quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Chico Bento: HQ "É o meu aniversário (E o dele também)"

 

Chico Bento: HQ "É o meu aniversário (E o dele também)"




Dia Primeiro de Julho é o aniversário do Chico Bento. Em comemoração, mostro uma história em que o Genesinho resolveu comemorar aniversário dele no mesmo dia que o Chico, causando muita confusão. Com 14 páginas, foi publicada em 'Chico Bento Nº 299' (Ed. Globo, 1998).

Capa de 'Chico Bento Nº 299' (Ed. Globo, 1998)

Nela, Chico Bento conta para a Rosinha que na sua festa de aniversário, a mãe prometeu fazer muito pé-de-moleque, suco de caju e vai ter corrida de burro e brincadeira de porco lambuzado. Rosinha acha que a festa vai ser muito legal. Chico comenta que será semana que vem, dia primeiro de julho e não terá aula na escola porque começam as férias, todos vão poder ir e não terá encrenca no aniversário.


Genesinho aparece, beija a mão da Rosinha, a chama de flor e anjo dos anjos e dá um peteleco no chapéu do Chico. Ele entrega convites para a sua festa de aniversário, fala que é no dia 4 de julho, mas como vai cair sábado e ele vai viajar sexta, resolveu comemorar no dia primeiro de julho, bem no dia no aniversário do Chico, e ainda debocha perguntando se na festinha do Chico vai ter bolo de fubá.


Chico fica com raiva, acha uma sem-vergonhice. Rosinha pensa que foi coincidência e ele diz que depois dos elogios do Genesinho de chamar Rosinha de flor e anjo dos anjos, tem certeza que ele quer que a Rosinha vai à festa sem ele. Rosinha diz que Chico está com ciúmes e sugere que eles comemorem juntos os aniversários. Chico diz que não porque Genesinho vai ficar o tempo todo contando vantagens em cima dele, aí prefere fazer festa sozinho com bolo de fubá e tudo e que vai ser engraçado ninguém ir na festa do Genesinho.


Enquanto fala, Rosinha está olhando para o convite do Genesinho interessada. Ela diz que na festa dele vai ter balão, brincadeiras, palhaço, show de música, passeio de bugue e de barco. Chico vendo o interesse dela, trata logo de convidar toda a turma se quiser honrar seu bolo de fubá e ainda fez uma lista porque conhece muita gente e não pode esquecer de alguém.


Quando convida Hiro e Zé da Roça, Chico vê que o Genesinho acabara de ter mandado o convite para a festa para eles. Chico os chama de amigos-da-onça e eles falam que Chico também vai ser convidado pelo Genesinho, a vila toda foi convidada. Chico vê Zé Lelé com convite do Genesinho dizendo que vai ter docinhos, salgadinhos e refrigerante, só de imaginar a barriga ronca e Chico pergunta se esqueceu do aniversário dele e Zé Lelé pensa que nasceram no mesmo dia e são gêmeos. 


Logo depois, Chico vê a vila toda empolgada com a festa do Genesinho, gostando que vai mandar motorista buscá-los, vão usar melhor vestido, ficar dia todo sem comer antes da festa e vai ser melhor que o arrasta-pé do Nhô Anacleto. Rosinha pergunta se Chico convidou todo mundo e ele responde que mais ou menos, mas sabe que os verdadeiros amigos vão aparecer na sua festa.


No dia da festa, Chico ninguém foi, os pais cantam Parabéns para ele e Seu Bento fala que não é para ficar triste, pelo menos sobra mais comida para eles. Enquanto come o bolo, Chico comenta que os amigos desnaturados não sabem o doce de carambola que estão perdendo. Rosinha aparece, dá o presente de uma calça e pergunta pelo pessoal. Chico diz que não foi ninguém e Rosinha conta que a festa do Genesinho era mais cedo, já dava para todos estarem lá. Ela dá desculpa que tem que ir porque tem compromisso de dar milho para as galinhas e Chico pensa que ela quer ir para a festa do Genesinho.


Na verdade, Rosinha foi investigar porque ninguém apareceu na festa do Chico. Ela vê que o tronco de árvore que fazia ponte no atalho à casa do Genesinho foi posta para o outro lado e aí ninguém podia sair de lá. Quando chega lá, vê todos entediados com o show do Genesinho andando de bicicleta. Hiro conta para a Rosinha que tentaram fugir, mas a ponte do atalho estava afastada e foram lá porque o motorista buscou todos. 


Com a ponte de volta ao lugar, todos vão à festa do Chico. Genesinho gosta de ver a Rosinha, mas ela diz que tem que ir para a festa do Chico e Genesinho conta que na próxima pede ao Jarbas afastar mais a ponte, entregando, assim, que foi plano dele para ninguém ir para a festa do Chico. Rosinha fica braba e vai embora.


Todos chegam à festa do Chico cantando que ele era um grande amigo do coração e ele fica feliz. Só que sente falta do Genesinho e vai até a casa dele buscá-lo e no final os dois comemoram os seus aniversários no sítio do Chico assoprando vela do bolo juntos e Chico comenta que o melhor do aniversário não é a festança, é a lembrança.


História muito legal com o Chico tendo problemas quando o Genesinho resolveu comemorar o aniversário dele no mesmo dia do aniversário do Chico e, com medo de ninguém ir, criou um plano infalível de  tirar do lugar o tronco da árvore que servia de atalho para a casa dele só para ninguém ir para a festa do Chico. Apesar de tudo, no final o Chico não guardou rancor, ficou com pena do Genesinho e resolveu buscá-lo para comemorarem juntos seus aniversários no sítio, provando que tem coração puro e não guarda mágoas.


A história mostra também a diferença entre festas de ricos e festas de pobres e decidir qual tipo de festa é melhor. Os amigos do Chico ficaram empolgados com o luxo da festa do Genesinho, como refrigerantes, show de música, palhaço, passeio de barco, etc, mas depois viram que a simplicidade da festa do Chico era melhor. Tem também mensagem de amizade, de ver quem são os verdadeiros amigos na hora que precisamos, quem gostasse do Chico iria na festa dele sem se preocupar com o luxo da festa do Genesinho, e também bonita a mensagem de Chico não sentir raiva do Genesinho depois de tudo que ele aprontou e os dois comemoram aniversário juntos. 


Foi legal ver o ciúme do Chico enquanto Genesinho entregava convite para a Rosinha, a preocupação do Chico de ninguém ir por ver seus amigos deslumbrados com o luxo que ia ter na festa do Genesinho e Zé Lelé achar que o Genesinho era irmão gêmeo do Chico por pensar que nasceram no mesmo dia. Se fosse, Genesinho também seria primo dele já que Chico e Zé Lelé são primos. 

Dessa vez o Genesinho não ficou focado em conquistar o coração da Rosinha, intenção foi só perturbar o Chico tirando os amigos dele na festa. O Genesinho foi criado em 1991 para ser o rival do Chico, principalmente em tirar a Rosinha dele, mas também tinham outros conflitos sem ser isso e ter contraste entre menino pobre e menino rico, como aconteceu nessa história. 


Tudo indica que foi escrita pelo Paulo Back, tem jeito de ser dele, mas nada confirmado. Deu para notar que tiveram vários personagens secundários contracenando com eles, como eram poucas crianças interagindo na Turma do Chico Bento, aí precisaram colocar secundários. Ainda assim, faltaram colocar a Ritinha e a Maria Cafufa e chama a atenção, dentre tantos secundários, que não teve nenhum negro, provavelmente esquecimento deles e fora que na época ninguém prestava atenção nisso. Hoje o pessoal ia implicar e reclamar disso, que seria falta de representatividade. De curiosidade, os dias da semana ao falarem que dia 1º de julho caiu quarta-feira e 4 de julho caiu sábado, por exemplo, seguiu exatamente o calendário de 1998.


Traços muito bons, típicos dos anos 1990. Não considero incorreta, daria para pelo menos republicarem. No máximo, podiam deixar o Genesinho menos metido, talvez alterariam desenho colocando algumas crianças negras e mudariam  parte que Genesinho diz que Chico era namoradinho da Rosinha, pois hoje não são mais mostrados como namorados nas histórias.

FELIZ ANIVERSÁRIO, CHICO BENTO!!!

BOLSA DE CROCHÊ

 

BOLSA DE CROCHÊ





BOLSA DE CROCHÊ- GRÁFICO


Materiais:
-3 novelos de Barroco (200gr) na cor 9900;
- 1 novelo de Barroco (200g) em cada uma das cores: 9392, 9368, 9563, 9172 e 9427.
-Agulha para crochê Círculo 4,00mm;
-Agulha para tapeçaria;
-1m Tecido Círculo para o forro da bolsa;
-1 zíper de 60 cm;
-Agulha e linha para costura à mão;
-Cola quente;
- 12 rebites de metal para fixar as alças

Pontos utilizados:A legenda dos pontos utilizados está no gráfico;
Procedimento:
Frente e costa da bolsa:
Comece fazendo um cordão com 10 correntes e a partir daqui siga o gráfico. Note que na carreira de número treze, todos os pontos são feitos/pegos por trás dos pontos anteriores, isso fará com que uma “pala” fique destacada no trabalho. Frente e costas são iguais. Antes de costurar as duas partes que formam a frente e a costa do trabalho, pegue uma parte apenas e estique-a bem sobre um papel e demarque o seu contorno. Utilize este contorno como *molde para fazer o forro da bolsa.
Quando frente e costa estiverem tecidas, costure-as com pontos à mão, utilizando o mesmo fio usado para tecer e uma agulha para tapeçaria. Depois que frente e costa estiverem unidas, faça 5 carreiras de ponto baixo como acabamento da abertura superior da bolsa.
Forro:
-Recorte o tecido (2x) nas dimensões do *molde. Costure as laterais do forro. Na parte superior do forro, costure o zíper, a 5 cm da borda. Dobre 2 cm da borda do forro para o lado onde estão as costuras, acomode o forro dentro da bolsa e costure-o à mão, bem rente à abertura superior.
Alças:
Faça um cordão com 110 correntes e a partir daqui siga o gráfico. Faça duas alças iguais. Como reforço da alças, forre o lado interno de cada uma com tecido e costure com pontos à mão e linha normal para costura. Depois que a bolsa já estiver com o forro costurado, fixe as alças na bolsa utilizando rebites de metal.
Arranjo de Flores
Seguindo os gráficos faça: 3 flores grandes, 5 meias flores e 5 pares de folhas. Acomode os motivos na bolsa conforme mostra a Figura 1 e fixe-os utilizando cola quente.










Boina em croche

 

Boina em croche




Facil de fazer essa boina pode ser feita em lâ ou linha





Boina ponto abacaxi em crochê

 

Boina ponto abacaxi em crochê



Boinaemcrochcamila
Boina ponto abacaxi em crochê

Boina de croche ponto abacaxi

 

Boina de croche ponto abacaxi



Bebê panamá.  Esquemas de tricô

Boina de croche ponto abacaxi - grafico
A Maria José Cayres fez com linha Anne e disse que ficou linda
Bebê panamá.  Esquemas de tricô

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Aspecto da praça Carlos Gomes, anos 1915. Foto: Arquivo Gazeta do Povo

 Aspecto da praça Carlos Gomes, anos 1915. Foto: Arquivo Gazeta do Povo


Aspecto da RODOVIÁRIA de Curitiba, ainda novinha, no final dos anos 50 - (Atual Terminal Guadalupe).

 Aspecto da RODOVIÁRIA de Curitiba, ainda novinha, no final dos anos 50 - (Atual Terminal Guadalupe).


A Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, também conhecida como Hospital de Caridade de Curitiba, é o primeiro e mais antigo hospital do município brasileiro de Curitiba, capital do estado brasileiro do Paraná.

 A Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, também conhecida como Hospital de Caridade de Curitiba, é o primeiro e mais antigo hospital do município brasileiro de Curitiba, capital do estado brasileiro do Paraná.



----------- Histórico -------------
A Irmandade Santa Casa da Misericórdia foi fundada em Portugal, no ano de 1498, antes do descobrimento do Brasil. Era uma instituição assistencial católica. No século XVI, inúmeras unidades da irmandade foram fundadas nas colônias lusitanas.
A primeira Santa Casa brasileira foi fundada em Porto Seguro, na Bahia, em 1526. No Paraná, a irmandade chegou a Paranaguá, no ano de 1835.
Em Curitiba a Irmandade foi fundada 1852, onde estabeleceram o primeiro hospital da cidade, que tinha apenas dois quartos e funcionava na Rua Direita, atual Rua 13 de Maio, e proporcionou apoio à Santa Casa de Paranaguá, na época lotada de doentes afetados pela epidemia de Cólera. O baiano José Cândido da Silva Murici era seu único médico, que chegou em 1853, a convite de seu conterrâneo, Conselheiro Zacarias de Góis, o fundador da Província do Paraná. Dr. Murici tornou-se o Provedor da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Curitiba, o cargo mais alto da Instituição, que ocupou até sua morte, em 1879.
A nova sede começou a ser erguida em março de 1868, com o lançamento da pedra fundamental. O Dr. Murici foi o idealizador e o principal responsável pela construção. Após sua morte o cargo de provedor foi assumido por outro baiano, o médico Dr. Antonio Carlos Pires de Carvalho e Albuquerque, que deu continuidade às obras, cujo engenheiro responsável era o alemão Gottlieb Wieland, que residia em Curitiba. Com 160 leitos, o hospital foi inaugurado em 22 de maio de 1880, pelo imperador Dom Pedro II.
Em 25 de março de 1903 foi inaugurado o Hospício Nossa Senhora da Luz, denominado posteriormente Hospital Psiquiátrico Nossa Senhora da Luz. No dia 22 de maio de 1985 a Fundação Santa Casa de Curitiba foi criada.
A partir de 1915 passou a funcionar como hospital-escola para a Universidade do Paraná, mas antes disso já funcionava como centro de aperfeiçoamento para os médicos do Paraná e de Santa Catarina. Em 1956 foi criada a Faculdade de Ciências Médicas do Paraná, atual Escola de Medicina da PUCPR, que também adotou o Hospital da Santa Casa para apoio aos alunos. Em 1961, a UFPR substituiu a Santa Casa pelo Hospital de Clínicas.
A cooperação e atuação conjunta entre o Hospital da Santa Casa de Curitiba, a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Católica e a Escola de Enfermagem Madre Léonie iniciaram-se em 1957. A partir dessa data a Santa Casa passou a acolher os estudantes da PUCPR, cuja aliança foi homologada pela APC em 27 de agosto de 1999.
Em 6 de novembro de 1991 foi criado o Instituto Paranaense de Saúde Mental (IPASAME), denominado Professor Dr. Alô Ticoulat Guimarães, e, na mesma data, a Academia de Cultura de Curitiba (ACCUR).
Estrutura atual
A Santa Casa possui 224 leitos e nove salas cirúrgicas, num complexo de 19 500 m2. Abrange 24 especialidades médicas, além de rica biblioteca.

O Farol das Oficinas: Quando o Saber Iluminou o Coração Ferroviário de Ponta Grossa — A História do Grupo Escolar Professor Colares

 Denominação inicial: Grupo Escolar Professor Colares

Denominação atual: Colégio Estadual Professor Colares

Endereço: Avenida Visconde de Mauá, 650 - Oficinas

Cidade: 

Classificação (Uso): 

Período: 

Projeto Arquitetônico

Autor: Departamento de Obras e Viação - Secção Técnica

Data: 1935

Estrutura: padronizado

Tipologia: U

Linguagem: 


Data de inauguracao: 24 de julho de 1937

Situação atual: Edificação existente com alterações

Uso atual: Edifício escolar

Grupo Escolar Professor Colares - s/d

Acervo: Coordenadoria do Patrimônio do Estado da SEAD (Secretaria de Estado da Administração)

O Farol das Oficinas: Quando o Saber Iluminou o Coração Ferroviário de Ponta Grossa — A História do Grupo Escolar Professor Colares

Naquela manhã de 24 de julho de 1937, enquanto as locomotivas a vapor da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande exalavam nuvens brancas sobre os trilhos das Oficinas, algo silencioso mas igualmente poderoso acontecia na Avenida Visconde de Mauá, número 650. Portas de madeira maciça se abriam para revelar não apenas salas de aula, mas um sonho republicano feito de concreto, geometria e esperança: o Grupo Escolar Professor Colares, templo laico erguido onde o cheiro de carvão e óleo de máquina se misturava ao perfume das primeiras letras aprendidas por crianças de operários ferroviários.

Oficinas: O Berço do Progresso onde Nascia uma Escola

Para compreender a alma do Professor Colares, é preciso primeiro respirar o ar das Oficinas — bairro que não era apenas um ponto no mapa, mas o coração pulsante do progresso paranaense. Ali, desde o final do século XIX, concentravam-se os grandes galpões da ferrovia, onde máquinas gigantescas eram desmontadas, consertadas e renascidas para cruzar os Campos Gerais . Operários sujos de graxa, maquinistas de mãos calejadas, foguistas queimados pelo sol do fogo da caldeira — todos ali construíam não apenas trens, mas o próprio futuro do Paraná.
Era nesse universo de força bruta e precisão técnica que viviam suas famílias: mulheres que lavavam roupa até altas horas para complementar o salário do marido, crianças que brincavam entre dormentes de madeira e vagões abandonados, jovens que sonhavam em ser algo além do que seus pais haviam sido. A educação era luxo distante — até que o Estado, na figura do Departamento de Obras e Viação, decidiu erguer em 1935 um edifício que mudaria para sempre o destino daquelas crianças.

A Arquitetura da Esperança: Art Déco nas Terras dos Trilhos

O projeto assinado pela Secção Técnica em 1935 não era obra de arquiteto celebrado — era padrão estatal, repetido em dezenas de cidades brasileiras durante o Estado Novo. Mas nessa padronização residia justamente sua revolução: a certeza de que até os filhos dos operários das Oficinas mereciam beleza, ordem e dignidade em seu ambiente de aprendizado .
A tipologia em "U" abraçava o pátio central como um colo protetor — espaço onde as crianças, ainda com o cheiro de fumaça ferroviária nas roupas, podiam correr livres sob o sol dos Campos Gerais. As linhas horizontais marcantes, os ornamentos geométricos abstratos, as janelas amplas que capturavam a luz do saber — tudo isso compunha uma linguagem arquitetônica que afirmava, sem palavras: vocês, filhos do povo trabalhador, são dignos de um palácio para aprender .
Diferente do ecletismo ornamental do século XIX, o Art Déco era racional, otimista, voltado para o progresso. Cada detalhe transmitia a ideologia do Brasil de Vargas: a escola não era apenas lugar de alfabetização — era fábrica de cidadãos, templo onde se forjava a identidade nacional brasileira . Enquanto na Europa o estilo adornava cinemas e hotéis de luxo, nas Oficinas de Ponta Grossa ele erguia-se para abrigar os sonhos das crianças pobres — gesto de justiça estética raro na história da arquitetura mundial.

Quem Foi o Professor Colares? O Homem por Trás do Nome Esquecido

Poucos hoje se lembram de quem foi o Professor Colares — e essa amnésia coletiva é talvez a maior injustiça contra aqueles que dedicaram a vida à educação pública brasileira. Embora documentos específicos sobre sua biografia permaneçam raros nos arquivos estaduais, o fato de uma escola ter recebido seu nome naquele período sugere um educador de reconhecida dedicação — talvez professor normalista formado nas primeiras escolas do Paraná, talvez inspetor escolar que percorreu a pé os caminhos de terra para fiscalizar o ensino rural, talvez diretor que transformou uma sala precária num verdadeiro templo do saber.
Na tradição paranaense da época, homenagear alguém com o nome de uma escola não era decisão leviana. Exigia-se trajetória exemplar, compromisso inabalável com a infância pobre, capacidade de transformar realidades adversas em oportunidades de aprendizado. Professor Colares, seja quem tenha sido, certamente encarnou esses valores — e sua memória merece ser resgatada não como mero nome em placa, mas como símbolo de uma geração de educadores anônimos que construíram, tijolo por tijolo, a escola pública brasileira.
Há indícios de que tenha sido um professor primário que atuou nas primeiras décadas do século XX em Ponta Grossa, talvez ligado ao magistério local ou à Inspetoria Escolar da região. Seu legado não está em estátuas ou livros publicados — está nas centenas, talvez milhares, de crianças que aprenderam a ler sob sua orientação, nas famílias que ascenderam socialmente graças ao "a-b-c" que ele ensinou com paciência e dedicação.

O Cotidiano Sagrado: Entre o Apito do Trem e o Tilintar do Sino

Imagine as manhãs daquela escola nos anos 1940: o apito distante das locomotivas marcando as horas como um relógio industrial; o ranger das portas de madeira maciça se abrindo ao amanhecer; o cheiro de cera de assoalho misturado ao aroma característico das Oficinas — graxa, carvão e terra molhada. Crianças descalças ou com sapatos remendados cruzavam o portão carregando cadernos de capa dura, lápis apontados com cuidado, o orgulho silencioso de serem as primeiras de suas famílias a frequentar uma escola de verdade.
Dentro das salas de aula, professores — muitos vindos das Escolas Normais de Ponta Grossa ou Curitiba — ensinavam com rigor e ternura. A cartilha de Leitura de Monteiro Lobato abria portas para mundos imaginários; a tabuada era recitada em coro como um mantra de progresso; o Hino Nacional ecoava todas as manhãs, ensinando que cada criança ali era parte de uma nação em construção .
Mas a escola era mais que alfabetização. Era centro comunitário, ponto de encontro, espaço de resistência cultural. Nas tardes de sábado, o pátio interno do "U" transformava-se em palco para festas juninas onde operários e suas famílias esqueciam por algumas horas a dureza do trabalho; apresentações de teatro escolar onde filhos de maquinistas interpretavam personagens históricos; reuniões de pais que discutiam não apenas notas, mas o futuro de seus filhos — futuro que agora incluía a possibilidade de serem médicos, engenheiros, professores.
Ali, filhos de operários ferroviários, de pequenos comerciantes do bairro, de famílias humildes que moravam em casebres próximos aos trilhos aprendiam lado a lado — numa utopia republicana onde a sala de aula nivelava, ainda que temporariamente, as desigualdades do mundo exterior . A escola tornou-se o grande equalizador social das Oficinas — lugar onde o filho do foguista podia sonhar tão alto quanto o filho do chefe da estação.

A Resistência do Concreto: Quando o Tempo Respeita a Memória

Diferentemente de tantos patrimônios educacionais brasileiros demolidos em nome de um "progresso" cego, o edifício do antigo Grupo Escolar Professor Colares resistiu. Hoje, com alterações inevitáveis — pinturas renovadas, adaptações técnicas, modificações funcionais —, ainda ergue suas paredes na Avenida Visconde de Mauá como testemunha viva de uma era .
Passar diante dele é cruzar um portal temporal. É possível quase ouvir o murmúrio das crianças recitando o Hino à Bandeira enquanto ao longe soava o apito de um trem entrando na estação; o ranger dos giz sobre as lousas negras; o riso contido durante a aula de desenho. O edifício não é apenas estrutura física — é memória materializada, monumento silencioso àqueles que acreditaram que educar era o ato mais revolucionário que um país pobre podia praticar.

Legado Vivo: A Semente que Não Morreu

Hoje denominado Colégio Estadual Professor Colares, o edifício continua funcionando — não como museu nostálgico, mas como instituição viva que adapta sua missão às demandas do século XXI enquanto preserva no DNA a vocação original: formar cidadãos com dignidade, oferecer esperança através do saber, transformar realidades através da educação.
Quantas crianças das Oficinas aprenderam a ler naquelas salas? Quantos professores ali descobriram sua vocação? Quantos médicos, engenheiros, artistas devem seu primeiro passo rumo ao conhecimento à dedicação de um professor que um dia cruzou aquele portão Art Déco com a pasta cheia de sonhos?
Esses números jamais serão totalmente conhecidos — mas sua existência é inegável. A escola das Oficinas foi, e continua sendo, uma fábrica de esperança. Enquanto o Brasil construía ferrovias para ligar estados, aquela escola construía pontes invisíveis — entre ignorância e conhecimento, entre oficina e universidade, entre pobreza e possibilidade.

Epílogo: O Direito à Beleza como Direito Humano

Hoje, quando debates sobre educação reduzem-se a números de orçamento e índices de desempenho, é urgente lembrar lições como a do Grupo Escolar Professor Colares. Ela nos ensina que educar nunca foi — e nunca será — mero ato técnico. É gesto estético. É afirmação política. É ato de fé na humanidade.
Construir uma escola Art Déco num bairro operário nos anos 1930 era dizer, sem palavras: vocês, filhos do povo trabalhador, merecem beleza. Num país que ainda tratava a pobreza como destino inevitável, aquela arquitetura afirmava que a dignidade não era privilégio de classe — era direito humano.
O edifício na Avenida Visconde de Mauá ainda existe. Mas seu verdadeiro monumento não é de concreto e reboco — é feito das milhares de vidas transformadas por quem ali estudou. É feito de alfabetizações realizadas, de consciências despertadas, de dignidade conquistada através do saber. Enquanto houver alguém ensinando com amor nas Oficinas — e enquanto houver alguém que lembre — o Professor Colares continuará vivo. Não como nome esquecido numa placa, mas como semente eterna: porque toda criança que aprende a ler num ambiente digno carrega consigo, mesmo sem saber, o sonho daqueles que um dia decidiram que o futuro do Brasil começaria nas salas de aula dos Campos Gerais — onde o apito do trem encontrou a voz do professor, e onde sonhos simples se transformaram em pátria.