domingo, 25 de dezembro de 2022

Alvorada do Sul

 

Alvorada do Sul

Alvorada do Sul
  Município do Brasil  
Símbolos
Bandeira de Alvorada do Sul
Bandeira
Brasão de armas de Alvorada do Sul
Brasão de armas
Hino
Gentílicoalvoradense-do-sul[1]
Localização
Localização de Alvorada do Sul no Paraná
Localização de Alvorada do Sul no Paraná
Alvorada do Sul está localizado em: Brasil
Alvorada do Sul
Localização de Alvorada do Sul no Brasil
Mapa de Alvorada do Sul
Coordenadas22° 46' 48" S 51° 13' 51" O
PaísBrasil
Unidade federativaParaná
Região metropolitanaLondrina
Municípios limítrofesPorecatuPrimeiro de Maio e Bela Vista do Paraíso no estado do Paraná e Iepê no estado de São Paulo.
Distância até a capital484 km
História
Fundação14 de dezembro de 1952 (70 anos)
Administração
Prefeito(a)Marcos Antonio Voltarelli[2] (PSD, 2021 – 2024)
Vereadores9
Características geográficas
Área total IBGE/2019[3]424,250 km²
População total (estimativa IBGE/2020[4])11 503 hab.
Densidade27,1 hab./km²
Climasubtropical
Altitude380 m
Fuso horárioHora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2000[5])0,757 — alto
PIB (IBGE/2018[6])R$ 265 481,84 mil
PIB per capita (IBGE/2018[6])R$ 23 481,50
Sítiowww.alvoradadosul.pr.gov.br (Prefeitura)
www.cmas.pr.gov.br (Câmara)

Alvorada do Sul é um município brasileiro do estado do Paraná, pertencente a Região Metropolitana de Londrina. Sua população estimada em 2020 era de 11 503 habitantes.[4]

Etimologia

Denominação dada pela empresa colonizadora, que acreditava no futuro da crescente povoação, num novo crepúsculo, surgindo então Alvorada, acrescida de do Sul, por sua localização geográfica no contexto nacional.

História

O crescente movimento de criação de novas cidades que se espalhou pelo Estado do Paraná na década de 1940 também atingiu a empresa Lima, Nogueira & Exportadora, estabelecida na cidade paulista de Santos.[7]

Esse grupo adquiriu uma vasta área de terras na localidade onde hoje se ergue a cidade de Alvorada do Sul,[8] promovendo seu loteamento em áreas rurais e urbanas, vendidas à longo prazo. Com um novo plano urbanístico, impulsionaram o progresso local, que era caracterizado por um povoamento quase que exclusivamente paulista, trazido pela empresa colonizadora que promoveu seus objetivos com marketing.

A extensa porção territorial que circundava o povoado foi sistematicamente ocupada por famílias de agricultores, que não tardaram em transformar a fértil mata em imponentes cafezais e produtivas lavouras de subsistência.

Os primeiros povoadores do lugar eram homens. Em 1950, pouco antes de sua emancipação, haviam 11 667 habitantes, no qual 92% estava concentrada na zona rural.

Esses adventos permitiram que o núcleo fosse elevado à categoria de município emancipado, no dia 14 de novembro de 1951, pela lei estadual nº 790, sancionada pelo governador Bento Munhoz da Rocha Netto, com território desmembrado do município de Porecatu.

A instalação oficial ocorreu no dia 14 de dezembro de 1952, com as posse das autoridades municipais eleitas. Em 1955 ocupou o cargo de prefeito Juliano Fabrício dos Santos, sendo que eram vereadores: José Pereira Lima, Antonia Fonta Cezar, Thyrso Silva Gomes, Natal Búfallo de Moraes, Arduvino Pedrão, Gil Pellegrini, Antonio Agnelo de Carvalho, João Piovesan e José Savia.

Referências

  1.  «Gentílico alvoradense-do-sul». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de agosto de 2018. Consultado em 30 de dezembro de 2018
  2.  Prefeito e vereadores de Alvorada do Sul tomam posse Portal G1 - acessado em 2 de janeiro de 2021
  3.  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2019). «Área da unidade territorial - 2019». Consultado em 22 de dezembro de 2020
  4. ↑ Ir para:a b «Estimativa populacional 2020 IBGE». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 28 de agosto de 2020. Consultado em 20 de janeiro de 2021
  5.  «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008
  6. ↑ Ir para:a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2018». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 22 de dezembro de 2020
  7.  Cidades@ - IBGE. «Histórico». Consultado em 19 de julho de 2010
  8.  FERREIRA, João Carlos Vicente (1996). O Paraná e seus municípios. Maringá: Editora Memória Brasileira. 144 páginas

Conflitos do transporte II: a pau e pedras, a revolta dos carroceiros

 

Conflitos do transporte II: a pau e pedras, a revolta dos carroceiros

por Fernanda Foggiato

Carroceiros da estação ferroviária em meados de 1940. (Foto: Acervo Cid Destefani)

Responsáveis até então pelo transporte de cargas entre a estação ferroviária e as casas comerciais da cidade, os carroceiros de Curitiba não aceitaram a circulação dos bondes de mulas, a partir de novembro de 1887. “Os bondes logo foram execrados pelos carroceiros em razão da competição que faziam quanto ao transporte de cargas”, resgatou em 2012 o jornalista Cid Destefani, na coluna “Nostalgia”, do jornal “Gazeta do Povo”.

Segundo anúncio veiculado na imprensa pela empresa Ferro Carril Curitybana, para bagagens e encomendas eram cobrados 100 réis para até 30 quilos; mais do que esse peso, a taxa era de 40 réis a cada 15 quilos. Havia ainda preços tabelados para que os carris levassem cargas urbanas, de importação e de exportação.

Os bondes carregavam de tudo, como criticou o editorial do jornal “Dezenove de Dezembro”, na edição de 4 de fevereiro de 1888. Em plena rua da Imperatriz (atual XV de Novembro), o vagão recebeu “um enorme caixão e outros volumes, ao chegar em frente à casa do Sr. Fernandes Loureiro”. “Pergunta-se: é isso admissível?”, alfinetou o veículo de comunicação. Além da incômoda carga no bonde exclusivo para passageiros, o jornal disse que a viagem atrasou devido à parada.

Nem uma semana após a viagem inaugural, o jornal “Gazeta Paranaense” já relatava ataques aos bondes, o que chamou de “perversidade”. “Aproveitando a escuridão da noite – esta irmã do crime, lançam sobre os trilhos dos bonds enormes pedras e atravessam-n'os com imensos pedaços de páos.” Ainda de acordo com a publicação, no dia em que o sistema começou a operar já houve sabotagens, justamente ao veículo em que seguia o chefe de polícia. Ele, então, colocou seis policiais à disposição da empresa Curitybana, para coibir os atos.

O gerente da empresa, no entanto, dispensou a atuação dos “praças”. A “Gazeta Paranaense” relatou, no dia 30 de novembro, um princípio de conflito na antiga rua Matto Grosso. Um carroceiro, após descarregar, não saiu dos trilhos para dar passagem ao bonde, apesar dos apitos. Ele teria dito que estava descansando. Os funcionários do empresa Curitybana, então, tentaram retirar a carroça dali, o que chamou a atenção de outros carroceiros, que saíram em defesa do colega e deram início a um “grosso salceiro”.

Os casos continuaram. Quem conta, desta vez, é o jornal “A Republica”, na edição de 8 de novembro de 1888. De acordo com o relato, carroceiros que transportavam barro para o Largo do Mercado (antiga Cadeia Pública de Curitiba e atual Paço Municipal) ocuparam os trilhos. O bonde ficou parado por pelo menos 15 minutos: “Por apitos successivos, retiraram-se apressadamente. Pedimos providencias para abusos de tal ordem”.

Em 1895, o Código de Posturas Municipais instituiu uma multa de 5 mil réis para qualquer pessoa que atrapalhasse a circulação dos bondes, fosse por parar veículos nos trilhos ou por tentar sabotá-los com paus, pedras e outros objetos que impedissem o trânsito ou levassem ao risco de descarrilhamento. No final de abril de 1896, os carroceiros de Curitiba fizeram uma greve. Segundo “A Republica”, aqueles que queriam trabalhar eram ameaçados. Os colonos, depois da venda de seus produtos, ajudaram a transportar cargas, sob a proteção da polícia.

Dois anos e meio depois, uma norma municipal disciplinou o trabalho da categoria. A lei 13 de 1898, publicada pelo jornal  “O Municipio”, apontado como o “órgão da municipalidade de Curityba”, normatizou o serviço de transporte de cargas, inclusive nos bondes. As matrículas, de carroceiros, cocheiros, condutores e carregadores, eram emitidas pela Câmara Municipal apenas para maiores de 14 anos de idade.

Leia também:

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A história da Garagem de Bondes de Curitiba


Confira mais reportagens históricas sobre Curitiba na seção “Nossa Memória”.


Nota: As citações de atas e notícias, entre aspas, são reproduções fiéis dos documentos pesquisados. Por isso, a grafia original não foi modificada.


Referências Bibliográficas - “Conflitos do transporte II: a pau e pedras, a revolta dos carroceiros”

Lei 13 de outubro de 1898. Disponível no jornal “O Municipio”. Curitiba, PR. 19\11\1898. Acesso em:
http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=720917&pesq=carroceiros&pasta=ano%20189

Jornal A República. Curitiba, PR. 08/10/1888. Acesso em:
http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=215554&PagFis=163

Jornal A República. Curitiba, PR. 26/04/1896. Acesso em:
http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=215554&PagFis=6335

Jornal Dezenove de Dezembro. Curitiba, PR. 04|02|1888. Acesso em:
http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=416398&PagFis=15263

Jornal Gazeta do Povo. Coluna Nostalgia. Curitiba, PR. 30/11/2012. Acesso em: http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/colunistas/nostalgia/no-tempo-do-bonde-48zs4f7rcnqewsj2nai3ytiz2

Jornal Gazeta Paranaense. Curitiba, PR. 10/11/1887. Acesso em:
http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=242896&PagFis=2031

Jornal Gazeta Paranaense. Curitiba, PR. 30/11/1887. Acesso em:
http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=242896&PagFis=2094

Pereira, Magnus Roberto de Mello (org). Posturas municipais – Paraná, 1829 a 1895. Editora Quatro Ventos. Curitiba, 2003.