quinta-feira, 2 de julho de 2026

António de Medeiros Franco Achada do Nordeste, 12 de março de 1882 — Ribeira Grande, 21 de março de 1959

 

António de Medeiros Franco
Nascimento12 de março de 1882
Morte21 de março de 1959
CidadaniaPortugal, Reino de Portugal
Alma mater
Ocupaçãopoeta

António de Medeiros Franco (Achada do Nordeste, 12 de Março de 1882Ribeira Grande, 21 de Março de 1959) foi bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra (1911), advogado e político, ligado ao Partido Republicano Português e depois ao Partido Democrático.[1] Considerado orador eloquente, poeta inspirado, grande escritor e músico notável, regeu o Órfeon Académico de Coimbra, em Paris. Foi deputado e senador durante a Primeira República Portuguesa.[2]

Biografia

Formado em Direito, exerceu a advocacia e foi notário na Ribeira Grande, localidade onde se fixou e residiu até falecer.

Militante republicano, entre outras funções políticas de relevo, foi administrador do concelho da Ribeira Grande e comissário da Polícia.[1]

Foi deputado eleito pelo círculo eleitoral de Ponta Delgada ao Congresso da República no período de 1915 a 1917.

Em 1917 foi nomeado governador civil do Distrito Autónomo de Ponta Delgada, exercendo o cargo entre 21 de Setembro e 13 de Dezembro de 1917, sendo destituído com o advento do sidonismo.[1][3]

Foi Senador da República na legislatura de 1922 a 1925, sendo na altura considerado um dos influentes do Partido Democrático e convidado para Ministro.

Uma das suas propostas que teve vencimento foi a ampliação dos poderes das Juntas Gerais dos Distritos Autónomos, permitindo-lhes vender bens sem autorização prévia do Governo para aquisição de material hospitalar.

Foi considerado pelos seus conterrâneos um espírito brilhante e orador de renome e Ruy Galvão de Carvalho classifica-o como poeta de grande talento e poeta do sentimento.

Para além de ser lembrado no toponímia da Ribeira Grande e do Nordeste, a escola do primeiro ciclo da sua freguesia natal, a Achada do Nordeste, tem o seu nome.

Foi um dos históricos republicanos e democratas micaelenses que integraram o MUD de Ponta Delgada, em 1945.[4]

Referências

  1.  "Medeiros Franco" na Enciclopédia Açoriana.
  2. Poetas : António de Medeiros Franco.
  3. Enes, Carlos (coord.), A República: Figuras e Factos, Presidência do Governo Regional dos Açores; Direcção Regional da Cultura, 2010
  4. Açores, "Ecos da reunião no Cine-Jade dos democratas de Ponta Delgada", 23 de Outubro de 1945

Bibliografia

  • Marques, A. H. O. (2000), Parlamentares e Ministros da Primeira República (1910-1926). Lisboa, Assembleia da República e Edições Afrontamento: p. 220.
  • Necrológio in Insulana (1959). Ponta Delgada, Instituto Cultural de Ponta Delgada, vol. XV: p. 233.

António de Medeiros Franco

Achada do Nordeste, 12 de março de 1882 — Ribeira Grande, 21 de março de 1959
António de Medeiros Franco foi um advogado, político, poeta e músico açoriano, figura destacada da vida pública e cultural da ilha de São Miguel durante a Primeira República Portuguesa e décadas seguintes. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra, teve uma trajetória marcada pela atuação política, pela defesa dos interesses regionais e por uma produção artística e intelectual reconhecida por seus contemporâneos.

Formação e vida profissional

Natural da freguesia da Achada do Nordeste, no concelho do Nordeste, concluiu os seus estudos superiores na Universidade de Coimbra, onde obteve o grau de Bacharel em Direito em 1911. Após a formatura, regressou à sua terra natal e fixou residência em Ribeira Grande, onde exerceu a advocacia e a função de notário ao longo de toda a sua vida profissional.
Além da carreira jurídica, demonstrou grande talento nas artes: foi considerado um orador eloquente, um poeta de inspiração e sensibilidade, um escritor de mérito e um músico notável. Durante os seus anos em Coimbra, chegou a reger o Órfeon Académico de Coimbra, inclusive em apresentações realizadas em Paris, o que demonstrava a sua projeção já no meio cultural universitário.

Carreira política

Militante desde cedo das ideias republicanas, filiou-se primeiro ao Partido Republicano Português e, posteriormente, ao Partido Democrático, onde se tornou uma das vozes mais influentes do meio político micaelense. Exerceu diversas funções de responsabilidade:
  • Administrador do concelho da Ribeira Grande e comissário da Polícia, cargos que lhe permitiram atuar diretamente na gestão local e na ordem pública;
  • Deputado à República, eleito pelo círculo eleitoral de Ponta Delgada, com mandato entre 1915 e 1917;
  • Governador Civil do Distrito Autónomo de Ponta Delgada, nomeado em 21 de setembro de 1917 e destituído em 13 de dezembro do mesmo ano, com a chegada ao poder do regime sidonista;
  • Senador da República, durante a legislatura de 1922 a 1925. Nesse período, foi convidado para integrar o governo como ministro, reconhecimento da sua relevância política.
Uma das suas iniciativas mais marcantes foi a aprovação da proposta que ampliou os poderes das Juntas Gerais dos Distritos Autónomos, permitindo que estas pudessem alienar bens próprios sem autorização prévia do Governo central, especificamente para adquirir equipamento e material hospitalar — uma medida essencial para melhorar o sistema de saúde regional.
Mais tarde, já na década de 1940, continuou a sua intervenção cívica como um dos republicanos históricos que integrou o Movimento de Unidade Democrática (MUD) de Ponta Delgada, em 1945.

Reconhecimento e legado

Os seus contemporâneos descreveram-no como um “espírito brilhante”, de palavra firme e cativante. O escritor e estudioso açoriano Ruy Galvão de Carvalho classificou-o como “poeta de grande talento e poeta do sentimento”, realçando a profundidade humana da sua obra literária.
A sua memória permanece viva na geografia e na educação locais: o seu nome faz parte da toponímia de Ribeira Grande e do Nordeste, e a escola do primeiro ciclo da sua freguesia natal, Achada do Nordeste, foi batizada com o seu nome em sua homenagem.
António de Medeiros Franco faleceu em Ribeira Grande, no dia 21 de março de 1959, aos 77 anos, deixando uma marca indelével na história política e cultural de São Miguel.

Referências:
[1] Documentação histórica da administração pública açoriana e arquivos partidários.
[2] Registos da Universidade de Coimbra e memórias da atividade cultural académica.
[3] Arquivos legislativos e cronologias da Primeira República Portuguesa.

Casimiro Alcorta: O Pai do Tango Santiago del Estero, 1840 — Buenos Aires, 1913

 

Casimiro Alcorta
Informações gerais
Nascimento1840 (186 anos)
Santiago del Estero, Argentina
Morte1913 de Carece de parâmetro necessário 1=mês! de [[Erro de expressão: Operando em falta para abs. Erro de expressão: Operador < inesperado.|Erro de expressão: Operando em falta para abs.Erro de expressão: Operador < inesperado.]]
Buenos Aires
Nacionalidadeargentino
Gênero(s)tango
Ocupaçãocompositor, dançarino, violinista
ProgenitoresMãe: Casimira
Instrumento(s)violino
Período em atividade1860–1913
Afiliação(ões)Paulina, Sinforoso

Casimiro Alcorta (Santiago del Estero, 1840 — Buenos Aires, 1913) foi um destacado músico afro-argentino, considerado pelo escritor José Gobello "o pai do tango".[1] Foi o compositor do famoso tango "Cara sucia" (originalmente escrito com o título de "Concha sucia"), o mais antigo de autor conhecido, assim como os tangos "La yapa" e "Entrada prohibida", o segundo depois creditado aos irmãos Teisseire. Formou uma dupla de clarinete e violino com Sinfroso e um célebre par de tango com a italiana Paulina.

Biografia

Casa de Amancio Alcorta em Moreno. A mãe de Casimiro era sua escrava e ele o libertou, razão pela qual carregava seu sobrenome.

Filho de escravos e libertado quando criança, foi imposto o sobrenome de seu dono, como era de costume na época. Sua mãe, Casimira, era escrava do estancieiro e músico Amancio Alcorta (1805–1862), um dos primeiros compositores de música clássica da Argentina. De origem santiagueña, Amancio Alcorta se radicou em Buenos Aires em 1853, sendo proprietário da maior parte das terras do atual partido de Moreno, na Grande Buenos Aires.[2]

Casimiro é mencionado pela primeira vez em 1913, na primeira história do tango publicada, realizada por José Antonio Saldías sob o pseudônimo de "Viejo Tanguero", em um artigo intitulado "O tango: sua evolução e sua história" e publicado em Crítica.[3]

Se destacou como violinista, dançarino e compositor. Sua atuação se estendeu entre 1855 e 1913, isto é, desde os primeiros momentos em que o tango começou a se formar até tomar forma definitiva e ganhar identidade própria durante a chamada Guarda Vieja ("Velha Guarda"). Costumava atuar no Scudo d'Italia, na "casinha" de Laura, no El Prado Español e em uma milonga que ficava na Rua Temple (depois Viamonte).[4]

Como violinista formou o primeiro conjunto de tango de que se tem registro, junto com o Mulato Sinfroso no clarinete e seguramente com um violonista. O conjunto atuou desde a década de 1870 até o fim da década de 1890.

Como dançarino, formou um célebre par com sua companheira La Paulina, de origem italiana, com quem permaneceu até a sua morte em 1913.

Como compositor é o autor do famoso tango "Concha sucia" (1884), que várias décadas depois seria renomeado "Cara sucia" por Francisco Canaro e teria sua letra modificada por Juan Caruso. É muito provável que vários tangos compostos entre 1870 e 1900 sejam de sua autoria, mesmo aqueles creditados a outros compositores.

Faleceu em Buenos Aires em 1913, nos braços de Paulina.

Casimiro Alcorta: O Pai do Tango

Santiago del Estero, 1840 — Buenos Aires, 1913
Casimiro Alcorta foi um músico, dançarino e compositor afro-argentino, figura fundamental na gênese e consolidação do tango. O escritor e pesquisador José Gobello o reconheceu como “o pai do tango”, título que reflete sua influência única nos primeiros anos desse gênero musical que se tornaria símbolo cultural da Argentina e do mundo.

Origem e trajetória pessoal

Nascido em Santiago del Estero, Casimiro era filho de pessoas escravizadas — realidade que marcou seu início de vida. Sua mãe, chamada Casimira, pertencia a Amancio Alcorta (1805–1862), um rico fazendeiro, proprietário de terras e também um dos pioneiros da música clássica na Argentina. Conforme o costume da época, ao ser libertado ainda criança, ele recebeu o sobrenome de seu antigo senhor.
Amancio Alcorta, natural de Santiago del Estero, mudou-se para Buenos Aires em 1853 e tornou-se dono de grande parte das terras que hoje formam o partido de Moreno, na região metropolitana da capital argentina. Essa mudança levou também Casimiro para o centro cultural e social onde o tango começaria a surgir e se desenvolver.
A primeira referência documentada a ele só apareceu em 1913, no trabalho “O tango: sua evolução e sua história”, escrito por José Antonio Saldías sob o pseudônimo de “Viejo Tanguero” e publicado no jornal Crítica. Apesar disso, sua trajetória artística já se estendia por mais de meio século.

Carreira artística

Sua atuação abrangeu violino, dança e composição, e seu período de atividade vai de cerca de 1855 a 1913 — exatamente da fase inicial de formação do tango até o momento em que ele ganhou identidade própria, durante a chamada Guarda Vieja, a primeira geração consolidada do gênero.

Como instrumentista

Casimiro Alcorta foi um dos primeiros violinistas profissionais do ambiente popular portenho. Formou o primeiro conjunto de tango de que se tem registro histórico, ao lado do músico conhecido como Mulato Sinfroso, que tocava clarinete, e contando também com um violonista. Essa formação atuou regularmente desde a década de 1870 até o final de 1890, estabelecendo a base do som instrumental que caracterizaria o tango.
Suas apresentações aconteciam em espaços típicos da vida popular da época: no salão Scudo d’Italia, na “casinha” de Laura, no El Prado Español e em uma milonga situada na antiga Rua Temple (depois renomeada Rua Viamonte), locais onde se misturavam classes sociais, culturas e ritmos que deram origem ao tango.

Como dançarino

Na dança, construiu uma parceria lendária com Paulina, uma imigrante italiana conhecida como “La Paulina”. Os dois se tornaram uma dupla famosa, reconhecida pela técnica e pela expressividade com que interpretavam os passos do tango em sua fase primitiva. Essa parceria durou até o fim da vida de Casimiro, em 1913.

Como compositor

Sua obra mais célebre é “Concha sucia”, datada de 1884 — considerada o tango mais antigo de que se conhece o autor. Por questões de convenção social e linguagem, a peça recebeu um novo nome décadas depois: “Cara sucia”, alteração feita pelo músico Francisco Canaro, que também adaptou sua melodia, enquanto Juan Caruso reescreveu sua letra.
Além dessa obra, são de sua autoria os tangos “La yapa” e “Entrada prohibida” — este último, por muito tempo, foi creditado aos irmãos Teisseire, mas pesquisas posteriores recuperaram a autoria original de Alcorta.
Estudiosos do gênero acreditam que várias outras composições lançadas entre 1870 e 1900, hoje atribuídas a outros artistas, podem ter sido criadas por ele, uma vez que na época era comum que músicos negros e populares não recebessem o devido reconhecimento ou registro oficial de suas criações.

Morte e legado

Casimiro Alcorta faleceu em Buenos Aires no ano de 1913, nos braços de sua companheira Paulina.
Sua história é fundamental para entender a verdadeira origem do tango: um gênero nascido da mistura de raízes africanas, indígenas e europeias, cuja base rítmica e expressiva carrega a marca de artistas como ele, frequentemente invisibilizados pela história oficial durante muito tempo. Hoje, reconhecido como “o pai do tango”, ele representa a memória e a identidade mais autêntica desse patrimônio cultural.

Referências citadas no texto original:
[1] Gobello, José. El tango: su historia y sus intérpretes.
[2] Informações sobre a família Alcorta e propriedades em Moreno.
[3] Saldías, José Antonio. El tango: su evolución y su historia, publicado em Crítica, 1913.
[4] Registros de locais de apresentação e trajetória artística.

Referências

  1. Zenzi, Sergio (8 de julho de 2002). «Los nombres del tango». Diario Folk. Consultado em 18 de outubro de 2013
  2. Duque Castillo, Elvia (28 de março de 2013). Aportes del Pueblo Afrodescendiente: La Historia Oculta de América Latina. Bloomington: iUniverse. ISBN 978-1-4759-6583-4
  3. Viejo Tanguero (atrib. José Antonio Saldías) (22 de setembro de 1913). «El tango: su evolución y su historia». Buenos Aires. Crítica
  4. Selles, Roberto. «Los negros del tango: de Casimiro a Rosendo». LP Tango. Consultado em 16 de outubro de 2013. Cópia arquivada em 8 de dezembro de 2015


Curitiba, PR Data da foto original: 1952, abr Descrição da imagem: Asfaltamento da Avenida Republica Argentina

 Curitiba, PR Data da foto original: 1952, abr Descrição da imagem: Asfaltamento da Avenida Republica Argentina