Crônicas de uma Época: O Esplendor do Casamento Mello Leitão-Xavier Salmon e a Inauguração do Lar dos Jornalheiros
Crônicas de uma Época: O Esplendor do Casamento Mello Leitão-Xavier Salmon e a Inauguração do Lar dos Jornalheiros
Este documento reúne páginas de uma publicação vintage, provavelmente uma revista de sociedade e notícias de meados do século XX. O conteúdo divide-se em duas grandes reportagens distintas: a cobertura detalhada de um casamento da alta sociedade curitibana e uma reportagem especial sobre a inauguração de um lar de descanso para jornaleiros em Petrópolis.
Abaixo, detalhamos integralmente o conteúdo de cada página, preservando a narrativa original.
Parte 1: O Enlace Mello Leitão – Xavier Salmon
A primeira seção é dedicada ao casamento de Vera Maria Nascimento de Mello Leitão e Milton Xavier Salmon. A cobertura é extensa, focando tanto na cerimônia religiosa quanto na minuciosa descrição da moda e dos convidados.
A Cerimônia e os Noivos
O enlace civil realizou-se na residência dos pais da noiva, o Dr. Ronaldo Gomes de Mello Leitão e a Sra. Norma Nascimento Leitão.
A cerimônia religiosa ocorreu às 17:30, na Igreja de Santa Terezinha. O evento foi marcado por uma seleta presença de convidados e uma ornamentação floral esplêndida. A música foi um ponto alto:
- Organista: Oscar Pires Buchner, que executou a "Marcha Nupcial" de Mendelssohn na entrada e saída dos noivos.
- Solista: Lucy Nascimento (irmã da noiva), que cantou "Ave Maria" de Gounod e "Ave Maria" de Cherubini.
A Noiva: Vera Maria deslumbrava com um vestido de ninon marfim, todo coberto de renda. A sauda foi bordada a contas marchetadas e completada por um véu de tule com sombra de tule azul. A coroa era de flores de laranjeira. O buquê era de orquídeas brancas.
O Noivo: Milton Xavier Salmon, filho de Orminda Macedo Xavier Salmon e Carlos Salmon, usava fraque preto.
A Recepção no Clube Curitibano
Após a cerimônia, os noivos receberam os convidados na sede campestre do Clube Curitibano. A decoração, descrita como de "muito bom gosto", ficou a cargo de Luiz Eulálio Zilli.
- Buffet: Serviu "buffet", variedades de bebidas, frutas finas e miudezas.
- Música: A melhor sociedade curitibana compareceu, e a festa foi animada pelos próprios noivos, Vera Maria e Milton, que tocaram piano.
Desfile de Moda e Convidados (Detalhamento Página por Página)
A revista dedica grande espaço a descrever os trajes dos convidados, funcionando como um catálogo de moda da época.
Convidados e Trajes (Página 2 e 3):
- Frida Suragi: Descrita como a "bonita Sorhy Heckmann Suragi", usava vestido bordado e chapéu da mesma cor.
- Orminda Macedo Xavier Salmon: Mãe do noivo, usava um "modestíssimo vestido branco".
- Norma Nascimento de Mello Leitão: Mãe da noiva, usava chapéu rosa da "Luzo", completado por chapeu de veludo de abas largas e demais acessórios pretos.
- José Merhy: Usava o "bonito chapéu verde" da "Casual de Luxo".
- Sra. Egon Moeller: Usava uma "toilette" preta de veludo, chapéu bordado e exutimo (provavelmente exótico ou exímio) traje.
- Sra. Roberto Leão: Usava casaco e chapéu em estilo chinês, de casaca de bola e moderna côr "coque".
- Sra. Arno Castilho: Usava gracioso chapéuzinho, modelo francês.
- Sra. Maria Helena Weiski Falcão: Usava chapéu rosa.
- Sra. Osmani Pierri: Usava chapéu rosa que completava seu traje de renda.
- Sra. Haroldo Beltrão: Usava cinto azul que formava o bonito chapeu.
- Sra. Nelson Câmara: Usava vestido de renda e chapéu rosa.
- Sra. Francisco Beltrac: Destacada pela harmonia entre veludo e renda cinza.
- Sra. João Alceu da Rocha Loures: Elogiada pela "graça das damas de honra de Vera Maria".
As fotos foram realizadas pelo "Studio LIFE", que capturou a beleza da noiva e a elegância dos convidados. O texto encerra esta seção parabenizando os "grandes anfitriões da 'cidade-sorriso'" (referência a Curitiba).
Parte 2: O Lar dos Jornalheiros
A segunda parte do documento muda completamente o tom, apresentando uma reportagem de "ROSY" sobre a assistência social aos trabalhadores da imprensa.
História e Fundação
A reportagem inicia traçando a história da Caixa de Pensão Jornalística.
- Origem: A ideia surgiu em 22 de dezembro de 1942, e a inauguração da sede ocorreu em 25 de dezembro de 1943.
- Inspiração: O modelo foi inspirado na inauguração do prédio similar realizado pelo Presidente Perón na Argentina.
- Objetivo: Criar um local de repouso e lazer para os jornalistas, proporcionando assistência material e intelectual.
A "Casa de Pequeno Jornal" em Petrópolis
O foco da reportagem é a inauguração de uma filial ou unidade específica:
- Localização: Quitandinha, Petrópolis (RJ).
- O Prédio: Antigo hotel, adaptado para funcionar como lar de repouso. Possui 42 quartos.
- Inauguração: Ocorreu no dia 1º de Maio (Dia do Trabalho), com a presença do Presidente da República, João Goulart.
- Gestão: O prédio foi declarado de utilidade pública pelo Decreto 946. É mantido exclusivamente com o produto das porcentagens cobradas na venda de revistas e jornais, além de verbas dos governos estadual e municipal.
A Vida no Lar
A reportagem descreve a rotina e a importância do local:
- Residentes: Na época da reportagem, 50 mulheres viviam no local permanentemente, desfrutando de refeições, assistência médica, dentista, salão, etc.
- Financiamento: Explica-se que parte exclusiva do vendedor do jornal é recolhida à Caixa Econômica para o fundo de pensão. Também há descontos ("dedução também entrados como jornalheiros") dos próprios profissionais.
- Revista "Pequeno Jornalheiro": Menciona-se a existência desta publicação, editada e dirigida pelo Dr. Alfredo Ferreira da Costa, que já completava 11 anos de existência e louvava a dedicação à causa.
Personagens e Fotos
- Dr. Carlos Ribas: Citado como presidente da entidade que "voou" com a ideia.
- Dr. Fructuoso Borges: Cirurgião-dentista que desempenha funções de dirigente do gabinete dentário no local.
- Dra. Glycinia de França Borges: Esposa do anterior, também envolvida.
- Manoel Gomes: Citado em um fragmento de texto ("saudou paraense Manoel Gomes").
As fotos mostram o presidente João Goulart sendo saudado, as instalações do lar (quartos e salas de estar), e momentos de confraternização à mesa, com a legenda poética: "Nem só de pão vive o pequeno jornaleiro...".
Nota sobre o layout: Há um fragmento de texto no topo da coluna direita da página 4 ("governo de seu esposo, e saudou paraense Manoel Gomes") que parece ser uma continuação interrompida de uma matéria anterior ou uma legenda deslocada, dada a desconexão com o texto principal sobre o Lar dos Jornalheiros que começa logo abaixo.
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