O Imperador Explorador: D. Pedro II Escala a Grande Pirâmide de Gizé
O Imperador Explorador: D. Pedro II Escala a Grande Pirâmide de Gizé
Por Renato Drummond Tapioca Neto
Em uma das imagens mais extraordinárias da história imperial brasileira, D. Pedro II aparece escalando a Grande Pirâmide de Quéops, no Egito. A fotografia, datada de 4 de novembro de 1871, registra um momento único da primeira viagem do casal imperial ao Império Otomano. Na ocasião, D. Pedro II e D. Teresa Cristina aproveitaram para visitar as pirâmides do complexo de Gizé e a fabulosa Esfinge, monumentos que, nas fotos da época, ainda se encontravam parcialmente encobertos pela areia do deserto.
A Maravilha do Mundo Antigo
A Grande Pirâmide de Quéops é, por si só, um testemunho da engenhosidade humana. Ao todo, foram necessários mais de 2.300.000 blocos de calcário, transportados pelas areias do deserto e erguidos em uma estrutura piramidal cuja construção perdura por mais de 4.500 anos. Cada bloco pesa mais de 2,3 toneladas, o que leva até hoje arquitetos, engenheiros e historiadores a especularem sobre qual tecnologia os antigos egípcios teriam usado para levantar esta maravilha do mundo antigo.
A Escalada Imperial
Na época da fotografia, D. Pedro II tinha 45 anos de idade, mas mostrou grande disposição física e intelectual em escalar os blocos de pedra milenares. A imperatriz D. Teresa Cristina integrava a comitiva do imperador, juntamente com o barão de Bom Retiro e o famoso egiptólogo Dr. Henrich Karl Brugsch.
Auxiliado por dois guias árabes, o monarca brasileiro subiu os 138 metros de altura da pirâmide. A imperatriz, porém, não participou da escalada, permanecendo abaixo enquanto acompanhava a façanha do marido.
As Palavras do Imperador
No seu diário daquele dia memorável, o monarca registrou suas impressões com a sensibilidade que lhe era característica:
"Estou muito cansado e atirar-me-ia na cama se as saudades não exigissem que lhe dessem as mais afetuosas boas noites. [...] Fui às Pirâmides de Gizé. O caminho quase todo por alamedas de acácias, das quais muitíssimas trançam entre si as cumas do verde o mais esplêndido e condigno vestíbulo de tão venerados monumentos. Parecem pequenos até chegar a eles e só se faz ideia da altura da grande pirâmide quando se observam os que por ela trepam e vão-se tornando cada vez mais pigmeus. Subi facilmente ajudado pelos árabes e no cimo reunimo-nos mais de trinta. Da minha companhia só foram Bom Retiro e o egiptólogo distinto Dr. Brugsch, que muito tem simpatizado comigo e dado-me informações interessantíssimas".
Uma vez no topo, o soberano gravou suas iniciais nas pedras do monumento milenar, deixando seu registro pessoal na história.
Amantes da Arqueologia e da História
D. Pedro II e D. Teresa Cristina eram verdadeiros amantes da história e da arqueologia. Mantinham em sua residência no Paço de São Cristóvão uma impressionante coleção de artigos que remontavam ao período da América Pré-Colombiana, à antiguidade clássica greco-romana, entre outras civilizações antigas.
No retorno para o Brasil, o monarca ganhou de presente duas múmias egípcias, que adicionou à sua coleção particular na Quinta da Boa Vista. Esse valioso acervo integraria mais tarde a vasta exposição do Museu Nacional do Rio de Janeiro, que infelizmente pereceu em um incêndio ocorrido no dia 2 de setembro de 2018, levando consigo séculos de história e memória.
O Legado de um Imperador Viajante
A escalada à Grande Pirâmide de Quéops simboliza bem o espírito de D. Pedro II: curioso, incansável, sedento por conhecimento e disposto a enfrentar desafios físicos e intelectuais. Aos 45 anos, o imperador demonstrava que a idade não era obstáculo para a aventura e a descoberta.
Essa viagem ao Egito foi apenas uma das muitas expedições que D. Pedro II realizou pelo mundo, sempre buscando ampliar seus horizontes e trazer para o Brasil o conhecimento adquirido. Sua paixão pela ciência, pela cultura e pela história deixou marcas profundas na nação brasileira, mesmo que muito do seu acervo pessoal tenha sido perdido no trágico incêndio do Museu Nacional.
A fotografia de D. Pedro II escalando a pirâmide permanece como um testemunho visual extraordinário de um monarca que foi, acima de tudo, um explorador incansável do saber humano.
Texto: Renato Drummond Tapioca Neto
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