quarta-feira, 1 de julho de 2026

Deusa Seshat: A Senhora da Escrita, Sabedoria e da Memória do Egito

 

Deusa Seshat: A Senhora da Escrita, Sabedoria e da Memória do Egito

Deusa Seshat: A Senhora da Escrita, Sabedoria e da Memória do Egito

Introdução
Seshat é uma das divindades mais singulares e essenciais da mitologia egípcia, uma figura diretamente ligada ao desenvolvimento da cultura, da organização política e da preservação do conhecimento. Enquanto outras deusas estavam associadas à natureza, à guerra ou à vida após a morte, ela era a guardiã da inteligência, da ordem intelectual e da capacidade humana de registrar e transmitir a história. Seu nome significa literalmente “Aquela que Escreve” ou “A Escritora”, e sua presença é registrada desde as primeiras dinastias, tornando-se uma companheira indispensável de faraós, sacerdotes e sábios ao longo de toda a história do Egito Antigo.

Origem e Vínculos Divinos

Seshat surge na religião egípcia como uma divindade independente muito cedo, mas ao longo do tempo passou a ser associada a Toth, o grande deus da sabedoria, da escrita e da magia. Muitas tradições a descrevem como sua esposa, filha ou seu equivalente feminino: enquanto Toth era visto como a fonte da sabedoria e da invenção dos hieróglifos, Seshat era a que colocava esse conhecimento em prática, organizava-o e o guardava para as gerações futuras.
Seu centro de culto principal não estava concentrado em uma única cidade, mas sim presente em todos os grandes templos e centros administrativos do Egito, pois sua função era necessária em qualquer lugar onde houvesse registros, construções ou ensinamentos.

Iconografia e Símbolos

A representação de Seshat é muito característica e carregada de significados:
  • Coroa distintiva: Ela é sempre retratada com um símbolo especial sobre a cabeça — geralmente interpretado como uma estrutura formada por dois chifres ou hastes de madeira, entremeados com penas de avestruz (símbolo da verdade e da justiça) e por vezes com uma estrela ou flor de lótus no topo. Alguns estudiosos acreditam que esse formato também representa um arco ou um instrumento de medição, ligando-a diretamente à arquitetura e à precisão.
  • Objetos que segura: Em suas mãos, ela costuma aparecer com um rolo de papiro aberto ou uma paleta de escrever, além de uma vara de medição e um cabo de corda — instrumentos usados para marcar limites, medir terrenos e alinhar a construção de templos e monumentos.
  • Vestimenta: Usa roupas simples e elegantes, geralmente brancas, que representam a pureza do conhecimento e a clareza dos registros que ela protege.

Funções e Atividades Principais

1. Deusa da Escrita e Protetora dos Registros

Como “Aquela que Escreve”, Seshat era considerada a inventora e a guardiã da escrita hieroglífica. Ela presidia sobre todos os locais onde o conhecimento era armazenado: as chamadas “Casas da Vida” — os centros de estudo, bibliotecas e arquivos anexos aos templos, onde eram guardados textos religiosos, médicos, matemáticos, astronômicos e administrativos.
Ela era também a protetora dos registros reais: era a quem se atribuía a tarefa de anotar o nome de cada faraó no registro eterno, contabilizar os tributos, registrar os feitos militares e administrativos e manter a ordem burocrática do império. Sem seu auxílio, a memória do reino se perderia.

2. Senhora da Arquitetura e Medição

Uma das funções mais marcantes de Seshat era a de “aquela que estica a corda”, um ritual fundamental antes de iniciar qualquer construção importante. Nessa cerimônia, ela ajudava a alinhar o terreno, marcar os ângulos e garantir que templos, pirâmides e palácios fossem erguidos com precisão perfeita, seguindo as leis cósmicas e astronômicas. Graças a ela, as construções do Egito tinham estabilidade e harmonia com o universo.

3. Guardiã do Tempo e da Contagem

Seshat era também responsável por registrar o tempo: anotava a duração do reinado de cada governante, contava os anos, as estações e os ciclos astronômicos. Em cenas nos templos, aparece ao lado de Toth gravando no tronco da árvore sagrada o número de anos que o faraó viveria e reinaria, garantindo que seu destino fosse cumprido de acordo com a ordem divina.

4. Sabedoria e Transmissão do Conhecimento

Ela era invocada por escribas, médicos, astrônomos e arquitetos, que pediam sua bênção para dominar suas artes e manter a precisão e a verdade em seus trabalhos. Para os egípcios, o conhecimento não era apenas informação: era algo sagrado, e Seshat era a garantia de que ele não seria corrompido ou esquecido.

Importância Cultural e Legado

Seshat ocupava um lugar único: enquanto muitos deuses representavam forças que agiam sobre o mundo físico, ela representava a capacidade humana de organizar, compreender e preservar a realidade. Sem sua figura simbólica, não haveria registros, não haveria arquitetura grandiosa e não haveria continuidade da cultura egípcia ao longo dos séculos.

Mesmo com o fim da civilização egípcia antiga, sua essência permanece: ela é vista hoje como um símbolo da memória coletiva, da educação, da precisão e da importância de registrar e transmitir o conhecimento para que a história não se perca no tempo.

Deusa Neith: A Senhora Primordial e Guardiã da Vida e da Morte

 

Deusa Neith: A Senhora Primordial e Guardiã da Vida e da Morte


Deusa Neith: A Senhora Primordial e Guardiã da Vida e da Morte

Introdução
Neith é uma das divindades mais antigas, complexas e reverenciadas da mitologia egípcia, cuja presença é registrada desde o início da história do Egito, muito antes da unificação dos reinos do Alto e Baixo Egito. Diferente de muitas deusas que receberam atributos e funções ao longo do tempo, Neith já surgiu como uma potência primordial, associada à criação, à sabedoria, à guerra, à proteção e à continuidade da vida em todas as suas formas. Sua origem remonta à cidade de Sais, no delta do Nilo, onde foi a divindade tutelar principal por milênios, tornando-se um símbolo de estabilidade e poder tanto para governantes quanto para o povo comum.

Origem e Importância Histórica

O nome de Neith é escrito em hieróglifos com símbolos que representam, em sua forma mais antiga, um tecido de linho e um arco com flechas — elementos que revelam desde cedo sua ligação com a arte de tecer, a produção de tecidos sagrados e a capacidade de defender e atacar. Em Sais, seu centro de culto principal, o templo dedicado a ela era considerado um dos mais antigos e respeitados de todo o Egito. Reis de diferentes dinastias buscavam sua proteção e legitimação para o reinado, sendo comum que títulos como “Amada de Neith” ou “Escolhida por Neith” fossem incluídos em seus nomes e registros oficiais.
Ao longo dos séculos, sua influência se espalhou para outras regiões, e ela passou a ser associada a diversas funções que refletiam a amplitude de seu poder: não era apenas uma deusa guerreira, mas também a origem de todas as coisas, a mãe de deuses e seres vivos, e a guardiã dos mistérios da vida após a morte.

Atributos e Representação

Na arte e na iconografia egípcias, Neith é retratada de diferentes formas, cada uma destacando uma faceta de sua natureza:
  • Forma humana: Geralmente aparece como uma mulher de postura imponente, vestida com um manto longo e justo, feito de linho fino — material que ela mesma ensinou aos humanos a tecer. Sobre sua cabeça, usa uma coroa especial, composta por dois arcos cruzados ou por uma coroa vermelha do Baixo Egito, reforçando seu vínculo com essa região e com o poder bélico.
  • Forma simbólica: Em registros mais antigos, ela é representada apenas por seus símbolos: o arco e as flechas, que lembram sua capacidade de defender o justo e combater o caos; e o tear, que simboliza sua função de tecer a ordem do universo e o destino de todos os seres.
  • Outras associações: Às vezes, aparece acompanhada de animais como a abelha e o crocodilo, ligados diretamente às suas funções de criadora e protetora.

Funções e Mitos Principais

1. Deusa da Criação e Sabedoria

Uma das versões mais antigas da cosmologia egípcia atribui a Neith o papel de divindade primordial: ela existia antes de tudo, no vazio inicial, e foi dela que surgiu a matéria e a energia que formaram o universo. Para os sacerdotes de Sais, ela era a “Mãe que não foi gerada”, a origem de todos os deuses, incluindo o próprio Rá, o deus sol. Essa crença fez dela uma figura de sabedoria suprema, detentora de todos os segredos da existência e da ordem cósmica.

2. Mãe de Sobek e Guardiã da Vida Aquática

Conforme você mencionou, Neith é amplamente reconhecida como a mãe de Sobek, o poderoso deus com cabeça de crocodilo, associado à força, à proteção e à fertilidade das águas do Nilo. Essa relação faz dela também a “mãe de todos os crocodilos” — animais que, apesar de perigosos, eram vistos como essenciais ao equilíbrio do rio, fonte de toda a vida no Egito. Por isso, ela recebeu o título carinhoso e respeitoso de “Enfermeira dos Crocodilos”: ela era quem os protegia, os guiava e garantia que cumprissem seu papel natural, sem que se tornassem uma ameaça descontrolada aos seres humanos.

3. Protetora da Vida Após a Morte

Essa é uma das funções mais importantes e visíveis de Neith na cultura funerária egípcia. Ela fazia parte do grupo das quatro deusas protetoras, ao lado de Ísis, Néftis e Serket. Juntas, elas tinham a missão de guardar os vasos canópicos — recipientes especiais onde eram armazenados os órgãos extraídos durante o processo de mumificação: estômago, fígado, pulmões e intestinos. Cada deusa ficava responsável por um vaso e por um órgão específico, garantindo que eles permanecessem intactos e protegidos, permitindo que a alma do falecido pudesse se reencontrar com seu corpo na vida após a morte.
Neith era, em especial, a guardiã do vaso que continha o estômago, garantindo que essa parte vital do corpo permanecesse segura e preservada para a jornada espiritual. Essa função revela que ela não era apenas uma divindade ligada à criação, mas também à continuidade da existência para além da morte.

4. Deusa da Guerra e da Justiça

Com seus símbolos de arco e flechas, Neith também era invocada como protetora contra ameaças externas e contra as forças do caos. Ela não era uma deusa da guerra destrutiva, mas sim da defesa e da justiça: usava sua força para manter a ordem estabelecida, proteger os inocentes e punir aqueles que violavam as leis divinas e humanas. Reis e soldados pediam sua bênção antes de combates, acreditando que ela lhes daria coragem e estratégia para vencer.

Legado e Influência

Ao longo de mais de 3 mil anos, Neith permaneceu uma figura constante e respeitada na religião egípcia, mesmo quando outras divindades ganharam maior destaque em diferentes períodos. Sua imagem e seus atributos influenciaram até mesmo culturas posteriores: alguns estudiosos acreditam que ela serviu de inspiração para a deusa grega Atena, que também era associada à sabedoria, à guerra e ao artesanato.

Hoje, Neith continua sendo um símbolo poderoso: representa a origem de todas as coisas, a sabedoria que está além da compreensão humana, a proteção tanto da vida quanto da morte, e a capacidade de conciliar forças aparentemente opostas — como a criação e a defesa, a ternura e a força.

Nas curvas da Estrada da Graciosa, anos 1920.

 Nas curvas da Estrada da Graciosa, anos 1920.


Praça sete de setembro de Belo Horizonte em 1905.

 Praça sete de setembro de Belo Horizonte em 1905.




Em Ponta Grossa primeiros tempos do século XX. Em destaque antiga Maçonaria, ao lado o que viria a ser a Praça Barão do Rio Branco.

 Em Ponta Grossa primeiros tempos do século XX. Em destaque antiga Maçonaria, ao lado o que viria a ser a Praça Barão do Rio Branco.


terça-feira, 30 de junho de 2026

Centro Cívico em construção década de 1950.

 Centro Cívico em construção década de 1950.


Aterro da Volta Grande na construção da ferrovia Paranaguá -Curitiba, em foto de Marc Ferrez, década de 1880. Foto: Biblioteca Nacional

 Aterro da Volta Grande na construção da ferrovia Paranaguá -Curitiba, em foto de Marc Ferrez, década de 1880.

Foto: Biblioteca Nacional

Trecho da construção da ferrovia Paranaguá -Curitiba, em foto de Marc Ferrez, década de 1880. Foto: Biblioteca Nacional

 Trecho da construção da ferrovia Paranaguá -Curitiba, em foto de Marc Ferrez, década de 1880. Foto: Biblioteca Nacional










O INÍCIO DA FERROVIA PARANAGUÁ-CURITIBA

 O INÍCIO DA FERROVIA PARANAGUÁ-CURITIBA



Inaugurada no dia 02/02/1885, a ferrovia Paranaguá-Curitiba deve sua existência às manobras políticas do governo imperial, que driblou interesses divergentes e a falta de recursos para destravar a ligação definitiva entre a capital e o Litoral da então província do Paraná. Foram quinze anos de espera até que as primeiras marias-fumaças dessem o ar da graça.
A hoje centenária estrada de ferro continua sendo uma referência por sua engenharia ousada, importância econômica e pela beleza de suas estruturas, que rasgam a Serra do Mar por meio de túneis abertos no coração da rocha, pontes que parecem flutuar no vazio e curvas sobre penhascos que desafiam os espíritos mais corajosos.
Em 1870, o Império recebeu um pedido de concessão para a construção de uma ferrovia que ligasse o Litoral ao planalto curitibano. Francisco Monteiro Tourinho, Antonio Pereira Rebouças Filho e Maurício Schwartz, que tinham construído a Estrada da Graciosa, eram os responsáveis pela solicitação da concessão. A ideia era que a linha partisse de Antonina rumo à capital da província. O decreto de 10/01/1871 deferiu o pedido de concessão.
Mas, a decisão acirrou os ânimos de outra importante cidade litorânea. Paranaguá não aceitava a decisão. O Visconde de Nacar e a família Correia, influentes politicamente, desejavam que o quilômetro zero estivesse em terras parnanguaras.
A pressão política não tardaria a surtir efeito. Os embates e disputas entre as cidades, a província e a Corte se arrastaram por quase quatro anos, até que um decreto imperial de 101/05/1875 pôs fim à discussão: o trem partiria de Paranaguá. O argumento utilizado para renegar Antonina foi a profundidade de sua baía, que não comportaria navios de grande porte.
Quando tudo parecia pronto para que as obras finalmente andassem, o recurso financeiro pesou contra. Vale destacar que o orçamento do governo imperial estava comprometido devido à participação do Brasil na Guerra do Paraguai. A conclusão do Império foi que os capitais nacionais seriam insuficientes.
A Corte solicitou uma nova análise do traçado, que havia sido feita por Antonio Rebouças. A ideia era verificar outra opção que fosse mais negociável com empresas estrangeiras. Em 1877 foi aprovado um novo traçado baseado nos originais de Rebouças e com adaptações dos engenheiros Rodolpho Alexandre Helh e Luiz da Rocha Dias.
Somente em 5 de junho de 1880, Dom Pedro II lançou, em Paranaguá, a pedra fundamental da construção, mas as obras estavam em andamento desde 20 de janeiro. Junto com a pedra, também foi colocada uma urna do tempo: uma espécie de cofre contendo a colher de prata com que o imperador lançou o cimento, moedas da época, jornais do dia e uma ata do evento. Após tantas idas e vindas, não tinha escapatória: uma ferrovia ia unir o Litoral ao planalto.
Preparação do terreno:
O avanço da ferrovia seguia um sequência de tarefas: derrubada da mata, roçada das capoeiras, destocamento, escavações e movimentos de terras para nivelar o terreno. Os trabalhos ocorriam simultaneamente em várias frentes ao longo das três seções do traçado. Conheça detalhes de cada uma delas:
- 1ª Paranaguá-Morretes - (Litoral, 42 km): a principal dificuldade foi a consolidação do leito no terreno arenoso e alagadiço da planície litorânea. Composta por 4 estações: Paranaguá, Dom Pedro II, Alexandra e Morretes.
- 2ª Morretes-Roça Nova - (Subida da Serra, 38 km): região da Floresta Atlântica com relevo acidentado: iniciava no km 42 com 9 metros de altitude, alcançando 955 metros no km 80. Foi o trajeto mais desafiador da construção.
- 3ª Roça Nova-Curitiba - (Planalto, 30 km): foi o trecho mais fácil em meio às matas de araucária, apresentava fracos declives e curvas com raios superiores a 100 metros. Compreendia três estações: Piraquara, Pinhais e Curitiba.
Para isso, outros desafios tiveram de ser superados, principalmente os sete quilômetros entre os rios Itupava e Ipiranga, que costeavam os paredões íngremes dos conjuntos Marumbi e Cadeado. Ao longo do trecho da Serra do Mar, ao menos três obras merecem destaque: o Túnel de Roça Nova, o Viaduto do Carvalho e a Ponte São João.
As primeiras viagens
Era 28/10/1884 quando o trem chegou pela primeira vez na estação de Piraquara. Passado cerca de um mês, quem veria da janela a mesma estação seria a Princesa Isabel, rumo à Curitiba. Como a ferrovia ainda não estava finalizada, ela desceu na região do bairro Cajuru e seguiu a viagem de carruagem.
O 31° aniversário da emancipação do Paraná deixou Curitiba em polvorosa. Aquele 19/12/1884 seria especial: a primeira locomotiva chegaria na estação, ainda em obras, ao anoitecer. O trem, aliás, traria o material para concluir a estação, como as escadarias e a cobertura das plataformas.
Na manhã de 01/02/1885 partia de Curitiba um trem com convidados que participariam no dia seguinte da viagem inaugural da primeira ferrovia da província. Enquanto isso, na capital eram enviadas cartas-convite para a recepção do trem que traria as autoridades no anoitecer do outro dia.
Uma comitiva de ministros da Corte desembarcou do navio em Paranaguá por volta das 9 horas do dia 2 de fevereiro. Uma hora depois, o trem partia de Paranaguá rumo à capital. Na Serra do Cadeado, a composição parou na sede da Comissão Construtora, onde foi servido um almoço.
Após o banquete, o trem seguiu viagem e fez outra parada em Piraquara. Sob a aclamação de 5 mil pessoas e de um foguetório, às 19 horas chegava na estação de Curitiba o trem com as autoridades. Após os discursos, um jantar para 150 convidados foi servido por um banquete da Corte nos galpões da estação. Após três dias, em 5 de fevereiro, passaram a circular os trens regulares de passageiros, com tarifas e horários definidos.
Grande parte dos operários da ferrovia eram imigrantes, ou seja, estavam trabalhando em um ambiente totalmente desconhecido. A maioria dos postos chave eram ocupados por italianos ou alemães. O maior algoz dos trabalhadores foram as doenças tropicais, em especial a malária e o tifo, que infestaram os canteiros de obra principalmente entre novembro de 1881 e maio de 1882. Para que Teixeira Soares conseguisse manter ao menos três mil homens trabalhando ele contratou mais de nove mil. Desse modo, mesmo com as internações o ritmo das obras não foi comprometido.
Quando é terminada a perfuração do túnel de Roça Nova, no ponto mais alto da ferrovia (955 m), os operários, finalmente, adentram o Primeiro Planalto, com seu clima subtropical.
Apesar de ter sido construída na época em que ainda vigorava a escravidão no Brasil, a construção da ferrovia não usou mão-de-obra escrava, a pedido do imperador D. Pedro II.
Paulo Grani