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sábado, 13 de junho de 2026

Riparovenator: O Caçador das Margens dos Rios do Cretáceo

 

Riparovenator
Intervalo temporal: Cretáceo Inferior
128 Ma
Fragmentos de crânio holótipo
Fragmentos caudais referidos
Classificação científicae
Reino:Animalia
Filo:Chordata
Classe:Reptilia
Clado:Dinosauria
Clado:Saurischia
Clado:Theropoda
Família:Spinosauridae
Clado:Ceratosuchopsini
Gênero:Riparovenator
Barker et al., 2021
Espécie-tipo
Riparovenator milnerae
Barker et al., 2021

Riparovenator ("caçador da margem do rio") é um gênero de dinossauro espinossaurídeo da subfamília Baryonychinae do período Cretáceo Inferior (estágio Barremiano) da Grã-Bretanha. A espécie-tipo é denominada Riparovenator milnerae. Teria sido descoberto em 2013, originalmente pensado como um Baryonyx. Sua análise resultante em sua nomeação divulgada em 2021, junto com o táxon Ceratosuchops resultou na descoberta de um novo dinossauro para ciência.[1]

Descoberta

Riparovenator milnerae e Ceratosuchops inferodios (cinza) e comparados ao tamanho humano

Entre 2013 e 2017, fósseis de espinossaurídeos foram descobertos na praia perto de Chilton Chine antes de serem levados para a Ilha dos Dinossauros. Tais restos foram geralmente referidos ao Baryonyx, mas foram entendidos recentemente como representando duas espécies novas para a ciência.[2]

Em 2021, a espécie-tipo Riparovenator milnerae foi nomeada e descrita por uma equipe de paleontólogos, incluindo Chris T. Barker, David William Elliot Hone, Darren Naish, Andrea Cau, Jeremy AF Lockwood, Brian Foster, Claire E. Clarkin, Philipp Schneider e Neil João Gostling. O nome genérico é derivado do latim rīpārius, "da margem do rio", e vēnātor, "caçador". O nome específico homenageia Angela Milner, falecida em agosto de 2021.[1]

Reconstrução de um Riparovenator

O holótipo remanescente deste táxon consiste em IWCMS 2014.95.6 (corpos pré-maxilares), IWCMS 2014.96.1, 2; 2020.448.1, 2 (uma caixa craniana desarticulada) e IWCMS 2014.96.3 (um lacrimal parcial e pré-frontal), todos recuperados de rochas no Chilton Chine da Formação Wessex. Os restos referidos incluem um fragmento nasal posterior (IWCMS 2014.95.7) e uma extensa série axial caudal de vinte e duas vértebras (IWCMS 2020.447.1-39), representando cerca de cinquenta ossos individuais no total.[1]

Descrição

Representação artística do animal em vida

Com base nos fósseis, estima-se que o Riparovenator tenha medido cerca de 8,5 metros de comprimento com base na reconstrução do esqueleto no artigo de descrição de Dan Folkes.[1]

Classificação

Após a divulgação da análise em 2021, o Riparovenator é considerado um membro da família Spinosauridae, como parte da subfamília Baryonychinae. Os autores em uma análise cladística propuseram a criação de um novo clado, Ceratosuchopsini e identificaram Riparovenator como um membro, intimamente relacionado com a espécie típica, Ceratosuchops, descrito no mesmo artigo. Também faz parte de Ceratosuchopsini o táxon africano Suchomimus.[1][3]

O cladograma abaixo foi proposto por Barker e sua equipe em 2021 e contém a análise filogenética do Riparovenator, considerando-o dentro de Spinosauridae e Baryonychinae.[1]

Megalosauridae

Spinosauridae

Vallibonavenatrix

Baryonychinae

ML-1990 (cf. Baryonyx sp.)

Baryonyx 

Ceratosuchopsini

Suchomimus 

Riparovenator 

Ceratosuchops 

Spinosaurinae

Camarillasaurus

Ichthyovenator 

Irritator 

Spinosaurini

Sigilmassasaurus

"Spinosaurus B" (=?cf. Sigilmassasaurus/Spinosaurus sp.)

MSNM-V4047 (=?cf. Sigilmassasaurus/Spinosaurus sp.)

FSAC-KK11888 (Spinosaurus sp.)

Holótipo do Spinosaurus

Paleoecologia

Riparovenator vivia em um habitat mediterrâneo seco na Formação Wessex, onde os rios abrigavam zonas ribeirinhas. Como a maioria dos espinossauros, ele teria se alimentado de presas aquáticas e terrestres de pequeno a médio porte disponíveis nessas áreas.[4][5]

A Formação Wessex também era lar de uma variedade enorme de terópodes, como o espinossaurídeo Ceratosuchops, o carcharodontossauro Neovenator e o dromeossaurídeo Vectiraptor, além de saurópodes e famosos ornitíquios, dentre eles Iguanodon, Polacanthus e Hypsilophodon.[4]

Referências

  1.  Barker, C.T.; Hone, D.; Naish, D.; Cau, A.; Lockwood, J.; Foster, B.; Clarkin, C.; Schneider, P.; Gostling, N. (2021). «New spinosaurids from the Wessex Formation (Early Cretaceous, UK) and the European origins of Spinosauridae». Scientific Reports. 11 (1): 19340. doi:10.1038/s41598-021-97870-8
  2. «Dois novos dinossauros predadores são descobertos em ilha na Inglaterra». Galileu. 29 de setembro de 2021. Consultado em 23 de março de 2022
  3. Naish, Darren (29 de Setembro de 2021). «Two New Spinosaurid Dinosaurs from the English Cretaceous». Tetrapod Zoology
  4.  Penn, Simon J.; Sweetman, Steven C.; Martill, David M.; Coram, Robert A. (1 de dezembro de 2020). «The Wessex Formation (Wealden Group, Lower Cretaceous) of Swanage Bay, southern England». Proceedings of the Geologists' Association (em inglês) (6): 679–698. ISSN 0016-7878. doi:10.1016/j.pgeola.2020.07.005. Consultado em 2 de outubro de 2021
  5. Hendrickx, C.; Mateus, O.; Buffetaut, E. (2016). «Morphofunctional Analysis of the Quadrate of Spinosauridae (Dinosauria: Theropoda) and the Presence of Spinosaurus and a Second Spinosaurine Taxon in the Cenomanian of North Africa». PLOS ONE. 11 (1): e0144695. Bibcode:2016PLoSO..1144695H. PMC 4703214Acessível livremente. PMID 26734729. doi:10.1371/journal.pone.0144695Acessível livremente

Riparovenator: O Caçador das Margens dos Rios do Cretáceo

Classificação científica: Reino Animalia → Filo Chordata → Classe Reptilia → Ordem Saurischia → Família Spinosauridae → Subfamília Baryonychinae → Clado Ceratosuchopsini → Género Riparovenator → Espécie Riparovenator milnerae

Introdução

O Riparovenator — nome que significa literalmente “caçador da margem do rio” — é um género de dinossauros terópodes espinossaurídeos, descoberto na Grã-Bretanha e que viveu durante o Cretáceo Inferior, mais precisamente no estágio Barremiano, há cerca de 129 a 125 milhões de anos. A espécie-tipo, Riparovenator milnerae, foi identificada e nomeada apenas em 2021, após análises detalhadas de fósseis que, durante anos, foram confundidos com os do seu parente mais famoso, o Baryonyx.
A sua descoberta, ao lado de outra nova espécie (Ceratosuchops inferodios), revolucionou o conhecimento sobre a diversidade de espinossaurídeos na Europa, provando que existiam muito mais espécies desses dinossauros especializados do que se imaginava.
🖼️ Imagem: Comparação de tamanho entre Riparovenator milnerae, Ceratosuchops inferodios e o ser humano

Descoberta e História dos Fósseis

Os primeiros vestígios foram encontrados entre 2013 e 2017, na praia de Chilton Chine, na costa da Ilha de Wight — uma região conhecida como a “Ilha dos Dinossauros”, por sua riqueza em fósseis. Na época, os restos, que incluíam partes do crânio e vértebras, foram atribuídos ao género Baryonyx, já que tinham características muito semelhantes.
Somente em 2021, uma equipa de paleontólogos — liderada por Chris T. Barker, David W. E. Hone, Darren Naish e outros — publicou um estudo detalhado que provou que se tratava de duas espécies inteiramente novas para a ciência: o Riparovenator e o Ceratosuchops.

Significado do nome

  • Nome genérico: Riparovenator vem do latim riparius (que pertence à margem do rio) e venator (caçador), uma referência clara ao seu estilo de vida ligado a ambientes aquáticos.
  • Nome específico: milnerae é uma homenagem à paleontóloga Angela Milner, falecida no mesmo ano da publicação, que foi uma das maiores especialistas em dinossauros do Reino Unido e responsável por estudos fundamentais sobre o Baryonyx.

Material fóssil conhecido

O conjunto principal de fósseis (o holótipo) está guardado na coleção do Museu de História Natural da Ilha de Wight, com os códigos IWCMS 2014.95.6, IWCMS 2014.96.1/2, IWCMS 2020.448.1/2 e IWCMS 2014.96.3. Inclui:
  • Partes da pré-maxila (a ponta do focinho);
  • Peças desarticuladas da caixa craniana;
  • Fragmentos de ossos ao redor dos olhos;
  • Uma sequência quase completa de 22 vértebras da cauda, totalizando cerca de 50 ossos individuais recuperados.
🖼️ Imagem: Reconstrução do esqueleto de Riparovenator com base nos fósseis encontrados

Descrição Física

Com base na reconstrução feita pelo ilustrador e paleontólogo Dan Folkes e nos ossos comparados com parentes próximos, estima-se que o Riparovenator atingisse cerca de 8,5 metros de comprimento total.
Como membro da família dos espinossaurídeos, possuía características marcantes do grupo:
  • Focinho comprido e estreito: Semelhante ao de um crocodilo, com dentes cônicos, ligeiramente curvados e com ranhuras, adaptados para agarrar presas escorregadias como peixes.
  • Estrutura craniana: Tinha pequenas elevações e rugosidades nos ossos do focinho, características que o diferenciam claramente do Baryonyx e do Suchomimus.
  • Corpo e cauda: Era um animal grande e robusto, com membros dianteiros fortes e garras afiadas. A cauda era longa, musculosa e flexível, que provavelmente ajudava na natação e no equilíbrio.
  • Porte: Era menor que o famoso Spinosaurus do Norte de África, mas maior que o Baryonyx encontrado na Inglaterra.
🖼️ Imagem: Representação artística do Riparovenator em seu ambiente natural

Classificação Evolutiva

Na análise filogenética de 2021, os pesquisadores definiram o Riparovenator como parte da subfamília Baryonychinae, que reúne os espinossaurídeos mais antigos e menos especializados do que o Spinosaurus.
Junto com o Ceratosuchops (encontrado no mesmo local) e o Suchomimus (do Cretáceo da África), eles formam um novo ramo evolutivo chamado Ceratosuchopsini. Essa descoberta mostrou que os espinossauros europeus tinham uma diversidade muito maior do que se pensava, com linhagens diferentes vivendo lado a lado.
A posição na árvore evolutiva é:
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Spinosauridae
├─ Vallibonavenatrix
└─ Baryonychinae
   ├─ Espécies basais (ex: Baryonyx)
   └─ Ceratosuchopsini
      ├─ Suchomimus
      ├─ Riparovenator
      └─ Ceratosuchops
└─ Spinosaurinae (grupo do Spinosaurus, Irritator, etc.)
Essa árvore prova que o Riparovenator é parente próximo tanto dos dinossauros europeus quanto dos africanos, mostrando que esses dinossauros se espalharam pelo supercontinente antes da separação total entre Europa e África.

Paleoecologia: O Ambiente e os Vizinhos

O Riparovenator viveu na Formação Wessex, uma região que há 125 milhões de anos tinha um clima mediterrâneo, com estações secas e húmidas, e um ambiente formado por planícies, rios largos e zonas alagadas — o habitat perfeito para um caçador que dependia da água.

Alimentação

Como todos os espinossaurídeos, tinha uma dieta variada:
  • Presas aquáticas: Peixes grandes, anfíbios e répteis de água doce eram a base da sua alimentação, graças ao focinho e dentes adaptados para capturá-los.
  • Presas terrestres: Também caçava pequenos dinossauros, répteis e mamíferos que viviam perto das margens, ou se alimentava de carcaças que encontrava.

Outros animais que viviam na mesma época

A fauna da Formação Wessex era extremamente rica e diversa, e o Riparovenator partilhava o território com:
  • Outros predadores: O seu parente Ceratosuchops, o grande carnívoro Neovenator (um parente dos carcarodontossauros) e o pequeno dromeossaurídeo Vectiraptor;
  • Herbívoros: O famoso Iguanodon, o dinossauro blindado Polacanthus, o pequeno e ágil Hypsilophodon e grandes saurópodes de pescoço comprido;
  • Outros vertebrados: Tartarugas, crocodilos, peixes e aves primitivas.
A coexistência de dois espinossaurídeos diferentes (Riparovenator e Ceratosuchops) na mesma área sugere que eles tinham pequenas diferenças no tamanho ou na forma de caçar, evitando competição direta — um exemplo perfeito de como a evolução adapta espécies diferentes para aproveitar melhor os recursos do ambiente.

Importância Científica

O Riparovenator é muito mais do que apenas um novo nome na lista de dinossauros: ele ajudou a entender como, quando e onde os espinossaurídeos evoluíram e se espalharam pelo planeta. Antes da sua descoberta, pensava-se que na Europa existia apenas um ou dois tipos desses dinossauros, mas hoje sabemos que havia uma verdadeira variedade, ocupando diferentes papéis ecológicos nos ecossistemas costeiros do Cretáceo.
Além disso, os seus fósseis bem preservados — especialmente a sequência de vértebras — permitem aos cientistas estudar detalhadamente como esses animais se moviam, nadavam e caçavam, aproximando-nos cada vez mais de saber como era realmente a vida desses incríveis dinossauros “crocodilo-aves”.