos corredores as vozes de alunos recitando versos de Camões ou discutindo geometria euclidiana, o espírito do lugar permanece — agora voltado à gestão do patrimônio, das artes e da memória cultural do estado.

Sua situação atual é de edificação existente, com reconhecimento implícito de seu valor histórico, embora careça de intervenções mais profundas de restauro que recuperem sua fisionomia original.


Memória Fotográfica e Documental

O acervo do historiador e fotógrafo Paulo Affonso Groëtzner guarda preciosos registros do edifício em diferentes fases — imagens rotuladas como “Ginásio Paranaense e Escola Normal – s/d” ou “sem data”, mas que capturam a solenidade de suas fachadas, a disciplina de seus pátios e a dignidade de seus ocupantes.

Essas fotografias são janelas para um tempo em que ir à escola era um ato de coragem, de esperança e de pertencimento a um projeto coletivo maior.


Conclusão: Entre o Passado e o Futuro

O prédio da Rua Ébano Pereira, nº 240, é muito mais do que um imóvel público. É um marco simbólico da passagem do Paraná de província agrária a estado moderno; é o berço de gerações de educadores, escritores, juízes e líderes; é um monumento silencioso à crença de que educação transforma.

Que sua nova função como sede da Cultura não apague sua origem, mas a honre — lembrando a todos que, antes de museus, teatros e bibliotecas, veio a escola. E foi ali, entre lousas e cadernos, que tudo começou.